quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

EDUCANDO


Como não poderia ser diferente, Roberto e eu, aceitamos honrados o convite do Prefeito Raimundo Nonato da Hora Filho e do Secretário de Educação do Município de Itaparica, Professor Raimundo Pereira Gonçalves Filho, para acompanharmos a apresentação do “Iº Seminário Compartilhando Saber”, realizado no Gabinete do Prefeito hoje, 28 de janeiro de 2015, a partir das 8:30h.
Foram cinco horas com apenas dois intervalos de alguns minutos em que pudemos registrar a prestação de contas do ano letivo de 2014, assim como do número das matrículas parciais de 2015 das 19 Escolas do Município, onde suas Diretoras tiveram a oportunidade de apresentar seus balanços financeiros, administrativos e as realizações de suas unidades educacionais nas áreas físicas e pedagógicas, assim como reivindicar as prioridades para as suas gestões para este ano letivo de 2015, além de expressar as dificuldades encontradas ao longo do ano de 2014.
Observamos que com exceção de apenas três escolas - Dr. José Fernando, em Amoreiras, Raimundo Sacramento, URBIS e Mário Lisboa na Misericórdia, as demais foram unânimes quanto as suas maiores dificuldades que se restringem à não participação dos pais dos alunos e a falta de comprometimento dos funcionários públicos efetivos de suas unidades.
Os pais que em sua maioria sequer tomam conhecimento da vida escolar de seus filhos, inclusive não observando princípios básicos de higiene que deveriam dedicar mais atenção, assim como o não comparecimento às reuniões, atrasos abusivos na busca de seus filhos menores, chegando em alguns casos ao total esquecimento, precisando que a diretora conduza o menor à sua residência. Outros só aparecem para brigar e até mesmo tentar agredir o corpo docente, além de estarem totalmente alheios aos próprios filhos quanto ao mínimo de educação doméstica que deveriam oferecer a eles, deixando à escola todas as responsabilidades educacionais, o que é basicamente impossível, criando assim uma lacuna na formação psicossocial das crianças.
Pareceu-me claro o papel duplo exercido pelas professoras, coordenadoras e Diretoras, assim como a extrema dedicação, comprometimento e alegria que externaram na ocasião.
Foi com certeza uma manhã proveitosa, onde foi possível através de relatórios e fotos, além dos índices de aproveitamento, constatar a evolução ocorrida no sistema educacional da cidade desde 2013, quando através de um trabalho sistemático, rigoroso e acima de tudo apaixonado, tem sido possível envolver cada dirigente das unidades escolares no empenho de, verdadeiramente, fazer uma educação que não só cumpra com responsabilidade os programas governamentais, mas que imprima a marca da dedicação, criatividade no desenvolvimento diário da formação educacional das crianças e jovens, inseridos neste processo.
Parabenizo a iniciativa, pois num clima de descontração e liberdade, todas as gestoras tiveram a possibilidade de estar no mesmo ambiente, discutindo suas vitórias, conquistas, aflições e necessidades, tendo presente, por todo o tempo, além do Secretário de Educação Prof. Raimundo Pereira Filho, o Ilustre Prefeito da Cidade, Sr. Raimundo da Hora, o Presidente da Câmara, Sr. Nixon Sacramento, e o Vereador, Adenilsom Cruz.
Lamentei a ausência dos demais vereadores, que perderam uma excelente oportunidade de se inteirarem da real situação das unidades escolares, para poderem mais abastecidos de dados, conduzirem críticas, assim como buscar formas de colaborarem, já que como representantes diretos da população, cabe certamente a eles uma participação mais efetiva nas relações sócio educacionais, não só de suas comunidades, como da cidade como um todo. Afinal, penso eu, na modéstia de meus conhecimentos nesta área, que nada pode ser mais importante a despertar seus interesses e seus tempos, que a educação de seu povo em formação educacional cidadã, única ação capaz de mudar a realidade e a qualidade de vida da população.
No mais, no decorrer da semana, através do Show da Manhã que apresento na Rádio Tupinambá FM, 87,9, das 9 às 12 horas, estarei diariamente comentando os pontos de cada unidade que me pareceram relevantes e merecedores de atenções especiais de todos que almejam o sucesso destas criaturas dedicadas que ganham pouco e que na maioria do tempo de suas carreiras profissionais e que, hoje em dia, sequer são respeitadas pelos pais, não recebendo a devida consideração e reconhecimento, mas que, ainda assim, são capazes de realizar milagres que podemos constatar bastando, tão somente, que abandonemos os discursos bonitos e de efeito, levantemos nossas bundinhas do conforto de nossas alienações e participemos efetivamente para que, em um breve futuro, possamos constatar uma diminuição da violência que adoramos dizer que só aumenta. 
Finalizo afirmando que nos doze anos que me encontro nesta cidade, intimamente ligada aos assuntos sociais da mesma, e sempre à frente de um órgão de comunicação com atuação dinâmica, jamais tive o privilégio de acompanhar tão significativo trabalho.
Parabéns, portanto, a todos os funcionários da Secretaria de Educação, tendo a liderança do Prof. Raimundinho, ao Prefeito Raimundo da Hora pelo contínuo apoio que oferece, pois sem a sua parceria e compreensão quanto a importância deste seguimento social, quase nada além do básico seria oferecido, assim como a cada gestor e sua equipe das unidades escolares, verdadeiros heróis que merecem  de todos nós, geralmente palpiteiros de plantão, pelo que representam de importância inigualável no seio das sociedades, o respeito e o apoio de todas e quaisquer naturezas nas suas realidades cotidianas por todos nós.
Porque afinal, educar dá tanto trabalho e exige tantas e diversificadas dedicações, que até mesmo os pais estão fugindo desta responsabilidade.



domingo, 25 de janeiro de 2015

SE NÂO HOUVER O DEPOIS...


Hoje é mais um domingo deste ensolarado janeiro de 2015.
Reflito sobre a fantástica certeza de estar viva e poder sentir o cheiro meio que azedinho das muitas mangas rosas que, de tão pesadas e maduras, caíram e se esborracharam no jardim e que, em seu processo natural de decomposição, fertilizam o solo.
Aproveito que mais uma vez tenho o privilégio de acordar e constatar o fantástico fato de estar viva e, então, respiro fundo, pois sei que existem mil outros aromas para serem sorvidos pelos meus sentidos e, é claro, que não posso, não devo e não quero ficar fora deste processo de integração com a vida, pois na inconsequência da vida cotidiana, na maioria das vezes, deixei para depois, sem que houvesse qualquer indicação real que haveria um depois.
Pois é....
Enquanto respiro e penso em tudo isto, diante de minha mente sempre muito preocupada com a fundamentação de suas próprias constatações ou mesmo divagações, faz desfilar em ritmo acelerado milhares de cenas por mim vividas, dando vez por outra, pausas convenientes, para que eu possa, então, visualizar as inúmeras vezes em que deixei de expressar meus sentimentos fosse com palavras, pensamentos ou ações.
Sinto-me absurdamente chocada com a minha própria alienação em não ter percebido desde cedo a importância dos instantes presentes e oferecer a eles o melhor e mais autêntico de mim, pois afinal, só isto permanecerá, seja nas lembranças dos que me cercam, seja nas vibrações energéticas que movem a vida do todo universal.
Nossa, Regina!...
Hoje é apenas mais um domingo que sequer amanheceu totalmente e você já está filosofando sobre o universo e o escambal?
Me poupe, pelo amor de Deus!!!
Está é a voz que ouço e que sempre sorrateira e inoportuna, tenta, e muitas vezes consegue, tirar-me do rumo, e daí, as pausas que minha mente amiga acabou de me oferecer, talvez, creio eu, em forma de lembrete urgente, para que eu não esqueça o que perdi e dos riscos bobos que corri adiando para depois, sentimentos e emoções que eram únicas, em não dizer por exemplo que amava, estava triste ou chateada com alguém ou com alguma situação, de não expressar minha revolta, meus medos e minhas aflições, de não sorrir, abraçar e beijar tudo quanto me agradava e me fazia naquele instante, feliz.
E aí, penso na morte, nas lágrimas e penso nas poucas ocasiões em que mesmo tendo a voz safada querendo me impedir de transparecer meus sentimentos, resisti e me entreguei, doando-me sem restrições, mesmo diante da incompreensão de muitos ou de alguns que, infelizmente, não tiveram a sorte de ter, como eu, muitos depois, para estar agora recordando e sorrindo das lágrimas que jamais consegui derramar por estar dando adeus à inestimáveis pessoas, lugares, animais ou simplesmente coisas com as quais eu convivia e gostava de pensar que de alguma forma me pertenciam.
Respiro fundo e de verdade posso identificar se não muitos, pelo menos aqueles aromas benditos que me fazem pensar na vida e na gratidão por tê-la neste domingo, que já dá sinais de que vai ser ensolarado nesta minha adorada Itaparica que eu não deixo de exaltar a cada instante presente, por que afinal, se não houver um depois, certamente a terei curtido e saboreado com a boca e a alma alegres, como farei agora com uma das mangas que percebo estar lá, em meio a tantas outras, apenas me convidando a ser feliz.
Que neste domingo todos nós possamos desnudar as nossas almas, expressando os nossos sentimentos, fazendo da vida régua e compasso para um delinear mais preciso, de amor e liberdade.
Porque, afinal, pode não haver um depois...


domingo, 18 de janeiro de 2015

DE TUDO UM POUCO, POR QUÊ NÃO?


Nossa, sou mesmo esperta, pois enquanto converso no face com meus queridos amigos, sobre assuntos variados, mantenho-me antenada numa deliciosa comidinha que estou preparando para almoçar com o meu adorado velhinho Roberto (falo assim como se eu fosse muito novinha)kkkk.
Delícia!!!!
Estou refogando um quiabinho esperto para acompanhar fatias de pernil e um feijão moreno com tudo que tem direito, sem esquecer o arroz refogado no alho e na cebola, bem a moda da roça.
Adoro cozinhar e escrever, assim como beijar na boca e ser feliz.

Um beijo carinhoso com sabor de amor e um domingo alegre para cada um de vocês, meus companheiros de cada dia.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

“Pai, dai-nos forças”...


Hoje, fugindo a rotina diária, escrevo na parte da tarde e penso que talvez seja pelo fato de eu estar absolutamente exausta em me fazer crer que seja possível, despertar interesse da classe dominante em relação aos trabalhos anônimos e que verdadeiramente oferecem sustentabilidade a todo aquele que se encontra as margens do sistema.
“Oi, dai-me forças pelo amor de Deus, meu pai, oi! dai-me forças aos trabalhos meus”...
Como é difícil desenvolver trabalhos onde o brilho da vaidade, dos lucros e das vantagens pessoais, não estejam disponíveis.
Onde a moeda de troca seja apenas o prazer do ato de servir
Onde um sorriso seja a recompensa almejada.
É tão difícil que chega a doer
É tão absurdo que nos faz sentir medo de estar vivo em meio a tanta indiferença.
Olho para o espaço que chamamos de céu e aproveito que a tarde ainda não findou para tentar enxergar neste restinho de sol, um brilho de esperança que estimule o meu coração, como já ocorreu em inúmeras outras vezes, para que eu não desista de continuar tentando, no quase insano desejo de um dia poder vivenciar uma humanidade mais humana e mais consciente de suas prioridades e responsabilidades existenciais.
Leio as notícias vergonhosas que se apresentam e estremeço ao constatar que ainda existam criaturas que mantém seus olhos fechados e suas almas trancafiadas nos redutos dos partidarismos em detrimento das realidades que flagelam muito mais que o nosso medíocre entendimento possa alcançar.
Oh, meu pai... Dai-me forças para continuar batendo nas portas e mantenha as forças desta legião de anônimos que insiste em manter acesa a chama do amor, através de suas simples mas regeneradoras atividades.
Rogo misericórdia a quem me lê para que não permita que a omissão, falta de tempo ou mesmo o desconhecimento quanto a dor alheia, reforce o fechamento de obras sociais como a que DEDEA FÊNIX ODALESSI dirige com desvelo.
“FUNDAÇÃO SOCIO CULTURAL ALAFIÔ. http://alafia89.blogspot.com.br/
Que está localizada no bairro Parque das Amoreiras em uma casa alugada, quando existem várias outras abandonadas, só dependendo de uma ação efetiva da justiça, através do departamento jurídico da Prefeitura que certamente, daria a elas, finalidades mais justas.
 E pensar que é tão pouco o que se necessita para manter-se fora das ruas e da miséria humana, dezenas de crianças.
Doe esperança à todo aquele que só espera de cada um de nós, um simples ato de fraternidade.
“Oi dai-nos forças pelo amor de Deus” para que consigamos manter abertas as portas da vida, do amor e da certeza de que somos bem mais capazes.

Um beijo carinhoso e uma noite de sexta-feira, regada de paz. E de quebra, ofereço uma acerola do meu quintal, “docinha que nem mel”.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

A PRAÇA


São 3:28h desta manhã de quarta-feira de puro verão itaparicano e ao contrário do que possam pensar, já dormi e muito bem.
Como de hábito, durmo e acordo bem cedinho, pois é justo neste horário que sozinha em meu cantinho, livre de barulhos e demais interferências, posso pensar com mais tranquilidade a respeito de determinados assuntos que de alguma forma me afligem e que, tão somente, merecem de mim maior atenção.
Desta vez, o assunto é a “PRAÇA DOS VERANISTAS”, que mesmo não recebendo a merecida atenção e cuidados especiais por tudo que sempre representou na memória de todos que nasceram, veranearam ou simplesmente visitaram a cidade, pois indiscutivelmente, este local representa um dos mais belos cartões postais com os quais nossa cidade ficou conhecida mundo afora, inadvertidamente, se vê invadida, violada em sua estrutura física por toneladas de equipamentos pesados, caminhões, fios e tudo o mais que uma estrutura circense necessita.
Fui constatar com os meus próprios olhos, acreditando que estava diante de um equívoco que logo seria corrigido, mas qual foi minha surpresa ao confirmar que a Secretaria de Infraestrutura, após questionamento público e as devidas providências quanto a instalação de banheiros químicos, a solicitação da presença da polícia militar e o compromisso dos empresários circenses de que reparariam todos os estragos que porventura causassem à Praça dos Veranistas, havia autorizado em conformidade ao pedido da Secretaria de Turismo, em favor das “criancinhas de meu povo”, que nunca puderam conhecer um palhaço de circo, a ocupação da praça pelo circo por um período de dez dias.
Diante deste argumento e da firmeza da indiferença quanto a quaisquer reações contrárias da população e da mídia, e muito menos com o que eu poderia vir a falar, através da Rádio Tupinambá, no exercício de meu trabalho jornalístico, nada mais me restou,  juntamente com a minha decepção, me retirar, ainda em um transe de absoluta incompreensão, pois afinal, até então, acreditei que duas ou mais cabeças juntas, seriam capazes de pensar e avaliar melhor as necessidades e prioridades para Itaparica e, por esta razão, parecia-me absurdo que tanto a Secretaria de Turismo quanto a de Infra, ambas tendo à frente itaparicanos nativos, pudessem não enxergar o absurdo de cederem um marco cultural da cidade para fins que, certamente, não condizem com as finalidades originais.
Realmente os tempos estão mudando hábitos e costumes e indo mais além, banalizando infelizmente as tradições e o belo.
Entristece-me pensar que quanto mais informações recebemos de outras nações desenvolvidas que preservam seus patrimônios públicos como bens maiores, nós emburramos e nos colocamos como algozes de nós mesmos, usando nossos títulos universitários, cargos e poderes, como cusparadas certeiras nas nossas culturas locais, acreditando que podemos tudo na mediocridade de nossas visões.
No reconhecimento de minha total impossibilidade de reverter este horror perante aos céus, deixo aqui o meu lamento, minha tristeza e minha dor, além de hipotecar minha solidariedade aos diversos cidadãos que estão telefonando para a Rádio expressando seus protestos e indignações.


domingo, 11 de janeiro de 2015

ÓBVIO, por que não?


Fecho os olhos e posso ouvir os sons gostosos que o silêncio é capaz de produzir.
Abro os olhos e posso, além de continuar escutando, ainda enxergar o brilho reluzente do sol sobre as árvores de meu jardim, assim como sentir o calor que esquenta o meu corpo e o faz suar.
Penso então no quanto é difícil repassar aos demais as delícias de se sentir em paz. Posso perceber com clareza toda a indiferença ou dúvida. Posso até ouvir concordâncias, mas não consigo, verdadeiramente, identificar qualquer assimilação desta tão simples condição humana.
Tenho a sensação de que falo em línguas estranhas e que o meu viver não é parâmetro copiável, pois não traz como acompanhante, qualquer aparato lúdico de que tanto as criaturas humanas precisam, portanto, não pareço real em minhas proposições, afinal, onde estão os véus, os mantras, as esculturas, os louvores e, finalmente, o transcendente que impressiona e arrebanha adeptos.
Falo e escrevo sobre o palpável, quando buscam o lúdico.
Falo e escrevo sobre o óbvio.
E quem se interessa em decodificar o óbvio? 
Afinal, parece tão primário perceber-se observando o sol, a lua, as estrelas, as frutas, os aromas, as pessoas e muito menos as marolas que o mar produz, só para beijar incansavelmente a areia.
Ou talvez quem sabe, sentir-se meio louco em acreditar que o mar choca-se ao rochedo dia e noite sem parar, tão somente, para que não esqueçamos de que quando perdemos o rumo de nossas vidas, somos açoitados a cada instante, com a insegurança e o vazio que tira de nós, o equilíbrio interior, impedindo-nos de sentir paz.
Mas quem acredita de verdade que possa existir a paz?
Felicidade? 
Pura utopia...
E amor só é eterno, enquanto dura...
Que coisa, heim!...
Fecho os olhos e posso ouvir os sons gostosos que o silêncio é capaz de produzir.
Abro os olhos e posso, além de continuar escutando, ainda enxergar o brilho reluzente do sol sobre as árvores de meu jardim, assim como sentir o calor que esquenta o meu corpo e o faz suar.
Penso então no quanto é difícil repassar aos demais as delícias de se sentir em paz. Posso perceber com clareza toda a indiferença ou dúvida. Posso até ouvir concordâncias, mas não consigo, verdadeiramente, identificar qualquer assimilação desta tão simples condição humana.
Tenho a sensação de que falo em línguas estranhas e que o meu viver não é parâmetro copiável, pois não traz como acompanhante, qualquer aparato lúdico de que tanto as criaturas humanas precisam, portanto, não pareço real em minhas proposições, afinal, onde estão os véus, os mantras, as esculturas, os louvores e, finalmente, o transcendente que impressiona e arrebanha adeptos.
Falo e escrevo sobre o palpável, quando buscam o lúdico.
Falo e escrevo sobre o óbvio.
E quem se interessa em decodificar o óbvio? 
Afinal, parece tão primário perceber-se observando o sol, a lua, as estrelas, as frutas, os aromas, as pessoas e muito menos as marolas que o mar produz, só para beijar incansavelmente a areia.
Ou talvez quem sabe, sentir-se meio louco em acreditar que o mar choca-se ao rochedo dia e noite sem parar, tão somente, para que não esqueçamos de que quando perdemos o rumo de nossas vidas, somos açoitados a cada instante, com a insegurança e o vazio que tira de nós, o equilíbrio interior, impedindo-nos de sentir paz.
Mas quem acredita de verdade que possa existir a paz?
Felicidade? 
Pura utopia...
E amor só é eterno, enquanto dura...
Que coisa, heim!...

domingo, 4 de janeiro de 2015

FALA SÉRIO..


Acabo de acordar com a cantoria dos pássaros, são 4:30 h da manhã e mal abro os olhos, posso também ouvir a minha mente falando e atropelando a si própria em meio a tantas informações que foram se acumulando, não apenas neste ano que se findou, mas com certeza em uma vida inteira.
Venho então para o computador, afinal, preciso ordenar toda esta barafunda, não sem antes discordar do tema, pois há uma parte de meu cérebro que acredita firmemente que é uma tremenda falta de bom gosto, nos acordar num domingo na Bahia, em pleno verão, com a mente pululando desordenada entre políticos, imprensa, sociedade civil, divisão de castas, programas sociais, falácias e tudo o mais que abasteceu os noticiários, serviu de tema de acalorados debates políticos e entreteve as redes sociais, que assistimos, lemos ou ouvimos quando da disputa eleitoral, e como panacas, pois foi assim que me senti e, provavelmente, outros tantos mais, ainda me dispus a dar opiniões quanto ao que  parecia certo ou errado, adequado ou não, quando na realidade, tudo quanto dever-se-ia discutir e alterar em benefício da “PÁTRIA” era a precariedade de todo o nosso sistema avaliativo que foi se confundindo ao longo de seus quinhentos e poucos anos, no vazio da ignorância política quanto ao querer entender seus direitos e deveres, abrindo e, portanto, incorporando a postura da submissão em qualquer nível social, pois a preguiça, a falta de instrução de conhecimentos formais e domésticos de excelência e por toda uma herança genética poderosíssima e contagiosa, nos  foi caracterizando como um povo alegre, mas sem brio, generoso, mas esperto demais para dar um ponto sem nó e, por consequência, astuto e inconsequente.
E enquanto escrevo, ordenando a mente, sinto-me tola, porque a quem poderá interessar nesta altura da situação em que o Brasil se encontra, o que uma mequetrefezinha do interior da Bahia, pode achar ou deixar de achar disto ou daquilo, se nem mesmo no seu reduzido metro quadrado existencial sistêmico foi capaz de arrebanhar seguidores com a mesma visão humanística que pudesse alterar o apodrecido sistema político social.
Passadas as festas, os sorrisos e as alegrias programadas, lá vem chegando de mansinho as realidades com as quais também fomos programados a acreditar serem absolutamente normais, ou melhor dizendo: devam ser reverenciadas se forem comparadas a um passado ainda recente de ditadura e censuras, induzindo-nos a apoiar, graças à “Comissão da Verdade”, que deveríamos como forma de compensação, distribuir polpudas aposentadorias como reparo às atrocidades cometidas contra os bravos defensores da democracia, quando se atentos fôssemos, identificaríamos sem quaisquer dúvidas que os algozes que ora distribuem compensações, só  mudaram suas vestimentas, mas permanecem atuantes, tirando e esfolando vidas, sem uniformes ou armas visíveis, mas com certeza empunhando as baionetas e bazucas da pouca vergonha e das roubalheiras que quando não matam através dos abandonos colorido de falácias e migalhas, esfolam, ferindo de forma indelével toda uma estrutura de gerações inteiras, cujas feridas são impossíveis de serem mensuradas.
Todavia, preciso reconhecer que a resistência à Ditadura que sobreviveu, vestiu-se de vermelho e estrelou-se, é persistente quanto a transformar o Brasil numa cópia tropical de Cuba, onde um grupo de “fuleiros espertos” se perpetuam no poder, graças a um corroído idealismo que a realidade dos fatos fez sucumbir, mas que acobertada por falácias coloridas,  impetra ao povo e a ganância de muitos, o seu poder de barganha.
Percebo neste instante que a apatia que me afastou do convívio e das discussões políticas e sociais a cada dia ao longo basicamente deste ano de 2014, tem sido, tão somente, uma enorme tristeza por estar finalmente, enxergando sem véus de patriotismo, socialismo ou qualquer ideologia, o flagelo que nos tornamos, pois até mesmo os exemplos de merda ao nosso redor no continente, passaram a ser parâmetros de qualidade em nossa fraturada e distorcida avaliação.
Afinal, quem não foi cooptado, comprado e amordaçado, se empenha à vir a ser e aquele que sequer é capaz de qualquer avaliação, sorri e dança ao som dos pagodes, arrochas e trios elétricos, atravessando fronteiras territoriais, sempre balançando seus troféus de pobreza e ignorância ou ambos, o que é mais devastador.
Enquanto isto, os deputados aumentam seus salários, o Senado se mantem conivente e comprado, os Juízes perdem a cada dia suas já corroídas decências e os Militares quase que transparentes se limitam a invadir e pacificar favelas, tentando controlar o que a vergonha nacional produz.
E ainda logo no início de 2015 a pérola de garantir aos ex-governadores, por seus árduos trabalhos por extensos 4 anos, no caso do Maranhão apenas 25 dias, pensão vitalícia extensiva aos descendentes.
E ninguém diz nada....
Faz nada...
Onde estão os líderes deste país?
Fala sério!!!!!!



sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Ah! Meu Deus...


Mais um ano terminou, um novo começou e passados os efeitos das alegrias programadas, as realidades se afloram e de forma cruel se estampam diante de cada criatura humana e quase absolutamente tudo, continua como dantes no quartel de Abrantes.
E assim vai-se vivendo, não sem lá no fundo de algum lugar de nossas mentes adaptativas, aguardarmos ansiosos a próxima comemoração que nos fará esquecer, nem que por apenas algumas horas, aquelas realidades chatas, aborrecidas, monótonas ou dolorosas com as quais nos obrigamos a vivenciar, sem que tenhamos forças suficientes se não para erradica-las, pelo menos para enfrenta-las.
O calendário generoso vai intercalando as alegrias programadas a fim de que possamos não esticar muito a corda de nossas tolerâncias ou mesmo capacidade em suportar o ostracismo de nossas almas desgastadas, todavia, nem mesmo ele é capaz de suprir o vazio dos entremeios, e aí, por conta própria, inserimos novas datas, novos risos, novas danças, por que, afinal, uma festa de largo, uma lavagem de qualquer beco, será sempre muito bem-vinda para nos lembrarmos, que sorrir é preciso.
Quando busco reconhecer os recôncavos da alma humana, longe de qualquer pessimismo, reside, isto sim, a vontade irresistível de encontrar saídas para este vazio existencial que a todos invade, provocando incômodos, espasmos e muitas vezes, dores.
Reside também a vontade apaixonante de poder mostrar ao mundo inteiro o quanto nos deixamos conduzir, sufocando essências, dilacerando as nossas originalidades, e com certeza nos obrigando a buscar o efêmero para preencher um vazio que a vida por si só com toda a sua diversidade e grandeza nos faz teme-la.
Amanheci neste primeiro dia de um novo ano, percebendo com clareza o medo da vida que sempre me seduziu, tornando-me um ser em dicotomia entre o belo e o horror.
O belo que sou capaz de enxergar, sentir e querer degustar e o horror por me saber infinitamente incapaz de compreender sua simplicidade para poder, então, abraçar.
E dentre os desejos que fiz nesta passagem de ano, rogo misericórdia para as fraquezas que fazem de mim uma escrevinhadora da alma, uma aprendiz contumaz, uma amante da vida.

Um beijo carinhoso em cada parceiro do face, desejando a todos tudo de bom que suas almas teimosas insistam em conseguir.