sábado, 27 de dezembro de 2014

DE REPENTE?


Assim como de repente, olho ao meu redor e tudo me parece inútil, sem sentido e quase absurdo. Afinal, meus pensamentos e minhas lógicas se chocam com o sistêmico e, como uma perdida em meio a um deserto, giro em torno de mim mesma, procurando o oásis de minhas próprias convicções e percebo com absoluta clareza que este ideário, só existe dentro de mim, lugar seguro no qual me abrigo desta loucura que me rodeia.
Esta sensação vez por outra ainda me abala, criando um ambiente de surpresa e quase medo, levando-me a erroneamente acreditar que foi tudo, assim como de repente, quando na realidade, tudo é rotina, eu é que distraída adentrei em mim e desfoquei o tudo mais.
Meus escritos, minhas ideias, minhas visões, ficam todas tão egoisticamente pessoais que chego como agora a sentir um certo mal-estar, quando penso que tudo poderia ser bem mais fácil, bem menos sofrido, muito mais harmonioso.
Mas a impressão que tenho é que falo em línguas inteligíveis, escrevo não um somatório de experiências somados a uma observação contumaz, mas uma filosofia “Platonista”, pois sinto nos olhares que me fitam, tão somente a incompreensão da lógica que me inspira.
E como uma ovelha desgarrada, sigo meu caminho solitária, descobrindo mundos até então desconhecidos.
E dentre as novidades que vislumbro, vou percebendo que não me encontro sozinha, apenas não sigo rebanhos, apenas vou colhendo e saboreando os raros frutos que vou enxergando neste meu caminhar de vida e liberdade.
Tudo é tão absurdamente simples, tudo é tão absurdamente fantástico que até posso compreender a imensa incapacidade assimilatória do que falo e escrevo, afinal, viver o simples, exige dedicação, busca e fascinação, exige abraçar o tangível e fazer dele o seu mais rico imaginário.
De repente? Nada é de repente...
Tudo pode ser previsto, principalmente em meio ao sempre igual.

Que neste sábado de quase final de ano, os frutos raros possam ser enxergados, nem que seja em raros momentos.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL


Ah! Senhor, diante de ti, curvo-me e agradeço.
Olho ao redor e em tudo que enxergo, vejo-te refletido
Respiro fundo e tenho a impressão que adentras em meu interior
Passo meus braços ao redor de mim mesma e posso sentir o teu calor amoroso a me estreitar.
E ao sentir sede, sorvo-te através da água, bendito alimento de pura vida
Mas é quando sinto medo que me envias os aromas e os sabores, para que eu me embriague de ti e adormeça, com a certeza absoluta de que silencioso, zelas por mim.
Que as energias benditas deste universo, que nada mais é que o canteiro de nossas existências, estejam nos amparando nestes dias natalinos, inspirando-nos a torná-los uma constante em nossos dias futuros, para que possamos a cada instante vivido, eternizarmos o melhor de nós, fazendo parceria com o divino.
Um enorme beijo em cada amigo, parente e companheiro do face acompanhado da minha gratidão pela troca de carinhos e atenções.
UMA FELIZ NOITE DE NATAL!!!!!!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

CONVERSANDO COM DEUS


Receias pela morte? Receias as doenças? Receias as perdas materiais? Receias a perda amorosa que te rodeia?  Receias, afinal, o quê?
Por que sofres, acreditando que serás punido, justo por mim que te criei, dando-te vida e poder?
Por que ficas pelos cantos, ora reclamando, ora se lamentando, sem jamais seres capaz de enxergar tua própria grandeza e fazer dela tua vara mágica de realizações?
Fico a observar-te em tua insistente perda de tempo, sofro por ti, por que sei o quanto podes ser amoroso contigo mesmo, todavia, a teimosia que permites que te acompanhe, impede que enxergues com a clareza de uma mente limpa, conduzindo-te vez por hora, ao desatino da insensatez de lamentares, temeres ao invés de lutares.
Dei-te a vida para que tivesses espaço infinito para expressares as tuas afinidades, dei-te uma mente para que pudesses avaliar teus desejos e necessidades.
Por que, não fazes o devido uso de tais poderes, preferindo a lamúria de chorar ao invés de sorrir, amparando-te em patologias emocionais, quando tens a mim, como amparo maior?
Digo-te:
- Chega!!!!!
Esta será tua palavra mágica e tua mente será tua vontade voluntária. Com ambos, reverterás a condução de teus próximos instantes, cobrindo-te de minha luz que insistes em não receber sobre tua vida.
Doravante, quando perceberes a aproximação da simbiótica postura que chamas de cansaço existencial, estresse ou depressão, lembraras da palavra mágica e expulsarás de ti, esse vício que contamina tudo a tua volta, tirando o viço e o brilho de tua existência.
Chega disso, chega daquilo e de tudo o mais que ouves, falas, aceitas ou que impões a ti e aos demais, através deste comportamento aparentemente normal, mas que só te tem trazido, preocupações, desatinos e dor.
Chega de manteres os teus olhares direcionados para o amanhã, esquecendo-te que as ações estruturantes, precisam ser articuladas no hoje, sem que teus instantes presentes sejam danificados e que tenhas prejuízos quanto a qualidade de cada um deles.
Chega de provocares tantos danos a ti mesmo, chega de transformares teus dias em capítulos de tragédias continuadas, chega de chorares sobre si mesmo, chega de buscares dores com as quais, foges para não teres de conviver com tua própria natureza, que, afinal, é perfeita e que te foi, amorosamente, ofertada por mim.
Chega de enfiares a cabeça no buraco de teu medo de existires e adapta-te aos novos tempos que surgem a cada amanhecer, dando a ti, todas as possibilidades de renovação.
Ciladas, dificuldades, lutas constantes, sempre existirão, mas é preciso que digas chega à tua preguiça sistêmica, que te leva a copiar os fracos de espírito que não conseguem enxergar que sou o pai e tu, o filho, e que juntos somos poderosos e indestrutíveis.
Portanto, chega de te fechares para a vida que incansavelmente se expressa, na tentativa de chamar-te a atenção, através dos amanheceres que ignoras, dos por dos sois que nunca tens tempo para admirar, dos sorrisos francos que te são direcionados e que por orgulho e preconceito em sua maioria desconsideras, dos aromas que te cercam e que já não consegues distinguir e das cores vibrantes que bem poderias te apropriar, mas que cego pela constante lamentação, és incapaz de enxergar.
Chega de impedir que as benditas energias da vida te sirvam e te inspirem no tudo que verdadeiramente, precisas.
Então, compreendas, medo para quê?
Chega, por que afinal, tens a mim, a vida, portanto, trace o teu caminho usando as ferramentas que estão ao teu alcance e que insistes em não utilizar.
Que nesta quarta-feira, o Deus que neste instantes fala contigo, tenha sido convincente para que repasses esta mensagem à outros que como tu, muitas vezes, opta pelas trevas em meio a Luz.



domingo, 14 de dezembro de 2014

FALSO BRILHANTE


Estou aqui pensando nas pequenas coisinhas que vivemos fazendo ou recebendo no nosso cotidiano e que sequer oferecemos importância maior, pois fazem parte de uma rotina, nos levando a esquecer que são justamente essas aparentes banalidades que consomem a maior parte de nosso tempo, dando ou tirando o brilho de nossos instantes presentes, dependendo de como somos capazes de recebe-las ou realiza-las.
Levar e trazer os filhos das escolas, ir ao supermercado, enfrentar a fila do ônibus e depois, ele abarrotado, correr para chegar ao trabalho sem atraso, dizer, bom dia, ao vizinho, ao porteiro do prédio ou aos alunos em cada sala em que se vai dar aulas, pensar no que se vai almoçar e etc e tal.
Lamentar ou chorar a perda de um parente ou de um amigo, segurar o xixi ou a fome, naquele engarrafamento infernal, ser bem ou tratado com indiferença pelo funcionário público daquela entidade, na qual boa parte de nosso salário é consumido, através dos mais altos impostos do mundo ou numa das dezenas de ligações telefônicas que fazemos às operadoras de telefonia, Sky ou qualquer serviço no qual pagamos e pagamos anos à fio e sequer nos oferecem um rosto e uma alma para nos atender.
Choramos e nos descabelamos se o dinheiro acaba no meio do mês e nos tornamos as pessoas mais frustradas do mundo, ao constatarmos que apesar de tanto trabalho e lutas é justo o “político safado” que leva a melhor.
Também consumimos anos insubstituíveis, querendo ter um corpinho de modelo de revista ou de atriz de televisão ou quando percebemos que nossos maridos, noivos ou quebra galhos, estão embevecidos diante daquela mulher que miseravelmente tem o corpo que a gente, que fez tantas ginásticas e dietas, jamais conseguiu alcançar.
-  E aí, pensamos, FDP...
E o tempo vai passando entre os afazeres profissionais, domésticos e amorosos, e assim, quase que de repente, em um certo momento, jamais esquecido, nós, imprudentemente, olhamos no espelho com mais atenção, e, VIRGEM MARIA, envelheci e nem percebi !!!!!!!!!!!!
E agora, o que fazer?
A partir deste crucial instante, cada uma de nós abraça uma tábua, buscando salvação, todavia bem cientes de que nada adiantará, pois quando a safada da física e dos hormônios resolvem descer ladeira, nada será capaz de detê-los, talvez com muitos sacrifícios, retardá-los com mil recursos, mas aí, volta à tona o mais poderoso argumento que até então tirou-nos a paz:
 Dinheiro, que agora chamam de aposentadoria, mais minguada do que nunca, cadê este safado que insiste em acabar no meio do mês?
Nossa!!!
E pensar que todos esses sofrimentos cotidianos, foram sendo vivenciados e sequer oferecemos a eles a devida importância e, muito menos, tentamos corrigi-los ou eliminá-los, até porque, em sua maioria, não seria possível, principalmente, as ações cretinas do tempo que insiste em tornar flácidos os nossos lindos peitinhos e jogar do despenhadeiro, nossas bundinhas sensuais, com as quais fizemos no passado, as esposas, namoradas e quebra galhos de infinitos homens desviarem seus olhares, matando de raiva as pobres desavisadas, como nós nos tempos atuais.
A lei do retorno, não perdoa, e nós, menos ainda à este tempo safado, que passa calado, sem sequer nos dar um pequeno aviso nas muitas de suas  passadas em nossas vidas, apenas para que ele, não fosse desconsiderado, principalmente, no tocante aos estragos que opera, tornando-se devastador, assim como nos estimular a dar a devida importância a cada instante presente, onde existem as labutas,  aborrecimentos, desilusões, perdas dolorosas, mas também vitórias, sorrisos de pura alegria, beijos gostosos, carícias inesquecíveis, sonhos, ilusões e muita, mas muita vida, que afinal, é bonita é bonita e é bonita.
Um domingo de muitas alegrias, acompanhado de um beijo enorme desta senhora vítima do tempo, mas amante gostosa e amorosa da vida.




sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Socorrooo!


 Desde que posso me lembrar, condicionei-me ou fui condicionada a ser a moça bonitinha, gostosinha, certinha, boazinha e, nesta mesma linha, quase sempre consegui, não sem de vez em quando dar uma tremenda derrapada ou rodada de baiana, porque, afinal de contas, também sou filha de Deus e engolir sapos sem poder arrotar, nem que seja de vez em quando, simplesmente, não dá.
Ah! Mas não sei o que é pior....
Se engolir sapos e ter indigestão ou soltar os cachorros e desopilar o fígado, pois em ambos os casos, o gosto amargo permanece por um bom tempo, impedindo no mínimo um hálito agradável.
Será que estes questionamentos são feitos também por você que está me lendo neste momento?
Seria maravilhoso encontrar amigos solidários neste aspecto da convivência, pois assim, não me sentiria tão “Etelizada - ET”, porque ultimamente só tenho encontrado gente certinha, boazinha, bonitinha e felizinha, como eu, levando-me a crer que ninguém mais tem problemas e quando os tem, recebe do Divino a temperança celestial.
Facebook das transformações que ainda não chegaram a mim.
E aí, reside o meu mais novo e cruel problema, pois o Divino parece que se cansou de mim, porque já não consigo ser boazinha e ter posturas tão certinhas, pois na realidade quero mais é mandar o malfeitor de meus sentimentos e emoções ir para “aquele” lugar, isto, quando não me mordo de raiva, por ainda ser “elegantizinha” e não baixar o nível, porque vontade mesmo, eu tenho é de dar porrada, no FDP.
AH! Que dilema, cruel...
Temperança ou babaquice, eis a questão.

Que nesta sexta-feira, consigamos nos livrar nem que seja um pouquinho deste dilema que nos acomete, vez por outra, em que ficamos entre o bom senso e a vontade gritante de não aceitarmos as agressões que nos rodeiam.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Travei Em nome de Jesus


Estou a alguns dias tentando escrever sobre o natal e nada, absolutamente nada surge em minha mente. De repente tudo que vejo é um imenso branco.
Talvez seja o fato de que preciso ser o mais fiel possível as tradições religiosas e sinceramente, com estas, eu não tenho qualquer afinidade.
Por mais que eu me esforce, jamais consegui enxergar Jesus como a maioria e muito menos relacioná-lo a festas totalmente destoantes da concepção que tracei deste homem fantástico que optou em tirar de si, todo e qualquer hipocrisia fundamentalista e abrir-se para a vida que ainda muito jovem percebeu existir intensamente em si.
Jesus que despertou para os sentidos, lembrando-nos do quanto precisávamos direcioná-los na formação de nossas emoções e consequentes sentimentos.
Jesus que traçou éticas a serem compreendidas e aplicadas no cotidiano das pessoas, buscando-as no interior de si mesmo no relacionamento com o tudo o mais a sua volta.
Jesus que conseguiu se despir das vaidades, por compreender que estas eram geradoras de inúmeras mazelas físicas e emocionais que interferiam no convívio social.
Jesus que revolucionou a alma e a forma de condução postural, fornecendo caminhos evolutivos de desenvolvimento sustentável da criatura humana.
Jesus, forte, resistente e absolutamente suave que soube conduzir a maior e mais concreta das revoluções que este mundo terreno, já tomou conhecimento.
Jesus do perdão e do entendimento quanto as fraquezas humanas
Jesus da generosidade, do companheirismo, da fraternidade.
Jesus da visão universal de um todo completo, onde cada elemento seja humano ou não, tem sua preciosa parcela de importância na manutenção da grandiosidade e completude do sentido da vida.
Jesus, sentimentos, orientação e amor que abrigo em meu interior e cujo nascimento comemoro à cada amanhecer em que me vejo e me sinto vida, numa permanente liberdade de existir.
Jesus que conseguiu na simplicidade genuína de seu ser, nos deixar o seu legado, num único e precioso ensinamento que nós, 2000 anos depois, ainda resistimos em aprender; "AMAI AOS DEMAIS COMO A SI MESMO".
Regina Carvalho
QUE O DIA DE HOJE NOS FAÇA REFLETIR NO QUANTO AINDA PRECISAMOS NOS DESPIR DAS VAIDADES QUE TIRAM DE NÓS A ELEGÂNCIA E O RESPEITO NO TRATO COM OS DEMAIS.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

REFLETINDO


Hoje amanheci pensando na miséria e na fome, provavelmente porque longe de meu jardim e de meus pássaros, além do fato de ter deixado Itaparica, mesmo que seja por apenas dois dias, e me inserido em uma cidade congestionada como já se encontra Santo Antônio de Jesus, para mim seja tão radical que eu só consiga pensar nas inúmeras dificuldades que devam existir no entorno desta cidade progressista e que aparenta oferecer um bem estar sistêmico a todos os seus habitantes.
O que na realidade, não é verdade, pois infelizmente, não existe um só lugar neste nosso país onde haja hegemonia em se tratando de bem estar em todos os níveis.
Todavia, por incrível que possa parecer, apesar de estar aqui, só consigo pensar na minha doce, bonita e apaixonante Itaparica, de águas calmas e mornas, do céu mais azul que conheci e do pôr do sol, simplesmente, fantástico.
Penso nas belezas que me atraíram, nas energias que me inspiram, mas principalmente, penso nas pessoas pelas quais me apaixonei, justamente pela inusitada espontaneidade que para a maioria que chega de fora pode até assustar, mas que para mim significou, sempre, um amparo e um alívio da hipocrisia com a qual eu vivera até então.
E pensando nisto tudo, sinto-me emocionada, pois enquanto escrevo, posso enxergar com os olhos da mente as infinitas situações já vividas nesses 12 anos, onde me foi oferecido espaço, carinho e respeito para que eu e minha família pudéssemos nos inserir, não como turistas ou veranistas, mas como habitantes participativos de uma vida cotidiana mais calma, menos agressiva e, certamente, bem mais gratificante.
E nessas andanças, que confesso terem sido muitas, subi ladeiras, escorreguei em picadas, derrapei nas lamas, tropecei em degraus, disfarcei lágrimas de incompreensão, recebi sorrisos francos e, com certeza, cheguei bem próximo de uma humanidade pessoal.
Humanidade que me fez refletir no quanto fui “arrogante de salão”, ilustrada através dos estudos e totalmente estúpida em relação as realidades.
Humanidade que me escancarou o senso crítico de uma forma jamais experimentada, pois arrancou, de uma só vez, a camuflagem sistêmica de me sentir magnânima, entendida nisto ou naquilo, mas sem nunca verdadeiramente além do acadêmico discurso chegar muito próximo, talvez prevendo uma realidade que, afinal, convenhamos não é nada agradável.
Falo e escrevo da fome do estômago, dos olhos vidrados e congestionados pelas inúmeras carências de uma estrutura orgânica. E falo e escrevo da miséria, que vai além da ausência do quase tudo, escrevo da miséria que anula a alma, transformando a criatura num zumbi vivencial sem quaisquer perspectivas existenciais.
Humanidade que me fez compreender miséria e pobreza, ter e não ter, querer e não poder, até o deixar de querer ou jamais cogitar querer, sepultando, indelevelmente, o seu direito em se sentir sendo.
Miséria do nunca ter tido e sequer se enxergando tendo e, muito menos, articular para quem sabe um dia, poder vir a ter.
Falo de mentes opacadas pela desesperança, escrevo da mazela do ter sido abandonado, penso na humanidade que nos falta e na alienação conveniente e burra que nos assola e nos empurra sistematicamente para o aprisionamento pessoal e sistêmico da nossa própria inconsequência social, produzindo com a nossa indiferença a cada dia, através de cada miserável que nasce, uma mazela a mais ao nosso conviver.
Então reclamar de quê?
Se o medo que nos assola e as grades com as quais nos cercamos foram por nós mesmos produzidas
Discursar, prometendo mais o quê, que já poderia ter sido feito e não o foi?
Penso, então, no Rio de Janeiro, no bairro elegante de Ipanema, reduto de intelectuais, políticos, banqueiros e artistas e penso nas favelas que  os rodeavam já naquele tempo e que eram, tão somente, locais residenciais dos empregados desta classe de privilegiados.
Favela era reduto de gente simples, trabalhadora, que curtia o belo e se empenhava em garantir seu sustento.
          Gente que preferia morar no “Morro”, justo por ser mais próximo de seus empregos e das delícias do mar, além de evitar as viagens intermináveis no trânsito e nos ônibus, lotações e bondes urbanos, que naquela época eram limusines se comparados aos de hoje, metrôs, vans e o escambal...
E nessa convivência entre o rico, o médio e o pobre existia a autonomia do querer e o fazer de cada um, com suas diferenças monetárias e intelectuais, suas habilidades e talentos, mas certamente faltavam as oportunidades educacionais formais para todos, todavia, sobrava educação doméstica para todos.
Estes fatos do dia a dia, ninguém me contou e tão pouco li em livros ou em pesquisas acadêmicas, eu os vivi como vivo hoje todo este horror perante aos céus, onde afirmam que “todos” estão tendo as mesmas oportunidades e onde o caos se instalou de forma nunca dantes visto.
Volto a escrever sobre a minha querida Itaparica e penso nas muitas e benditas ações sociais que se desenvolvem e penso que, infelizmente, me parecem apenas paliativos, para uma chaga que se agiganta, frente aos valores morais e éticos que se perderam, frente a ganância pelo poder que posso enxergar, mesmo que travestido de grandes promessas, mesmo camuflado em veementes discursos.
“VOZES D'ÁFRICA

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? 
Em que mundo, em que estrela tu te escondes 
Embuçado nos céus? 
Há dois mil anos te mandei meu grito, 
Que embalde desde então corre o infinito... 
Onde estás, Senhor Deus?..”
Castro Alves, sempre muito atual, nos clamores daqueles que como eu e tantos mais, choram as mazelas deste mundo de meu Deus.
Regina Carvalho


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

AH! SENHOR DEUS, POR QUE?


 Neste quase final de ano, cá estou eu, novamente pensando nesta raça humana na qual me enquadro e que, infelizmente, em momentos que se tornam constantes e na medida em que envelheço, mais e mais, vou adquirindo um profundo desalento, pois foge-me as perspectivas, por mais que eu as tente reter, pois os horizontes, apesar de existirem, se mostram recobertos das nuvens espessas da banalidade e do pouco caso, que ganham forma e força.
Ah! Meu Deus como eu gostaria de ter sido por todo o tempo uma alienada pessoal e social.
Ah! Como eu gostaria de tão somente estar aqui ou acolá, sem qualquer tipo de questionamento que fosse além de meu universo pessoal, como faz a maioria das criaturas humana.
Por que?
Por que meu Deus, deste-me a capacidade de pensar e traçar paralelos que me fazem enxergar mais de um ângulo de cada questão, seja ela qual for?
Por que deste-me tanta capacidade amorosa, se nada posso com este amor, algo universal, mudar?
Por que insistes em me fazer sentir esta poderosa esperança interior, enquanto, a lógica racional que insistes em manter em mim, afirma-me a cada instante, pouco valer, neste mundo das falsas ilusões e das passageiras emoções e onde nós, humanos egocêntricos e absolutamente idiotas, nos perdemos em nós mesmos e nas nossas infinitas limitações, deixando passar ao largo, a bendita vida que nos abriga.
AH! Senhor Deus dos desgraçados sonhadores...
AH! Senhor Deus de todos nós, por que insistes na crueldade de dar-me a capacidade de amar e de pensar ao mesmo tempo e por todo o tempo?
Por que fizeste-me mulher com as garras dos tigres e me colocastes em um deserto, onde ambos os predicados, em nada são úteis?
Por que fizeste-me uma mulher com a alma absurdamente apaixonada, tendo que competir com uma mente, incansavelmente racional?
Por que Senhor Deus, tornaste-me um ser permanentemente, contraditório?
Afinal, sempre fora do contexto, deste mundo de Meu Deus...
Desabafo, frente a imensa desesperança que sinto da maioria esmagadora dos políticos de meu país, pois perderam a vergonha, o respeito próprio e certamente, a humanidade, tudo sempre por uns trocados a mais.
AMANHÃ, será um novo dia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

COMO PERDER?


Respiro fundo, fecho os olhos e sorrio, como não sorrir ao receber estas brisas maravilhosas que a natureza bendita me envia as 4.30 horas da manhã?
E se não bastassem os arrepios e os perfumes que adentram em mim, produzindo sensações inenarráveis, ainda essas preciosidades trazem consigo, seus pássaros sempre parceiros, cantando e encantando, esta minha alma apaixonada.
Como perder, tão belo espetáculo?
Nesta rotina de toda uma vida, mantive-me fiel a este, olá cotidiano, onde abraço a vida através de seus amanheceres, sem jamais ter me esquecido de senti-la profundamente, roubando despudoradamente para os meus pulmões, seus primeiros aromas, fazendo deles meu exclusivo elixir de força e de amor.
Que nesta terça-feira, possamos aspirar e nos inspirar na vida que existe em nós e sem pudores, medos ou timidez, tenhamos coragem para  abraça-la.
Afinal, só existe ela e nós...


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DEPOIS do PSIU, VEM o POIS É...


 Depois de um domingo tranquilo, envolvida em melhorar meu estado físico de profunda exaustão por anos a fio de trabalho e inúmeras atividades ligadas a ele, além de família, estudo, social e etc. e tal, amanheço nesta segunda-feira, como sempre ao som dos meus pássaros que generosos e sistemáticos me brindam com seus sons delicados o que me leva a refletir sobre tudo que vivencio e que me parece relevante.
Longe de ser apenas um hábito, escrevo por que através de minhas expressões de linguagem, trabalho minhas relações cognitivas, abrindo espaço para um aperfeiçoamento postural interno e externo, além de rebobinar os filmes e deles extrair o desnecessário ou pensar à respeito de situações que de tão obvias, passam em sua maioria sem merecerem as suas devidas importâncias.
Desde garota e olha que isto é do tempo do onça, que venho me observando, assim como aos demais, no trato cotidiano da convivência e percebendo lacunas nas sequências comportamentais que deveriam seguir um padrão de lógica que, impedisse os desencontros banais, oriundos de palavras, gestos, silêncios e indiferenças que fazem toda a diferença nos relacionamentos.
Somos distraídos, atribulados, dotados de extrema paixão nas nossas emoções, mas muito frágeis em nossos sentimentos o que nos torna pessoas inseguras, instáveis e muito pouco confiáveis em se tratando de estabilidade pessoal.
Por que estou escrevendo sobre isto?
Talvez porque, isto, faz parte daquilo e juntos em uma somatória de muitos anos e infinitas horas, represente o grande processo destrutivo que sempre arruinou os relacionamentos humanos e que desde cedo, chamou minha atenção e que confesso até os dias atuais, ainda me surpreendem pelas suas formas camuflativas de se recriarem, o que continuam fazendo com que em dados momentos, eu me sinta muito tola.
Penso então no quanto deveríamos ser mais cuidadosos com nossas palavras e posturas, afinal, sempre existe um alguém ou algo muito sensível ao nosso lado, que sequer percebemos, tão ocupados que estamos com nossos projetos pessoais e até mesmo com o nosso sempre tão evidente egocentrismo.
Que neste novo amanhecer para todos nós, sejamos capazes de enxergar apenas um óbvio a nossa volta, sem menosprezar o corriqueiro, oferecendo um abraço à vida que, afinal, parece óbvia, mas não é.
Inspirei-me em uma postagem que dizia:

DEPOIS QUE O LEITE AZEDOU, NÂO ADIANTA FERVÊ-LO.

sábado, 29 de novembro de 2014

Psiu!!!!

Olá, tudo bem?
Se não está, trate de transformar este mal em bem, pois amanhã, o hoje parecerá longínquo e tudo que você sofre hoje, terá conotação inútil.
E se o amanhã se transformar em dias, meses e anos, aí então, é que nada representará, restando quando muito, uma lembrança meio vaga, que lhe parecerá meio uma história que até você mesma duvidará tê-la realmente vivido. E se foi muito penosa, poderá até fazer você duvidar que a tenha vivido de verdade, pois lhe parecerá um sonho desfocado.
Esta capacidade de superação emocional é mais uma maravilhosa criação da mente humana, pura lógica adaptativa que desanuvia o consciente, abrindo passagem às novas emoções que pululam por todo o tempo, apenas para informar que o bendito tempo, seja ele bom ou mal, quem determina o grau de contaminação pessoal é a própria criatura humana na sua capacidade individual de se preservar.
Portanto, sorria, pois eu posso garantir que vale bem mais o esforço do que ficar macerando um problema momentâneo que amanhã não terá tanta importância, mas se o problema for persistente, pergunte a si próprio se não é você que o está retendo, pois é assim que acontece na maioria das vezes.
 Se for, solte-o, deixe que siga o seu próprio caminho.
Psiu, hoje é sábado e depois de ouvir 10 horas seguidas o mesmo CD de PABLO do veranista vizinho, chato e sem afinidade no gosto musical, decido não mais ouvi-lo e acreditem, não ouço mais, pois ao escrever para vocês, liguei-me na delícia de prazer que sinto ao me expressar.
Um enorme beijo no coração e um final de tarde bonito, como a vida.


sexta-feira, 28 de novembro de 2014

E aí, de repente...

Será que foi assim tão de repente?
Os sinais vão surgindo a cada dia, um ou talvez alguns e simplesmente vamos desconsiderando, afinal, cremos que necessitamos ir a diante, porque as nossas almas egocêntricas, sufocam a razão impertinente que nos avisa de que é chegada a hora de uma pausa.
Mas aí, assim como de repente, a mente cansada, joga a toalha e deste momento em diante, nada, absolutamente nada, a alma teimosa consegue realizar, arrastando-se, pois não aprendeu a identificar seu próprio limite e tão pouco a escutar sua mente sempre amiga.
A princípio grita, mas depois enfraquecida, mas não menos arrogante, pelos cantos insiste, perguntando chorosa:
Por que deste vazio, estás birrando, sua mente infeliz?
Assim tão de repente, me tiras o chão e ainda covardemente enfraqueces o meu corpo, tirando dela o vigor que sempre me acompanhou.
Que maldade é esta, mente safada e traiçoeira?
Reclamas das tuas compensações?
O silêncio se instala e nenhuma resposta se ouve além é claro do gemido doído desta alma vaidosa de sua própria valentia em acreditar ser mais forte que a razão.
E então, assim como de repente, se vê só e enfraquecida, perdida em um labirinto de muitos caminhos que não lhe trazem sentido, estímulo ou mesmo tesão.
De um certo instante em diante, as luzes se apagam e a exaustão se instala e por mais que a alma teimosa insista em trocar as lâmpadas, nada acontece, porque, afinal, o defeito é na fiação.
E aí, ao romper-se o elo, o curto acontece, trazendo um apagão que desnorteia, induzindo a alma a acreditar surpresa, que tudo aconteceu, assim de repente...
Que nesta sexta-feira de final de novembro em que ainda podemos usufruir da primavera, consigamos ouvir e considerar nossa mente amiga, que insistente nas razões que nos amparam, resiste bravamente às investidas inconsequentes de nossas almas, sempre muito vaidosas.

Um enorme beijo desta alma vaidosa que mesmo enfraquecida, ainda encontra forças para lhe desejar, um dia de paz na companhia de sua sempre amiga, razão.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

APENAS, ATENÇÃO


Depois de uma tarde de estudos sobre lógica formal e material fui até ao jardim molhar minhas esturricadas plantas, pois o sol nestes dois dias foi de arrasar.
Enquanto refrescava as minhas plantinhas, pensava no envelhecimento e no quanto somos acordados de nossa inércia existencial para a sensibilidade.
Enquanto jovens, a vida vai fluindo com outros infinitos valores e principalmente necessidades, todavia, em dado momento, nos percebemos mais emotivos, fraternos e bem mais carentes de atenção.
Afinal, já não precisamos cumprir rigorosos horários e o tempo fica mais à nossa disposição e é neste estágio de mudanças que percebemos em nós, uma imensa necessidade de não permitir que este excesso de tempo livre, fique contra nós, levando-nos irremediavelmente ao ostracismo.
Nesses tempos modernos, não nos é permitido cruzar os braços para a vida, pois são tantas opções que se distrairmos, estaremos mais atarefados que antes. Por esta razão, o bom senso deve ser a tônica das decisões sobre o que faze e aonde ir.
Fácil é falar, mas na prática, a coisa fica complicada, principalmente em se tratando do emocional, pois é na terceira idade que aflora a necessidade de recebermos, tudo quanto, mesmo que aos trancos e barrancos das mil e umas atividades deste mundo sistêmico cruel, jamais deixamos de oferecer aos nossos filhos, pais, sogros, amigos etc.
Abre-se um espaço entre o ontem e o hoje sem que haja mais a garantia do amanhã, já que nesta fase da vida, também passamos a contar o reduzido tempo que nos aguarda.
Dez, quinze, talvez com muita sorte, uns vinte anos. AFF!!!!!!
E aí, bate aquela vontade de ser estreitada, acalentada, um pouco mimada.
Aquela surpresa inesperada de uma visita não programada, aquele beijo carinhoso, quando você não espera, aquele abraço apertado, aquele olhar amigo e cumplice, aquela gentileza, hoje tão rara, aquela atenção, fazendo com que você se sinta importante.
Pois é...
Feliz de quem chega a terceira idade e pode receber tudo isto de forma natural e espontânea e ainda ter forças, saúde e bom senso para continuar usufruindo as delícias da vida.
Este texto, dedico a minha filha Anna Paula e meu genro João Cardoso, pelo carinho que dedicam a mim e ao meu Roberto, não permitindo que a solidão natural que a terceira idade acarreta, nos invada, assim como aos amigos que diariamente, seja na lida ou no lúdico nos embalam no doce carinho da atenção, afinal, tão necessária para que consigamos viver e conviver com o outono de nossas vidas.

Um beijo amoroso em todos e mais uma vez, obrigado.

QUE O MESTRE ME DESCULPE


Discordo, imaginem do espetacular poeta Manoel de Barros ao afirmar em entrevista à uma repórter da Globo que para escrever, bastam muitos exercícios diários, assim como leituras constantes, pois ele não acreditava em inspiração.
Que o mestre me desculpe, mas fiquei espantada de ouvir justo dele tal afirmativa, afinal, viver e se dispor a expressar a própria vida, no que se inclui a alma humana, exige observação e sensibilidade e tais atributos, conferidos aos poetas, são originários da ligação amorosa entre o poeta e a vida que, certamente por eles é enxergada e sentida com bem mais clareza e delicadeza, ficando, portanto, está via de ligação como um fio condutor dos sentidos que abastecidos, se expressam.
Todavia, seriam apenas os poetas os privilegiados extraidores das benditas inspirações universais, ou tão somente os poetas possuem o mapa desta mina fantástica de sonhos, ilusões e recursos infinitos?
Será que a chave deste manancial está assim tão resguardada que nem o mestre Manoel Bandeira se sentiu à vontade para revela-la ou apenas, como magnífico oficineiro das palavras, ao longo de sua longa existência foi perdendo o vínculo com o universo, preferindo a perfeição da linguística ao espontâneo e rude processo lúdico de colher da vida, os ingredientes da realidade, para com a  sua visão pessoal, apresenta-la aos pobres mortais, que como eu, nele se inspirou para deixar discorrer as próprias.
Como não crer na existência de uma incoerência absurda, justo num alguém que amava os pássaros e o silêncio barulhento e movimentado das matas, onde os rios fazem coro de fundo aos infinitos sons que se aos olhos são negados ver, certamente aos ouvidos são como obras primas a tocar às sensibilidades.

Não há como ficar imune a toda esta força invasora, mas sempre bendita do pantanal, assim como ficar imune as influências inspiradoras de mestres como ele e tantos mais, que desvendam o intocável, dando vida ao apenas sentido.

domingo, 23 de novembro de 2014

RAPAZ... É BOM DEMAIS


Não sei se algum de vocês já experimentou a sensação horrível da exaustão absoluta. Pois bem, em algumas ocasiões ela me visitou, mas igual a ontem, sinceramente, eu ainda não tinha sentido.
O corpo vai enfraquecendo e a mente, de um instante para o outro, simplesmente se recusa a voltar a pensar, registrar ou qualquer outra ação.
Tornei-me um molambo, um zumbi ou coisa parecida.
Bem, na impossibilidade de qualquer atitude coerente, fui para a cama e por lá fiquei cerca de 10 horas em um sono profundo e, pela primeira vez em décadas, deixei tudo como estava, até porque, não me dava conta de mais nada além de minha própria exaustão.
Pois bem, são seis horas da manhã e, como vocês podem ver, já estou na ativa e por incrível que possa parecer à minha vaidade de senhora que tudo olha e que de todos cuida, tudo, absolutamente tudo, seguiu o seu fluxo normal e ninguém deixou de fazer, comer algo só porque eu não estava à frente.
Confesso que lá no fundinho, não estou nada satisfeita. Afinal, como dona do pedaço, sabedora do melhor para cada um, espanta-me a confiança de saberem cuidar de si mesmos.
E pensar que fui eu a ensiná-los por todo o tempo, a importância da autonomia.
Pois bem, na ausência do que fazer, pois eles já fizeram tudo, volto não para a cama, mas com certeza para a rede e na maior cara de pau deixarei que me sirvam, pois afinal, estou exausta e bem que mereço este descanso.
Hoje é domingo e eu sugiro à você que assim como eu, não faça nada e se permita ser servido, pois descubro neste instante, que é muito bom.
Rapaz... É bom demais!!!!


sábado, 22 de novembro de 2014

TRAIÇOEIRO EGO


Ego, onde estás que não te encontro?
“Em que estrela te escondes, embuçado aos céus”?
De tanto te procurar, sinto-me cansada e, humildemente, tombo a teus pés, tão logo surges, com a certeza absoluta que por mais que eu venha à te procurar, encontrarás sempre uma camuflagem mais que perfeita, sempre pronta a me enganar.
Surges sempre do absoluto nada e, logo, me vejo atingida pelo fio afiado de tua poderosa espada.
Que megalomania é esta que te coloca como refém de uma dura solidão?
Ceifas brotos e frondosas árvores, tirando de ti, preciosas sombras.
Ego, impiedoso ego!
Só enxergas a ti mesmo, tirando a importância do tudo mais.
Coloca-te no pedestal de alguns breves instantes, banhando-te com a quentura das luzes instantâneas, abraçando o vazio do nada que te sobra.
Ego, maldito ego, que rasga a textura da fraternidade.
Camuflando a tua doentia vaidade, não dividindo espaço, engolindo tudo, num frenesi interminável.
Ego, maldito ego, que jamais sucumbe, criando fendas, abrindo feridas e provocando rachaduras.
Não importa o quanto ainda eu viva,
não só não conseguirei identificar um ego camuflado, como, com certeza, não sairei imune dele.

Cruz credo, como é cansativo...

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

VIDA PLENA


Dentre os sonhos e desejos que eu possa ter tido no decorrer de minha vida, certamente, jamais se equiparão às realidades que me acompanharam dia após dia.
Em todas as situações, fossem boas ou ruins, fáceis ou difíceis, que vivenciei, lá estava alguém especial ao meu lado, me protegendo, me apoiando, me incentivando, me guiando, torcendo por mim e me querendo bem.
Portanto, só posso agradecer pela vida de primeiríssima qualidade que sempre me acompanhou e, é por esta razão, que celebro diariamente o fato de estar existindo e tendo a devida consciência deste privilégio e, para tanto, procuro enxergar no meu próximo “aquele Deus”, que tudo tem me oferecido.
Neste instante de muita emoção diante das carinhosas demonstrações de carinho que estou recebendo ao longo deste dia, só posso, mais uma vez, rogar ao meu São Francisco de Assis, bênçãos a
todos e que, assim como eu, suas passadas terrenas também sejam por ele amparadas, não lhes faltando em nenhum momento, as margens benditas do equilíbrio, do respeito e do amor, com as quais me resguardo.
Obrigado e um sopro de minha felicidade para cada um de vocês.


quinta-feira, 20 de novembro de 2014

CONSCIÊNCIA DE QUE MESMO?


Estou aqui pensando no quanto somos incapazes de fazer do palpável, nosso amparo e natural proteção, preferindo buscar no etéreo e no fugaz, o consolo para a nossa própria solidão.
Recorremos como desesperados às milhares de ofertas celestiais e muitos se jogam literalmente suas energias e vidas no obscuro, na busca desesperada de encontrar soluções para suas dúvidas ou mesmo realidades difusas.
Seria a total impossibilidade em distinguir o lógico e o real?
Estaríamos todos tão mergulhados na confusão cognitiva de que não somos mais capazes ou nunca fomos de tão somente, convivermos com o real?
Que necessidade é esta que nos empurra por todo o tempo à sabotagem de nossa própria existência?
Reparo desde sempre na constância destrutiva que carregamos como uma muleta, que nos mantém reféns de possíveis caminhadas de vida e liberdade.
Fingindo-nos magnânimos, estendemos a mão direita e camuflamos a esquerda que sempre pronta ao ataque, aguarda em sua força motora, o poder de ferir e matar, tornando assim nossa mente racional em pura armação de possíveis combates, onde alguém ou algo sempre se vê destruído, a começar por nós mesmos.
Natal vem chegando e penso então, que Natal será este?
Que verdades podem existir que retratem os benditos sentimentos que sabemos serem os ideais, se por todo o tempo, nos transformamos em criaturas frias, de emoções confusas que destroem à tudo, por todo o tempo, não enxergando o óbvio que nos persegue incansavelmente, apenas para nos lembrar, que para permanecermos vivos e com pelo menos, relativa plenitude,  precisamos abraçar o tangível, burilar o tocável, amando o possível de ser sentido e enxergado, numa troca sustentável que gera vida, aí sim, num ciclo ininterrupto de vida.
Destruímos e ao mesmo tempo, permitimos que outros destruam a vida em todas as suas expressabilidades sem qualquer senso de raciocínio lógico e ainda assim, num ritual inconsistente, mas que descobrimos nos faz acreditar que ainda somos humanos, abastecidos de sentimentos uns pelos outros, abraçamos o lúdico para talvez quem saiba, nos sentirmos humanizados.
E tal qual, leitores de orelhas, nos tornamos literatos de um compêndio de merda.
Que nesta quinta-feira, dia criado e dedicado a “Consciência Negra” possamos enxergar o diferente, tão somente, como mais uma obra prima de nossa tão machucada natureza.




domingo, 16 de novembro de 2014

BOM DIA!!!!

Hoje é domingo, pé de cachimbo e como a maioria, nada tenho à fazer, além de nada, absolutamente, nada, se assim eu desejar.
Como de rotina, que diga-se de passagem, adoro e não trocaria por nada, sento-me diante do computador, não sem antes deixar o caderno e a caneta ao meu lado por sobre a mesa que, aliás é a da sala de jantar, afinal, é a mais próxima de meu jardim e de onde, e vocês já sabem, pois já escrevi mil vezes, sou capaz de enxergar meu jardim, minhas flores e minhas frutas, sem precisar de muito esforço, sem contar que posso dimensionar os cantos de meus pássaros, neste reduzido, mas adorável recanto,que chamo de meu.
Hum!!!!
Ninguém tem nada, meu bem
A não ser que tu também
Estejas sempre à sonhar
Pois, os sonhos são os mais profundos,
são como poços, bem fundos
que a dor, não pode alcançar.,
Pronto, já fiz uma poesia, como um vício que me acompanha e me ajuda por todo o tempo, principalmente se tenho que tomar decisões, mesmo as mais pequeninas, mas que não sendo rotineiras, me fazem coçar as madeixas.
Será que ainda falam assim...?
Deixa de ser antiga, mulher, pois nem no tempo de tua mãe, falava-se mais assim....
Penso então que sou maluca,
meio tonta talvez,
pois enquanto todos dormem,
converso comigo mesma,
num papo que não tem fim.
Só rindo de mim mesma, como aliás sempre fiz...
Neste domingo chuvoso, meio sem graça ou tristonho, recorro às muitas fantasias, que sempre alegraram meus dias.
Para vocês meus amigos do face e dos caminhos reais, um abraço apertadinho, seguido de muitos beijinhos, pois sem abraços e beijos, não há um dia que valha, um instante que compense.
Hoje é domingo, pé de cachimbo
Eu estou viva e você também!!!!!!!



quinta-feira, 13 de novembro de 2014

BOM DIA!!!


Dentre as iniciativas que tive nesta vida, com certeza, instalar um chuveirão no quintal dos fundos de minha casa, foi providencial.
Imaginem, neste calor abrasador, depois de um dia de trabalho, poder tirar a roupa e se banhar a princípio, numa água morna, afinal, os canos estão quentes e logo depois, ela chega fria, quase gelada, arrancando gritos de um suposto susto.
Delícia, meu Deus!!!!!
Pois é...
Tudo isto acontecendo sob um céu estrelado, tendo a seu lado a vida em sua pujança, estimulando e fazendo crer na mais autentica simplicidade, o quanto é muito bom se sentir existindo.
Depois, já refrescado, sentar-se à mesa e comer aquela comidinha que sobrou do almoço e que o micro-ondas, generosamente esquentou para você.
Que coisa boa, meu Deus!!!!
Agora, se ao fazer tudo isto, ao seu lado existir “aquele” amor, bem...
Aí, tudo fica perfeito.
BOM DIA!!!!
Que nesta quinta-feira, até mesmo o chuveiro de seu banheiro possa lhe lembrar que você existe e merece ser feliz.
Um beijinho carinhoso em você que me lê, e devaneia comigo.


domingo, 9 de novembro de 2014

SAUDADES


Neste final de tarde, deste domingo ensolarado e abrigado de paz ouvindo Vinícius de Morais e Toquinho, automaticamente começo a escrever e minha mente, em companhia de meu coração, viaja rápido para encontrar a minha linda Ipanema de sonhos coloridos e de uma juventude ingênua que os anos vividos, não conseguiram apagar.
Ipanema, de um Rio de Janeiro que infelizmente só resiste em sua leveza nas lembranças de gente que, como eu, a viveu em seu esplendor de donzela elegante, coberta de um romantismo hoje impossível de ser identificado, seja lá ou em qualquer outro lugar.
Ipanema, das águas frias e dos sois abrasadores, das areias quentes e dos céus estrelados, das dunas revestidas do verde vibrante da vegetação rasteira, das calçadas largas, das pessoas sorridentes.
Ipanema, do chopinho antes do almoço, do sorvete do Morais, dos doces da padaria Eldorado que, depois, virou Regininha.
Ipanema, da Visconde de Pirajá, do ônibus Urca/Leblon, do bonde do Bar Vinte, da Rua Aníbal de Mendonça e da sempre amada Barão da Torre, onde posso ainda ouvir meu gritos de pura alegria, no esconde esconde das brincadeiras de uma infância divina.
Ipanema, que me viu crescer e me apaixonar, que me viu menina e depois mulher.
Ipanema, de Vinícius, Tom e João Gilberto, de Paulo e Sérgio Vale, dos sonhos e das fantasias de Maria Clara Machado.
Ipanema, das artes e da intelectualidade, da beleza e do poema onde cada um de nós, escreveu o seu próprio verso.
Saudades... de uma Ipanema que só é possível encontrar através das lembranças sempre vivas a lembrarem que sorrir é preciso e amar imprescindível.
Eu sei que vou te amar sempre, minha Ipanema querida e é este amor que me faz atenta e zelosa à vida, encontrando onde me encontro, traços de tua beleza, nas quais me abrigo e me faço feliz.
E pela luz dos brilhos teus, vou seguindo a estrada e juro por Deus que tão somente, busco sem muito trá-la la, lembrar da luz dos muitos dos teus sois que se refletem, nos olhos meus.


domingo, 2 de novembro de 2014

NESTE FINADOS, VIVA A VIDA!!!!


 De repente, senti uma vontade imensa de deixar um registro expresso de como eu gostaria de ser lembrada, claro, depois que eu “passar desta para melhor”, “morrer”, “fenecer “e etc..
Confesso que nem me lembro exatamente quando comecei a pensar nisto, mas com certeza, lá vai muito tempo em que me incomoda pensar que na maioria das vezes, a história de uma pessoa é sepultada com ela e só lembrada, quando lembrada, no dia de finados, datas de aniversário ou morte, tudo porque, criou-se o estigma de que falar sobre o morto, guardar coisas de morto e agora, manter na rede social a página de um morto, seja mórbido, doentio, sádico e o escambal.
Tá, tudo bem, sempre fui esquisita, afinal, passei a minha vida até o momento, desafiando este sistema repetitivo que insiste em nos manter sob o julgo do medo e, portanto, da inconsciência do fato natural e absolutamente real e intransferível que é a morte.
E no que fingimos que ela não existirá para nós, deixamos de valorizar a nossa vida, colocando-a em risco por todo o tempo em uma inconsequência que eu diria absurda, pois, flagelamos nossos instantes como se estes, fossem eternos, mantendo em nossos devaneios que nada mais são que recursos de uma pseuda sobrevivência emocional, frente a inconsistência de nossa visão existencial, velhos refrões que repetimos e incorporamos aos nossos discursos diários, como se fossem inéditas,  verdades interiores.
E aí, enjaulados no desconhecimento, quase nada construímos em nossa estrutura psico/emocional, que nos amplie a compreensão de nossas próprias existências e a importância de cada respirar que nos permite pensar e criar lógica de raciocínio, apenas, para que possamos vivenciar cada instante presente, não como se fosse o último, mas certamente, como único que nos permite, então, olhar e sentir a vida como um ciclo ininterrupto, onde vida propicia vida e que cada vida através de seu vivenciar, abastece de nutrientes  da produção saudável de sua própria energia, mais vida.
Portanto, se ousadamente tenho esta consciência existencial que, me remete a outra certeza de que de alguma forma o que fui e representei à vida, permanecerá no espaço que me abriguei, em uma ou infinitas expressabilidades, influenciando com o exemplo de minhas atitudes de qualquer natureza, sentimentos e ações, como então, posso temer a morte ou mesmo crer que ela exista, além do termino de uma matéria perecível, cuja validade se extinguiu?
Pois é, pensando nisto tudo, venho me observando e me corrigindo a cada dia, mais e mais, afinal, percebo a imensidão de minha responsabilidade para com a vida que me abriga, dimensionando-a em cada elemento que os meus sentidos possam enxergar ou sentir, porque  compreendo que se sentir vivo, ao contrário do que nos ensinam, nos levando a crer que precisamos de um montão de coisas, ela, a vida nos permite tê-la, resumidamente, na nossa capacidade em senti-la de forma simples e natural e neste contexto, a “morte, passamento,” ou seja lá como queira se chamar, deixa de ser um mistério que assusta e nos leva a desconsiderar ou mutilar a vida, para representar apenas, o fechamento de um ciclo existencial  sem que haja o aniquilamento da integração e interação, que se iniciou expressivamente da forma humana com o nascimento e que se perpetua através de outros respirares, sejam humanos ou não.
Portanto, não chorem, não lamentem e tão pouco façam rituais, quando minha matéria se cansar, porque eu estarei muito viva, através de meus sentimentos de amor à vida e ao tudo que ela representou como vida pulsante, como você, por exemplo que me lê neste instante e que, certamente, concordando ou não, está se somando e se integrando neste ciclo de troca de energias que afinal, é vida pura que jamais se acaba.
E viva as energias vivas que nos rodeiam, tenham elas feito parte de nosso universo pessoal ou não.



sábado, 1 de novembro de 2014

O TEMPO, APENAS PASSOU


Em 01 de novembro de 1966, ainda na primavera quente do Rio de Janeiro, apesar de ser feriado, o hábito de acordar pela madrugada foi mais forte e lá estava eu, deitada em minha cama e, também como de hábito, olhava através da janela para o céu, entre os galhos da amoreira da casa do vizinho que insistentes, atravessavam por sobre o muro e sombreavam a varanda de meu quarto e que, com o balançar de seus galhos, transportavam-me ao imaginário nas brisas constantes do meu mar de Ipanema.
Lembro-me sorridente que no viajar dos sonhos que eram sempre muito especiais, dava pausas, repetia as cenas, num perfeccionismo incansável, acrescentando, cortando, mas sempre aprimorando, fazendo dos sonhos,  grandes espetáculos da produção solitária da minha fértil, imaginação.
Neste dia em especial, não havia nada programado para o feriadão, além da ida a praia (se não chovesse), mas na véspera de finados, quase sempre chovia, mas quando se mora a beira da praia e se é adolescente, este é um detalhe que pouco importa.
Apesar de até então em meus voos imaginários ter encontrado mil príncipes encantados e com eles ter dançado em bailes espetaculares, plagiando a gata borralheira dos contos juvenis, jamais poderia supor, que dali a poucas horas, um sapinho sorrateiro, iria aparecer e com suas vestes de grande Lorde, iria me seduzir.
Quarenta e oito anos depois, estamos tal qual naquela época que hoje, nos parece longínqua, mas que não nos pesou vivenciar, pois juntos e molecamente apaixonados, ainda nos necessitamos, ainda nos emocionamos, ainda nos somamos à vida, tão some para nos mantermos felizes.
Mil foram as vezes, que entre tapas e beijos, fomos superando as fronteiras das diferenças pessoais, os incômodos dos maus hábitos, as barreiras dos problemas.
Criamos raízes, assim como filhos, criamos cães e outros tantos amores, pintamos duas vidas, numa única tela, em uma parceria de vida e indiscutível liberdade.
Você pragmático, eu sonhadora, abusados e destemidos, fizemos da vida uma tela e nela pintamos com os pinceis do amor, do respeito e da amizade, as cores das nossas almas.
E nesse recordar do vivido, olho para você, meu Roberto que ainda dorme nesta madrugada de tempos depois, onde ainda existe vida, muita emoção e o nosso sempre doce e amigo, companheirismo.
Viva o feriado que chega e que como sempre, traz o sol da primavera, assim como as lembranças de nossas vidas que sem idade, também sorri, agradecendo e se integrando à este universo de luzes, cores e sabores, num balanço marinho absolutamente incansável, deixando para nós, tão somente, a escolha do som que produzirá a melodia, a escolha das cores com as quais desenharemos os perfis de nossas vidas.

Penso então, que na véspera do culto à morte, eu e você, encontramos à vida.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

FELIZ DA VIDA


A pitangueira ainda resiste à invasão dos pássaros e minha aos seus frutos e ainda é possível encontrar algumas amoras que tentam resistir aos ventos marinhos que insistem em balança-las num frenesi contínuo, todavia, as seriguelas já começam a embonecar verdinhas, formando belos cachos como que para me lembrar que em breve estará faceira, servindo a mim e aos atrevidos pássaros.
Nesta sequência de aromas e sabores, o ano foi passando e agora, neste finalzinho de outubro, posso encantada com a vida, lembrar das frutas do Conde, das mangas e das acerolas que este meu generoso jardim já me ofereceu, além das rosas e dos narcisos que perfumaram carinhosamente os meus dias.
E entre delícias e alegrias, sigo apenas, agradecendo à vida...
Um beijinho saboroso e perfumado para você que pacientemente lê os meus escritos, desejando um começo de novembro repleto de paz, num exercício constante de vida amorosa com a sua própria vida e com o universo que a abriga.
Porque meus amores, ela é bonita é bonita e é bonita.
A pitangueira ainda resiste à invasão dos pássaros e minha aos seus frutos e ainda é possível encontrar algumas amoras que tentam resistir aos ventos marinhos que insistem em balança-las num frenesi contínuo, todavia, as seriguelas já começam a embonecar verdinhas, formando belos cachos como que para me lembrar que em breve estará faceira, servindo a mim e aos atrevidos pássaros.
Nesta sequência de aromas e sabores, o ano foi passando e agora, neste finalzinho de outubro, posso encantada com a vida, lembrar das frutas do Conde, das mangas e das acerolas que este meu generoso jardim já me ofereceu, além das rosas e dos narcisos que perfumaram carinhosamente os meus dias.
E entre delícias e alegrias, sigo apenas, agradecendo à vida...
Um beijinho saboroso e perfumado para você que pacientemente lê os meus escritos, desejando um começo de novembro repleto de paz, num exercício constante de vida amorosa com a sua própria vida e com o universo que a abriga.

Porque meus amores, ela é bonita é bonita e é bonita.

domingo, 26 de outubro de 2014

PRESENTES DA NATUREZA


As pitangueiras estão em festa, fazendo coloridos os seus galhos e alegre o meu paladar, enquanto a amoreira vai se despedindo desta temporada, deixando ainda pender de seus galhos longos e flexíveis as derradeiras amoras que disputo acirrada com os passarinhos, a doçura de seus sabores.
E neste mesclar de cores e sabores, fico feliz e sorrio ao pensar na minha infantilidade em disputar com os pássaros, sabedora de que jamais estarei à altura dos astutos e rápidos companheiros, afinal, enquanto eles batem as asas e beliscam os sabores, eu bato minhas asas e voo para deles extrair, poesia e emoção.
No final, somos muito iguais e juntos sugamos o néctar desta natureza, que nos nutre e nos inspira, fazendo de nós, tão somente, seres livres, acostumados que estamos a bater nossas asas, em rumos nem sempre lembrados, nem sempre vivenciados.
Vai uma pitanga, aí ?
Tá doce que nem mel...
Que neste final de domingo, o sabor de sua fruta preferida, adoce o seu paladar e a sua alma também.

Um beijo carinhoso para vocês, desta senhora que adora viver.

EFEITOS COLATERAIS

Se para agirmos com ética em qualquer instância pessoal ou em sociedade, precisamos fazer escolhas e estas devem vir na sequência de análises, discussões e possíveis revisões pessoais, pois estas determinarão nossos atos e consequentes reações, como exercermos tão arriscada inerência cotidiana sem que recebamos uma gama variada e rica de subsídios que nos forneçam parâmetros?
Como decidirmos genuinamente, quanto as nossas escolhas, se de pronto estamos tolidos por leis de fundamentação moral que enterram sem qualquer direito a apelações, os valores que até à pouco, formaram nossos caráteres e consequentes escolhas?
Estariam todos os conceitos errados e teríamos vivido de forma inconsequente e desastrosa por todos os tempos?
Como vivenciar os novos valores de forma ética, dentro de um equilíbrio razoável de convivência tanto no pessoal quanto na sociedade, se a cada instante, vemos fenecer toda a conjuntura de valores éticos  que representaram a nossa sustentabilidade pessoal?
Penso que a evolução dos costumes sempre existiu e é inerente a capacidade da criatura humana em pensar, ponderar e produzir a continuidade deste mesmo raciocínio, tornando-o o mais próximo possível de uma  lógica universal, portanto, cercear seu instinto natural quanto a preservação de seus recursos subsidiados em sua formação cognitiva, talvez seja a mais violenta das agressões sem qualquer resquício de ética.
O que venho observando nas últimas décadas é exatamente este conflito de conceitos éticos que além de confundirem, cerceiam os direitos individuais da livre escolha, em nome da defesa deste ou daquele segmento que acredita estar absolutamente certo em suas convicções ideológicas de cunho emocional, que entendem, serem sistêmicos e  universais.
Afinal, o bom senso e o reconhecimento do direito individual quanto a própria escolha, não deveria necessitar de leis que a blindasse,  quanto as avaliações alheias,tão somente que garantisse a ela amparo e, portanto,, o status de permanência.

Historicamente, a imposição comportamental, baseada em verdades de grupos minoritários, não só tiveram consequências desastrosas, como jamais, fizeram parte de um contexto saudável evolutivo, representando atrasos extremamente danosos a raça humana e ao planeta como um todo.
Os reais efeitos colaterais da globalização indutiva, chegam em sua maioria de mansinho, tal qual o uso contínuo de drogas medicamentosas, impossível de se detectar os seus efeitos colaterais sem que haja tempo, observações e discussões à respeito, podendo levar inclusive a sua suspensão como ocorreu com fatos históricos que marcaram de forma indelével o currículo da humanidade.

O que de forma particular venho percebendo cada vez com mais nitidez é que não escaparemos dos efeitos colaterais, pois alguns aspectos já começam a se tornar explícitos nas sociedades do mundo em geral, mas que a médio e longo prazos mostrarão suas chagas e então,  muitos aditivos serão necessários para que seja possível uma sobrevivência, sem que seja possível deter-se o atraso que ocorrerá, pois a reconstrução do âmago social terá prioridade como ocorreu em outros tempos, onde o homem se perceberá em agonia social, quanto ao restauro de uma ética postural que seja universal, mas que tenha como fundamento maior, o bem estar da liberdade de todos, respeitando-se a individualidade na sua máxima quanto aos limites de seus direitos em relação ao outro.
Bom seria que nos fosse oferecido na infância ensinamentos de conduta existencial em conjunto com todos os demais aprendizados primários, como ter autonomia quanto a urinar e defecar.
Mas como seria possível, se sequer nos percebemos sendo unidades especiais, deste contexto fabuloso que é a vida?
.,

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

TRAVEI EM NOME DE JESUS

 Estou a alguns dias tentando escrever sobre o natal e nada, absolutamente nada surge em minha mente. De repente tudo que vejo é um imenso branco.
Talvez seja o fato de que preciso ser o mais fiel possível as tradições religiosas e sinceramente, com estas, eu não tenho qualquer afinidade.
Por mais que eu me esforce, jamais consegui enxergar Jesus como a maioria e muito menos relacioná-lo a festas totalmente destoantes da concepção que tracei deste homem fantástico que optou em tirar de si, todo e qualquer hipocrisia fundamentalista e abrir-se para a vida que ainda muito jovem percebeu existir intensamente em si.
Jesus que despertou para os sentidos, lembrando-nos do quanto precisávamos direcioná-los na formação de nossas emoções e consequentes sentimentos.
Jesus que traçou éticas a serem compreendidas e aplicadas no cotidiano das pessoas, buscando-as no interior de si mesmo no relacionamento com o tudo o mais a sua volta.
Jesus que conseguiu se despir das vaidades, por compreender que estas eram geradoras de inúmeras mazelas físicas e emocionais que interferiam no convívio social.
Jesus que revolucionou a alma e a forma de condução postural, fornecendo caminhos evolutivos de desenvolvimento sustentável da criatura humana.
Jesus, forte, resistente e absolutamente suave que soube conduzir a maior e mais concreta das revoluções que este mundo terreno, já tomou conhecimento.
Jesus do perdão e do entendimento quanto as fraquezas humanas
Jesus da generosidade, do companheirismo, da fraternidade.
Jesus da visão universal de um todo completo, onde cada elemento seja humano ou não, tem sua preciosa parcela de importância na manutenção da grandiosidade e completude do sentido da vida.
Jesus, sentimentos, orientação e amor que abrigo em meu interior e cujo nascimento comemoro à cada amanhecer em que me vejo e me sinto vida, numa permanente liberdade de existir.
Jesus que conseguiu na simplicidade genuína de seu ser, nos deixar o seu  legado, num único e precioso ensinamento que nós, 2000 anos depois, ainda resistimos em aprender; "AMAI AOS DEMAIS COMO A SI MESMO".

terça-feira, 14 de outubro de 2014

QUE COISA HEIN...


Fico pensando no quanto o fanatismo de qualquer natureza pode se transformar num indutor destrutivo das posturas humanas.
O fanático, perde o senso avaliativo de seu próprio comportamento emocional, não se enxergando e tão pouco se ouvindo, pois caso contrário estaria com o seu senso crítico na ativa e perceberia o quanto está sendo inadequado na defesa irracional de sua crença, seja ela qual for.
É possível observar neste período político o fanatismo de certas criaturas, que insultam as demais por pensarem diferentemente delas e não percebem que usam as agressões pessoais, por não disporem de argumentos sustentáveis.
Olho pro céu e peço a Deus, perdão para estas criaturas que colocam em si mesmas, viseiras e abas laterais que as impedem de terem uma visão mais ampla do que seja respeito às diferença.

domingo, 12 de outubro de 2014

ATENÇÃO COMPRADA

Desde sempre em minha vida, busquei exaltar através de meus escritos, falas e interação com os demais, a alegria, o positivismo, a solidariedade, enfim, sentimentos que valorizassem o bem viver.
Procurei não cultivar mágoas, tristezas, desilusões e tão pouco usei o desabafo com os próximos, fossem amigos ou parentes como válvula de escape, justo por acreditar que a repetição de qualquer tipo de sofrimento, só o torna indissolúvel na mente e na alma.
Acreditei por todo o tempo que deveria extrair dos momentos difíceis, apenas sólidos e consistentes lições que me serviriam de embasamento para não mais querer voltar a vivenciá-los.
E pensando e escrevendo sobre esta minha forma de conviver comigo mesma e com os demais, também reconheço que em muitas ocasiões fui muito exigente no meu convívio com os demais, onde certamente a humildade do reconhecimento quanto as percepções alheias, foram por mim negligenciadas , pois esperava delas o mesmo entendimento, desconsiderando fatores primordiais, como por exemplo; a própria natureza, fosse educacional, cultural ou ambas.
Precisei de uma vida quase inteira para enxergar com nitidez a arrogância que se embutia nesta minha postura, a primeira vista adequada, assim como precisei do mesmo tempo terreno para finalmente poder compreender a grandeza do aperfeiçoamento emocional e de sua importância no convívio com meus próprios entendimentos em relação as prioridades existenciais.
Chove lá fora e cá estou filosofando o que não deixa de ser uma forma de desabafo travestido de um plausível bate papo pessoal que divido com os demais, numa espécie de "Minha Culpa"para me livrar desta culpa que certamente, tenha sido responsável por inúmeras e gritantes falhas comportamentais.
Hoje é o dia dedicado às crianças e como para mim este fato midiático quase nada represente, reconheço, que muitos de nós dele necessite como forma de expiação de muitas culpas, consolo emocional possível de ser comprado em qualquer loja, aplacando a dor de a cada dia estarmos nos tornando incapazes de presentear nossas crianças com nossas genuínas atenções em atos espontâneos de dedicação amorosa.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

MUITO MAIS


São vinte metros de frente, reservada por um alto muro branco, onde o sol permanece iluminando e de onde estou, bem de frente, posso enxerga-lo refletindo alguns galhos de minha frondosa mangueira.
Bailo meus olhos ao redor do espaço que me separa do muro e posso ver além da mangueira, o cajueiro, os coqueiros de troncos longos, meus dois pés de limões, assim como a seriguela e minha enorme paixão que são as amoras que de tão carnudas e doces, preciso dividir com os pássaros.
Claro que existem as flores com suas cores distintas e seus perfumes apaixonantes e o já não tão jovem piso de grama que cobre como um tapete perfumado o meu pedaço de paraíso de que tanto amo.
Olho então para o céu, num ritual diário e me vejo acobertada pelo mais belo sol que me aquece.
Nos dias de chuva, sinto-me renovada com a bendita água que mais que lavar a terra, matando a sede do restante da natureza, lava-me simbolicamente a alma, renovando-me a cada gota que sinto escorregar pelo meu corpo.
As noites belas e estreladas, coroam brilhantemente, as mais incríveis luas cheias que meus olhos foram capazes de apreciar.
E nesse bailado de olhares, chego finalmente a mim e constato encantada que consegui extrair e absorver todas essas maravilhas, talvez por ser mais atenta ou quem sabe, mais apaixonada, mais lúdica que a grande maioria.
Ou talvez por ser mais vaidosa, arrogante e prepotente, por crer que este mundo me pertence e que é todinho meu. Fazendo do mar, minha banheira de águas mornas, do jardim, minha sala de repouso, dos frutos meu sempre farto banquete, dos pássaros, grilos e sapos, minha vitrola de sons e das flores, meus raros perfumes.
Que nesta sexta-feira, você se sinta tão poderosa quanto eu e consiga também olhar ao redor e enxergar os brindes que a vida generosa lhe oferece e como agradecimento, se doe, perdoe e se apaixone.
Porque a vida é sempre muito mais do que o óbvio apresenta.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

RECOLHENDO CACOS



Os ventos estão tão fortes que mais parecem os de agosto, envergando coqueiros, balançando galhos, derrubando frutos, despetalando flores.
Os sons do farfalhar das folhas são agitados, nervosos, pouco amigável, fazendo o mar se encrespar e o meu corpo arrepiar.
Os pássaros ressabiados procuram, me parece, inutilmente um lugar seguro para se abrigarem, um abrigo mais tranqüilo para, então, voltarem a cantar.
A natureza me parece zangada, aborrecida certamente conosco que incansavelmente a ferimos com nossas ações destruidoras, numa ingratidão sem limites, numa indiferença que se ainda não a matou de todo, certamente já despertou nesta tão poderosa, mas também generosa senhora, momentos de impaciência que ela expressa desabafando, através de seus ventos fortes e de suas lágrimas de chuva em forma de tempestade.
De repente, tudo parece que começa a se acalmar...
É a mãe natureza que enxuga as lágrimas, sufoca os gritos, faz calar o pranto.
E num ritual de recolher os cacos, assim como ela, lamento pela rosa desfolhada, pelas amoras deitadas ao chão, pelo ninho despedaçado e pela solidão que percebo neste acalmar dos ventos ao meu redor.

Que nesta quinta-feira, você consiga também recolher os seus próprios cacos pensando unicamente no aprendizado que as dores lhe trouxeram.