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Mostrando postagens de Novembro, 2013

TRAGÉDIA ANUNCIADA

Dizem, e eu acredito, que toda e qualquer tragédia de alguma forma é anunciada, nós serezinhos acomodados e distraídos é que estamos sempre a um passo atrás de nossa capacidade, seja sensitiva ou racional. Uma vez que ela acontece, esticamos o dedo anular e como papagaios ficaramos repetindo: - Eu avisei!!!!!! Não é exatamente assim que procedemos? Pois é... A partir deste infortúnio – atropelamento de um rapaz de 15 anos por uma moto na ciclovia - que certamente poderia ter sido previamente evitado, rumos coerentes à lógica e ao bom senso são automaticamente implementados. Mas e daí? Afinal, vidas são perdidas ou desperdiçadas, assim como instantes são consumidos, corrigindo-se erros primários que a arrogância, o orgulho e até mesmo a falta de observância podem acarretar. Detesto o dedo em riste, seja direcionado a mim ou a quem for, mas não posso me calar diante do que ocorreu ontem à noite na orla de Itaparica, pois minutos antes do ocorrido, precisei alertar ao meu marido de uma moto que…

AO MESTRE COM CARINHO

Três botões de rosas que surgiram e desabrocharam praticamente ao mesmo tempo, como se houvesse um acordo pré-estabelecido para que, ao vê-los, minha surpresa fosse ainda maior.             Assim é a vida que se apresenta dividida em três tempos: o nascer, o vivenciar e o morrer. A base de todos os meus estudos tem como propósito levar a criatura humana a buscar o equilíbrio, na aceitação da morte para que esta compreensão, consiga induzi-lo a uma vivência mais plena quanto ao reconhecimento desta sua presença na vida e no quanto ela é vulnerável e finita. Quanto maior é o entendimento e aceitação da finitude, maior é o respeito ao momento presente, aos instantes que o forma e o qualifica. A criatura que consegue este grau de compreensão respeitosa de seu tempo, reconhecendo a certeza de seu fim, que pode ser em qualquer desses instantes, não se permite maculá-los, destruí-los em nome de absolutamente nada. Além disto, a criatura se torna um ser mais forte, mais objetivo e, aci…

LOUVADA RESISTÊNCIA

Neste amanhecer de quase final de primavera, além dos pássaros com seus sons divinais, posso também sentir os aromas que adentram em minha casa através da janela, na qual bem próxima me encontro, como sempre, escrevendo. Nesta manhã, especificamente, posso sentir com mais precisão o perfume das rosas que por estarem bem próximas, se fazem presentes, lembrando-me, então, o quanto além de perfumadas são belas. Enquanto, neste instante, registro toda esta maravilha que, afinal, circula à minha volta e que, confesso, sempre estiveram presentes, provavelmente porque também sempre estive atenta ao belo e o presente, também penso no quanto fui tola, romântica e perigosamente infantil por acreditar que o mal, o feio e o rude podiam ser ignorados e mantidos sob total vigilância, por serem explícitos em suas performances. Qual nada... Com o passar do tempo e a aquisição de maior experiência vivencial fui percebendo a infinidade variável de sua apresentação e no quanto eu estivera tola por crer que…

COMPAIXÃO

Hoje acordei pensando na beleza da vida e, é claro, que logo vislumbrei o tudo de bomcom o qual ela se expressa; pensei nos animais, nas flores e nos frutos, pensei nos mares, rios e cachoeiras, pensei na terra e pensei no espaço, nas estrelas, no sol ardente e nas tempestades, pensei nos sons, nas carícias e nos aromas, e em meio a tantos pensamentos, pensei na estupidez daqueles que nada enxergam além da vaidade de si mesmos, amparando-se, geralmente, no fracasso de suas miseráveis existências, alimentados pelos aplausos dos seus sempre existentes afins. Penso então na compaixão, no perdão e na generosidade que se precisa ter para com o grosseiro, o rude e o macabramente insensato, com todo aquele que se alimenta do próprio fel e que sobrevive como uma cobra peçonhenta, rastejando e serpenteando os feitos, a glória e os frutos alheios. Louvada a vida que se renova a cada instante, lavando a mágoa ou a dor de quem foi atingido, fazendo nascer a cada instante a resistência bendita a est…

EQUILÍBRIO COLETIVO

Penso nisso e escrevo, pois só escrevo o que posso observar e pensar a respeito das sensações que reconheço em mim, através de minhas posturas pessoais em relação ao outro e esse mecanismo básico e, portanto, primário faz de mim, tão somente, um pessoa em busca diária de aprendizado, crendo sem quaisquer dúvidas que o poder de raciocínio interpretativo, precisa ser encarado como uma necessidade a ser inserida nas escolas, onde as disciplinas básicas devem abrir espaço para o senso necessário de aprender a aprender, através justo do conceito natural da busca do pertencimento que antes de qualquer outra importância, garante o despertar da lógica e da sobrevivência pessoal através do amparo coletivo Dentre todas as distorções que podem ser encontrados nos relacionamentos humanos, provavelmente, a falta de observância ao devido e contínuo aprendizado em qualquer área ou dimensão, seja o mais expressivo, pois possibilita o surgimento de uma infinidade de posturas que são antecessoras de mal…

QUALIDADE

A orquestra me acordou e, ao abrir a porta, fui recebida lá fora por aragens de infinitos aromas que me abraçaram, e no reconhecimento mútuo da grande amizade, permanecemos, então, quietos e estreitados. Neste instante, a chuva chegou, como se de repente, o céu quisesse nos batizar, fazendo os aromas se intensificarem e as aragens soltaram-se de mim para serpentear num bailado de pura alegria, forma única de me fazerem sentir neste amanhecer de feriado, onde o ócio será minha companhia, que, afinal, sempre a qualquer momento, frente às não menos infinitas situações, a vida está presente, é prioritária e envolvente, criativa e apaixonada, se não for esquecido que ela, a vida, é bonita, é bonita e é bonita. Bom dia! Para você que por alguns segundos que seja, esteja achando tudo muito chato e sem graça, por favor, vá até a janela, olhe para o céu e, então, abrace a vida, abraçando você mesmo, estreitando entre seus braços e seus sentimentos, o melhor e o pior de si, comparando esta dualid…

CHOVE LÁ FORA

Acordei e chovia lá fora e, no entanto, o pássaro assobiador não poupava seu fôlego até a pouco, quando comecei a escrever. Não saberia identificá-lo, assim como não identifico qualquer outro, pois jamais me preocupei em saber seus nomes e até mesmo querer tocá-los, bastando-me tão somente ouví-los. E como os ouço em suas algazarras matinais ou nos solos absurdamente únicos e especiais com os quais faço parcerias na produção de meus escritos. Agora, enquanto escrevo sobre eles, penso em nós, criaturinhas confusas e irritantemente teimosas, às vezes incapazes de pequenos atos generosos, outras vezes, tornamo-nos cascatas de pura doação e, então, fico me perguntando por que não somos como os pássaros que abrem espaço uns para os outros e, juntos, são capazes de produzirem grandes espetáculos para nós que, se sensíveis formos às suas presenças, certamente nos inebriaremos, fazendo deles nossos mestres cantantes que, afinal, nos ensinarão pausas, tempo e harmonia. Chove lá fora e eles ainda c…