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Mostrando postagens de Agosto, 2017

BOM DIA

Não leves ao pé da letra tudo quanto, possas ouvir. Nem fiques surdo aos lamentos, que ecoam próximo a ti. Que o universo da vida nos inspire nesta semana que está apenas começando.

EU, COMIGO MESMA.

Esta foi uma semana de muitas emoções negativas, afinal, vidas se perderam e outras tantas foram feridas física e emocionalmente; e pessoas como eu, que passam suas vidas valorizando a vida, certamente são abaladas profundamente, já que não precisamos ser parentes ou amigos para mensurar a dor de ver vidas sendo interrompidas de forma tão brutal. Se a tragédia ocorre, digamos, no quintal de nossas casas, tudo toma uma proporção maior e bem mais real, e aí, passado o impacto inicial, a tendência é a reflexão sobre nós mesmos e da importância que representamos no contexto em que subsistimos. De repente, olhando para a TV, reagi em voz alta a uma publicidade sobre o respeito que as mulheres exigem em suas vidas e, então, disse: - Nunca me senti respeitada. Imediatamente, meu marido reagiu surpreso. - Como você pode falar uma coisa destas, logo você que recebeu sempre tanto acolhimento das pessoas? Imediatamente, lagrimas embaçaram meus olhos e com a voz já embargada, olhei para ele e respondi…

DESNECESSARIEDADE Tão logo soubemos do ocorrido com a lancha de Mar Grande, interrompemos o Show da Manhã que transmitimos através, da Rádio Tupinambá FM de Itaparica e, nos dirigimos ao local da tragédia. Por hábito do ofício, levamos conosco a máquina fotográfica, todavia, como sempre ocorre em situações dolorosas e constrangedoras, não fizemos uso dela, justo em respeito, afinal são tantos os cliques e filmagens que mais um seria absolutamente desnecessário. Reconhecemos que os registros são necessários, no entanto, o que se vê são incríveis invasões à dor alheia, com questionamentos insensatos, como por exemplo, perguntar a alguém que acaba de perder entes queridos: - Como está se sentindo? Ou pedir detalhes, numa afronta que infelizmente não tem sido reconhecida pela maioria de nós, que até apreciamos e aumentamos o ibope desta mídia assustadoramente invasiva e desrespeitosa. Particularmente, prefiro a observação silenciosa e a composição coerente e verdadeira dos fatos, para, então, no exercício prático de minha tarefa de comunicadora apresentar um quadro mais amplo do ocorrido, buscando com isenção de qualquer natureza, apresentar todos os ângulos, não que justifiquem, mas que de alguma forma possa exemplificar o conjunto de fatores que propiciaram a tragédia, numa tentativa consciente de levar o ouvinte ou leitor a uma reflexão, ao invés de incentivá-lo ainda mais no hábito assíduo e alienador de ser um “ simples observador” da desgraça alheia.

DESNECESSARIEDADE Tão logo soubemos do ocorrido com a lancha de Mar Grande, interrompemos o Show da Manhã que transmitimos através, da Rádio Tupinambá FM de Itaparica e, nos dirigimos ao local da tragédia. Por hábito do ofício, levamos conosco a máquina fotográfica, todavia, como sempre ocorre em situações dolorosas e constrangedoras, não fizemos uso dela, justo em respeito, afinal são tantos os cliques e filmagens que mais um seria absolutamente desnecessário. Reconhecemos que os registros são necessários, no entanto, o que se vê são incríveis invasões à dor alheia, com questionamentos insensatos, como por exemplo, perguntar a alguém que acaba de perder entes queridos: - Como está se sentindo? Ou pedir detalhes, numa afronta que infelizmente não tem sido reconhecida pela maioria de nós, que até apreciamos e aumentamos o ibope desta mídia assustadoramente invasiva e desrespeitosa. Particularmente, prefiro a observação silenciosa e a composição coerente e verdadeira dos fatos, para, então, n…

ATÉ QUANDO?

Os cotidianos deveriam ser as balizas do senso de pertencimento de nossas próprias vidas, mas infelizmente não são, porque estamos sempre muito preocupados com um vai e vem pessoal de sobrevivência, deixando nossos destinos ao encargo do sistema, sem que sejamos capazes da compreensão primária de que este, nada mais representa que a imagem e semelhança de nossa alienação existencial. Por todo o tempo levantamos bandeiras de todas as naturezas, cor, gênero, política, defesa ecológica e etc., deixando nossas vidas ao encargo da sorte ou de Deus. Enquanto isso, vez por outra, grandes mazelas cotidianas nos abalam, porque são eficientes em nos mostrarem que poderíamos ter sido atingidos, assim, conseguimos em instantes, nos colocar no lugar do outro, podendo sentir os espasmos emocionais de nossa vulnerabilidade. Até quando, deixaremos a segurança das nossas vidas à cargo do acaso? Até quando choraremos as dores do mundo, secaremos as lágrimas e seguiremos em frente, à espera da próxima tragé…

DIREITOS TOLHIDOS

Pois é, de repente me vejo entre a cruz e a espada, e isto vem ocorrendo de forma constante nas últimas décadas, tipo dos anos 80 para cá, mas confesso que tem se intensificado nos últimos 10 anos.  E aí, me pergunto: - Que direitos adquiridos são esses que impedem os demais de ter os seus próprios? Por que de uma hora para outra sou obrigada a aceitar os direitos alheios, sem que os meus sejam devidamente respeitados? Estarei isolada nesta sinuca existencial ou existirão outros que, como eu, precisariam de mais tempo para compreenderem os direitos que ainda nos sãos, no mínimo, esquisitos. O politicamente correto, assim como a necessidade de mostrar que se está antenado e aceitando tudo que a mídia propaga como ideal, também está desenvolvendo através da indução a uma naturalidade postural, uma reação silenciosa de rejeição, revelando uma crescente insatisfação íntima que se expressa através da violência explicita e incompreensível ao primeiro olhar da instantaneidade social em que nos …

POR QUÊ?

Assim como meus pais, acredito que a melhor herança que os pais podem deixar para os seus filhos, seja a educação doméstica e formal.
Todavia, esta premissa é falsa se analisarmos as possibilidades reais que os pais possuem se moram em países como o Brasil, onde as políticas públicas mais expressivas e extensivas aos excluídos, remontam de uns 20 anos para cá.
Portanto, concluo que os brasileiros terão de esperar um bom tempo para que, de alguma forma, esta herança se expresse mais efetivamente, pois a maioria que também neste período se tornou pai, sequer tem noção da importância educacional, já que é desprovido tanto de uma como da outra.
Creio assim que todo aquele que teve a ventura de poder crescer numa família minimamente estruturada e que recebeu o privilégio de uma boa educação formal, antes de ser um crítico contumaz, se esforçasse quanto a valorização do entendimento daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades.
Que olhem para seus umbigos e deles tirem subsídios para de for…

SAL DA TERRA

E aí, sozinha com os meus pensamentos que são também, meus constantes questionadores de condutas, pergunto mais uma vez que humanidade é esta que esfola, magoa, mata sem qualquer parcimônia toda e qualquer vida, sem mesmo reconhecer a própria? Assisti ao filme “SAL DA TERRA” que narra a vida esplêndida de Sebastião Salgado, mineiro de Aimorés, que encontrou na França a segurança e o apoio para desenvolver seu talento maior de fotógrafo social e humano nos idos anos 70 e que, de lá até os dias atuais, brinda o mundo com seríssimos registros para estudos e consequente análise do quanto, independentemente de cor, etnia, cultura ou condição econômica, o ser humano pode se tornar bárbaro, cruel e impiedoso, na busca incessante do dinheiro e do poder. Penso então nos horrores do “Holocausto” que nada mais foi que mais um horror perante aos Céus, pois antes, durante e depois dele, muitos holocaustos houveram e ainda acontecem, sob a consciência cega e muda do mundo, explorada pelas falácias d…

O GALO SE CALOU

São duas horas da manhã, penso que já dormi o quanto bastava, se bem que acordei com o galo de um vizinho bem próximo que esgoelado, antecipa o amanhecer. Como geralmente acontece, minha mente está a mil, ficando até difícil selecionar um assunto para escrever, afinal, eu ou você, se pararmos para analisar o nosso dia de ontem, que consideramos quase igual aos demais já vividos com raras exceções, chegaremos à conclusão de que por tão somente banalizarmos o nosso cotidiano, deixamos passar fatos importantíssimos que poderiam nos servir no mínimo como aprendizado do que devemos ou não copiar ou reverberar. Esquecemos que o que ouvimos, lemos e assistimos, através das muitas e variadas mídias, nada mais são que mecanismos aliciadores, responsáveis diretos pela maioria de nossas atitudes, ganhando bonito de qualquer ensinamento doméstico ou formal, já que é contínuo, tendo como propagadores, cada pessoa com a qual interagimos ao longo de cada dia. A isto chamamos de convivência, daí dizerm…

É ISSO AÍ...

Acordo pela madrugada depois de uma repousante dormida, mas como o mundo ainda dorme, escrevo, numa compulsão incontrolável, como se o universo repleto de energias, de alguma forma, dependesse de mim. Os neurônios se agitam na busca da seleção das muitas ideias que vão e vem numa rapidez assustadora em apenas, alguns segundos, no qual, permaneço quieta diante do computador. Às vezes, como agora, desisto de todas, não por vontade própria, mas por uma espécie de negação automática, selecionadora natural que por algum motivo biológico, emocional ou ambos, existe em mim. Então, respiro fundo, penso em desistir e, até mesmo, chego a levantar-me, buscando outra forma de passar o tempo, enquanto o mundo não acorda, mas aí, volto também num impulso cardíaco e pulmonar, pois as batidas de meu coração disparam e meus pulmões se fecham, muitas vezes exigindo a intervenção da sempre parceira “bombinha da asma”, para um imediato socorro. Tudo muito louco de ser entendido, mesmo por alguém como eu, que…

SACO CHEIO

Coxinha, mulher de barão, intelectual, madame. Na infância, branca azeda, filha de papai rico e tudo isto para me rotularem de pertencer a uma elite FDP e eu, é que sou preconceituosa? Rótulos... Com certeza se tivesse saco, ele já teria se rompido de tanto peso por ter que carregar os hipócritas, os reacionários e extremistas, socialistas/comunistas de merda que ficam no aconchego das sombras das fortunas elitizadas, mamando e discursando suas verborreias fantasiosas a respeito de um mundo e de uma convivência sistêmica que jamais existiu, bastando tão somente, buscar-se a história da humanidade, pois esta, desde o seu início, trouxe no seu DNA, os genes da arrogância, da vaidade e do mau caretíssimo, reforçando assim, com suas leviandades ou devaneios, as mágoas daqueles que por alguma razão, não conseguiram escapulir da pobreza ou da miséria, presentes em qualquer sociedade, pois como nas savanas, o animal mais forte ou o mais astuto, entra nas batalhas da sobrevivência, bem mais cap…

RECADINHO

Olá,
meu querido pai, você partiu pertinho do Natal de 2000 e de lá para cá, ainda não consegui chorar de tristeza como é inerente às emoções da criatura humana. Nesses quase 13 anos sem a sua presença, após inúmeras reflexões a respeito desta ausência de explicitude da saudade, chego à conclusão sorrindo que afinal, somente o riso, a alegria são capazes de permear as lembranças de todos os instantes que nortearam a nossa convivência, sem máculas por longos e agradáveis cinquenta e um anos.
Também durante todos esses anos de profunda amizade, insistias em não me deixar esquecer que amar e se dedicar, só tem sentido se o outro estiver vivo para receber e, que para os que já se foram apenas deveríamos não deixar morrer suas lembranças.
Pois bem... De você meu querido pai, abasteço-me das lembranças gratificantes de um homem presente, amoroso, responsável e que jamais, deixou de apreciar cada instante de sua preciosa vida, deixando esta sua filha abastecida de sua poderosa, alegria de viver…

SOU DO TEMPO

Ai, que saudades que eu tenho de minha época de infância e juventude, onde andar sem medo pelas calçadas, praças e praias, fazia de mim, um alguém livre. Os crimes se tornavam históricos, tão somente, longínquas referências a uma precaução necessária, afim de evitar-se o perigo, remoto risco, muito mais real na mente de nossos pais, zelosos. Sou do tempo das favelas que não ofereciam qualquer risco, dos raros ladrões de varais, das polícias amigáveis e de vizinhos solidários. Sou do tempo dos poucos doutores, senhores que dominavam o corpo humano e que além de tudo se mostravam humanos. Sou do tempo dos preconceitos, onde negros, gays e brancos, não se ofendiam ou se matavam tanto. Sou do tempo da virgindade, da poesia e do romantismo. Sou do tempo da cubra libre, do vermute e da Coca-Cola. Sou do tempo do respeito, da família e da escola. Ai que saudades que eu tenho da hipocrisia de outrora.
Afinal, feria menos, mazelava menos e matava infinitamente, menos.
A arrogância é sempre um acolhedor esconderijo do preconceito e se adicionar a ela Deus, tudo fica com aparência de justiça ao bem comum.

O QUE REALMENTE IMPORTA

Almocei e como faço todos os dias, deitei-me sobre o sofá e fiquei olhando pelos vidros das duas janelas e da porta o sol ameno que decidiu, desde os últimos três dias, ocupar o seu lugar de direito, trazendo de volta a nós, moradores deste pequeno paraíso, a alegria de senti-lo, após meses de muita chuva e de surpreendente frio. Desvio o olhar e percebo que o sol se reflete na madeira branca do forro do telhado da sala, oferecendo a minha mente uma espécie de liberdade, através dos desenhos livres de cada raio solar, levando-me a pensar o quanto gosto de viver, conviver e a cada dia me surpreender. Hoje é sexta-feira e confesso que me sinto muito cansada, afinal, a cada década venho percebendo que preciso fazer mais esforço para aguentar o tranco físico e principalmente emocional para executar as minhas lidas diárias de profissional. Às vezes chego a ouvir a parte racional de minha mente pedindo socorro, mas aí, vem a outra parte que é a emocional, toda faceira com suas argumentações d…