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Mostrando postagens de 2017

FITA – I FESTIVAL DE ITAPARICA MÚSICA E POESIA

Nos dias 27, 28 e 29 de outubro o município de Itaparica receberá a 1ª edição do Festival de Música e Poesia FITA – I FESTIVAL DE ITAPARICA, que contará com a participação de artistas locais, estaduais e nacionais. Serão três dias de programação musical e poética, com apresentações na praça Jardim dos Namorados. Dentre os nomes para compor a grade musical do projeto, destacamos: BaianaSystem, Zeca Baleiro, Mariene de Castro e Lazzo Matumbi. A poesia vem representada por Lirinha, Karina Rabinovitz, Jackson Costa, Bule Bule, e etc. Paralela à programação artística, uma feira gastronômica, que oferecerá ao público a oportunidade de experimentar a culinária local. O acesso a toda a programação será gratuito. O FITA é uma realização da Prefeitura Municipal de Itaparica.

CRIME E CASTIGO

Como de costume, assisti a grande parte da Sessão Plenária do STF, na tratativa das questões das Medidas Cautelares, que diretamente afetam a situação do Senador Aécio Neves e como não poderia deixar de ser, pela minha própria natureza, fui fazendo correlações com o povo e suas posturas ao longo destes anos de incessante “Crime e Castigo”. Entre um e outro ministro, lá estávamos nós, eu e meu marido, sentados no conforto da poltrona, sentindo-nos jurados quanto às avaliações, crendo ingenuamente, mas empolgados, estarmos diante de um julgamento isento de maiores interesses, se não da verdade, do bem público e do respeito à Constituição Nacional. Depois do caso passado, sem a influência das simpatias pessoais em relação a este ou aquele ministro e, tão pouco, iludida de que sou capaz de uma avaliação, seja ela qual for, até porque, eu ou qualquer outro, desconhecemos os reais fatos, nada além daqueles que nos são repetidamente informados por uma mídia absolutamente tendenciosa. Concluí, …

OPÇÃO...

Na medida em que vamos envelhecendo, vamos também neste processo nos tornando mais sensíveis às coisas do mundo, com certeza, porque os sentidos já infinitamente abastecidos de mazelas assimiladas ao longo da caminhada, pede socorro de formas diferenciadas. E aí, dizemos: -Nossa!!! Fulano depois de velho, está isto ou aquilo. Na realidade, contabilizamos as nossas emoções, construídas uma a uma durante nossas vidas e a depender de nossas naturezas, reforçadas ou remodeladas pelos nossos históricos existenciais, tornamo-nos mais ou menos isto ou aquilo, mas indiscutivelmente, não se pode negar que os resultados são oriundos dos sentidos cansados pelo ofício ininterrupto de filtragem, afim de amenizarem os efeitos processuais da mente e, então, se rebelam em aflitos apelos por compreensão e paciência. No meu caso em particular, percebo que como comunicadora e estudiosa das emoções humanas, já não estou aguentando tanto horror produzido por um sistema humano, que vem exacerbando em seu desi…

PAPO SOLIDÃO

Estou aqui quietinha, neste final de tarde, pensando na vida que já vivi, na que vivo e conjecturando na que ainda posso viver. E aí, surpreendo-me com o tanto que foi expurgado de minha vida, nem sempre por mérito meu, mas com certeza com total concordância, afinal, jamais briguei com as circunstâncias que me atingiram, preferindo encará-las bem de frente, não como desafio, apenas com a dignidade de quem se determinou a jamais se sentir derrotada, tão somente, ferida. E aí, entre uma lembrança e outra, boas e desagradáveis, eis que uma em especial surge em minha mente, sempre bela e vitoriosa, fazendo-me sorrir como uma criança, mas ao mesmo tempo de forma ousada, transformando-me em poeta. Ah! Que saudades de minha Guapimirim Saudades do tumulto dos infinitos sons do silêncio Que como uma orquestra bendita, fez-me conhecer a paz. Sentada à beira do riacho, tocando as aguas frias e translúcidas Sorvendo aromas, pensando em nada, possuindo tudo. Meu pequeno riacho, minha fonte de vida.


SIMPLES ASSIM...

Meus olhos fitam a imensidão do mar E o sol quente aquece meu corpo desnudo. Convite explícito à confidência Neste universo ardente, pronto a escutar.
Abro os braços, quero abrigar com ânsia Todo o mistério, energias a decifrar Recebo o mar, me inebrio e enterneço Ao sentir ternura em forma de grandeza.
 O desmaiar das ondas sobre as areias Num espetáculo para lá de genial Faz-me vibrar, dispenso pensamentos Rendo-me aos sentidos e nada mais.

(Escrito em 01/04/2003) Itaparica )

VIVENDO

Os sons que ouço são leves Os toques que sinto são brisas Os tons da natureza, meus sonhos São vida com melodia.
Pensando nas torturas diárias Nas lágrimas e nos sonhos perdidos Busco frenética a poesia Na ânsia da luz e da alegria.
Guerreando no desbrave da vida. Ergo espada e danço ao vento Rasgando tristeza, amputando a dor.
Viver é sonhar Sonhar é amar Vivendo e sonhando Aprendi a amar. ( Escrito em 01/04/2002)Cachoeira do Campo)M.G

Atenção

Diante de tanta desolação emocional, possível de se constatar nas ruas e nas redes sociais, sugiro poesia.
Poesia que mantém acesa a chama da esperança.
Afinal, de que adianta sofrer e se desesperar?
Pense nisso e leia e faça poesia, melhor calmante para um coração decepcionado.
Enquanto, se pensa poesia, deixamos de focar o feio, o triste, o mentiroso.
Trocamos a dor que machuca, pelo consolo do tudo bem.
Consolo que amansa, que entontece e faz sorrir.
Sorrir pela perda do tempo, já tão curto para se viver. Que nesta terça-feira, o ditado "viola no saco,"mais que fugir da raia, seja um bendito gesto de conscientização de que, nem toda realidade se revela do jeitinho que queremos.
E que por mais boa vontade que tenhamos, nem sempre acertamos em nossas escolhas e investimentos pessoais.
ACORDA MENINO!!!!

Incrível!!!!!

É a libertação do caminhar. Descortina sonhos abafados E dentre tantos, alguns sonhados acordada.
Já não importa a dor dos pés doidos e machucados Que pisaram pedras que os fizeram sangrar. Bendito rastro de sangue que vão deixando, Sinal de vida, luta e caminhada.
Olho ao redor e enxergo os pássaros Vez por outra, alguns se chegam, até bem próximo. Mas em meus bolsos, já não carrego alpiste. Um peso a menos que me nego carregar.
A cada dia que recomeço a caminhada, Não vou negar, sinto falta da poltrona. Afinal, por tanto tempo me acomodei nela,
Que dói pensar que posso tê-la, mas não a quero mais.

PENSANDO

Do conforto da poltrona observo Os pássaros que solitários surgem Aos poucos a outros se unem Formando um bando aparentemente unido.
Vez por outra um pássaro se extravia Indo em busca de um atrativo alpiste E quase sempre o pássaro se perde Apenas voa, enquanto, suas asas aguentam.
Não raras as vezes que ao bando retorna Deprimido, fraco, entorpecido. Raras as vezes que acolhido, se integra.
Do conforto aparente da poltrona Voo com os pássaros, bato asas e sou livre Egoísta, talvez ao jogar o alpiste Armadilha perfeita para o retorno dos pássaros.
Do conforto da poltrona, observo As estações se sucedem e eles sempre voltam Onde será, que encontram a liberdade Se pelo alpiste, eles retornam e nada muda.

PENSANDO

Sou uma pobre poeta Que encontra no vento frio O calor de uma alma amiga, Confio em um sorriso Banho-me em uma lágrima, Apaixono-me por um olhar.
( livro Força Estranha) Regina Carvalho

EU POETA?

Quando fui convidada pela produção do FITA, para participar deste evento, imediatamente pensei: 
Que maravilha!
Em seguida ponderei comigo mesma o fato de não me sentir capaz de me qualificar sequer como escritora, quanto mais poeta na terra berço do erudito Ernesto Carneiro Ribeiro e de João Ubaldo Ribeiro, autor premiado e consagrado mundo à fora.
Lembrei-me então de Sebastião Salgado, mestre dos mestres da fotografia que mesmo nascido nas Minas Gerais, em terras de monstros sagrados da literatura, como Guimarães Rosa e Carlos Drummond de Andrade, lançou-se poeta dos registros fotográficos e ganhou o mundo, poetando em imagens à vida nos mais belos e nos mais feios instantâneos da humanidade.
Os dias foram passando, minha alma se acalmando e a mente amiga e parceira foi descortinando o já sabido, afinal, poeta é todo aquele que é capaz de com a sua sensibilidade tocar o céu e a terra, revelando de forma amorosa, nuances dos atos contínuos de se sentir vivendo e convivendo, registrando o…

TERNURA

Esta foi uma semana em que a vida me foi particularmente gentil, amável, benevolente, cobrindo-me de zelo, amparando minhas fragilidades com compaixão e afeto, fazendo com que eu me sentisse mais suave e amorosamente integrada a ela e ao tudo mais que ela apresenta como alternativa de convivência. Creio que este pacote de intenções que a vida me proporcionou de forma tão coesa e evidente foi, tão somente, para que eu jamais esqueça que viver é, acima de tudo, um usufruir de sua ternura, se carinho e gentileza oferecermos a ela.
Ação e reação, simples assim.

QUE VENHA O MELHOR

O bucólico nos serve de boas lembranças de um tempo que não se encaixa mais em meio ao movimento natural do desenvolvimento do sistema social que nós mesmos fomos construindo ao longo dos tempos. É sempre bom pensar, como forma de consolo, que somos capazes de frear o crescimento que nem sempre nos parece lento, mas se observarmos a história da humanidade, esta ideia se perde frente à lentidão evolutiva. Os mais resistentes fincam os pés nos freios numa tentativa infrutífera de impedir um crescimento que a cada década se faz mais e mais necessário, mas tem o seu valor indiscutível, pois força as discussões e as consequentes avaliações, tão necessárias. A Ilha que conheci há 15 anos quando aqui cheguei, não é a mesma de hoje em dia e não será igual daqui a algum tempo, e isto não precisa ser ruim se estivermos participando na seleção das opções. Mas enquanto mantivermos os braços cruzados, só enxergando entraves, revelando um atavismo sem sentido ao bem comum, certamente continuaremos entr…

AH! COMO É DIFÍCIL...

Quão solitária é a tarefa de quem se atreve a pensar e registrar a vida em suas infinitas nuances. Para o escritor, não há trégua mental, já que qualquer movimento ao seu redor não lhe escapa e qualquer um deles, torna-se surpreendentemente, uma provocação. Provocação que se transforma em inspiração profunda como uma necessidade visceral de mergulhar no emaranhado da grandeza, beleza ou no absurdo que se apresenta. Não basta só relatar, descrevendo ou imaginando o existente, necessário se faz buscar o entendimento do não visto, mas que não foge da sensibilidade do observador contumaz. AH! Como é difícil ..., pois nem mesmo aqueles que nos amam, são capazes de compreender os caminhos de uma visão mais realística, despidas das firulas sistêmicas que viciadas, insistem em colocar névoas envolventes nos olhos distraídos ou míopes das criaturas, fazendo-as acreditarem no medíocre óbvio. Difícil, mas absolutamente, apaixonante, capaz inclusive de num só instante, me fazer visitar o céu estrelad…

LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Segundo Aurélio, significa:
Liberdade
Substantivo feminino.
1.Faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação.
2.Estado ou condição de homem livre.
3.Confiança, intimidade (às vezes abusiva).
Expressão
Substantivo feminino.
1.Ato de exprimir(-se).
2.Enunciação do pensamento por gestos ou palavras escritas ou faladas; verbo.
3.Dito, frase.
4.Representação; manifestação.
O que as pessoas não entendem ou preferem desconsiderar é que, esta atribuição que o homem crê que conquistou para si mesmo, também se estende ao outro, ou seja:
- Quem fala o que quer, precisa ouvir às vezes o que não quer.
Afinal, toda ação tem uma reação, que também muitas vezes é contraditória aos interesses de quem praticou a ação.
Não se trata de dente por dente, olho por olho, apenas uma dinâmica bem típica das relações de todo e qualquer ser vivo.
O problema é que por sermos dotados de raciocínio, que nem sempre é legitimamente lógico, cremos arrogantemente, que somos os mandatários deste atributo, acred…

SENTIMENTAL, EU SOU...

Sem ser Altemar Dutra e sua inesquecível canção. Todavia, preciso reconhecer que sempre fui assim, demais nas emoções, numa passionalidade que comove minha mente e meu corpo, levando-me inexoravelmente a um estado de êxtase que se expressa em lagrimas amorosas, até mesmo, quando me vejo agredida de alguma forma. Minha passionalidade foi sendo aliciada pelas vivências cotidianas e minha tolerância ao contrário de sufocar-me, aliviam-me, abrindo a porta da serenidade que só adoça o meu todo de criatura humana, ferida repetidamente em batalhas, em sua maioria evitáveis. Ah! Como eu gostaria de ter crescido com os conhecimentos que tenho agora. Ah! Como eu certamente estaria mais leve, mais encantada, como a tal borboleta dourada, que certa feita declamei com meus versos de menina moça sonhadora.

CORUJINHA DA MADRUGADA

Enquanto todo mundo dorme eu, já dormi e já acordei, sou uma corujinha da madrugada, protegida do barulho sistêmico e inspirada pelo movimento da diversidade da grandeza do silêncio da vida que encontra toda a sua liberdade, enquanto, a maioria dorme, não podendo assim feri-la, impedindo a sua plena expressabilidade.
Lentamente fui sendo acolhida ainda garota pela generosidade das madrugadas e timidamente, fui esgueirando-me entre as oportunidades maravilhosas que foram se descortinando.
Tudo é sempre novidade, sem assombramentos, apenas estão lá me aguardando em sua originalidade e eu, já adaptada serpenteio, tal qual o cipó-imbé o faz no tronco da mangueira, abraçando e sorvendo a seiva bendita que me mantém viva e produtiva.
Penso então que, enquanto, existir uma só criança que chegue neste mundo que dizem ser de Deus e nele não encontrar, abrigo, alimento e amor, todo o restante não terá sentido.
Enquanto, um único ser for agredido por outro, tão somente por ser negro, gay ou possuir …

REFLETINDO

“Se olharmos de forma absolutamente despidos de qualquer inerência sistêmica, perceberemos impactados que o absolutamente imutável é a própria vida que se renova a cada milionésimo de segundo, independentemente da vontade, da força, da determinação ou da pirraça louca da criatura humana. A vida se transmuta, se recicla, se transforma, ensinando à criatura humana que como parte integrante deveria estar acompanhando a sua evolução ao invés de teimosamente achar-se egocentricamente mais sábia, mais forte para superá-la. E nesta queda de braço desproporcional, a criatura humana se curva e se faz doer”.

IMPRESSIONANTE...

É madrugada, quase amanhecendo, talvez devesse estar dormindo, mas gosto de contrariar os roteiros constantes, iguais, massacrantes. Abro a porta para que meus “poodles” entrem, pois não admitem eu, acordada e longe deles. Que rico, meu Deus!!! A brisa da madrugada traz consigo os aromas refrescantes que adentram em mim, abrindo passagem ao exibicionismo da vida em todo o seu gigantismo. Penso então, que se dormindo estivesse, perderia este elixir, que me renova nas madrugadas que insisto em vivenciar. E como um mel, suave e deslizante, sinto-te, ó vida, percorrendo o interior de meu corpo, abrindo passagem sem pedir licença, apenas me possuindo despudoradamente. Incansável, faço amor com a vida ... Sorvendo seu bendito gozo a cada amanhecer...


A PERGUNTA É:

- Como administrar uma cidade agradando a todos os cidadãos? RESPOSTA: - Impossível Pois é, então a melhor solução é sempre manter o diálogo entre o povo e o gestor com a finalidade única de maior transparência quanto às intenções atreladas em cada ação empreendida. Quando somos surpreendidos nas ruas de qualquer cidade com ações administrativas que tenham o apoio de policiais, como por exemplo, a retirada de camelôs de qualquer natureza, nossa primeira reação é de revolta. Afinal, num país com 14 milhões de desempregados, com um índice de violência no ranque dos maiores do mundo, como reprimir um trabalhador? Nossa reação é normal, exatamente porque nos colocamos no lugar de quem está sendo, digamos, impedido de trabalhar, e aí, a emoção nos domina, abafando imediatamente a razão e consequente lógica, também naturalmente existente na ação.
Portanto, para sermos justos, teríamos de ter conhecimento dos fatos envolvidos na ação, além de nos colocarmos também no lugar dos demais, como moradore…

TUDO POR AMOR .

Penso no quanto, em minha educação foi esquecido o meu querer. Preterido os meus sonhos e tendências, gostos e aptidões em favor das escolhas deles que, aliás eram limitadas na época à uma menina de família classe média tradicional. Não vista isso, não fale isto, não ande ou sente assim, não suje a roupa, não marque os sapatos de verniz e só fale se lhe perguntarem algo. Não peça nada, não aceite nada e por fim, entendi que eu, não deveria ser nada além do que eles decidissem que era bom e adequado. Tudo correu dentro do esperado, afora um detalhe que eles não observaram, a menina obediente crescia e toda a gama de desejos estava bem guardadinho, apenas esperando uma oportunidade para escapulir. Mas como fugir se não haviam saídas a minha disposição e sequer coragem para buscar alguma, já que me esqueci de adicionar aos meus anseios de liberdade, as indiscutíveis estratégias de fuga. Meu refúgio eram as palavras que se transformavam em versos e prosas, mas que faziam de mim uma jovem solit…

SIMPLES, DESPRETENSIOSO E HUMILDE

Essa é a definição que caracteriza o “homem ideal”, que é aquele ser humano que não é vaidoso de si mesmo, seja física ou intelectualmente. Mas como cultivar tais qualidades em um mundo cercado de interesses por todos os lados? Daí dizer-se que cada homem é sua própria ilha. Ilha de solidão existencial, onde por mais que se cerque de companheirismos e amores, encontrar-se-á em momentos específicos num profundo isolamento cognitivo de introspecção e reavaliação pessoal. Exemplo afirmativo desta premissa é certamente, o sentimento de culpa que o persegue, mesmo que camuflado através de redenções religiosas, sorrisos fáceis, necessidade de aplauso na sua representação pessoal ou profissional, generosidades ostensivas, no uso abusivo, mas que garante ser social do álcool, das drogas e dos psicotrópicos. Jamais consegui adentrar neste círculo privado de especiais, pois sou antes de tudo muito grata pelos dons que recebi de Deus, da vida, do universo. Nesta altura da vida, já não me importo sab…

Pois é

O tempo lá vai passando e a cada dia fico mais realista e isto, já não me surpreende ou amedronta como em tempos passados. O cotidiano tem se mostrado incansavelmente repetitivo e cada situação me é familiar, convencendo-me que as cenas e os personagens em nada se alteram, só diferem no elenco, ora mais talentoso e consequentemente mais convincente, ora mais medíocre, indiscutivelmente cansativo, mas com certeza, sempre muito explícito. Os roteiros se alternam entre o dinheiro e o poder, entre a alegria e a tristeza, entre a vaidade e a estupidez e o desfecho é sempre entre o Deus ou o Diabo, dueto permanente e inseparável, condutores fiéis das posturas, dos sonhos e dos devaneios, desculpas imediatas para a ignorância.
Realidade provoca tédio.

BOM DIA

Não leves ao pé da letra tudo quanto, possas ouvir. Nem fiques surdo aos lamentos, que ecoam próximo a ti. Que o universo da vida nos inspire nesta semana que está apenas começando.

EU, COMIGO MESMA.

Esta foi uma semana de muitas emoções negativas, afinal, vidas se perderam e outras tantas foram feridas física e emocionalmente; e pessoas como eu, que passam suas vidas valorizando a vida, certamente são abaladas profundamente, já que não precisamos ser parentes ou amigos para mensurar a dor de ver vidas sendo interrompidas de forma tão brutal. Se a tragédia ocorre, digamos, no quintal de nossas casas, tudo toma uma proporção maior e bem mais real, e aí, passado o impacto inicial, a tendência é a reflexão sobre nós mesmos e da importância que representamos no contexto em que subsistimos. De repente, olhando para a TV, reagi em voz alta a uma publicidade sobre o respeito que as mulheres exigem em suas vidas e, então, disse: - Nunca me senti respeitada. Imediatamente, meu marido reagiu surpreso. - Como você pode falar uma coisa destas, logo você que recebeu sempre tanto acolhimento das pessoas? Imediatamente, lagrimas embaçaram meus olhos e com a voz já embargada, olhei para ele e respondi…

DESNECESSARIEDADE Tão logo soubemos do ocorrido com a lancha de Mar Grande, interrompemos o Show da Manhã que transmitimos através, da Rádio Tupinambá FM de Itaparica e, nos dirigimos ao local da tragédia. Por hábito do ofício, levamos conosco a máquina fotográfica, todavia, como sempre ocorre em situações dolorosas e constrangedoras, não fizemos uso dela, justo em respeito, afinal são tantos os cliques e filmagens que mais um seria absolutamente desnecessário. Reconhecemos que os registros são necessários, no entanto, o que se vê são incríveis invasões à dor alheia, com questionamentos insensatos, como por exemplo, perguntar a alguém que acaba de perder entes queridos: - Como está se sentindo? Ou pedir detalhes, numa afronta que infelizmente não tem sido reconhecida pela maioria de nós, que até apreciamos e aumentamos o ibope desta mídia assustadoramente invasiva e desrespeitosa. Particularmente, prefiro a observação silenciosa e a composição coerente e verdadeira dos fatos, para, então, no exercício prático de minha tarefa de comunicadora apresentar um quadro mais amplo do ocorrido, buscando com isenção de qualquer natureza, apresentar todos os ângulos, não que justifiquem, mas que de alguma forma possa exemplificar o conjunto de fatores que propiciaram a tragédia, numa tentativa consciente de levar o ouvinte ou leitor a uma reflexão, ao invés de incentivá-lo ainda mais no hábito assíduo e alienador de ser um “ simples observador” da desgraça alheia.

DESNECESSARIEDADE Tão logo soubemos do ocorrido com a lancha de Mar Grande, interrompemos o Show da Manhã que transmitimos através, da Rádio Tupinambá FM de Itaparica e, nos dirigimos ao local da tragédia. Por hábito do ofício, levamos conosco a máquina fotográfica, todavia, como sempre ocorre em situações dolorosas e constrangedoras, não fizemos uso dela, justo em respeito, afinal são tantos os cliques e filmagens que mais um seria absolutamente desnecessário. Reconhecemos que os registros são necessários, no entanto, o que se vê são incríveis invasões à dor alheia, com questionamentos insensatos, como por exemplo, perguntar a alguém que acaba de perder entes queridos: - Como está se sentindo? Ou pedir detalhes, numa afronta que infelizmente não tem sido reconhecida pela maioria de nós, que até apreciamos e aumentamos o ibope desta mídia assustadoramente invasiva e desrespeitosa. Particularmente, prefiro a observação silenciosa e a composição coerente e verdadeira dos fatos, para, então, n…

ATÉ QUANDO?

Os cotidianos deveriam ser as balizas do senso de pertencimento de nossas próprias vidas, mas infelizmente não são, porque estamos sempre muito preocupados com um vai e vem pessoal de sobrevivência, deixando nossos destinos ao encargo do sistema, sem que sejamos capazes da compreensão primária de que este, nada mais representa que a imagem e semelhança de nossa alienação existencial. Por todo o tempo levantamos bandeiras de todas as naturezas, cor, gênero, política, defesa ecológica e etc., deixando nossas vidas ao encargo da sorte ou de Deus. Enquanto isso, vez por outra, grandes mazelas cotidianas nos abalam, porque são eficientes em nos mostrarem que poderíamos ter sido atingidos, assim, conseguimos em instantes, nos colocar no lugar do outro, podendo sentir os espasmos emocionais de nossa vulnerabilidade. Até quando, deixaremos a segurança das nossas vidas à cargo do acaso? Até quando choraremos as dores do mundo, secaremos as lágrimas e seguiremos em frente, à espera da próxima tragé…

DIREITOS TOLHIDOS

Pois é, de repente me vejo entre a cruz e a espada, e isto vem ocorrendo de forma constante nas últimas décadas, tipo dos anos 80 para cá, mas confesso que tem se intensificado nos últimos 10 anos.  E aí, me pergunto: - Que direitos adquiridos são esses que impedem os demais de ter os seus próprios? Por que de uma hora para outra sou obrigada a aceitar os direitos alheios, sem que os meus sejam devidamente respeitados? Estarei isolada nesta sinuca existencial ou existirão outros que, como eu, precisariam de mais tempo para compreenderem os direitos que ainda nos sãos, no mínimo, esquisitos. O politicamente correto, assim como a necessidade de mostrar que se está antenado e aceitando tudo que a mídia propaga como ideal, também está desenvolvendo através da indução a uma naturalidade postural, uma reação silenciosa de rejeição, revelando uma crescente insatisfação íntima que se expressa através da violência explicita e incompreensível ao primeiro olhar da instantaneidade social em que nos …

POR QUÊ?

Assim como meus pais, acredito que a melhor herança que os pais podem deixar para os seus filhos, seja a educação doméstica e formal.
Todavia, esta premissa é falsa se analisarmos as possibilidades reais que os pais possuem se moram em países como o Brasil, onde as políticas públicas mais expressivas e extensivas aos excluídos, remontam de uns 20 anos para cá.
Portanto, concluo que os brasileiros terão de esperar um bom tempo para que, de alguma forma, esta herança se expresse mais efetivamente, pois a maioria que também neste período se tornou pai, sequer tem noção da importância educacional, já que é desprovido tanto de uma como da outra.
Creio assim que todo aquele que teve a ventura de poder crescer numa família minimamente estruturada e que recebeu o privilégio de uma boa educação formal, antes de ser um crítico contumaz, se esforçasse quanto a valorização do entendimento daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades.
Que olhem para seus umbigos e deles tirem subsídios para de for…

SAL DA TERRA

E aí, sozinha com os meus pensamentos que são também, meus constantes questionadores de condutas, pergunto mais uma vez que humanidade é esta que esfola, magoa, mata sem qualquer parcimônia toda e qualquer vida, sem mesmo reconhecer a própria? Assisti ao filme “SAL DA TERRA” que narra a vida esplêndida de Sebastião Salgado, mineiro de Aimorés, que encontrou na França a segurança e o apoio para desenvolver seu talento maior de fotógrafo social e humano nos idos anos 70 e que, de lá até os dias atuais, brinda o mundo com seríssimos registros para estudos e consequente análise do quanto, independentemente de cor, etnia, cultura ou condição econômica, o ser humano pode se tornar bárbaro, cruel e impiedoso, na busca incessante do dinheiro e do poder. Penso então nos horrores do “Holocausto” que nada mais foi que mais um horror perante aos Céus, pois antes, durante e depois dele, muitos holocaustos houveram e ainda acontecem, sob a consciência cega e muda do mundo, explorada pelas falácias d…

O GALO SE CALOU

São duas horas da manhã, penso que já dormi o quanto bastava, se bem que acordei com o galo de um vizinho bem próximo que esgoelado, antecipa o amanhecer. Como geralmente acontece, minha mente está a mil, ficando até difícil selecionar um assunto para escrever, afinal, eu ou você, se pararmos para analisar o nosso dia de ontem, que consideramos quase igual aos demais já vividos com raras exceções, chegaremos à conclusão de que por tão somente banalizarmos o nosso cotidiano, deixamos passar fatos importantíssimos que poderiam nos servir no mínimo como aprendizado do que devemos ou não copiar ou reverberar. Esquecemos que o que ouvimos, lemos e assistimos, através das muitas e variadas mídias, nada mais são que mecanismos aliciadores, responsáveis diretos pela maioria de nossas atitudes, ganhando bonito de qualquer ensinamento doméstico ou formal, já que é contínuo, tendo como propagadores, cada pessoa com a qual interagimos ao longo de cada dia. A isto chamamos de convivência, daí dizerm…

É ISSO AÍ...

Acordo pela madrugada depois de uma repousante dormida, mas como o mundo ainda dorme, escrevo, numa compulsão incontrolável, como se o universo repleto de energias, de alguma forma, dependesse de mim. Os neurônios se agitam na busca da seleção das muitas ideias que vão e vem numa rapidez assustadora em apenas, alguns segundos, no qual, permaneço quieta diante do computador. Às vezes, como agora, desisto de todas, não por vontade própria, mas por uma espécie de negação automática, selecionadora natural que por algum motivo biológico, emocional ou ambos, existe em mim. Então, respiro fundo, penso em desistir e, até mesmo, chego a levantar-me, buscando outra forma de passar o tempo, enquanto o mundo não acorda, mas aí, volto também num impulso cardíaco e pulmonar, pois as batidas de meu coração disparam e meus pulmões se fecham, muitas vezes exigindo a intervenção da sempre parceira “bombinha da asma”, para um imediato socorro. Tudo muito louco de ser entendido, mesmo por alguém como eu, que…

SACO CHEIO

Coxinha, mulher de barão, intelectual, madame. Na infância, branca azeda, filha de papai rico e tudo isto para me rotularem de pertencer a uma elite FDP e eu, é que sou preconceituosa? Rótulos... Com certeza se tivesse saco, ele já teria se rompido de tanto peso por ter que carregar os hipócritas, os reacionários e extremistas, socialistas/comunistas de merda que ficam no aconchego das sombras das fortunas elitizadas, mamando e discursando suas verborreias fantasiosas a respeito de um mundo e de uma convivência sistêmica que jamais existiu, bastando tão somente, buscar-se a história da humanidade, pois esta, desde o seu início, trouxe no seu DNA, os genes da arrogância, da vaidade e do mau caretíssimo, reforçando assim, com suas leviandades ou devaneios, as mágoas daqueles que por alguma razão, não conseguiram escapulir da pobreza ou da miséria, presentes em qualquer sociedade, pois como nas savanas, o animal mais forte ou o mais astuto, entra nas batalhas da sobrevivência, bem mais cap…

RECADINHO

Olá,
meu querido pai, você partiu pertinho do Natal de 2000 e de lá para cá, ainda não consegui chorar de tristeza como é inerente às emoções da criatura humana. Nesses quase 13 anos sem a sua presença, após inúmeras reflexões a respeito desta ausência de explicitude da saudade, chego à conclusão sorrindo que afinal, somente o riso, a alegria são capazes de permear as lembranças de todos os instantes que nortearam a nossa convivência, sem máculas por longos e agradáveis cinquenta e um anos.
Também durante todos esses anos de profunda amizade, insistias em não me deixar esquecer que amar e se dedicar, só tem sentido se o outro estiver vivo para receber e, que para os que já se foram apenas deveríamos não deixar morrer suas lembranças.
Pois bem... De você meu querido pai, abasteço-me das lembranças gratificantes de um homem presente, amoroso, responsável e que jamais, deixou de apreciar cada instante de sua preciosa vida, deixando esta sua filha abastecida de sua poderosa, alegria de viver…

SOU DO TEMPO

Ai, que saudades que eu tenho de minha época de infância e juventude, onde andar sem medo pelas calçadas, praças e praias, fazia de mim, um alguém livre. Os crimes se tornavam históricos, tão somente, longínquas referências a uma precaução necessária, afim de evitar-se o perigo, remoto risco, muito mais real na mente de nossos pais, zelosos. Sou do tempo das favelas que não ofereciam qualquer risco, dos raros ladrões de varais, das polícias amigáveis e de vizinhos solidários. Sou do tempo dos poucos doutores, senhores que dominavam o corpo humano e que além de tudo se mostravam humanos. Sou do tempo dos preconceitos, onde negros, gays e brancos, não se ofendiam ou se matavam tanto. Sou do tempo da virgindade, da poesia e do romantismo. Sou do tempo da cubra libre, do vermute e da Coca-Cola. Sou do tempo do respeito, da família e da escola. Ai que saudades que eu tenho da hipocrisia de outrora.
Afinal, feria menos, mazelava menos e matava infinitamente, menos.
A arrogância é sempre um acolhedor esconderijo do preconceito e se adicionar a ela Deus, tudo fica com aparência de justiça ao bem comum.

O QUE REALMENTE IMPORTA

Almocei e como faço todos os dias, deitei-me sobre o sofá e fiquei olhando pelos vidros das duas janelas e da porta o sol ameno que decidiu, desde os últimos três dias, ocupar o seu lugar de direito, trazendo de volta a nós, moradores deste pequeno paraíso, a alegria de senti-lo, após meses de muita chuva e de surpreendente frio. Desvio o olhar e percebo que o sol se reflete na madeira branca do forro do telhado da sala, oferecendo a minha mente uma espécie de liberdade, através dos desenhos livres de cada raio solar, levando-me a pensar o quanto gosto de viver, conviver e a cada dia me surpreender. Hoje é sexta-feira e confesso que me sinto muito cansada, afinal, a cada década venho percebendo que preciso fazer mais esforço para aguentar o tranco físico e principalmente emocional para executar as minhas lidas diárias de profissional. Às vezes chego a ouvir a parte racional de minha mente pedindo socorro, mas aí, vem a outra parte que é a emocional, toda faceira com suas argumentações d…

O TEMPO PASSA...

Nem sempre de forma harmoniosa para todos, todavia, que coisa bonita é vê-lo passar sem mágoas dos desgastes naturais que vai causando pelo caminho. Dentre as coisas extraordinárias que fui observando e aprendendo a admirar ao longo destes 15 anos de Itaparica, certamente, as pessoas foram as principais, numa combinação mais que perfeita com a força e a beleza poderosa deste mar que a cerca, formando o mais belo espetáculo às minhas retinas e a minha alma. Esse conjunto de sensível beleza, fez brotar em mim pela primeira vez em toda a minha vida, o bendito senso de pertencimento, fazendo de mim, uma constante cuidadora, repleta de forças para superar meus próprios desgastes que o tempo safado, tem criado pelo caminho. E é muito bom observar que não estou sozinha, não só no reconhecimento deste acolhimento, como no prazer da retribuição. Alguns há mais ou até menos tempo, mas todos, numa disposição contínua, que se renova a cada amanhecer, através de um bom-dia sorridente, da visão inebr…