sábado, 31 de março de 2012

DISPUTA DEMOCRÁTICA



Tantas coisas vêm acontecendo desde que foi dada a largada para as pré-candidaturas que fica até difícil enumerá-las, até porque algumas precisam, na realidade, ser esquecidas, tamanho os seus despropósitos.

Nas eleições passadas, como marinheira de primeira viagem e totalmente absorvida pelo glamour que revestia as atividades, e verdadeiramente imbuída em eleger a minha candidata, não enxerguei e não ouvi o outro lado, pouco ortodoxo, que acompanha e deteriora por todo o tempo a alma dos reais propósitos que deveriam existir nas intenções dos envolvidos no processo.

Em que mundo eu estava, me pergunto todos os dias, porque, afinal, nada começou agora, pois esta desmoralização sempre existiu certamente mais disfarçada, mas nem por isso menos perniciosa.

Como uma abestalhada, doei-me sem reservas, acreditando que os pensamentos ruins não tinham lugar em uma empreitada tão espetacular, principalmente em um local tão pequeno, onde todos se conhecem, se cruzam e de alguma forma estão ligados.

Quanta santa ingenuidade para alguém que já havia vivido e convivido tanto com políticos, se bem que jamais em tempos de eleição e quase sempre no requinte de seus gabinetes, festas, ou seja: em qualquer local onde apenas um lado transparecia que era justo o do simpático, cordial, generoso, sorridente e politicamente correto.

Jamais me vi “in loco” com um político articulador, defendendo com unhas e dentes o seu suposto direito de ser o que crê ser seu por direito, ou seja: um predador impiedoso, defendendo sua carniça que sempre foi seu poder pessoal e suas benécias que advém deste poder que passa a ser absoluto, tão logo toma posse, seja lá no que for.

Vivendo e aprendendo, não é mesmo?

Confesso que preferia continuar inocente ao ter que afundar os meus pés nesta lama de fofocas, mentiras, traições, golpes baixos, falta de honradez de cumprimento de alianças e etc., e tal.

E bota tal nisso...

Neste pleito, preferi observar e, se arrependimento matasse, certamente já estaria morta, e olha que ainda estamos a oito meses das eleições e onde nem se definiram todos os pretendentes e tão pouco os locais em que se fixarão.

Imagino então, quando as benécias começarem a ser distribuídas, o pandemônio que se formará, levando-me a deduzir que em briga de conquista de poder não existem inocentes, tão somente abestalhados como eu que servem para compor a claque, cantando musiquinhas, balançando bandeiras, ingenuamente acreditando que aquele ou aquela são “os caras” que farão a diferença. , quando esta se encontra exatamente na conscientização de uma cidadania que infelizmente ainda está longe de permear o consciente deste povo humilde, carente, que de tão sofrido só lhe resta, na grande maioria, vender o seu precioso voto, fazendo a troca doída de sua dignidade cidadã por alguns míseros trocados, dentaduras, telhas ou sacos de cimento e na melhor das possibilidades, um empreguinho por quatro anos. Afinal, qualquer coisa é melhor que nada, pois ao menos sabem que depois de eleitos, o nada será seu quinhão, através de instituições falidas que tão somente servem como via de lavagem de um erário público superfaturado para saciar a fome dos predadores sempre esfomeados.

Nossa ! Estou brava, desiludida, mas como toda brasileira que se preza, confiante, pois haverá de existir um alguém que resista a se tornar mais um predador sem limites, sem palavra e mutilador dos direitos de seus eleitores.

Preciso acreditar que ainda existam homens e mulheres dispostos a usufruir o poder e as benécias que o povo lhes oferece, sem, no entanto, fechar os olhos ao respeito que o cargo lhe conferiu, a dignidade das criaturas que nele acreditou, porque afinal, o povo é antes de tudo composto de gente que sonha, deseja, ama, sorri, sente dor e gosta de comer saudavelmente  em seus próprias e decentes moradias, como qualquer político.

 Estes são direitos de todos nós.

Os campos para plantio são vastos e ricos, os semeadores são muitos, mas a colheita, esta, tem sido reservada a poucos.

Se como abestalhada, pude pensar nisso tudo, então também acredito que muitos outros também estejam pensando e, assim, creio que todos juntos, com consciência individual, aí sim, possamos dar uma virada neste balaio de gatos, tal qual há dez anos fomos capazes de fazer, rompendo com a mesmice e arriscando um novo, um improvável, um quase igual.

E aí, bem... aí, de repente, não mais que de repente, possamos mudar da classe d, f, g, pra quem sabe, classe C, tal qual muitos dos demais cidadãos por este Brasil afora em uma disputa democrática , onde como cidadãos enfarados e ofendidos, também busquemos o poder, através de um voto liberto que nos dará o direito de nem que seja por um instante, não ter medo de ser feliz.

 Não ter medo de ser feliz é dizer não ao dedo que há décadas nos aponta, determinando que somos um povinho atrasado e covarde, incapazes de proceder mudanças que nos façam ter orgulho desta terra que amamos e que nos acolhe.



Abestalhada, ingênua ou mesmo burra, digam o que quiserem, ainda sou capaz de sonhar e, a meu modo, fazer campanha, nem que seja contra ao abuso que venho assistindo ao longo destes benditos dez anos em que aportei nesta linda cidade e onde abusadamente me apropriei para fazer dela meu lar, meu ganho pão, minha paixão, minha vida.

Isto, também, é uma disputa democrática, onde alguns poucos fazem o que querem e outros, como eu e tantos mais, resistimos, lutando com o que temos.


domingo, 25 de março de 2012

SEM MÉRITO ALGUM






Hoje é um domingo ensolarado e eu me recusei a sair deste meu cantinho, onde tenho como companhia meus pássaros e meus cães.

 Por quê?

Bem..., não sou muito de sair e, depois, preciso pensar um pouco mais sobre o assunto que mais me fascina, que é a convivência humana, principalmente a daqui de Itaparica que, afinal, é a minha outra grande paixão.

É impossível, conhecer-se as criaturas em suas grandezas e mediocridades, sem que com elas convivamos bem de perto, observando suas ações e reações, frente a situações diversas, respeitando nesta busca de conhecimento, o fator cultural do qual ela está ou esteve inserida, não desconsiderando os efeitos que esta cultura exerceu sobre ela, inclusive, pesquisando o tempo em que ela permaneceu neste contexto.

Penso então, fazendo um link, que se fossemos devidamente educados quanto à nossa capacidade observatória e se dispuséssemos de subsídios que nos permitisse traçar uma avaliação mais coerentemente lógica, provavelmente, erraríamos menos em nossas escolhas no tocante a quaisquer aspectos da busca mais que necessária de convivência.

Mas não somos e é exatamente aí que tudo se complica e se pensarmos sem emoções, reconheceremos que até mesmo nosso desempenho nunca foi assim tão ruim, pois com nosso imenso desconhecimento, éramos para estar por todo o tempo em arenas degladiando.

Se bem que existe uma parcela da humanidade que nasce e morre fazendo de si e dos outros, armas mortais.

É tão ilógica a ideia de pessoas que se conhecem desde sempre, se odiarem.

Muitos dirão que a vida é assim e que a humanidade por ser diferente nas suas unidades, se enfrenta na busca incessante de sua identidade.

Trago então esta reflexão para bem próximo de nossa realidade sistêmica que é justamente a nossa Itaparica.

Impressionante o grau de desavenças que permeiam os universos dos grupos sociais que existem, alimentando uma discórdia histórica que o tempo, o acesso a novas descobertas científicas e tecnológicas, a proximidade da capital e o ingresso mais maciço à educação, não foram capazes de apaziguar.

Somos responsáveis por nossos atos e escolhas.

Esta é uma conscientização cruel que nos empurra às desculpas contumazes ou a transferência ao outro da responsabilidade de nossas ações e reações.

Seria realmente o outro, suficientemente capaz de ultrapassar as barreiras poderosas de nossa mente racional ao ponto de induzir nossas posturas, fragilizando-nos ao ponto de tirar de nós a capacidade de autoproteção, expondo-nos, então, às reações alheias?

Ou seria tão somente um profundo desconhecimento de nós mesmos, o responsável prioritário desta louca convivência que se imprime em nós e na forma frágil e pouco saudável com a qual enxergamos e sentimos a vida que reside em nós?

Não sei se algum dia chegarei a alguma conclusão que satisfaça tamanha incompreensão. Todavia, continuarei tentando, pois a cada mergulho que dou neste mar profundo das emoções humanas, emerjo um pouco mais ciente de minha responsabilidade em preservar meu próprio bem estar, cuidando amorosamente de meus pensamentos e atitudes, buscando antes de reagir frente ao que eu classifico de ignorância existencial, um pouco que seja de respeito ao outro, que se assim está agindo é porque verdadeiramente não se deu ao trabalho de me conhecer.

Agindo assim, afasto o nefasto impulso de reagir sem pensar, avaliando a importância do fato em si que, em sua esmagadora maioria, é bobagem, sem mérito algum.

Pense nisso.




sábado, 24 de março de 2012

Esquerda distorcida...


Ao ler um texto postado no Recanto das letras e assinado pelo professor Wilson Correia (UFRB – Campus de Amargosa - Bahia), surpreendeu-me a posição intransigente e limitada com o qual o prezado professor enfoca o quadro Escolinha do Prof. Raimundo, em que o humorista Chico Anísio, durante anos a fio, apresentou com enorme sucesso e popularidade através da Rede Globo de televisão.

É triste ver a miopia da pretensa análise “acadêmica” do tão qualificado professor diante da mais antiga e representativa arte e cultura da humanidade: o humor.

Lamentável, professor, é constatar a baixa qualidade do ensino no Brasil.

Lamentável, é constatar que não mais existe humor como o Chico Anysio Show, a Praça É Nossa, a Escolinha do Professor Raimundo, onde mestres do humor provocavam o riso de forma ingênua e inteligente, sem recorrer a grosserias sexuais e agressões que banalizam o nível dos quadros humorísticos apresentados hoje em dia.

Sua visão, professor, apesar de letrada e aparentemente profunda e verdadeira, se perde no uso de premissas falsas, o que é indesculpável em um dito Filósofo.

Não misture entretenimento do mais elevado conteúdo humorístico com problemas reais de falta de qualidade da educação brasileira e com a falta de reconhecimento da importância da classe docente, muito menos com a baixa autoestima reinante no seio da classe, existentes muito antes da Rede Globo de Televisão.

Não deixe suas crenças esquerdistas anacrônicas turvarem o seu pensamento.

Aproveite sua posição privilegiada no contexto social brasileiro para dar a sua contribuição com lucidez e conhecimento, respeitando a arte e os artistas que fazem a sua parte.

Espero que a UFRB tenha ventos de liberdade para o debate construtivo.

quarta-feira, 21 de março de 2012

DESCANSANDO E RECORDANDO

Estava dando uma esticadela no sofá, ouvindo música, e minha mente voou lá no passado. E como num desfile ininterrupto de lembranças, criaturas muito queridas voltaram tal qual eu as deixara há quarenta anos.

 Esqueci-me que o tempo passou e as congelei na memória, portanto, permaneceram jovens, dinâmicos e adoráveis impetuosos que me ensinaram a enfrentar a lida diária de um jornal de grande porte em uma época onde o profissionalismo era mesclado com um delicioso e viciante companheirismo estimulado a muita confiança e respeito, que fazia qualquer birrento ou sistemático esquecer-se das horas e mergulhar de cabeça no prazer continuado de ver a velha rotativa cuspindo cada edição, dia após dia, fosse a hora que fosse.

Que maravilha, MEU DEUS! Com certeza, foi uma época que me fez muito feliz.

E aí, no domingo passado, recebi a triste notícia de que um desses doces amigos havia morrido e, então, me dei conta de que ele já devia estar velhinho, afinal, naquela época ele podia ser meu pai.

Enquanto absorvia a notícia, que visivelmente me abalava, todos os demais, como agora a pouco, surgiram em minha mente, e aí, pela lei natural da vida, também deduzo terem partido.

Penso, portanto, no quanto nos quisemos bem, mas, principalmente, no quanto eles foram fundamentais naquele iniciar de vida profissional, no quanto me ensinaram, me exigiram, me poliram e me educaram, fazendo de mim a partir daquela época bendita do Diário de Brasília, uma pessoa séria, responsável, leal e, sobretudo, com firmeza suficiente para só abraçar o que realmente eu pudesse, além dos meus conhecimentos, colocar o meu coração.

Ensinaram-me quase tudo, menos a ganhar dinheiro, pois a maioria já tinha e os outros que não tinham, eram também sonhadores, visionários, “porras loucas”, que souberam sobreviver e colorir as suas e as vidas daqueles que conviveram com eles.

Penso, então, que sempre tive tudo que precisei, principalmente muito brilho em minha vida. Afinal, dinheiro pra quê?

Aos meus amigos inspiradores e mestres sempre presentes em minhas posturas e lembranças, o meu eterno reconhecimento.

Coincidência ou não, começou neste instante a Hora do Ângelus com um poderoso tenor interpretando a “Ave Maria”, outra paixão que levei para a Igreja por ocasião de meu casamento, que, aliás, foi com um desses grandes amigos, que graças a Deus, ainda está bem juntinho  a mim, sonhando e abraçando novas empreitadas como se ainda jovens fossemos.

Quando se tem alegria de viver, nada mais importa que darem-se as mãos e ir ao encontro de novos prazeres, que desta vez tem o nome de Rádio Tupinambá que, bem afinada com o Jornal Variedades, já está dando o que falar.

Isto é muito bom, isto é bom demais ...

Penso então que eterno é todo aquele que se torna inesquecível nas lembranças de um alguém.

 Para você que lê os meus escritos, uma noite de paz e um amanhecer de luz.


sábado, 17 de março de 2012

SENDO FELIZ


OLÁ,


Inicio o dia de hoje, com muitos assuntos pululando em minha mente, crendo que estou prontinha para escrever sobre eles, mas uma coisa aqui outra ali, dessas que invadem o cotidiano das pessoas logo pela manhã, principalmente quando elas são também dona de casa e etc., e lá se vão os assuntos que a princípio pensei serem de imensa importância.


Então penso que é exatamente isto que acontece com todos nós a cada amanhecer, afinal, são tantas coisas para resolver, fazer e muitas vezes desfazer que perdemos o foco do que realmente seria imprescindível as nossas vidas ou pelo menos ao nosso dia.


Pois bem, esta aparente obvia reflexão me leva então a crer que se nos déssemos ao direito de privilegiarmos as nossas prioridades essenciais em todas as ocasiões em que estivéssemos frente a um assunto, pessoa ou fato, e, parássemos para refletir por alguns segundos, tudo poderia ser mais conscientemente lúcido sem tantas perdas de tempo e energias que afinal, nos são fundamentais.

No entanto, o que geralmente acontece é que nos deixamos guiar, ora pelas emoções do imediatismo, ora por uma racionalização grotesca que de tão fria, tira de nós a grandeza da certeza absoluta de cada escolha, pois para que elas sejam integralmente harmoniosas e complementares às nossas necessidades de seres humanos sensivelmente racionais, torna-se necessário uma conjugação do lógico com o emocional, produzindo assim a bendita ENDORFINA, estimuladora da sensação de bem estar, razão que deveria ser a prioridade na vida através dos instantes presentes de cada um de nós.

Hum!!!!!!!!!!!!!!!!!

Ao contrário, somos apressados, destemidos e absolutamente neófitos em se tratando do reconhecimento de nosso próprio bem estar, crendo que para tanto, torna-se necessária ingestões externas de todas as origens e a qualquer preço, quando somos os únicos capazes e devidamente abastecidos de subsídios para produzir tão espetacular sensação.

E aí, bem... Sequer me lembro dos assuntos que eu acordei pensando em escrever, mas com certeza, escrevo sobre o assunto que mais me interessa que é justo, sobre a conscientização que a cada dia vou aprimorando, não abrindo mão de ser e, de me sentir sendo, mais e mais feliz.

E isto, nada tem com o fato de eu ter ou não ter que escrever isto ou aquilo, mas tão somente com o meu bem estar pessoal de me sentir sendo nestes instantes, um ser totalmente feliz, sendo o que preciso ser com emoção, deixando que esta sensação gostosa e, portanto, prazerosa, dite o que devo escrever, porque, afinal, primeiro escrevo para mim e em seguida para você que, decidiu ler estas minhas palavras, nesta manhã ensolarada deste mês de março de 2012.

Ser feliz é possível, vale investir neste propósito.

Bom dia a todos!


quarta-feira, 14 de março de 2012

SENSACIONALISMO E SENSIBILIDADE


Quando ainda jovem, praticamente em início de carreira e de vivência, já havia percebido que as pessoas, de modo geral, adoravam um sensacionalismo, mesmo quando se diziam contra a este velho hábito jornalístico que perdurará enquanto existirem pessoas, mídia e vaidade.

Vaidade?

 Perguntarão alguns, afinal, a definição desta postura emocional, a princípio, não se coaduna, a não ser que esteja ligada à valorização ou exaltação da pessoa, refletindo-se naqueles que auferem rebarbas por estar junto ao destacado.

Quem não gosta de se sentir próximo de um astro famoso ou de qualquer pessoa que esteja sendo valorizada através de uma manchete jornalística, mesmo que pessoalmente, a criatura saiba muito bem que não é bem assim...

 Não é mesmo?

Todavia, outras circunstâncias podem despertar a vaidade, como por exemplo, o prazer de não estar em foco por se tratar de uma exposição que apresente aspectos negativos e, então, não ser manchete naquele momento ou nunca ter sido sob aquela circunstância, torna-se um consolo, envolto em vaidade que sublimado pela comoção que expressa, ou simplesmente crê sentir, o leva a ler até mesmo em detalhes às narrativas sanguinolentas dos redatores policiais que bem sabem como descrever o horror dos relacionamentos humanos ou das fatalidades onde a natureza mostra sua força destrutiva ou a criatura humana a sua vulnerabilidade ao destrutivo de qualquer natureza.

Entretanto, não para por aí, pois nós, criaturinhas em atraso evolutivo em se tratando de sentimentos, simplesmente adoramos conhecer nos mínimos detalhes todas as desgraças que somos capazes de deixar aflorar desta nossa natureza e do nosso aprendizado sistêmico, do qual somos os criadores, redatores, julgadores e finalmente punidores, dando-nos a vaidosa sensação de poder com o qual alimentamos outras infinitas manifestações emocionais.

Somos uma caixa enorme de contradições que, se bem dosadas, nos fazem parecer lindas criaturas, mas que ao contrário nos apresenta feios e desumanos  em um processo evolutivo  ainda lento.

Daí, acredito ter despertado em mim este prazer em direcionar meus leitores à curiosidade em torno dos assuntos onde um chamativo título cumpria o seu papel de envolvimento ou tão somente de informação, porque afinal, um título bem formulado, traduz uma notícia, produzindo no leitor preguiçoso a sensação de conhecimento que lhe permitirá em seu meio social, sentir-se informado e participante periférico de qualquer conversação a respeito.

E aí, escrevendo sobre os leitores de títulos, penso nos leitores das orelhas dos livros, decorando as sinopses, o nome do autor e seu histórico pessoal e até, acreditem, da editora que os produziu e galhardamente se mostram profundos eruditos nas rodas sociais.

Pensem um pouquinho e certamente vocês se lembrarão de alguém que é senhor em nos engabelar com a superfície de todo e qualquer conhecimento que exigiria dele e de qualquer outro uma dedicação maior, mas que pode causar uma grande impressão, levando-nos inclusive a invejá-lo, até que mais adiante, se formos pessoas atentas ou que tenhamos maior conteúdo sobre o assunto, venhamos a perceber o quanto o suposto erudito é falso.

Bem... Como o tudo o mais onde nós, criaturinhas sensíveis estejamos envolvidas, o simples, jamais se adequa, até porque somos diferentes em tudo por tudo, somente nos parecendo em se tratando da ação individualista que nos envolve, norteando mesmo que muito disfarçadamente nossas condutas.

E então, escrevendo sobre títulos, leitores e comportamentos humanos, relacionados com a mídia, lembro de um trágico acidente ocorrido em 1977 na Avenida do Contorno, já na Savassi, tradicional bairro de Belo horizonte, em que eu presenciei indo para o meu trabalho, duas freiras serem atropeladas e mortas às sete horas de uma manhã ensolarada, quando de costume, atravessavam  a larga avenida, depois de comprarem pães.

Ainda hoje, relembro com profundo incômodo todo aquele horror, mas ainda assim, insisto e volto a escrever, como fiz inúmeras outras vezes, porque com toda a certeza aquele acidente representou uma linha divisória em mim, onde a finitude, me ficou absolutamente clara, e a minha vulnerabilidade à flor da pele, não me permitindo esquecê-las e tão pouco banalizá-las, inclusive, me deixando absolutamente lúcida quanto à vaidade consoladora que me envolveu ao constatar que poderia ser eu  uma daquelas vítimas – pessoas -, porque, afinal, quantas e quantas vezes já atravessara aquela mesma avenida, naquele mesmo local.

E aí, agradecida e aliviada, mas não menos consternada com todo o horror que aquela cena provocara em mim, ao chegar ao Jornal no qual trabalhava, escrevi talvez a melhor crônica de minha vida, cujo título fiz questão que fosse: AQUI DEVERIAM NASCER FLORES!...

Perceberam a sutileza entre o espanto e a atração?




domingo, 11 de março de 2012

MULHERES E PARCEIROS



Já nem me lembro de exatamente se foi em 1972 ou 73 que, como funcionária do Departamento de Publicidade do extinto Diário de Brasília, fui promovida à coordenadora do Departamento de Cadernos Especiais, liderando 25 homens publicitários, alguns inclusive bem mais velhos do que eu e em um tempo e em um ramo profissional em que a mulher se honesta fosse, permanecia em outras atividades.

Esse privilégio só foi possível auferir, porque dois anos antes um sujeito meio doido ,chamado Ivo Borges de Lima, professor da Universidade Federal de Brasília, laçou-me do status de apenas uma esposa e bela mulher, se dando ao trabalho não só de educar-me profissionalmente, mas principalmente porque enxergou em mim a possibilidade de ser sua parceira no departamento comercial daquele jornal que estava nascendo na capital federal.

E com tanta dedicação, os resultados só poderiam ser magníficos e, em poucos meses, a quase menina sem qualquer experiência anterior, passou a deter 82% das publicidades inseridas a partir da primeira edição, colecionando  uma gama variada de clientes que ia dos ministérios, como por exemplo o da  Agricultura, Coelba ,rede de cinemas, com os quais obtive a minha primeira página diária, até o comércio varejista em seus vários segmentos, permitindo-me aos 22 anos comprar o primeiro carro com meus próprios ganhos, um lindo “fuscão” branco e muitas “coisitas” mais que certamente inflaram minha autoestima.

 Entretanto, se ao meu lado não existisse um marido que, antes de tudo, me tinha como sua amiga e que me incentivou, inclusive, a vencer as barreiras pessoais da timidez e dos preconceitos, jamais, outro grande homem, o então deputado Federal Dr. Ricardo Fiuza, presidente do jornal, teria aberto para mim uma visão mais ampla de liderança de meu  caminho profissional que trago com honradez até os dias atuais.

E aí, eu penso, no quanto me foi fundamental as benditas parcerias que fui aprendendo a atrair e a conservar com os adoráveis homens com que tive o prazer de conviver. Ensinaram-me tanto, praticamente tudo que sei, mas acima de tudo impregnaram em mim o valor do respeito à capacidade alheia, da lealdade e do senso de bem comum.

Foram sempre grandes exemplos que me estruturaram para buscar a compreensão para a aceitação e convívio não menos harmonioso com tantos outros e também tantas outras que de alguma forma, fosse por preconceito, inveja ou puro hábito de desqualificar outro alguém, fez-me enfrentar enormes batalhas neste meu caminhar de mulher e profissional.

Hoje, neste aqui e agora do outono de minha vida, percebo que mantenho a primavera em tudo que sou, através de meus sonhos, projetos e idealizações.

Percebo, reconhecendo, principalmente que nada eu teria sido se lindos, polêmicos, mas grandiosos homens sem pudores me ensinassem tudo quanto sabiam, enxergando em mim uma mulher com a possibilidade de ser capaz de, ao lado de cada um deles, ser sempre uma aprendiza parceira e amiga fiel.

Neste mês de março em que se comemora o DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES, rendo minhas homenagens a todos os homens que não se importam de dividir seus espaços conosco, sem pudores e vaidades, enxergando em nós, criaturas mais que sombras sempre à disposição para atendê-los.

ENTRE PÁSSAROS E PESSOAS


Dentre a uma infinidade de incompreensões que me assaltam por todo o tempo, o fato concreto de me ver frente a frente com minha própria fragilidade no convívio com gente, ou para ser mais exata, com certo tipo de gente, com certeza diminuiu e muito, assim como creio que diminui também nas outras pessoas que, como eu, optam em ser mais transparentes, o tempo de permanência neste planeta magnífico que chamamos de terra.

Essa galera, na qual me vejo inserida, gosta da vida e de vivê-la em toda a sua plenitude, observando os pássaros, pois os consideramos grandes mestres a nos ministrar ensinamentos valiosos que, aplicados na prática do cotidiano, podem até em dados momentos surpreender  e até mesmo levar- nos a certa nostalgia por não estarmos junto a eles, mas com certeza, passados os primeiros instantes, digamos, de inveja, imediatamente somos invadidos por um misto de encantamento e lógica de sobrevivência que se torna difícil, dalí em diante, menosprezar tão sábios e absolutamente simples ensinamentos.

Até mesmo JESUS, em uma de suas muitas parábolas, referiu-se aos pássaros como exemplos a serem seguidos, pois compreendeu desde muito cedo os desvirtuamentos que as pessoas imprimiam em suas posturas pessoais, abalando assim de forma indelével seus corpos e mentes, concomitantemente ao tudo do todo com os quais conviviam, formando  tsunamis de vibrações contaminantes que alteravam de forma danosa  e muitas vezes irreversível.

E tal qual Jesus, aquele maluco beleza que mesmo sem a mídia de Duda Mendonça, o escarcéu jornalístico das emissoras de TV ou qualquer outra intervenção que não fosse a do espírito humano em ser acolhedor das grandezas que a vida pudesse oferecer, também fui contaminada desde muito cedo pelos pássaros e por gente, desenvolvendo  analogias que fizessem lógica a um conviver menos doído, mais interessante e amoroso.

Mas puta que o pariu, que barra!...

Perdoem a boca suja, mas em certos momentos só mesmo uma palavra feia é capaz de expressar os nossos sentimentos. Todavia, quem de vez em quando não usa deste recurso pouco educado?

Hum... não seja hipócrita.

Mil vezes, recorro aos pássaros, lembrando naturalmente de Jesus, até mesmo para não ser invadida a ponto de perder o foco de meus próprios caminhos, diante das interferências a que inevitavelmente sou bombardeada por todo o tempo.

Enquanto escrevo, acredite, um minúsculo beija-flor acaba de esbaforidamente invadir esta sala e, é claro, que mística como sou, já imagino que foi o universo que o mandou para que eu mude o meu humor.

Entre a alegria por vê-lo e a imediata preocupação em como fazê-lo sair em segurança, percebo que algo mudou, então, respiro fundo e pondero que, afinal, as pessoas são diferentes e, diferentemente dos pássaros, vivem a buscar coisas como troféus para adornarem suas muitas vezes medíocres vidinhas e que, para tanto, passam como tratores desgovernados, não estando nem aí para absolutamente nada que não seja seus próprios interesses, sem perceberem que deixaram para traz um amigo de verdade.

Então, num autoconsolo, recorro ao beija-flor, sorrio para ele e penso que, assim como ele, eu tenho o universo, adornando a minha vida.

                         Que bom!.... Não é mesmo?!




terça-feira, 6 de março de 2012

É HORA DE OBSERVAR

Não há explicações que justifiquem as posturas que se apresentam atualmente na política de nossa cidade, Itaparica, da mesma forma em relação à nossa vizinha Vera Cruz.
Estamos no Terceiro Milêneo e a cada instante algo se transforma, evolui e, no entanto, o que se vê é um retrocesso gigantesco onde cada político se agarra como náufrago a qualquer pedaço de madeira que flutue na desesperada ânsia de não perder a oportunidade de manter ou chegar ao poder,com raras exeções.
Que coisa, heim!...
O pior de tudo, são os pequenos ditadores impositores do atraso e da miséria que coordenam os pigmeus esbaforidos, que sedentos de poder para agregar força aos seus cofres abastecidos, buscam candidatos pífios, pois são manejáveis e garantem a eles obediência submissa.
E neste balaio de gatos, onde não existe rumo e tão pouco compromisso de qualquer espécie que não seja tão somente pedir a bênção ao coronel dos tempos modernos, fica restando ao povo desta Ilha a bênção de Deus, que parece andar muito ocupado, ou talvez, prá lá de cansado em dar murros em ponta de faca.
E aí, gente como eu, que é de fora, mas que ama tudo por aquí e que gostaria de ver estas cidades receberem o merecido valor, escreve, discursa, idealiza projetos, chora inúmeras vezes, ora de raiva, ora de decepção, mas não desiste de perseguir a certeza de dias melhores, pois, afinal, é preciso dar-se as caras aos tapas porque não há lutas, buscas e conquistas sem dor e muitas batalhas, bem diferente daqueles que se escondem no silêncio da omissão perniciosa, apenas criticando, nada enxergando de bom, sem, no entanto, oferecer qualquer solução.
Dê a César o que é de César.
Comparem com as gestões anteriores, avaliem os históricos pessoais de realizações por mais simplórias que pareçam, observem os penduricalhos que os cercam, principalmente aqueles que insistem em pular de galho em galho, como se micos fossem sempre a roubar bananas esquecidas ou desprotegidas.
Exijam planos de governo e verifiquem se fazem lógica ou se são apenas "ouro de tôlo" para mais uma vez engabelar-nos com falsas promessas, tapinhas nas costas e mais miséria como garantia.
É preciso que não se troque seis por meia dúzia, como vém ocorrendo ao longo da história, pois que desta vez, o poder seja do povo, o status da cidade e os dividendos de todos nós, para que Itaparica e Vera Cruz finalmente ganhem a independência jogando fora o lixo do atraso e da vergonha.
É preciso que acordemos para a realidade concreta de que antes de maquiarem a cidade no claro intuito de engabelar o povo em véspera de eleição, pintando muros e calçadas, é preciso que se invista na educação de Itaparica e que se continue a investir na educação de Vera Cruz, que vém realizando um trabalho consistente a curto e médio prazos, porque, afinal, não há progresso, bem estar e segurança se não houver educação sólida que representa a bendita liberdade pela qual todo ser humano consciente almeja vivenciar.
Há anos, quando laçamos o Jornal Variedades, havíamos constatado ao longo do ano anterior  através de pesquisa por nós realizada, que ambas as cidades estavam entregues ao abandono total. Haviam raras obras pontuais realizadas que se tornaram como símbolos eleitoreiros, mas que na prática representavam muito pouco, frente ao muito que poderia ser realizado. Imperava, portanto, a prática de se maquiar a cidade com tintas coloridas para tão somente enganar os tolos.
Em Itaparica, felizmente, a visão mudou em 2004 com projetos a médio  prazo de reestruturação, que os inimigos do povo e da cidade, combateram com unhas e dentes para impedir uma continuidade de própsitos sérios, a fim de estabelecerem, como estabeleceram, nas eleições de 2008, o caos que nos arrasta até os dias atuais.
O contrário aconteceu em Vera Cruz.
Entretanto, também por lá, existem aqueles que idealisticamente  ou infantilmente, crêm que ser um bom gestor é ser populista, acima de tudo um Deus perfeito, e aí, deixam de enxergar as partes saudáveis, e então combatem, e combatem na maioria das vezes sem qualquer ação interventora, permanecendo como meninos do ensino infantil por todo o tempo mostrando à "tia," que é o povo que os lê ou escuta, os mal feitos dos coleguinhas.
Por que não formaram uma comissão de gente séria, comprometida com o bem estar da cidade e de forma ordeira e dentro da lei, que garante a qualquer cidadão acesso às "coisas públicas", não foram às prefeituras fazer perguntas, cobrar benfeitorias, exigir prestação de contas?
Por que não cobraram dos muitos vereadores, justamente a única ação que deles é esperada, que é exatamente fiscalizar o bem público? Pois legislar, será que sabem, o  que é?
Por que continuam mantendo em omissão uma cumplicidadeade ostensiva às Câmaras de Vereadores, aí sim, débeis e suspeitosas?
Novamente insisto que existem raras exceções.
Tudo que sei é o que vejo, e o que vejo é uma inversão de valores que vém se alicerçando ao longo de décadas aquí, lá e acolá, e infelizmente no Brasil como um todo e graças a Deus, com raras mas presentes exceções.
É preciso que deixemos os discursos vagos por ações concretas, e uma delas é saber-se dar tempo ao que a princípio acreditamos estar sendo até então o melhor, assim como expurgar de uma vez por todas os sanguessugas contumazes que no frigir dos ovos querem mesmo é se "arrumarem", como frisava o personagem Deputado Justo Veríssimo do comediante Chico Anísio, naqueles tempos onde a TV era mais inteligente e menos corrompida.
Educação é a porta de entrada para a capacitação da criatura humana e a omissão é a chave que fecha de forma indelével o direito a ela de todos nós.


INTERAÇÃO

Enquanto existir uma só pessoa que seja capaz de sensibilizar-se o suficiente para enxergar no outro um ser especial e com ele interagir sem que haja qualquer animosidade, inclusive se ambos não estiverem concordando nisto ou naquilo, certamente haverá a certeza absoluta de que o respeito às diferenças existe e, portanto, a bendita humanidade se expressará através da capacidade racional, tornando possível por todo o tempo crer-se que basta o querer, o sentir e o desejar da vontade voluntária para que o milagre da convivência harmoniosa aconteça.
O universo está aí, como um doador contínuo, sempre disposto a ceder toda a imensa gama de conhecimentos, precisando que os assimiladores captem para, então, distribuir aos demais, como meio educacional maior e seguro.
A intuição é a guia mestra da inspiração que agrupa letrinhas, formula equações, retrata a vida, decifra anatomias, explora as estrelas, desmistifica os astros, protge as baleias, as matas e os rios, sara doenças, decodifica a mente humana e  se transveste de flores, folhas e raizes e, em parceria, cria remédios que aliviam a dor.
A interação universal é o caminho pelo qual a evolução de qualquer natureza se dá de forma ininterrupta, preservando a vida.
Penso então que os assimiladores universais são os professores da humanidade, preservadores da vida, o DEUS e o DIABO que garantem o equilíbrio em prol do sentir, do querer e do desejar extrair o tudo de bom que o ato de viver conscientemente proporciona, enxergando até mesmo do aparente nada da rotina de um cotidiano, o desabrochar do sentimento inato de desejar ser feliz.
PARCEIRANDO


Hoje, como de hábito, acordei bem cedinho e, antes de deixar a cama acolhedora, deixei a mente livre, e esta, sempre senhora de si mesma, foi lá no passado, talvez, creio eu, para fazer uma analogia entre o galho da amendoeira do quintal de meu vizinho, que teimava em permanecer querendo adentrar pela janela e o braço amigo de meu amor que pousado sobre meu corpo me leva a sentir que jamais estou sozinha, sempre amparada, guardada pelos fiéis parceiros.
Todavia, também pelo velho hábito, deixo escapulir um sorriso matreiro, o primeiro de muitos que, espero, terei ao longo deste novo dia. Pensando em me levantar, sinto através da janela fechada que pelas vibrações meus cães já perceberam que acordei, reforçando-me a certeza de que são sempre elas, as nossas energias, que chegam primeiro, seja lá onde nos intencionarmos a ir.
Daí os encontros benditos que venho tendo ao longo de minha vida, daí os desencontros inúteis que aborreceram, e muito, alguns momentos de minha vida.
Mas como não penso em nada ruim, preferindo alimentar tão somente o melhor que em mim chegar, ou que fui capaz de atrair, volto a lembrar daquele quartinho de minha juventude, da frondosa amendoeira, das fronhas e lençóis sempre limpos e cheirosos, da cama macia, do braço ou do galho, benditos acolhedores que arrancam de mim sorrisos às cinco da manhã, prometendo-me um dia de extrema luz, prometendo momentos de profunda paz, que ainda sorrindo desejo a você, que como também de hábito, lê os meus escritos, me aceitando bem próximo, tal qual o galho da amendoeira, tal qual o braço de um sempre presente parceiro.
Bom dia!... Com companhia!...