sexta-feira, 31 de agosto de 2012

UM SOPRO E NADA MAIS

Vaidade, senhora cruel que nos domina, tirando de nós a lucidez, minando o racional que no instantâneo de sua presença se enfraquece, abrindo espaço para a loucura do inadequado que passa, então, a nos dominar como uma poderosa força, não nos permitindo enxergar o óbvio e, muito menos, o sensato. Penso, assim, no cheiro e no aconchego que partilhamos de forma fraterna através de abraços, beijos e carinhos ou na penetração bendita de corpos que se fundem até mesmo para gerar novos corpos, fazendo energias interagirem, tornando emoções registros eternos e em meio a esta interação prazerosa que eu e você somos capazes de sentir vivendo, lá está ela, esgueirando-se entre ações e pensamentos, a vampira vaidade pronta para empanar instantes preciosos, anulando de um momento para o outro a comunhão de corpos, de alma e principalmente de vida. Aprendemos a andar, equilibrando-nos sobre duas pernas, aprendemos a amar, nos entregando por completo, mas infelizmente na maioria de nossos instantes presentes, somos incapazes de aprender a dominar a fúria de nossa vaidade que a tudo destrói em sua razão própria. Penso então na senhora morte que, tal como a vaidade, não se mostra estando presente, não se manifesta a não ser na surpresa de um apagar de velas em um só sopro, fazendo de nós tão somente uma brisa, uma aragem nesta existência, neste mundo que insistimos em acreditar pertencer a um DEUS que teimosamente não reconhecemos nos outros que nos cercam e muito menos em nós, que dizemos abrigá-lo. Lembro-me, então, dos grandes poetas, musicistas e trovadores, lembro-me dos filósofos e dos apaixonados pintores, seres humanos aventureiros que sentiram a vida na sua rudeza, que perceberam a vida na sua leveza e que registraram a vida na sua grandeza. Penso nas mães, nas filhas e no vento, penso no mar, na brisa, penso em mim. Penso em você que me lê neste exato instante, e aí, penso na luz que necessitamos para enxergar a maldita vaidade que nos faz esquecer e muitas vezes sequer pensar em tudo isto e em muito mais. Que neste último dia deste mês lindo de agosto, tornemo-nos filósofos e até mesmo poetas, exigindo de nós, cuidados em relação à traiçoeira vaidade, não fazendo de contas que ela não existe, ao contrário, pois só rasgando o véu que a mantem camuflada, seremos capazes de trazê-la à tona de nossos egos e, a partir daí, encontrar a luz de seu entendimento. Trazendo-a as claras para somente poder domá-la e enfim compreender que somos tudo e somos nada, e que a luz se apaga na sua instantaneidade, ficando apenas o que somos e o que fizemos. Dedico estes meus pensamentos matinais ao querido e inesquecível LELÊ que com sua figura alegre, simples e amável coloria vidas, colorindo a vida, mas ainda assim, se foi como uma brisa e nada mais.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

AQUI E AGORA


Não me permito esquecer que apenas os instantes presentes são relevantes, porque são reais, os instantes que já vivemos só existem na teimosia das lembranças e os instantes futuros, são tão somente projeções, portanto, atenho-me cuidadosamente a não desperdiçar a minha realidade presente, que até pode não estar sendo “aquela Brastemp”, mas é determinante ao fato indiscutível de que eu estou viva para usufruí-la, dando-me ao luxo de não me prender ao já vivido e, tão pouco, renunciar a um presente por causa de um provável futuro.

E, sendo assim, pensando nisso neste instante maravilhoso, aproveito para dizer da minha felicidade, mesmo com todas as agruras com as quais, certamente, eu também já vivi e com as futuras que por vicio, projeto agora, assim como, desejo a você que neste instante me lê nem que seja um só suspiro de alegria e, se for possível, mil outros instantes  de paz neste dia ainda se iniciando, você não deve permitir por razão alguma que, sua teimosia e suas projeções, roubem de você a alegria de se reconhecer livre e consciente para vive-lo.

Que o universo com todo o seu potencial energético, possa neste instante presente ser o seu guia e o seu mestre.

Bom Dia e um beijo instantâneo da Regina no coração de vocês.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

UM DIA APÒS O OUTRO


 
O dia está amanhecendo e só com os meus cães e o universo, posso escutar, sem ainda conseguir ver, as gotas de chuva que esparramam-se sobre as folhas, lá no jardim, fazendo um barulhinho bem tímido, mas nítido e identificador para um alguém  que, como eu, permanece atenta a tudo que significa vida.

Respiro um pouco mais fundo e posso então sentir o cheirinho de terra molhada que majestosamente me invade muito mais que às narinas, pois sinto que banha o meu interior de mulher sensível, apaixonada, que a tudo que vê e sente precisa encontrar explicação que justifique tantos desencontros entre nós, criaturinhas humanas, ainda tão minusculamente incapazes de nos comover com a  única certeza, depois,  é claro, da morte que é a racionalidade da compreensão de apenas haver um dia após o outro.

E neste pout porri incansável e, portanto, ininterrupto, cá estamos nós com as espadas afiadas de nossas próprias incompreensões, brandindo-as sem qualquer noção minimamente adequada, tudo e a todos que a nós, não disser:

- sim.

Paro por um instante de registrar minhas observações matinais, tombo que desanimada minha cabeça, esfrego os olhos, como se assim fazendo, pudesse fazê-los enxergar melhor, não o externo, cujo óbvio se apresenta, mas a própria essência de tamanha estupidez.

Recupero em parte a minha por um instante perdida insensatez, arma poderosa que me faz manter a espada em riste, crendo ser melhor não sentir o tudo de real, pois não há ainda espaço entre nós, criaturinhas ignorantes, onde se possa habitar a lógica da universalidade, onde tudo se integra e tudo se recompõe, nada se desperdiçando, tudo se recriando.

Novamente sou atraída para o jardim e já não sou capaz de ouvir a chuva e tão pouco sinto a terra, mas com certeza, ouço os pássaros, os grilos e toda esta bendita natureza me perdoando, pela estupidez que ainda habita em mim.

E então, recordo Casimiro de Abreu, poeta brasileiro que viveu entre  1839 e 1860.

1.    - Perdão pra mim que não pude, calar a voz do alaúde  nem comprimir os meus ais!  ...


Como são belos os dias
Do despontar da existência!
— Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é — lago sereno,
O céu — um manto azulado,
O mundo — um sonho dourado,
A vida — um hino d'amor!

Que aurora, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minhã irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
— Pés descalços, braços nus —
Correndo pelas campinas
A roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo.
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

................................

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
— Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
A sombra das bananeiras
Debaixo dos laranjais!

 

sábado, 25 de agosto de 2012

ESTADO DE DIREITO



Estou aqui pensando no quanto somos hipócritas, ou abestalhados, quando afirmamos que temos e damos aos demais o direito de escolha, principalmente em relação à política.

Conversa...

Se você não estiver comigo, está contra mim.

É ou não é a realidade?

Penso então na enorme estupidez que tudo isto representa, principalmente em um local pequeno, onde no mínimo todos se conhecem e, justo por isto, deveriam ser mais unidos na busca de um bem comum.

Justo também por isto, deveriam ser mais solidários e compreensivos em relação aos contraditórios, reconhecendo a sua importância para o enriquecimento pessoal e de grupo, onde a discussão das diferenças é que determina o grau de desenvolvimento de um local e das pessoas que nele habitam.

Se focarmos nossa respeitosa atenção na análise criteriosa das pessoas que estão ao lado de cada candidato e que, se eleito, fará deles seus assessores, certamente não encontraremos o número necessário em qualificação para que os cargos de fundamental importância, sejam preenchidos condignamente.

Mas aí, justificam suas escolhas por tratar-se de cargos de confiança.

 Pergunto-me então por quê?

 Constato que se o cargo é público, não precisaria que necessariamente o assessor fosse seu amigo, não é verdade?

Por acaso o dono de uma empresa privada, só contrata amigos e parentes para ajudá-lo a gerir o seu negócio?

O seu tesoureiro é seu irmão ou amigo?

Bem, até pode vir a ser, se os mesmos possuírem um extenso currículo que garanta a competência. Não é verdade?

Por que então na política a qualificação e a tão necessária experiência, têm outras medidas?  

Você já pensou nisto, ao invés de ficar como papagaio desneuronizado reclamando pelas esquinas que seu político só tem parentes, amigos e afilhados trabalhando para ele?

Afinal, gente séria não precisa de gente de confiança e sim de profissionais sérios e responsáveis, pois estes preciosos funcionais quesitos, não estão por aí dando sopa, daí, meu raciocínio em crer que, ao ser eleito, o político deveria pinçar entre os derrotados,  ou mesmo no mercado aberto, as pessoas certas, provavelmente, formar-se-ia um time e tanto na nova administração, pois estaria substituindo o favorecimento por profissionais competentes que precisariam tão somente cumprir as suas obrigações  com decência e responsabilidade, até porque, haveria um povo que na realidade estaria atuando no seu real papel de patrão.

Penso, assim, que algum espertinho, e todos nós o somos em algum momento, lá nos primeiros passos da convivência humana, percebeu rapidinho o quanto necessitaria de apoio  aos seus, digamos, acertos pessoais e consequentemente tratou de criar cobras alimentando-as muito bem.

E como ocorre até os dias atuais, ideias de m... proliferam rapidinho e para completar e fechar o ciclo das incoerência humanas, criamos a Democracia e juramos de pé junto que este é o nosso estado de direito.

Pois sim...

Direito a fome, a miséria, a violência, a ignorância, a falta de remédio e assistência adequada nos postos e nos hospitais, a falta de escolas devidamente equipadas e de merenda respeitosa e, portanto, a falta de respeito a tudo que seja público, menos do direito dos políticos em se sentirem amparados em suas decisões por ter ao seu lado fiéis escudeiros pagos com o erário público.

Pensem que não há nada mais afrontoso que político contratar seguranças para protegê-lo de nós que o colocamos lá com o nosso voto, e ainda o respeitamos como sendo uma autoridade.

Que coisa, heim!!!!!

Penso, então:

 Somos hipócritas, alienados ou abestalhados quando afirmamos que vivemos um estado de direito?

Pense nisso antes de achar que eu não tenho o que fazer ou que como doutor em alguma coisa, você é o tal e poderia, se quisesse, citar todos os argumentos humanos, técnicos e científicos, para provar que sou uma idiota.

Não perca o seu tempo, eu sou uma idiota, minha crônica fala por mim.

 

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

ESPETÁCULO...BONITO DE LINDO!



Este friozinho gostoso que vem acompanhado do escarcéu dos grilos, do aroma que o orvalho provoca nas plantas, e se não bastasse tudo isso, ainda ouço uma profusão diferenciada de cantos, claro, dos pássaros, disputando espaço, marcando presença, exibindo-se, e eu, então vaidosa, induzo-me a crer que todo esse espetáculo é só para mim.

Por que, não?

 Através da janela, vejo o tímido, mas determinado, sol de inverno. Ele não pede passagem e sem qualquer cerimônia, vai se fazendo presente, transformando os seus reflexos em divinos pinceis que, maravilhosamente, matizam as folhas, as flores e as minhas emoções.

Fecho os meus olhos e ainda embalada pelas sensações que meus sentidos captam, sou capaz de enxergar, cada qual em seu universo de época e de situação, os amores que cultivei e que, cuidadosamente, reservei em mim, transformando meus instantes que ora descrevo em forma de doces recordações  em um completo espetáculo de vida e de liberdade.

 Que posso querer mais neste amanhecer de agosto, se tudo é “bonito de lindo”?

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

PERDÃO - CORREÇÃO




Ao iniciar uma intensificação pessoal de compreensão dos meus relacionamentos interpessoais há cerca de 20 anos atrás, assim como em relação a minha postura psicológica, jamais poderia imaginar que iria tão fundo e tão pouco poderia mensurar as emoções que permeariam o meu contexto de criatura humana.

Comecei de mansinho, pisando leve, questionando meio desajeitada, fazendo-me crer que tudo seria possível nesta trajetória como forma de consolo ou talvez de camuflagem para as sensações que, logo de imediato, passei a sentir em cada mergulho que me permitia dar em meu interior de pessoa acostumada que estava a disfarçar o máximo possível o efeito devastador do toma lá da cá hipócrita que geralmente é o relacionamento com os demais.

Nenhum progresso seria possível se eu não me permitisse expor-me para mim mesma em atos sucessivos, bem próximos de um exorcismo impiedoso, onde o objetivo era o de conhecer ações e reações, querendo, através deste exercício, encontrar o cerne gerador de tantas controvérsias ao meu instantâneo e natural entendimento de que algo deveria estar errado e que eu supunha, sem base argumentativa, ser produto de uma vaidade inconsequente, capaz de direcionar-me a cometer falhas primárias em minhas condutas frente ao consequente fracasso ou sucesso com o outro.

Percebi, após algumas revelações íntimas, que seria necessário um mecanismo de defesa que me permitisse abrir minhas comportas sem que a flagelação se impusesse e, por sua vez, me mantivesse sob o domínio do medo em não querer ver e sentir meus próprios defeitos ou distorções, ou os dos outros, transformando cada revelação em uma decepção imediata.

Eu precisava encarar estas experiências como um aprendizado bendito que me permitisse desenvolver a tolerância e a compreensão para comigo e para com os demais, fazendo-me encarar cada uma delas como uma oportunidade em burilar o sentido de convivência para que esta representasse por todo o tempo uma adição de conhecimentos agregadores a um viver melhor.

Maravilhosa decisão, pois de lá até o momento presente, este viver melhor foi se consolidando e transformando-me em um alguém mais genuinamente solidário comigo e com os demais, tirando de mim a pressa em relação a qualquer conquista se a ela não estiver atrelado à segurança do entendimento, dando assim, por todo o tempo, a generosa oportunidade em vivenciar qualquer situação onde haja outro alguém envolvido sem que eu tenha expectativas aleatórias e possivelmente frustrantes mais adiante.

Afastei, portanto, a surpresa desagradável da constatação futura deste ou daquele aspecto que de alguma forma poderia vir a tirar de mim o prazer de estar fazendo ou convivendo, deixando tão somente abertas as portas das oportunidades vivenciais.

E agora, escrevendo sobre isso, chego a conclusão de que em momento algum cerceei-me ou deixei de sentir, apenas eliminei a precipitação afoita que se transformava imediatamente em uma cruel inconsequência que me fragilizava e me tornava cega frente ao fato primário que dos demais, deveria colher tão somente o que me fosse afim, sem que com isto, todo o seu todo precisasse ser questionado ou o que é pior e devastador, absorvido por mim.

Assim como aos outros haveria sempre o meu constante respeito e a minha consideração em não oferecer meu manancial de  camuflagens, justo para não confundi-lo, levando-o a engolir gato por lebre, por ser tão somente, o politicamente correto.

Esta minha decisão, transformou-se ao longo da evolução de meus esforços diários em um selecionador natural, fazendo de mim, não alguém que abusadamente seja uma seletiva e arrogante, mas apenas em uma pessoa que não vê sentido em perder o seu precioso tempo de vida que, afinal, é espetacular em uma perda de  energias absurdamente irrecuperáveis, sem contar que passei a desfrutar de uma harmonia  geral, impossível de ser descrita.

Não posso impedir a inconsequência alheia, mas posso suportá-la sem que sua devastação me invada e me destrua, pois tão logo  a perceba, transformo-a em mais uma experiência que se somará a minha bendita bagagem de vida e liberdade que impulsiona a minha vontade voluntária em por todo o tempo não ter medo de ser feliz, só porque a minha volta exista os vampiros existenciais, sempre prontos e dispostos a minar e destruir a grandeza da existência e da convivência cotidiana.

Perdão então para mim em todas as vezes que por descuido e falta de atenção, escancarei meu coração sem me ater a quem.


domingo, 19 de agosto de 2012

MEUS ANDARES COTIDIANOS


Adoro os amanheceres, pois neles me deito no silêncio recortado pelos grilos e pássaros, pondo-me a fazer o que mais gosto, que é justo transformar minha mente num rolo de filme, donde posso com meu impulso voluntário adentrar no imaginário de renovadas criações ou, tão somente, rebobinar o já registrado em uma busca enriquecedora de um entendimento mais amplo e mais completo, seja lá do que for que eu tenha testemunhado nos meus andares cotidianos.

Nesta manhã, meu filme, ao ser rebobinado, mostrou-me fatos e versões da última semana, levando-me a crer que por mais que eu viva e escreva sobre minhas experiências pessoais, ainda assim, mais estarei convencida de que me é impossível traçar modelos fixos das características da complexidade humana em suas convivências sistêmicas.

Assim como jamais poderei estancar o fluxo caudaloso de minhas mais volumosas emoções.

O filme se acelera e, de repente, as imagens ficam disformes e tudo, então, perde o sentido, pois não há figuras definidas e, a partir daí, nada mais posso sinceramente observar.  Faço parar o filme, aliso meus cabelos, respiro fundo e volto à uma nova tentativa e me surpreendo, pois algo acontece com minha máquina neurológica fazendo o filme congelar em uma imagem em uma pequena escrita no centro de uma tela em branco que dizia:

- “Poder público.”

Esforcei-me muitíssimo para que as imagens se fizessem presentes, mas tudo que consegui foram sons soltos de argumentos repetitivos, falados por diferentes autoridades de diversos postos institucionais que me reportaram às lembranças de outros filmes que, de tão banais, foram arquivados com o propósito de jamais permitir iludir-me, crendo serem originais.

Alguém me chama e então percebo que o tempo passou, interrompo minha prática simbólica e volto-me para o aqui e agora não sem antes registrar uma nova cena em minha máquina racional, pois se a cena não tem um conteúdo original, pelo menos, possui um novo ângulo a ser considerado e, quem sabe, poderei dar mais um passo em direção a um entendimento mais amplo do despreparo que nós criaturas humanas ainda temos em relação à compreensão de nossas posições e obrigações enquanto seres sociais.

Tudo é tão aleatoriamente fugaz, menos a fome, a dor e o pouco caso.

Pense nisto em todas as vezes que um profissional, de qualquer natureza pública, se achar no direito de não admitir ouvir criticas acompanhadas de sugestões respeitosas. Lembre-o, então, sem medo de ser feliz, que o contraditório é saudável e inerente a qualquer pessoa pública minimamente inteligente e abastecida de intenções coletivas.

Um domingo de paz para você que está lendo a minha crônica e que se permite também rebobinar seu próprio filme.


sábado, 18 de agosto de 2012

O CONTRADITÓRIO



Penso, neste instante, em um novo sábado que amanhece e no quanto tenho aprendido ao longo da minha vida com todo aquele que de mim discordou em algum momento, pois me deu a oportunidade de refletir sobre novos ângulos de visão, possibilitando-me um enorme crescimento pessoal e intelectual.

Quem não sabe ouvir outra versão de um mesmo fato, quem não consegue enxergar um traçado novo para o mesmo caminho, quem não se permite sentir novos e surpreendentes arrepios, mesmo que contraditórios ao seu, jamais saberá valorizar a diversidade que o cerca, perdendo assim o privilégio de saber o quanto o diferente pode ofertar de subsídios para que a vida seja mais completa e rica de conhecimentos.

E aí, em meio a esta reflexão, oriunda das muitas emoções novas com as quais convivi nesta semana de agosto, onde dizem que as bruxas ficam soltas, penso na fragilidade dos relacionamentos que venho observando entre pessoas que deveriam ter como única e maior preocupação manterem-se unida aos seus demais, mesmo discordando, para que juntas pudessem somar em prol de outras tantas mais.

Entretanto, como fazer deste ideal uma prática cotidiana se somos induzidos pelo sistema, que cada vez está mais cruel e impiedoso, a por todo tempo  competir, enxergando, no outro, não apenas mais um concorrente que nos estimula e com o qual podemos aprender a superar nossos aparentes limites, mas, sim, um inimigo a ser vencido e, se possível, destruído?

Do outro lado de nossas convicções, sejam elas de que naturezas forem sempre existirá um argumento novo que, se soubermos observar com a devida atenção, no mínimo nos dará recursos argumentativos para que mantenhamos a rigidez das nossas, abrindo assim um leque enorme, inclusive e principalmente de tolerância que nos garantirá a possibilidade constante de não incorrer no erro de nos tornarmos os donos das verdades nas quais nos ancoramos como porto de segurança pessoal.

O melhor para mim, com certeza, não pode ser o pior para você.

Pense nisto, neste sábado em que ambos estamos VIVOS!


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

BOM DIA, REGINA



Hoje, fiz diferente do acordar de todos os dias que posso me lembrar. Fugindo ao velho hábito, não dei o meu bom dia à natureza esplendorosa de meu quintal, tão pouco, conversei com os meus passarinhos e sequer fiz festa nos meus cachorros, limitando-me a tão somente, abrir janelas e portas, colocar pó e água na cafeteira e, surpreendentemente, olhar-me no espelho como se precisasse buscar minha imagem que percebi que ficou esquecida entre uma tarefa e outra, entre uma descoberta e outra que me envolveu ao longo do tempo.

Apesar de não ter penteado o cabelo e tão pouco escovado os dentes, surpreendi-me ao olhar-me no espelho com o sorriso faceiro que reconheci de pronto ser meu desde sempre, não pude deixar de notar meus olhos que, apesar de velhos companheiros, ainda brilham como duas jabuticabas maduras devorando as seivas que a vida oferece.

E se não bastasse para o reconhecimento matutino, lá estava uma espécie de vibração, não enxergada, mas certamente sentida, que me fez deixar o espelho, ir até o quarto novamente e beijar o meu amor que ainda dormia, reconhecendo ali, naquele exato momento, todo o elixir de meu pronto reconhecimento pessoal, porque afinal, ninguém pode se sentir completo se a seu lado não estiver um grande amor.

Bom dia, meu parceiro de vida e de emoções, pelos incrementos que a ela adiciona, para que ela se complete e eu possa, então, retornar à minha velha e gostosa rotina de reconhecer-me a cada instante, nos pássaros, nos cães e na natureza.

Para o meu amor Roberto pelos 44 anos, 528 meses,16.060 dias de pura amizade que nos transformou em parceiros apaixonados.

Já sei o que estão pensando:

- ridículo... Isto é coisa de adolescente.

Pois vocês tem razão, é isso mesmo, mas e daí?

Por acaso, vocês acreditam que consegui ser feliz por tanto tempo, tendo medo de expressar os meus sentimentos, parecendo ridícula e coisa e tal?

Claro que não, procurei por todo o tempo, aí sim, andar bem juntinho da certeza de que felicidade não cai do céu, para tê-la torna-se necessário  o tesão pela vida, e nesta, nada é ridículo ou perda de tempo, tudo é aprendizado.

Um dia de luz para iluminar as muitas lições que a vida no dia de hoje oferecerá a você que me lê neste instante.


terça-feira, 14 de agosto de 2012

O DOM DO ENVOLVIMENTO



De todos os dons naturais das criaturas humanas, certamente o que mais me impressiona é justo o dom da palavra, da oratória.

Este, quando bem articulado, fazendo parceria com o lógico do senso comum, torna-se um potencial ilimitado de envolvimento emocional que chega, a partir de determinado momento, a também envolver o corpo, determinando-o a esta ou aquela postura que, por sua vez, se expressa e muitas vezes ultrapassa limites, sejam estes de mansidão ou não.

A história da humanidade mostra os inúmeros aspectos motivadores destas posturas, assim como retrata a existência por todo o tempo de um manipulador que, com seu magnetismo argumentativo, arregimentou e direcionou outros tantos a agirem segundo suas perspectivas.

Assim é o eterno jogo político, onde ganha sempre aquele que melhor convence, envolve e manipula.

Ouço cada discurso, observo cada postura, seja no palanque ou fora dele, com os olhos de uma águia, com o faro de um tigre, e ainda assim, não me faltam momentos onde eu me reconheça envolvida.

Imagino, então, o desavisado, o coração aberto, o sofrido, o esperançado!

Itaparica, não precisa de um político, pois já produziu e alimentou muitos.

Itaparica, não precisa de oradores, tão pouco de milagreiros.

Itaparica precisa de administrador sério e competente, capaz de estabelecer prioridades que abranjam o maior número possível de criaturas dentro de um espírito de senso comum respeitoso.

Itaparica precisa de um servidor altivo, ético, capaz de reconhecer a diferença entre o ideal e o necessário, entre o útil e o apenas agradável, entre o certo e o politicamente correto.

Itaparica precisa de decência de propósitos, honestidade nas ações, coerência nas posturas entre o ser e o fazer.

Itaparica, enfim, precisa de gente no mais completo de sua expresabilidade, nem santo e tão pouco  Diabo, apenas uma pessoa capaz de possuir em sua essência de criatura humana, aquele quinhão de humanidade que, afinal, distinga-o do restante, fazendo dele um ser que é, que faz e também, por que não, acontece.

domingo, 12 de agosto de 2012

CEGUEIRA INCONSCIENTE



Em meio a uma festa deslumbrante que foi a caminhada do PT em Porto dos Santos, nesta manhã resguardada da chuva por um São Pedro amigável e pelo visto parceiro, em dado momento, parei com os registros de meu trabalho profissional de repórter e me vi apenas observando como uma pessoa que a tudo que vê, questiona, traça paralelos, pois, precisa verdadeiramente entender o que se passa na cabeça de cada cidadão itaparicano que na sua maioria não enxerga a manipulação a que se vê envolvido por um grupo pequeno, mas unido e muito resistente de outros itaparicanos, que por ter se dado bem, neste ou naquele aspecto, sufoca, esmaga todas as chances reais de uma melhoria, neste ou naquele aspecto, usando bordões retrógrados, falácias primárias, formando coro nos últimos pelo menos trinta anos, tirando de cada criatura humana o seu direito à educação, meio único de se poder querer observar para melhor entender, isto ou aquilo em qualquer aspecto.

Disfarço e enxugo uma lágrima teimosa que desliza pelo meu rosto, sob o sol brilhante, confundindo-se com as naturais gotas de suor, frente a uma caminhada de vida e liberdade, e ai, penso que sou ainda muito mais resistente, pois escuto com altivez me chamarem de “DE FORA”, e ainda assim, como um soldado da esperança, faço tremular minha bandeira invisível, mas perseverante, em acreditar que algo maior há de acontecer e que mesmo sendo DE FORA, me sinto DE DENTRO, inserida e participante na busca de uma Itaparica livre.

Livre dos ratos, da lama e da ignorância que a torna cega, surda e absolutamente muda frente aos algozes de seus flagelos, frente à dor de não sentir mais dor, pois já incorporou a mentira e o engodo dos poucos “DE DENTRO” que se fizeram SENHORES.

SENHORES que com seus chicotes, também invisíveis, rasgam sonhos, impedem perspectivas, retendo o atraso.

E aí eu penso, neste momento mágico que, quando estamos nos sentindo e exercendo a nossa bendita liberdade de ser e de pensar, somos, então, capazes de acreditar que tudo podemos, inclusive enxergar, ouvir e sentir sonhos e novas perspectivas que desfilando diante de nós , fazem constantes chamamentos de luz e de sempre renovadas forças, sejamos nós DE DENTRO OU DE FORA.

E então, em meio a tantas emoções pessoais, deixei de perceber pessoas e só enxerguei pérolas, que verdadeiramente adornam o colo da mãe Itaparica.


sexta-feira, 10 de agosto de 2012

CONTEXTOS DE UNIDADES POLÍTICAS ITAPARICANAS


                               Pensamentos solitários

Dentre todos os aspectos inerentes as relações humanas, o convívio social, quando atrelado ao cunho político, talvez seja o mais complexo, pois atrela universos distintos de personalidades, diferentes anseios em se tratando de perspectivas pessoais de realização com a necessidade de se formar grupos, onde aparentemente os destinos se entrelaçam, formando assim, um interessante, extraordinário e complexo veio social de conduta que funciona na sua formatação e segmentação, mas quando analisada como um todo, esta se fragmenta em partículas unitárias de práticas de valores individuais.

Olhando sob o ângulo ontológico, percebe-se em Itaparica um caminho rudimentar de atividades humanas, onde o homem e seu núcleo social se repetem nas posturas, nos anseios e nas formas de busca das realizações destes, transformando os membros de comunidades distintas em sistemáticos repetidores de comportamentais, diferenciando-se tão somente por escalas de procedimentos em se tratando do segmento religioso que, apesar de seguir o mesmo padrão, ancora-se em procedimentos diferenciados, quanto às datas e formas de culto, reservando-se a privacidade de suas comemorações que ficam restritas ao seio da cada comunidade, formando assim, pequenos feudos, onde os líderes são representativos e determinantes quanto aos procedimentos de seus membros.

Pesquisando cuidadosamente ao longo de quase uma década em uma posição de participante ativa junto a cada comunidade exemplificada, gabarita-me a acrescentar em uma análise desprovida de envolvimentos emocionais, que o âmago da questão da identificação de um atraso significativo, se dá no modus operandis com que a educação se postou em relação a qualquer tipo de desenvolvimento sistêmico e intelectual, permanecendo apática, sem iniciativas renovadoras e absolutamente inertes em se tratando da aplicação das novidades fossem tecnológicas ou científicas em prol de seu desenvolvimento, exatamente porque não houve a inserção livre e muito menos imposta de elementos esclarecedores, ficando a cargo das mesmas criaturas toda e qualquer aplicabilidade das quais estes elementos sequer consideravam e, até mesmo, nos dias de hoje consideram.

Esta fragmentação do sentido de conjunto associado a dispersão de interesses contemporâneos que abrangesse um universo de poder agregativo de novas e aí sim surpreendentes aditivos renovadores a uma educação globalizada, mantendo toda uma população cercada em parâmetros no mínimo, centenários de valores não só ultrapassados como absurdamente fora de contexto, frente a realidade que adentra a cada instante, através dos meios de comunicação, criando assim, um contexto de distorções por todo o tempo, confundindo valores arraigados e produzindo outros sem que haja neles quaisquer semelhanças que possam ser participativas as realidades locais.

A previsão otimista de alteração deste aspecto hoje determinado, seria de no mínimo 10 anos de aplicabilidade de políticas sociais e educacionais, observando-se por todo o tempo a necessidade de se estabelecer novas diretrizes de interesses que se tornassem unidades globalizadas de interesses comuns, focando-se as condutas comunitárias quanto ao respeito de suas tradições assim como a agregação do sentido mais amplo de cidadania que englobaria de forma maciça e sistemática o todo como um organismo único de responsabilidade unitária.

A transformação das escolas em centros formadores de cidadãos, abriria espaço aos demais membros da comunidade como pólos distintos em suas localizações mais integradoras no seu sentido mais amplo de polis, transformando cada criança e adolescente em um agenciador contínuo de valores participativos e integradores, criando-se assim uma corrente de autonomia individual que no seu contexto global seria como um imenso e interminável cordão, cujos elos resistentes resguardariam a autonomia global que, aos olhos do prof. Paulo Freire, representa a solução única, pois parte do fundamento do esclarecimento pessoal de liberdade agregativa, que torna cada membro de uma sociedade um núcleo critico com permanente espírito questionador e renovador.





quinta-feira, 9 de agosto de 2012

LIDERANÇA


Hoje, terminei o programa Show da Manhã que faço juntamente com meu marido, Roberto Couto, diariamente na Rádio Tupinambá FM 87,9, falando sobre liderança política, crendo que a maior delas é quando pessoas que estão fora de qualquer tipo de poder e ainda assim são capazes de aglutinar outros tantos e juntos, em atos contínuos de cidadania, trabalharem acreditando que é possível mudar-se históricos para melhor, visando sempre o coletivo, o bendito bem comum, geralmente esquecido ou no mínimo relegado a um plano secundário.

Com estas afirmações, presto minhas homenagens a um grupo sério de empresários que se uniu a um idealista chamado Cláudio da Silva Neves e juntos reativaram a Rádio Tupinambá a despeito de toda e qualquer crítica que pudesse e estivesse a eles sendo dirigida, com o intuito único de colocar a primeira semente de desenvolvimento sustentável de conhecimentos e informações precisas, honestas, em um terreno fértil, chamado ITAPARICA, para que ela através de seu povo possa fertilizar, encontrando esperanças de mudanças reais, tornando-se mais justa, no seu cotidiano.

Enxergar suas realidades, nem sempre é agradável, mas é o único caminho capaz de propiciar a cada cidadão o direito de escolhas conscientes, assim como o esclarece quanto aos seus deveres.

Esta é sem dúvidas, a única forma de se exercer uma democracia plena, e esta, jamais existirá, se atrelada a ela não estiver uma imprensa livre, respeitosa e participativa.

Portanto, diariamente, agradeço a oportunidade de poder adentrar nas casas, nos comércios, nos carros, enfim na vida das pessoas que nos ouvem, levando mensagens de otimismo, retratando os fatos de seus cotidianos, esclarecendo dúvidas, abrindo novos conhecimentos, mas acima de tudo dando a cada uma delas, vez e voz para que, se quiserem, possam se expressar sem constrangimentos ou simplesmente sem medo de serem felizes.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

REFLETINDO

Sozinha neste meu cantinho de criação, penso na minha imensa responsabilidade em falar diariamente por duas horas consecutivas para um sem número de pessoas que, mesmo inconscientemente, esperam de mim parâmetros comportamentais, e aí, tremo só em imaginar que preciso a cada instante reciclar-me, arestando vícios de posturas que, hoje, nesta nova realidade de minha vida profissional, já não tem espaço.

Penso então que na medida em que nos tornamos pessoas públicas, a ética profissional deve vir acompanhada por todo o tempo de uma estética pessoal que seja coerente com as expectativas daqueles a quem nos dirigimos seja em que área esteja de visibilidade pública.

Olho ao redor e sinceramente me assusta tantas distorções de todas as naturezas nas posturas políticas e me pergunto se tudo é real e normal ou se eu é que estou fora de uma sintonia contemporânea, apegada a valores retrógados, fora de moda, sem qualquer utilidade ou reconhecimento nos dias atuais.

Percebo uma arruaça vinda do canteiro e então, ao voltar-me, lá estão eles, lindos, leves, absolutamente livres, plainando diante de meus olhos em um bailado encantado, como que querendo consolar-me através do brilho de suas existências gratificantes de esplendorosos beija-flores.

Bendita, portanto, a consciência que não me escapa, o desejo de fazer o melhor que me acompanha e a certeza absoluta de que nada sei e que preciso sempre estar aprendendo, inspirando e induzindo a mim e aos demais a não desistirmos em crer que o belo, o respeitoso e o sério na convivência são imprescindíveis e que quando nos tornamos públicos, transformamo-nos em espelhos nos quais os demais se visualizam.





terça-feira, 7 de agosto de 2012

ASSIM JÁ É DEMAIS




Todas as manhãs, falo de inércia, paradeiro, pouco caso e banalização em relação a nossa querida Itaparica, exatamente porque a cada instante é possível constatar-se esta triste realidade, bastando tão somente que olhemos com atenção para ela em qualquer local em que nos encontremos, com raras exceções.

Foi o que aconteceu na noite de ontem às 19 horas do dia seis de agosto de 2012, quando da ocasião em que fui buscar água na bica e me ative ao descaramento dos donos das barracas de lanches em associação imperdoável com a administração pública, ao colocarem mesas espalhadas, repletas de pessoas, solapando ainda mais, um dos raros patrimônios de nosso centro histórico, sem que eu ou você, os moradores da área, veranistas do condomínio logo a frente e mesmo os comerciantes da Marina, fizessem algo a respeito.

Alguns minutos após, já comprando pão na padaria Gameleira, encontrei-me com minha amiga Patrícia Caldas e comentei injuriado o que havia presenciado e ela, então, me disse que já havia feito uma carta e enviado ao Ministério Público e à prefeitura, solicitando providências, logo ainda no verão passado, quando este horror havia começado, pois, inclusive, as pessoas estavam se utilizando das torneiras para tirar o sal do corpo, a fim de tomar suas cervejinhas já limpos. Infelizmente nada foi feito.

E aí, penso que isto não pode ficar assim e volto então a buscar apoio na administração atual, através da Secretaria de Educação e Cultura e da Secretaria de Infraestrutura, nas pessoas dos ilustres e competentes secretários para que este absurdo seja coibido imediatamente, sob pena dos comerciantes perderem a concessão, uma vez que ali não cabem barzinhos, pagode, restaurante, ou seja, lá o que for que venha a quebrar a harmonia e a caracterização histórica do local.

Aproveito para rogar à senhora Cláudia Gordilho que interceda a favor de Itaparica, junto ao seu filho, o deputado Leur Lomanto Junior, que por sua vez seja o condutor de seu prestígio junto a esta administração para que a Fonte da Bica, patrimônio de todos nós e do país como um todo, não continue a ser descaracterizada.

Males como este, não podem e não devem ser permitidos e, portanto, devem ser extirpados logo no começo, como fazemos com os cânceres malignos.

Conto com o apoio de todos nesta batalha em prol de nossa cidade.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O CORAÇÃO DITA


São duas horas da manhã desta sexta- feira bendita de 03 de agosto de 2012 e, ao contrário de estar com insônia, dormi muitíssimo bem e estou prontinha para começar um novo dia, mas antes, como de costume, estou a postos no computador, escrevendo o que o meu coração dita.

E nesta manhã ele está ditando a respeito do que ouvi ontem, quando do pronunciamento de alguns vereadores, por ocasião do reinício dos trabalhos da Câmara, após dois dos quatro meses de recesso legislativo.

Penso, então, que preciso ficar mais atenta às minhas palavras para primeiro evitar correr o risco de ser no mínimo mal interpretada ou, o que é ainda pior, que minhas palavras gerem motivos para que se criem e recriem discursos que soem como refrãos populistas ou falácias, baseados em um único fato real e indiscutível de que eu e meu marido, assim como outras tantas criaturas, somos “forasteiros” nesta terra bendita de gente “séria e bonita” que nos acolheu.

Fecho os meus olhos e começo a percorrer com a minha memória as ruas da cidade, detendo-me diante das portas destes “forasteiros” e só de Ponta de Areia até o centro de Itaparica, para não me alongar, encontrei muitos e, por incrível que possa parecer, busco nesta mesma memória a lembrança se algum entre eles, manchou, denegriu ou prejudicou o povo desta  cidade mãe que calorosamente um dia o acolheu.

Não consegui encontrar um que seja...

Ao contrário, vou identificando empresários de pousadas, restaurantes, barzinhos, lojas de material de construção, padarias, supermercados, jornal, rádio, imobiliárias, que trabalham arduamente, nos 365 dias do ano, aposentados e etc., que buscam nos seus comércios seus honrados ganhos financeiros ou simplesmente depositam aqui seus recursos pessoais, além de gerar empregos e impostos à cidade mãe.

Agora, como afirmei anteriormente, são de fora ou somos de fora, quanto a isto, não restam dúvidas, diria até, que somos abençoados filhos adotivos de uma mãe generosa, cujos braços são longos e o seio farto para alimentar a todos sem distinção, retribuindo sempre no mínimo em dobro, tudo quanto recebe de bom destes filhos postiços que conseguiram enxergar nela, toda uma grandeza a ser burilada que, nem sempre, os filhos naturais são ou foram capazes.

Penso então que enquanto eu, assumida forasteira, tiver vida, saúde, um jornal e um microfone, jamais deixarei de oferecer aos filhos postiços e naturais desta bendita terra que me acolheu, me ampara e me alimenta, toda a minha postura de respeito e consideração, trabalho e decência pessoal, incentivando por todo o tempo a todos que me cercam, a buscarem mais e mais conhecimento, pois somente através dele, somos capazes de nos sentir livres até mesmo para reconhecer as grandezas de nossa mãe, tenha ela o nome que tiver, esteja ela onde estiver cravada no solo deste nosso vasto e rico país, fazendo de cada um de nós, filhos postiços ou naturais, tão somente filhos responsáveis que, aí sim, jamais se tornam capazes de feri-la ou manchá-la com a indiferença do individualismo.

Agora, como profissional de jornal e rádio, tenho a responsabilidade de manter-me atenta a jamais ser leviana ao ponto de esquecer-me de que não posso e não devo induzir pensamentos e ações que possam de alguma forma gerar tumultos, partidarismo, prejuízos a alguém ou desavenças, assim também, como não posso e não devo calar-me frente à obrigação de orientar meus leitores e ouvintes quanto a seus direitos e deveres que estão registrados na constituição brasileira.

Faço, portanto, minha a culpa, por ter em algumas ocasiões utilizado inoportunamente do termo RENOVAR, o que, certamente, pode induzir ao ato subsequente de eliminar para que, então, se coloque ALGO NOVO.

E isto, não seria justo e muito menos correto, além de fazer de mim, uma profissional e pessoa não merecedora da credibilidade que conquistei ao longo de quase onze anos de trabalho sério e respeitoso, muitos destes anos, acompanhando e apoiando os trabalhos dos vereadores na casa da cidadania.

Peço, assim, desculpas aos ilustres vereadores, esperando deles também um pouco de compreensão em relação aos fundamentos de meu ofício de jornalista que se intencionou a  registrar e analisar a história da mãe ILHA DE ITAPARICA e como ato subsequente, informar, esclarecer e propiciar meios para que seus filhos possam escolher seus representantes políticos, por  crerem ser o melhor para sua cidade e  suas vidas, de forma consciente e embasada em fatos reais.

Penso, então, que vale muito a pena estar solitariamente neste instante escrevendo o que dita o meu coração, oferecendo-me sempre uma oportunidade para que eu possa reconhecer um erro cometido, rogando ao Deus deste universo belíssimo que me faça sempre coerente com os meus propósitos de ser leal, respeitosa e amiga de todo aquele ou aquela que me abraçar fazendo eu me sentir uma verdadeira filha, não importando se sou ou não uma filha adotiva e, até mesmo, “forasteira”.

Que esta sexta-feira, seja repleta de luz no coração e benevolência nos olhos de cada um de vocês.