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O ESPETACULOSO QUE NOS RODEIA


São quatro horas da manhã, acordo e abro a janela da sala onde escrevo e, como de costume, respiro fundo na ânsia de absorver a vida, trazendo-a para dentro de mim, antes mesmo da maioria daqueles que me rodeiam e, enquanto me alimento deste elixir bendito, percebo que ele vem com um aroma todo especial de manga.
Mas como, se neste ano, minha mangueira não cacheou e a de meu vizinho Roque, só ostentava algumas tímidas manguinhas doce de leite?
Olho para o quintal do Roberto, vizinho da frente, e tal qual a minha, também não cacheou.
Respiro ainda mais fundo e olho para a minha direita, onde então, enxergo a casa do Capitão Américo, com suas frondosas mangueiras, todas sem exceção, abarrotadas das belas e carnudas mangas rosa, fazendo-me compreender que a sábia natureza, quando, por suas próprias razões, não pode nos servir diretamente, providencia atender a algum vizinho também próximo, afinal, como provedora zelosa, nos proporciona pelo menos o seu aroma, forma sutil, mas eficiente de também nos nutrir.
Penso, então, na vizinha Vera Cruz com suas constantes e fartas colheitas e no eficiente jardineiro Marcus Vinícius, que não esquece de exibir seus frutos variados a cada amanhecer, trazendo com orgulho espetaculoso a todos nós, vizinhos afetivos de quintais tão próximos, a possibilidade de também nos servir.
Portanto, como sentir inveja das mangas do vizinho, ao contrário, inspiro-me e respiro novamente bem fundo, alimentando minha alma e todo o meu ser, neste novo dia que já chegou brilhante e prometendo sol, enquanto, encantada escrevo.
Sorrio e agradeço ao universo, pelos aromas que recebo das belas e carnudas mangas do vizinho, porque acredito que o espetaculoso só afronta ao infeliz que não é capaz de se sentir inserido num todo...
Vivamos a capacidade de ser felizes com a fartura que ostenta o nosso vizinho !!!!
Amemos a Ilha de Itaparica, chão único e bendito que a natureza, que é a expressão máxima da vida, não fronteirou.
Bendito o “Deus do amor e da sabedoria”, que pede licença para adentrar em nós.


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