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Mostrando postagens de Julho, 2013

CONTRACOSTA

Meu Deus, olho ao redor e posso ver muitas dores sendo sentidas e o que é ainda mais desesperador é vislumbrar as que ainda chegarão oriundas da total incapacidade do ser humano em perceber o quanto ele é fantástico, pelo simples fato de ser um elemento, capaz de com a sua capacidade em pensar, tornar lógica a sua própria grandeza. Ontem, apreciando da varanda a beleza do mar da contracosta de Itaparica, na companhia de alegres amigos, por diversos momentos, me vi agradecendo à vida pelo fato de estar viva e usufruindo de tudo aquilo sem que para isso eu tivesse atravessado o mundo, como tantos já fizeram. E aí, também em alguns momentos, silenciosamente, através desta minha mente inquieta, questionei Deus, querendo entender, qual o critério por ele estabelecido para determinar quais as pessoas que deveriam ter vidas sofridas ou viverem vidas privilegiadas. Perguntei-o, por exemplo: - Por que fui agraciada por todo o tempo, enquanto outros, quase nada receberam. Bem... De repente, melhor …

A GOTA DÀGUA...

Hoje, de um instante para o outro, percebi assustada o quanto me tem sido aviltante, conviver a também cada instante com a crescente inversão dos valores éticos e morais que deveriam ser os pilares intocáveis quanto ao determinante das relações humanas. Por que estou vivendo tanto, por que não me fui quando ainda podia acreditar nas pessoas, nas instituições? Por que tenho que presenciar e conviver com os absurdos das diferenças, com as maldades explicitas e ainda ter que fingir como os demais que tudo está bem e que, certamente, melhorará ainda mais, quando não há qualquer sinalização neste sentido, quando o mundo se dobra às futilidades, às guerras comunitárias e ao abandono? Escapei da era dos bárbaros, das epidemias, do Holocausto, escapei da fome, da miséria e das desgraças, justo para vir presenciar o retrocesso e a derrocada de uma humanidade que jamais se firmou em suas potencialidades e grandezas. Olho ao meu redor e só consigo enxergar mentiras, interesses e crueldades. Como pos…

SEMPRE UM NOVO GOZO

O friozinho maroto muito raramente aparece por estas bandas de cá, onde o sol imponente por todo o tempo estabelece presença, mas ainda assim, sorrateiras e astutas, as brisas leves de um suposto inverno, insistem em não arredarem seus pés e como estou sempre atenta, aproveito-me descaradamente de cada uma delas, deixando-me arrepiar safadamente, assim como as recebo sem qualquer proteção, pois confesso adorar a sensação que percorre o meu corpo, fazendo estremecer gostosamente a minha pele, proporcionando-me um gozo salutar que me faz sentir mais e mais, esta vida que sempre me surpreende, mesmo que em meio a um cotidiano, aparentemente igual. Pensando sobre tudo isto, creio que fiz da natureza em suas infindáveis variantes, um amante delicioso que supre com seu inesgotável charme e sedução, todas as minhas inimagináveis carências de ser humano exigente que insiste em extrair desta vida, emoções continuadas, justo por compreender, que só elas são capazes de verdadeiramente, justific…

UM ABRAÇO APERTADO...

Ah!… cá estou eu novamente adentrando em áreas de difícil acesso, cujo interesse das pessoas só ocorre quando, de repente, se veem em situações das quais não conseguem driblar, como por exemplo, uma doença.
Pois é…, nos dias atuais de amizades e amores virtuais, o toque, o cheiro, a sensibilidade têm se afastado do convívio humano, e aí, penso em como será daqui a pouco, digo, cinco a dez anos, se hoje já está tão difícil em certas ocasiões interagir sem sentir a presença da banalidade e da individualidade serpenteando as nossas relações em qualquer nível em que nos encontremos.
É claro que compreendo que são e sempre serão novos tempos, mas a pergunta que faço a mim mesma a todo instante é se nós, criaturas humanas, seremos capazes de continuar nos diferenciando dos demais elementos, justo porque possuímos uma mente racional, e se esta poderá ser considerada humana sem que nela resida a sensibilidade afetiva, garantindo a razão saudável a mente ou nos tornaremos selvagens racionais, co…

PRAZER SAFADO DA ROÇA

Milho cosido me remete às roças nas quais já vivi e não me deixa violar  com consumismos, modernismos a deliciosa roça onde vivo. Mordo com prazer inigualável minhas espigas macias que o salzinho tempera e o paladar agradece, fazendo-me virar os olhos, levando-me á confirmação indiscutível que viver e ser feliz, só depende unicamente dos sabores, das cores e dos sons que somos capazes de desfrutar.
E aí, vai um milhozinho cosido, morno e salgadinho, com gosto de roça safada que bule com nossos sentidos e nos fazem sentir muita paz.

CORES QUE NÃO USEI

Em manhãs como esta, nada tenho definido ou predeterminado para escrever, apenas a vontade ou, talvez, uma forma de vício, vai se saber exatamente sobre este mistério que norteia os impulsos que escritores, músicos, pintores, enfim de todas as criaturas que de uma maneira ou de outra, expressam seus pensamentos, suas reflexões ou tão somente os instantâneos de seus cotidianos. Sinto apenas ao acordar que a vida, incansável, já se encontra desperta e disposta sempre a me abraçar e eu, é claro, não me faço de rogada, afinal, vai que ela não goste de meu despertar e se vá de repente, deixando-me só, amargurada e sozinha. Este é um risco que desde logo bem cedo decidi que não iria correr, já que também bem cedo, pude perceber o quanto ela, a vida, estava disposta  a me abraçar à cada amanhecer. Percebi também que além de parceira, ela, a vida, também era generosa ao trazer consigo, incansavelmente, perspectivas novas e algumas bastante surpreendentes, transformando cada encontro matinal em …