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Mostrando postagens de Junho, 2012

COISA FEIA, GENTE FEIA, POSTURA FEIA...

Em 1977, em meio a uma ditadura militar, uma crônica que escrevi pela passagem da semana Santa que finalizei, dizendo: “Senhor, perdoai-os, porque não sabem o que fazem”, custou-me a dor de passar anos a fio sem escrever em jornais e revistas.
Sem poder trabalhar em minha profissão e principalmente fazendo o que amava, busquei outros rumos de sobrevivência, sem, no entanto, abandonar minhas convicções e a certeza absoluta de me manter firme na coerência de meus propósitos profissionais, resguardando tenazmente minha dignidade pessoal, bem maior só comparada a minha própria vida.
A Ditadura, apesar de longa e desastrosa, deixou sequelas, mas passou, levando consigo o ranço da coisa ruim que representava, e aí, agora neste instante, desfila em minha mente outras situações, outros momentos desagradáveis que o ato contínuo de viver apresentou a mim, no decorrer da vivência, e surpreendentemente, sorrio, afinal, voltei a escrever e a ditadura foi derrubada.
Sorrio, sentindo o meu rosto ilumi…

AO SOM DO CROQUE, CROQUE...

Mastigo umas nozes e o som do croque, croque, me remete à infância, aos natais na casa de minha avó paterna. Fecho os olhos e sou capaz de reviver a cena, tantas vezes repetida, cujo cenário rico me encantava nos detalhes elaborados com extremo carinho pelas mulheres da família.

A elegante e grande mesa, posta no centro da sala, forrada com toalha branca engomada e bordada, fartamente adornada com finas iguarias, que meus olhinhos de criança desejavam, fazendo parecer que o tempo para devorá-las, não chegava nunca.
Fecho então os olhos eternizando a memória, revendo instantes fascinantes que de tão poderosos e resistentes, me levam a um quase delírio de prazeres, através do simples ato de mastigar pequenas nozes.
Croque, croque, e então, posso enxergar a fumaça subindo e se perdendo pelo caminho de encontro ao nada do espaço das paredes brancas da cozinha, onde minha mãe, com uma enorme colher de pau, continha os siris que desesperados, tentavam escapulir, fincando suas garras nas borda…

O SABIÁ

O sabiá afoito chama a minha atenção e instantaneamente olho através da janela, na busca insana de poder enxerga-lo entre as infinitas folhas verdes e os emaranhados de galhos que serpenteiam as copas das arvores que filtram a chuva fina neste começo de manhã de terça-feira, que particularmente espero que seja repleta de luz.

Respiro fundo como de hábito, espreguiço o corpo e sinto um leve arrepio que me faz lembrar que o inverno chegou, mesmo que de mansinho, mesmo que acanhado, diante do sol ardente que, poderoso, não cede o seu lugar, induzindo-me ainda a crer que o verão permanece, nem que seja na impressão gostosa de sua intrometida, mas bem feita presença em partes do dia.
Enquanto analiso este quase duelo entre o sol abusado e a tímida chuva, reparo que o sabiá cantador não está solitário nesta sua cantoria, pois noto a presença de canários sopranos e de outros cantadores que não distingo quais são.
Penso, então, que não estou sozinha neste meu acordar bem cedinho, pois logo encon…

Ainda o desencanto...

E aí, sentada em minha velha e aconchegante cadeira de balanço na varanda, logo bem cedinho, e olhando a natureza que totalmente despudorada se exibe para mim, deixo-me voar em minhas considerações a respeito da natureza humana e, mais uma vez, constato o quanto ainda nada sei a respeito e no quanto já não me surpreendo, ficando tão somente um pouco triste, pelo natural desencanto que me invade.

Olho então para as copas das mangueiras e dos coqueiros em uma silenciosa busca de amparo, tentando extrair dessas fortalezas, subsídios inspiradores que me façam compreender sem tantas tristezas a pequenez que ainda nos assola, enfraquecendo a vida em seu gigantismo que persistente, resiste em nós.
E aí, penso neste instante no quanto me abasteço, me amparo e me socorro, porque busco com admiração e com certezas, o sempre presente carinho que disponível se encontra em meus momentos de profunda reflexão, fazendo-me, assim, enxergar, sentindo um certo “Deus” em sua mais ingênua e palpável express…

CHOVE LÁ FORA

Chove lá fora, mas não no meu coração que mais uma vez bate forte sem aparente motivo, mas que somente eu, no reservado de meu íntimo, posso compreender, reproduzindo estas minhas emoções momentâneas em um sorriso maroto, mais condizente com um sol ardente, no entanto, não menos coerente com a alegria de poder usufruirdestes constantes instantes benditos de pura felicidade que, somados, desfilam em minhas lembranças, sem cortes ou adendos, mas todos, absolutamente emocionantes, a ponto de acelerar o coração, umedecer os olhos, arrepiar o corpo nesta manhã de sábado de um outono chuvoso, que me é capaz deinspirar a desejar a você que me lê neste instante, um dia repleto de emoções, sejam elas quais forem, pois afinal, estamos vivos e isto é tudo quanto basta para que tenhamos a possibilidade de fazer ou refazer qualquer coisa.

Inclusive, perdoar a nós mesmos, por ainda não termos sido capazes de enxergar o sol que arde incansável em nossas possibilidades pessoais, presos que nos mantemo…

VIDA....BEM MAIOR

No início deste mês de junho, tivemos uma semana dedicada ao meio ambiente e à sustentabilidade, e pessoalmente fiquei encantada, pois mais uma vez, pude constatar o envolvimento de algumas pessoas que verdadeiramente tem consciênciaambiental, fazendo de suas vidas, o ano inteiro, exemplos da aplicabilidade desta mesma conscientização, a despeito de estarem praticamente sozinhas em inúmeras ocasiões e totalmente esquecidas e tão pouco reconhecidas e apoiadas pelos órgãos públicos, independentemente de onde estejam.
Ainda bem que elas existem e ainda bem que nos fazem lembrar a cada ano de que existe um planeta pedindo socorro, mas penso então, no quanto seria mais vantajoso se esta lembrança nos chegasse a cada instante, através de ações cotidianas se houvesse um pequeno amparo governamental com o apoio maciço da mídia, igual acontece quando do período político ou mesmo quando o assunto é novela, crimes bárbaros, ou corrupção.
Que maravilha seria, não é mesmo?
Imaginem, os jornais de hor…