sábado, 18 de fevereiro de 2012

LOGO PELA MADRUGADA...





O dia sequer amanheceu e já estou a postos frente ao meu “amigo” caderno, compondo palavras em um agrupamento de benditas letrinhas que ao serem juntadas por mim levam-me a crer que faço exatamente o que me satisfaz, proporcionando-me uma imensa satisfação que não troco por absolutamente nada, até mesmo permanecer no aconchego de minha cama quente ao lado do meu amor.

São 5:00 horas de um horário de verão e, portanto, os pássaros ainda não acordaram, estando nítido tão somente os grilos da madrugada fazendo coro e me fazendo companhia.

Nossa! Como sou pretenciosa, ao crer que a mãe natureza busca a minha companhia. Mas por que não? Afinal, sou fiel, amiga e parceira. Troco com ela confidências, sorrisos e até choramos juntas, daí o porquê eu me sentir acolhida, procurada e envaidecida.

Bendita natureza que pautou os meus dias estivesse eu em qualquer lugar que fosse. Quando criança e adolescente, mesclei o mar gelado e agitado de minha fascinante Ipanema com a calmaria das águas doces e tranquilas de Guapimirim, onde a mata densa abrigava a cachoeira de queda livre e gostosa, e o cheirinho constante da terra orvalhada, fazia contraponto à maresia e à areia alva e quente que teimosa queimava os meus pés, fazendo-me correr para a sombra acolhedora dos muitos coqueiros que adornavam as dunas suaves de minha praia.

Quando adultei e parti para outras bandas, o sol, o verde, as águas por lá nem sempre encontrei, e, então, filosofei, fantasiei e me encantei, fazendo da vida interminável canteiro, meu maior prazer.

E agora, neste outono cronológico, ainda ouço os grilos, ainda sinto o cheiro de terra orvalhada e também espero os pássaros apreciando as copas de minhas árvores, deleitando-me com o suco de minhas frutas, conversando com as flores e, claro, sentindo-me íntima desta natureza que fez de mim com certeza a mais prosaica de todas as criaturas, como também a mais feliz babacona deste pedaço de mundo cercado de água por todos os lados e recheado de mais e mais vida que minha incompetência não permite expressar em versos, fazendo poemas, permitindo-me apenas prosear discretamente, agrupando letrinhas, formando palavras, desenvolvendo mensagens e mantendo, assim, longas conversas íntimas, comigo e com ela, minha sempre presente natureza.

E para não fugir de meu hábito, também velho amigo e parceiro, saio de um assunto e adentro noutro que persigo a vida inteira, muito atenta e esperançosa, refiro-me à educação. Canteiro rico e diversificado, que se inicia ainda no ventre e se desenvolve no cotidiano, capaz de transformar todo e qualquer ser humano em um único e grandioso espetáculo desta natureza, sempre pronta a acolher, inspirar e proteger.

Bendito dia que nasce, benditos pássaros que cantam, benditos grilos que adormecem, bendito sol que desponta, bendito silêncio que acorda, bendita Regina que observa, bendita labuta que desperta, bendita paz que ainda existe.

Dedico a ti que me lê nesse instante, todas as vibrações amorosas que sou capaz de produzir frente à toda grandeza que tenho nesse momento diante de mim, que neste sábado, 18 de fevereiro de 2012, seja para nós  repleto de paz, compreensão, respeito, segurança e, acima de tudo, de muito reconhecimento pela bendita vida que reservamos em nós.

Portanto, se tentarem ti irritar, magoar ou ferir, sorria, devolvendo ao agressor o teu melhor, que é a tua bendita energia amorosa, porque esta resiste, compreende e perdoa.

Porque esta amansa, neutraliza e abastece, também regenerando e adoçando cada momento presente, que é a vida que reconheces e te pertence.

Bom dia!...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ética, no aqui e agora...



Volto a falar de ética, porque, afinal, este é um tema tão amplo quanto o interminável intercâmbio de qualquer natureza consigo e com o tudo o mais no qual se encontra inserido e que hoje é moderno designar-se de universo pessoal que os filósofos antigos já mencionavam na designação do habitat da criatura humana e muitos deles ainda relacionavam a uma transcendência universal.

Bem, no aqui e agora o sentido da ética tem sido moldado de acordo com os interesses e necessidades individuais, o que é absurdamente assustador, pois até então o que era possível de observar era a aplicação de uma ética de grupos, onde estes formulavam conceitos próprios em detrimento dos demais, característica que marcou grupos sistêmicos de forma indelével através de exemplos deploráveis das guerras e fundamentalismos de qualquer natureza.

Isso não significa que evoluímos nesse aspecto, já que de forma disfarçada e com um sem número de nomes a aplicabilidade da ética exclusivista permanece mais forte do que nunca, escravizando uns em detrimento de muitos.

A essa continuidade perversa oferecemos culpa ao sistema, mas este sempre existiu por pura necessidade de normas de procedimento individual em meio a grupos, esta conceituação se adequa agora ou sempre, repito, aos interesses normalmente de poucos como já analisava Platão no estudo de sua “polis” ideal, debatendo junto a Glauco as formas pelas quais dever-se-ia conduzir um povo comparando as formas mais adequadas de governabilidade, onde a ética se fizesse mais presente.

Entretanto, para a maioria que sequer ouviu falar nesta tal “República de Platão”, o que conta verdadeiramente é a forma pela qual ela, pessoa, possa ir e vir sem grandes atropelos, mesmo reconhecendo desde sempre que os percalços existirão por todo o tempo, desenvolvendo, assim, uma autodefesa contínua onde os seus interesses são o que conta verdadeiramente, e estes, podem ir do ato simples de não devolver um troco que recebeu a mais, até a violência ao outro ou a tudo com que eventualmente precise conviver, não havendo nem nos lares e muito menos na escola, qualquer associação educativa que correlacione sua postura a todas as mazelas com as quais convive, ficando cada ato com definições absolutamente individuais e até currículos específicos a serem estudados, mas jamais qualquer consciência de que o ponto de partida e o cerne de todas elas é a soberana ética, que, afinal, norteia os direcionamentos físicos e mentais de todo e qualquer ser humano.

As grades curriculares estão sendo alteradas periodicamente com adições de disciplinas que infelizmente nada acrescentarão às nossas crianças e adolescentes se a elas não for adicionado o conteúdo básico e fundamental de “vida e liberdade”, caminho único para o entendimento de convivência e humanidade.

Vida e liberdade representarão uma luz nas mentes infantis, donde então aprenderão a identificar-se por todo o tempo de forma absolutamente natural, como parte integrante e ativamente participante do tudo do todo que pode ser chamado de terra, espaço, habitat, cosmo, universo, mas que para ela significará tão somente estabilidade pessoal, onde sua própria consciência de ser um ser existente a manterá ligada a uma consideração respeitosa a si mesma, não se permitindo qualquer afrontamento à essência do tudo o mais, porque permanecerá reconhecendo-se no outro, seja humano ou não, e aí, a essência e a existência se fundirão em uma saudável parceria ética de respeito à vida, razão única capaz de nortear posturas individuais que certamente se refletirão na formação e manutenção de qualquer tipo de grupo, atividades, ambições e quereres.

Afinal, para ser, sentir e desejar a legítima liberdade, somente é possível através da conduta de uma vida ética que se possa exercer desde sempre por toda uma existência.

Gente como eu e você, já inseridos ao longo da vida em uma quase total alienação quanto a tudo a que me referi anteriormente, resta à absoluta certeza de que é possível chegar-se a tal entendimento se nos propusermos a rever valores, corrigir distorções conceituais, perdoando-nos por todo o tempo já que se tal legado não nos foi repassado no devido tempo, tempo hábil agora possuímos, assim como a consciência dos horrores que nos cercam e do quanto ainda precisamos arestar de nossas posturas físicas que são reflexos diretos de nossos emocionais empobrecidos, que certamente fazem de nós criaturas menores frente à grandeza na qual estamos inseridos.

Ética, é uma virtude que devemos empregar aos nossos atos, seguindo valores de respeito aos valores morais que não firam a nós mesmos, assim como tampouco ao tudo mais deste mundo, desta terra, deste cosmo, ou se quiser, deste universo, que de tão perfeito, pessoalmente chamo de Deus.

E aí, aquele sorriso, aquele muito obrigado, aquele abraço fraterno, aquele me dá licença, aquele por favor e me desculpe, fazem toda a diferença, pois representam o primeiro passo para que um alguém, como eu e você, possa adentrar no recinto infinito do respeito à vida com profundo senso de liberdade existencial, justo por estar se sentindo cônscio do espetáculo de perceber que é um ser que existe e que é capaz de pensar e escolher viver muito mais confortavelmente saudável e feliz, independentemente das ações alheias, pois o que contará sempre será o que se pensa e se faz.

Ah! E se for o caso, que não se tenha preguiça ou pudor, ou seja lá o que for, para dizer:

- Eu te amo!

- Você é lindo!

- Me ajude, por favor!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

PENSANDO NISTO E NAQUILO

Diante de um inicio de ano meio que tumultuado com a greve dos policiais militares na Bahia, desabamentos de prédios no Rio e São Paulo, chuvas torrenciais para todos os lados no sudeste e norte, assassinatos, chacinas, crimes passionais e suicídios como o que ocorreu há poucos dias com a figura emblemática de Sapoti, em Itaparica, e se não bastasse ainda estar adentrando em um ano eleitoral, restando-me a certeza absoluta de que eu, assim como qualquer outra pessoa, precisa rever valores e posturas senão para com o intuito de algo poder amenizar na própria mente, pelo menos para com a lucidez compreensiva, ir vivendo cada dia buscando, seja com os parceiros, filhos, vizinhos, patrões ou empregados, um conviver menos traumático, estressante e absolutamente idiota, se não nos esquecermos de nossas finitudes que sem hora e dia marcados, certamente virá nos dizer olá, e aí... bem... aí de que mesmo valeu tantas perdas de tempo?

Pelos mortos, pessoalmente nada mais podemos fazer, mas por nós, ah! Nem é bom imaginar muito, pois certamente nos faltaria tempo terreno para vivenciar a infinidade de gozos pelos quais poderíamos nos dar ao desfrute.

Nesta semana, mais uma vez participei como assistente de uma mesa redonda, onde a pauta era os direitos humanos, cujo foco era a intolerância às diversidades em geral, mas que abordou maciçamente a causa negra e a homofobia.

Pensei, então, no quanto ao longo de mais de um século esses temas foram alvo de lutas em prol de direitos que infelizmente jamais aconteceram com plenitude, única e exclusivamente porque o cerne de tais questões precisa ser adequado á realidade de que somos todos maravilhosamente ou diabolicamente diferentes e que somente através de um consenso onde o “respeito” norteará novas condutas e então poder-se-á sentir, desejar e verdadeiramente querer-se compreender o significado complexo, mas gratificante e acolhedor, do estado de direito, merecidamente um direito de todo ser vivo.

Porque ao não respeitarmos seja o outro, os animais, as nossas obrigações profissionais, os sentimentos coletivos e toda e qualquer relação que no cotidiano exercitamos uns com os outros ou com todas as coisas que abastecem a vida, o mundo e o nosso universo pessoal também e principalmente nos flagelamos, descumprindo a única tarefa que nos cabe, que é justo a preservação da dignidade de nós mesmos.

Quando cumprimos nosso trabalho com satisfação, decência, ética, oferecendo o nosso melhor, não deveríamos estar crendo que esta dedicação só beneficiará o nosso patrão, a empregados, família, além do tudo o mais que cremos estejam nos cobrando, mas acima de tudo estaremos polindo a nossa autoestima, oferecendo a nós o respeito que merecemos, assim como o direito de nos sentirmos pessoas melhores e consequentemente ao tudo mais que conosco interage.

Este princípio é básico e fundamental, simples e determinante, mas acima de tudo uma constante irrigação de amparo ao direcionamento de nossas passadas existenciais.

Portanto, pensava então enquanto ouvia as distintas professoras, explanando sobre leis e lutas que tudo é muito teórico, porque verdadeiramente na prática onde ocorrem as diferenças, as mazelas e as agressões sejam individuais ou de grupo, todos se sentem com direitos, mas ninguém, seja agressor ou vítima, se sente verdadeiramente respeitado.

E aí, como eu posso esperar receber de alguém algo que sequer poderei identificar? Como poderei ofertar o que sequer jamais possuí? Geralmente, cremos que sabemos muito, pelo menos disto ou daquilo. Somos arrogantes em nossas afirmativas e cruéis com as nossas conquistas frente ao despreparo que sempre cremos existir no outro, no sistema e na vida.

Que tal acordarmos para a certeza de que afinal somos nós que não partilharmos com o outro, somos nós que criamos e mantemos o sistema tal qual ele se apresenta, sem qualquer resquício maior de respeito seja lá em que estágio dele venhamos a necessitar, e quanto a vida, ah! Com certeza, somos nós que a determinamos passo a passo com a nossa contumaz arrogância em crermos que esta, pelo menos para nós, jamais se findará.

Pense nisso, e se fizer sentido, comece sendo gentil, simpático e solidário e, provavelmente, o seu universo pessoal vai agradecer e sua morada, que é sua mente, agradecerá.

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