sábado, 28 de dezembro de 2013

SIMPLES ASSIM

Ontem, teria sido tão somente mais uma noite especial, dentre todas as outras que tenho vivido em minha Itaparica, se eu não tivesse sido novamente convidada a participar de um evento social que aconteceu no Distrito de Misericórdia.
A festa que recebeu a denominação de “Oscar do Futebol 2013”, reúne anualmente crianças e adolescentes, juntamente com seus pais, parentes e amigos, para receberem o justo prêmio por suas atuações  futebolística, no decorrer do ano., além de ressaltar seus desempenhos escolares.
Como observadora contumaz, sempre após qualquer holofote, coloco-me em um ponto estratégico e passo a analisar as posturas, mas, principalmente, os rostos que, afinal, são os espelhos das almas.
Este refrão popular é o mais sábio dos provérbios, pois revela emoções que jamais alguém conseguiu camuflar de seus próprios olhos ou de seus semblantes como um todo, pelo menos para os que, como eu, passou a vida inteira buscando identificá-los em suas reais sensações.
Bem, o que quero mesmo ressaltar, foi à constatação de uma genuína alegria de grupo, com direito a torcidas especiais, lágrimas, sorrisos e muito brilho de jovens que, em sua maioria, esperam o ano inteiro para naquele momento vestir suas melhores roupas, perfumar-se e, gloriosamente, subir no palco para receberem seus troféus de glória pelos seus desempenhos pessoais.
E aí, penso na vida, na grandeza que reside em cada um de nós, na potencialidade criativa, no poder que possuímos para procedermos a alterações gigantescas em nossos universos pessoais e no quanto somos vergonhosamente preguiçosos, displicentes e mesquinhos.
Penso nos benditos anônimos que superam suas legítimas limitações de quase tudo para ainda, assim, doarem seu tempo, seus sonhos a aqueles que acreditam estar precisando, mais do que eles.
Poderosos anônimos, a maioria sem rosto social, mas com um poder magnífico de energias que transformam e fazem toda e qualquer diferença neste mesmo contexto social, pois promovem a vida a cada instante e estabelecem o amor como meta básica de suas passadas pessoais.
O sol translúcido desta manhã descortinou-me a certeza incontestável que para um alguém se sentir um verdadeiro sucesso sistêmico, precisa, antes de tudo, saber elevar o próprio olhar, além de si mesmo e sem limites, sem firulas deixar a sua alma se espelhar no tudo no qual se encontra inserido.
Parabéns à Neto e a todos os demais que integram a equipe de dirigentes da ESCOLINHA DE FUTEBOL DA MISERICÓRDIA, pelo belíssimo programa que desenvolvem com tão pouco, mas que como resultados práticos, oferecem tanto.
Concluo o que sempre soube que, afinal, educação é um atributo de todos, é postura pessoal e, acima de tudo, é visão aglutinativa que pode ser exercida com  o aparente nada de toda a nossa vontade voluntária de simplesmente participar, doando o melhor que, certamente, reside em cada um de nós.
Afinal, não podemos mudar o mundo com uma vara de condão, mas certamente em passes de mágica, contínuos e serenos, fazemos verdadeiros milagres com o despertar de nossos sentimentos amorosos em relação aos demais, sejam humanos ou não, nas vivências de nossas existências.
Portanto, creio que só nos tornamos o maior milagre da vida, quando somos capazes de enxergar a vida em outro alguém.
Simples, assim...


quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

DEPOIS DO NATAL


Estou terminando 2013 sentindo-me magoada e tentando reter o pouco de brilho que me restou, cansada que me sinto com a mesmice que ainda me cerca, com as ingratidões que surgem sempre de uma aparente surpresa, mas que na realidade sempre foi clara e bem explícita, pelas grosserias que o sistema através das pessoas traz a cada instante e que somos testemunhas oculares, sejam em família, nos redutos de trabalho ou diversão.
Sempre que acabam as festas natalinas, permito-me um retrospecto anual e, infelizmente, não existem mudanças, quando muito, personagens. Esta parada folclórica obrigatória, onde somos induzidos a festejar, mesmo não querendo, cria pelo menos em mim, um enorme desalento por constatar que tudo está exatamente igual, ou seja: as pessoas sorrindo e desejando aos demais tudo quanto sempre desejaram para si, sem jamais o terem  conseguido, principalmente, o direito de não gostarem e poderem dizer em bom tom, que não querem participar deste teatro social de muitos palcos coloridos e fartos e de muitas solidariedades pontuais, mas de um total desapego humanitário, ficando o exclusivismo, como tônica maior.
Neste período de fantasias e ilusões, compramos nos shoppings as adrenalinas necessárias para que possamos acreditar que não estamos sozinhos e que somos amados, num frenesi de mercadorias envoltas em papeis coloridos, ao som de baladas adocicadas, tendo como pano de fundo, sininhos que nos remetem aos contos infantis, onde tudo era sonho de infinitas cores e emoções.
Escrevendo assim, pode parecer que sou uma insensível, incapaz de agregar amor e fraternidade e talvez, realmente eu o seja, se o foco for a mesmice a cada ano e o vazio que o mesmo produz, afinal, me pergunto  a cada ano:
-O porquê de não mudarmos esta estrutura viciada e simplesmente praticarmos o Natal o ano inteiro, aprendendo a ouvir a todo aquele que precisa falar, assim como falar para todo aquele que precisa escutar, presenteando quando o coração determinar, mas principalmente agregando a cada dia de um ano inteiro a bendita humanidade com a qual nos vangloriamos, mas que também, a cada ano, se distancia de nós?
Perdoem esta minha mais autêntica tristeza de estar terminando mais um ano de uma longa e maravilhosa vida, lamentando toda uma ausência de veracidade em sentimentos coletivos e individuais em um mundo de guerras e fome, que fingimos não ver, não sentir e muito menos expressar.
E Jesus e seus ensinamentos, aonde mesmo que eles se encaixam?
Como eu disse anteriormente, desalentada, por que não?



domingo, 22 de dezembro de 2013

CHOVE LÁ FORA...


Chove lá fora e os cheiros de terra molhada, de grama lavada, de frutas frescas, chegam até a mim de forma majestosa como se a natureza quisesse me informar que, afinal, o verão está chegando, lindo, ensolarado, às vezes chuvoso, mas absolutamente encantador com seus aromas e cores, tudo sob a tutela de noites estreladas e dias ensolarados.
            Os pássaros destemidos escondem-se entre as folhas por sobre os galhos embalando a natureza, com seus cantos e leveza.
            Ouço-os neste instante, assim como ouço a chuva esparramando-se sobre tudo, formando sons diferenciados que vou acolhendo em mim, fazendo deles inspiração para soltar também as minhas asas imaginativas e voar horizonte à fora com a certeza absoluta do retorno garantido.
            E nesses bateres de asas, vario de rumos, permitindo-me, inclusive, sentir-me eterna entre os pássaros que seguem orientando, tal quais as margens de meu eterno riacho com o qual convivi em minha infância.
            Bendito verão que se aproxima, benditas lembranças que me aquecem, bendita vida que me pertence, bendito amor que me abraça.
            E aí, um trovão soa à distância.
            Soa à distância um raro trovão.
            Coisa de quase nada que a natureza produz,
            Talvez para nos lembrar
            Que ter cuidado, também é preciso.
            O Natal está chegando e com ele o verão que, certamente, aquecerá os seus corações, permitindo-lhes o encontro com o “Arco Iris” da vida plena, que existe dentro de vocês.

Um beijo no coração de cada um de vocês, amigos do face e o meu desejo sincero de um final de ano, repleto de paz.

sábado, 7 de dezembro de 2013

MEU IRMÃO: Eugênio Carvalho - Uma viagem pela evolução do áudio.

Rodrigo Bertolucci

Com um currículo invejado e considerado um exemplo pelos profissionais de sua área, Eugênio Carvalho, de 68 anos, passou mais de duas décadas como operador de áudio. Vozes como a de Roberto Carlos e de outros nomes da música popular brasileira e até de ídolos internacionais foram trabalhadas pelo especialista, que começou sua carreira na Rádio Ministério Educação (RJ), em 1960, além de especiais de final de ano do cantor Roberto Carlos, da TV Globo.

Eugênio Carvalho já trabalhou com festivais que marcaram época como os 100 anos de MPB e até no Rock in Rio edições I e II. Ele ficou até 1962 na Rádio Ministério Educação trabalhando na discoteca e sendo operador de mesa de som. Na época, atuou mais com música clássica. Dali ele foi para a TV Rio, onde teve a oportunidade de trabalhar em todos os programas que eram exibidos como, por exemplo, o de Rita Pavone, cantora italiana que na época estava no auge. “Todos os nomes internacionais que vinham nesse período passavam por lá, até o filho do Frank Sinatra, que hoje está de volta. Eu também participei do trabalho de outros artistas que estiveram no Rio fazendo show, como do cantor Johnny Madison”, lembra Eugênio. Ainda em seu currículo, Eugênio participou do movimento “Jovem Guarda”, que também ocorria em São Paulo, mas que era feito no Rio de Janeiro, isso ainda na década de 60. Mais tarde, Carvalho chegou a encontrar toda essa turma no estúdio da CBS, onde passou a trabalhar. “Ainda quando estava na TV Rio, o engenheiro da CBS Sérgio Lara Campos me convidou para fazer parte de sua equipe”, comenta.

 
A primeira música que Eugênio trabalhou na CBS foi “Calhambeque”, de Roberto Carlos. “Essa foi a primeira gravada e mixada por mim e pelo Sérgio, que além de engenheiro também era operador de mesa”, destaca. Carvalho trabalhou com o cantor Roberto Carlos, em estúdio, de 1963 a 1975, depois acompanhou o artista em seus especiais de final de ano na Rede Globo. “Eu gravava tudo, desde a base, a voz, mixagem. Tudo. Já em 1975 Roberto começou a fazer a base nos Estados Unidos. Ele trazia as fitas e os playbacks de lá e colocava a voz, o coro e mixava aqui”, conta Carvalho. Depois de algum tempo, Roberto Carlos passou a fazer tudo nos Estados Unidos. “Chegava aqui, a gente só fazia os reparos, colocava coro e outros detalhes de edição”, diz.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

A PATOLOGIA DA INVEJA DESMEDIDA


Realmente, alguns seres humanos se assim podemos chamá-los, não possuem a capacidade natural dos demais em assimilarem limites em seus devaneios mentais.
Desde que aceitei a condição de estar a frente da programação da Rádio Tupinambá, tenho sido alvo de agressões contínuas que infelizmente, vem acompanhadas do anonimato de pessoas que se utilizam de “fakes” para falarem o que bem entendem, ofendendo, denegrindo  e minando todas as resistências de tolerância que aprendi a ter com os invejosos e infelizes, sem que nada lhes aconteça em termos de punição jurídica, justo porque, por desconhecermos os caminhos legais que amparam os procedimentos que envolvem crimes virtuais, ficamos restritos ao abuso e a impunidade, restando-nos apenas  o consolo de dispormos de uma imensa paciência e até mesmo compreensão a estas pessoas que desconhecem o que significa um não em suas vidas e aí, recalcadas ao invés de seguirem suas vidas tentando outros caminhos, empenham-se como desesperados em destruir no mínimo o trabalho que no fundo , creem serem por direito, unicamente delas e aí, incansavelmente, encontram forças obstinadas e muitas vezes apoio de alguns afins, para infelizmente, não terem limites em suas patológicas ações.
Há algum tempo atrás, pensei ter tirado de minha lista de amigos virtuais, não só os “fakes”, como todas as pessoas que infelizmente de uma forma ou de outra, nada acrescentavam além de trazerem fofocas e “disse me disse”, inúteis a qualquer pessoa que como eu e tantas outras que compõem a minha rede de amigos  dispensam as maldades e os ignorantes revestidos de falsa inteligência e elegância.
Ledo engano, pois deixei passar batido um “fake” que se intitula NATANAEL VERA CRUZ que pelo primarismo de sua escrita, notoriamente é desta cidade e também muito frustrado ou (a), talvez por não ver qualquer possibilidade de também auferir através de sua competência, benécias profissionais que não sejam as produzidas por suas firulas e escândalos pessoais que impiedosamente, lança em quem verdadeiramente, busca realizar um trabalho social como é o meu caso a frente da única rádio oficialmente autorizada pela ANATEL como comunitária da cidade de Itaparica.
Deixo claro que me utilizo deste recurso público, pois o referido “FAKE” NATANAEL VERA CRUZ, bloqueou ou foi bloqueado de alguma forma para receber resposta através dos comuns bate-papos.
Portanto, a ele e a quem mais interessar, deixo registrado que minha postura será sempre o de lamentar que em um local tão bucólico, pequeno e ainda repleto de paz, ainda existam pessoas que venham para cá para trazer discórdia, falsas verdades e muita infelicidade pessoal e que através de seus desequilíbrios, passem suas existências na busca de searas que jamais lhe pertencerão, pois falta-lhes acima de tudo a autenticidade de propósitos e sentimentos que são facilmente reconhecidos, muitas vezes tolerado, mas verdadeiramente, jamais aceitos e estreitados como tenho sido, desde o bendito dia em que cheguei com minha família a este paraíso que hoje, com orgulho, chamo de meu, reconhecida que fui pela câmara de vereadores como cidadã Itaparicana.
Peço a Deus que  abençoe e amanse o coração dos doentes de alma e aproveito para agradecer a este Deus maravilhoso que por todo o tempo, não me deixa esquecer que a vida é bonita e é bonita.


sábado, 30 de novembro de 2013

TRAGÉDIA ANUNCIADA


Dizem, e eu acredito, que toda e qualquer tragédia de alguma forma é anunciada, nós serezinhos acomodados e distraídos é que estamos sempre a um passo atrás de nossa capacidade, seja sensitiva ou racional.
Uma vez que ela acontece, esticamos o dedo anular e como papagaios ficaramos repetindo:
- Eu avisei!!!!!!
Não é exatamente assim que procedemos?
Pois é...
A partir deste infortúnio – atropelamento de um rapaz de 15 anos por uma moto na ciclovia - que certamente poderia ter sido previamente evitado, rumos coerentes à lógica e ao bom senso são automaticamente implementados.
Mas e daí?
Afinal, vidas são perdidas ou desperdiçadas, assim como instantes são consumidos, corrigindo-se erros primários que a arrogância, o orgulho e até mesmo a falta de observância podem acarretar.
Detesto o dedo em riste, seja direcionado a mim ou a quem for, mas não posso me calar diante do que ocorreu ontem à noite na orla de Itaparica, pois minutos antes do ocorrido, precisei alertar ao meu marido de uma moto que estava vindo sem qualquer cerimônia pela ciclovia onde nos encontrávamos conversando, em frente à Praça da Quitanda.
Penso, então, que poderia ter sido com ele, caso por lá eu não estivesse, pois por escutar pouco e estar de costas, certamente teria sido atingido, pois é público e notório que alguns motoqueiros desconhecem os freios de suas motos e principalmente o respeito à vida deles e dos demais.
Portanto, creio eu, na humildade de minhas observâncias, que algo urgente precisa ser feito para que em um futuro breve de verão que se aproxima, novas situações semelhantes ou piores venham a ocorrer e, assim, sejam evitados os dedos em riste e, principalmente, as tão frequentes e desnecessárias tragédias em um local de beleza e, certamente, de paz inigualáveis.
Mas aí, colocando a mente para recordar, também é inevitável não se lembrar de quando Eliana Dumet  implantou esta ciclovia, de como estes mesmos que ora colocam o dedo em riste, também o fizeram, inclusive apelidando os piquetes de “TIJOLO DE BAIANO”, coisa sem estética, de 3º mundo e o escambal.
Enfim, o que desejo ressaltar é que, infelizmente, somos um povinho sem educação, mas principalmente sem qualquer observância para entender que quando se instala algo novo é preciso que se avalie o grau de entendimento de seu devido uso, justo das pessoas envolvidas, pois foi exatamente isto que a competente senhora observou, afinal, estava-se criando novos hábitos e, para tanto, necessário se fazia a instalação do óbvio educativo.
Os feios tijolos, nada mais determinavam além do sentido de limite, que também, afinal, certas pessoas jamais serão capazes de absorver, pois mesmo em tempos de TIJOLOS DE BAIANO ou coisa e tal, moleques irresponsáveis desfilavam suas motos, se bem que reconhecidamente por todos nós em infinita menor escala.
Bem... Entretanto, reclamar do dedo em riste é bem mais fácil que abandonar o orgulho e reconhecer que se estava no mínimo equivocado, assim como colocá-lo em riste  também é mais fácil que se colocar no lugar do outro e pensar que também poder-se-ia cometer estes mesmos absurdos.
E será que eu nunca os cometi?????????
Ser a palmatória do mundo é sempre mais fácil do que agregar compreensão que, se tivermos observância, produz infinitas mudanças.
Que este sábado ensolarado seja uma porção mágica de respeito ao bem comum no coração de todos nós, pois, afinal, estamos todos em um continuado aprendizado.



quarta-feira, 27 de novembro de 2013

AO MESTRE COM CARINHO


            Três botões de rosas que surgiram e desabrocharam praticamente ao mesmo tempo, como se houvesse um acordo pré-estabelecido para que, ao vê-los, minha surpresa fosse ainda maior.
            Assim é a vida que se apresenta dividida em três tempos: o nascer, o vivenciar e o morrer.
A base de todos os meus estudos tem como propósito levar a criatura humana a buscar o equilíbrio, na aceitação da morte para que esta compreensão, consiga induzi-lo a uma vivência mais plena quanto ao reconhecimento desta sua presença na vida e no quanto ela é vulnerável e finita.
Quanto maior é o entendimento e aceitação da finitude, maior é o respeito ao momento presente, aos instantes que o forma e o qualifica.
A criatura que consegue este grau de compreensão respeitosa de seu tempo, reconhecendo a certeza de seu fim, que pode ser em qualquer desses instantes, não se permite maculá-los, destruí-los em nome de absolutamente nada.
Além disto, a criatura se torna um ser mais forte, mais objetivo e, acima de tudo, incapaz de aceitar algo ou uma situação que possa estragar ou destruir o tempo que ainda lhe resta.
Ela simplesmente se torna amorosamente seletiva, não permitindo invasões que reconhece serem inúteis, tornando-se uma criatura mais coerente, mais sensata e muito mais respeitosa com os instantes dos demais, sejam humanos ou não.
Atualmente é possível observar-se os doutores da Educação formal, defenderem a tese de que os ensinamentos básicos da sustentabilidade do meio ambiente devem ser inseridos no curriculum escolar.
Penso que seria o ideal, mas creio que se não houver a inserção do fundamentalismo da vida como um todo a partir de si mesmo, em nada surtirá efeito, já que a criança precisa prioritariamente se reconhecer vida para, então, desenvolver a habilidade em conservá-la.
Independentemente de qualquer iniciativa que venha de encontro ao entendimento dos cuidados que se deva a ter com a melhora do convívio com o meio ambiente, torna-se necessário que a criança seja induzida a pensar em si como corpo e mente, parte energética de um todo no qual ela é tão somente uma fração, mas cuja importância no somatório é determinante.
A criança precisa ser orientada a pensar nas suas ações em função das reações que delas advirão.
Portanto, as rosas existem em meu quintal e, delas, faço o néctar destes meus instantes que não sei quando se findarão, mas que por enquanto são bonitos, muitos lindos e totalmente reais.
Nesses meus instantes presentes, penso em mim e na vida que represento, penso em você que me lê e penso nas rosas, afinal, conjunto perfeito de uma mesma grandeza.


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

LOUVADA RESISTÊNCIA


Neste amanhecer de quase final de primavera, além dos pássaros com seus sons divinais, posso também sentir os aromas que adentram em minha casa através da janela, na qual bem próxima me encontro, como sempre, escrevendo.
Nesta manhã, especificamente, posso sentir com mais precisão o perfume das rosas que por estarem bem próximas, se fazem presentes, lembrando-me, então, o quanto além de perfumadas são belas.
Enquanto, neste instante, registro toda esta maravilha que, afinal, circula à minha volta e que, confesso, sempre estiveram presentes, provavelmente porque também sempre estive atenta ao belo e o presente, também penso no quanto fui tola, romântica e perigosamente infantil por acreditar que o mal, o feio e o rude podiam ser ignorados e mantidos sob total vigilância, por serem explícitos em suas performances.
Qual nada... Com o passar do tempo e a aquisição de maior experiência vivencial fui percebendo a infinidade variável de sua apresentação e no quanto eu estivera tola por crer que podia mantê-lo sob controle.
Fui aprendendo na forma mais dura a reconhecê-lo em sua incansável tarefa de por todo tempo espreitar tudo à partir de si mesmo e tentar e muitas vezes conseguir, no mínimo arrefecer a fé, abalando estruturas, contaminando tudo quanto possa de alguma forma alcançar.
Fui também percebendo o quanto seu poder de contágio era capaz de distorcer mentes até então aparentemente limpas e desprovidas da mácula do mal.
Outro ledo engano que a experiência aos poucos foi me mostrando, convencendo-me com fundamentos sólidos, que somente contamina àqueles que lhe têm afinidade e, para tanto, o mal com maestria os selecionam por todo o tempo.
Penso, então, que apesar de tudo quanto tenho vivido, sou uma resistente, pois tenho sido capaz de até mesmo conviver com ele sem dele tornar-me aliada.
Mas a que preço? Talvez ao preço de ter-me, despido por inúmeras vezes, justo para não guardar em mim qualquer vestígio de suas influências nefastas.
Dispo-me sem pensar e muito menos lamentar o que deixo para trás em minha caminhada, não me volto e, como a vida, amanheço e noiteço em constante renovação, tendo como fiéis seguidores nesta minha jornada, os sons e os aromas que encantam, sendo capazes de me manterem inspirada, apaixonada e agradecida e, além disso tudo, ainda forte e resistente para enfrentar todos os males que certamente nem sempre reconheço de pronto, mas que está sempre presente como uma espada afiada, querendo e muitas vezes conseguindo ceifar o belo, o puro e o irresistível, que se apresentam a mim e a você que ora me lê, tentando tirar de nós o direito sagrado de enxergar a vida tal qual ela é na sua realidade, roubando-nos preciosos instantes, maculando com seu vasto poder de contágio nossas óticas, turvando-nos a mente.
Então nesses momentos, resta-me levantar os olhos e também insistentemente posso enxergar o sol romper as ainda névoas da noite e, assim, penso no quanto também somos capazes de não menos insistentemente seguir em frente, estejamos bem vestidos ou quase nus, porque, afinal, acreditamos que a vida é bonita, é bonita e é bonita.

Que nesta segunda-feira de quase final de primavera, os perfumes e aromas, as cores e as luzes adentrem em suas vidas no propósito maior de resistência ao mal, na necessidade maior de se sentir em paz.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

COMPAIXÃO

Hoje acordei pensando na beleza da vida e, é claro, que logo vislumbrei o tudo de bom  com o qual ela se expressa; pensei nos animais, nas flores e nos frutos, pensei nos mares, rios e cachoeiras, pensei na terra e pensei no espaço, nas estrelas, no sol ardente e nas tempestades, pensei nos sons, nas carícias e nos aromas, e em meio a tantos pensamentos, pensei na estupidez daqueles que nada enxergam além da vaidade de si mesmos, amparando-se, geralmente, no fracasso de suas miseráveis existências, alimentados pelos aplausos dos seus sempre existentes afins.
Penso então na compaixão, no perdão e na generosidade que se precisa ter para com o grosseiro, o rude e o macabramente insensato, com todo aquele que se alimenta do próprio fel e que sobrevive como uma cobra peçonhenta, rastejando e serpenteando os feitos, a glória e os frutos alheios.
Louvada a vida que se renova a cada instante, lavando a mágoa ou a dor de quem foi atingido, fazendo nascer a cada instante a resistência bendita a estes débeis vampiros traiçoeiros que não enxergam luz e muito menos  beleza, e que apenas vagueiam sem rumo e sem prumo, mendigando  atenção com suas vampirescas presenças.
Volto a pensar nos cajus e nas mangas, generosas obras divinas da natureza que brotam no meu e no seu quintal, espalhando insistentes seus aromas a cada ano, tão somente para nos lembrar de que a vida é bonita, é bonita e é bonita.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

EQUILÍBRIO COLETIVO

Penso nisso e escrevo, pois só escrevo o que posso observar e pensar a respeito das sensações que reconheço em mim, através de minhas posturas pessoais em relação ao outro e esse mecanismo básico e, portanto, primário faz de mim, tão somente, um pessoa em busca diária de aprendizado, crendo sem quaisquer dúvidas que o poder de raciocínio interpretativo, precisa ser encarado como uma necessidade a ser inserida nas escolas, onde as disciplinas básicas devem abrir espaço para o senso necessário de aprender a aprender, através justo do conceito natural da busca do pertencimento que antes de qualquer outra importância, garante o despertar da lógica e da sobrevivência pessoal através do amparo coletivo
Dentre todas as distorções que podem ser encontrados nos relacionamentos humanos, provavelmente, a falta de observância ao devido e contínuo aprendizado em qualquer área ou dimensão, seja o mais expressivo, pois possibilita o surgimento de uma infinidade de posturas que são antecessoras de males sociais que assolam comunidades e por consequência, cidades, formando verdadeiros exércitos de criaturas atávicas, cujas vidas se estagnam, acompanhando no sentido inverso, a progressão natural do desenvolvimento humano, partindo-se do princípio que a criatura humana é dotada de uma lógica progressista que lhe garante por toda a sua existência, um caminhar envolto na busca pessoal de melhor se adaptar ao coletivo.
Daí, dizer-se que a consciência coletiva, surge a partir da consciência individual e para que esta se forme é necessário que exista um conjunto de informações que independam de uma formação formal, mas que estejam inseridas na formação cultural, através da educação chamada de doméstica ou inseridas como reeducação existencial social, através de agentes formadores de conceitos coletivos, através do realce de conceitos lógicos coletivos, baseados no conceito básico de bem e mal, sem vínculo religioso de qualquer natureza, somente embasado no reconhecimento sensitivo e lógico da criatura consigo mesmo e na sua relação com o tudo mais, formando assim um sentido de pertencimento que induz ao sentido de responsabilidade e estes ao sentido de proteção e alto-preservação, manifestações absolutamente naturais.
Os conhecimentos científicos e tecnológicos chegam a cada milionésimo de segundos, ampliando o campo de exploração e consequente entendimento da vida e é preciso que a criatura esteja consciente de seu papel neste processo, compreendendo a responsabilidade da sua ocupação espacial, assim como no reconhecimento da importância de sua existência não só para si mesmo, como para o conjunto de seu universo comunitário social e ambos para o todo existencial.
Quanto mais esclarecimento advir através do reconhecimento dos detalhes básicos da observância do bem e do mal pessoal e coletivo, maior será a consciência coletiva e maior será ampliada a sensação de pertencimento que propiciará um equilíbrio harmonioso entre o ser e o ter entre o eu e você.
Esse atropelo sistemático, possível de ser observado nos relacionamentos de todas as ordens, expressa a desordem lógica e sensitiva em que as criaturas se encontram inseridas, levando-as a conflitos em sua maioria desnecessários, uma vez que o sentido de bem e do mal existe, através das leis e das normais estabelecidas nas sociedades civilizadas e deveriam se sobrepor ao exclusivismo, assim como os parâmetros hierárquicos se perderam em meio à profusão de multiplicidades de modelos familiares, confundindo e retirando da criatura em seu período de formação psicológica pessoal e social, todos ou quase todos os parâmetros de norteamento em seus primeiros passos de convívio existencial também de qualquer natureza, recaindo o peso deste desiquilíbrio ao professor e a escola que sem dúvidas se encontram absolutamente despreparados para tão importante atribuição, afinal, a criança precisaria ser conduzida em seu todo.
Levando-se em consideração a ultrapassada fórmula de preparação profissional dos mesmos e o reconhecido declínio de qualidade do sistema educacional, principalmente do ensino público, acredito que somente a adição de um espaço dedicado a recapacitação dos profissionais na própria unidade no qual ele se encontra inserido, onde os problemas existentes, poderiam ser  identificados e discutidos, buscando-se soluções práticas e viáveis, inclusive, congregando-se a comunidade nas discussões, pesquisas e amparos devidos é que poder-se-ia sonhar-se com mudanças a médio e longo prazos, onde então, iria-se levar em doses constantes, a indução lenta e gradativa do reconhecimento da necessidade de se acreditar que através do individual, a criatura humana é capaz de capacitar-se a unir-se aos demais e assim, proceder ao tão falado e tão pouco exercido, bem comum.
Nunca houve em tempo algum como do século passado até o dia de hoje, projetos e estudos nas áreas educacionais e psicológicas, entretanto, em sua maioria se perdem nas suas aplicabilidades, justo por não encontrarem a devida qualificação dos profissionais envolvidos no processo, além de uma poderosa burocracia que emperra movimentos espontâneos, tirando das gestões educacionais a liberdade necessária que precisariam ter para exercitarem seus desenvolvimentos intelectuais e até mesmo suas percepções de necessidades detectadas em seus espaços operacionais, induzindo a acomodação, a banalização e consequente estagnação dos profissionais que se reflete no conjunto de sua atuação e nos resultados de um todo educacional.
Equilíbrio coletivo só pode ser idealizado, a partir do entendimento  cognitivo do sujeito, como uma fração de um todo.

sábado, 16 de novembro de 2013

QUALIDADE

A orquestra me acordou e, ao abrir a porta, fui recebida lá fora por aragens de infinitos aromas que me abraçaram, e no reconhecimento mútuo da grande amizade, permanecemos, então, quietos e estreitados.
Neste instante, a chuva chegou, como se de repente, o céu quisesse nos batizar, fazendo os aromas se intensificarem e as aragens soltaram-se de mim para serpentear num bailado de pura alegria, forma única de me fazerem sentir neste amanhecer de feriado, onde o ócio será minha companhia, que, afinal, sempre a qualquer momento, frente às não menos infinitas situações, a vida está presente, é prioritária e envolvente, criativa e apaixonada, se não for esquecido que ela, a vida, é bonita, é bonita e é bonita.
Bom dia! Para você que por alguns segundos que seja, esteja achando tudo muito chato e sem graça, por favor, vá até a janela, olhe para o céu e, então, abrace a vida, abraçando você mesmo, estreitando entre seus braços e seus sentimentos, o melhor e o pior de si, comparando esta dualidade com o sol e a chuva, que afinal tempera e equilibra, fazendo de você um espetáculo a parte, talvez um poema, uma postura rara ou, quem sabe, uma deliciosa aragem, carregando consigo infinitos aromas.

domingo, 3 de novembro de 2013

CHOVE LÁ FORA

Acordei e chovia lá fora e, no entanto, o pássaro assobiador não poupava seu fôlego até a pouco, quando comecei a escrever.
Não saberia identificá-lo, assim como não identifico qualquer outro, pois jamais me preocupei em saber seus nomes e até mesmo querer tocá-los, bastando-me tão somente ouví-los.
E como os ouço em suas algazarras matinais ou nos solos absurdamente únicos e especiais com os quais faço parcerias na produção de meus escritos.
Agora, enquanto escrevo sobre eles, penso em nós, criaturinhas confusas e irritantemente teimosas, às vezes incapazes de pequenos atos generosos, outras vezes, tornamo-nos cascatas de pura doação e, então, fico me perguntando por que não somos como os pássaros que abrem espaço uns para os outros e, juntos, são capazes de produzirem grandes espetáculos para nós que, se sensíveis formos às suas presenças, certamente nos inebriaremos, fazendo deles nossos mestres cantantes que, afinal, nos ensinarão pausas, tempo e harmonia.
Chove lá fora e eles ainda cantam, fazendo pano de fundo ao meu despertar deste domingo de novembro, onde, confesso, a preguiça me domina até mesmo para continuar a escrever, coisa que mais gosto de fazer, depois, é claro, de beijar na boca e viver em paz.

Para você que me lê, também sentindo preguiça, um generoso beijo, totalmente adocicado por esta natureza que me seduz, me encanta e me torna feliz.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

COISA E TAL


Dormi pouco, mas dormi bem, e agora, sentada como sempre ao lado da janela da sala, posso ouvir também, como sempre, os pássaros em suas visitas matutinas, lembrando-me incansavelmente que a vida é bonita e é bonita, e naturalmente direcionando-me a escrever sobre ela, sobre mim mesma e, é claro, sobre gente e seus valores.
E no que ouço, penso, e no que penso, analiso, e no que analiso, constato, e constatando inspiro-me e escrevo sempre buscando a coerência entre as palavras e os meus sentimentos, sabedora que sou dos perigos das emoções, que arteiras, se camuflam sempre prontas a oferecer seus toques pessoais que, afinal, mascaram as realidades, redesenhando fatos e situações com seus imaginários, então, confundindo-me.
Por que, estou pensando em como penso?
Bem, talvez porque eu esteja procurando uma forma de afastar pela lógica as minhas emoções, antes de começar a pensar, analisar, constatar e me inspirar a escrever a respeito da festa na qual estive presente, na noite de ontem, ou talvez esteja apenas enrolando a mim mesma, por não ter encontrado ainda o fio exato da meada e, deliberadamente, não  queira me sentir apenas uma narradora banal de fatos, hoje já não mais corriqueiros em meu cotidiano.
Enquanto escrevo o que penso, sou surpreendida pela chegada de minha filha à sala, interrompo e me sinto absolutamente encantada com sua presença morena, perfumada e gostosamente empolgada, por estar indo ainda tão cedo inscrever-se num mestrado, repleta de ideais, no auge de sua deslumbrante juventude que egoísta como toda mãe apaixonada que insiste em tentar reter a ideia da menina que jamais cresceu.
Diante deste quadro que começou a ser pintado em minha vida, há 26 anos, na bendita decisão de ter mais um filho, já no auge dos meus 37 anos, volto a pensar no quanto a vida é bonita e é bonita, e no quanto somos infinitamente ingratos ao desconsiderar os pensamentos, as análises e as constatações da inutilidade da coisa e tal do fútil que nos cerca, da ingratidão que nos tolhe a inspiração, do praticamente nada que empana toda a grandeza de sermos coerentes nas escolhas e nos aceites, nas negativas e nos talvez.
E penso, então, que eu só queria escrever sobre a festa... Mas, afinal, será que eu não escrevi?
Hum...
 Penso que isto está me parecendo mais um discurso, daqueles que falam de tudo um pouco e na realidade, não dizem nada.

Que coisa hein!!!!!!!!!! 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

NÃO ME DIZ RESPEITO


Fecho os olhos e, ao voltar a abri-los, penso no horror da indiferença, na tristeza do pouco caso, na solidão do abandono que cada um de nós tem sentido e praticado nos nossos cotidianos, fechando não só nossos olhos, mas principalmente nossos sentimentos em relação às mortes e à destruição sistemática que as drogas estão fazendo nos nossos cotidianos. Acreditamos ou fingimos acreditar que nada disso nos diz respeito, e que nunca seremos atingidos diretamente.
Enquanto isso, a vida vai passando, cada vez mais sofrida, pois a cada instante somos bombardeados pela violência que nos cerca, tolhendo-nos a liberdade de ir e vir e, até mesmo, de ficar em nossas casas, sem que o medo seja a tônica das conversas e pensamentos.
É uma grade aqui, uma cerca ali, e nada, absolutamente nada, tira de nós a sensação de um sempre eminente perigo, que empana nossos instantes e nos induz a desenvolver silenciosamente uma suposta indiferença, que na realidade nos torna, cada vez, mais reféns de um sistema doente e poderosamente contagioso.
Para sobreviver, buscamos a religião e a ela nos agarramos esperando que Deus que tudo sabe e tudo pode, venha resolver o que nossa lógica e nossos sentimentos por Ele a nós doados, são incapazes de superar nossa covardia e incapacidade de nos aglutinar para sermos e de querermos um mundo melhor para nós mesmos.
Que coisa, hein!!!!


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

NO ACONCHEGO


Hoje, amanheci sem o barulho da chuva no telhado, apenas senti o friozinho invasor às cobertas que atingiu o meu corpo desprevenido, que logo se encolheu  na linguagem sensitiva do não querer sair do aconchego  quentinho em que se encontrava.
Um ou talvez dois minutos tenha se passado, antes de calçar os chinelos e, finalmente, abandonar o melhor lugar do mundo que sempre foi a minha cama, meu abrigo, meu conforto de longos e preguiçosos descansos desta minha satisfatória vida.
Não me lembro de ter escrito sobre o meu sono, minha cama, meus lençóis, só lembro-me das escritas que falavam das cores, dos perfumes e dos sabores, também me lembro das que falavam dos pássaros, do mar e das pessoas, e ainda, do céu azul, das chuvas e das alegrias, sim, não me esqueci de que também  escrevi dos sentimentos e das emoções que as compõem, fiz poesias, relatos e pesquisas, fui contadora de histórias da vida real e fui registrando incansável quase tudo ao meu redor e, como águia perscrutando a natureza, quis ir bem mais longe e alcancei o imaginário.
E cá estou eu, nesta manhã acinzentada, buscando “Deus” através de um raio de sol que possa me garantir que as chuvas intermitentes do outono me ofertarão uma trégua, para que o dia das crianças possa ser ensolarado e toda programação não sofra nenhum reparo.
Bem, posso até imitar as águias, nadar profundo como os peixes e voar como os pássaros, mas será que posso também acreditar que o universo bendito aceitou me acompanhar nesta empreitada  de festa de alegria e de esperanças?
Só vou saber amanhã, quando o dia 12 chegar e minhas 500 crianças estiverem reunidas, comendo os cachorros-quentes, saboreando os refris e, é claro, engolindo pipocas que a não menos bendita solidariedade, proporcionará.
Neste instante, enquanto escrevo, ouço os pássaros em profusão, tão alegres e esperançosos quanto eu.




quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Mais uma Estrela no firmamento.


As pessoas falam em liberdade sem, no entanto, saberem como utilizá-la em suas próprias vidas.Ela soube em uma época dura e cruel, repleta de preconceitos em relação a quase tudo e principalmente em se tratando das escolhas femininas. Culta, lutadora e acima de tudo criativa, despiu-se das vestes, revelando-se profissional séria e competente no seu ofício maior que foi o de viver intensamente, tudo quanto optou em fazer. Lamentável que a memória cultural de nosso país,não sirva de referência ao seu próprio sistema educacional, deixando figuras como Norma Bengell, apenas como simbolo sexual de uma época, afinal, ela foi bem mais para o universo cultural brasileiro.


sexta-feira, 4 de outubro de 2013

ESSÊNCIA E EXISTÊNCIA


Estou aqui ouvindo o Quarteto em Si, cantando La Barca, bem baixinho, justo para não suplantar os sons magníficos de meu pássaros e, inevitavelmente, sou levada a ponderar na complexidade, não da mente humana em sua potencialidade  criativa e construtiva, mas  na absorção e processamento dos dados na sua ação cognitiva e no até onde poder-se-á avaliar esta capacidade sem que o sistema como um todo esteja na influência maciça direta, através dos agentes  genéticos e  emocionais.
Como separar e classificar a força motora destas influências e acima de tudo como determinar o peso individual das ações na formação do perfil de personalidade de cada criatura, levando-se em consideração o mesmo núcleo formador, seja na tradicional formação familiar ou substituto oficial.
Como então determinar o que mais influenciou e o porquê especificamente em uma criatura, quando no contexto receptivo outros receberam as mesmas informações?
Se você que está lendo este meu texto, souber outros caminhos possíveis para que cheguemos a argumentos lógicos ou talvez tenha apenas benditas sugestões, participe destes meus questionamentos, pois fazem parte de meus estudos cotidianos de busca de entendimentos em relação as posturas humanas e com certeza me serão de extrema valia, como o tudo mais que conclui em pesquisas e interatividades ao longo de minha vida dedicada ao conhecimento das emoções que geram e administram sentimentos e estes determinam comportamentos.
O questionamento pode até parecer óbvio se ponderarmos em relação a tudo quanto já foi pensado e registrado, mas não foi ainda o bastante, pois caso contrário não estaríamos tão carentes de soluções e tão abastecidos de paliativos que, definitivamente, não contribuem para um real entendimento que no mínimo leve o ser humano há um estágio evolutivo  emocional que proporcione palpáveis alterações comportamentais.
 A captação sensitiva de qualquer coisa torna-se diferenciada no processamento do córtex cerebral de cada indivíduo através da essência e das inerências existenciais, mas seria possível que através de uma condução existencial modelada em determinado aspecto, representar uma influência determinante?
Bom dia, Regina!!!!!! Hoje é sexta-feira, são apenas seis horas da manhã.
Dá um tempo!!!!!!!!

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

FORASTEIRA, SIM SENHOR...


Ainda me lembro, parece-me que foi ontem e lá se vão quase 12 anos em que entusiasmada com a beleza da cor do mar, associada à translucidez do sol, adentrei nesta cidade, para não mais dela conseguir me distanciar.
E ir embora, por quê?
Afinal, tenho tudo que sempre procurei em todas as paragens que visitei, em todos os redutos em que me aninhei.
Ir embora pra que?
Se o tudo de bom, foi por aqui que encontrei e o que eu trouxe comigo por aqui se estabeleceu.
Abracei os aromas, os sabores, as energias, abracei o mar, o sol e as pessoas e em momento algum tentei modificá-las, com a arrogância natural dos que chegam de fora.
 Como a maioria, cheguei esbaforida, trazendo na bagagem mil ideias, mil vivências, esbarrei no atavismo, no desconhecido, no diferente, tropecei na desconfiança, no medo dos que por aqui sempre estiveram.
Mas como também cheguei fraca, doída e machucada, deixei-me conduzir e ser tratada descansando a mente, equilibrando o coração, deixando entrar a paz do bendito diferente.
E hoje, recordando um pouco de tudo, sou obrigada a reconhecer que o diferente era eu, que, sem pedir licença, fui me chegando, ocupando espaço, sem sequer perguntar  se havia lugar na seara alheia, e como intrusa absolutamente encantada, sequer pensei o que poderiam os donos da casa, estarem aborrecidos com esta minha chegada, assim tão repentina, tão sem cerimônia.
Que coisa absurda, hein?!
Imaginem vocês, se mais incoerente e insensível fosse minha forma de ser, se ainda por cima eu quisesse na rotina deles, inserir os conceitos e hábitos dos quais, eu mesma, estava tentando fugir, mesmo que inconscientemente.
Pensando bem, cá entre os meus botões, que diabo é essa necessidade cruel que nos induz em quase todos os nossos instantes à tentar modificar o que nos cerca, acreditando ferrenhamente, que somos os  sabedores do ideal alheio.
E aí, nos ofendemos quando alguém, mais ousado, nos lembra  sem piedade que somos de fora, ilustres forasteiros, e aí, bem, ofendemo-nos, irritamo-nos,  magoamo-nos, no entanto, somos obrigados a admitir, nem que seja tão somente à nós mesmos, que fomos invasivos, arrogantes e presunçosos em  crer, mesmo que por um único instante, que sabemos mais o que lhes convém.
O melhor que fazemos é aceitar o que nos encantou, abraçando o tudo de bom, partilhando das delícias, sempre prontos a oferecer o nosso melhor, sempre na medida  em que nos pedirem, na proporção que nos cabe, não esquecendo jamais que foi exatamente este diferente que nos atraiu.
Sou de fora, sim senhor, mas vivo bem juntinho com os de dentro, chegando às vezes até mesmo a me esquecer de que não sou daqui, que sou de lá, de um lugar que já não me servia mais e que encontrei pelas bandas de cá, o não encontrado nas bandas de lá, que foi justo, meu pedaço de chão, meu sentido maior de pertencimento.  
Mudar as coisas e as pessoas, então, pra quê, se exatamente o que me encantou, foi este tudo aparentemente errado, que encontrei.


domingo, 29 de setembro de 2013

TUDO A SEU TEMPO


Estou aqui entre os sons do silêncio de um amanhecer e os cânticos dos pássaros que se esforçam na projeção de suas mensagens de boas vindas a mais um dia que, pelo visto, será ensolarado.
Em minha mente de escrevinhadora do universo, desfilam fatos e fotos que minhas retinas treinadas e incansáveis registraram vida afora, e eu, na ansiedade saudável de meu dom, absolutamente natural, novamente registro em forma de crônicas, relatos ou poesias para que jamais se percam, envelheçam ou morram.
Enquanto escrevo, seja aqui agora, ou há  algum tempo, passado, presente ou quem sabe futuro, ondas vibracionais do meu corpo,  como energias de minhas intenções,  de mim se desprendem, formando ”tornados saudáveis”, que ligeiros, percorrem a vida além de mim, tornando-me universal.
Exatamente para onde vão não sei, mas posso a qualquer instante reencontrá-las, pois estejam onde estiverem sempre retornam a mim em forma de intuição, ou abre-alas nos corações alheios.
Ontem, assim como na semana passada, pude encontrá-las e identificá-las através de benditas criaturas nesta minha também lida de tão somente ser uma incentivadora de instantes amorosos.
Amorosidade pela vida, e por tudo quanto de tão simples, tem si tornado banal.
Amor pelo toque, amor pelo olhar fraterno, amor do apenas “olá, como vai você?”, amor da compaixão, da solidariedade, amor do “estou aqui”.
Minhas retinas não se cansam de buscar subsídios, minha mente não se cansa em processá-los, e muito menos a minha vontade em incansavelmente registrar, todo um bem querer que, afinal, sempre existe em algum lugar.
Os pássaros já não estão tão próximos, ouço-os um pouco mais à distância, por outro lado, já posso enxergar o jardim em sua beleza singular, e então, penso no tempo, neste comandante persistente e tenaz, que em função de tudo que dele esperamos, se transforma em certos momentos em audaz e cruel ditador, mas que se aprendermos a conhece-lo e a respeitá-lo em seu ciclo diário, fazemos dele parceiro e, então, tudo nos vem a seu tempo, abrindo portas, reservando espaço para que nos sintamos livres, nos sintamos plenos.
Pensando e registrando neste amanhecer bendito, posso sentir no tempo certo os efeitos de tempos passados, que neste instante se transformam em sentimentos e estes em energias, que tal qual o tempo, persisto em emanar, abrindo assim espaço para poder sentir, poder estreitar e, finalmente, agradecer pelo meu tempo que sempre chegou a tempo para não me deixar esquecer que a vida é bonita, é bonita e é bonita.
Portanto, nestes instantes em que o tempo me favorece, lembro registrando e agradecendo, o privilégio de ter abraçado, lindas criaturas que nem sempre conseguiram  assim se reconhecerem, mas que para mim, são cada qual, pétalas das mais perfumadas flores que ao se juntarem às minhas vibrações, se transformam na mais bela flor, deste meu jardim que transcende do lugar comum, da banalidade, da coisa pouca.
Para as minhas pétalas encantadas e coloridas Tereza, do Jardim Nova Itaparica, Altamira, do alto das Pombas, Pina, do Parque das Amoreiras,  Marli do Alto do santo Antônio e da Piedade, do Galvão, um enorme beijo desta escrevinhadora apaixonada, que fez da sua própria vida uma contínua busca de preciosidades.
 Desejo a vocês, um contínuo gozo de satisfações, reabastecimento amoroso de pura vida.
A luz que inicialmente me permitiu reconhecer meu jardim, neste momento surpreende-me invadindo a sala, despojada e irreverente como eu, apenas para me lembrar que a primavera chegou.
Ela chegou a seu tempo e com ela a chance de todos nós em abraçar a vida sem medo de ser feliz.


domingo, 22 de setembro de 2013

APENAS REFLETINDO...

Estou aqui no meu sempre cantinho da sala, ao pé da janela, apreciando o domingo nascer e é claro que minha mente vaga no já visto e sentido, numa retrospectiva que já me acostumei a fazer e que, confesso, abre enormes portas à minha imaginação, levando-me a fazer associações que, geralmente, tendem à minha sempre preocupação em criar mecanismos que sejam não só viáveis, mas principalmente úteis à melhoria da condição humana, sobretudo em relação a sua bendita necessidade de pertencimento  pessoal.
Nunca em tempo algum que pude observar ao longo de minha vida, as pessoas estiveram tão voltadas à individualidade e, ao mesmo tempo, tão absurdamente carente do estreitamento coletivo.
Também, sou obrigada a registrar o fato doloroso das pessoas em meio à solidão de suas existências, não poderem romper a névoa do politicamente correto, levando-as gradativamente a tenebrosas mudanças nos seus comportamentos sociais, violando assim o pouco que lhes restava de valores de satisfação íntima, em prol de um falso acolhimento que não satisfaz, apesar de oferecer aparentes vantagens que, se a veste no exterior, certamente em nada a embala em seu íntimo de criatura humana que, verdadeiramente, precisa ser afagada.
Constato entristecida que também jamais presenciei tantos conflitos entre o Deus e o Diabo, impondo a culpa e o castigo nas criaturas, ficando ambos como senhores dominadores que escravizam, levando-as a refugiarem-se nas compensações momentâneas que se sucedem, roubando assim o senso da continuidade, tão necessário ao desenvolvimento natural da relativa posse que ampara e oferece o sentido de estar pertencendo, estimulante natural da capacidade que todos trazem em si de proteção amorosa a si e ao tudo mais ao seu redor.
Vejo agora, a variedade de espécies de pássaros matinais, cantando cada qual com suas características próprias em uma harmoniosa sincronia, produzindo sons que mais que encantam a mim e, portanto, a vida, enobrecem  a si mesmos que pela fidelidade de suas naturezas se destacam em suas benditas singularidades, formando um tom de conjunto, que sinfônica humana alguma foi, até o momento, capaz de reproduzir.
A Primavera chegou e com ela as cores e os perfumes, ingredientes mágicos capazes de alterar posturas e sentimentos, através das emoções.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

É BONITA...


Quando a lembrança da finitude me toca, penso logo em tudo quanto vou deixar de enxergar e sentir, penso logo nas pessoas e nas coisas maravilhosas com as quais convivi até o momento, e ao invés de sentir tristeza, sorrio, ainda pensando que por estar viva, só a capacidade de recordar, fazendo de cada lembrança uma oração de agradecimento, também me inspira a buscar novas e entusiasmadas esperanças de que a minha finitude, não tenha pressa.
Penso nela, como uma viagem que um dia não poderei mais adiar e, então, sinto uma estranha pressa interior que estimula todo o meu ser em querer a, cada instante, apenas vivenciar o melhor, fazendo de minhas vontades espertas selecionadoras de qualidade que me sejam afins, não me permitindo, seja conscientemente ou não, abraçar o inadequado, numa bendita compreensão de que a minha permanência nesta expressabilidade de vida, só vai diminuindo e, com certeza, não posso perder tempo algum.
Penso também nos abraços e nos beijos, nos sorrisos e nos acenos que recebo a cada dia, num somatório fantástico, com os quais me viciei a conviver e que, sem dúvidas, são os responsáveis diretos pelas minhas opções diárias, fazendo-me seguir sem titubear pelas veredas da absoluta tranquilidade em só desejar a cada milionésimo de segundo a estar em êxtase com os meus sentimentos, direcionando-os sempre a esplêndidas perspectivas, pois não posso, ainda, abrir mão desta minha permanência que, afinal, é bonita, é bonita e é bonita.
Hoje, por exemplo, vou visitar duas lindas criaturas que fazem parte deste meu universo de permanência existencial e para comemorar a primavera que chega amanhã, sorrindo, levarei para elas, flores, expressão completa de minha alegria por estar viva e poder com elas conviver.

Para você que, pacientemente, leu os meus pensamentos, mando uma rosa imaginária, na cor de sua preferência, desejando um dia de muita luz e que a primavera, amanhã, chegue também para você para lembrá-lo com alegria de que a vida é bonita, é bonita e é bonita.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

COMUNICADO


Como cronista e responsável pelas minhas declarações jornalísticas e pessoais, declaro a quem interessar possa que me preservo ao direito de ser e de pensar independentemente da aceitação ou não por parte de quem me ouve ou lê, apesar de procurar em todas ocasiões também respeitar e preservar os direitos, assim como a integridade moral dos mesmos.
Estando à frente de dois programas da rádio oficial da cidade de Itaparica, compreendo a fundamental importância de minha conduta pessoal e profissional em levar aos ouvintes e leitores a total isenção político-partidária evitando maximizar ou minimizar as notícias em prol de qualquer sentimento íntimo que não seja o de tão somente ser a voz das pessoas que buscam apoio através de nossas comunitárias ondas sonoras.
Como humanista, estudiosa da evolução humana nos seus variados aspectos, sobretudo o psicossocial, busco no decorrer deste meu trabalho não colocar o meu ego como prioridade, pois compreendo a extensão do que represento à frente de emissora do porte, estrutura e filosofia de trabalho da Rádio Tupinambá FM, junto a população que a ouve e que espera mesmo que inconscientemente receber a verdade acompanhada de, principalmente, parâmetros de educação e respeito.
Penso que em tempos tão conturbados é preciso que cada profissional e pessoa tentem resgatar valores estruturantes para que em um futuro próximo o conviver respeitoso e fraterno não seja exceção, mas uma regra natural entre as pessoas.
Agradeço a compreensão de todo aquele que me prestigia ouvindo a Rádio Tupinambá FM.
Aproveito para lembrar que para mim a vida é bonita, é bonita e é bonita, e tudo o quanto eu puder fazer para que também o seja para os meus semelhantes, o farei.
Obrigado a todos e até daqui a pouco com o Show da Manhã.


domingo, 8 de setembro de 2013

E aí..


Pensando nas manifestações nacionais que vem ocorrendo ao longo destes poucos meses, lembro comparando imediatamente com as motivações dos jovens do passado e, acima de tudo, também recordo as posturas dos integrantes do “Diretas já” e penso que a diferença está justo na “evolução”  de hábitos e costumes e, principalmente, na absurda diferença de objetivos, já que naquela época ainda existia  pelo menos a sensação de ética reinante, tanto nos meios políticos, como na condução de hábitos e costumes do povo.
O acesso aos bancos escolares em 1964, com certeza era pífio em relação aos dias de hoje, mas meu Deus, se faltava letramento, com certeza sobrava educação.
Penso nisto, todas as vezes que me vejo tentada a aceitar as falácias que chegam onduladas em meus ouvidos como se fossem verdades indiscutíveis, porque, afinal, hoje é moda distorcer-se isto ou aquilo, num sensacionalismo emocional perigoso e destrutivo.
Penso nisto, todas as vezes que encontro o letramento, representado por criaturas que acesso a tudo tiveram, disputando valores com fatos em detrimento da fome e da miséria, num macabro ensaio de subida há algum tipo de poder.
As coisas mudaram e, assustada, percebo que para pior, já que nada mais se respeita, e que nenhuma instituição pública e a maioria das privadas permanecem de pé em sua honradez e credibilidade aos olhos e ao conceito popular.
Os impropérios, as agressões, as mentiras e as distorções são as tônicas que se apresentam, descaracterizando, assim, a convivência menos cruel, que naquela época ainda existia, mesmo sem letramento, mas certamente com a bendita  educação doméstica que atravessou séculos, formando pessoas, que sabiam dizer: obrigado, por favor, me dê licença.
Gente jovem que respeitava gente mais velha e político que, mesmo pouco honesto, conseguia manter o mínimo de vergonha na cara.
Hoje, cada um diz o que quer, e cada um faz o que bem entende, num balaio de gatos sem hierarquias, disciplinas e maiores responsabilidades, que não seja o de por todo o tempo querer se dar bem, num duelo titânico entre o Deus e o Diabo, residentes e atuantes em cada postura, seja da criança ou do velho, do simples ou do arrogante, numa disputa de espaço em meio a uma vida, urbana ou suburbana, pra lá de miserável.

Mudaram-se os tempos, perderam-se os focos, restando tão somente o interesse exclusivo de cada um.

sábado, 7 de setembro de 2013

EU SEI QUE VOU TE AMAR


Ao contrário da letra da música que se eternizou no cancioneiro nacional, eu finalmente, há quase doze anos, já não sonho em viver um grande amor, pois desde então, nos reconhecemos e nos entregamos num misto de paixão e companheirismo, num constante flerte amoroso que nos integra a cada instante. Daí, não me importar com os ciúmes e as invejas alheias, porque, afinal, somos inseparáveis pela união de energias que nos fortalecem.
Vim de longe, seguindo a trilha que a intuição indicava, com a certeza inabalável de que iria, em um momento qualquer, encontrar e reconhecer o meu pedacinho de paraíso, meu chão, meu pertencimento.
E aí, eu penso, que “Se todos fossem iguais a você, que maravilha, viver”!!!!!!
Hoje, neste sábado de 7 de Setembro, que despertemos nossos corações, para que possamos, finalmente, enxergar e sentir nossa cidade tal qual ela é em sua original grandeza, fazendo-a assim florescer, desabrochando-a do ostracismo em um reconhecimento e também gratidão pela paz, beleza e o tudo mais que tem para oferecer. Ela certamente está esperando por um carinho amoroso de cada um de nós.
Pense, sinta e diga:
ITAPARICA, eu te amo!!!!!!!!!

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

EU PRECISO...


Todos os dias, pelo menos nos últimos, tento escrever sobre os acontecimentos políticos locais e nacionais e, simplesmente, não estou conseguindo e ainda ficando com um sentimento de fastio enorme, como se nada mais existisse para se escrever.
Sabedora de que isto não é verdade, insisto, mas nada tem deslizado de minha mente e, então, passo a lamentar como uma velha rabugenta, querendo a todo custo encontrar novos argumentos de convencimento pessoal, frente ora a mesmice, ora o “interesseiro descaramento político” que me cerca.
Como voltar a escrever sobre a influência que o poder exerce sobre determinadas criaturas?
Tantos pensadores já o fizeram e na realidade sem uma conclusão à respeito desta capacidade humana em ser egoista, insensível, arrogante, prepotente, cruel na busca das glórias e benécias que os poderes oferecem e ao mesmo tempo serem capazes de despertar admiração, paixão e extrema devoção.
Ah!... Meu pai...
Hoje é quinta-feira e o dia amanheceu ensolarado. Gosto de sentir este calorzinho  que vem chegando de mansinho, secando as poças d’água, fazendo crescer o capim, aquecendo o meu coração, meu corpo e impulsionando-me a querer voltar a escrever qualquer coisa, que não seja sobre política e políticos, qualquer coisa, que não seja tão absurdamente repetitivo.
Olho lá fora, e novamente respiro fundo, pensando no 7 de Setembro que lá vem chegando.
O que será?
Que será!

Eu preciso escrever, mas o que, pelo amor de Deus?   

domingo, 1 de setembro de 2013

ABERTURA DA COMEMORAÇÃO DA ENTREGA DA COLETÂNEA TUPINAMBÁ

Começamos, agradecendo a Sr.ª Dalva Tavares, diretora desta casa, assim como a sua eficiente e competente equipe pelas décadas de buscas e realizações em prol da cultura e da educação desta cidade, abrindo as portas desta biblioteca a todas as formas de expressões artísticas.
Ontem, foi um dia muito especial e que ficará registrado na história da Rádio Tupinambá e da cidade de Itaparica e particularmente da minha história pessoal, pois foi  por indicação da direção desta casa, que neste ambiente do saber, em 29 de março de 2010, fui agraciada com o prêmio maior que um escritor pode sonhar, que foi minha posse na ALER - Academia de Letras do Recôncavo Baiano -, para ocupar a cadeira número 16, cujo patrono é o Ilustre itaparicano, professor Ernesto Carneiro Ribeiro.
A partir desta data, senti-me ainda mais motivada e na obrigação maior de promover a educação em nossa cidade, por reconhecer ser este o único caminho capaz de fazer evoluir pessoas e cidades, com base estruturada na consciência do bem comum.
Encontrei na pessoa do Sr. Cláudio da Silva Neves e dos senhores Paulo Catharino Gordilho, Paulo Blanco, Antônio Ricardo Alban,  José Eugênio Barreto e Adriano Tavares, associados da Associação Beneficente, Cultural e Comunitária Tupinambá, o apoio  necessário para a realização  deste que não é mais um sonho, mas uma conquista diária, portanto, reafirmo  a convicção, neste instante de mais uma realização pessoal e profissional, que todo aquele que tem o privilégio de receber da vida oportunidades de exposição de seus talentos pessoais, tem o dever de incentivar o talento alheio, esteja ele onde estiver em sua comunidade.
Neste dia bendito, a Rádio Tupinambá, através de seu Diretor Geral, Jornalista Roberto Couto, vem à Biblioteca Juracy Magalhães Jr.,  esta  que é a legítima preservadora  do saber e da cultura itaparicana, entregar a Primeira Coletânea Tupinambá aos seus ilustres participantes que representam com seus poemas, crônicas e contos, alguns variados segmentos de nossa sociedade local, afinal, são  políticos, donas de casa, funcionários públicos, comerciantes, professores, fotógrafo, etc, não fechando suas páginas, também,  a um francês que dia após dia, veio revelando seu talento no resgate e preservação da cultura itaparicana e, portanto, merecedor de compartilhar desta promoção cultural.
Que Deus, abençoe a todos.

31.08.2013

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

APENAS O MAR...


O corpo estremeceu, enquanto os olhos aflitos buscam na amplitude do horizonte que se descortina, o abraço aquecido desta manhã ainda que meio adormecida, mas já ostentando ao longe fachos luminosos que, de tão longos, chegam até bem próximo de mim, fazendo-me instintivamente querer pegá-los, ficando minhas mãos tateando um aparente nada.
Afundo ainda mais o meu corpo, deixando-me envolver totalmente sem qualquer receio ou preconceito pela ausência de sol ou da possibilidade em me sentir solitária em meio a esta imensidão na qual me entrego, sorvendo tão somente a força emanativa, assim como me deixando dominar pela racionalidade da certeza de que, se ele decidir não me libertar, não reagirei, pois tudo serei e tudo poderei.
Que poder é este que me fascina, me atrai e me apaixona?
Que força é está, da qual não posso e não quero resistir?
Que abraço é este, no qual me deixo envolver e por instantes que me parecem eternos, faz de mim a criatura mais completa do universo?
É chegada à hora de partir e enquanto emergia de mais esta entrega alucinante, sinto-me alisada pelo escorrer das águas em meu corpo, como se mil mãos aveludadas existissem, arrancando de mim novos arrepios e, sem qualquer pudor, sorrio, afinal que se dane o mundo, estou feliz e nada, absolutamente nada, será mais forte que a força desta paixão .
E então, já caminhando nas areias ainda frias desta manhã que sequer desabrochou por completo, percebo-me envolvida, amada e totalmente possuída, e novamente sem qualquer pudor, sorrio e dou de ombros, seguindo em frente ao encontro do cotidiano, chato, às vezes feio e cruel, mas que eu consigo transformar em tolerável, por que eu sei que, amanhã, lá no mesmo lugar ele estará me esperando e ai, bem... o que posso querer mais?
Bendito mar pelo qual me apaixonei.
Bendita vida pela qual me deixei abraçar.
Benditas emoções que fazem, de mim, um ser livre.
Que se dane, então, o cotidiano repetitivo e vez por outra, feio, banal, cruel e, pelo amor de Deus, tudo quanto em nossa estreiteza amorosa , somos capazes de produzir.
Que se dane quem tendo o mar não o enxergue.
Quem o enxergando não se entregue.
Quem se entregando, não goze.
Boa noite !!!

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

MORTE SÚBITA - FINITUDE


E aí, olhando lá fora, enxergo neste amanhecer de sol suave, regado a uma chuvinha rápida, muito além da natureza aparente, vejo, por exemplo, as possibilidades que o fato de estar vivendo me oferece e que por um vício persistente em achar que o tudo o mais sistêmico é o mais importante,  costumeiramente, deixei de considerar, o que me levou  a  uma infinidade de posturas inadequadas, durante um só dia que somados a longos anos, com certeza é responsável por uma considerável diminuição de tempo de existência ou, no mínimo, por um sem número de dores, enxaquecas, irritabilidades, lágrimas e a um tudo o mais que arrancaram de mim, boa parte da alegria de viver que certamente me fora destinada, pela minha própria natureza, em sua essência.
Pensando em tudo isso enquanto respiro fundo, acreditando que, finalmente, não mais serei fisgada pelos velhos e corroídos vícios, ouço um sabiá cantando insistentemente, como que para me lembrar, que vigiar é preciso.
E que a vida que insisto em confundir e maltratar, pode se acabar com a chegada da “súbita morte”, sem que eu tenha sequer tempo para, dela, me despedir, ou simplesmente, dizer olá... (volto a respirar), como faço agora.

Que coisa boa, hein!!!!!

sábado, 24 de agosto de 2013

MEDITAÇÕES


Nesses meandros emocionais em que o racional é permanentemente lançado às trevas da incerteza, permaneço confusa, perdida, e com a sensação contínua de estar sem o chão seguro no qual preciso manter-me de pé.

Remeter-me-ia, se soubesse, às profundezas do mar azul de meu inconsciente, na expectativa de encontrar subsídios conciliadores entre as emoções desejadas e as conseguidas, talvez, então, em um balanço racional, pudesse extrair uma única verdade, um único caminho, onde todo o meu ser, então, se harmonizaria, através do encontro e consequente descanso tão necessário, com a bendita paz.

Estado conciliador que se expressa nos poros, nos olhares e nas vibrações que contagiam, desarmam, aproximando ou distanciando as energias que plainam ao meu redor.

Se eu pudesse, se eu soubesse qual o caminho a seguir, perseguiria frenética os recôncavos de meu interior na busca teimosa dessa paz, até agora, tão somente utópica?

Talvez, não sei, afinal por todo o tempo coloquei a paz como algo a ser lido, ouvido, como faz exatamente todo mundo, sem, no entanto, verdadeiramente pensar a respeito de sua real existência, assim como tantas outras retóricas com as quais se convive no cotidiano distorcido de nossas vidas.

Perdi-me, como a maioria, nas conjecturas e falsas palavras, fazendo delas espadas pontiagudas e afiadas a ceifar instantes insubstituíveis e benditamente sagrados de vida plena. Permiti que o medo, a insegurança, as frustrações, os falsos conceitos, as falsas adesões ao emocional, desarticulassem toda uma conexão que, a princípio, sempre é perfeita, abusivamente exata, chegando a tal ponto de perfeição que se vê exposta à incredulidade de nós, míseros mortais, incapazes de reconhecermos como obra prima da universalidade.

Somos incapazes de mergulhar em nossas profundezas na busca do conhecimento de nós mesmos, onde certamente encontraríamos todas as respostas, todos os amparos, todas as margens que certamente guiam o caminho, sem que exista qualquer possibilidade de haver trilhas alternativas, cujos desvios são exatamente o distanciamento entre nós e a essência de nós mesmos.

Passei os últimos dias tentando recuperar o que jamais saiu de minha capacidade observatória, mas que por teimosia, medo e por tudo o mais capaz de ser produzido pelas distorções, ficaram como perdidas ou jamais assimiladas. Nada disso, e bem o sei, que tudo se encontra no mesmíssimo lugar, reservado tão somente a todo aquele que ao perceber que precisa buscar para encontrar, não se aliena e não se acovarda, seguindo em frente, saltando obstáculos, reconhecendo em cada dificuldade uma bendita oportunidade em encontrar seus pares de vida e liberdade, luzes benditas que fazem de mim e de você seres completos, ricos e amorosamente abastecidos por este universo grandioso e sem fim.

Penso, então, que prefiro os pássaros, os cães e as amoras.

Prefiro o céu, a chuva e o sol ardente.

Prefiro o mar, os peixes e a primavera.

Prefiro gente, a vida e a eternidade.


Uma boa noite de sábado e um amanhecer de domingo, repleto de paz.
Escrito em dezembro de 2011