quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Evidências irrefutáveis ...

Ler a revista Veja semanalmente se por um lado enriqueceu meus conhecimentos em determinadas áreas onde certamente eu não teria acesso por outros meios, principalmente nos últimos quase 20 anos, por outro, leva-me em muitas ocasiões a sentir um desolar imenso em relação ao meu país e a quase tudo que o envolve, principalmente no tocante a política e, mais precisamente, aos políticos, arrancando de mim, a cada edição, resquícios de ingênua esperança de que algo ou alguém deste meio não esteja envolvido em falcatruas.
Confesso que acabei criando um ranço de desconfiança, assim como uma pré-concebida avaliação quase generalizada que me causa, em determinadas situações, um enjôo real, por ser físico, que combato a duras penas, obrigando-me a subverter todas as informações recebidas e que, é claro, agem como indutoras cruéis, a fim de que minhas avaliações não sejam movidas ao primarismo da aceitação de um fato como verdade absoluta.
Entretanto, de uns anos para cá, percebo que as figuras envolvidas em escândalos são praticamente as mesmas em situações diversificadas, tão somente surfando entre corredores e gabinetes de ministérios, autarquias, secretarias ou de qualquer prédio que seja público, onde também surfam a corrupção e a impunidade.
Entre uma surfada e outra, vai se criando marolas de novos participantes de esquemas fraudulentos que já não se importam em ser denunciados, pois por conhecimento de amostragens de outros, por antecedência já sabem que, além de parar nos noticiários e de algumas idas e vindas ao Ministério Público, Polícia Federal ou alguns no Senado, nada mais vai lhes acontecer, isto posto, com raríssimas exceções, como no caso do pústula chamado Luiz Estevão (PMDB-DF), que teve mais de mil e trezentos imóveis arrestados pela AGU (Advocacia-Geral da União) e cujos aluguéis, dizem, estão sendo revertidos à união como ressarcimento das verbas roubadas nos anos 90, pelo descarado cidadão que posa de bacana desde o dia em que nasceu e que ainda é arrogante e desavergonhado o suficiente de estar tentando reavê-los e ainda inserí-los nos benefícios do Refis. Cabe ao TCU impedir este descalabro.
E aí, eu digo:
- Que coisa, heim?!
Enquanto leio, tentando tornar meus ouvidos imunes ao barulho constante e ensurdecedor dos carros de sons com suas músicas barangas e seus candidatos mais ainda, percebo uma voz conhecida, gritando da porta da loja:
- Bom Diaaa! Dona Regina, tudo bom com a senhora!!!!!
Era o Antônio de Porto Santo. Suado, visivelmente já cansado às dez da manhã, mas exibindo um sorriso franco e amigo, ostentando orgulhoso um enorme pacote de santinhos dos também meus candidatos.
- Quer um copo de água gelada, criatura?
- Não, obrigado, acabei de tomar um, ali.
- Cuidado, homem, o sol está de matar.
- Tô sentindo, mas fazer o quê dona Regina (deu de ombros, abanou a mão livre e desapareceu de meu campo de visão).
Tentei voltar a ler sobre o tal Luiz, mas senti muito nojo acompanhado de uma súbita revolta em pensar que os Antônios da vida, nada mais são que brasileiros sem rostos para esta corja de vagabundos que se amparam em um código penal benevolente, em uma justiça morosa, em líderes cada vez mais aliciados e em um povo, por sua vez , submissamente cruel que a tudo lê e assiste, mas tal qual o Antônio, diz:
Fazer o quê, Dona Regina?
Maldita herança escravagista que ainda corre em nossas veias, fazendo frontes se curvarem e dignidades serem pisadas.
E aí, tenho um amigo, também político, que costuma dizer que sou uma apaixonada pelas causas públicas. Talvez, eu o seja.
Mas também posso ser uma Regina da vida, brasileira que se sente sem rosto, afrontada e indignada frente a tantos horrores que não são devidamente cerceados pelos que deveriam agir mudando as interpretações das leis, mas que, ao contrário, em sua maioria se calam ou se omitem, escondendo assim suas covardias ou aliciamentos sob o véu da silenciosa cumplicidade.
Portanto, fazer o quê, não é mesmo Antônio?

domingo, 26 de setembro de 2010

MANIFESTO EM DEFESA DA DEMOCRACIA

SE LIGA BRASIL""

"Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano.
"Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo.
"Acima dos políticos estão as instituições, pilares do regime democrático. Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam no governo para solapar o regime democrático.
"É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais.
"É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos.
"É lamentável que o Presidente esconda no governo que vemos o governo que não vemos, no qual as relações de compadrio e da fisiologia, quando não escandalosamente familiares, arbitram os altos interesses do país, negando-se a qualquer controle.
"É inconcebível que uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita, que, na certeza da impunidade, já não se preocupa mais nem mesmo em fingir honestidade.
"É constrangedor que o Presidente da República não entenda que o seu cargo deve ser exercido em sua plenitude nas vinte e quatro horas do dia. Não há "depois do expediente" para um Chefe de Estado. É constrangedor também que ele não tenha a compostura de separar o homem de Estado do homem de partido, pondo-se a aviltar os seus adversários políticos com linguagem inaceitável, incompatível com o decoro do cargo, numa manifestação escancarada de abuso de poder político e de uso da máquina oficial em favor de uma candidatura. Ele não vê no "outro" um adversário que deve ser vencido segundo regras da Democracia , mas um inimigo que tem de ser eliminado.
"É aviltante que o governo estimule e financie a ação de grupos que pedem abertamente restrições à liberdade de imprensa, propondo mecanismos autoritários de submissão de jornalistas e empresas de comunicação às determinações de um partido político e de seus interesses.
"É repugnante que essa mesma máquina oficial de publicidade tenha sido mobilizada para reescrever a História, procurando desmerecer o trabalho de brasileiros e brasileiras que construíram as bases da estabilidade econômica e política, com o fim da inflação, a democratização do crédito, a expansão da telefonia e outras transformações que tantos benefícios trouxeram ao nosso povo.
"É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo, explicitando o intento de encabrestar o Senado. É um escárnio que o mesmo Presidente lamente publicamente o fato de ter de se submeter às decisões do Poder Judiciário.
"Cumpre-nos, pois, combater essa visão regressiva do processo político, que supõe que o poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder lhe conferem licença para rasgar a Constituição e as leis. Propomos uma firme mobilização em favor de sua preservação, repudiando a ação daqueles que hoje usam de subterfúgios para solapá-las. É preciso brecar essa marcha para o autoritarismo.
"Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade.
"Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos."

manifestoemdefesadademocracia@gmail.com

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

COMO NÃO...

Como não participar dos processos políticos em minha cidade, quando me deparo com um passado, assim nem tão distante, registrado em fotos coloridas que acabo de encontrar junto a alguns papeis em minha escrivaninha.

Em cada uma das fotos, volto ao passado e parece que elas se tornam vivas e até sou capaz de ouvir os sons e sentir o calor humano que emanava de cada itaparicano em cada festa, comemoração de qualquer natureza, mas sempre de acordo com o calendário histórico ou religioso.

Foi um período em que o povo viveu alegremente com suas auto-estimas elevadas e isto se caracterizou em cada esquina de qualquer calçada, onde pessoas circulavam, acreditando que, finalmente, a cidade estava na rota do desenvolvimento.

Enquanto o povo aprendia a assimilar uma nova visão de progresso, onde a miséria e o abandono social, frutos de gestões descompromissadas ou simplesmente incapazes, estavam sendo gradativamente erradicadas, através de ações sérias e bem estruturadas, sem compactuar com arranjos políticos já naquela época bastante enraizados nas posturas dos líderes locais, um pequeno, mas diabólico grupo político, como ratos de esgoto, montava estratégias de união, para minar a credibilidade que passo-a- passo a gestão, do então prefeito Claudio da Silva Neves, vinha implantando com dinamismo e sem paternalismos cruéis que beneficiam poucos em detrimento de muitos.

Ah! Que saudades em ver nossas crianças participando de peças e coros, sendo direcionadas a crer que eram pequenos cidadãos merecedores de respeito.
Que beleza, rever nossos adolescentes, após meses de ensaios semanais, representarem para um grande público, como se profissionais fossem, deixando seus talentos, absolutamente natos, aflorarem e ganharem vida.

Penso, então, que nada, absolutamente nada é capaz de apagar tamanha emoção no coração e na alma de cada uma dessas crianças e adolescentes, que pela primeira vez se viram alvo de interesse real, sem pieguices ou esmolas.
Dois anos se passaram e nada mais aconteceu neste sentido, e o pouco que se tentou não passou de um arremedo triste e melancólico que desperta em mim, e creio que na maioria, uma dor sem remédio imediato.

Tudo, absolutamente tudo, foi desmanchado, interrompido ou totalmente destruído, como se a raiva ou as diferenças partidárias fossem de maior relevância que o desenvolvimento e a estruturação sócio cultural do povo.

Olho para as baianas sorridentes, carregando os estandartes representativos de suas lutas centenárias pela igualdade de direitos, respeito à pessoa humana e direitos civis e me entristeço em pensar no retrocesso arcaico desumano no qual elas e nós estamos expostos, única e exclusivamente por criaturas envolvidas em seus interesses pessoais, que nunca de verdade enxergaram o povo de Itaparica como merecedor de benesses que os colocassem no patamar próximo à outras cidades do mesmo porte que superaram suas deficiências e se tornaram majoritárias de si mesmas.
Como me esconder no anonimato frente a tantas conscientizações?

Como não subir em palanques e trios elétricos, defendendo e resgatando a alegria de se sentir no exercício da cidadania.

Como não defender uma gestão que se erros cometeu, repletos acertos houveram, registrados em fotos, vídeos, no corpo, na alma e no coração da cidade e de cada um de nós que participou vivenciando cada um deles, assim como uma parcela expressiva de muito mais de 4.500 votos que não se deixaram comprar ou manipular.

Como não subir em palanques e em trios elétricos, na tentativa de resgatar a alegria de estar se sentindo no exercício da cidadania, buscando resgatar o melhor que escapou por entre as dúvidas semeadas perversamente e o abuso malvado da exploração de uma lealdade infantil, mas que amordaçou, aprisionando por mais um duro período o progresso educacional, coerente às expectativas de crianças e adolescentes que vêem através da TV e da internet um mundo cotidiano real, no qual eles não participam, criando então a revolta e a marginalidade, hoje possível de serem encontradas em cada esquina ou calçada de todos nós.

A bandeira que levanto, não visa beneficiar este ou aquele, e sim, beneficiar toda uma comunidade, através do único meio capaz de reverter realidades amargas, que é a escola com a sua capacidade agregadora, progressista e renovadora.

Chamem a mim do que quiserem, mas ainda assim serei fiel à certeza de que sem educação não há humanização.

domingo, 19 de setembro de 2010

T A L E N T O X V O C A Ç Ã O

Ainda lembro do meu primeiro dia de aula como professora primária, lá pelos idos dos anos 60. Naquela época, foram algumas exceções, as moças de “família” estudavam para serem professorinhas e se preparavam na Socila (escola particular de etiqueta social), para se tornarem elegantes esposas. Foi naquela década que começaram, de forma bastante agressiva, as mudanças comportamentais dos jovens, mas lá em casa, bem... o negócio era diferente.
Como única filha mulher e, ainda por cima, “rapa do tacho”, não me foi dada qualquer opção diferenciada, pois a marcação era ferrenha, assim como devo confessar que, de tão desligada e menos ainda arrojada, sequer em algum momento pensei em romper as tradições e o controle acirrado.
Já naquela época, e para falar a verdade desde sempre, estive no mundo da lua, como gostava de dizer minha mãe, pois o que mais me agradava era ficar em estado contemplativo ou simplesmente escrevendo. Hoje, seria considerada uma preguiçosa, sem ambições ou perspectivas, entretanto, eu as tinha, pois no silêncio de minhas viagens de sonhadora contumaz, via-me, por todo o tempo, representando em um palco de teatro, possuindo o mesmo talento da já famosa Fernanda Montenegro e tão linda quanto todas as atrizes que desfilavam diante do portão de minha casa, pois eu morava na Rua Barão da Torre em Ipanema, ali, quase no Jardim de Alá, reduto de artistas e políticos importantes.
Apesar de tantas referências e devaneios, acabei em uma sala de aula do Instituto Claparréde, ensinando para uma turma de 25 alunos da segunda série primária e, pelo amor de Deus, este foi um enorme sacrifício pelo qual precisei sobreviver e, portanto, jurei a mim mesma em minha primeira ação de rebeldia que jamais voltaria a ser professora, porque compreendi naqueles meses de trabalho desesperador que eu não tinha talento e sequer vocação para cuidar da formação de crianças.
E aí, fazer o quê?
Bem, como eu já estava noiva, me casei.
Pois é, neste quesito revelei-me outro fracasso retumbante, o que me salvou foi justo a paciência do marido e o desabrochar de meus talentos domésticos e sociais, até que, com o passar do tempo, fui percebendo graças aos esforços estimuladores de meu parceiro que eu também tinha vocação tanto para ser uma esposa feliz quanto para fazer de minhas escritas uma profissão.
E não foi que deu certo!
Pois bem, estou neste caminho das recordações precisamente para reafirmar que não existe desempenho pessoal ou profissional, seja em que área for, se não houver a união saudável do talento com a vocação.
O talento creio que seja nato em cada criatura humana, seja nisto ou naquilo, no caso específico da profissão de professor, pode ser confundido quando se tem vivacidade, oratória e certa tendência ao exibicionismo.
Já a vocação, percebe-se que se tem ou não quanto ao empenho, paciência, tolerância, dedicação, persistência, enfim, quando o querer é mais forte que as controvérsias e os empecilhos.
Já naquela época, eu cria que precisaria ter um conjunto de qualidades que me qualificasse, pois já intuía quanto à responsabilidade em se preparar crianças, estruturar seus intelectos, perceber suas tendências e direcionar seus potenciais.
Eu precisaria ser uma educadora igualzinha a Professora Ana, que foi minha professora na segunda série, ou como Irmã Cecília, que dedicada e amorosa alfabetizava no Colégio Maria Raythe, e eu e minha inesquecível amiga Margarida, no recreio de nossas aulas, ficávamos observando e muitas vezes colaborando no exercício didático de estagiárias. Havia, também, as minhas inesquecíveis professoras do Curso Normal, Maria, de matemática, que era irmâ da Luiza, de estatística, e que, anos depois, pude compreender que se tornaram meus referenciais quanto a paixão de expressar meus entendimentos educacionais, o que venho por toda a minha vida aperfeiçoando, pois desejo e tenho corrido atrás de uma chance em poder otimizar o despertar de talentos, oferecendo condições para que as vocações se expressem nos jovens às salas de aula na função de mestres, assim como, criar condições receptivas e estimuladoras às crianças para que a escola seja encarada, por elas, verdadeiramente como um local de aprendizado,onde possam se sentir seguras, queridas e principalmente inseridas .
O ato de aprender e ensinar precisa estar associado ao prazer, à alegria, à saúde e, sobretudo, à dignidade de se estar dentro de um processo estimulador quanto as vocações e respeito a cada talento, abrindo espaço para novos horizontes, ao invés de se tornar, como se tornou, uma fábrica de incompetência, intolerâncias, assim como a não inserção de estímulo às opções vocacionais, trouxe como conseqüência que se consolidou em forma de banalização fazendo da educação básica e prioritária, por ser estruturante, uma instituição sem a coluna vertebral saudável, necessária à qualquer civilização.
As mudanças galopantes de valores, associadas ao desenvolvimento meteórico das tecnologias e das ciências, sem que houvesse qualquer tipo de suporte orientador, levou-nos a todos a enveredar por um caminho tortuoso, principalmente no campo da educação, aparentemente sem volta, crendo eu que somente através de uma reeducação lenta e gradativa poder-se-á pensar em um futuro menos negro e derrotista.
Com todos estes parâmetros negativos, a inserção da disciplina do respeito à pessoa como um todo na convivência com ela e com os demais na preparação dos futuros mestres do ensino fundamental, estimulando os seus potenciais naturais, elevando suas auto-estimas e ajudando-os quanto às suas identificações reais de opções vocacionais, torna-se o único caminho capaz de combater a inércia, a incompetência e o pouco caso que vem minando, ao longo de décadas, o relacionamento alunoxprofessor, que é o mesmo que reconhecer o Colégio como um fracasso e, conseqüentemente, o sistema falido, pois a freqüência educacional, quando existente, é fraca, sem estrutura básica e, portanto, aleijada em sua raiz de propósito, gerando assim ao longo do processo desistências imperdoáveis de potenciais possíveis educadores, evasões injustificáveis de alunos desmotivados, assim como de futuros profissionais, em sua maioria despreparados e desestimulados nas carreiras que por ventura tenham abraçado.

sábado, 18 de setembro de 2010

Q U E M B U S C A... E N C O N T R A

Fantástico!
Quarenta e tantos anos depois, por causa de uma incansável curiosidade pessoal e íntima de encontrar vestígios de vida pulsante referente ao passado, provavelmente mania de alguém que esta envelhecendo e então consciente da escassez dos tempos vindouros, recorre às lembranças da juventude, como se isto pudesse resgatar os anos dourados de muita ingenuidade.
E viva a internet e sua instantaneidade, trazendo a possibilidade do resgate, as expectativas da busca e o prazer bendito do afloramento de antigas emoções. Resgatar emoções de alegrias vividas que ficou lá no fundinho da alma, aparentemente adormecidas, é com certeza pura satisfação.
Pois é, quem busca acha.
Eu busquei e este universo fantástico me respondeu, através das vibrações amorosas que tudo faz acontecer.
Só é preciso acreditar, por fé e ir à luta.
Aliás, nesta sexta-feira iluminada foram vários os resgates, inúmeros momentos de imensa satisfação que vieram com o cheirinho de passado se transformando em fabuloso presente, que afinal coloriram cada instante.
Poder falar ao telefone com amigos de infância, relembrar todo o encantamento de ter vivenciado momentos divinos em Guapimirim, reafirmar para eu mesma o quanto eles e aquele local fortaleceram a minha existência, me faz pensar que, de verdade, fui e sou por todo o tempo, brindada pela vida.
Depois, já cansada de um dia de atividades intensas, vi-me de novo em cima de um trio elétrico, como se uma jovem fosse, comemorando a minha conquista como cidadã, que era e será sempre o de ter a liberdade para exercer os meus direitos de escolha e os meus deveres quanto as escolhas.
Como é bom e gratificante ter-se pelo quê e por quem lutar. Como é saudável possuir um ideal que possamos acreditar que será o ideal para os demais com os quais convivemos.
Na noite desta sexta-feira, resgatei a crença de que vamos conseguir através de uma luta coerente e séria, resgatar o direito de viver em uma cidade onde o poder público se respeite e respeite o povo que o mantém.
Sonhar, com certeza é muito bom, mas correr atrás, transformando-o em ideal é o primeiro e único passo que podemos dar em nossas vidas para que verdadeiramente nos sintamos existindo com dignidade e, conseqüentemente, alegria de viver.
Entretanto, percebo que a cada eleição, mais e mais dificuldade venho sentindo para escalar as escadas inte2nas dos trios elétricos,kafinal, são sessenta anos e muitos quilinhos a mais, mas e daí, não é mesmo?
Quando não der mais, mas eu ainda sentir bater em meu peito a agitação gostosa e revigorante de me sentir vibrante e participativa, ainda assim, com os pés rentes ao chão, terei em uma das mãos a bandeira dos direitos de todos nós e na outra o microfone para, por todo o tempo, lembrar a cada um que puder me ouvir que di2eitos só conquistamos quando exercemos o nosso dever de não ter medo de ser absolutamente felizes.
Amanheço, neste sábado de primavera, repleta das emoções de um passado que consegui resgatar e transformar em um presente brilhante, graças à criaturas maravilhosas que subsídios me ofereceram para, neste instante, poder estar me sentindo a maluca beleza, mais cheia de graça e bonita por natureza.
Bom dia a todos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Hora de descontração. Porquê as mulheres precisam de 2 homens !



Foi provado, após acompanhamento de vários casos, que toda mulher precisa de dois homens: um em casa e outro fora de casa.

Para entender, é muito simples:

1. O marido cuida da parte financeira, paga as contas dos filhos, da esposa e da casa.
2. O outro cuida de você.

3. O marido fala dos problemas, das contas a pagar, das dificuldades do dia.
4. O outro fala da saudade que sentiu de você durante a sua ausência.

5. O marido compra uma roupa nova para ir a um compromisso de trabalho.
6. O outro tira essa mesma roupa só pra você.

7. O marido dorme com aquela camiseta velha e de cueca as vezes até de meia.
8. O outro dorme completamente nu, abraçadinho a você.

9. O marido reclama das coisas que tem que consertar em casa.
10. O outro te recebe no apartamento onde tudo funciona perfeitamente.

11. O marido telefona pra casa e fica perguntando o que tem que comprar no supermercado, padaria e etc.
12. O outro telefona só pra dizer que comprou um champagne que você vai adorar.

13. O marido reclama do chefe, do trabalho, do cansaço de acordar cedo.
14. O outro reclama a sua ausência e os dias que fica sem te ver.

15. Ah...esqueci o imprescindível.... o outro nunca vai tomar cerveja com os amigos numa sexta-feira!! - ele estará com você enquanto o corno esta enchendo a cara com um monte de macho do lado.

Bem, você vai me perguntar :
- Por que não trocar o marido pelo amante?
Pelo simples fato de que o amante se for viver com você, passará para o papel de marido e logo, logo, você precisará arrumar outro.

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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ETERNAMENTE LINDA

imagem: hildaroxo.org

Linda, possuidora de um talento especial para encantar a todos, simples, desprovida de apegos materiais, mas exigente quanto à busca, manutenção e convivência com o belo de qualquer natureza, totalmente liberada emocionalmente, criatura envolvente, artista espontânea, profissional competente, amiga incondicional, mulher maravilha com quem tive o prazer de conviver e que, certamente, foi em grande parte responsável pela infância e adolescência esplendorosa que pude desfrutar.
Tia Hilda, foi o complemento ideal que meus pais puderam ter na responsabilidade de minha formação. Ela era o equilíbrio, que permanecia inabalável entre o rigor de minha mãe e a absoluta paparicação de meu pai. Ambos quiseram fazer de mim uma boneca intocável, privando-me de maiores exposições, enquanto ela, arrojada e de visão mais ampla, enxergava em mim o pequeno pássaro desejoso em bater asas e voar.
Com carinho próprio da sensibilidade protetora, ela foi direcionando minhas também sensibilidades, para que minhas escolhas fossem sempre baseadas em um único embasamento, que era o de encontrar minhas necessidades, não apenas meros desejos, e a elas me entregar sem reservas, único meio de uma criatura se sentir amparada, segura e totalmente em paz, independentemente de obter vantagens aparentes.
Ensinou-me a correlação das posturas humanas com a natureza e no quanto podemos extrair de entendimentos saudáveis. Orientou-me quanto à grandeza dos sons do silêncio e do quanto podemos enlouquecer se não aprendermos a interpretá-los em meio ao turbulento externo que os sistemas sociais nos impõem e a solidão que infalivelmente nos abraça em determinados momentos de nossa existência terrena.
Ensinou-me a buscar os recursos infinitos de meus sentidos e a usá-los como mestres identificadores de minhas afinidades, fazendo deles benditos filtros naturais que me permitiriam absorver cada vez menos, tudo quanto não me fosse afim.
Bendito ser, fora de seu tempo, que rompeu barreiras, superou estigmas e se situou apena s e tão somente como uma criatura humana, cumprindo assim sua belíssima e rica trajetória terrena, permanentemente fiel ao seu inspirador maior, o Mestre Jesus.
Este absoluto ser, abriu espaço para que nos corações de todos que com ela puderam conviver, houvesse sempre a busca do equilíbrio, da razão e do amor.
Estas emoções, através de vibrações energéticas, tornaram-se título de minha primeira obra psicografada que, pelo seu conteúdo psicologicamente amoroso, abriu as comportas de minhas afinidades espirituais no ano de 2000 e, a partir daí, a interação com este universo fantástico tornou-se, sem alardes, uma harmoniosa e consciente comunhão.
Sua pele morena e cheirosa, seu sorriso largo e franco, sua liberdade digna e sua paixão pela vida, foram meus parâmetros e meu orgulho saudável de ter em minha origem tão completa criatura que, além de tudo isto, ainda tinha o mesmo nome de minha também moreníssima e bela mãe e, também, a irmã querida do Sr.Hilton, meu lindo, elegante e cheiroso pai.
acessem: hildaroxo.org
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segunda-feira, 13 de setembro de 2010

SIMPLESMENTE EXISTINDO

O corpo frágil repousa sobre as pedras roladas do rio, enquanto os longos cabelos castanhos escuros dançam aos movimentos da água que ultrapassa os limites do corpo, mantendo-o, por todo o tempo, arrepiado, como reação natural de uma temperatura fria e estimulante.
Os olhos, fixos na imensidão de um espaço entrecortado pela vegetação vasta em permanente movimento, criando sombras, imagens sem definição, levando a ofuscamentos constantes, porém nada que um piscar de pálpebras de imediato não resolva.
Os dedos enrugados embranquecem, mas nada de verdade é sentido além do júbilo do instante presente de estar ali, entre o céu e a terra, em uma única vibração amorosa.
Os sons em profusão se integram, formando uma única melodia, anestesiante a todos os demais, cuja sintonia não se integre à toda aquela orquestração da natureza.
O sol, devagarzinho, vai se retirando e a noite vai lentamente tomando o seu espaço, e os sons no mesmo ritmo vão mudando em um novo arranjo melódico, um arrepio mais profundo, um fechar de olhos mais demorado, um movimento de contorção dos membros e um chamamento à distância, são os alertas de que chegara a hora da retirada.
O levantar é agitado e entre pisadas cautelosas, e um agora frio real, a margem é alcançada e a vegetação úmida é pisada pelos pés pequenos, sob pernas ágeis que buscam urgente aquecimento para o corpo gelado de criança.
GUAPI- Cinqüenta anos depois, os olhos ainda ficam marejados frente às colossais recordações que transcendem a mente, invadindo cada célula do corpo, reprisando sensações, liberando o espírito, exatamente como naquela fabulosa época de inocência infantil, que não passou ou morreu com o deslizar do tempo e que permanece se fazendo presente nos momentos mais inesperados, colorindo o feio do cotidiano, iluminando o vazio teimoso que insiste em surpreender quando tudo aparenta normalidade.
Alegria genuína que brota, através do eterno sorriso, permeia o imponderável e, extraindo o néctar do possível ideal, transforma os instantes, em breves maravilhas e o tempo discorrido em apenas um detalhe.
Os pés e as pernas se conservam ágeis em todas as ocasiões em que o sol se transforma em guia de realizações, camuflando as reais limitações que o tempo passado, apresenta de modo cruel. Bendito é todo o armazenamento estrutural de uma infância completa, onde o sol, a noite e o bem natural se fazem ornamentos básicos e, portanto, eternos.
E os dedos dantes enrugados pela água fria, ora se apresentam enrugados pela ação do implacável tempo, mas ainda sensíveis ao toque do belo que pode surgir como nos encantamentos dos contos e das histórias surreais , desprezando a malvada realidade, alisa e sente, fazendo o sangue correr mais forte como outrora, frente ao magnífico desejado.
Os olhos permanecem ariscos, direcionados ao sol e à noite, pesquisando os possíveis, camuflando os impossíveis, deleitando-se com os conseguidos, regozijando-se com os desejados, fazendo deles inspirações à novos rumos sonhadores.
GUAPI- Cheiro de terra úmida de lágrimas orvalhadas, que mantém meus instantes revigorados e meu espírito infinitamente livre.
Regina Carvalho, em parceria com:
Adolf Bloch
Como Jornalista tenaz, proseador contumaz, apraza-me, companheira de vida constante.
13 de setembro de 2010, 19.31hs.

domingo, 12 de setembro de 2010

APENAS UM BEIJA-FLOR


Sei que não é politicamente correto falar a respeito de coisas que podem contrariar determinadas facções religiosas e tão pouco é esta a minha intenção, mas, sabe como é... sou também um pouco visionária e gosto de deixar minha mente projetar-se em outras dimensões.

Neste exato momento, estou lá na Serra da Piedade, em Caeté, cidade bem próxima de Belo Horizonte, que exibe uma das mais lindas cadeias de montanhas, adornadas com uma exuberante vegetação que, infalivelmente, leva à paixão.

E aí, bem ... só faço deixar pipocar todos os flashes arquivados na memória e como uma arquivista sonhadora, insiro-me, fazendo de cada, um palco exclusivo onde torno-me soberana e, em meio à toda esta profusão de lembranças nas quais abusadamente penetro, invariavelmente me vejo um beija-flor.

Penso, então, que se humana não fôsse, com certeza nada mais me daria prazer que estar, por todo o tempo, suavemente beijando e sorvendo o nectar das flores e na leveza de minhas batidas de asas, penetrar florestas, desfrutando toda a alegria de poder voar, plainando no imaginário de tantos outros, como eu, agora.

E no ritmo constante do bater de asas, fazer dos rios meus confiáveis guias, direcionando-me

à novos rumos.

Pois é, desejei ser tanto um pássaro que às vezes penso que já o fui, ou ainda o serei.

Por que não?

Nossa!!!,falei bobagem,dirão quase todos os religiosos.

E novamente penso que, se desejar e querer ser ou ter, fosse assim um tão grande pecado, por que então o nosso Deus nos brindaria com tal capacidade?

Ah! tudo bem, já sei ... o livre arbítrio que ele nos facultou.

Exercendo-o, exponho-me à riscos, mas ainda assim penso no quanto seria maravilhoso retornar em algum tempo futuro à esta vida terrena travestida de beija-flor, encantando as vistas, as almas e os corações de todos aqueles sensíveis que me percebessem e me tornassem eterna em suas lembranças.

Por que não?

E neste momento de devaneios apaixonados, agradeço a permanente inspiração do Frei Franciscano Juan Emanuel Rodrigues Sanches, natural de Cordoba, Espanha, energia vibrante deste universo bendito, que vem moldando minhas emoções e sentimentos nesta caminhada terrena.

À todos uma noite de paz e um amanhecer de sonhos e desejos.

sábado, 11 de setembro de 2010

MALUCOS BELEZAS

E começou tudo de novo e como foi bom, meu Deus!

Lá estava a Dona Regina de bandeira hasteada, vibrante, suada, mas absolutamente feliz, justo por estar fazendo exatamente o que desejava. Em dado momento, buscando uma pequena sombra e um copo de água bem fresquinha, pude, por instantes, riscar no espaço que se descortinava com o mar de Porto dos Santos, desenhos de lembranças recentes, onde alí mesmo, sobre um palanque, discursei com a emoção dos idealistas, cercada basicamente dos mesmos parceiros de jornada política e realizada por estar tendo a oportunidade de expressar livremente a minha cidadania.
Despertei de repente destas lembranças gloriosas, para em seguida perceber o quanto tudo mudou e se perdeu em apenas dois anos. Respirei fundo e percebi que se necessário fosse um discurso meu, nada eu conseguiria falar, pois não havia nada que eu pudesse dizer que não fosse:

- Que dor!

Dor por estar vendo a cidade que amo esfacelada, sucateada, desrespeitada e tal qual uma náufraga em desespero, não sei se luto para sobreviver ou deixo as braçadas já cansadas desfalecerem, afinal, por terríveis instantes, cri, nada mais valer a pena, frente às mentiras de poucos que se tornaram absolutas verdades .

E aí, como num filme fora de rotação, as cenas de horror, mentiras, falcatruas e indecências, desfilam diante de meus olhos e, então, milagrosamente, sacudo a cabeça, desembaralhando a mente e volto a sorrir, erguendo com orgulho a bandeira que ostento, pelo que ela representa e nela confiar.

Agora, quietinha, no sossego de minhas escritas, penso no quanto perniciosa e indutiva é a sensação de impotência quando se está em meio ao imponderável da vergonha institucional.

A podridão política local é tão somente uma cópia desbotada do lixão federal. Discorro em meus lamentos enquanto ainda posso, pois este filme de horrores que desde 2002 se formata, pelo falso brilhante que se faz ostentar aos incautos, infelizmente se estenderá em ainda muitas cenas e nelas gente como eu será calada se não na ponta de uma baioneta como no passado, com certeza pelo desespero de não ter mais consciências ativas para escutar ou simplesmente ler, entendendo.

O Brasil, em sua maioria carente, subjugou-se às esmolas, assumindo o emburrecimento e os demais, bem... alguns nada mais dizem ou fazem, pelo menos às claras e de forma efetiva, como se de um momento para o outro esperassem um ataque mortal e, tomados por um medo irracional, perdem a ação, restando alguns malucos belezas dando suas caras a tapas, pelo menos enquanto podem.

O lixão, veio com a intenção de ficar. Só não sei se conseguirei suportar por muito tempo o cheiro fétido desta vergonha nacional. E por temer a esta tortura sem grades e chicotes aparentes, levanto minha bandeira e grito pela vida e pela liberdade, que intuo estarmos prestes a perder.

MINHA BANDEIRA tem como Ordem e Progresso, JOSÉ RONALDO-Senador, BRUNO REIS-Deputado Estadual, ACM NETO-Deputado Federal, PAULO SOUTO-Governador, JOSÈ SERRA-Presidente.

Dou-me ao direito e ao dever de erguer minha bandeira pelo meu país, meu estado, minha cidade e a minha certeza absoluta de que, para se estar gozando as benécias do poder, não se tem o direito de sufocar o povo com a sua própria fragilidade.

A BOLSA FAMÍLIA, deixou de ser um amparo à carência do cidadão para se transformar em moeda corrente de compra do voto inconsequente, assim como um estimulador à inércia, já notória e historicamente latente nas posturas e no emocional do brasileiro.

Se a ditadura Militar fazia calar através da truculência, a Ditadura Civil faz calar através do suborno e do aprisionamento moral do cidadão e das instituições.

E aí, sinto as pernas doerem pela longa caminhada, a pele arder, pela exposição ao sol, mas confesso que voltei como há dois anos atrás a me sentir mais jovem e saudável, tal qual a certeza que me motiva que é a força, a tenacidade, a inteligência e o espírito de liderança de Cláudio da Silva Neves, a quem novamente agradeço por não deixar morrer ou esmorecer a fé na cidadania e o amor à Itaparica em mim e em todo um grupo de Malucos Belezas.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

APENAS EXISTINDO

Estou lendo novamente, "Discurso do Método", do filósofo René Descartes e, enquanto leio, ouço música suave e, vez por outra, paro minha leitura e escrevo algo, seja para um amigo querido, seja para este blog, onde certamente sou possuidora de muitos amigos virtuais que me prestigiam, tendo a generosidade em ler os meu escritos e comentá-los, oferecendo-me, assim, a chance inenarrável pelo seu potencial em aprender a cada dia mais um pouquinho e, tal qual Descartes, afirmo que, apesar de tantos aprendizados, constato a cada instante saber ainda muito pouco, quase nada.
Gosto de ficar comigo mesma na companhia de uma boa música que, certamente, me ajuda e muito a viajar mentalmente, pensando e recriando tudo quanto me parece pobre, buscando brechas onde eu possa colocar uma nova visão à respeito.
Adoro esmiuçar, seja lá o que for, para entender o princípio intencional da coisa.
Mas inegavelmente é o emocional humano que mais me aguça. E falar, pensar, estudar e, claro, esmiuçar o emocional, é para mim estar mergulhada na vida, buscando a sua essência maior.
E ainda não encontrei outra forma de fuçá-la, senão através da quietude pessoal, mesmo estando em meio à uma multidão, observando a tudo e a todos, decodificando posturas, expressões anatômicas, tons da voz, posicionamento dos olhos, etc, registrando-as em minha mente para então mais adiante, na quietude como agora me encontro, traçar paralelos, fazendo comparações, buscando coerências, explicações e razões.
Gostaria de afirmar que quase nada me escapa, mas não seria verdade, pois mais forte que minha tenacidade observatória é a capacidade humana em se camuflar.
O filósofo, não se forma em universidades, ele nasce um pensador, se assim não o for, corre o risco de ser um mero repetidor do pensamento alheio.
Ainda me lembro que garota, tipo 8 ou 10 anos, passava horas intermináveis literalmente sentada nas pedras, dentro do pequeno riacho que circundava nossa casa de campo em Guapimirim, à época um verdadeiro paraíso ecológico.
Nada mais me atraía que o som da cachoeira próxima, o verde exuberante da vegetação, os sons fantásticos que meus ouvidinhos infantis buscavam reconhecer e se familiarizar, fazendo deles parceiros que se tornaram eternos.
A tudo cheirava, lambia, abraçava, trocava ideias, questionava, além de fazer daquelas criaturas aparentemente diferentes de mim, confidentes de já meus medos e dúvidas.
Havia tanta harmonia em nosso relacionamento que jamais fui picada por um mosquito, mordida por cobra ou senti qualquer mal estar por tudo querer provar para sentir.
Questionava as piabinhas por todo o tempo, querendo entender o porque delas fazerem sempre o mesmo percurso, contornando as pedras, quando perfeitamente podiam passar por cima. Aborrecía-me por não conseguir alisar uma só que fosse, pois ariscas, passavam rente a mim, sem, no entanto, serem lentas para que eu as tocasse.
E como eu desejava e persistia em tocá-las com meus dedinhos amorosamente rápidos.
Jamais foi possível...
Guapi, foi minha primeira universidade, onde pude adentrar no mundo do conhecimento maior que é a vida em sua mais natural, mas nem por isso despretenciosa, expressabilidade. Disciplina à disciplina, fui me estruturando, alicerçando entendimentos que recebera na escola e na família, pude começar, a partir daí, a identificar diferenças e a escolher minhas afinidades sem tantas dúvidas ou tantos medos.
Fui compreendendo o prazer dos sabores, dos aromas, dos sons e, consequentemente, a definir em minhas posturas o desejo absoluto no qual, hoje reconheço, ter sido o meu guia, que foi permanecer por todo o tempo fiel a tudo quanto eu me identificasse, independentemente das aparentes perdas.
Esta minha primeira fase, encerrou-se aos l7 anos, quando então recém formada na universidade dos sentidos, parti para um doutorado da prática e nele permaneço até o momento, ciente de que não será nesta expressabilidade de vida terrena que concluirei tamanho aprendizado.
Neste instante, ouvindo o som de Glen Miller, penso no quanto ainda desejo descortinar em mim e com isto, ir mais fundo em meus entendimentos em relação a correlação das emoções pessoais com o universo em toda a sua potencialidade energética e no quanto pode dela utilizar-se como recurso primeiro e último de entendimentos existenciais, para poder-se, passo a passo, burilar amorosamente toda e qualquer convivência em que nós, criaturinhas humanas, estejamos inseridos.
Falando sobre tantas lembranças me é impossível, neste instante, deixar de sentir o cheiro dos gomos de jáca que tanto saboreei naquela universidade primeira, na qual me formei me sentindo verdadeiramente existindo.
Boa Noite e que a luz deste universo que nos envolve nos cubra a todos de paz.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ENTERRANDO O SETE DE SETEMBRO

image: flickr.com/photos/leley1/41038495/


Os tempos mudaram e o Sete de Setembro também.

Ainda me lembro, e não faz assim tanto tempo, todos os anos as escolas providenciavam com antecedência inúmeros ensaios com os alunos, criando em cada criança e adolescente a perspectiva de um desfile que, além de bonito, induzia subjetivamente um enorme orgulho pela farda, pela bandeira, elevando a auto-estima e, consequentemente, o orgulho de estar participando de uma festa cívica.
Cívica?
Que diabo quer dizer isto?
DIRÁ A GRANDE MAIORIA DOS ESTUDANTES...
Pois é, cívico quer dizer relativo à pátria e patriótico, quer dizer: relativo a patriota e este quer dizer: quem ama a pátria, manifestando esse amor por meio de serviços.
Quando se discute a falência ostensiva da educação ,associando-a ao aumento descabido da violência, logo surgem catedráticos e políticos ofegantes com suas bandeiras em defesa da classe, exibindo siglas de repasses financeiros, colocação de infocentros nas escolas, notas fiscais de compra disto ou daquilo, enumeram os diversos programas de recapacitação oferecidos pelos governos estaduais e federal aos profissionais da área e o escambal, e são tão veementes e contundentes que se bobear, nos calamos e pedimos desculpas.
Mas, no dia-a-dia, o que se constata são professores oríundos de um padrão já falido em sua maioria, inconformados com o própria limitação intelectual de ingressar em profissões mais valorizadas em todos os sentidos.
É claro que não é só isto que conta quando se analiza o desempenho educacional do país, afinal esta é a ponta do ice-berg, pois a falência é resultado de um conjunto diversificado de ações que se bem planejadas são mal aplicadas, assim como em sua maioria, totalmente destoantes das realidades que por si só são absolutamente díspares de uma região para outra.
O que se observa é a incapacidade operacional, seja pela inviabilidade logística, seja pela incompetência dos profissionais envolvidos.
O Brasil, ostenta hoje um mercado de trabalho vasto e diversificado, não dispondo de profissionais devidamente qualificados para ocupá-lo, e isto é terrível sob o ponto de vista social e econômico de um país.
Nunca, em tempo algum, houve tantos cursos e tantas pós, disso e também daquilo, assim como nunca se viu tantos incompetentes no mercado de trabalho ou na pretensão dele.
Longe de mim desqualificar gratuitamente seja que classe trabalhadora for, quanto mais a classe de professores, mas que a educação é prioridade máxima à qualquer cidade ou nação que vise um real desenvolvimento sustentável no tocante à saúde de sua sociedade, e que a nossa vai de mal a pior, esta é uma realidade assustadora, mas que continua sendo tratada com descaso em qualquer nível governamental.
Portanto, uma data como Sete de Setembro pode até parecer obsoleta frente a contemporaneidade em que vivemos, mas um educador consciente da conjunção dos fatores básicos que alicerçam a mente e consequentemente as posturas e o intelecto de suas crianças do ensino fundamental, sabe o quanto é importante resguardar-se as tradições cívicas, que, afinal, serão sempre o sustentáculo moral das civilizações.
O que se tem visto, principalmente nos locais mais atrasados do país, é o enterro gradativo das tradições referentes ao patriotismo, restando apenas as religiosas, que, também, certamente se esgotarão em um futuro assim nem tão distante, acompanhando os novos e surpreendentes valores, desprovidos da preservação das bases culturais.
Há, então, de se perguntar onde está a ordem, onde está o progresso?
Que coisa, heim!...

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

CALA BOCA REGINA !!!!!!!!!!!

Fui banida e nem sei bem porquê das edições diárias de um portal que fornece notícias do Recôncavo e cercanias que não digo o nome, pois burra jamais fui e não darei munição para me ferrarem...
Minha exclusão foi radical, pois retiraram inclusive todas as crônicas que haviam sido publicadas desde o início deste ano.

Como não conheço ninguém que dirige o referido blog que, diga-se de passagem, em muito me agrada, pois coloca-me a par diariamente dos acontecimentos de Valença e demais localidades, inclusive da Ilha de Itaparica, fico então me perguntando, sem qualquer resposta que não seja absolutamente baseada em suposições, tais como:

- Será porque não sou petista e, além de não ser, ainda faço críticas à pouca vergonha que muitos de seus menbros direcionaram às posturas dos demais partidos, induzindo-os de um modo geral a escracharem-se, fazendo das causas públicas um descalabro nacional?

- Será que a tal discutida censura que os mesmos estão lutando para impor à imprensa de um modo geral, está sorrateiramente agindo também nos pequenos blogs ou este foi um ato isolado de algum partidário fanático?

Claro que pensei também que poderia ter sido pela qualidade de meus textos, de repente, sei lá, podem ter achado que meus conteúdos literários estavam fracos.
Será?

Bem, gosto não se discute, afinal, 3.370 acessos em meu blog de alguma forma me garantem a certeza de que nem tão desgraçados assim são os meus escritos, entretanto, sabe-se lá os critérios avaliativos que os ou o dirigente do referido blog determina em qualidade.
Seja lá o que for, pelo menos durante um ano pude estar em contato com inúmeros adeptos da leitura do referido blog, alguns dos quais, inclusive vez por outra, fazem link de minhas crônicas em blogs distintos, inclusive nele.

De qualquer forma, lamento minha retirada forçada e sem justificativa, deixando claro que fiquei
triste, mas também com a certeza renovada de que estou no caminho absolutamente coerente com minha ética profissional de escrevinhadora, afinal, esta Ditadura Civil com a qual estamos vivendo e convivendo através desta corja de criminosos que em hipótese nenhuma caracteriza o PT de um modo geral, mas que em sua fração criminosa, devasta, faz calar, em nada se diferenciando dos bandidos que invadem os bens privados, como a minha ou a casa de qualquer um.

Se comparada à Ditadura Militar, com a qual convivi por toda a minha juventude, nada fica a dever, inclusive crendo eu ser de pior atuação, pois utiliza-se do emocional humano em sua míséria ao invés de subjugarem uma nação com fuzis e tanques como no passado, mas sem dispensar a tortura que, repaginada, renasceu em forma de um descaramento incontrolável.

Um governo populista será sempre uma chaga à qualquer país, pois ampara tal qual qualquer autoritarismo um grupo restrito em detrimento de toda uma nação, que, cá para nós, precisa ser como nós brasileiros, preguiçosos e vergonhosamente acomodados, para de braços cruzados assistir à descaramentos criminosos de um semi analfabeto que, finalmente, junto a espertos e, aí sim, bem letrados, orquestra por todo o tempo uma falência futura com a qual outras gerações terão de conviver, como efeito cascata dos desmandos que se processam nos tempos atuais.

Mas e daí, não é mesmo?

Bandido de leis manipuladas e para a justiça engessada é para gente como eu ou você, sem dinheiro para subornar poderes públicos ou contratar feras do direito e sem prestígios políticos para influenciar ou chantagear, seja lá quem for.

Para nós, Zé Povinho de Merda, não é dado ao direito de desconhecer as leis e tão pouco merecer a intervenção dos Ilustres dos Direitos Humanos, e em se tratando da justiça, meu Deus, não existem indícios, somos de cara culpados e acabou-se, SE VIRA BICHO, prove o contrário ou se cale para sempre, pois caso contrário teremos frente a nós uma justiça implacável, rápida e eficiente, tudo, tudinho, dentro dos rigores das leis.

Para uma colunista social, filósofa existencial, mulher, escritora, mãe de uma família que ainda se preserva e cidadã brasileira, assistir ao hasteamento da bandeira de minha pátria por bandidos declarados, escrachados e cínicos, é uma afronta à dignidade e ao direito de existir sem ter que conviver com tamanho insulto.

Portanto, se foi por pregar o meu não a esta corja governista, seja Municipal, Estadual ou Federal que seja bem-vinda então a minha exclusão, pois se erros cometi e cometo na minha já longa trajetória de vida, certamente o de assaltante à mão armada, manipuladora da míseria, sem caráter inveterada ou cúmplice consciente de vagabundos, com certeza jamais fui ou serei.

BOM DIA!!!!!!

domingo, 5 de setembro de 2010

APENAS VIVEM

E não é que novamente, pelo menos até o momento, a natureza, poderosa em suas decisões, resolveu mais uma vez contrariar os senhores da tecnologia e não choveu conforme o previsto.

Pois é, quem vai discutir com a senhora natureza, ainda mais de uns tempos para cá o mundo de um modo geral, através de nós humanos sabichões, tem sido cruel, desumano, mas acima de tudo imbecil ao subestimar seu poder e vontade?

Ora faz calor demais, ora chove absurdos, ora tudo se resseca, ora derretem-se as geleiras, ora cidades afundam lentamente, ora cidades estão sendo engolidas pelas areias, e por aí vai, e nós, criaturinhas ditas abençoadas por Deus e bonitas por natureza, também vamos em nossa permanente inconsequência fechando arrogantemente nossos sentidos, crendo de forma individual nenhuma responsabilidade nos caber, fazendo então vistas grossas ao nosso universo pessoal e nos deixando, por indução falsamente protetora, acreditar que o que acontece lá adiante não nos atingirá, e que a nossa participação nesta chacina ecológica não faz de nós cúmplices ativos neste crime hediondo.

E por falar em crime hediondo, penso então na política brasileira, se bem que as lá de fora não devem ser muito diferentes, talvez menos escrachada em países onde a educação do povo seja mais apurada, mas por aqui o negócio é feio, abusadamente inconsequente; mas quem liga para isso?

Tal qual na ecologia, cada qual, dentro de seu universo pessoal, não acredita que suas omissões enquanto povo das camadas privilegiadas, ou canalhices enquanto governam ou tiram vantagens, faça deles cúmplices da merda generalizada na qual o Brasil se encontra, se bem que devidamente maquiado com o guache colorido do engana trouxa em forma de crescimento, sem qualquer manutenção da já não tão resistente estrutura que em tempos anteriores foi sendo restaurada aos trancos e barrancos, tendo como oposicionistas ferrenhos os ditos do presente que alucinados tudo fizeram para se tornar ZELITE, mistura de Zé Povinho com elite, que nada mais é que a junção estereotipada da falta de instrução e muitas coisitas a mais com o dinheiro fácil.

E se a tudo isto, forem adicionadas a arrogância da ignorância e a insensatez da miséria, poder-se-á então constatar que, de um modo geral, assim como a natureza, aos poucos, já não tão lentamente, lá vão todas as lindas e adoráveis criaturinhas humanas se destruindo, seja na terra, no céu ou no mar, pensando, assim também espertamente, que não são diretamente responsáveis e que nada as atingirão, pelo menos diretamente.

Que coisa heim!

Esse me engana que eu gosto é simplesmente assustador quando decidimos parar para pensar a respeito, mas aí pensa-se assim:
- Pô Meu, não posso mudar o mundo, fazer o quê, preciso cuidar do meu quinhão.

Só que cuidar do quinhão pessoal virou sinônimo de cegueira e burrice, maldade e desrespeito, desacato ao bem comum, apropriação do direito alheio, engôdo à boa fé, canalhice generalizada, chacina das possíveis oportunidades de uma ainda camada imensa de humanos indevidamente gerados, incapacitados a existir como humanos e não como troncos ressequidos, águas poluídas, céus enfumaçados.

E aí, ontem, sentada em um projeto de poltrona do já decadente e absoleto ferry IPUAÇU, no retorno à Itaparica, fiquei, como sempre faço, observando aquelas criaturinhas, tentando imaginar qual a história de cada uma delas, naquele acotovelamento como se gados humanos fossem, a maioria sorrindo, felizes, comendo coxinhas e pastéis, carregando seus celulares, travesseiros, colchonetes e isopores, e me senti tôla, afinal, elas me pareceram felizes e é justamente por aí que o mundo se deteriora, pois não há qualquer, por mais remota que seja, conscientização de que já vivemos o caos existencial, sem pessimismos, apenas constatações reais.

E então, senti uma profunda inveja, pois enquanto penso, sofro e busco compreensões, aquelas criaturas simplesmente vivem.

Pedi então um sorvete, mirei meus olhos no mar e também simplesmente vivi, fingindo que não esperimentava mais uma realidade DANTESCA de viajar mal sentada e, portanto, pessimamente acomodada em um arremedo de poltrona, retornando ao que deveria ser o paraíso, mas que na realidade é mais um local cercado de água por todos os lados e já devastado em sua grandeza ecológica, já poluído em sua grandeza humana.

Que pena, meu Deus!

DEUS!?

E então, lembro-me de Castro Alves.

- Onde estás, que não te vejo?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ÉTICA DO AURÉLIO

Aurélio, designou a palavra ética como: "estudo dos juizos de apreciação referentes à conduta humana, do ponto de vista do bem e do mal".
Continuando nesta linha de entendimento, fui buscar o que significa "estudo de juízos" e encontrei o seguinte:
"estudo é o ato de estudar, aplicação do espírito de aprender, conhecimento adquirido com essa aplicação, trabalhos que precedem a execução dum projeto", enquanto "juízo" é "o ato de julgar, conceito, opinião, tino, ponderação, senso, bom senso, fôro ou tribunal onde se processam e julgam os pleitos, mente, pensamento".
Em meio à toda esta explicação linguística em um país onde o analfabetismo ainda é imenso e onde a educação jamais foi prioridade governamental é, portanto, de se supor que se ter ética é um ato heróico, reservado tão somente àqueles herdeiros universais de princípios de convivência, oríundos de base familiar que milagrosamente se preservou em meio aos constantes troca-troca de valores sistêmicos, como vem ocorrendo há décadas.
Entretanto, mesmo estes, vez por outra, se veem em dúvidas cruéis, afinal, os relacionamentos de quaisquer naturezas se atropelam frente a variedade de novas posturas, ditas corretas, exercidas por aqueles que são referências em seus postos, sejam públicos ou privados.
E aí, fico pensando no quanto está difícil vivenciar o dia-a-dia com tantos valores sendo soterrados sem aviso prévio, sem bom senso comum, sem tino avaliativo, sem ponderação em relação as consequências, fechando portas de uma possível e melhor convivência, justo com a antecedência de pensamentos avaliativos que pudessem, se não buscar projetos evolutivamente progressistas, pelo menos permitir que as mentes humanas pudessem assimilar dentro de parâmetros exemplificadores, como dantes ocorria, para então fazer a aplicação avaliativa pessoal, sem, no entanto, cada qual solitariamente decidir o que é bem ou mal, seja lá onde for.
Entre a Ética de Aurélio e a Ética Social, reside não só o não entendimento quanto a total inexistência de proximidade de aprendizado que, afinal, poderia certamente ser um dos caminhos da busca do conhecimento de se relacionar com respeito mínimo, que na realidade para poucos que pensam e estudam o juizo de direito, significa a aplicação do projeto maior de suas existências, que certamente é a concretização de um bem-comum, que suporte como uma forte estrutura o mal que sempre existirá.
E novamente me vejo escrevendo um texto complexo, mas nós seres humanos somos complexos, repletos de dúvidas e certezas.
Como, então, escrever algo simplório, se faço parte daqueles poucos infelizes sobreviventes frente ao mar de desvario afrontoso de desrespeito cotidiano?
Pago, portanto, de formas diversas pela minha cota de atraso ou talvez pela teimosia em permanecer acreditando que o Aurélio estava certo, que minha família ainda serviria de modelo, e que a educação abandonada pela qual tanto tenho lutado seja ainda o único caminho onde os juizos de direitos sirvam para nos manter trilhando condutas mais humanas, discernindo com senso o bem do mal.