segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

REALIDADE- A minha e a sua.


 
Precisamos dos símbolos para que nossas mentes possam processar imagens e através delas, somos, então, capazes de formar conceitos próprios ou, simplesmente, aderir aos conceitos já estabelecidos.

Penso na realidade de cada coisa e, em como ela é variante, já que cada um de nós é capaz de enxergá-la de forma exclusiva, se bem que de um modo geral, haja um consenso perceptivo e universal.

E aí, o que é real?

A realidade é a que eu conceituo em minha mente ou a que se apresenta na formatação de um senso comum?

Ao buscar na coisa a realidade, já levo na busca a contaminação dos conceitos comuns, desta forma descaracterizando-a de uma realidade pura e simples?

Será que somos absolutamente capazes de, em algum momento, verdadeiramente enxergar, sentir ou ouvir algo de uma coisa ou de alguém sem que haja a adição comprometedora deste senso universal no qual fomos inseridos na gestação embrionária de nossas vidas, através das emoções, alimentação e da genética?

Penso nisso em todas as ocasiões em que preciso fazer avaliações precisas sobre algo ou alguém e, em todas as ocasiões, a dúvida se apresenta, levando-me a reforçar o fato que me convence de que jamais estarei avaliando corretamente, já que o prisma varia entre o senso comum e o meu, levando ainda em conta que ambos estão contaminados e com imensa possibilidade de estarem, no mínimo, defasados da realidade tal qual ela se apresenta.

O pensar, o esmiuçar os entendimentos sobre qualquer coisa, inclusive e principalmente sobre a, ainda, caixinha de surpresas que é o cérebro humano, leva-nos à certeza absoluta de que nada é definitivo, pois há sempre um ângulo que não foi observado, e isto, chama-se evolução, portanto, não creio ser sensata qualquer precipitação em relação às avaliações, pois  normalmente geram surpresas em várias dimensões quando tempos adiante voltam a ser analisadas, o que me vem garantir a não existência de surpresas e sim a constatação de ângulos não observados ou, se observados, não considerados.

Pense nisso antes de qualquer julgamento pessoal sobre isto ou aquilo e, quando o fizer, convença-se de que pelo menos para você, naquele momento, o prisma avaliativo foi seu, a partir dos conceitos adquiridos e da realidade, que você reconhece como sua e, portanto, são verdadeiros, não cabendo dúvidas e tão pouco, arrependimentos.

Pois, com a conscientização de que é possível que, no mínimo, você não tenha visto todas as possibilidades avaliativas, você eliminará a culpa do malfeito que acompanha, mesmo que inconscientemente, este ato recorrente ao cotidiano humano que é o de determinar o melhor para si mesmo.

Portanto, reavalie seus projetos para 2013, pois provavelmente existirão ângulos que você não terá observado nos seus planos e, depois, vá em frente com a garra dos destemidos, com a vontade de quem verdadeiramente pensa que sabe o que deseja viver e se pelo caminho for percebendo novos ângulos, considere-os, mas, por favor, a si mesmo, não sofra, não sinta culpas, apenas viva.

Que 2013, seja um ano em que cada um de nós seja capaz de buscar as nossas melhores realidades, verdades ou seja lá o nome que queiramos dar aos nossos desejos e necessidades pessoais.

                                                                                                         

domingo, 30 de dezembro de 2012

RARAS VEZES, MAS ACONTECE.


 
Hoje, amanheci um pouco diferente do costumeiro. Não olhei para o céu, por incrível que pareça, sequer ouvi os meus pássaros, apesar de saber que estavam ali, bem próximos nas suas costumeiras algazarras matinais e, tão pouco, agradeci à vida, justo por me sentir viva.

Nem mesmo a Catarina, minha filhota de vira- lata, totalmente inquieta, está sendo capaz de distrair-me com suas molecagens ao pé da mesa, onde escrevo.

Como não gosto de me sentir assim, sem graça e sem vontade de sentir algo, enveredo em meu íntimo como uma pesquisadora acadêmica, inclusive, fazendo paralelos com outros momentos já vividos, como este, e até mesmo, tentando fazer conexão com as ocasiões onde como observadora das posturas alheiras, escrevi a respeito, ao mesmo tempo atrevendo-me a sugerir fontes regeneradoras.

Pois bem, casa de ferreiro o espeto é de pau e não é diferente em relação a mim, afinal, creio ser bem mais difícil encontrar um caminho pessoal que não esbarre nas minhas próprias camuflagens, sem ter um observador externo e, portanto, isento de qualquer envolvimento emocional.

Pensando neste empecilho, aparentemente intransponível, lembro-me como flashes instantâneos das milhares de outras situações, onde passei pelo mesmo dilema de proteger-me  desta doença corrosiva, chamada depressão, com a qual convivo desde sempre, sem, no entanto, permitir a ela maiores avanços e destruições à minha vida.

Pensando bem, olhando para trás, sem medos imaginários e até mesmo reais de enfrentamento pessoal, posso inclusive constatar que houve instantes da minha vida em que me senti por deveras sufocada, chegando a achar que não teria forças para suplantar a solidão do encontro comigo mesma, tal a força depressiva que me tirava a visão de minha realidade de ser humano racional capaz de buscar em si, suas próprias alternativas e defesas.

Enquanto escrevo, neste exato momento, como num passe de mágica, ouço os pássaros e ao buscar vê-los, dou de cara com o sol que já cobre as plantas, as flores e principalmente faz reluzir as mangas que, rosadas, enfeitam  como um quadro da natureza, diante da janela onde costumeiramente vejo a mangueira esplendorosa.

Bem, a receita está aí, simples como um singelo, Bom dia.

Basta, sem firulas ou desespero, admitir-se que naquele momento nada está legal, fazendo do passo seguinte, uma constatação do que não está sendo inserido na sua rotina e que era importante e busque resgatar o aparente desaparecido, e que afinal, está no mesmo lugar de sempre.

Admita que a cegueira e a surdez sejam apenas responsabilidade sua e que nada e tão pouco outro alguém tem capacidade de domínio de sua vontade voluntária.

Determine-se a não aceitar desculpas de si mesma, por considerar que como sua própria parceira, não há lugar para a deslealdade de qualquer camuflagem, e aí, provavelmente, você ouvirá os pássaros da sua vida dizendo-lhe:

BOM DIA!  Acorda pra vida, pois ela é bem mais que a sua própria incapacidade de reconhecer e estabelecer o bem estar como sua mais sagrada prioridade.

Neste domingo de sol pleno, desejo a você a erradicação de qualquer indício de depressão que mesmo que negue estar sentindo neste instante, você  sabe que possui, e que se descuidar, lá vem ela cheia de pesos e culpas, raivas e solidão, amolar  a sua vida, empanando os seus instantes presentes, abrindo vácuos que nada que compre ou faça é capaz de  preencher.

 Seja enérgico, fora nela, sem dó e sem piedade.

Um beijo enorme e todo o carinho desta senhora, que apesar de ainda não conseguir evita-la, já encontrou alguns meios de colocá-la para correr.

 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

SIMPATIA


Apenas para recordar
Simpatia - é o sentimento
Que nasce num só momento,
Sincero, no coração;
São dois olhares acesos
Bem juntos, unidos, presos
Numa mágica atração.

Simpatia - são dois galhos
Banhados de bons orvalhos
Nas mangueiras do jardim;
Bem longe às vezes nascidos,
Mas que se juntam crescidos
E que se abraçam por fim.

São duas almas bem gêmeas
Que riem no mesmo riso,
Que choram nos mesmos ais;
São vozes de dois amantes,
Duas liras semelhantes,
Ou dois poemas iguais.

Simpatia - meu anjinho,
É o canto de passarinho,
É o doce aroma da flor;
São nuvens dum céu d'agosto
É o que m'inspira teu rosto...
- Simpatia - é quase amor!

Autor -Casimiro de Abreu

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

OS SONS DO UNIVERSO


 
Novamente sozinha em mais uma madrugada encalorada desta minha adorável Itaparica e nem por isso, me sinto solitária, pois como uma tenaz escrevinhadora do universo, mantenho a pretensão permanente de não estar verdadeiramente sozinha, mas ao contrário, acompanhada de uma legião de amigos energéticos que carinhosamente me cercam, assoprando em meus ouvidos ou talvez, digitando em minha mente, cada palavra que astutamente, transporto para o papel, registrando desta forma, os sons do universo que em certo dia, identifiquei, gostei e jamais deixei de querer ouvir.

Eles não tem rostos, sexo e tão pouco podem ser tocados, mas como presenças marcantes, são profundamente sentidos, fazendo de mim a cada instante, um ser absolutamente agradecido, não só, por jamais me sentir sozinha, mas principalmente, pela proteção que me oferecem, dando-me a paz de simplesmente existir.

São como armaduras que me envolvem sem pesar, sem tolher qualquer movimento que minha mente, comande ao corpo ou que, minhas emoções determinem à mente. Também são como redes de resistente proteção a toda e qualquer invasão que possa destruir ou simplesmente danificar meus preciosos sentimentos ou mesmo, qualquer instante presente que a vida, certamente não irá repor.

E aí, pensando nisto tudo, aqui aparentemente sozinha, decido que Equilíbrio, Razão e amor são os nomes certos para estes meus amigos que, afinal, também podem lhe pertencer, precisando tão somente que você queira reconhece-los em suas próprias vidas, abrindo passagem aos sentidos, para que estes mais livres se tornem poderosos e, possam  à partir daí,  inspirá-lo cotidianamente.

Serão estas benditas opções as fontes permanentes de seu constante bem estar, pois impedirão com a fortaleza de seus propósitos, qualquer invasão, qualquer atalho que lhe tire do caminho, da vida e da liberdade, que ampara e fortalece.

São cinco horas da manhã e eu constato que jamais estive só. Que maravilha!

Bom Dia, cercados por ótimas companhias!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

NOVAMENTE O NATAL


 
E o Natal, chegou  para que pudéssemos dar uma pisada no freio da correria rotineira e descansar um pouco, já que está inserido em um feriadão e logo em seguida novo descanso, pois  também a passagem do ano, dar-se-á  na segunda-feira.

Pensando nisso, fatalmente me reporto a tantos outros Natais que já vivenciei, curtindo um saudosismo de coisas e de pessoas que encantaram fosse à infância ou na idade adulta, meu imaginário fértil de eterna criança.

Fecho os olhos para facilitar esta viagem que retorna no tempo, e como um pássaro futurista, do tipo, do filme Avatar que finalmente, ontem, consegui assistir e assim mesmo, não todo, decolo do momento presente e, entre nuvens, noites estreladas e dias ensolarados, transporto-me ao ontem de minha vida, revivendo cenas, passagens, enfim todos os flashes de Natais passados, que a memória aguçada se recusa a esquecer.

E de repente, após cruzar as praias de minha Ipanema querida, preparo o pouso, tendo o coração pulsando descompassadamente, pois lá em baixo, entre prédios de apartamentos, lá está ela, a casa de minha Vó Regina, reduto dos Natais  inesquecíveis de minha infância.

Emocionada, permaneço plainando e observando o ir e vir daquelas mulheres que faziam da semana que antevia o Natal, com certeza os mais belos e  cheirosos dias de toda a minha infância.

A correria era mesmo dentro da casa, no preparo da comilança, nos enfeites que faziam a casa parecer-se com os filmes que se viam no cinema. A arvore de natal era enorme, quase que encostava ao teto da sala de visitas e enfeitá-la era tarefa minha, de meu irmão e dos meus primos, transformando então, num evento barulhento que se prolongava por uma tarde inteira, deixando-me eufórica, pois eram mágicos tantos algodões, bolas, fitas e pisca-piscas coloridos.

E as panelas que me pareciam enormes e até capazes de caber-me dentro, faziam suas tarefas no preparo das gostosuras, dentre elas o cozimento dos siris, suculentos e carnudos.

O Peru solitário aguardava seu destino no terreiro, enquanto as mangas, os abacaxis e as ameixas, repousavam lindas, perfumadas e apetitosas no cesto de vime sobre a mesa da cozinha.

Ah! Meu Deus como eu adorava aqueles Natais!

Tudo era festa, emoção e alegria...

Volto ao hoje, apenas com um piscar dos meus olhos ainda úmidos das lágrimas teimosas que deixei rolar e me sinto gratificada por ter tido tantos daqueles inesquecíveis natais que, afinal, mais que belezas, sabores e perfumes, reservavam em si as grandezas das pessoas, daquela  família que já não tenho mais, no toque e na presença, mas absolutamente viva na memória.

Viajei bastante, neste voo das lembranças, voei tanto que o dia amanheceu,  um pouco tímido, pois, são só cinco da manhã. Respiro fundo, volto a fechar os olhos e sorrio, penso na festa que farei nesta noite, com os amores que cultivei em minha vida.

Para você que me lê neste instante, só desejo que proporcione a seus filhos, netos e sobrinhos, toda a magia que seja capaz de construir lembranças, pois essas permanecem, enquanto, o tudo mais, passa.

domingo, 23 de dezembro de 2012

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

A Oração da Paz, também denominada de Oração de São Francisco, é uma oração de origem anônima que costuma ser atribuída popularmente a São Francisco de Assis. Foi escrita no início do século XX, tendo aparecido inicialmente em 1912 num boletim espiritual em Paris, França.
Em 1916 foi impressa em Roma numa folha, em que num verso estava a oração e no outro verso da folha foi impressa uma estampa de São Francisco. Por esta associação e pelo fato de que o texto reflete muito bem o franciscanismo, esta oração começou a ser divulgada como se fosse de autoria do próprio santo.
No Brasil mais antiga versão conhecida desta oração é publicada em Anais da Câmara dos Deputados do Brasil em 1957.[1]

O texto original desta oração é:

Belle prière à faire pendant la Messe
Seigneur, faites de moi un instrument de votre paix.
Là où il y a de la haine, que je mette l’amour.
Là où il y a l’offense, que je mette le pardon.
Là où il y a la discorde, que je mette l’union.
Là où il y a l’erreur, que je mette la vérité.
Là où il y a le doute, que je mette la foi.
Là où il y a le désespoir, que je mette l’espérance.
Là où il y a les ténèbres, que je mette votre lumière.
Là où il y a la tristesse, que je mette la joie.
Ô Maître, que je ne cherche pas tant à être consolé qu’à consoler, à être compris qu’à comprendre, à être aimé qu’à aimer, car c’est en donnant qu’on reçoit, c’est en s’oubliant qu’on trouve, c’est en pardonnant qu’on est pardonné, c’est en mourant qu’on ressuscite à l’éternelle vie.
La Clochette, n° 12, dec. 1912, p. 285.

A tradução em português


Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a .
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando, que se recebe.
Perdoando, que se é perdoado e
é morrendo, que se vive para a vida eterna!

SÓ ENTRETENIMENTO


 
Hoje li no facebook que quem acessa este tipo de rede social deseja apenas se divertir e não se conscientizar. As perguntas que me vieram imediatamente à mente foram:

-Não se pode absorver ao mesmo tempo, conhecimentos e distrações?

- Para se obter momentos de relaxamento é preciso que se atropele o bom gosto e se esconda o senso de qualidade?

- Talvez para se rir, seja preciso fechar o próprio entendimento quanto às diversidades assimilativas tão necessárias ao equilíbrio pessoal?

Creio que o besteirol seja necessário para que se proceda a certo nivelamento de propósitos descompromissados com o já massacrante e hipócrita sistema em que nós nos impingimos por todo o tempo, mas daí fecharem-se os olhos para outros aspectos que são partes também das necessidades humanas, como se houvesse uma necessidade urgente e constante de fuga em uma proposital cegueira existencial, também não me parece saudável.

Levando em consideração o tempo que cada pessoa no decorrer de um dia passa acessando as redes sociais, chego à desesperada conclusão que o verdadeiro fim do mundo não demorará a chegar, pois de tão alegres e descontraídos, nós iremos sem qualquer freio, nos imbecializando ao ponto de não reconhecermos qualquer parâmetro maior que exija lógica, ética e senso comum. Mas estaremos, rindo, alegres e descontraídos, sendo politicamente corretos, postando mensagens motivacionais, desejando aos demais banalidades pontuais, enquanto isto, nos laboratórios dos cientistas, a inteligência  humana e universal, está sendo armazenada, agrupada e desenvolvida para que no futuro, o mundo tenha outra supremacia, menos susceptível às banalidades e idiotices, inclusive, supremacia sem qualquer emoção que sem dó e sem piedade arrastará da face da terra tudo quanto não corresponder às sua expectativas, tal qual fazem agora os sabichões que descartam todos os raciocínios que não os levam às emoções do imediatismo sem fronteiras.

Particularmente, adoro as baboseiras, inclusive postando muitas, pois algumas me fazem rir, outras me tiram pequenas lágrimas e a maioria, sequer leio, mas no final, acho bom e divertido.

Agora, quando alguém resolve pensar e diz algo que reflita a lógica de seu próprio pensamento a respeito de qualquer coisa que esteja ligado ao todo vivencial, refletindo um raciocínio, aí eu me esbaldo e realimento minhas esperanças de que não somos assim, digamos, tão abestalhados.

Hoje é dia 23/12, logo o Natal estará chegando!

Feliz Nataaaaaaaaaaaaaaaal e que os anjinhos do céu nos façam esquecer das conscientizações, inclusive, que ao nosso lado, bem próximo a nós, tem gente passando fome, sentindo dor.

Mas e daí, não é mesmo?!

Não somos responsáveis pelas mazelas do mundo. Afinal, queremos mais é sorrir e nos divertir, o resto ficou armazenado nas mensagens que postamos o ano inteiro, firmando, assim, compromissos com Deus e garantindo aos olhos dos outros, nosso bom coração, e aos olhos de Deus, nossa entrada no céu.

Afinal, Papai Noel está para confirmar!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

CLAREOU


 
Clareou lá fora e cá de dentro a tudo acompanho fascinada, encontrando a cada dia novos encantos  na observação amorosa dos amanheceres de minha vida.

Maravilha poder celebrar este instante bendito em que como que magnetizada, desvio os olhos para encontrar este novo dia que chega abusadamente iluminado, fazendo de mim, que nada mais sou que uma minúscula partícula universal, a criatura mais gratificada pela constatação de que estou viva, podendo contemplar o esplêndido, o magnífico, o irretocável.

Penso então, enquanto observo este espetáculo da vida, no quanto já fui inerte, ignorante e pouco grata a todas as benécias que me eram oferecidas pelo universo, pelo simples fato de me encontrar viva, perdendo assim em um turbilhão de emoções inúteis, os fragmentos regeneradores que a própria vida ao ser reconhecida, oferece.

 Ao despertar deste longo sono que mutila, tirando o foco de tudo que realmente interessa, fui enxergando aos poucos entre nuvens do ainda apagão, figuras belas que tomavam forma e que aos poucos foram fazendo em meu consciente absoluto sentido e que além de tudo, como fadas encantadas de um conto imaginário, descortinaram aos meus sentidos um tudo de bom, apaixonante e regenerador, impossível de ser esquecido.

Foi o existencialismo que explodiu abrindo passagem para um naturalismo sem retoques e sem firulas, onde o existir, já  não se permite ser contaminado por este sistema macabro, cruel onde tudo que atrai e brilha, custa muito caro e o desejar ser qualquer coisa que faça sentido, já não é permitido, ficando fora, absolutamente fora de qualquer questão.

Olho lá fora, que lindo, quão perfeito amanhecer!

 Que brilho intenso deste sol que abusado e que rompe espaço, deitando-se galhardamente sobre a vida, aquecendo-a e ao mesmo tempo aquecendo-me de inspirações, não permitindo em nenhum instante que o esquecimento me domine, porque, afinal, também sou um todo de vida pulsante e repleta de calor ardente, atuando ativa neste todo universal.

Quão importante e indispensável sinto que sou, neste cenário pincelado pelo meu Deus que, generoso e paciente, me estende a cada instante a palheta e os pincéis para que eu  mesma, de acordo com o meu gosto, adicione as com cores que preferir, dando vida a minha própria vida.

Bom dia, a você que me lê neste instante. Desejo que o sol também rompa as suas resistências, abrindo espaço para o belo e o sublime, através das cores de si mesmo e dos pincéis mágicos de seu bendito Deus.

 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

NOTA DE ESCLARECIMENTO


 
Por três vezes em minha modesta, mas absolutamente séria vida, senti-me invadida e violada nos meus direitos profissionais.

A primeira, ocorreu no auge da ditadura militar, onde a truculência e a arrogância, imperavam, esmagando  valores  pessoais e sociais da mais alta importância para o bem estar coletivo, impedindo-me, em dado momento, por uma censura descabida e violenta, de dar continuidade ao exercício de minha profissão de cronista, que perdurou até meados dos anos 80.

Desolada e também vivamente amedrontada, parti para outras atividades, ainda dando graças ao bom Deus por não ter tido o fim de tantos outros, inclusive, que vi sucumbirem na ponta das baionetas e dos fuzis de loucos assassinos que se valiam das costas quentes de um militarismo cego, para exercer seus animalescos propósitos de se sentirem fortes.

Trinta e tantos anos depois, quando pensava que jamais experimentaria vivenciar qualquer situação parecida, mesmo que em diminuta apresentação, sou novamente questionada em meu supremo direito de informar, analisar e oferecer opções, dentro de um espírito crítico com o qual se desenvolve o trabalho de uma cronista social.

Assustei-me, é claro, diante da autoridade que não possuía prestígio para afastar-me de meu ofício, tão somente, exerceu sobre minha pessoa, as comuns pressões do autoritarismo que, infelizmente, ficou como herança aos funcionários públicos de carreira, que por se encontrarem no estatus de autoridades, se creem acima do bem e do mal e intocáveis.

Superado em parte este empecilho, pouco tempo depois, vejo-me novamente sendo sabatinada, questionada, quanto ao exercício jornalístico de levar ao público as ações que são contrárias aos direitos da coletividade, justo por pessoas que se dizem arrogantemente terem costas quentes. O que ninguém duvida, muito menos eu, já que nada foi feito para que esta afronta fosse resolvida.

Para que não se estenda o mal entendido, para que haja uma preservação de minha integridade física, e que não permaneçam quaisquer duvidas das intenções da notícia que ofereci no sábado, 15, através dos microfones da Rádio Tupinambá, quando do desenrolar do programa Show da Manhã em relação à ocupação desrespeitosa ao PATRIMÔNIO PÚBLICO DA FONTE DA BICA com a conivência das autoridades públicas,venho através desta declaração pública, deixar claro e expresso que continuo, não conhecendo as pessoas envolvidas e que ocupam as barracas, assim como em hipótese alguma, desejei em momento algum prejudicar esta ou aquela pessoa ou tão pouco perseguir alguém. Apesar de crer por uma questão de bom senso que a cidade está repleta de pessoas que precisam ganhar suas vidas, mas que nem por isto, armam seus negócios dentro das propriedades públicas, fazendo destes locais, propriedades particulares em afrontosa atitude de posse.

O Brasil e Itaparica em particular conhecem bem de perto o que representam as perdas relativas ao coletivo, que advém dos favorecimentos dos políticos que pagam dívidas utilizando-se dos bens que são públicos, única explicação racional para que um gestor consinta numa afronta desta natureza e que os seus sucessores a ele se juntem num claro desprezo ao povo e a história do povo ao qual representam.

A questão denunciada por mim meses a fio através de meu trabalho jornalístico, é o de questionar a omissão e inoperância das  gestões Municipal e Estadual, frente a um abuso desta natureza em detrimento de toda uma cidade, apoiando assim, uma atitude agressiva, invasiva e prepotente do gestor anterior, assim como a total omissão do Ministério Público e dos membros da Casa da Cidadania, onde só existem os vereadores com a finalidade de serem a voz do povo em sua defesa de seus mais sagrados direitos e que ao contrário, silenciosamente, permitiram que tal ocupação ocorresse sem licitação e sem respeitar as normas e objetivos inerentes ao projeto original. E o que é pior, mantendo-se alheios à continuidade, mesmo sendo testemunhas das reclamações e apelos populares.

Diariamente, ao longo deste ano de 2012, chamo a atenção para o problema, lembrando as autoridades que quando são feitas concessões que ferem os direitos alheios, certamente as portas do mal feito se escancaram para que outros mal feitos se apresentem e infelizmente, dia após dia, esses mal feitos vêm se apresentando, culminando com uma séria batida policial, onde havia denúncia de que no local, Fonte da Bica, também estava sendo ocupado pelo tráfico de drogas.

Notícia esta, que dei como dou tantas outras sem em momento nenhum, afirmar ou sugerir que os proprietários das barracas estavam ou estariam envolvidos.

Minha preocupação como profissional é primeiro dar a notícia e depois, como moradora, munícipe participante do pagamento de impostos e acima de tudo apaixonada por esta cidade que escolhi para viver em paz, é o de defender as poucas relíquias que a falta de senso e respeito público ainda não conseguiram destruir.

Na Fonte da Bica, precisa-se de barracas de artesanato para que os visitantes possam levar lembranças que retratem as riquezas de Itaparica, pois bebida e comida já são oferecidos na Marina, através de dois restaurantes e uma sorveteria. Precisa-se também de segurança que deve ser oferecida por servidores da Guarda Municipal, amparados na guarda especial oferecida pela Polícia Militar à Marina como um todo.

No mais, manutenção através da limpeza e cuidados especiais de preservação da história da cidade.

Se existe o interesse de algumas autoridades em fazer agrados pessoais a quem quer que seja, que o façam sem afrontas ao Patrimônio Público e desrespeito ao povo de Itaparica que se encontra, em sua maioria, calado aos ouvidos de seus algozes, mas absolutamente afrontado em suas dignidades de cidadãos desta pequena mas rica cidade que deveria contar com o trabalho árduo de seus gestores na preservação das sua minguadas  fontes sagradas de renda, onde o turista e o veranista, ainda representam as mais tradicionais fontes de sobrevivência.

Deixo claro neste comunicado, meus propósitos profissionais, seja através da Rádio Tupinambá ou do Jornal Variedades, é o de em hipótese alguma, dispor-me hoje ou no futuro, a qualquer  envolvimento em bate-bocas com os envolvidos deste abuso patrimonial, pois meu assunto é com a questão em si e não com pessoas que insisto em afirmar que pretendo continuar não conhecendo.

Existe um velho hábito, desenvolvido pela falta de argumentação lógica e respeitosa que é a da briga e da truculência para se resolverem questões. Reservo-me, no entanto, ao direito de permanecer desenvolvendo o meu trabalho, esperando que cada qual, principalmente os agentes públicos, cumpram os seus, assim como espero sinceramente não me ver envolvida em questões pessoais de qualquer natureza.

EM TEMPO: Um Jornalista, não precisa de provas e tão pouco de autorização, seja lá de quem for para relatar ocorridos que forem públicos, conforme me foi exigido pelas pessoas que me procuraram no último sábado, no interior do estabelecimento onde trabalho.

A batida policial em busca de suposto tráfico de drogas que ocorreu na Fonte da Bica na última sexta-feira, não foi fruto de invenção ou perseguição de uma jornalista, foi um ato concreto, presenciado por inúmeras pessoas e tão somente relatado como mais um possível problema a ser enfrentado em um local onde se deveria tão somente se beber água e se apreciar a grandezas da história do povo de ITAPARICA.

 

 

sábado, 15 de dezembro de 2012

O SILÊNCIO DOS NEM TANTO,INOCENTES...


 
A desfaçatez, o favoritismo, a desconsideração pelos bens públicos e principalmente o desrespeito que estas posturas imprimem ao bem comum foram e são os responsáveis pela totalidade das mazelas que assolam o nosso país, estando a maioria delas, travestida de coisa normal, por já fazer parte do folclore de que, A VIDA É ASSIM ou o que é pior, pela submissão que a maioria do povo brasileiro, principalmente em regiões pobres como é o caso do nordeste, onde o coronelismo se apresenta em vários estágios sociais, inclusive no meio da contravenção e mesmo do crime, disfarçado de GENTE FINA, acima de qualquer suspeita.

Em meus estudos solitários, observo o quanto a educação é relegada em prol de uma manutenção dolorosa da ignorância dos direitos, da ética e do respeito cidadão, criando-se por todo o tempo a extensão da falta de conhecimentos para que as gerações permaneçam aquém de qualquer visão mais abrangente além da busca em alguns casos frenéticas, da solução imediata das próprias  e supostas necessidades em detrimento do outro ou da grande maioria, partindo-se então desta premissa para uma aplicação desumana de falso amparo, onde até o pão pode ser oferecido, novamente em detrimento da perda de direitos de se ter opiniões diferenciadas dos seus algozes.

Estas ações continuadas são possíveis de serem identificadas sem maiores dificuldades, não exigindo do observador, maiores conhecimentos antropológicos, necessitando, entretanto, que o observador, não esteja inserido no contexto do aprisionamento social, psicológico e histórico do local. Ficando aos de fora do contexto à responsabilidade das denúncias, do abastecimento argumentativo, baseado tão somente na lógica de valores entre o bem e o mal, como diretriz margeadora de uma lenta conscientização social.

A maior dificuldade de erradicação destes personagens que postulam  este tipo de comportamento de grupo social, `a fora a violência, certamente é o silêncio camuflativo que se consolida através das gerações e que protege os mantenedores da crueldade social, acobertando-os consciente, apesar de ironicamente todos os exilados, sem exceção, conhecerem quem são seus algozes e o que fazem, criando-se a partir desta frágil conscientização um enorme sentimento pessoal de violação que se expressa através de um sentimento absurdo de inferioridade que, infelizmente, mais e mais os aprisiona.

Antes de se pensar em combater a corrupção, dever- se – ia pensar em se  combater os pequenos grupos que se formam na pirâmide social, cuja finalidade de formação é a de tão somente controlar as rédeas do bem comum, através de escaladores sociais que se intitulam políticos e que estão sempre vendendo os seus favores, tornando-se cegos, surdos e mudos aos verdadeiros interesses da coletividade .

Em meio a estas dolorosas constatações, inevitavelmente sinto-me frustrada, tal qual, qualquer outra pessoa que seja capaz de avaliar a dimensão do crime de esfacelamento emocional que como regra primeira, mantem historicamente a vergonha do atraso, da fome e da miséria em locais ricos e promissores.

 

 

ATENÇÃO

AOS VEREADORES ELEITOS EM TODA BAHIA, E QUE POR VENTURA ESTEJAM DESAVISADOS, ABRAM OS OLHOS!

O Tribunal de Contas do Estado e o Ministério Público(BA) decidiram fechar o cerco ao "julgamento político" que as Câmaras municipais costumam fazer, aprovando contas de gestores que apresentaram má aplicação ou desvio do dinheiro público e, por isso mesmo, foram reprovadas pelo TCM. A partir de agora, os vereadores que insistirem no equívoco terão que explicar judicialmente a motivação do julgamento e ainda correm o risco de responder por improbidade, caso se comprove que negociaram o voto, seja por cargo, dinheiro ou outro tipo de recompensa. Pior: o resultado do julgamento das contas pelo Poder Legislativo pode ser anulado pela Justiça para que se faça um outro com critérios exclusivamente administrativos. O MP respeita a função das casas legislativas. Mas entende que existe diferença entre a aprovação de um projeto e o julgamento das contas de um prefeito. No primeiro caso, vale o critério político e o legislador vota com o partido dele, o que é normal. Mas no segundo, ele funciona como julgador e tem que fundamentar o voto. Do mesmo jeito que um juiz fundamenta sua sentença, o vereador tem que motivar o seu voto pela aprovação ou pela rejeição. Não pode simplesmente dizer sim à conta e não à sociedade, quando o dinheiro público foi desviado.FONTE:O GLOBO
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

E SE O MUNDO NÃO SE ACABAR...


 
Assusta-me pensar que o final de mais um ano está ali, bem próximo, faltando apenas dezessete dias.

Assusta-me também pensar que, mais uma vez, exista a previsão, sei lá de quem, de que o mundo se acabará no próximo dia 21 de dezembro e que ainda existam pessoas que possam acreditar em profecias desta ou de qualquer outra natureza, baseadas em relatos interpretativos de escritos dedutivos dos óbvios, oriundos do comportamento seja psicológico, geológico, cósmico, metafísico ou do escambal.

Assusta-me sobremaneira pensar relembrando o quanto senti medo quando ainda tinha apenas 10 aninhos por crer, apavorada, depois que ouvi que o mundo se acabaria, fazendo de meu imaginário infantil, uma cascata incessante de devaneios aterrorizantes que me roubou inúmeras noites de sono tranquilo e completo, transformando muitos de meus instantes infantis em verdadeiros contos de terror, onde o mar de ondas altas engoliria a praia, as ruas e as casas, matando a todos, inclusive a mim.

Cinquenta anos depois, novamente estou a beira-mar, tão próxima que posso sentir o seu cheiro e sons, fazendo-me lembrar lamentosamente deste período de minha infância, que foi danificada pela estupidez da criatura humana que insistente, desconsidera o imaginário de si própria, fazendo dele arma devastadora que se não mata, fere grotescamente, tendo como único propósito, ser um tolo e nada mais.

Assusta-me pensar no Natal da ainda fome que assola a humanidade, do Natal da ainda violência que nos caracteriza e com a qual nos tornamos vítimas e algozes, do Natal da ainda inconsequência de não sabermos quem somos e por que existimos neste universo, aí sim, misterioso e gigantesco, capaz de nos inspirar a escrever poemas, músicas e mil histórias, até mesmo idiotas e sem propósitos racionais, como as insistentes histórias do fim de si mesmo, mas ainda incapaz de nos fazer humanos.

Humanos no reconhecimento da complexidade deste todo que nos abriga, na grandiosidade que se apresenta em todos os tipos de vida, na simplicidade que deveríamos ter na condução de nossas próprias vidas, na interação amorosa que não doamos no convívio com outras vidas e na sempre incerteza que impomos às nossas vidas, pela inércia de verdadeiramente, não termos coragem de nos dispor a viver nossas próprias vidas sem, a elas, adicionarmos tolices, alegorias desnecessárias que, se em dados momentos,  suscitam sorrisos, bem estar e ilusões, em momentos outros, assustam, flagelam e  fazem chorar, transformando em pesadelos, o tudo complexo, matematicamente calculável, cientificamente explicável, filosoficamente belo, que somos e representamos, como ínfima partícula deste universo poderoso.

Assusta-me pensar no quanto ainda somos ingênuos, abusados e inconsequentes. Todavia, se eu estiver errada em minhas avaliações e, se o mundo desta vez se acabar no próximo dia 21/12/2012, espero que pelo menos sobrevivam as nossas mais generosas vibrações energéticas, para que tenhamos a chance de renascermos  em uma nova vida e em um novo tempo, para imprimirmos nela, o Por do Sol para que possamos  buscar, constantes renovações.

 O amanhecer para um sempre novo despertar da capacidade amorosa que, afinal, reside em todos nós, elaborando assim uma nova era, onde nós, humanos, sejamos capazes de respeitar toda e qualquer expressabilidade de vida, para que ela não se acabe, nem mesmo em profecias ou devaneios, permitindo assim, que ela, naturalmente se transmute no presente do subjuntivo, em um ciclo magnífico de pura vida, cujo guia venha a ser sempre a autêntica naturalidade, acompanhada da bendita e absolutamente necessária, liberdade.

Para quem conseguir sobreviver ao próximo fim de mundo, imposto pela mídia, pelos tolos ou pelos desesperançados, o meu sincero FELIZ NATAL, onde cada amanhecer signifique tão somente, um puro, simples, divino e grandioso:

- BOM DIA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

PROMESSA CUMPRIDA


 
Desde a madrugada, estou às voltas com a internet, buscando uma explicação junto aos grandes pensadores da humanidade como Freud, Jung, Aristóteles e tantos mais, na ânsia de poder encontrar entendimento racional para o fato inusitado de eu ter tido um sonho que me pareceu absolutamente real.

Nele, eu fazia um misto de declaração de amor e, ao mesmo tempo, buscava aninhar-me nos braços de uma pessoa querida que fez parte de um longo período da minha vida, e com a qual eu mantinha estreito e afetuoso relacionamento.

Até aí, tudo normal, pois nossa vivência, certamente ficou registrada em minhas lembranças que, naturalmente, poderiam a qualquer momento aflorarem. Entretanto, o que me fez questionar, foi o fato de eu nunca ter sonhado com esta pessoa, apesar de muito nela falar e quando o faço é sempre de forma viva, não permanecendo em minhas palavras a conotação de dor, referente à perda de sua convivência, pelo fato dela já haver morrido há mais de 20 anos.

Fecho então meus olhos e reproduzo o sonho por várias vezes e, é claro, emociono-me, afinal, posso senti-la através de minhas mãos ao acariciar seu rosto, posso enxergar seus olhinhos pequenos e castanhos, fitando-me com o mesmo carinho com que em tantas ocasiões estreitei minhas dúvidas e minha necessidade de proteção emocional, pude sorver o perfume de seu cheiro pessoal e sua discreta respiração, pela proximidade em que nos encontrávamos uma da outra neste sonho que me foi real.

Encontrei nesta minha busca, palavras difíceis que precisei buscar entendimento no dicionário, teorias psicológicas que se contradizem, alegorias religiosas com as quais, confesso ter inclinações naturais, mas nenhuma explicação me foi convincente ao ponto de quebrar o encanto que ainda neste instante sinto e cujas explicações, agora, reconheço serem desnecessárias, pois este sonho para mim foi real, como um resgate de algo maravilhoso com o qual tive o privilégio de conviver, tipo brinde da vida, que me é inesquecível e como assim, verdadeiramente o é, por que não revivê-lo através dos sonhos, lembranças amorosas que não morrem jamais?

Abro os olhos e permaneço vendo-a com a mesma nitidez de outrora. Posso percorrer o seu narizinho fino e bem delineado que minha filha herdou, posso vê-la deixar os seus olhos umedecerem de emoção por também estarem me vendo, e neste colóquio mais que verdadeiro, pois permanece além do sono já há muito estou desperta. Nada pode mais me importar, que a alegria suprema de rever a minha Zizita, tal qual, deixou a todos nós há tempos atrás. Esboçava um fraco sorriso e  mesmo sentindo dores cruciais, ainda encontrou forças para prometer voltar.

Caminhava com passos miúdos e inseguros para um hospital donde jamais voltou, deixando em mim um enorme vazio, que somente agora, com o cumprimento de sua promessa, pude então, me consolar.

Disse ela na ocasião:

- Não se preocupe Regina, porque eu vou voltar.

Enxugo neste instante uma lágrima, não de tristeza, apenas de saudade de um ser humano bonito com o qual, a vida me presenteou.

Dona Zizita, foi a minha sogra, minha amiga, minha irmã. Portanto, sonhar com ela é apenas parte de um todo vivido, gratificante de se recordar.

Talvez, melhor explicação seja o fato de estarmos em Dezembro e como não poderia faltar, lá veio ela, festeira como ela só, lembrando à nora cética e às vezes preguiçosa, que este é um mês de festas, alegrias e comilança, e que ela, é claro, não poderia faltar.

Especular mais para que?