segunda-feira, 31 de maio de 2010

VONTADE VOLUNTÁRIA

São tantas as compreensões que fui adquirindo ao longo de minha vida, formando uma enorme bagagem de conhecimentos, e em certos momentos como agora, sinto que nada, absolutamente nada, sei ou sou capaz de compreender frente à complexidade do raciocínio humano.
Olho ao redor e me surpreendo com as posturas das criaturas que estão cada vez mais fragilizadas, como reflexo de suas emoções que, confusas, se mascaram, sabotando sentimentos, ideias e ideais em um ritmo acelerado o suficiente para não deixá-las pensar.
Como, então, seria possível a mim, ou a qualquer outro, fazer uma análise mais apurada, se tempo habil não há, diante de tantas camuflagens?
Analizar-se-ia, assim, o transmutar de cada uma delas, se tempo houvesse, mas como não existe, resta o cuidado quanto à observação detalhista, que por diversificar-se sem critérios, cria, então, um abismo que confunde mais que esclarece, fazendo com gente como eu, apaixonada pelas emoções caracteristicas dos comportamentos humanos, sentir-se inúteis, não encontrando brechas à serem até mesmo catalogados com uma certa precisão, quanto mais compreendidas.
Em todas às vezes que me permito contaminar pelo desânimo, crendo que jamais conseguirei acompanhar a evolução de uma só emoção, sinto-me desamparada, mas não fujo do terror desta solidão que me domina, curvo-me, abraçando-me apaixonadamente, enxergando em mim um imenso e rico universo, repleto de possibilidades, onde o não posso se perde frente à certeza que explode em minha vontade voluntária de enfim poder tudo que verdadeiramente me faça mais integrada na busca da compreensão da vida.
E aí, penso que talvez seja exatamente isto que as outras criaturas também fazem na
busca incessante de permanecerem abraçadas às suas vidas, lutando por todo o tempo pelas incompreensões que as assolam, fazendo-as, assim como eu, se sentirem sozinhas e desesperançadas.

domingo, 30 de maio de 2010

DEMOCRACIA E COISA E TAL

Hoje,acordei pensando em democracia e no quanto somos ignorantes a respeito dela, apesar de tê-la na ponta da língua sempre que nos convém, adaptando-a aos nossos interesses, crendo, e aí, acredito de forma sincera que estamos sendo fiéis ao seu conceito e objetivo maior que é manter os principios da soberania popular e da distribuição equitativa do poder.
Pois é, infelizmente se fosse só isto, tudo estaria razoávelmente bem. Entretanto, na realidade as coisas se confundem, até porque não somos devidamente orientados nas escolas quando necessário à partir da alfabetização e muito menos nos nossos lares, onde o mais importante é nos ensinar a ser alguém, o que nos dias atuais é o mesmo que dizer sobreviventes, e neste item, certamente daria para escrever um compêndio, frente ao infinito diversificado em que se encontram os conceitos sistêmicos que transformam alguém em alguém.
Que coisa, heim?!
Bem, na falta de parâmetros concretamente verdadeiros, cada qual cria o seu, tão somente usando alguns refrões muito populares, naquele esquema do me engana que eu gosto, bem de acordo com os povos mais atrasados, que não conseguem enxergar em termos grupais, a não ser no tocante a assistir a shows sertanejos ou toda outra manifestação, inclusive política, desde que esteja embutida alguma atração musical que os faça dançar, expressabilidade que empana a dura realidade de já permanecerem dançando por todo o tempo, através justo do desconhecimento de seus direitos e deveres.
E aí, invadimos o bem público usando o nosso suposto direito de posse de algo que não nos pertence em sua totalidade e quando, por esta ou aquela razão, o governo nos tira, reconheço que nem sempre pensando no bem púlico, mas sim para estabelecer outra invasão mais, digamos, restaurada às custas dos cofres públicos, nos enraivamos e dizemos em alto e bom tom que isto não é democrático.
Pode uma merda desta ser dita e a gente ter que ouvir, e pior, ainda concordar para não ganhar naquele instante mais um ferrenho inimigo?
Ah! meu Deus, quanto saco e quanta paciência se tem que ter neste convívio prá lá de destorcido.
Como é difícil permanecer por todo o tempo no POLITICAMENTE CORRETO.
Fazer o quê, se o descaramento se institucionou, jogando por terra todo e qualquer insignificante respeito por um todo sistêmico, que afinal a cada dia mais se apresenta abestalhado e sem ação de defesa pública?
Não preciso ir muito longe, basta-me olhar ao redor para reconhecer que já não mais existe independência partidária, muito menos a saudável oposição, que mantinha pelo menos a linha, apesar de fina e tênue, da postura supostamente decente que chamávamos de democrática.
Estamos vivendo um verdadeiro angú com carosso, difícil de desfazer em uma única panela em cada localidade e uma única colher de pau, geralmente sem qualquer verdadeira qualificação que não seja apenas o longo aprendizado em se dar bem, é claro, usando como refrão o já desgastado: "PELO POVO", em nome da DEMOCRACIA.

sábado, 29 de maio de 2010

É ISSO AÍ...

Que delícia poder lembrar de fatos assim nem tão antigos, mas que se tornaram eternos nas emoções que se formaram dentro de nós.
As fotos, os filmes, quando revistos, são como o abrir de janelas das recordações, fazendo-as ficarem mais vivas e se fecharmos os olhos, respirando bem fundo, certamente seremos capazes de reproduzir aquele instante que foi mágico, excitante, fazendo-nos vibrar.
Que bom, não é mesmo?
Pois foi exatamente isto que senti hoje pela manhã, quando deparei-me com algumas fotos da campanha eleitoral de 2004 em que não participei, mas que me remeteu a outra em que mergulhei de cabeça e onde fui muito, mas muito feliz, pois me permiti sentir novas e emocionantes sensações.
Aos quase sessenta anos, vi-me incansável em cima de um trio elétrico vibrando como uma jovem entusiasmada, deixando o suor bendito escorrer, revigorando energias de um CORPO, de UMA ALMA e de um CORAÇÃO que só queria ser feliz.
Penso, então, que de verdade somos os nossos próprios regeneradores, capacitados a mover nossos universos pessoais, direcionando-os ao nosso querer, e esta conclusão consciente é gratificante, pois nos mostra o poder que representamos em meio a este universo que nos abriga, retribuindo-nos com constantes desafios que não podemos e muito menos devemos não aceitar, porque corremos o risco de não vivenciar imensas e insubstituíveis emoções.
E aí, alguém pode dizer que também corre-se o risco de enormes perdas.
Bem..., isto é verdade, todavia, no frigir dos ovos, com a certeza de que nada desta vida levamos, creio que o risco sempre valerá a pena, pois, afinal, é sempre mais reconfortante perder-se tentando do que nada, absolutamente nenhuma sensação de vitória se ter.
Não é verdade?

sexta-feira, 28 de maio de 2010

AINDA EMOCIONANDO

Venho percebendo que na medida em que envelheço, mais e mais recordo-me de fatos passados em minha juventude, crendo que seja um retorno necessário, como se fosse uma busca constante de parâmetros frente a realidades que então vivencio, que ora me chocam, ora me entristecem, ora me fazem pensar no quanto tive o privilégio em vivenciar minhas etapas de experiências de vida com imensa suavidade.
Lembro-me, por exemplo, do beijo que dei em meu primeiro namorado aos l5 anos e que, de tão emocionante, ainda me faz sentir o espetáculo que ocorreu em todo o meu ser de menina-moça se abrindo para os sentidos de seu próprio corpo, mente e sentidos em uma comunhão amorosa da natureza com o despertar da sensualidade, tão absolutamente natural que me faz estremecer quando vejo os jovens de hoje se entregando como mercadorias tão somente expostas para ser consumidas.
Ainda posso sentir a boca carnuda e o hálito quente daquele beijo infantil, mas absolutamente maduro para iniciar dois lindos e ingênuos jovens na arte do sentir sem culpas, mas com mistérios que aos poucos, com o passar dos anos e de novas descobertas, foram sendo desvendados e inseridos em forma de estrutura emocional e de seletivas escolhas sem jamais abrir mão da qualidade e dos propósitos.
Que pena, meu Deus, pelos excessos que ora vejo com o título de liberdade.
Que tristeza, meu Deus, pelas lembranças confusas, sem rostos, sem nomes, sem alma que esta juventude certamente terá no futuro.
Obrigado, meu Deus, pelo lindo beijo na boca que fez de mim um ser mais amoroso e me preparou de forma suave, sem pressa e muito natural para, dois anos depois, conhecer a sublimação da comunhão da entrega que, por ter sido tão intensa e amparada em valores, hoje chamados de mico, permanece 43 anos depois ainda fazendo arrepiar, ainda emocionando.
BOM DIA!!!!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

FILHOS DA VERGONHA NACIONAL

"Aluno agride coordenadora com socos e pontapés no interior de SP
Agressão ocorreu na porta da escola, em Franca, na terça-feira (25).
Escola de Ribeirão Preto também registrou caso de agressão".



"Aluno atingido por apagador em SP diz temer volta para escola
Nesta quinta-feira, o garoto foi submetido a um exame de corpo de delito.
Família diz que menino de oito anos nunca teve problemas de indisciplina".


Estou começando a ficar preocupada com os constantes destemperos que alguns professores vem tendo em sala de aula com seus alunos, através de atitudes agressivas de irritabilidade frente ao descontrole da classe.
Não que para mim seja surpresa, afinal, venho acompanhando ao longo de pelo menos duas décadas e meia a falência sistemática do sistema educacional de nosso país, além de fazer constantes alertas através de meus escritos, seja nos jornais nos quais trabalhei, seja em palestras, onde tive a oportunidade em me expressar para pais e mestres, seja através de meus livros, onde abordo todos os aspectos psico-sociológicos destoantes que vem se instalando sorrateiramente nas posturas dos mesmos, tendo como indutores governos descompromissados, promovendo, portanto, alunos desmotivados, com o resultado final totalmente desqualificado, salvo raras exceções.
Criou-se, através de uma constância sem impedimentos, o hábito destrutivo de transformar em promessas vazias salas de aula em discursos inflamados e consequentemente envolventes, sem que haja uma só ação que seja verdadeiramente pautada dentro de um desejo sincero de fazer acontecer mudanças reais.
Os programas federais, em sua maioria consistentes, se perdem quando colocados na prática, pois os executores estão desqualificados, nem que seja pelo engessamento de gestões arcáicas e pouco responsáveis.
Apesar de serem necessários, estes projetos nem sempre se adequam à realidade desta ou daquela localidade por ser generalizada, e este conceito não se adapta em um país tão grande com tantas diferenças de todos os níveis, sendo necessário, portanto, no mínimo uma adaptabilidade, que não acontece justo pela ou não percepção desta necessidade ou mesmo pela total incompetência dos orgãos gestores educacionais, cuja visão de suas atuações normalmente é condicionada a dogmas conceituais já pre-estabelecidos.
A falta de diretriz específica e a desvinculação que passou a ocorrer entre a escola e a comunidade tem sido uma mola impulsionadora de equívocos muito perigosos, que vem passo-a-passo minando um relacionamento que jamais poderia ser fragilizado.
Além disso, o mestre, o orientador, enfim o profissional que se formou nos últimos anos, já trás consigo uma formação deficiente, onde o seu papel de educador se empanou principalmente pela desqualificação que a profissão agregou em sí no periodo da ditadura militar e que nas gestões seguintes não encontrou qualquer intenção séria de reestruturação consistente.
O resultado deste abandono é justamente uma visível falência que se expressa através de professores estressados, desmotivados, que se enganam quando pensam que estão ensinando algo e que sequer se esforçam em se posicionar como autoridades educacionais em sala de aula, já não despertando qualquer respeito de seus alunos e estes, desnorteadas crianças e adolescentes, sem qualquer parâmetro comportamental de civilidade de convivência, além de serem famintas e desnutridas crianças oriúndas de lares, senão miseráveis, mas nitidamente carentes, que não encontram nem em seus lares e muito menos na escola o amparo que por constituição de direito deveriam receber.
Portanto, esperar o quê, se não existe prioridade verdadeira?
Restando, portando, o desconsolo na constatação de um desrespeito generalizado, uma marginalização que já se estende aos colégios particulares e que nos aprisiona no cotidiano de nossas cidades e bairros, onde somos dia-a-dia acossados por marginais cada vez mais jovens, que com nossa omissão ajudamos a produzir e que horrorizados hipocritamente em nossas mentes agradecemos a Deus quando são mortos, seja pela polícia ou por outro bandido mais rápido no manejo da malandragem, profissão garantida aos filhos da vergonha nacional.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

QUE "POBREMA"...

O assunto em pauta no momento é a copa do mundo que acontecerá na África do Sul. Enquanto isso, o Brasil empresta (a fundo perdido) 120 milhões de dólares para a Grécia, que se encontra em crise econômica, e por aqui, a nossa polícia não dispõe de armamentos e veículos, a educação e saúde estão cada dia piores, mas as vendas de geladeiras, fogões, tanquinhos e todos os aparatos que determinam a mudança de categoria na pirâmide social só vão aumentando.
Se não bastasse, o nosso Secretário de Justiça ou o papai dele, que é nosso ministro, deve ter pisado no calo de gente muito influente e aí, pau nele.
Relato alguns itens em um universo gigantesco no qual nem eu e nem você temos noção, então, ambos permanecemos como tolos, achando que somos antenados, peritos nisto ou naquilo, quando na realidade nos esforçamos arduamente para não ficar tão somente como robôs teleguiados até mesmo no mundinho absurdamente restrito no qual vivemos e convivemos.
Esforçamos-nos para entender nem que seja um pouquinho deste ou daquele assunto, o que já é um enorme mérito se pensarmos que a grande maioria não está nem aí, até porque alguns, que são muitos, sequer sabem ler. Portanto, como diz o ditado, em terra de cego quem tem um olho é Rei.
Pois é, acho que não tenho me saído assim tão mal como Rainha, se bem que, nesta altura de minha vida, eu creio que preferiria ser mais cega, menos, digamos, entendida em certos assuntos, pois também tenho reparado que não importando onde se esteja, boca calada e olhos devidamente fechados em muitas ocasiões é sinônimo de esperteza e de se dar bem, fazendo geralmente subir-se na escala social.
Formato em minha mente a pirâmide social na tentativa de me posicionar e sinceramente descubro desolada que, ao invés de subir, só fiz descer na medida em que me esforcei como uma louca para estudar e trabalhar, enfim, me antenar.
Olho ao meu redor e percebo a mesma situação ocorrendo com amigos que vão bem graças a Deus, mas que frente a seus esforços e sacrifícios deveriam estar bem mais próximos do cume e não perdidos entre as classes C,D, pois a B que já seria uma glória estupenda e na qual eu e muitos deles pertencíamos, agora só tem espaço para pouquíssimos privilegiados neste nosso país tropical, bonito por natureza e safado por tradição.
- QUE “POBREMA”!!!!!!! dona Regina.
O CAUSO é o seguinte, o negócio mais certo é que a senhora PUDIA ter PARIDO de um político, jogador de futebol ou de um cantor sertanejo. Afinal dona, quem mandou a senhora não usar o que DEUS lhe deu direitinho e de graça? Agora, não adianta “RECRAMÁ”.
Diz pra mim um amigo bem próximo, sábio escalador social que com apenas o ensino fundamental completado se encontra bem acima na escala social, afinal, não pariu de ninguém, mas entrou pra política, e hoje como vereador, já pensa em ser deputado, quiçá no futuro até governador. Afinal, com dinheiro e com os aliados isto não vai ser “POBREMA”.
Que coisa, heim?!!

domingo, 23 de maio de 2010

QUAL NADA!

Nesta manhã de domingo acordei pensando no quanto tenho exercitado minhas emoções a permanecer mais, digamos, equilibradas, não como uma necessidade prioritária, tão somente para um mais suave convívio social, mas principalmente para o convívio com toda a minha estrutura pessoal.
Descobri o óbvio da auto-análise de forma consciente acerca de mais ou menos dez anos e, de lá para cá, tenho empreendido árduas batalhas em prol de um aprimoramento que ainda está a anos luz de ser atingido, mas que já me oferece uma qualidade vivencial explicitamente mais favorável, permitindo-me, de forma progressiva, identificar tudo quanto penso, falo, faço ou aceito que me seja absolutamente inadequado.
Praticar este exercício de reconhecimento individual, trouxe-me gradativamente uma necessidade em reconhecer-me cada vez mais em todos os aspectos que posso vir a apresentar e conseqüentemente mostrou-me que nada posso representar nesta vida, seja para quem for, se não houver o entendimento de que em qualquer circunstância sempre serei a prioridade, jogando assim por terra a idéia falsa e hipócrita de doação existêncial, que apenas contribuiu para que eu perdesse os parâmetros e permanecesse por todo o tempo culpando-me em relação aos demais e, portanto, deixando-me sempre confusa, com um profundo sentimento de perda encravado em todas as minhas relações em forma de um vazio inexplicável, que descobri ser a grande impulsionadora da ansiedade que permeou toda a minha existência, e que fui identificando também nas outras criaturas com quem convivi.
O incrível desta minha descoberta pessoal é justo o fato de não ser inédita, fazendo-me enxergar com luzes brilhantes o quanto permanecemos na superfície de tudo, ou quase tudo, crendo sinceramente que somos atentos e responsáveis na prática de tudo quanto nos é ensinado.
Por toda a minha vida escutei, li e cheguei a presenciar criaturas que a esta prática se dedicavam, sem, no entanto, tirar o lúdico de cada aprendizado, como se tudo não já estivesse por mim sendo exercitado dentro de minha realidade cotidiana, que, é claro, eu sempre justificava ser mais complicada e repleta de inerências que me impediam à uma dedicação mais apurada, como se na vida daquele que mudara suas perspectivas tudo fosse um marasmo ou mais fácil.
Quanta camuflagem… Quanta perda de tempo.
Afinal, a simplicidade do ato de viver me prestigiando residiu junto ao medo de deixar transparecer a pessoa que verdadeiramente eu estava me tornando e que ia se transfigurando, sem que houvesse de minha parte uma real ação de controle entre o que minha natureza impunha e o que o sistema cruel e massacrante exigia que eu fosse, tornando-me, então, um arremedo de mim mesma, que somente o Lexotam e o Prosac em algumas ocasiões permitiu-me pensar falsamente que tudo estava bem.
Qual nada….

sábado, 22 de maio de 2010

Como é bom, meu Deus!

Estou com os olhos fechados, escutando lá fora a chuvinha miúda esparramando-se nas folhagens e penso, então, no quanto eu gostaria de estar entre as folhas para me banhar se não estivesse resfriada.
Lembro-me da sensação inesquecível de frescor e liberdade nas inúmeras vezes a que me dei a este prazer, que começou ainda menina, segurando a mão de minha mãe, ambas molecamente fingindo fugir da chuva que inesperadamente começara a cair nas areias da praia.
Mais tarde em Guapi-mirim, em várias etapas de minha vida, algumas vezes corri, fingindo fugir da chuva, o que na realidade era tão somente um ritual fantasioso onde apenas deixava-me molhar em uma entrega absurdamente total.
Como era bom, meu Deus!
Sentir o cheiro da grama molhada que se deixava afundar sob o pisar de meus pés e de braços abertos abraçar por instantes o tudo de bom que o aparente vazio representava e que me abastecia e me fortalecia para o enfrentamento dos fatais desertos que o cotidiano ofereceria.
O fascínio pela chuva sempre fez parte do estereótipo de meus mais loucos devaneios, assim como o surgir do sol, teimoso e atrevido, pedindo passagem, se fazendo presente, empurrando a chuva em um duelo de titãs.
Abro meus olhos, pois não escuto mais o barulhinho da chuva e em segundos lá está o sol abusado, trazendo junto a ele uma revoada de passarinhos, barulhentos e inquietos iguais a mim naqueles velhos tempos em Guapi-mirim.
Como era bom meu Deus! Como ainda é muito bom…
Bom dia para você também!!!!!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Silêncio Submisso

Pois é…, mais uma semana está chegando ao fim e novamente o ritual burocrático que envolve interesses de cachorros pra lá de grandes continua o mesmo e nós, Zé Povinho sem eira nem beira, abestalhados contumazes, permanecemos como aquele boboca antigo personagem de programa humorístico, que só sabia dizer: ah!… é, que coisa hein?!

Esta história que que permeou os últimos dias e que deu pano prá manga, tanto para um lado como para o outro, envolvendo as lanchas de Mar Grande, ou melhor, a descontinuidade da travessia Comércio/Mar Grande/Comércio, bem que poderia ser encaixada em qualquer das novelas da Globo, nos núcleos das maracutaias, que aliás fazem enorme sucesso, porque, cá pra nós, não há nada mais sedutor que bandido de colarinho branco tomando scoth e champagne de primeira, circulando de jatinho e nos oferecendo suntuosas bananas, que ingênua ou idiotamente recebemos, alguns até agradecendo e encontrando inclusive justificativas para as seguidas más digestões que as mesmas certamente provocam.

Tudo tinha sido armado no calado e debaixo de muitas negociações, onde certamente somente nós sairíamos no prejuízo, sem que tivesse havido um só grito de defesa a nosso favor. E aí, penso que de nada vale se ter tanta gente assalariada se dizendo defensora do povo, pois quando os cachorros grandes resolvem se alimentar, reservam sempre alguns restos de seus banquetes para os urubus oficiais, ficando nós, os eternos bobalhões, a chupar os dedos.

Admiro a persistência de pessoas como Lenise Ferreira, que coloca a boca no trombone, afinal seu barulho no mínimo atrasa o servir do banquete, mas como uma velha também prá lá de vivida, sei que este manjar a TWB não vai deixar de degustar, aliás ela e todos que com ela irão se fartar.

É tudo uma questão de tempo e trâmites administrativos e judiciais, não é mesmo?

Quem é que já não viu este filme em outras situações? Pois é… enquanto isto, os meninos espertos tratam de trazer à mesa do lauto banquete aqueles mais aparentemente prejudicados, oferecendo a eles um pedacinho do filé, no que se darão por satisfeitos, afinal para quem iria perder para sempre a comidinha certa, ficar com a sobremesa é quase um prêmio, levando-se em conta que por cinqüenta anos, mais ou menos, nada fizeram de criativo, sequer jamais se uniram até mesmo para ganhar jantares melhores, preferindo a acomodação do arroz com feijão .

Penso, então, que o desconhecimento dos fatos que ocorrem nos gabinetes não é somente prerrogativa de nosso Presidente Lula, parecendo-me praga que contaminou a todo e qualquer líder, afinal eles nunca sabem de nada sujo que acontece à sua volta. Não é Governador? Não é mesmo Senhores Prefeitos e Vereadores?

Se alterar todo um meio de transporte de milhares de pessoas, prejudicar seriamente o comércio de uma localidade de um dia para o outro, sem considerar o custo-benefício que isto trará ao povo não for uma questão séria para se lutar, não sei mais prá que servem tantos políticos, burocratas e puxa-sacos.

Cala boca velha chata, enquanto você e as Lenises da vida se decabelam em denúncias e na luta diária em prol da defesa dos direitos dos cidadãos, os mais interessados, que é o próprio povo, alimentam os urubús, oferecendo a eles a carniça do silêncio submisso.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

ACORDEM … MENINOS !!!!!

Semana passada meu marido e eu comparecemos a uma reunião à noite em Conceição, onde o Prefeito Magno e sua equipe de governo iria, como já havia realizado em outras localidades de Vera Cruz em 2009, fazer uma prestação de contas de suas atividades, assim como ouvir os líderes comunitários em suas reivindicações.

Apesar de não termos sido oficialmente convidados, comparecemos certos de que obteríamos informações valiosas a respeito não só daquela comunidade como um perfil mais atualizado das ações da atual gestão.

Portanto, estávamos na qualidade de jornalistas e, como tal, permanecemos atônitos, diante do quadro de desrespeito que se figurou alí, cara-a-cara, sem que houvesse um só assessor que intervisse a fim de coordenar as manifestações truculentas de cidadãos visivelmente insatisfeitos, que não pouparam franquezas e injúrias à autoridade maior do município.

Infelizmente, o Prefeito Magno se viu sozinho e fatalmente cometeu o erro primário de desconsiderar uma platéia que comentava em voz alta, por todo o tempo, suas explanações em explicita afronta, que culminou com perguntas prá lá de diretas, desafiadoras e seguidas de acusações sérias, além de extremamente ofensivas, situação que não poderia ocorrer em hora alguma e muito menos em uma reunião com objetivos determinados e devidamente antecipada através de visitas de assessores à comunidade.

Em dado momento, apesar de já termos vivenciado situações bem mais violentas, em respeito à pessoa do Sr. Prefeito e sua esposa, sentímo-nos na obrigação de nos retirar, visto que a conotação de haver jornalistas presentes poderia de alguma forma estimular uma continuidade que nos pareceu absolutamente desnecessária e constrangedora.

Deixo aqui, o nosso registro de tristeza, pois cremos que em lugares tão pequenos, onde as pessoas em sua maioria se conhecem desde sempre, deveria haver mais respeito mútuo. Diferenças ideológicas são saudáveis, erros podem e devem ser discutidos e saneados, mas quando o bom senso, assim como o espírito interativo se perde, é sinal de que algo não está legal e que o equilíbrio da convivência precisa ser reavaliado.

Que doravante, a assessoria esteja mais atenta, pois cenas de baixaria precisam ser evitadas, até porque desgastam e comprometem imagens e ações, além de serem estímulos para outras interferências no futuro. Talvez, seja necessário uma revisão postural em relação às prestações de contas, pois o que se observou foi uma comunidade incrédula por se sentir pouco assistida, nada ouvida e muito menos lembrada por menor que fosse a ação.

Existem alguns refrões repetidos inúmeras vezes que só se enquadram e fazem sucesso falados pelos então candidatos, quando em tempos de campanha eleitoral, fora isto, podem soar como desrespeito às necessidades que para a comunidade que os ouve, quase 2 anos depois de eleito, podem soar até como uma afronta ou pouco caso.

Assessoria é coisa séria que não pode ser desconsiderada e muito menos improvisada. Bem que explica o ditado popular, CADA MACACO NO SEU GALHO, mas e daí, não é mesmo?!

O nosso presidente LULA, grande professor nesta área, bem o sabe e, portanto, não economiza e tão pouco mistura conhecimentos, pois aprendeu com suas gloriosas derrotas que imagem é imagem, faz miséria e até leva à miséria.

Paga-se, então, solenes micos que podem custar uma reeleição.

É preciso que se tenha cuidado com a força cegante que o otimismo em demasia do poder ou a inerência da arrogância, podem ter em relação à prudência, pois eu e você também já vimos este filme acontecer aqui ou alí, onde o bom senso foi sufocado por “n” razões totalmente sem a menor objetividade.

As eleições de 2008 apresentaram, ao nosso ver, o resultado exato do que acabamos de afirmar.

É preciso que os políticos acordem para uma realidade indiscutível, que é a conscientização que mesmo lentamente as pessoas estão aprendendo a ter de seus direitos e deveres. Não está dando mais para, por todo o tempo, manter-se o povo isolado, ouvindo tão somente o que os políticos creem que precisam ouvir. O tempo das vaquinhas de presépio já vem se acabando, devagar, bem devagarinho, mas surpreendente, como ocorreu em Conceição, na semana passada.

Que coisa, heim?!

Entretanto, no afã de se verem vencedores, os eleitos de qualquer esfera administrativa cometem o erro cruel de não analizar os erros dos perdedores e logo, bem no comecinho de suas gestões, cometem os mesmos erros dos derrotados, em um ciclo vicioso dificil até mesmo de se compreender.

ACORDEM … MENINOS!!!!

Pois o povo lá vai também acordando.

VOZ CONSTANTE (vale a pena relembrar)

Os órgãos de comunicação como jornal, rádio, TV, revistas e etc existem para
ser o registro dos acontecimentos, fazendo assim, sobreviver a história do cotidiano de um local específico ou global da humanidade. Entretanto, ele não sobrevive por si só.
É preciso que a sociedade a qual representa, participe ativamente, não desconsiderando jamais o som da sua voz como ponte entre o fato e o cidadão.
Infelizmente, percebe-se que onde não há o respeito à imprensa também não se tem respeito ao cidadão em seus mais primários direitos democráticos, alimentando desse modo a desinformação que gera a ignorância do conhecimento dos seus próprios direitos e deveres.
Em abril de 2003, fizemos circular a primeira edição do Jornal Variedades, empreendendo uma árdua luta de sobrevivência, levando-nos a pensar a cada edição que, ao invés de jornalistas, havíamos nos tornado mendigos da cultura e da informação. Em raras ocasiões fomos agraciados com o apoio deste ou daquele gestor, e quando fomos, dobramo-nos a não menos árdua tarefa de cobrá-los por todo tempo como se o que nos coubesse fosse injusto ou desnecessário.
Ah!...se não fossem os empresários, ah!... se não fossem nossos próprios recursos, ah!... se não quiséssemos tanto continuarmos a ser loucos idealistas que ainda crêem na possibilidade em ver fluindo a bendita justiça social, conscientização vivencial, respeito à vida e à liberdade.
Vivenciamos benditos anos de experiências e interações cotidianas que solidificaram como única voz constante da integração dos municípios de Itaparica e Vera Cruz. Foram 60 edições onde procuramos ser fieis aos fatos e respeitosos em nossas intenções. Temos consciência que buscamos exercer nossas tarefas de forma menos invasiva. Assim como esperamos que a consciência participativa de cada cidadão seja um instrumento que promova as mudanças que tanto ambos os municípios necessitam nas áreas básicas de sustentabilidade social, como educação, saúde, segurança e ações sociais, margens direcionadoras das demais áreas do universo social.
É preciso que compreendamos o alcance de nossas posturas pessoais em meio às posturas coletivas. A fome, a violência e a miséria moral não nascem e crescem do nada e sozinho, elas são frutos dos desmandos provocados por cada um de nós em nossos mundinhos individuais. Cremos que podemos tudo e que nada se reflete no todo, e esta é uma postura camuflativa que estimula seja no agradável e produtivo, seja no desagradável e corrosivo. Enquanto acharmos que podemos fechar nossos olhos à dor dos outros que nos rodeiam, estaremos semeando o apartheid social responsável pelo caos que ora já é possível vivenciar-se nos quatro cantos da convivência sistêmica de Itaparica e Vera Cruz. Enquanto acharmos que podemos nos drogar, jogar, parasitar, escamotear uns com os outros, superfaturar, ignorando o mal que produzimos com nossas indiferenças, estaremos cada vez mais expostos às reações absolutamente naturais daqueles que nada tiveram para melhor se espelharem. Afinal, é publico e notório que o esperto é que se dá bem socialmente. E todo mundo quer se dar bem, não é mesmo?
Enquanto fingirmos que ensinamos, aprendemos, gerenciamos ou governamos isto ou aquilo, certamente teremos como realidade concreta a imagem de nossa própria indiferença, alienação, canalhice ou comodismo, invadindo nossas casas e comércios, roubando ou matando nossa paz.
É preciso que acordemos pouco a pouco para nossas obrigações sociais justamente para
podermos um dia vivenciar nossos próprios direitos. o Jornal Variedades, incansável na luta dos direitos sociais e humanos, agradece a todos pela oportunidade em expressar mês-a-mês o que acredita ser o caminho de vida e de liberdade, do pão e do conhecimento, direitos de todos nós.

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domingo, 16 de maio de 2010

LEMBRANÇAS

Passo a maior parte de meu tempo, seja livre ou não, observando e registrando mentalmente tudo que vejo e  sinto, não de forma agressiva ou proposital, mas absolutamente natural, o que há muito deduzi ser de minha própria natureza, que jamais rejeitei e que ainda bem cedo, pelo que me lembro desde os oito a dez anos, através do convívio muito íntimo que passei a travar com a natureza .

Em Guapimirim, junto ao meu riacho encantado de mil sons,  também produzidos pela cachoeira que jorrava incansável aquela água geladinha que me fazia a princípio arrepiar e que, logo em seguida, me fazia esquecer do restante do mundo, ficando apenas e tão somente buscando o que naquela época eu não sabia definir, mas que bem mais tarde compreendi que seria a busca de mim mesma  em meio à toda aquela grandeza.

Lembro que eu me sentia  parte tão integrante de tudo aquilo que  não raras foram as vezes em que me vi uma folha, uma flor ou uma das centenas de pedras que ornavam o piso do riacho, nas quais milhares de vezes pisei, sentei e até mesmo me deitei em uma entrega  quase que abusada à toda aquela magia que me envolvia e me fazia ser a criança mais feliz do mundo.

Foram dias, meses e anos em que eu aguardei as férias de julho com a maior ansiedade, e também vibrava de felicidade quando  na sexta-feira  a família resolvia viajar para Guapi. Lá, junto à toda aquela natureza exuberante eu me sentia o centro do mundo e me identificava com tudo que me cercava, principalmente com o barulho constante e desafiador do silêncio.

Fui aprendendo a reconher cada som e fui correlacionando uns com os outros e me maravilhando com a interação que se descortinava  diante de mim, passando a ter o entendimento  claro da harmonia  daquela convivência, onde eu, sem pedir licença na pureza de minha infância, adentrei e me entreguei.

Tantas décadas ficaram para tráz e me é ainda possível sentir o cheirinho da terra úmida, o limo das pedras, que em muitas ocasiões ofereceu-me espetaculares quedas, o frescor  da vegetação que envolvia  aquele pedaço de éden  só meu e que somente alguns poucos raios de sol tinham autorização para também estar lá e, é claro, todas aquelas enormes samambaias com suas folhas gigantescas, disputando espaço com as milhares de outras plantas, algumas atrevidas que exibiam lindas e resistentes flores que jamais me atrevi a retirar.

Quantas lembranças… Quanta vivência… Quantos ensinamentos amorosos recebi da vida …

BOM DIA !!!!

sábado, 15 de maio de 2010

UMA CHANCE PRA VOCÊ

Há alguns dias, nada escrevo, pelo menos que de alguma forma sirva de entretenimento à outros. Hoje, no entanto, apesar de não ter nada de específico, coloco-me à disposição da inteligência universal para, quem sabe, deixar fluir  meus pensamentos armazenados em meu subconsciente, e aí, até poderá surgir algo interessante que de alguma forma seja do interesse deste ou daquele  seguidor que diariamente me prestigia.

Nestes instantes de pura dedicação literária, percebo imagens mentais de assuntos diversos que na realidade fazem parte de meu arquivo de  memória e sinceramente  não vejo muita originalidade, levando-me a crer que tudo é uma eterna repetição, se bem que com aparência diferenciada.

Afinal, ao pensar que já escrevi sobre quase tudo, coloco-me em uma posição de arrogância indesculpável e, então, forço-me a uma espécie de exercício emocional, onde não reside qualquer sentimento de culpa, mas uma consciência plena de minha inadequação e da necessidade em posturar-me de forma mais condizente com meus hábitos diários, no que se inclui escrever sobre o que sinto,vejo ou tomo conhecimento e que desperte em mim, no mínimo, curiosidade.

E esse despertar é contínuo, o que me faz então crer que quando penso que nada tenho para escrever, na realidade estou exercendo um direito que não tenho, que é justo ser inerte ou preguiçosa, e pensando nisto, constato horrorizada que eu e tantos outros estamos continuamente expressando nossa preguiça existencial, fonte inesgotável de lamúrias diárias a que nos dedicamos como desculpa prá lá de esfarrapada por não conseguirmos atingir metas que permanecem tão somente em nossas mentes, ora para nos fazer sonhar e logo em seguida para alimentar de forma contumaz  um rio caudaloso de frustrações.

É isso aí… Ou nada fazemos ou fazemos de menos, o que é o mesmo que dizer que fizemos mal, tendo como consequência a não conquista de um suposto objetivo, transformando assim uma possível vitória em sucessivas frustrações que certamente alimentam nosso ego viciado a lamentação, atalho que nos faz chegar rapidinho à ansiedade, que por sua vez é a ante-sala das depressões.

Portanto, até mesmo quando somos arrogantes ou simplesmente preguiçosos, somos capazes ,como ocorreu comigo nestes instantes, de, ao me permitir deixar que o universo adentrasse em mim, reconhecer que sempre somos capazes de criar um novo aspecto no aparente igual. Todavia, esta é uma atitude absolutamente individual, cabendo a cada um em seus mundinhos emocionais, tão somente buscar a vida em toda a sua grandeza, que certamente reside na mente racional de todos nós.

Que tal parar um pouquinho, se abrir para o universo e deixá-lo ajudar a  você  a transformar esta sexta-feira em um dia especial?

Vamos lá, dê uma chance a seus sonhos, planos ou desejos!!!!!!!!

Bom Dia !!!!!!

domingo, 9 de maio de 2010

GENTE QUE FAZ

Elizabete de Melo GuedesS4012657 Linda, professora primária, fazendo desta árdua e tão pouco valorizada profissão, um caminho repleto de iniciativas brilhantes. No ano de 2009, desenvolveu em conjunto com o não menos talentoso, professor Railson Oliveira, o projeto de ambos, chamado “Escola em Cena”, que foi apresentado na Comunidade de Amoreiras.

Trata-se de um projeto que merecia ter recebido apoio público mais consistente, já que é notório a carência cultural e afetivas de nossas crianças. Infelizmente, neste ano até o momento não houve apoio para que o mesmo voltasse a ser implantado, ficando aqui um apelo a algun comerciante ou amigo de Itaparica que queira abraçar esta  iniciativa, que certamente ajudará e muito a evitar o aumento da violência que existe envolvendo jovens delinquentes. O investimento é muito pequeno, se avaliado for os benefícios que dele advem.

Vamos, portanto, apoiar a quem de verdade quer realizar.

FAZENDO PARTE DA HISTÓRIA

www.banca-de-revista.com (1) É,  parece que foi ontem, mas já fazem seis anos que esta família de idealistas, editou a primeira edição do JORNAL VARIEDADES, após um ano de pesquisa de mercado, visitando cada pedacinho dos municípios de Itaparica e Vera Cruz e tendo a oportunidade, assim, de conhecer bem de perto o jeito de ser deste povo simples, repleto de cultura nativa e extremamente acolhedor que, como já escrevi anteriormente, abriu braços e coração a nós e à nossa iniciativa em promover um veículo de comunicação que se propunha a registrar todos os acontecimentos do seu cotidiano para, então, servir no presente como um elo  interativo entre os dois municípios  e no futuro como fonte histórica para estudos e enriquecimento cultural.

Infelizmente, em raras ocasiões conseguimos que os gestores de ambos municípios conseguissem compreender a magnitude do objetivo deste trabalho  e que reservassem uma fatia por menor que fosse para que o mesmo se desenvolvesse com mais riqueza de detalhes, mas tudo bem…

Se por um lado nos negaram apoio, por outro, que é representado pelos comerciantes e empresários, fomos gradativamente ganhando junto a cada um deles o respeito que vem se expressando através de um apoio  sistemático  e constante, que então vem nos permitindo  trabalhar com decência e dignidade  e que neste momento aproveitamos para mais uma vez agradecer sensibilizados.

Quanto aos leitores que são muitos, na realidade são os maiores responsáveis pelo sucesso de cada edição, pois prestigiam fazendo suas compras no comércio de nossa ilha e, portanto, efetivamente não só oferecendo respostas aos apelos publicitários inseridos em nossas edições, mas acima de tudo promovendo um maior desenvolvimento do comércio da ilha, que pode ser observado através do surgimento de novos estabelecimentos  por  todo o tempo ou  através de reformas e ampliações dos comércios já tradicionais.

Ao longo desses anos que se seguiram desde a primeira edição, muitas águas já correram, mas todas absolutamente possíveis de serem não só digeridas, mas principalmente com efeitos regeneradores capazes de nos fazer, a cada instante, mais fortes e confiantes em nossos trabalhos e na linha postural de nossa ética profissional, da qual não abrimos mão por mais  esquecidos ou desprestigiados que possamos ser por esta ou aquela facção política que não esteja imbuida no respeito ao povo da Ilha de Itaparica,  na qual somos os únicos a representá-los enquanto imprensa escrita.

Apesar de, em algumas ocasiões, termos dado o nosso apoio a  projetos de alguns políticos, ajudando-os em suas causas, jamais comprometemos  nosso idealismo e, certamente,  nossa responsabilidade ética para com a cidade e seu povo, preferindo por todo o tempo permanecermos fiéis ao desenvolvimento sustentável da ilha, fosse ela governada por quem quer que a ela dedique decência e respeito, promovendo seu desenvolvimento consciente.

Por esta simples e fundamental razão colocamo-nos sempre a vontade para criticar, sempre também de forma respeitosa à toda ação pessoal ou governamental que não se adeque à lógica  de colocar o povo destes dois municípios como meta prioritária.

Esta edição de número 72  representa, além de uma honra para nós que a fizemos, um marco de luta e perseverança, assim como um profundo amor por esta terra e por este povo que silencioso nos apoia e nos prestigia em tudo quanto nos propomos a empreender.

A todos, o nosso muito obrigado, na certeza de estarmos inseridos na história desta ilha.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

PROCURA-SE SANTIDADE

ATENÇÃO...
Senhora de saco cheio, do marido é claro, digo do saco, procura com urgência, urgentíssima, Mãe de Santo, Pastor, Padre, Curandeiro, Guru ou qualquer outra linha direta com o Divino, que possa interceder a favor de uma intervenção municipal em Itaparica, mas que tenha Santidade comprovada, para ao chegar para a audiência Divina ser colocado na sala Vip de atendimentos preferenciais, pois a urgência é do tamanho do estrago possível de ser observado até pelos ceguinhos da região, que, além de cegos, breve estarão paralíticos ou no mínimo capengas, devido aos buracos que estão se tornando crateras ou buracos negros do DIABO, designação à bem sucedida área da infraestrutura que se aprimora a cada instante no sentido de reiterar as palavrinhas que foram cantadas por ocasião das eleições passadas em que o candidato em questão e atual gestor dizia que iria ensinar ao outro e à turma dele a administrar.
Pois é... E eu não sabia na ocasião que administrar para essa gente era justo abrir buracos, não fiscalizar o devido, embargar o indevido, jogar entulho em qualquer lugar, lixo então é para enfeitar e, é claro, aromatizar becos e esquinas, ruas e manguesais, fechar os olhos para as invasões de lotes e casas para amigos e parentes, e etc. e tal.
É preciso que a referida Santidade esteja inteirada de todos os fatos decorrentes, para, se necessário, ilustrar a narrativa com outros aspectos não menos importantes que, além de encher o meu saco, com certeza enche o de muitas outras criaturas que dependem dos postos médicos e das escolas municipais.
Como pode ser observado, o candidato em questão precisa estar erudito nos mandos e principalmente nos desmandos para poder argumentar,já que é do conhecimento público o forte poder de amparo sustentável junto a todo tipo de poderoso em Salvador, e aí, cá entre nós, tenho medo de que Deus em algum momento tenha cedido à tentação de pedir no passado um empreguinho para algum bom fiel e a ele esteja devendo esta obrigação. Possível, até mesmo Deus se deixar comover e pimba, se ver envolvido nas tramas dos favoritismos.
Pois então se você é uma santidade de gabarito e se sente qualificado, por favor se habilite à esta tarefa prá lá de edificante, sem, no entanto, esquecer que justo por ser uma santidade, deve permanecer distante do pecado da corrupção, apesar de saber o quanto é difícil vencer a tentação se de repente receber como bonificação, quem sabe, uma das muitas secretarias.
Difícil de resistir, daí o meu apuro quanto a seleção do santificado, descartando logo a princípio aqueles cujos templos sagrados estejam ligados de alguma forma seja a algum meio de comunicação ou a políticos de qualquer esfera.
Ah! Como cansa fazer seleção de santidades em meio a tantos falsos profetas, como já previa meu bom Jesus.
Por falar em Jesus, fico pensando o que ele fará se um dia se cansar de tanto usarem seu bendito santo nome em vão.
Será que copiará seu pai e transformará seus profanadores em estátuas de sal?
Ou pior, será que os tornarão políticos pela eternidade sem salários e propinas e, ainda por cima, os farão trabalhar, justo tampando cada buraco que eles ajudaram a transformar em crateras do Diabo?
Voltando à seleção de Santidades, deixo claro que o salário ficará à combinar pessoalmente, podendo, no entanto, antecipar que certamente será a contento, já que tirei como base certas referências de agrados usados na área federal, que não cabe neste anúncio mencionar, mas que certamente se tornará gozo para quem o merecer.

Coisinhas delirantes

Existem dias como o de hoje e tantos outros que já vivenciei nesta minha vida, que sinceramente gostaria de estar em estado no mínimo de coma, para não ter que senti-los.
É depressão mesmo, cansaço, vontade de estar distante de tudo e de todos e sem qualquer resquício de arrependimentos ou sentimentos de culpa. Olho ao meu redor e até com o computador implico.
Será que só eu sinto isto ou em regra geral este mal estar ataca a qualquer um?
Sei lá...
Tem quem diga que não, aliás, em conversas sociais, todos nos parecem tão normais, politicamente corretos, livres de problemas existenciais. Suas vidinhas nos parecem sempre tão perfeitinhas, coloridas e recheadas de tudo. Por que será, então, que o consumo de psicotrópicos para aliviar o "STRESS" aumenta a cada dia, assim como de todas as demais drogas que se tem notícias?
Afinal, tanto tráfico necessita de muitos usuários, não é mesmo? Ou por acaso ainda há quem pense que somente os filhos dos outros, levados ou desviados, é que se utilizam dessas coisinhas delirantes ou paralizantes?
Pois é, eu, como não as utilizo, até mesmo porque me daria muito trabalho gerir dinheiro para comprá-las, acalmo-me escrevendo, pensando, olhando teimosamente ao redor, crendo, como consolo, que o casal de alemães que teve há meses embargada a obra de sua pousada a beira mar em Itaparica, de forma, digamos, pouco ortodoxa, consiga, assim como eu, escrever ou recitar poesias e que o eco chegue até o Forum Lafaiete (este é em Belo Horizonte) e aí, quem sabe, um juiz os ouça e, embalado ao som de doces palavras, dê uma decisão por eles tão aguardada, para que finalmente possam se sentir em um paraiso tropical, onde não deveria existir intransigências e pouco caso desnecessários, e menos ainda arbitrariedades.
Pois é, olhei ao redor e logo encontrei gente que, assim como eu, está cansada de dar murro em ponta de faca e que não se importa de dizer que hoje a vida está uma mer....da, amanhã talvez não. Nada politicamente correto, mas observem, não cheiro cocaina, não fumo maconha, só bebo nos sábados, não faço menage a trois, não participo de suruba e vocês ainda querem que eu seja normal!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

MANHÃ DE OUTONO

O dia amanheceu com um friozinho gostoso, acompanhado de uma chuva intermitente, e aí, acordo para a realidade de estarmos no outono.

O sol e o calor tropical me confundem, levando-me a crer que o verão bendito continua, só impressão, pois logo a chuva se faz presente, trazendo-me à realidade.

Gosto de ficar observando a chuva escorrendo pelas folhas e frutos, sendo sugada pela grama espessa.

Adoro sentir o cheiro de terra molhada e dos frutos sendo lavados, prontinhos para serem saboreados e aí, bem, quando olho para toda esta maravilha que se exibe sem pudor diante de meus olhos, penso na juventude que já possuí e que, de alguma forma, ainda retenho através da alegria de viver que sinto em todos os instantes de minha vida.

Não importa onde eu esteja, muito menos o que esteja fazendo, lá sempre se encontra junto a mim aquela fagulha de vida e liberdade que enfim me permite existir com plenitude.

Nestes instantes, enquanto escrevo, percebo que a chuva diminuiu e, como num passe mágica, sinto o chegar vigoroso do perfume dos narcisos, que me fazem despertar desta viagem (sem antídotos) fantástica que faço entre meus sentimentos e a natureza, acordando para um domingo de outono em Itaparica, onde certamente viverei mais um capítulo do outono de minha vida.

Bom dia a todos.