terça-feira, 26 de abril de 2011

APENAS SÓ

Sozinha neste brejo de mundo, constato que nada sei, percebo que nada quero, sinto que tudo posso.

Olho pela janela e nada vejo que me empolgue.

Não tenho cá minha varanda, meu verde, meus cachorros.

Não sinto as flores e tão pouco, os tantos frutos.

Não ouço o mar, nem a vitrola do vizinho.

Mas posso ver o céu, meu consolo, meu abrigo.

E dentre o pouco aparente que me sobra,

Existe a vida que teimosa me inspira,

A seguir em frente, rumo ao infinito que me aguarda.

Impassível, mas ainda assim solidário,

Nesta jornada de vida e liberdade.

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quinta-feira, 14 de abril de 2011

Continuação - HAVIA TEMPO II

Como podem observar, continuo neófita em se tratando de computadores, internet e gramática, mesmo sendo tão curiosa, bisbilhoteira e pensante contumaz. Agora, por exemplo, publiquei sem querer um texto que não havia terminado e sequer corrigido e tudo que me reta é desejar que me perdoem por tamanha incapacidade, pois apesar de me considerar uma pensante, jamais consegui assimilar algo com o qual sinto não ter qualquer afinidade. E nessa história eterna de computar os meus foras, micos, ou sei lá o nome que hoje tenha, são bem conhecidos de meus amigos e seguidores, até porque sem eles eu verdadeiramente, não seria eu. Penso então, que talvez esta seja a minha marca registrada que é justo, não ter medo de ser feliz, jamais deixando de fazer ou dizer algo, por medo, vergonha ou porque não sou exatamente como esperam que eu seja. E pensando nisto, por que eu deveria ser assim ou assado? Como posso sofrer por ainda encontrar tempo para escrever um punhado de coisas, aparentemente tolas, mas que me cobrem de alegria, estejam elas dentro dos moldes ou não? Pois é... enquanto ao fundo escuto o som baixinho de uma linda canção, penso em tudo que escrevi, sem raciocinar sobre absolutamente, nada, mas e daí...Por que deveria se já são mais de 23 horas e estou raciocinando, pensando por um dia inteirinho, sem contar que não faltaram algumas amolações, contra tempos e etc, tal qual qualquer outro mortal ? Todavia ainda assim, produzo tempo, para agrupar minhas letrinhas neste exercício cotidiano de não permitir que o tempo me engula, sufoque ou anestesie. E nesta produção quase genética de pensamentos que extraio e computo como reserva de tempo e que me recuso dispensar, penso na minha saudosa Guapimirim, fonte de eterna inspiração, margens benditas que me permitiram até neste momento presente, abraçar a vida pensando carinhosamente, que ela me pertence e que nela tudo posso, tudo quero e em tudo que me atrai, penso. E se penso, então existo. Que maravilha! Plagio... mas e daí ? Afinal, não copiamos tudo e todos por todo o tempo?

HAVIA TEMPO II

Pois é... na solidão deste meu quarto de república, buscando superar o vazio das coisas e das pessoas com as quais me habituei a conviver, faço o que mais gosto, penso. E nesse pensar contumaz percebo que as vezes incomoda a alguns, porque pensar leva aos questionamentos e estes, a busca constante de entendimentos, que nem sempre os demais, estão disposto a oferecer. Penso então que deva ser uma deformação genética que trago comigo como uma doença que se não condena a morte precoce, faz branquear mais cedos as madeichas, minhas e alheias, assim como faz borbulhar constante ansiedade por tudo querer entender, sem deixar escapar absolutamente nada em uma constante sede de mais e mais absorver.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

TOLERÂNCIA GENEROSA

Ontem, fui dormir muito tarde e enquanto rolava na cama, buscando o bendito sono que o meu vizinho insistia em afastar com o seu som alto, pensei no quanto pode ser difícil uma convivência.

No quanto se torna necessário buscar-se o equilíbrio interior, a razão consciente e o amor que a tolerância generosa faz crescer dentro de cada um de nós.

Alguns dirão:

- O que o amor tem a haver com a tolerância generosa?

Creio que tudo, afinal, quando desenvolvemos a tolerância, automaticamente estamos fazendo um exercício duplo de amor, primeiro a nós mesmos, e depois ao foco a ser tolerado, lançando, sobre ele, toda a nossa capacidade respeitosamente compreensiva, frente ao entendimento de que no mínimo estamos diante de um ser ignorante, incapaz de perceber a extensão de sua total inadequação.

Continuarão a dizer:

- Não seja ingênua, as pessoas sabem quando estão invadindo o direito alheio.

Concordo, entretanto, se ainda assim o fazem é porque não conseguem mensurar suas próprias inadequações em relação a si mesmas e, como idiotas existenciais, expõem-se muitas vezes por nada, correndo riscos desnecessários, já que no seu cotidiano, certamente, devem existir outros tão ignorantes quanto ele.

E aí, bem... tudo pode acontecer.

Não é mesmo?

Pois é, fiz o meu exercício de amor generoso ontem e, agora, aqui bem quietinha, pois a peça rara parece que ainda dorme, penso que talvez, em um rasgo de sorte, ele decida ler um livro, beijar na boca, ir a um barzinho, quem sabe sair com um novo bofe, se é que tem alguém que queira este traste e, quem sabe, me deixe dormir mais cedo nesta noite de quarta-feira.

Penso, ainda, que se nada disto acontecer e eu tiver que novamente rolar na cama, que pelo menos ele não me faça ouvir os tais arrochas da vida que ele parece adorar.

Que se inspire em algo melhor para exercitar sua ignorância sistêmica, seu apagão mental, sua abestalhação intelectual, porque afinal, generosa eu sou, mas meu ouvido não é pinico para ser depósito da merda alheia.

Que coisa, heim!

E eu ainda escrevo que viver é fácil!

Vai nessa, vai...

terça-feira, 12 de abril de 2011

HAVIA TEMPO


Havia tempo, não resta qualquer dúvida. A vida parecia mais lenta, mais próxima de cada pessoa e, portanto, era de certa forma mais visível, nem que fosse um tantinho mais, digamos, íntimo.

Na realidade, eu me sentia mais familiarizada com o que eu via ou sentia ou talvez, haja enganos de minha parte e tão somente por ser muito jovem, apenas absorvia dentro de um parâmetro mais poético e bem mais romântico do que a realidade se apresentava.

Não tenho condições de definir, neste instante, o tempo que havia em contraponto com o tempo que parece sempre faltar.

Tudo que sei é que as coisas boas, gostosas de serem vividas, simplesmente em sua maioria, foram ou estão sendo sistematicamente cortadas do cotidiano em nome da pressa, da falta de tempo ou apenas por pura banalidade de não fazerem mais sentido nos tempos modernos.

Olho nos olhos das pessoas, não importando aonde e as sinto tão solitárias...

E aí, lembro de minha Ipanema colorida, de prédios elegantes convivendo harmoniosamente com a favela Praia do Pinto, do Clube Caiçaras, da AABB, do Monte Líbano, lugares de convivência após as aulas.

Recordo do Cine Pax, da Igreja e Praça Nossa Senhora da Paz, da Lagoa Rodrigues de Freitas, do Posto Onze, aonde por 18 anos bronzeei minha pele e aprendi a amar o mar.

O tempo parecia se estender, pois dava tempo para fazer de tudo um pouco.

Dava até tempo para escrever poesias, compor músicas, pintar quadros, escolher, enfim, ser artista.

Dava tempo de ir à escola, freqüentar festinhas, fugir da policia nas passeatas e se tornar subversivo.

Dava tempo de amar no escurinho, escolher assistir um filme no Drive-in, tomar um sorvete no Morais, pedalar pela Rua Barão da Torre e escutar na vitrola um novo som chamado Bossa Nova. Atividades dos anos 60, onde o tempo parecia maior ou talvez fosse a vontade de muito viver que fazia daquela geração, uma exaltação à paixão.

Havia tempo para ler Carlos Drumond, Vinicius de Morais, RilKe e tantos mais que me ensinaram a gostar da formação que sempre é possível se dar às letrinhas para com elas expressar sentimentos.

Havia tempo para andar de ônibus, tirar onda com o carro alheio, ir aos bailes do Hotel Glória e assistir a querida Mangueira com seu verde e rosa brilhantes, desfilar na avenida.

Havia tempo para não fazer absolutamente nada ou quando muito olhar à toda volta, absorta com toda aquela maravilha que significava vida.

Havia tempo, para se dar o bom dia e boa tarde, e ambos se encontravam com o boa noite, fazendo assim amigos.

Havia tempo para se dar sorrisos que abriam portas e escancaravam corações, assim como nutria a alma, trazendo felicidade, produzindo silenciosamente lembranças, que resgato agora.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

RECORDANDO ATÉ O SABUGO

Fiquei pensando sobre o texto que escrevi na edição passada, na busca de um maior entendimento até mesmo de minhas afirmações em relação às possíveis críticas quanto ao fato de eu estar ou não qualificada para achar isto ou aquilo, cujas situações jamais foram por mim vividas diretamente.

Se fosse assim, somente poder-se-ia ponderar, questionar e até julgar-se algo, baseado nas próprias vivências.

Entretanto, concordo que em algumas situações é preciso que se dê um desconto avaliativo, afinal são tantas as implicações e complexidades que seria, no mínimo, leviano desconsiderar-se os agravantes de quem os vivencia in loco.
Uma mãe acaba de perder um filho e as pessoas dizem:
- Eu sei como você está se sentindo.
Como? Por acaso, já perdeu um filho?
Ou:
- Posso sentir a dor da discriminação dos Gays, Negros, etc.
Ou:
- A fome é dolorosa, sei o quanto você sofre.
Todavia, existem milhares de outras situações em que embasados não só em estudos, observações e até vivência, as pessoas podem fazer avaliações bem próximas da realidade do outro, onde o bom senso, a lógica, as leis, a educação, a cultura e tantos outros fatores são os indicativos básicos e, portanto, norteadores à avaliações.
Volto ao passado, precisamente aos anos sessenta, em que vivenciei a minha adolescência e penso no quanto o mundo evoluiu nestes quase cinquenta anos, assim como também foi destruído e no quanto a população mundial se multiplicou .
Penso nos valores que foram soterrados, preconceitos combatidos, mas penso, principalmente olhando atentamente para trás, no quanto se sofria por infringirem-se detalhes comportamentais que tempos depois deixaram de ter qualquer significação, e pensando nisto, posso crer que o mesmo por consequência ocorrerá daqui a alguns anos, cada vez mais rápido, mas ainda assim não poupando sofrimentos.
O planeta vém a cada dia morrendo, já não tão lentamente, e nós, estas incríveis criaturas, continuamos com os mesmos hábitos e a mesma cabeça dura, estejamos nós seja lá em que local da pirâmide social, arrogantemente nos fazendo de entendidos, mas dando de ombros ao azar do futuro que, lógico, não será nosso e, provavelmente, nem de nossos filhos e netos, se a terra secar.
Claro que podemos avaliar, embasados nos estudos e no que somos capazes de observar no que já esta acontecendo, afinal,por todo o tempo, pipocam desastres da natureza que dizem ser naturais, e o são, na medida em que ela apenas reage às ações a ela infringidas.
Achamos que podemos avaliar os sentimentos seja lá de quem for, mas e daí se continuamos exatamente agindo como se fossemos cegos, surdos e mudos, crendo que somos os tais, mas absolutamente inconsequentes em nossas matanças indiscriminadas de vidas que propiciam vidas em um ciclo naturalmente ininterrupto que insistimos em interromper.
E, ai, como não poderia deixar passar batido, penso no sistema educacional que, por tantas décadas, tem sido alvo de minhas constantes observações, nem sempre elogiosas, justo porque me sinto na obrigação de ressaltar que, no meu tempo de estudante de escola pública, inegavelmente o sistema de ensino, assim como a dedicação dos professores, eram absolutamente irrepreensíveis, e a prova disso era a excelência com o qual o ensino público era alvo de elogios e qualificações, o único senão eram que poucos tinham acesso a ele, tal qual às escolas dos ricos.
Ainda me lembro que, no Rio de Janeiro, com exceção de alguns colégios particulares, cujo acesso era restrito às famílias abastadas e que, realmente, possuíam em suas unidades a nata docente da época, nada, contudo, ficavam as escolas públicas devendo a estas instituições, excetuando-se tão somente os prédios majestosos, nos chiques uniformes, nas aulas alternativas e, é claro, roíamos as unhas de inveja dos enormes ônibus escolares que transportavam os alunos, que na época me parecia serem seres especiais, enquanto nós, consolavamo-nos com o velho lotação que sacolejava todo ou com o mais velho ainda bonde.
Em contra partida, éramos os bons, pois competíamos com igualdade de conhecimentos, nas disputas mais acirradas do Colégio Pedro II, do Aplicação e do Instituto de Educação, se bem que, particularmente, não entrei em nenhum; confesso que já naquela época eu vivia no mundo da lua, sonhando com o príncipe encantado e já querendo entender porque as pessoas complicavam tanto as suas vidas, uma vez que eu achava que viver era simples, um verdadeiro papo firme, como dizia o Roberto Carlos.
E olha que eu jamais fumei maconha, pratiquei sexo livre ou fui criada em comunidades alternativas.
Falei de um punhado de coisas aparentemente sem ligações diretas, tudo porque, em dado momento, pensei na tal da virgindade que, nos anos sessenta, ainda era um tabu e que hoje é assunto sem importância, como uma infinidade de outros que fizeram muita gente chorar, matar e morrer.
Penso, então, que ter estado no mundo da lua até que foi legal, afinal, encontrei o príncipe que se não foi encantado, pelo menos não virou sapo.
Permaneci com a ideia fixa de que ser feliz é sempre mais fácil e faz bem à saúde e quanto a complicação que naquela época eu enxergava nas posturas das pessoas, até eu, me vi fazendo o mesmo em certas ocasiões, principalmente por ter tentado ser como aquelas meninas dos colégios especiais.
Fora isso, que fez de mim por um pequeno período uma abestalhada, todo o restante tem sido um verdadeiro barato.
Sugo os meus instantes presentes de vida com imenso prazer, tal qual sempre faço quando acabo de comer uma espiga de milho cozida e que, sem cerimônias, chupo o caldinho salgado que fica no sabugo.
Voce já fez isso também?
Se não fez, faça, pois é muito bom...

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domingo, 10 de abril de 2011

O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem como parte integrante de um todo muito maior que apenas existir fazendo coisas.

E nesta simbiose anulante, vão-se seguindo a instantes de desperdício e, pior, de brutalização, que então se expressa cada vez mais acentuadamente em um individualismo ignorante, cruel que emburrece as emoções, tornando-as banais, assim como colocando-as tão somente como alegorias oportunistas em benefício próprio, em todos os momentos cuja necessidade se apresente, matando, desta forma, instante a instante, toda e qualquer oportunidade de uma humanização expontânea.

Dizemos que somos isto ou aquilo em relação à generosidade, compaixão, respeito, ética, cidadania, amizade, amor e por ai vai, em uma lista infinita de potencialidades.

Contudo, deixamos de sê-los tão imediatamente quanto se nossos interesses pessoais se sentirem ameaçados e, o pior, por qualquer coisinha menor, insignificante a um contexto tão grande quanto ao de sermos humanos em pensamentos e ações.

Pior, somos omissos, covardes e submissos aos conceitos subversivos que a desumanidade impõe.

Depois do caso passado, choramos, lamentamos, nos solidarizamos, acreditando piamente que estamos sentindo qualquer emoção de fraternidade.

Que nada! Tão somente representamos mais um papelzinho já determinado, conhecido e decorado, para recitarmos bonito no palco que se nos apresenta.

E nesta representação pobre de humanidade e rica de camuflagens, vamos levando a vida, sem, no entanto, vivê-la. Vamos seguindo em frente sem, contudo, sabermos para onde que não seja o apenas material pelo qual matamos e morremos na maioria das vezes em nome de Deus, pela vontade de Deus ou pela falta de um Deus.

Que coisa, heim!...

Registro -

Fui deixada por um "Santo Pastor Evangélico" - motorista de van - literalmene na rua, às 24 horas, em Sto. Antônio de Jesus, sob um temporal, porque o prezado cordeiro de Deus não queria atrasar a sua chegada em casa. E todos os demais passageiros, supostos colegas de Universidade, calaram-se na omissão da concordância, camuflando-se na "humanidade" do santo homem, porque provavelmente eles também assim pensavam:

- Que se dane esta mulher! Eu é que não vou me atrasar!

A mim só restou lamentar mais esta triste constatação de que os cordeiros que se dizem de Deus, podem ser tão somente ratos famintos de esgoto, que a céu aberto, deixa feder as vísceras de uma humanidade inexistente.

E o senhor humanitário, cordeiro chefe de um Deus imaginário, ainda me chamava o tempo todo de abençoada.

Pensei:

- Vá então pros quintos dos infernos, seu pastorzinho de m... abençoada (único consolo que me restou).

PS - Nada contra os bons samaritanos nem contra a opção religiosa de quem quer que seja.

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terça-feira, 5 de abril de 2011

DESANIMADOR

Em todas as vezes que assisto à aula de antropologia filosófica e etc e tal,deprimo-me ao constatar que alguns professores se fecham nos conceitos acadêmicos, não abrindo espaço para, pelo menos reconhecer que existem, se não grandes pensadores como Sócrates, Platão e tantos mais, outros humanos que dedicam suas vidas a encontrarem respostas para aspectos já pensados, mas que evoluíram tal qual a humanidade em seus sistemas sociais.

Percebo uma arrogância limitadora que me assusta. Um preconceito sem noção de existir, ainda mais dentro de um centro que se propõe a formar professores que a Priore, darão aulas para adolescentes e que, portanto, devem desenvolver suas habilidades educadoras no sentido de estimular os mesmos a buscar o criativo prazer de pensar, para saírem ou não entrarem nas mesmices sistêmicas, onde Kant, certamente pouco fará sentido em suas mentes se a ele não for adicionado o gosto da observação contestadora frente a um novo foco que possam vir a se defrontar.

Estimular o livre pensar, leva as pessoas a se interessar pela leitura e consequente escrita, fortalecendo a mente em seus raciocínios que aí sim existirão, permitindo que esta, deixe fluir toda a sua capacidade de inovar, o que vê , ouve ou sente.

Conversando com colegas de curso na hora do RECREIO, ficamos unânimes em nossas decepções, lamentando profundamente que ainda exista a cegueira existencial em um meio que naturalmente deveria existir, uma luz nas trevas.

Viva, portanto, Professores Darci Ribeiro, Ernesto Carneiro Ribeiro, Paulo Freire e uma infinidade de pensadores contemporâneos que transformaram a filosofia em uma ciência prática, direta e eficaz em benefício dos seres humanos no esforço que só os dedicados e apaixonados são capazes, desejosos em criar gerações mais centradas na responsabilidade em ser seres estimulados à cuidar de si e do tudo do todo, no qual se encontram inseridos.

Seus saberes , buscaram e muitos ainda buscam e certamente outros virão buscar a essência de cada coisa com a qual a criança e o adolescente precisam lidar, justo para se estruturarem, garantindo assim um desabrochar de adulto ético, com a vida que, aí sim, será capaz de reconhecer, entendendo, e acima de tudo, compreendendo sua infinita grandeza.

Se isto é um sofisma, viva então os maravilhosos sofistas que com suas falas , escritas e pensamentos, traduziram, reescreveram e finalmente criaram, saberes que se tivessem sido respeitados em uma democracia de verdade, se a tivéssemos, com certeza, a falência, a evasão e o baixo nível educacional, provavelmente estariam bem menor, assim como todos as mazelas que, galopantemente invadem tudo que nos envolve.

Todavia, ao invés disto, são alguns citados sem qualquer maior envolvimento, cedendo lugar, tão somente aos pré-concebidos que cá pra nós, não fazem e jamais farão sentido em sua totalidade em mentes ainda em formação, com o agravante da ainda fome, fraqueza física e da ignorância de letramento na qual, cada vez mais estão inseridos. Bom seria, que os senhores mestrados e doutorados, saíssem de seus postulados seguros e visitassem com suas devoções de estudiosos da filosofia e o coração de benevolentes, as escolas públicas de nosso país, principalmente as das cidades pobres do norte e nordeste, para então poderem in loco constatarem o absurdo de uma formação totalmente utópica, inútil e abestalhada que serve tão somente para alimentar a vaidade daqueles que não conseguem pensar objetivamente no bem comum.

Para um bacharelado, tudo bem, creio ser o caminho ideal, mas para a formação de futuros professores brasileiros, me poupem...

Mas quem sou eu, não é mesmo?

Ainda mais, frente a Sócrates, Platão, Kant e fugindo um pouco e estendendo a outro contesto; Moisés e a tábua dos 10 mandamentos...

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