domingo, 30 de outubro de 2016

COTIDIANO

Quando se chega na minha idade, naturalmente, muitos carnavais já foram apreciados e talvez por esta razão, não me surpreendo em demasia com as plumas e os paetês que adornam as fantasias deste nosso cotidiano que se esforça imensamente em ser surpreendente, mas que na realidade, tem apenas se aprimorado, tanto nos quesitos bons, quanto nos ruins, numa sucessão contínua de risos de alegrias e gritos de dores que se confundem, formando os sons das cidades, dos bairros, das ruas e infelizmente, também de nossas casas. É o ladrão que adentrou, o marido que bebeu, a filha que fugiu, o vizinho que brigou, o político que roubou, a empregada que faltou, a torneira que secou, a pia que entupiu, mas felizmente, o natal chegou. E tudo vira festa, pois em seguida vem o réveillon, depois o carnaval e como consolo espiritual, chegamos a semana santa, mais adiante as festas juninas e por aí vamos seguindo as estações, amparados nas tradições, mas verdadeiramente, vivendo de ilusões...

sábado, 29 de outubro de 2016

PAUSA CRIATIVA

É bem assim que me sinto... Olho para a tela em branco diante de mim e o tempo vai passando e absolutamente nada surge em minha mente, aliás, percebo que até a mente está em branco, numa espécie de preguiça, onde tudo entra e nada sai e também não diz para onde vai, crendo eu, que deve se espalhar pelas retinas de meu interior de mulher apaixonada que suga cada gotícula de vida, sem se importar muito bem para onde vai, desde que seja, tão somente para me fazer feliz. Fecho os olhos, suspiro profundamente e me sinto em paz. Para você que me lê neste sábado ensolarado, desejo que encontre no decorrer do dia, sua própria pausa e com ela, encontre instantes benditos de paz.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

COMO É DIFÍCIL...

Há cinquenta anos atrás quando comecei a escrever, sentadinha em minha escrivaninha em meu quarto de filha única, pouco mais que uma criança, percebi que gostava de escrever sobre gente e suas especificidades, assim como muito atenta, tudo ia registrando em meus caderninhos, hábito que trago até os dias atuais, jamais me atendo ao comum e corriqueiro, mas a tudo quanto eu percebia e que se camuflava em sorrisos, risinhos e palavras fáceis. Tudo muito intuitivo. O tempo foi passando, mas os meus hábitos permaneceram, apenas, devida as labutas naturais da vida, fui adaptando meus escritos ao qualquer hora e lugar, já que por inerência de meu próprio trabalho, não me era possível fazer escolhas e com isto, ampliei a minha capacidade adaptativa e aproveitei para também ampliar meu raio de visão, o que me impulsionou a também buscar nos grandes pensadores da raça humana, uma maior compreensão em relação a todo e qualquer contraditório, extraindo dele sempre, ricos aprendizados em relação a incapacidade de nós humanos em não sermos isentos da paixão que imprimimos às nossas escolhas. E é esta paixão que nos leva aos desentendimentos interpessoais de vários níveis, inclusive passionais ao ponto da destruição do outro, justo porque, não nos preparamos nem para a conquista de nossos ideais e tão pouco pelo fracasso dos mesmos. E aí, com a paixão mesclada quase sempre com a ambição de inúmeras naturezas, levantamos nossas bandeiras, vestimos nossas armaduras de papelão e saímos como desvairados mundo a fora em defesa primária do que acreditamos ser a verdade, nossa, não resta a menor dúvida, mas o que importa a verdade do outro? Bela caminhada, não resta a menor dúvida. Grandes aprendizados que tento repassar aos demais. Todavia, o que mais aprendi foi sobre as mentes humanas, fontes inesgotáveis de singularidades que como atenta sempre estou, certamente me capacita, não como mais uma letrada desta vida, mas como provavelmente, uma pessoa sensível que buscou por toda a vida entender e vivenciar a ética, não dos outros em seus mares de interesses próprios, mas para os outros na certeza de todo o meu respeito aos seus pensares. Por isto, não brigo, não discrimino, apenas leio, ouço ou assisto, pondero, analiso, busco referências e depois, se me convenço ou renego, reservo para quem se interessar, minhas próprias argumentações, baseadas em fatos concretos e comprováveis, deixando as falácias e argumentações limitadas aos preguiçosos que não se dão ao trabalho de olhar a coisa ou as coisas, nas suas diversas dimensões. Exercer a ética, reconheço não é para qualquer um, pois dá trabalho e geralmente, menos dinheiro ainda. Coisas da vida!!!!

Bolo de maçã (de liquidificador)

Quem diria que um bolo tão prático preparado no liquidificador, resultaria num bolo fofinho que desmancha na boca?! Essa receita é imperdível! É uma ótima sugestão quando recebemos uma visita de última hora e queremos preparar algo rápido e muito gostoso. Espero que gostem! Um beijo! INGREDIENTES: 3 maçãs grandes 3/4 xícara (chá) de óleo 3 ovos 2 xícaras (chá) + 3 colheres (sopa) de farinha de trigo 2 xícaras (chá) de açúcar 2 colheres (chá) de fermento em pó suco de 1 limão 1 colher (chá) de açúcar açúcar de confeiteiro para finalizar Bolo de maçã (de liquidificador) MODO DE PREPARO: 1- Comece cortando 1 maçã em pedaços (com casca) e coloque no liquidificador. 2- Na sequência descasque as outras duas maçãs. Coloque as cascas no liquidificador e a polpa corte em cubinhos, coloque em uma tigela e regue com suco de limão e 1 colher de açúcar. Reserve. 3- Voltando ao liquidificador, acrescente à mistura os ovos, o açúcar, o óleo e bata bem. 4- Em outra tigela peneire a farinha e o fermento. Despeje a mistura do liquidificador e misture bem. Acrescente os cubinhos de maçãs e misture novamente. 5- Despeje a massa em uma forma untada e polvilhada com farinha. 6- Leve ao forno pré aquecido a 180° por aproximadamente 35- 40 minutos. 7- Espere esfriar alguns instantes. Desenforme e salpique açúcar de confeiteiro. Bom apetite!

domingo, 23 de outubro de 2016

NUNCA FOI TÃO PROPÍCIO

Não existe nada tão sábio quanto os ditados populares, afinal, são frutos das experiências empíricas que, de fato, contam as vivências culturais do cotidiano sem que haja barreiras fronteiriças, continentes interligados, raças ou qualquer diferenciação, já que as criaturas humanas, ou não, preservam seus hábitos e costumes, assim como as suas complexidades onde quer que estejam e, de uma forma ou de outra, se parecem ou se copiam. “Gato escaldado, tem medo de água fria” No nosso cotidiano tupiniquim é possível vivenciarmos alguns deles, sem no entanto, nos atermos as suas absurdas verdades que impiedosamente nos cortam como lâminas afiadas, transformando-nos em tão somente, espertinhos sem causas definidas, frente aos nossos continuados lamentos a respeito disto ou daquilo. “O pior cego é aquele que não quer ver” “ Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” “ Ignorância é o pior de todos os males” “De boas intenções o inferno está cheio” E por aí vai... No entanto, tem um ditado que sempre me incomodou e creio que a maioria das pessoas que é: “Manda quem pode e obedece quem tem juízo” Esse é um velho ditado que foi abraçado pelo povo brasileiro desde os tempos coloniais, quando mais de cinco milhões de indígenas foram dizimados pelos portugueses, numa manifestação de força e poder, crueldade e ignorância, deixando-nos uma herança de subjugação que perdura até o momento atual, com raras ressalvas nos últimos cinquenta anos, mas que ainda se pode constatar através da reação do povo nas últimas eleições, onde a raiva, o despeito, a amargura e o desencanto, fizeram com que a insurreição proletária se fizesse ouvir e enxergar através da vitória em quase todo território nacional, não do conhecimento, não da conclusão lógica, mas do poder emocional que é mais perigoso que veneno de jararaca, sucuri ou coisa que o valha, afinal, pode ser mortal para quem foi vitorioso. Tal conclusão não é primazia dos atuais eleitos, mas apenas, uma cópia colorida mas sem tanto brilho de impressão, quanto foi em 2002, que o iletrado, representante dos pobres e oprimidos, populista carismático, senhor da salvação que arrastou multidões que em festa continuada, gabou-se dos brancos exploradores e dos ricos FDP e fez com que acreditassem que político e poder, abraçam o povo fazendo seguir a tradição do velho ditado em que o líder manda e o povo obedece... Incrível a nossa capacidade em esquecer o ontem e desconsiderar o cerne de cada questão... “ Como o seguro morreu de velho” “ E de boas intenções o inferno está cheio” Sigo a minha intuição de ficar esperta, pois: “Em terra de cego quem tem um olho é Rei.”

terça-feira, 18 de outubro de 2016

O CORPO DÓI...

Não há nada mais precioso que a vida plena e, no entanto, relutamos em abandonar as nossas inúmeras crenças e, por elas, sofremos e sofremos. Penso que não há dignidade no sofrimento, daí a necessidade de se buscar o entendimento da mudança de rumo de nossas passadas vivenciais. Isto não significa abandono ou desistência, ao contrário, trata-se de fidelidade aos propósitos maiores que conduzem e garantem a nossa reverência à vida, nosso maior patrimônio, afinal, por que desperdiçar toda esta riqueza que é insubstituível? Egoísmo declarado? Provavelmente aos olhos daquele que ainda não compreendeu a importância de sua própria vida no contexto da vida e, por não compreender sofre e distribui seus sofrimentos aos demais, através de suas posturas físicas e emocionais, promovendo um contínuo retrocesso em tudo que toca, mesmo quando sorri. E aí... O corpo dói, a alma dói e o universo chora.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

OLHANDO PARA TRÁS...

Jamais me foi dito que as decisões na minha caminhada vivencial seriam fáceis ou difíceis. Na juventude, fui percebendo que a maioria das minhas opções eram muito doloridas, afinal, as descartadas deixavam-me o gosto duvidoso da perda por se apresentarem imprescindíveis. Na medida em que fui amadurecendo, creio que de forma intuitiva, passei a buscar no passado opções descartadas e, para a minha surpresa, sempre existiu uma imensa dificuldade em lembrar-me delas. E então, aos poucos, fui me conscientizando do absurdo da perda de tempo e energias vitais à minha saúde e alegria de viver, achando que sem isto ou aquilo, este ou esta, tudo deixaria de existir ou que eu não poderia viver sem. Que coisa, hein!!!! Passei então a olhar o passado e minhas opções com todo o meu carinho, pensando que o descartado teve o seu tempo certo em minha vida e o que retive verdadeiramente me pertencia, até mesmo, quando me fez sofrer, num aprendizado contínuo, afinal, nada é para sempre, tudo tem um tempo determinado na conjuntura de minhas opções. Cada nó que se desfez, liberou espaço para uma maior liberdade evolutiva, melhorando o meu estágio existencial. Fazer opções não é fácil, mas pode ser terrivelmente difícil, se não for compreendido que tudo passa, que tudo sempre passará, menos a importância do usufruir com plenitude cada instante presente.

domingo, 16 de outubro de 2016

E´...

Pois é, o domingo está chegando ao fim e já estou pensando em subir para estirar-me em minha gostosa cama para o merecido descanso, não sem antes deixar registrado a minha profunda tristeza por ter vivido mais um dia sem conseguir deixar de assistir, seja na TV, seja nas redes sociais, o festival de canalhices emocionais que algumas pessoas( e este número tem crescido assustadoramente), distribuem como troféus do absurdo umas com as outras e que nos atinge sorrateiramente, minando nossos humores, destampando recordações desagradáveis, cutucando em nossas feridas e frustrações e nos induzindo a copiá-las e se não estivermos bem atentos, “pimba”, passamos a ser mais um a engrossar o time dos agressivos sociais, reforçando o coro de que a vida deve ser levada no “olho por olho, dente por dente”. Pense nisto antes de aplaudir o abusado, o entrão que na realidade são os canastrões existenciais que fazem de si, espadas afiadas que vão ao longo de suas vidas, ceifando o belo, o singelo, o apenas real direito de cada um de ser o que é. O canastrão precisa aparecer de qualquer forma e não mede esforços, assim como não poupa ninguém, dependendo tão somente, dos seus interesses momentâneos. Aplaudi-los é o mesmo que os temer, tudo quanto se esforçam em representar. Ignorá-los é o único recurso de sobrevivência, pois deixar-se enredar por eles é decretar submissão continuada com direito também contínuo de se sentir violado. Ah! Envelhecer tem destas coisas... Enxergamos o óbvio com o conhecimento de outras experiências já vividas.

sábado, 15 de outubro de 2016

PROFESSOR

Como professorinha eu me tornei em 1968 e, de lá para cá, fui acompanhando o distanciamento que foi ocorrendo entre o aluno e seu professor, entre os pais e a escola, num sempre crescente afastamento que só foi produzindo um absurdo desencontro de finalidades, claro, com raras exceções, quebradas esporadicamente nas festas do calendário escolar. Talvez por esta constatação sempre fui muito atenta às condutas dos mesmos, sejam pais, alunos e professores, buscando sempre encontrar pérolas entre eles que pudessem ser exemplos aos demais. Encontrei muitos e cada um na realidade reforçou a minha convicção de que eu jamais teria sido uma professorinha ideal, pois faltava em minha vocação de mestra o dom da paciência e a paixão com o convívio com as crianças. Dois elementos fundamentais para que eu pudesse me inserir no mundo encantado da infância. Parabéns a todos os professores que mesmo tendo o curso de pedagogia ou terem feito licenciatura nesta ou naquela disciplina, sentem orgulho de serem simplesmente, professores, professorinhas, seres impulsionadores do imaginário infantil, merecedores do respeito de todos nós.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

QUEM SABE UM DIA...

QUEM SABE UM DIA Quietinha no meu canto, aparentemente solitária, afinal, para quem tem a mente repleta de questionamentos sem qualquer receio ou mesmo medo de participar de seu mundo sistêmico, errando e às vezes acertando, não há lugar para a solidão. E se não bastasse a infinidade de porquês, a cada dia, novos surgem de forma surpreendente, já que na realidade são os mesmos, tão somente, com novas vestimentas e novos personagens, todavia, dentre tantas mazelas que permeiam a raça humana, existe apenas uma delas que me toca de forma devastadora, que é a fome, tirando de mim qualquer maior respeito pela política partidária, se bem que como qualquer outra idealista, agarro-me vez por outra à boias que me parecem mais convincentes, tendo de confessar que até o presente momento, nenhuma delas preencheu o vazio da minha imensa decepção. Penso na fome e a imagino sem nunca tê-la sentido, crendo que para aqueles que a vivem no seu cotidiano, nada mais importa que um simples, mas grandioso, prato de comida que a falta de respeito humano nega despudoradamente aos seus semelhantes, fingindo não vê-los nas suas miseráveis aflições ou, tão somente, realça-los em prol de seus próprios interesses, como se a fome fosse uma grande bandeira, talvez um poderoso abre alas que propicia a visibilidade política partidária aqui ou em qualquer outro lugar, onde a ganância, a vaidade e o total desconhecimento existencial é capaz não só de produzir como de se perpetuar. A fome é tão absurdamente devastadora que tira do faminto a autoestima, deixando existir apenas como sentimento que é a esperança que ela, criatura invisível aos olhos de todos nós, se torna unicamente visível no voto da miserabilidade que é capaz de conseguir por um trocado qualquer nas épocas eleitorais. E como, então, criticá-los por venderem seus votos ou depositarem suas esperanças em um prato de comida, prometido? E de promessa em promessa, os guetos da fome proliferam e a vergonha em tê-los produzido se esvai, oferecendo a vitória da banalização sobre grandeza da vida humana.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

RECOLHENDO CACOS

Os ventos estão tão fortes que mais parecem os de agosto, envergando coqueiros, balançando galhos, derrubando frutos, despetalando flores. Os sons do farfalhar das folhas são agitados, nervosos, pouco amigáveis, fazendo o mar se encrespar e o meu corpo arrepiar. Os pássaros ressabiados procuram, me parece, inutilmente um lugar seguro para se abrigarem, um abrigo mais tranquilo para, então, voltarem a cantar. A natureza me parece zangada, aborrecida certamente conosco que incansavelmente a ferimos com nossas ações destruidoras, numa ingratidão sem limites, numa indiferença que se ainda não a matou de todo, certamente já despertou nesta tão poderosa, mas também generosa senhora, momentos de impaciência que ela expressa desabafando, através de seus ventos fortes e de suas lágrimas de chuva em forma de tempestade. De repente, tudo começa a se acalmar... É a mãe natureza que enxuga as lágrimas, sufoca os gritos, faz calar o pranto. E num ritual de recolher os cacos, assim como ela, lamento pela rosa desfolhada, pelas amoras deitadas ao chão, pelo ninho despedaçado e pela solidão que percebo neste acalmar dos ventos ao meu redor. Que neste domingo, você consiga também recolher os seus próprios cacos pensando unicamente no aprendizado que as dores lhe trouxeram.

sábado, 8 de outubro de 2016

SIMPLES REFLEXÃO...

Finda a campanha política, aliviada as tensões das urnas, seja pela vitória ou pela derrota, vi surgir ao longo da experiência de vida, uma nova tensão, bem mais devastadora, que é esperar a posse do eleito e a saída do perdedor, se bem que neste caso, a tensão em maior número começa antes das urnas, pois pelo sim pelo não, três meses antes, o enxugamento começa a ser feito, desempregando e naturalmente deixando um sem número de pessoas que são eleitores a ver navios. O que significa, votos perdidos. Nunca entendi, mas vamos lá... Já o ganhador, nem mal fecharam-se as urnas, já se vê com uma batata quente nas mãos, afinal, como acomodar todos que dele esperam uma compensação? E esta situação vai se agravando até a posse, já que os mais próximos, começam a disputar entre si os cargos de maior expressão e, é claro, também salário. Tudo muito sorrateiro e articulado, e seja quem vier a ocupar os referidos cargos, alguém sempre ficará insatisfeito e se sentindo preterido, isto sem falar na legião que nada consegue, mas que admite muito contrariado que a vida é assim e não há cargos para todo mundo e blá, blá, blá de convencimento próprio. Bem, mas o tempo vai passando e a criatura vai se convencendo que, afinal, sua vida pouco ou nada mudou, porque de repente, todas as benécias que esperava para si ou pelo menos para a sua rua ou bairro, estão acontecendo para outro, não entendendo esta tal de prioridade que seu candidato justifica. O tempo vai passando e ele se vê na mesma realidade de vida, isto se não piorar em alguns aspectos, e ela então começa a desenvolver um sentimento latente de abandono e vê-se lenta e gradativamente surgir a mágoa por ter sido esquecida. E aí, não importa o bem geral que seu candidato ao longo do tempo ofereceu, a criatura está magoada e enxerga tudo muito ruim, afinal, ela particularmente, nada conseguiu, e isto, no frigir dos ovos, é tudo que importa e nem se apercebe que o seu candidato usou exatamente esta mágoa para convencê-lo com novas perspectivas, e o ciclo do prometer e não cumprir recomeça, garantindo vitórias e futuras mágoas que na política brasileira é chamado de vitória da renovação. Às vezes o político é tão bom de convencimento que até consegue espichar por mais um mandato o seu poder de argumentação, mas rapaz, findo este prazo, a galera está tão frustrada e magoada que se pudesse, queimava em praça pública o safado que o enganou. Antes de dizerem isto ou aquilo, reflitam um segundo e digam se estou totalmente delirante. E quanto a honestidade... Que decência é esta que permanece calada frente aos desmandos de um político? Nos trâmites públicos, não há como fazer trambiques sozinho, tudo é muito burocrático e passa pelas mãos e mentes de muita gente. Por que ninguém denuncia? Raros minguados exemplos em nosso país varonil e, assim mesmo, porque o delator foi sacaneado de alguma forma. Bem, esta análise primária vem me convencendo no decorrer de minha vida que a corrupção é pessoal e se alastra como líquido derramado ladeira a baixo, justo porque encontra declive no qual escorrer, jogando por terra a conversa fiada de que somos um povo honesto e sofredor e que agora, desta vez, estaremos finalmente, prestes a colocar o país, o estado ou nossa cidade nos trilhos limpos da corrupção. Enquanto cada vereador não cumprir o seu papel, buscando conferir valores contratados nas licitações e compará-los ao preço médio de mercado, enquanto as referidas empresas não forem devidamente checadas em suas origens e domicílios, enquanto não formarem comissões sistemáticas de vigilância nos postos de saúde, escolas e etc., a ladainha continuará a mesma e enquanto os moradores das comunidades, também não formarem suas comissões de vigilância e cobrança dos vereadores, os esquemas desonestos de trocas de favores, superfaturamentos, empresas fantasmas ou com laranjas e pagamentos de propinas se perpetuarão, fazendo de cada cidadão brasileiro, tão somente um babacão que pensa com o ego de suas vaidades, necessidades ou ambas, o que garante a medalha de maior em tudo, inclusive na hipocrisia. Respondam para si mesmo, uma única pergunta: - Por que da necessidade de um candidato fazer um maior número de vereadores se a função deles é justamente fiscalizar, legislando em favor do Município e de seus cidadãos? Percebem a sutileza da inversão de valores? Daí a explicação simples para a fome e a miséria, a violência sempre crescente e a indignidade vivencial de uma legião de pessoas iletradas que se agarram a qualquer brisa de esperança, pois é tudo que lhes resta. Culpá-los? Jamais. Apenas educa-los para que um dia, quem sabe, possam perceber a imensa incoerência que representa o seu modo de viver em relação a todo e qualquer político deste país varonil. Esse papo de que o Brasil está mudando e que o povo está deixando de ser bobo, é mais uma falácia de grupos políticos que tão somente explodem um punhado de merda no ventilador, certamente para colocar outra na gaveta. Esse filme é bastante conhecido e já foi rodado com outros personagens alguma vezes na história de nosso país, só não houve e hoje existe, o que já é inédito, um JUIZ MORO para melar um pouco esta nova versão. Mas brasileiro prima por ser Mandrake e com certeza, já tem um plano B, C, D, para as eventualidades incômodas. Político Santinhos e ilibados e sem acordos de bastidores e Eleitor que pensa no coletivo? Ainda estou pagando para conhecer...

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Que maravilha!!!

E de repente, agorinha, me dei conta de que não posso correlacionar o nome com a fisionomia da maioria das pessoas com as quais tenho dividido a maior parte de meu tempo nos últimos quatorze anos. Nos últimos tempos, tudo que fiz, foi conversar com um sem número de pessoas, através da minha capacidade imaginativa. No início na Rádio, o hábito me fazia tentar mentalmente desenhar o perfil fisionômico de cada ouvinte, mas gradativamente, sem me aperceber, fui perdendo-o, acredito que isto ocorreu justamente pela intimidade que foi se formando, não importando, portanto, de como era a pessoa em questão, pois tudo que era fundamental, me era passado através de sua voz, ao ponto de ser possível captar seu estado de espírito, tão somente, pela forma dela dizer: - Bom dia, Dona Regina. Mas eles, meus ouvintes, sempre souberam como eu sou e esta conscientização me foi possível no dia da eleição, quando pela manhã, saí para votar e depois percorrer as demais zonas eleitorais nas diversas comunidades, recebendo inúmeros abraços, beijinhos carinhosos e acenos alegres de pessoas que jamais havia visto, mas que sabiam o meu nome e algumas, até mesmo, peculiaridades de minha vida. Lá pelas tantas, depois que cheguei em casa, almocei e deitei no meu sofá para descansar, percebi que eu estava em absoluto estado de paz, afinal, ali naquele dia, encerrava-se uma etapa, onde eu tinha a certeza de que havia doado de mim o meu melhor em prol de meus candidatos e, se não bastasse, ainda tinha recebido das pessoas, supostamente “desconhecidas”, o calor humano bendito que alimentou e fez desenvolver em mim o maravilhoso senso de pertencimento que durante toda esta minha permanência em Itaparica, fez de mim uma criatura a cada dia mais em paz consigo mesma. Penso também neste momento que o facebook é responsável em parte por eu, através dos últimos anos, vir a conhecer pessoas de idades e cidades diversas, mas com as quais, troco ideias e ideais, divido sorrisos e ganhos, assim como, partilho dores e perdas de várias naturezas, sentimentos sempre presentes nas realidades cotidianas de todos nós, fazendo-me também constatar que a tecnologia em minha vida veio para reforçar valores, adicionando amplitude a minha mente e ao meu espaço vivencial. E aí, como faço da analogia um também hábito constante, penso que mais que ir votar no domingo, também tive a oportunidade incrível de compreender na prática que eu não estava errada e que o “meu Deus” reside em mim e, através dele, sou capaz de enxergar o “Bendito Deus” que reside dentro de cada pessoa que interage comigo, mesmo que eu, nunca tenha visto suas fisionomias, pois nossas vibrações energéticas formam um cordão interminável de afinidades, onde os carinhos e atenções refletem vida, e esta, alimenta e nutre mais vida, num ciclo bonito, forte e resistente de mais e mais vida, sempre muito amorosa. E aí... que maravilha é viver!!!!!

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O GRITO DA LIBERDADE

A partir de janeiro de 2017, a Ilha de Itaparica estará sob a batuta de dois jovens, absolutamente distintos em suas naturezas históricas pessoais, mas absolutamente ligados em propósitos similares, representando uma parcela do povo brasileiro que não aguenta mais o “pot-pourri” de desmandos que vem assolando de forma sistêmica e desavergonhada o erário público. Particularmente nos meus mais de quarenta anos de carreira, jamais encontrei nas pessoas tanta vontade de rasgar o espesso pano da vergonha nacional que pode ser encontrada em cada minúsculo recanto deste país, lesando de forma cruel a soberania do estado de direito de cada cidadão. Não foi preciso nenhuma revolução, armas ou quebradeiras, tão somente, a luz da consciência de cada cidadão, que disse BASTA. Aqui na Ilha, não seria diferente, e no embalo nacional de buscar uma espécie de redenção, por tantas décadas de opressão, o povo votou de forma emocional, fazendo de cada voto um grito de liberdade pessoal, compreendendo, finalmente, o poder que cada um representa no contexto geral e que no somatório é capaz de grandes mudanças. Impossível continuar convivendo com os desmandos de todas as espécies, até porquê, as economias minguaram, secando pelo menos em parte a fonte saudável do desenvolvimento que abriga a nutrição de instituições bases do desenvolvimento, acolhimento e amparo do povo, tornando-se necessário um estancamento urgente que veio através do grito de liberdade de cada cidadão que buscou em seus candidatos o socorro necessário e urgente. É bonito de se ver e é emocionante compreender a grandeza do que aconteceu no dia 2 de outubro e que, certamente, marca um divisor de águas nos propósitos políticos e nos anseios do povo, e harmonizar estes discursos exigirá de cada eleito, seja no legislativo ou executivo, cojones para o enfrentamento com um sistema viciado que tentará de tudo para permanecer intocável, a começar pelos acordos feitos em relação as custas das campanhas e que se estende na mentalidade cada cidadão, que apesar de querer ser livre e ver a corrupção expurgada, ainda espera alguma compensação pela sua lealdade, já que também é impossível transformações instantâneas de vícios comportamentais. Todavia, o passo inicial foi dado pelo capitão de cada time em cada recanto deste nosso país varonil e, doravante, somente o exercício diário da cidadania, da participação da população e da transparência administrativa, fará ao longo tempo sucumbir o mau caratismo, com o nome simpático de jeitinho brasileiro, para quem sabe, num futuro não muito distante, possamos ocupar um lugar de destaque de qualidade e prosperidade no cenário mundial. Pois enquanto existir a fome e a miséria, existirão também a escravidão e a indignidade humana. Apenas é preciso cuidado para no afã das mudanças necessárias, não se ser injusto colocando-se de forma não menos cruel todo o joio no cesto de trigo de boa qualidade. Serenidade é a chave básica para o sucesso das grandes mudanças. Não há gloria, onde não há respeito.

QUE SURRA, MAMÃE...

Contrariando a lógica eleitoral brasileira que, definitivamente, fechou o ciclo do PT, certamente por um bom tempo em nosso país, o povo de Itaparica, sem qualquer cerimônia, leva-a ao pódio da Prefeitura também sem nenhum preconceito, o que me leva a constatar que, sempre soberano, o povo voltou as costas para a realidade e optou por escolher a sua imagem e semelhança, jogando por terra qualquer receio de ser feliz, a exemplo de Lula em 2002. Penso, então, que vence o que constrói a melhor imagem e, certamente, a Professorinha Marlylda desenhou para si ao longo dos últimos oito anos e com suas memoráveis derrotas um bom aprendizado, o perfil perfeito, onde o amor supera qualquer dificuldade, principalmente rejeição em se tratando de apoios financeiros e sombras misteriosas que a partir de 1º de janeiro se apresentarão aos poucos, disfarçadamente, como sempre foi feito, tanto cá como acolá, através da coleta de lixo, do calçamento, passeios e de qualquer outra entrada financeira donde poderá manter a chave invisível ao povo de suas sempre bem sucedidas manobras. Rapaz... que surra, e pensar que finalmente Itaparica terá a chance de ser salva e seu povo de se sentir recompensado com ruas calçadas e iluminadas, atracadouros, praças e uma infinidade de recompensas há décadas esperadas. As crianças e idosos, assim como os especiais, terão certamente amplo amparo com criação de nova rede de acolhimento e proteção social e, mesmo com a perda de recursos federais, o bom Deus não os abandonará, provendo a cada instante, porque afinal Deus é fiel. Aleluia Senhor, meu lombo arde pelas 8.800 chibatadas recebidas no dia de ontem. Valeu o bom combate em favor do meu direito de escolha.

sábado, 1 de outubro de 2016

SEMPRE DIFERENTE

Como de costume, acordei bem cedinho pegando carona com o dia que começava a clarear. Aproveitando o embalo que me acomete a cada despertar, absorvi o espetáculo inenarrável dos aromas que sem qualquer cerimônia invadiram a minha natureza de mulher simples e apaixonada pela vida. Hum... respirei fundo, uma, duas, dezenas de vezes, deixando meu corpo se apoderar da natureza que generosa me brindava com o seu melhor, bom dia, enquanto, minha mente, absolutamente racional, providenciava o devido registro, sem deixar escapar um só detalhe, fosse visível ou tão somente sensitivo para que mais adiante, como faço neste instante, pudesse eu reproduzir com a quase original emoção. Que neste sábado, ainda não ensolarado que marca o início do mês de outubro, você possa também sentir e observar, registrando em sua alma, as delícias de se sentir vivendo e podendo constatar a cada amanhecer que, afinal, ele é sempre diferente, regenerador e profundamente inspirador.
E a pequena lágrima rolou pelo rosto, como se fosse uma gota que o universo gentil, oferece como seiva úmida e nutritiva à folha, nem sempre ressecada, mas sempre ávida de um pouco de atenção. Bom dia!