sábado, 29 de novembro de 2014

Psiu!!!!

Olá, tudo bem?
Se não está, trate de transformar este mal em bem, pois amanhã, o hoje parecerá longínquo e tudo que você sofre hoje, terá conotação inútil.
E se o amanhã se transformar em dias, meses e anos, aí então, é que nada representará, restando quando muito, uma lembrança meio vaga, que lhe parecerá meio uma história que até você mesma duvidará tê-la realmente vivido. E se foi muito penosa, poderá até fazer você duvidar que a tenha vivido de verdade, pois lhe parecerá um sonho desfocado.
Esta capacidade de superação emocional é mais uma maravilhosa criação da mente humana, pura lógica adaptativa que desanuvia o consciente, abrindo passagem às novas emoções que pululam por todo o tempo, apenas para informar que o bendito tempo, seja ele bom ou mal, quem determina o grau de contaminação pessoal é a própria criatura humana na sua capacidade individual de se preservar.
Portanto, sorria, pois eu posso garantir que vale bem mais o esforço do que ficar macerando um problema momentâneo que amanhã não terá tanta importância, mas se o problema for persistente, pergunte a si próprio se não é você que o está retendo, pois é assim que acontece na maioria das vezes.
 Se for, solte-o, deixe que siga o seu próprio caminho.
Psiu, hoje é sábado e depois de ouvir 10 horas seguidas o mesmo CD de PABLO do veranista vizinho, chato e sem afinidade no gosto musical, decido não mais ouvi-lo e acreditem, não ouço mais, pois ao escrever para vocês, liguei-me na delícia de prazer que sinto ao me expressar.
Um enorme beijo no coração e um final de tarde bonito, como a vida.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

E aí, de repente...

Será que foi assim tão de repente?
Os sinais vão surgindo a cada dia, um ou talvez alguns e simplesmente vamos desconsiderando, afinal, cremos que necessitamos ir a diante, porque as nossas almas egocêntricas, sufocam a razão impertinente que nos avisa de que é chegada a hora de uma pausa.
Mas aí, assim como de repente, a mente cansada, joga a toalha e deste momento em diante, nada, absolutamente nada, a alma teimosa consegue realizar, arrastando-se, pois não aprendeu a identificar seu próprio limite e tão pouco a escutar sua mente sempre amiga.
A princípio grita, mas depois enfraquecida, mas não menos arrogante, pelos cantos insiste, perguntando chorosa:
Por que deste vazio, estás birrando, sua mente infeliz?
Assim tão de repente, me tiras o chão e ainda covardemente enfraqueces o meu corpo, tirando dela o vigor que sempre me acompanhou.
Que maldade é esta, mente safada e traiçoeira?
Reclamas das tuas compensações?
O silêncio se instala e nenhuma resposta se ouve além é claro do gemido doído desta alma vaidosa de sua própria valentia em acreditar ser mais forte que a razão.
E então, assim como de repente, se vê só e enfraquecida, perdida em um labirinto de muitos caminhos que não lhe trazem sentido, estímulo ou mesmo tesão.
De um certo instante em diante, as luzes se apagam e a exaustão se instala e por mais que a alma teimosa insista em trocar as lâmpadas, nada acontece, porque, afinal, o defeito é na fiação.
E aí, ao romper-se o elo, o curto acontece, trazendo um apagão que desnorteia, induzindo a alma a acreditar surpresa, que tudo aconteceu, assim de repente...
Que nesta sexta-feira de final de novembro em que ainda podemos usufruir da primavera, consigamos ouvir e considerar nossa mente amiga, que insistente nas razões que nos amparam, resiste bravamente às investidas inconsequentes de nossas almas, sempre muito vaidosas.

Um enorme beijo desta alma vaidosa que mesmo enfraquecida, ainda encontra forças para lhe desejar, um dia de paz na companhia de sua sempre amiga, razão.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

APENAS, ATENÇÃO


Depois de uma tarde de estudos sobre lógica formal e material fui até ao jardim molhar minhas esturricadas plantas, pois o sol nestes dois dias foi de arrasar.
Enquanto refrescava as minhas plantinhas, pensava no envelhecimento e no quanto somos acordados de nossa inércia existencial para a sensibilidade.
Enquanto jovens, a vida vai fluindo com outros infinitos valores e principalmente necessidades, todavia, em dado momento, nos percebemos mais emotivos, fraternos e bem mais carentes de atenção.
Afinal, já não precisamos cumprir rigorosos horários e o tempo fica mais à nossa disposição e é neste estágio de mudanças que percebemos em nós, uma imensa necessidade de não permitir que este excesso de tempo livre, fique contra nós, levando-nos irremediavelmente ao ostracismo.
Nesses tempos modernos, não nos é permitido cruzar os braços para a vida, pois são tantas opções que se distrairmos, estaremos mais atarefados que antes. Por esta razão, o bom senso deve ser a tônica das decisões sobre o que faze e aonde ir.
Fácil é falar, mas na prática, a coisa fica complicada, principalmente em se tratando do emocional, pois é na terceira idade que aflora a necessidade de recebermos, tudo quanto, mesmo que aos trancos e barrancos das mil e umas atividades deste mundo sistêmico cruel, jamais deixamos de oferecer aos nossos filhos, pais, sogros, amigos etc.
Abre-se um espaço entre o ontem e o hoje sem que haja mais a garantia do amanhã, já que nesta fase da vida, também passamos a contar o reduzido tempo que nos aguarda.
Dez, quinze, talvez com muita sorte, uns vinte anos. AFF!!!!!!
E aí, bate aquela vontade de ser estreitada, acalentada, um pouco mimada.
Aquela surpresa inesperada de uma visita não programada, aquele beijo carinhoso, quando você não espera, aquele abraço apertado, aquele olhar amigo e cumplice, aquela gentileza, hoje tão rara, aquela atenção, fazendo com que você se sinta importante.
Pois é...
Feliz de quem chega a terceira idade e pode receber tudo isto de forma natural e espontânea e ainda ter forças, saúde e bom senso para continuar usufruindo as delícias da vida.
Este texto, dedico a minha filha Anna Paula e meu genro João Cardoso, pelo carinho que dedicam a mim e ao meu Roberto, não permitindo que a solidão natural que a terceira idade acarreta, nos invada, assim como aos amigos que diariamente, seja na lida ou no lúdico nos embalam no doce carinho da atenção, afinal, tão necessária para que consigamos viver e conviver com o outono de nossas vidas.

Um beijo amoroso em todos e mais uma vez, obrigado.

QUE O MESTRE ME DESCULPE


Discordo, imaginem do espetacular poeta Manoel de Barros ao afirmar em entrevista à uma repórter da Globo que para escrever, bastam muitos exercícios diários, assim como leituras constantes, pois ele não acreditava em inspiração.
Que o mestre me desculpe, mas fiquei espantada de ouvir justo dele tal afirmativa, afinal, viver e se dispor a expressar a própria vida, no que se inclui a alma humana, exige observação e sensibilidade e tais atributos, conferidos aos poetas, são originários da ligação amorosa entre o poeta e a vida que, certamente por eles é enxergada e sentida com bem mais clareza e delicadeza, ficando, portanto, está via de ligação como um fio condutor dos sentidos que abastecidos, se expressam.
Todavia, seriam apenas os poetas os privilegiados extraidores das benditas inspirações universais, ou tão somente os poetas possuem o mapa desta mina fantástica de sonhos, ilusões e recursos infinitos?
Será que a chave deste manancial está assim tão resguardada que nem o mestre Manoel Bandeira se sentiu à vontade para revela-la ou apenas, como magnífico oficineiro das palavras, ao longo de sua longa existência foi perdendo o vínculo com o universo, preferindo a perfeição da linguística ao espontâneo e rude processo lúdico de colher da vida, os ingredientes da realidade, para com a  sua visão pessoal, apresenta-la aos pobres mortais, que como eu, nele se inspirou para deixar discorrer as próprias.
Como não crer na existência de uma incoerência absurda, justo num alguém que amava os pássaros e o silêncio barulhento e movimentado das matas, onde os rios fazem coro de fundo aos infinitos sons que se aos olhos são negados ver, certamente aos ouvidos são como obras primas a tocar às sensibilidades.

Não há como ficar imune a toda esta força invasora, mas sempre bendita do pantanal, assim como ficar imune as influências inspiradoras de mestres como ele e tantos mais, que desvendam o intocável, dando vida ao apenas sentido.

domingo, 23 de novembro de 2014

RAPAZ... É BOM DEMAIS


Não sei se algum de vocês já experimentou a sensação horrível da exaustão absoluta. Pois bem, em algumas ocasiões ela me visitou, mas igual a ontem, sinceramente, eu ainda não tinha sentido.
O corpo vai enfraquecendo e a mente, de um instante para o outro, simplesmente se recusa a voltar a pensar, registrar ou qualquer outra ação.
Tornei-me um molambo, um zumbi ou coisa parecida.
Bem, na impossibilidade de qualquer atitude coerente, fui para a cama e por lá fiquei cerca de 10 horas em um sono profundo e, pela primeira vez em décadas, deixei tudo como estava, até porque, não me dava conta de mais nada além de minha própria exaustão.
Pois bem, são seis horas da manhã e, como vocês podem ver, já estou na ativa e por incrível que possa parecer à minha vaidade de senhora que tudo olha e que de todos cuida, tudo, absolutamente tudo, seguiu o seu fluxo normal e ninguém deixou de fazer, comer algo só porque eu não estava à frente.
Confesso que lá no fundinho, não estou nada satisfeita. Afinal, como dona do pedaço, sabedora do melhor para cada um, espanta-me a confiança de saberem cuidar de si mesmos.
E pensar que fui eu a ensiná-los por todo o tempo, a importância da autonomia.
Pois bem, na ausência do que fazer, pois eles já fizeram tudo, volto não para a cama, mas com certeza para a rede e na maior cara de pau deixarei que me sirvam, pois afinal, estou exausta e bem que mereço este descanso.
Hoje é domingo e eu sugiro à você que assim como eu, não faça nada e se permita ser servido, pois descubro neste instante, que é muito bom.
Rapaz... É bom demais!!!!


sábado, 22 de novembro de 2014

TRAIÇOEIRO EGO


Ego, onde estás que não te encontro?
“Em que estrela te escondes, embuçado aos céus”?
De tanto te procurar, sinto-me cansada e, humildemente, tombo a teus pés, tão logo surges, com a certeza absoluta que por mais que eu venha à te procurar, encontrarás sempre uma camuflagem mais que perfeita, sempre pronta a me enganar.
Surges sempre do absoluto nada e, logo, me vejo atingida pelo fio afiado de tua poderosa espada.
Que megalomania é esta que te coloca como refém de uma dura solidão?
Ceifas brotos e frondosas árvores, tirando de ti, preciosas sombras.
Ego, impiedoso ego!
Só enxergas a ti mesmo, tirando a importância do tudo mais.
Coloca-te no pedestal de alguns breves instantes, banhando-te com a quentura das luzes instantâneas, abraçando o vazio do nada que te sobra.
Ego, maldito ego, que rasga a textura da fraternidade.
Camuflando a tua doentia vaidade, não dividindo espaço, engolindo tudo, num frenesi interminável.
Ego, maldito ego, que jamais sucumbe, criando fendas, abrindo feridas e provocando rachaduras.
Não importa o quanto ainda eu viva,
não só não conseguirei identificar um ego camuflado, como, com certeza, não sairei imune dele.

Cruz credo, como é cansativo...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

VIDA PLENA


Dentre os sonhos e desejos que eu possa ter tido no decorrer de minha vida, certamente, jamais se equiparão às realidades que me acompanharam dia após dia.
Em todas as situações, fossem boas ou ruins, fáceis ou difíceis, que vivenciei, lá estava alguém especial ao meu lado, me protegendo, me apoiando, me incentivando, me guiando, torcendo por mim e me querendo bem.
Portanto, só posso agradecer pela vida de primeiríssima qualidade que sempre me acompanhou e, é por esta razão, que celebro diariamente o fato de estar existindo e tendo a devida consciência deste privilégio e, para tanto, procuro enxergar no meu próximo “aquele Deus”, que tudo tem me oferecido.
Neste instante de muita emoção diante das carinhosas demonstrações de carinho que estou recebendo ao longo deste dia, só posso, mais uma vez, rogar ao meu São Francisco de Assis, bênçãos a
todos e que, assim como eu, suas passadas terrenas também sejam por ele amparadas, não lhes faltando em nenhum momento, as margens benditas do equilíbrio, do respeito e do amor, com as quais me resguardo.
Obrigado e um sopro de minha felicidade para cada um de vocês.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

CONSCIÊNCIA DE QUE MESMO?


Estou aqui pensando no quanto somos incapazes de fazer do palpável, nosso amparo e natural proteção, preferindo buscar no etéreo e no fugaz, o consolo para a nossa própria solidão.
Recorremos como desesperados às milhares de ofertas celestiais e muitos se jogam literalmente suas energias e vidas no obscuro, na busca desesperada de encontrar soluções para suas dúvidas ou mesmo realidades difusas.
Seria a total impossibilidade em distinguir o lógico e o real?
Estaríamos todos tão mergulhados na confusão cognitiva de que não somos mais capazes ou nunca fomos de tão somente, convivermos com o real?
Que necessidade é esta que nos empurra por todo o tempo à sabotagem de nossa própria existência?
Reparo desde sempre na constância destrutiva que carregamos como uma muleta, que nos mantém reféns de possíveis caminhadas de vida e liberdade.
Fingindo-nos magnânimos, estendemos a mão direita e camuflamos a esquerda que sempre pronta ao ataque, aguarda em sua força motora, o poder de ferir e matar, tornando assim nossa mente racional em pura armação de possíveis combates, onde alguém ou algo sempre se vê destruído, a começar por nós mesmos.
Natal vem chegando e penso então, que Natal será este?
Que verdades podem existir que retratem os benditos sentimentos que sabemos serem os ideais, se por todo o tempo, nos transformamos em criaturas frias, de emoções confusas que destroem à tudo, por todo o tempo, não enxergando o óbvio que nos persegue incansavelmente, apenas para nos lembrar, que para permanecermos vivos e com pelo menos, relativa plenitude,  precisamos abraçar o tangível, burilar o tocável, amando o possível de ser sentido e enxergado, numa troca sustentável que gera vida, aí sim, num ciclo ininterrupto de vida.
Destruímos e ao mesmo tempo, permitimos que outros destruam a vida em todas as suas expressabilidades sem qualquer senso de raciocínio lógico e ainda assim, num ritual inconsistente, mas que descobrimos nos faz acreditar que ainda somos humanos, abastecidos de sentimentos uns pelos outros, abraçamos o lúdico para talvez quem saiba, nos sentirmos humanizados.
E tal qual, leitores de orelhas, nos tornamos literatos de um compêndio de merda.
Que nesta quinta-feira, dia criado e dedicado a “Consciência Negra” possamos enxergar o diferente, tão somente, como mais uma obra prima de nossa tão machucada natureza.




domingo, 16 de novembro de 2014

BOM DIA!!!!

Hoje é domingo, pé de cachimbo e como a maioria, nada tenho à fazer, além de nada, absolutamente, nada, se assim eu desejar.
Como de rotina, que diga-se de passagem, adoro e não trocaria por nada, sento-me diante do computador, não sem antes deixar o caderno e a caneta ao meu lado por sobre a mesa que, aliás é a da sala de jantar, afinal, é a mais próxima de meu jardim e de onde, e vocês já sabem, pois já escrevi mil vezes, sou capaz de enxergar meu jardim, minhas flores e minhas frutas, sem precisar de muito esforço, sem contar que posso dimensionar os cantos de meus pássaros, neste reduzido, mas adorável recanto,que chamo de meu.
Hum!!!!
Ninguém tem nada, meu bem
A não ser que tu também
Estejas sempre à sonhar
Pois, os sonhos são os mais profundos,
são como poços, bem fundos
que a dor, não pode alcançar.,
Pronto, já fiz uma poesia, como um vício que me acompanha e me ajuda por todo o tempo, principalmente se tenho que tomar decisões, mesmo as mais pequeninas, mas que não sendo rotineiras, me fazem coçar as madeixas.
Será que ainda falam assim...?
Deixa de ser antiga, mulher, pois nem no tempo de tua mãe, falava-se mais assim....
Penso então que sou maluca,
meio tonta talvez,
pois enquanto todos dormem,
converso comigo mesma,
num papo que não tem fim.
Só rindo de mim mesma, como aliás sempre fiz...
Neste domingo chuvoso, meio sem graça ou tristonho, recorro às muitas fantasias, que sempre alegraram meus dias.
Para vocês meus amigos do face e dos caminhos reais, um abraço apertadinho, seguido de muitos beijinhos, pois sem abraços e beijos, não há um dia que valha, um instante que compense.
Hoje é domingo, pé de cachimbo
Eu estou viva e você também!!!!!!!



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

BOM DIA!!!


Dentre as iniciativas que tive nesta vida, com certeza, instalar um chuveirão no quintal dos fundos de minha casa, foi providencial.
Imaginem, neste calor abrasador, depois de um dia de trabalho, poder tirar a roupa e se banhar a princípio, numa água morna, afinal, os canos estão quentes e logo depois, ela chega fria, quase gelada, arrancando gritos de um suposto susto.
Delícia, meu Deus!!!!!
Pois é...
Tudo isto acontecendo sob um céu estrelado, tendo a seu lado a vida em sua pujança, estimulando e fazendo crer na mais autentica simplicidade, o quanto é muito bom se sentir existindo.
Depois, já refrescado, sentar-se à mesa e comer aquela comidinha que sobrou do almoço e que o micro-ondas, generosamente esquentou para você.
Que coisa boa, meu Deus!!!!
Agora, se ao fazer tudo isto, ao seu lado existir “aquele” amor, bem...
Aí, tudo fica perfeito.
BOM DIA!!!!
Que nesta quinta-feira, até mesmo o chuveiro de seu banheiro possa lhe lembrar que você existe e merece ser feliz.
Um beijinho carinhoso em você que me lê, e devaneia comigo.


domingo, 9 de novembro de 2014

SAUDADES


Neste final de tarde, deste domingo ensolarado e abrigado de paz ouvindo Vinícius de Morais e Toquinho, automaticamente começo a escrever e minha mente, em companhia de meu coração, viaja rápido para encontrar a minha linda Ipanema de sonhos coloridos e de uma juventude ingênua que os anos vividos, não conseguiram apagar.
Ipanema, de um Rio de Janeiro que infelizmente só resiste em sua leveza nas lembranças de gente que, como eu, a viveu em seu esplendor de donzela elegante, coberta de um romantismo hoje impossível de ser identificado, seja lá ou em qualquer outro lugar.
Ipanema, das águas frias e dos sois abrasadores, das areias quentes e dos céus estrelados, das dunas revestidas do verde vibrante da vegetação rasteira, das calçadas largas, das pessoas sorridentes.
Ipanema, do chopinho antes do almoço, do sorvete do Morais, dos doces da padaria Eldorado que, depois, virou Regininha.
Ipanema, da Visconde de Pirajá, do ônibus Urca/Leblon, do bonde do Bar Vinte, da Rua Aníbal de Mendonça e da sempre amada Barão da Torre, onde posso ainda ouvir meu gritos de pura alegria, no esconde esconde das brincadeiras de uma infância divina.
Ipanema, que me viu crescer e me apaixonar, que me viu menina e depois mulher.
Ipanema, de Vinícius, Tom e João Gilberto, de Paulo e Sérgio Vale, dos sonhos e das fantasias de Maria Clara Machado.
Ipanema, das artes e da intelectualidade, da beleza e do poema onde cada um de nós, escreveu o seu próprio verso.
Saudades... de uma Ipanema que só é possível encontrar através das lembranças sempre vivas a lembrarem que sorrir é preciso e amar imprescindível.
Eu sei que vou te amar sempre, minha Ipanema querida e é este amor que me faz atenta e zelosa à vida, encontrando onde me encontro, traços de tua beleza, nas quais me abrigo e me faço feliz.
E pela luz dos brilhos teus, vou seguindo a estrada e juro por Deus que tão somente, busco sem muito trá-la la, lembrar da luz dos muitos dos teus sois que se refletem, nos olhos meus.


domingo, 2 de novembro de 2014

NESTE FINADOS, VIVA A VIDA!!!!


 De repente, senti uma vontade imensa de deixar um registro expresso de como eu gostaria de ser lembrada, claro, depois que eu “passar desta para melhor”, “morrer”, “fenecer “e etc..
Confesso que nem me lembro exatamente quando comecei a pensar nisto, mas com certeza, lá vai muito tempo em que me incomoda pensar que na maioria das vezes, a história de uma pessoa é sepultada com ela e só lembrada, quando lembrada, no dia de finados, datas de aniversário ou morte, tudo porque, criou-se o estigma de que falar sobre o morto, guardar coisas de morto e agora, manter na rede social a página de um morto, seja mórbido, doentio, sádico e o escambal.
Tá, tudo bem, sempre fui esquisita, afinal, passei a minha vida até o momento, desafiando este sistema repetitivo que insiste em nos manter sob o julgo do medo e, portanto, da inconsciência do fato natural e absolutamente real e intransferível que é a morte.
E no que fingimos que ela não existirá para nós, deixamos de valorizar a nossa vida, colocando-a em risco por todo o tempo em uma inconsequência que eu diria absurda, pois, flagelamos nossos instantes como se estes, fossem eternos, mantendo em nossos devaneios que nada mais são que recursos de uma pseuda sobrevivência emocional, frente a inconsistência de nossa visão existencial, velhos refrões que repetimos e incorporamos aos nossos discursos diários, como se fossem inéditas,  verdades interiores.
E aí, enjaulados no desconhecimento, quase nada construímos em nossa estrutura psico/emocional, que nos amplie a compreensão de nossas próprias existências e a importância de cada respirar que nos permite pensar e criar lógica de raciocínio, apenas, para que possamos vivenciar cada instante presente, não como se fosse o último, mas certamente, como único que nos permite, então, olhar e sentir a vida como um ciclo ininterrupto, onde vida propicia vida e que cada vida através de seu vivenciar, abastece de nutrientes  da produção saudável de sua própria energia, mais vida.
Portanto, se ousadamente tenho esta consciência existencial que, me remete a outra certeza de que de alguma forma o que fui e representei à vida, permanecerá no espaço que me abriguei, em uma ou infinitas expressabilidades, influenciando com o exemplo de minhas atitudes de qualquer natureza, sentimentos e ações, como então, posso temer a morte ou mesmo crer que ela exista, além do termino de uma matéria perecível, cuja validade se extinguiu?
Pois é, pensando nisto tudo, venho me observando e me corrigindo a cada dia, mais e mais, afinal, percebo a imensidão de minha responsabilidade para com a vida que me abriga, dimensionando-a em cada elemento que os meus sentidos possam enxergar ou sentir, porque  compreendo que se sentir vivo, ao contrário do que nos ensinam, nos levando a crer que precisamos de um montão de coisas, ela, a vida nos permite tê-la, resumidamente, na nossa capacidade em senti-la de forma simples e natural e neste contexto, a “morte, passamento,” ou seja lá como queira se chamar, deixa de ser um mistério que assusta e nos leva a desconsiderar ou mutilar a vida, para representar apenas, o fechamento de um ciclo existencial  sem que haja o aniquilamento da integração e interação, que se iniciou expressivamente da forma humana com o nascimento e que se perpetua através de outros respirares, sejam humanos ou não.
Portanto, não chorem, não lamentem e tão pouco façam rituais, quando minha matéria se cansar, porque eu estarei muito viva, através de meus sentimentos de amor à vida e ao tudo que ela representou como vida pulsante, como você, por exemplo que me lê neste instante e que, certamente, concordando ou não, está se somando e se integrando neste ciclo de troca de energias que afinal, é vida pura que jamais se acaba.
E viva as energias vivas que nos rodeiam, tenham elas feito parte de nosso universo pessoal ou não.



sábado, 1 de novembro de 2014

O TEMPO, APENAS PASSOU


Em 01 de novembro de 1966, ainda na primavera quente do Rio de Janeiro, apesar de ser feriado, o hábito de acordar pela madrugada foi mais forte e lá estava eu, deitada em minha cama e, também como de hábito, olhava através da janela para o céu, entre os galhos da amoreira da casa do vizinho que insistentes, atravessavam por sobre o muro e sombreavam a varanda de meu quarto e que, com o balançar de seus galhos, transportavam-me ao imaginário nas brisas constantes do meu mar de Ipanema.
Lembro-me sorridente que no viajar dos sonhos que eram sempre muito especiais, dava pausas, repetia as cenas, num perfeccionismo incansável, acrescentando, cortando, mas sempre aprimorando, fazendo dos sonhos,  grandes espetáculos da produção solitária da minha fértil, imaginação.
Neste dia em especial, não havia nada programado para o feriadão, além da ida a praia (se não chovesse), mas na véspera de finados, quase sempre chovia, mas quando se mora a beira da praia e se é adolescente, este é um detalhe que pouco importa.
Apesar de até então em meus voos imaginários ter encontrado mil príncipes encantados e com eles ter dançado em bailes espetaculares, plagiando a gata borralheira dos contos juvenis, jamais poderia supor, que dali a poucas horas, um sapinho sorrateiro, iria aparecer e com suas vestes de grande Lorde, iria me seduzir.
Quarenta e oito anos depois, estamos tal qual naquela época que hoje, nos parece longínqua, mas que não nos pesou vivenciar, pois juntos e molecamente apaixonados, ainda nos necessitamos, ainda nos emocionamos, ainda nos somamos à vida, tão some para nos mantermos felizes.
Mil foram as vezes, que entre tapas e beijos, fomos superando as fronteiras das diferenças pessoais, os incômodos dos maus hábitos, as barreiras dos problemas.
Criamos raízes, assim como filhos, criamos cães e outros tantos amores, pintamos duas vidas, numa única tela, em uma parceria de vida e indiscutível liberdade.
Você pragmático, eu sonhadora, abusados e destemidos, fizemos da vida uma tela e nela pintamos com os pinceis do amor, do respeito e da amizade, as cores das nossas almas.
E nesse recordar do vivido, olho para você, meu Roberto que ainda dorme nesta madrugada de tempos depois, onde ainda existe vida, muita emoção e o nosso sempre doce e amigo, companheirismo.
Viva o feriado que chega e que como sempre, traz o sol da primavera, assim como as lembranças de nossas vidas que sem idade, também sorri, agradecendo e se integrando à este universo de luzes, cores e sabores, num balanço marinho absolutamente incansável, deixando para nós, tão somente, a escolha do som que produzirá a melodia, a escolha das cores com as quais desenharemos os perfis de nossas vidas.

Penso então, que na véspera do culto à morte, eu e você, encontramos à vida.