quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

NOSSA, MÃE DE DEUS!

Relendo meus últimos escritos, constato o quanto me permiti desanimar e o quanto este precedente me fez mal, atingindo ao meu físico, alterando minha pressão arterial, sufocando meus pulmões que, por sua vez, trouxe-me uma enorme falta de ar, velha conhecida, mas já superada há muitos e muitos anos, que mais se parecia com uma persistente asma, mas que descobri, e curei, ser tão somente consequência de uma ansiedade profunda que já criara raízes de depressão.
Tudo isso não é novidade para mim, no entanto, basta um pequeno descuido e pimba, lá vem a safada se infiltrando sorrateiramente, tirando o brilho de meus instantes presentes, fazendo-me enxergar tudo muito cinza e isto, definitivamente, eu não posso querer para mim.
Portanto, levanto, sacudo a poeira e dou a volta por cima, escrevendo minhas crônicas, escoando os meus ais, reconhecendo a cada momento que a vida é maravilhosa e que se eu penso arrogantemente que já escrevi quase tudo, que eu volte então a escrever novamente, afinal, haverá sempre alguém que ainda não leu.
E aí, nesta manhã quase ensolarada, preguiçosamente sentada assistindo a Ana Maria Braga enquanto aguardava meu marido vaidoso em sua jornada matinal de banhos e espelhos, assisto a uma jovem e distinta senhora, casada, mãe de um menino de três anos, psicóloga, dançando e se permitindo ser feliz ao ponto de emocionar os telesptadores pelo seu esforço, mas acima de tudo, coragem de ir e realizar a sua fantasia de dançar como uma Deusa.
E neste observar emocionado, minha mente voa para um passado bem recente, onde também eu, fui capaz de superar todas as frescuras com as quais fui educada e com as quais convivi por toda a minha vida, e que hoje reconheço terem sido inúteis ensinamentos que colocaram em mim, firmes amarras que me impediam de ultrapassar certos limites, que, afinal, não me arrancariam pedaços, não faria mal a ninguém, mas que me fariam com certeza gozar de instantes de profunda felicidade.
E pode haver algo mais importante que ser feliz? Pois é..., na esquina do ponto certo, apreciava fascinada alguns parceiros da política, balançando suas bandeiras, dançando ao som estridente e alucinante da música partidária. Meus olhos brilhavam de desejo de ali com eles também estar, mas a vergonha, o preconceito, o medo estimulado pelas vozes de uma família tradicional, me impediam, até que consegui romper com toda a pressão e rumei em direção às escadinhas e, em segundos, com as pernas bambas e o coração saindo pela boca, lá estava a dona Regina, dando-se ao direito de ser feliz.
Ah! E eu fui, podem acreditar... A partir daquele instante, tirei carteirinha de usuária permanente e em todas as ocasiões em que voltei a vivenciar tão espetacular experiência, percebi que, em cada uma delas, eu sentia uma nova e fantástica emoção, que certamente fez de mim um ser humano um pouco mais humano e sem dúvida mais feliz.
Percebi também que nestas inusitadas ocasiões, somos brindados pela bendita oportunidade em burilar as nossas intenções em relação, primeiro, a nós mesmos, faxinando-nos, jogando no lixo as impurezas dos hábitos continuados, deixando livres os cômodos de nossa morada existencial, que é justo o nosso corpo que abriga a nossa mente, nossos sentidos e nossas emoções e, em seguida, ao tudo do todo no qual estamos inseridos, mas que infelizes, ansiosos e com mêdo, sequer somos capazes de senti-los.
E aí, nos irritamos por muito pouco, brigamos por quase nada, lamentamos por tudo, não enxergando sentido naqueles pequenos ou grandes detalhes que podem fazer de nós criaturinhas mais sorridentes, confiantes e amorosas.
Boas lembranças que me fizeram sorrir e a desejar muito que o período eleitoral chegue logo, afinal, mesmo sem ter um trio elétrico para subir, hoje eu sei que estarei preparada para cortar ladeiras e calçadas, defendendo o meu direito de resgatar direitos, relembrando deveres para pinçar de volta os direitos à uma educação séria, a um sistema de saúde humano e a uma assistência social respeitosa e digna.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

SEM ASSUNTO

Novamente sou acometida da síndrome da falta de inspiração para escrever minhas crônicas. Reconheço sinceramente que nos últimos dias estou um verdadeiro fracasso.
Tudo que penso em escrever, desisto. Em alguns momentos, até ensaio o começo, mas logo desanimo, crendo que não será interessante ou apenas as ideias me parecem fracas e sem maior valor.
Agora, por exemplo, penso nas tragédias das chuvas e imediatamente lembro que tem uma semana que as tvs só mostram e falam sobre elas, e me parece um total abuso de minha parte fazer mais apologia aos incansáveis trabalhos dos bombeiros, defesa civil e voluntários, assim como das vítimas.
Política, nem pensar.
Afinal, quando se começa a analisar o povo brasileiro, no qual estou inserida, penso que não tenho mais nada a falar, apenas a lamentar a condição submissa e ignorante em que subsistimos, sentindo uma enorme vergonha pelo atraso em que me encontro e pelos absurdos que aceito, única e exclusivamente porque sempre foi assim e tudo indica que não irá mudar para uma postura social e política mais séria e respeitosa; o melhor mesmo é ficar calada, pois até mesmo assim, corro o risco de não ser bem interpretada.
Pensam que é brincadeira?
Os desafetos pipocam de qualquer lugar, pois por mais cuidado que se tenha com as palavras sempre se corre o risco quanto as interpretações, que variam assustadoramente e podem se expressar de formas, inclusive, agressivas, se o interpretante for poderoso ou puramente prepotente. E o que não faltam, são estas duas expressabilidades vivenciais.
Então, por segurança, a maioria concorda com a maioria e, assim, tudo fica bem calminho e ninguém se aborrece.
Será?
Será que de verdade as pessoas estão bem consigo mesmas, agindo como robôs, mas sentindo por todo tempo um enorme vazio que a impotência lhes impõe?
Será que são cegas, surdas e mudas por pura conveniência ou de verdade já não sabem identificar as distorções?
Às vezes, como agora, me questiono quanto as reais possibilidades em nos adaptarmos às profundas e significativas mudanças que pudessem de verdade nos colocar em um legítimo regime democrático e humano.
Não sei, não...
Aliás, nem sei porque estou escrevendo, já que estou me sentindo desanimada com as letrinhas e com os meus pensamentos nesta manhã indefinida de verão, que nem chove de verdade e tão pouco abre o solão que tanto me anima.
Nossa, estou mesmo é de saco cheio de ter que pisar em ovos na defesa de meus direitos seja lá onde for ou de ter que sorrir e dizer que está tudo bem, quando na realidade a coisa não está boa e eu me recuso a concordar como se fosse uma vaquinha de presépio.
E aí, quando fico me sentindo assim, meio borocochô, a inspiração me abandona e eu então me recolho na solidão própria daqueles que pensam e se expressam, buscando auxílio no bom Deus para que ele amanse a minha ansiedade e adoce os meus sentimentos frente as realidades que, reconhecidamente, nada posso alterar, mas que, verdadeiramente, gostaria muito que fosse diferente.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

APENAS PENSANDO...

Fiquei pensando sobre o texto denominado qualificação que escrevi anteriormente, na busca de um maior entendimento até mesmo de minhas afirmações em relação às possíveis críticas quanto ao fato de eu estar ou não qualificada para achar isto ou aquilo, cujas situações jamais foram por mim vividas.
Se fosse assim, somente poder-se-ia ponderar, questionar e até julgar-se algo baseado nas próprias vivências.
Entretanto, concordo que em algumas situações é preciso que se dê um desconto avaliativo, afinal são tantas as implicações e complexidades que seria no mínimo leviano, desconsiderar-se os agravantes de quem os vivencia in loco.
Uma mãe acaba de perder um filho e as pessoas dizem:
- Eu sei como você está se sentindo.
Como? Por acaso, já perdeu um filho?
Ou:
- Posso sentir a dor da discriminação dos Gays, Negros, etc.
Ou:
- A fome é dolorosa, sei o quanto você sofre.
Todavia, existem milhares de outras situações em que, embasados não só em estudos, observações e até vivência, as pessoas podem fazer avaliações bem próximas da realidade do outro, onde o bom senso, a lógica, as leis, a educação, a cultura e tantos outros fatores, são os indicativos básicos e, portanto, norteadores às avaliações.
Volto ao passado, precisamente nos anos sessenta, em que vivenciei a minha adolescência e penso no quanto o mundo evoluiu nestes quase cinquenta anos, assim como também foi destruído e no quanto a população mundial se multiplicou .
Penso nos valores que foram soterrados, preconceitos combatidos, mas penso principalmente, olhando atentamente para trás, no quanto se sofria por infringir-se detalhes comportamentais que tempos depois deixaram de ter qualquer significação, e pensando nisto, posso crer que o mesmo por consequência ocorrerá daqui a alguns anos, cada vez mais rápido, mas ainda assim não poupando sofrimentos.
O planeta vem a cada dia morrendo, já não tão lentamente, e nós, estas incríveis criaturas continuamos com os mesmos hábitos e a mesma cabeça dura, estejamos nós seja lá em que local da pirâmide social, arrogantemente nos fazendo de entendidos, mas dando de ombros ao azar do futuro que, lógico, não será nosso e provavelmente nem de nossos filhos e netos, se a terra secar.
Claro que podemos avaliar, embasados nos estudos e no que somos capazes de observar no que já esta acontecendo, afinal por todo o tempo pipocam desastres da natureza que dizem ser naturais, e o são, na medida em que ela apenas reage às ações a ela infringidas.
Achamos que podemos avaliar os sentimentos seja lá de quem for, mas e daí se continuamos exatamente agindo como se fossemos cegos, surdos e mudos, crendo que somos os tais, mas absolutamente inconsequentes em nossas matanças indiscrimidas de vidas que propiciam vidas em um ciclo naturalmente ininterrupto, que insistimos em interromper.
Falei de um punhado de coisas aparentemente sem ligações diretas, tudo porque em dado momento, pensei na tal da virgindade que nos anos sessenta ainda era um tabu e que hoje é assunto sem importância, como uma infinidade de outros que fizeram muita gente chorar, matar e morrer.


QUALIFICAÇÃO...

Olhando de fora, mas com o interesse de quem procurou atentamente ser justa nas observações, penso que o maior problema que vivenciamos nas gestões, sejam municipal, estadual ou federal, é justo a falta indiscriminada de qualificação.
Além disso, a falta de compromisso e seriedade leva inevitavelmente à total falta de respeito às causas públicas, já que é notória a impunidade em relação a todo e qualquer erro, não havendo, portanto, seriedade na maioria das ações praticadas seja em que escalão for.
Observando os dois mandatos do ex-presidente LULA, fico com a impressão clara que se por um lado a economia das pessoas melhorou, abrindo espaço a um novo padrão de consumo e suposta qualidade de vida, se esta for analisada pela aquisição de bens de consumo, por outro, creio que representou uma abertura corrosiva de desrespeito despudorado a toda e qualquer instituição que dantes, significava, nem que fosse de efeito moral e inibidor, pilares de sustentabilidade de valores éticos do país.
Ninguém precisa ser especialista em comportamento político e social para constatar a anarquia que se instaurou, não havendo mais limites, sejam para as falcatruas de todas as naturezas, sejam os abusos verbais e comportamentais que o ilustre mandatário se dava ao luxo de praticar, abrindo um precedente extremamente danoso a qualquer sentido democrático, criando um novo estado de direitos, cujos critérios são determinados por grupos específicos, cujos interesses se cruzem, ficando o restante ao léu sem que, verdadeiramente, possa ter um norteador que seja justo e democrático.
O que é possível de se observar são profissionais sérios de determinadas instituições com as mãos, os pés e suas éticas pessoais e profissionais permanentemente na corda bamba de se verem expostos, ridicularizados e certamente prejudicados se insistirem em manter as regras em situações absolutamente rotineiras.
E assim, aos poucos, vai-se deixando de se reconhecer como sérios e seguros os direitos e deveres, sempre temendo represálias abusivas.
Observem, não tem havido qualquer tentativa de disfarce, todos, em qualquer lugar, têm se achado no direito de praticar seus desmandos, seguros que estão de uma impunidade explicita que só se descaracteriza quando o transgressor não é amigo ou assegurado deste ou daquele mais poderoso ou, que no final, ainda não disponha de recursos financeiros para negociar seus desmandos.
Lula instituiu a cara de pau como patrimônio nacional, o mal caratismo, expressado em negociações espertas em todos os níveis como inerência de qualificação profissional, e jogou por terra o sentido maior da educação através da qualificação em prol de um carreirismo proletário e palanqueiro, induzindo milhões de brasileiros a desprezar a instrução séria, buscando o mais fácil, ou simplesmente acreditando que para se dar bem na vida, basta-se ser esperto e matreiro.
Figura emblemática, o ex-presidente Lula se tornou o ídolo ideal de cada cidadão iletrado e menos favorecido que nele se vê e através dele despreza e anarquiza com a necessidade básica e prioritária a qualquer desenvolvimento real e autosustentável que é justo uma educação de qualidade.
Mas tudo isso que escrevo, pode ser muito contestado exatamente pela sutileza com que foi desde o início sendo inserido na mente do povo brasileiro. A vestimenta do Salvador da Pátria, quando aceita e absorvida, é como um câncer silencioso que corrói internamente, deixando- se sentir, tardiamente, para que qualquer procedimento possa salvar a vítima.
Mas por favor, procurem entender que estas observações são de uma cidadã apaixonada em relação as posturas mentais que se refletem nas ações, possíveis de serem lidas, ouvidas ou simplesmente observadas, muito porque, não estou qualificada para questionar a economia do país, assim como declaradamente sou contra a tudo que discrimine seja lá o que for.
Infelizmente, o que tem ocorrido nos últimos anos é que não concordar com algo, pode ser perigoso, na medida de não estar-se sendo politicamente correto.
O LULISMO, nas figuras de seu líder, partido e de seus seguidores fanáticos, na minha avaliação de também gente do povo, mas com um pouquinho de instrução e raciocínio lógico, representam o estereótipo cru e nu da discriminação a tudo e a todos que não estejam devidamente inseridos em suas ideias e ideais de socialismo rasteiro e sem qualificação de terceiro mundo.
Afinal, muitas vezes a torta que enxergamos na vitrine da confeitaria pode esta perigosamente enganadora quando ao sabor e qualidade de seus ingredientes.
É preciso muitas observâncias para não ingerir-se gatos por lebres.
No entanto, dirão muitos que posso estar tendo uma visão distorcida, afinal, nasci em Ipanema, possuí sempre uma família estável, cursei ótimos colégios, desconheci a fome, minha pele é branca, mesmo sendo bisneta de escrava, enfim, sempre tive tudo que sempre faltou à maioria, permaneço apenas como uma observadora à distância, já que sempre estive do outro lado em margem segura.
Será tão simplista assim a avaliação às minhas credenciais de observadora social e cidadã brasileira?
Não estaria exatamente aí, um exemplo claro e indiscutível de discriminação?
Afinal, porque nasci tendo mais isto ou aquilo, tornei-me automaticamente uma imbecil ou exploradora da pobreza à minha volta?
Compreendem aonde quis chegar quando mencionei a sutileza enganadora da indução camuflada da discriminação do não ter em relação ao ter, exibida e ostentada por frases feitas e discursos populistas?
Bem, por agora vou fazer um pit-stop.
Em outra ocasião, quem sabe continuo, talvez citando exemplos bem próximos na tentativa quixotesca de me fazer entender.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

INFERNAL...


Emerjo do mergulho e ainda um pouco ofegante olho para o céu e penso que, apesar de estar um pouco nublado, não irá chover.
Tomara...
E aí, não sei porquê, lembrei-me da Irmã Celina, capuchinha dos diabos, com quem precisei dividir os meus dias durante cinco preciosos anos de minha adolescência no colégio.
Será que ainda está viva?
Se estiver, deverá estar com uns noventa e poucos ou muitos anos, entretanto, se já morreu, deve com certeza estar no inferno, segurando um tridente e sorrindo falsamente para o diabo e infernizando cada infeliz que com ela por lá estiver.
E aí, penso que às seis horas da manhã, depois de um saudável mergulho em meu mar, estar pensando na Irmã Celina, sinceramente, não é para qualquer um, só mesmo para gente como eu que passa a vida a limpo por todo o tempo, até mesmo como forma de faxinar todas as poeiras que possam ter sido responsáveis por muitos instantes de, no mínimo, dúvidas e incertezas.
E Irmã Celina sem dúvidas foi responsável por lágrimas, desistências, mudanças de rumo, que eu e com certeza todas as meninas do Maria Raithe, colégio no Rio de Janeiro, tiveram em suas vidas por influência direta de seus abusos emocionais.
E ela era apenas uma freira, professora de português, secretária da escola e prima-irmã do capeta.
E mesmo cristã, ao pensar nela, estremeço frente às lembranças de sua capacidade destrutiva.
Em meio a estas desagradáveis lembranças, surgem Alba, Tânia e Margarida, minhas adoráveis amigas e companheiras de infortúnio.
Quarenta e quatro anos se passaram e eu nada mais soube a respeito delas. Fomos as quatro mosqueteiras que, com certeza, também deixaram lembranças de muitas traquinagens, molecagens, absolutamente naturais de lindas garotas em um tempo muito ingênuo que, felizmente, se fixou em minha memória, adocicando o meu despertar destas demais lembranças tortuosas onde a Irmã Celina se faz presente.
Sai, coisa ruim!...

MEUS NARCISOS

As chuvas se foram, mas meus narcisos chegaram, lindos, perfumados, branquinhos, contrastando com os verdes do meu jardim.
Enquanto isso, as acerolas em profusão colorem o chão em volta de seu pé, atraindo os pássaros por todo o tempo a manter uma festa de sons, inclusive, fazendo-os esquecer da presença dos quatro cachorrinhos que, apesar de não serem agressivos, lá no fundinho não esquecem que também são predadores.
Mas nem tudo são flores e sabores, beleza e poesia. Ontem, meu Raul, o meu peixinho, morreu.
Há alguns dias, venho observando que ele já não batia as guelras ao som de minha voz quando me aproximava do aquário para dar-lhe as refeições. Também, passou a comer menos e a permanecer quieto a maior parte do tempo.
Senti que ele não estava bem, mas fazer o quê, além de manter o aquário limpinho, comida no horário certo e os nossos papos. Ah! Os nossos papos...
Temi pela sua saúde, acabei perdendo-o. Enterrei-o carinhosamente ao pé da mangueira e, enquanto o fazia, pensava nos instantes inesquecíveis em que trocamos energias que tanto me fizeram bem.
Pensei na complexidade existente na convivência sistêmica e o quanto ela pode nos afastar da naturalidade de outras naturezas que nos são afins e que deixamos passar por nós como se não fossem capazes de nos compreender e de conosco formar uma bendita parceria de vida e liberdade.
Faço de minhas flores, frutos, bichos e do ar que juntos respiramos, um elo de amor à vida que percebo desde sempre me inspirar em meus escritos, sentimentos e emoções.
Também desde sempre percebi que não importava o quanto a maré contrária vivencial viesse a me atrasar, maltratar ou até mesmo me magoar, porque eu estaria sempre nadando no mesmo sentido, parando vez por outra para recobrar o folego, mas resistente e determinada a não desistir, porque, afinal, sempre haveriam os Rauls, Polys, acerolas e narcisos, a me oferecer cores e sabores, brilho e emoção, justificando e iluminando a minha vida.
Escrevi este texto logo cedinho e o perdi com a minha ignorância virtual, mas insistente o reproduzi, claro, com alguma diferença, mas procurando na essência transmitir os meus sentimentos em relação a morte de meu peixinho em contraponto com o desabrochar de meus narcisos perfumados que, agora, ofereço a cada um de vocês.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

BANDIDOS E ROBÔS

Logo cedinho, as TV`s já estavam contabilizando o número de mortos, feridos e desabrigados na Região Serrana do Rio de Janeiro. Pela tela, pude rever lugares belíssimos que em questão de minutos desapareceram, soterrando vidas, conquistas, sonhos e tudo quanto se pode perder frente às tragédias naturais ou não, nas quais todos nós estamos expostos, por todo o tempo de nossas existências.
O rio Santo Antônio, motivo inspirador de poesias e motivador da compra a peso de ouro de metros quadrados bucólicos e simplesmente lindos, transformou-se em algoz de um sem número de veranistas e moradores, cobrindo de luto uma cidade e um estado, sem pedir licença e sem qualquer aviso prévio?
É evidente que não.
Ano após ano, a conjunção da especulação imobiliária com o pouco caso das administrações públicas coloca toda uma população de norte a sul, deste país, a mercê tão somente da PROTEÇÃO DIVINA.
Ano após ano, as mesmas situações ocorrerem em proporções diferenciadas e o lenga-lenga dos discursos permanecem, ficando apenas no silêncio, camuflando os destinos de milhões de reais que o governo Federal disponibiliza para fazer frente a obras que nunca acontecem como deveriam, pois são sempre um socorro a mais para as contas bancárias de quem se interessar.
E são muitos os que se beneficiam em uma escala de horror e falta de escrúpulos públicos.
Passada a comoção momentânea, nada é cobrado como deveria, nenhuma TV, fica de olho, nenhum cidadão, associação, sindicato, ONG ou o escambal, levanta a voz na busca consistente de ações, pois a cada instante novas tragédias acontecem, desviando mentes e intenções já viciadas a esta simbiose distorcida e desumana da convivência sistêmica de todos nós.
Para quem já viveu muito como eu, nada disso é surpresa, mas também para gente atenta, consciente e com um mínimo de senso humanitário, assim como eu, tudo isso é nojento, sem qualquer diferenciação de qualquer crime hediondo, pois a crueldade do desinteresse, aliado a inconsciência da dor alheia e dos direitos e deveres públicos, transforma alguns políticos em meros bandidos e muitos cidadãos em tão somente, robôs.
Tudo muito lamentável...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

REFRESCOU...

Um pequeno arrepio e, então, puxo a coberta e nela me enrosco.
Quando amanhece, como de costume, abro a janela e novamente o arrepio, e posso ver que ainda chove e sentir o cheirinho de terra molhada.
Nossa, que maravilha!
Penso, respirando fundo, no quanto as plantinhas devem estar felizes por este banho inesperado.
E aí, sorrio lembrando que já ouvi em algumas ocasiões, críticas tipo:
- Que babaquice Dona Regina, falar de chuva e de plantinhas logo tão cedo. Isto é coisa de gente velha que não tem o que fazer.
Penso que pode ser e novamente sorrio; bendita velhice com a qual convivo desde sempre, pois, afinal, que eu me lembre, faço isto sempre.
E de repente, ainda olhando a chuva refrescante, não sei bem porque, lembro-me do Rio de Janeiro e de seu calor quase infernal e de seu povo já nem tão alegre e descontraído como quando eu por lá nasci e vivi.
A violência, as drogas, os novos conceitos sociais, sei lá... Algo mudou no carioca e foi exatamente em sua espontaneidade, infelizmente.
Eu também mudei, e sinceramente reconheço que foi para pior.
Ainda me lembro de meu sorriso franco de carioca de bem com a vida, ainda não tão chamuscada com as constantes queimadas, ainda não tão abusivamente invadida.
Que isto, Dona Regina!
Onde foi parar a Dona Feliz, nesta manhã refrescante de janeiro?
Pois é... Onde foi parar por instantes aquela carioca sorridente que passou toda a sua vida escalando montanhas íngremes, atravessando rios caudalosos e desviando-se de raios poderosos que, teimosos, insistiam em neutralizá-la?
Aonde foi parar nesta altura da vida?
Por um segundo desapareci de mim mesma e nestes breves instantes pude compreender o cansaço que a mim também domina, fazendo deixar fugir o senso bendito de me manter imune às intempéries cruéis que sem pedir licença nos invadem e nos roubam o sorriso, a leveza do existir.
Neste instante, não quero ou não posso sorrir, apenas me dou por satisfeita de novamente ter-me de volta nesta manhã refrescante, onde relaxei tanto que me permiti fugir de mim mesma ou, talvez, deste sistema duro e impessoal que insiste em tirar de mim e afinal do carioca e de todo mundo, o sorriso e o direito de apenas ser.
Coloco os braços e as mãos sobre o meu dorso e o aperto para, com certeza, reter o meu original, cuidadosamente guardado, que constato estar exatamente no mesmo lugar.
Constatando, também, dolorosamente que o que me impede de sorrir é que não encontro nem espaço e tão pouco oportunidade de deixá-la se refletir livremente em meus olhos de tão embaçados que estão diante da absoluta certeza de que, apesar de uma manhã refrescante, eu estou triste por mais uma certeza que já não tenho mais.


segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ITAPARICA -TERRA DE NINGUÉM...



Sou proprietária de uma residência em Ponta de Areia e moro nela há nove anos, mas como sou de fora, não nasci aqui, na realidade sou uma forasteira intrometida cujo amor a esta terra é devidamente dispensado pelos nativos fanáticos.

Mas fazer o quê, se não consigo me calar diante da esculhambação que venho acompanhando com dor no coração?


Agora, o proprietário da Barraca O Marinheiro, por conta de si mesmo, contando sem dúvidas com a total inoperância do Gestor Público, assim como com a velada cumplicidade dos vereadores e total desinteresse dos moradores da redondeza, resolveu na cara de pau começar a aterrar o espaço ao lado de sua barraca e, não satisfeito, cercou com estaca, corrente de aço e cadeados.


Onde está o IBAMA nestes momentos aflitivos, dentre outras mazelas, que por toda a orla podem ser comprovadas?

Onde está a secretaria de obras e seus fiscais e administrador do bairro?


Onde estão os vereadores, que foram eleitos justo para defender a terra e seus cidadãos dos abusos e agressões?

Onde foi parar o mínimo de respeito que cada morador tem que ter pela terra em que vive ou veraneia?

Onde está o ministério Público que nada, absolutammente nada, é capaz de realizar em prol de pelo menos tentar coibir tamanhos absurdos que vem flagelando este lugar bendito?



Não é por acaso, que a cada verão o nível de nossos turistas cai em qualidade, fazendo os veranistas acostumados a trazer suas famílias para um ambiente mais saudável, assustarem-se e não voltarem ano após ano, abrindo espaço para as baranguices, violências e falta de educação de uma legião a cada ano mais expressiva de turistas totalmente fora de qualquer padrão de respeitabilidade, fazendo de suas permanências um Inferno de Dante aos moradores e a qualquer pessoa que tenha escolhido a Ilha por se tratar de um local do bem.

Afinal, em tempos de campanha política o que não faltam são os AMANTES de Itaparica, mas depois que a cortina se fecha e os votos são contabilizados, todos, sem excessão, se calam e consentem sem qualquer compromisso real.

Onde estão: Emílio, que recebeu mais de l800 votos, Marlyda, que recebeu 4120 votos, Pastor Raimundo, que se tornou VICE, Sr Vicente e seus aliados, como Claudia Gordilho, Raimundo Sacramento, João Icó e uma infinidade de outros que gozam ou já gozaram das benesses públicas?

Realmente, sou uma abestalhada, como já admiti inúmeras vezes, além de uma intrometida, mas acima de tudo, frente a este contexto, sou Burra.

De repente eu deveria apenas ser cega, surda e muda e, assim, estaria sendo POLITICAMENTE CORRETA, como manda o figurino.

Que coisa, heim?!

POLITICAMENTE CORRETO

A inconsistência quanto ao reconhecimento do espetáculo da vida se dá principalmente por uma questão da própria história humana.
O homem jamais se ateve aos detalhes da sua e da formação da terra e do universo como um todo, preferindo transferir para Deus, fazendo de sua origem, um simplismo que, se não esclarece verdadeiramente nada, pelo menos o induz a ter fé, nem que seja uma fé apenas pontual e oportunista, afim de não comprometer seu intelecto social, mantendo-o dentro do perímetro do POLITICAMENTE CORRETO.
Aliás, mais do que nunca estamos vivendo esta era que veio, politicamente correta, substituir e principalmente camuflar hipocritamente, aperfeiçoando alguns velhos e arcaicos preconceitos que, devidamente sufocados, explodem a todo momento em forma de violência urbana ou suburbana, nos lares, nas escolas, no trabalho ou nas ruas, sem que haja uma explicação razoavelmente plausível.
Dizem e propagam melhorias sociais, e talvez elas estejam existindo aqui e em outras locais por este mundo afora, mas eu ainda não consigo enxergar além de um expressivo poder de compra, pelo menos aqui no Brasil.
O que observo é um crescente aumento de vendas de sons, geladeiras e tanquinhos, um substancial aumento de construções, tipo puxadinho, uma abusiva invasão à propriedade privada e o nascimento de uma classe média micha, porque não tem base educacional adequada, ficando o faz de conta de uma massa cada vez mais expressiva que pode pagar uma mensalidade de faculdade, acreditar que está preparada para uma competitividade que a cada dia fica mais cruel.
A realidade é que as grandes empresas estão encontrando nos últimos 10 anos, muitas dificuldades em encontrar profissionais devidamente qualificados, levando-os a buscar em outras praças, inclusive no exterior ou elas mesmas investem em seus já funcionários, enviando-os a fazerem cursos técnicos, universitários, estágios e etc.
Emprego não tem faltado, o que falta são pessoas qualificadas a estes empregos, e isto é abusivo, frente ao número cada vez maior de universidades que pipocam a cada esquina, onde haja pessoas com um certo poder de compra, mas que não disponham de discernimento quanto às suas reais possibilidades.
Diariamente, tenho a oportunidade de conversar com recém-formados, formados ou estudantes disto ou daquilo e, sinceramente, dá vontade de chorar. A maioria escreve o mínimo e muito mal , e em se tratando de um entendimento geral o gabarito é quase sempre Zero.
Às vezes, penso que está se formando uma legião de robôs, unicamente programados ao reconhecimento logístico do qual foram condicionados, ficando o raciocínio periférico a apenas alguns poucos, que eu chamaria de privilegiados intelectuais.
Quando faço este tipo de crítica, faço baseada no que sou capaz de absorver em meu convívio, no que leio e assisto e, principalmente, nas pesquisas, inclusive do próprio governo que, aliás, parece que pouca gente se importa.
Assusto-me cada vez mais com a alienação, quase nenhum entendimento venho observando nas pessoas, tudo está ficando muito superficial, e aí, o que fazer, se o politicamente correto é agir-se exatamente como a maioria.
Observo que todo aquele que se atreve a levantar uma questão já inserida no contexto do tudo bem é simplesmente execrado como se fosse portador de uma imbecilidade social qualquer.
A capacidade aglutinadora parece que está apenas reduzida ao entretenimento ou aos discursos populistas, onde a massa se aglomera com um único objetivo temporal, sem que haja verdadeiramente qualquer intenção de proteção de grupo como expressão de cidadania, onde todos de alguma forma são responsáveis.
Aquele refrão de que a união faz a força, já era, ficando apenas em se tratando de linchamento de bandidos, e olhe lá, dependendo de onde e do que eles fizeram.
Isto se chama individualismo, primo irmão do atavismo intelectual e cultural que se reflete na formação dos princípios básicos de qualquer preconceito que possa existir.
Bem, alguns dirão:
- O que tudo isto tem a haver com a origem da humanidade?
Eu diria que tudo, pois no momento em que cresce assustadoramente os conceitos de apartheid religioso, fazendo de Deus escudo para todas as respostas, tira-se da criatura humana o que ela tem de mais precioso, que é justo a sua capacidade de busca em prol de seu ajuste existencial, tornando-a um cordeiro obediente a isto ou aquilo que alguns poucos determinam como certo e ideal.
E pior, leva-a a crer que somente aqueles que comungam suas verdades, são merecedores de sua atenção e solidariedade.
Nunca, jamais em tempo algum, em meus muitos anos de vida, constatei tanto separatismo e incompetência quanto ao gerenciamento individual na convivência social.
E aí, torna-se impossível eu não questionar a interpretação que vem sendo dada à mensagens atribuídas a criaturas que foram tornadas santas, justamente porque foram contra em suas épocas a toda e qualquer ação puramente individualista. Este é um paradoxo entre a história e a realidade de nosso tempo e de muitos outros aspectos de tempos passados que me leva a pensar e a pedir ajuda aos meus amigos virtuais.
Quem sabe alguém possa esclarecer esta senhora confusa a respeito do politicamente correto e a realidade tão bruta e ressequida que se apresenta sem qualquer piedade nos relacionamentos interpessoais que desumanizam, assim como colaboram de forma abrupta para dizimar tudo quanto representa vida, que afinal, ao meu ver, é que deveria ser seguido como absolutamente correto e, portanto, inserido no intelecto humano como prioridade existencial, antes mesmo de qualquer dogma, conceito ou seja lá como se queira chamar.
Afinal de que serve na prática gastar-se tanto com ecologia se aqueles a quem estes estudos são direcionados, sequer sabem o valor de suas próprias vidas?
Não seria, então, o caso de inverterem-se as visões aplicativas, oferecendo primeiro ou concomitantemente o básico da vida, que começa com o respeito a si mesmo, através do entendimento de sua interação com a natureza em um ciclo contínuo e ininterrupto de vida?
Como podemos crer que estamos evoluindo em qualquer área do sistema social, se mantemo-nos abstratamente alheios à nossa prioridade, que é justo mantermos o sentido de grupo que, afinal, faz a bendita ponte entre nós e o tudo do todo que se representa através do nosso próximo, que pode ser qualquer vida que esteja em nosso universo pessoal?

sábado, 8 de janeiro de 2011

SINGRANDO

Tomar a decisão de escrever em um blog é sempre um passo muito complexo, porque afinal sempre existirá uma exposição que atrairá sentimentos diferenciados que se transformarão em críticas e elogios e, para ambos, pensamos que estamos preparados.
E por que o fazemos?
Não sei sobre os outros, só posso falar por mim, que de tão transbordante estava de sentimentos e emoções que só repartindo um pouco.
Aos poucos, pude então compreender a função primeira de se estar vivendo, que é justo o sentir, na pele e na alma, doando-se por inteiro em um exercício sublime de dar e receber.
E neste singrar pelos mares do meu próprio íntimo, fui descobrindo pérolas nos íntimos alheios.
Que maravilha!

BEM DIFERENTE

Ao contrário do que ocorreu em praticamente todos os amanheceres de minha existência de escrevinhadora do universo, hoje foi diferente, pois não senti os aromas de minhas frutas, não ouvi meus passarinhos chegando para suas festas matinais e tão pouco pude enxergar, ouvindo ao mesmo tempo, o farfalhar dos coqueiros e dos galhos fartos de minhas árvores frutíferas. Não alimentei meu peixe, não dei bom dia aos meus cães e não coei o café.
Não esquentei o pão, não tomei café com o meu velho e tudo que estou sentindo é um enorme vazio de saudades.
Tomar decisões é sempre muito complicado quando os sentimentos amorosos estão envolvidos, mas o espírito de sobrevivência pessoal insiste em gritar muito alto, como uma voz interior ensurdecedora que me empurra ladeira abaixo, talvez para que de verdade eu possa vir a conhecer o fundo do poço.
Alimento-me, então, da ilusão esperançosa de quando lá chegar, ainda encontrar forças para emergir, mais forte e menos doída.
Será?
Enquanto penso no que não fiz, olho-me no espelho tentando encontrar aquela mesma criatura de sempre.
- Aonde você foi parar dona Regina?
Pergunto a mim mesma, eu sei, mas na realidade sem me reconhecer e aí, neste exato momento, percebo que de verdade, aqui se encontra um novo alguém, ainda desconhecido, meio sem lugar, assim sem jeito, tentando se ajustar.
Chego mais perto do espelho, quero perceber detalhes ou simplesmente busco encontrar pelo menos um fragmento da velha e tão conhecida Regina?
Penso, neste instante de buscas, que de tão acostumada eu estou em ser o que eu pensava ser eu que, além de não me reconhecer como realmente sou, ainda me cego, me confundo e me saboto na tentativa meio louca de permanecer no comodismo de não querer aceitar que mudei e que finalmente terei que admitir que fui capaz de extrair, mesmo a duras penas, o meu original guardado, rasgando a cópia velha e amarelada que se passava por mim.
Tudo está tão diferente que precisarei de um tempo, só de um tempinho, para finalmente me aceitar exatamente como sou, e sendo o que descobri que sou, nada mais posso querer, além de voltar a receber os meus pássaros a cada manhã, sem o constrangimento de não saber exatamente quem sou.
Agora, com o rosto e o corpo tão próximos do espelho, abraço apertado esta velha e linda senhora que brotou de mim e me faz sorrir.
Bom Dia à todos.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

OPÇÃO EXISTENCIAL

Enquanto fui crescendo, lembro-me de ter ouvido minha mãe dizer a mim e a meu irmão um cem número de vezes que a vida é feita de opções e que dentre elas haveria sempre uma que seria prioritária e que seria justo, ser ou não feliz.
Em todas as ocasiões em que por algum motivo nós nos lamentávamos, lá vinha dona Hilda com a mesma cantilena.
Aos poucos, de acordo com o desenvolver de nossos entendimentos, ela foi oferecendo exemplos afim de que pudéssemos melhor assimilar as posturas que deveríamos ter em relação a tudo que nas épocas que se sucederam, fizeram parte de nossos universos cotidianos.
Grande Dona Hilda em sua simplicidade de mulher, dona de casa, filha de imigrantes portugueses, linda como ela só ,inteligente e sábia, de temperamento alegre, possuidora de um belíssimo sorriso, sempre, em casa ou na rua, ostentando a postura de grande dama , com quem eu aprendi acima de tudo a enxergar o belo e o melhor em tudo que o ato de viver me proporcionou, jamais esquecendo que me manter otimista, dava-me menos aborrecimentos e preservava a saúde.
Ao longo da vida, fui aplicando na prática os seus ensinamentos e não é que ela tinha razão?!
Claro que não me livrou de baitas problemas e tão pouco me isentou de derramar lágrimas, absolutamente pontuais por todas as agruras que minhas escolhas errôneas me trouxeram, mas confesso que todas elas foram como chuvas de verão, servindo tão somente para refrescar o solo de minha alma, temporariamente ressequida.
Nossa!
Quase que faço poesia...
Hoje, olhando para traz em uma espécie de retrospectiva, mais que concordar com Dona Hilda agradeço e recomendo esta prática bendita que fez com que eu atravessasse toda a minha vida, jamais me lamentando pelo perdido ou não conseguido, mas abraçando apaixonadamente tudo quanto me foi possível usufruir, extraindo apenas o doce e o suave, mastigando, mas nunca engolindo, preferindo cuspir fora o amargo e o grotesco, acima de tudo, preservando a certeza absoluta que viver saudavelmente é tão somente de minha competência, cabendo a responsabilidade da qualidade de meus instantes presentes, somente a mim e a mais ninguém, nem mesmo a Deus, pois afinal, deu-nos o livre arbítrio.
Pelo menos é o que dizem. Não é mesmo?
Por que estou escrevendo sobre isso?
Sei lá...Talvez porque eu esteja muito magoada e este seja justamente um dos métodos que encontrei para não me deixar abater e ser dominada pela raiva ou frustração que no meu entender, faz brotar o câncer, a gastrite e todas as mazelas que este corpo apenas humano e temporal possa somatizar.
Prefiro sem dúvidas continuar a ser exatamente como sou, ou seja:
Uma criatura que sorri por quase tudo e chora pelo aparente nada, mas que ama como ninguém este viver às vezes, safado e traiçoeiro que insiste como o Diabo em me querer, fazer infeliz.
Bom dia!!!!!!!

BANDEIRAS SOLITÁRIAS...

Recebo, pelo menos uma vez por semana, e-mails de pessoas que são influentes em suas áreas de trabalho e, além disso, são participativas nas lutas em prol de uma ilha mais adequadamente administrada.

Pelo menos nos últimos anos à frente do Jornal Variedades, pude inúmeras vezes, constatar o esforço dessas criaturas em manter de pé a fé de encontrar eco em suas denúncias e constatações. Entretanto, lamentavelmente, as vi sim, ao contrário do logicamente esperado, ficarem absolutamente sós em suas lutas, sem qualquer apoio real, que lhes fossem dados de qualquer área humana dos dois municípios.

Por outro lado, também contrariando as lógicas encontradas no mundo inteiro, as pessoas por aqui não se unem a favor de uma luta que possa a vir melhorar esta ou aquela condição precária na qual se encontrem.

Tudo parece ser permitido, não havendo qualquer noção mais aguçada de cidadania e, então, explica-se o crescente abandono à todas instituições, tornando o ato contínuo de viver os direitos básicos totalmente nulos, sem que haja qualquer reação de repúdio, inclusive mantendo-se um silêncio cúmplice e doentio em relação aos algozes de tamanha desfaçatez.

O mais impressionante ainda é a omissão, justo daqueles que tiveram a possibilidade de sair para a capital para cursar universidades e que deveriam estar mais conscientizados, assim como politicamente mais engajados em relação às causas sociais dos menos favorecidos que, afinal, são a maioria esmagadora.

É normal dizer-se que a culpa é da cultura. Será?

Vejamos:

Segundo Aurélio, cultura é o conjunto de conhecimentos em determinada área.

Deduz-se então que se salvando as crenças, fraco artesanato e o meio de sobrevivência, como a pesca, não se criou nenhum outro padrão que pudesse ser incorporada a expressão Cultura em todo o seu âmbito, que abrangeria, principalmente, ao que tange a intelectualidade, permanecendo as pessoas em seus meios sociais absolutamente limitados, não absorvendo as infinitas informações disponíveis como TV, Rádio, Internet, ficando estes meios de comunicação restritos a tão somente músicas, programas de auditório, Orkut e jogos eletrônicos.

Seria então mais correto, dizer-se que existe uma falta de cultura que engessa sistematicamente as mentes a uma logística vivencial na qual apenas poucos itens são culturalmente absorvidos, matando, sistematicamente, qualquer possibilidade de desenvolvimento em áreas de fundamentais importâncias, mantendo e criando sempre novas criaturas desassociadas de entendimentos quanto aos seus direitos e deveres, que lhes proporcionariam um evolutivo crescimento intelectual e, portanto, cidadão.

A conseqüência inevitável é a presença da inércia postural e mental, seguida de um servilismo a todo e qualquer agente manipulador, e como a fome é uma constante ameaça, cada criatura, torna-se refém do medo em perder os privilégios adquiridos através de uns poucos que espertamente conseguiram furar o bloqueio da ignorância sistêmica e se lançaram como facas afiadas a ceifar toda e qualquer possibilidade de dignidade do restante, ficando todos os demais, ano após ano, comprimidos no mesmo balaio da cegueira da ignorância.

Esta é uma violência tão brutal quanto as que têm sido combatidas no Complexo do Alemão e demais comunidades do Rio de Janeiro e que tanto nos comoveu, onde armas de fogo ou abusivas investidas de poderes corrosivos, oprimindo e destruindo vidas, tirando a liberdade, razões maiores da existência humana.

Qualquer mudança só ocorrerá, em longo prazo, com a inserção de um sistema educacional eficaz e, em médio prazo, através de gestores e legisladores sérios e comprometidos com o bem público e conseqüentemente de seus cidadãos.

Entretanto, para que esta maravilha ocorra, vozes que se levantam, precisam ser apoiadas, para que os idealismos se transformem em realidades, para que as Itaparicas e Vera Cruzes desse imenso e diversificado país, comecem a ter o direito supremo de se desenvolver, oferecendo oportunidades de vida digna verdadeiramente a todos e não somente o que os olhos dos de fora possam alcançar.

domingo, 2 de janeiro de 2011

JÁ NEM ME LEMBRO

Nossa!
Comecei o ano pegando pesado, primeiro cobrando dívidas aos políticos, depois esculhambando com o turismo do horror.
E agora, vou falar do que se o universo do qual estou inserida neste momento só pensa e age no ritmo do arrocha e o calor para completar está um verdadeiro inferno.
Pois é, falando nisso, penso que conforme diz o meu amigo Fialho, quando falo que estou ficando velha:
- Ficando?!....
E ri, alisando a barriga.
Ele e outros tantos é que fazem a alegria desta luta diária, pois descontrai e nos leva a pensar que sempre vale a pena se a alma não for pequena.
Plagiei Fernando Pessoa, mas afinal, o que fazemos por todo o tempo, não é copiar aqui e acolá o que achamos interessante nos outros, dando o nosso toque pessoal de criatividade e competência?
Sei que estou na realidade escrevendo abobrinha, mas penso que é bem melhor que lamentar isto ou aquilo ou simplesmente não sentir nada.
Então, coloco em letrinhas os meus ais e quando acabo de escrever, ai ai...
Já nem me lembro...
Do que mesmo eu estava reclamando?
Um beijo amigo em cada um de vocês e que os seus amanheceres sejam de absoluta paz, de preferência sem o arrocha, a não ser que gostem.

TERRA DE NINGUÉM

O verão chegou e com ele a esperança de melhores negócios para os comerciantes da Ilha.
Até aí, nada a reclamar, mas em se tratando de qualidade:
Meu Deus ! Esse ano a baranguiçe se superou.
Sinceramente, nunca constatei um número tão expressivo de gente feia e mal encarada como agora.
Dá vontade, dependendo da hora ou do lugar, de correr ou chorar e se acrescido a todo este horror perante os céus ainda for adicionado os sons dos carros com o cancioneiro da barbárie que eles fazem questão de invadir mentes e ouvidos alheios, aí, bem...
Só rindo para não sair matando um por um.
Que coisa de se dizer, Dona Regina!
Particularmente, estou muito, mas muitíssimo triste com o abandono que nossa cidade está exposta, só se salvando a retirada do lixo diáriamente em Itaparica, graças ao amigo Denilson, que até pode não ser lá muito simpático para alguns, mas que inegavelmente tem feito a sua parte dentro do figurino esperado. Menos mal, mas em contra partida, todo o restante parou há muito tempo.
Quem chega, faz o que quer, inclusive ri e esculhamba com a cidade, nos fazendo lembrar que por aqui tudo é uma vergonha e que devemos dar graças a Deus deles ainda virem para cá.
Fazer então o que, se nem a polícia por aqui tem moral?
Moral e braveza, só mesmo com os moradores sofridos, se cruzarem sem carteira ou com o IPVA atrasado, com algum deles em uma blits da Operação Verão, mas até eles desapareceram, por que será?
Socorro!!!!!!
Que pelo menos possamos ganhar um bom dinheirinho, pois quanto a paciência, esta já foi pro saco, nesta terra de ninguém.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Estamos esperando...

Hoje, ao assistir a posse da Presidente Dilma, fiquei particularmente feliz por enxergar o deputado ACM Neto sentado à mesa dentre os políticos mais influentes do nosso país.
E aí, penso orgulhosa que nós de Itaparica, mesmo com um eleitorado reduzido, contribuimos para a sua reeleição.
Fizemos um trabalho sério, acreditando na vitória que se concretizou.
Agora, esperamos ansiosos que as promessas de campanha em relação a nossa sempre esquecida Itaparica, comecem a acontecer, como por exemplo a festa da vitória, que apesar de parecer futilidade, em muito contribuiria para a elevação da auto-estima deste povo que vem sofrendo nos últimos dois anos um abandono total.
O mesmo esperamos do agora deputado Bruno Reis.
O único receio que tenho é que, por vivência, também sei que, na medida do sucesso crescente, as memórias políticas se ofuscam, e aí, só nas próximas eleições, quando a memória do povo estiver amortecida, eles retornem.
Se bem que nos últimos oito anos, o povo vem acordando e mudando suas opiniões.
Fico quietinha somente apreciando as alternâncias comportamentais, tanto de um lado como de outro, apesar de ter que reconhecer que alguns políticos continuam agindo exatamente como sempre, talvez por esta razão muitas coisas se alteraram no cenário nacional e regional, fazendo esquentar muitas cabeças, assim como mudando muitos conceitos.
Estamos sem dúvidas na era do populismo, pois o povo vem gostando de ser alisado em seus egos e bolsos.

Ter fé é ter crença ou convicção em algum dogma, seja religioso ou tão somente filosófico.

Os mistérios, sempre precisaram ter uma explicação para que o humano pudesse acreditar em forças maiores que a si próprio, reconhecendo assim a sua fragilidade em relação ao que lhe parecia fora de qualquer entendimento.

Mais adiante, o ser humano também veio, ao longo de sua história, buscando amparo ao seu espírito, pois foi percebendo o imenso vazio que existia em sua existência, apenas vivenciando a rotina de seu cotidiano, sem que houvesse uma linha agregatória com o universo misterioso que pudesse fazer um sentido mais amplo ao seu ser.

Percebia a necessidade em possuir algo que fosse mais poderoso que ele, justo para que se estabelecesse uma sensação de segurança extra a si próprio, inclusive que o amparasse, justificando principalmente seus dissabores e frustrações, ou seja, tirando em grande parte sua responsabilidade quanto ao sucesso, mas principalmente o fracasso de suas aspirações.

Claro que longe de mim qualquer atrevimento maior em definir o princípio das manifestações de fé, muito porque, não disponho de dados e qualificação específica. Estou apenas fazendo um link dentro do que acredito estar ligado ao sistema social e a formação indutiva que levou o humano a tirar grande parte do seu controle sobre sua própria vida, transferindo sem cerimônia o seu destino a Deus ou Deuses e Deusas que mais se afinassem com as suas necessidades e fragilidades.

O que observo contemporaneamente é uma divisão acentuada entre religião e espiritualidade, que aparentemente é o grande atrativo de qualquer religião que se formou.

Enquanto nas religiões trocam-se hábitos e costumes visíveis, na espiritualidade, busca-se uma reforma íntima.

Nas religiões as criaturas são induzidas a crerem em algo externo e recoberto de mistérios e sobrenaturalidades, enquanto na espiritualidade ela é direcionada a crer em si mesma, buscando reconhecer-se nos mínimos detalhes e conseqüentemente ir alterando tudo quanto vá percebendo não ser adequado a uma vivência mais suave e agregatória de prazeres pessoais.

Na realidade, busca-se em ambas tão somente a felicidade que se expressa de mil formas de acordo com a necessidade de cada uma, mas que podem ser resumidas em apenas três itens.

Amparo financeiro, amoroso e emocional. Enfim, busca-se um bendito equilíbrio existencial.

Entretanto, observa-se que dificilmente as criaturas atingem estes patamares simultaneamente, pois na realidade, apenas focam o que o sistema no qual está inserido mais exige, abrindo uma lacuna e deixando-a sempre desguarnecida na prática, pois afinal, torna-se impossível servir-se a mais de um senhor.

Este particular, o senhor que automaticamente é desprezado é justamente a si próprio, privilegiando então um senhor que pode surgir com identidades diferentes, mas que na prática é sempre um ser intocável e místico, alheio a quaisquer entendimentos que não estejam embutidos em dogmas robotizantes, fazendo com que, através desta postura, nasçam sentimentos de mil formas de apartheid, justo para camuflar o que jamais poderá ser camuflado, que são as necessidades reais e absolutamente individuais de cada criatura.

Observa-se que em algum momento ou por todo o tempo, fora do ambiente religioso e longe da visão de seus pares, a criatura se expõe, deixando eclodir o que foi sufocado em nome de uma pseuda-tranqüilidade que em hipótese alguma encontra eco nas suas posturas e principalmente intenções.

Por que começo o ano escrevendo sobre a fé?

Talvez para que eu mesma não esqueça em momento algum o quanto preciso ficar atenta ao meu equilíbrio pessoal, abastecendo-me por todo o tempo da fé em mim mesma e da responsabilidade de meus atos e intenções.