domingo, 28 de outubro de 2012

O DEUS DA MINHA VIDA


 
Pois é... Mais uma semana de trabalho chegou ao fim em um sábado ensolarado e novamente toda a minha natureza se encontra absolutamente em paz.

Venho percebendo que ao invés de estar esgotada, física e mentalmente, o que seria natural, até mesmo porque já não sou nenhuma mocinha, cuja vitalidade se renova a cada instante, e, então, só posso creditar esse quase espantoso estado de bem estar e vitalidade ao fato concreto de que estou fazendo o que gosto e além disso estar recebendo deste trabalho vibrações espetaculares por serem estimuladoras e restauradoras  ao longo de 12 horas diretas e infindáveis outras indiretas que dedico sem praticamente calar-me ou deixar de pensar e produzir, pois faço quase tudo sozinha ao longo da semana em um minúscula sala sem luz natural e tendo como ventilação um ar condicionado que por toda a minha vida me foi insuportável, inclusive, provocando-me até  a pouco tempo, tosses intermitentes.
Causa-me, às vezes, espanto quando analiso a situação, pois tudo é tão surreal que só mesmo creditar a um enorme prazer a superação de tantos obstáculos.
Prazer de ser acarinhada através das pessoas que generosas alisam o meu ego e por extensão a minha alma, e aí, reforço minha convicção que ao longo da vida expressei em crônicas e ensaios, publicados ou não, de que, viver é sempre mais fácil e prazeroso, quando somos capazes de aprender a receber e a transmitir gentilezas, sem fazer delas, subsídios de manipulação premeditada de controle seja lá do que for.
E aí, podem acreditar, tudo vai dando certo, como uma engrenagem bem azeitada que se encaixa naturalmente e o melhor de tudo é que o seu todo de pessoa vai se suavizando, sua mente vai se liberando e produzindo mais e mais sem, no entanto, lhe causar qualquer sensação de peso ou estresse.
Isto é o que venho sentindo de forma progressiva e fazendo de mim uma criatura sem idade, porque me sinto podendo tudo, que minha mente descansada e, portanto, muita atenta, consente autorizar.

Novamente, vejo-me em total espanto, porque, afinal, enxergo, ouço e sinto em mim a presença constante do Deus que reneguei ou desconsiderei por tantas vezes, mas  que agora, atuando sem pedir licença em minha vontade voluntária, apresenta-se nas fisionomias, nas vozes e no carinho dos outros com os quais convivo, tornando-me sua parceira de vida e de liberdade, fazendo de mim com certeza um ser humano mais suave, solidário e muito mais feliz.

E refletindo, nesta manhã de domingo, ao som dos pássaros e dos aromas de meu jardim encantado, percebo, novamente espantada, que sem planejar, fui transformando o estúdio de trabalho em minha Igreja e os meus fiéis ouvintes, cada qual em meu Deus, sem formas, sem toques manuais, certamente com mil rostos que jamais conhecerei, mas com a mesma intenção de amor e de interação que somente com a presença de Deus, somos capazes de sentir.

Se permita ser gentil e amoroso, pois o seu Deus aguarda!

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

OS Porquês que nos assolam...


 
É preciso que estejamos sempre preparados para o discernimento, que afinal, deveria fazer parte de nossa própria naturalidade de ser e de pensar a respeito de qualquer coisa. No entanto, agimos no nosso dia a dia baseados única e exclusivamente através dos reflexos condicionados de posturas adaptadas as nossas mais básicas necessidades, refazendo periodicamente a moldagem de acordo com as mudanças sistêmicas, o que vem ocorrendo muito amiúde nos últimos 50 anos, não nos dando espaço para qualquer reflexão e tornando-nos meros repetidores, inclusive nas posturas mentais que quando extrapolam em suas costumeiras formas doentias, são imediatamente enquadradas como patologias psicológicas, onde muitas são as possíveis causas apresentadas, mas que dificilmente são acompanhadas de meios eficazes de cura, deixando a todos nós, meros mortais, nas mãos dos laboratórios e de suas maravilhosas fórmulas que se não curam, e é certo que não, pelo menos nos condiciona a conviver com as nossas esquisitices de forma mais adequada às necessidades do sistema.

Agora, se estamos felizes, satisfeitos, ou pelo menos com a sensação de paz, isto é o que menos importa. Buscar entender, o porquê de estarmos sofrendo, menos ainda, pois, afinal, o tempo urge e não há intervalo suficiente para que fiquemos esmiuçando os porrrrrrrrrr  qqqqqqqqqqqquês que nos assombram.
Enquanto isso não acontece e pelo visto em se tratando da maioria de nós, jamais acontecerá justo por falta de tempo, mesmo que não façamos absolutamente nada de útil com esse tão envolvedor tempo, e aí, seguimos  nossas vidinhas de merda, sem apreciar  a vida que comemoramos possuir a cada ano, sem sentir o sol ardente, que abusado e sem moral, nos invade o corpo, buscando a alma, em uma persistência atrevida, na busca desesperada de nos fazer compreender que estamos vivos e somos tudo.

Vivos e tudo para a vida na qual estamos inseridos e que generosa nos aquece e nos brinda a cada segundo, mas nós, criaturinhas pensantes e idiotas, sequer nos damos conta, perdidos que nos encontramos, por todo o tempo, querendo vencer o tempo, aquele tempo que nunca encontramos, nunca tivemos, mas que forte e poderoso, nos fragilizou, fazendo de nós seus escravos, seus infelizes perseguidores.
Bem...
Achei tempo e pensei sobre isso. Que tal, você arranjar uma fagulha de tempo e também pensar sobre isso.
Pois, no que pensei, encontrei inspiração e abandonei o Lexotam, voltei então, a dormir, voltei a sorrir, voltei a sentir o sol e, finalmente, voltei a viver.
Desejo a você que me lê neste instante, um dia com muita invasão deste sol abusado e ardente, neste tudo que você representa, fazendo aflorar os porquês, permitindo-lhe  avalia-los  sem qualquer medo de vir a ser feliz.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

SOSSEGO, NUNCA MAIS...



Você parece não se importar, eu pareço não me importar, e até parece que o mundo inteiro, também, não tem se importado com a crescente violência que vem assolando as realidades humanas e que já não pode ser considerada como apenas urbana, resultado dos bolsões de miséria ou do tráfico de drogas, pois, afinal, ela está em todos os lugares como uma epidemia, praticamente aos olhos de pessoas comuns, como você e eu, impossível de ser debelada.

Isso não é real, todos nós estamos mais que preocupados, como independentemente de nossa vontade consciente, estamos deixando aparecer nos nossos comportamentos cotidianos, e pior, na nossa saúde física e mental, toda esta pressão silenciosa que tem feito de nós criaturinhas reféns do medo e da incerteza em nosso ir e vir diário, inclusive, tirando-nos o direito de nos sentir seguros em nossa própria casa, único local onde após um dia de trabalho ou estudos deveríamos poder relaxar.

Aparentemente, estamos alheios, como se nada tivéssemos com tudo que acontece com os outros, mas isto também não é real, pois sabemos de forma silenciosa, mas não menos desastrosa, que a próxima vitima deste abandono social pode ser exatamente nós ou alguém a quem amamos.

Quem não está nem aí, é exatamente um conjunto de velhos e corroídos sistemas governamentais, geridos por incautos ou espertalhões, que foram transformando cada um de nós em meros instrumentos de garantia de poder e ganhos pessoais de forma cruel e desumana, pois ao invés de campos de batalhas explícitas, nos mantem em permanentes arenas de insegurança, minando e confundindo de forma sistemática, pelo menos nos últimos 50 anos, ideias e ideais, e, indo mais além, transformando-nos em sombras que se movimentam  sem alma e sem perfil , numa busca de sobrevivência a qualquer custo.

A corrupção, seja ativa ou passiva, esfacela as instituições sociais, instalando o caos que com seus tentáculos descaracteriza a realidade do que deveria ser a representatividade do bem comum, fazendo-nos crer que a vida é assim mesmo e que nada, ou quase nada, resta-nos a fazer, obrigando-nos através da coação e do medo a crer que somos menores, sem forças e incapazes de fazer acontecer algo que nos resguarde.

Estamos enlouquecendo silenciosamente, e esta loucura que não é reconhecida, identificada e muito menos compreendida, se expressa através de nossa introspecção induzida, que se manifesta em nossas atitudes diárias de aparente alienação, surpreendente participação ou, o que é pior, em nossos físicos e nossas mentes que estão em todos os instantes mais frágeis porque estão contaminadas.

Estamos todos doentes e sequer nos apercebemos.

Tornamo-nos alguma coisa que se distancia da racionalidade, porque a cada instante, ajudamos a destruir com o nosso silêncio que é cumplice e parceiro, nosso próprio equilíbrio que nos permite a identificação entre o certo e o errado, entre o bem e o mal, que afinal, determina o senso comum e a qualidade lógica de uma convivência sistêmica.

Fechamos os olhos e nos tornamos, cegos. Tapamos os ouvidos e ficamos, surdos, só não conseguimos inutilizar o nosso sentir e, então, estamos ficando loucos.

Somos o vírus  Mortal, que contamina a nós mesmos, porque, sem saída e sem esperanças, bloqueamos a auto estima, o amor próprio e vamos nos adaptando e nos consolando com coisas ou com a falta das coisas, afinal, qualquer coisa, que nos garanta um pouco de  uma pseuda segurança, compensação necessária mesmo que imaginária.

 

 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

ÍNFIMA PARTÍCULA



Dentre as razões mais sabidas que levam a raça humana a constantes enfrentamentos, a mais comum certamente é a sua incapacidade de sentir-se como um ser participante de um todo que é, por si só, bem mais poderoso em sua complexidade diversificada que tão somente uma ínfima partícula que se caracteriza em forma de ser humano.

Não há compreensão sequer da imensa necessidade em partilharem o mesmo espaço sem que haja uma noção de limites, ficando o homem por todo o tempo, duelando e crendo ser capaz de domar o universo, como se dele fosse ou representasse um poder maior.

Aparentemente, este poder existe e se constitui em obras e projetos monumentais, cujas consequências desastrosas aparecem em forma de movimentos que o humano chama de fenômenos naturais, mas que poderiam também ser chamados de movimentos sísmicos do globo terrestre em uma nova e constante adaptabilidade.

E se o universo, não é capaz de suportar sem reações os constantes e irresponsáveis ataques, por que então, crer-se em uma infinita capacidade de superação emocional entre os seres humanos, que, afinal, encontram-se absolutamente fechados em si mesmos, produzindo quase nada em energias vibratórias que seriam capazes de extrair do cosmos as forças nutricionais necessárias para um fortalecimento mais abrangente e regenerador, tal qual, acontece com todo o restante universal, que se não se regenera, pelo menos se transforma, sem permitir que a vida se extinga.

E no meu fechar de olhos para a criatura arrogante e preguiçosa que reconheço ser, penso vez por outra neste meu potencial desperdiçado e na vida que ainda sinto existir em mim...

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ESQUISITA... TALVEZ.



Dentre todas as atribuições que as circunstâncias, ou a minha plena vontade, determinaram, certamente, o ficar sozinha, apenas com os meus pássaros, minhas plantas com suas preciosas energias e, é claro, meus benditos pensares, foram as minhas preferidas atividades.

Quando garota, e mesmo adolescente, fui alvo de gozações familiares e estranhamentos por parte de alguns vizinhos e mesmo coleguinhas que não compreendiam como eu, saudável, repleta de energias, em dado momento do dia, isolava-me, buscando no silêncio, minha preciosa distração e quando, finalmente, comecei a escrever e a colocar em palavras as delícias de meus momentos, bem... aí, verdadeiramente, arranquei enormes críticas, pois tias e primos e até mesmo minha mãe, viam em meu comportamento um enorme perigo eminente, pois, afinal, eu estava ficando, a cada dia, mais e mais parecida com tia Hilda, e parecer-se com ela, no início dos anos sessenta, era o mesmo que colocar-me no patamar das mulheres livres, que a sociedade, mesmo carioca, ainda não estava devidamente pronta para aceitar de forma natural.

E eu, mais tarde, percebi que fui perseguida de modo cruel pela ignorância de uma época e de um sistema hipócrita que fez de mim, por anos a fio, uma jovem perdida em si mesma, tentando e sistematicamente fracassando em disfarçar uma espontaneidade que me era absolutamente natural.

Por incrível que possa parecer, a minha constante busca de isolamento, fez com que eu desenvolvesse uma perfeita sintonia com o natural, e nesses momentos não havia censuras, frescuras ou qualquer outra situação que pudesse macular a harmonia daquele entrosamento entre a minha natureza energética e o todo no qual de forma simples, mas envolvente, eu me via e me sentia inserida.

No entanto, foi em Guapimirim (cidade serrana próxima ao Rio de Janeiro), justo em uma das casas de campo da família, e no caso, da própria tia Hilda, que pude com clareza definir em mim a escolha pela grandiosidade do simples, pela beleza das cores da natureza, pelos ruídos do silêncio que, ainda hoje, tantas décadas depois, preenchem meus instantes, fazendo de mim, não mais uma pessoa confusa, mas uma criatura que sabe exatamente o que lhe dá prazer.

E prazer para mim é estar permanentemente interagindo com este mundo de sons e imagens que fazem de meu imaginário um ininterrupto criador de situações surpreendentes, todas, geralmente, extraídas do aparente quase nada que me cerca, quando  na também aparente solidão, sou livre para tão somente sentir e, então, o comum do cotidiano recebe de mim o meu melhor que é a bendita compreensão em relação a certeza absoluta de que nada mudarei que não seja através de minha forma de ser e de me inserir neste contexto permanente de querer e buscar ter, que a mim, não quer dizer absolutamente nada.

 

sábado, 13 de outubro de 2012

UMA PELAS OUTRAS



Estou aqui relembrando que na eleição de 2008, tentei fazer minhas companheiras de lutas entenderem que deveríamos uma apoiar a outra para que pelo menos uma ou duas ficassem fortes. Não acreditaram nas minhas argumentações e, então, perdemos todas.

 Na realidade, apesar de pouco conhecer das movimentações políticas, sabia que a lógica sempre tem o seu lugar garantido, portanto, se escolhêssemos uma ou duas e nelas concentrássemos nossos esforços, teríamos mais chances de adentrar na Casa da Cidadania para, finalmente, podermos romper este histórico comportamento cultural de não elegermos mulher.

Nesta eleição, acompanhando, mesmo à distância, o forte trabalho da coligação da prof. Marlylda, acreditei que tivessem, enfim, acordado para a necessidade de não pulverizar os votos e que concentrariam esforços em uma ou duas candidatas, tendo inclusive o apoio direto da candidata que teria seus propósitos acordados com o seu grupo que convenhamos era coeso e apaixonado e, portanto, certamente seguiria sua mentora sem objeções.

Contudo, nada foi pensado neste sentido, e penso então, sozinha com os meus botões, que novamente a mulher ficou de fora, pois não querendo dividir, todas perderam e desperdiçaram 5000 votos, coisa rara de se ver acontecer em uma cidade onde o machismo ainda impera e a falta de uma união consciente em sua totalidade também.

E aí, neste volume todo de poderosos votos, não foram capazes de separar 400 votos para eleger uma candidata, o que vem provar que algo falhou, creio eu.

Ora veja: Se era a vez da mulher e tudo indicava ser, por que, então, não se pensou no amparo que se deveria ter na Câmara para uma governabilidade mais segura, tendo como parceira, no mínimo uma outra mulher?

Pois é... Lá estão eles, os poderosos homens, enquanto nós mulheres, apesar de maioria, permanecemos de fora, sem uma voz que nos represente. O mesmo raciocínio não se pode empregar na coligação vencedora, afinal, no clube do bolinha, Luluzinha só entra da cozinha até no quarto, pois são meninos assumidos , dominando a sala de estar e de jantar...kkkkk!

Brincadeirinha de mulherzinha palpiteira, fofoqueira e quase burra.

Não é assim que muitos deles, ainda nos veem?

Que coisa, heim!...

Quem sabe, um dia aprendamos a confiar mais umas nas outras, não é mesmo?

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Deus tarda, mas não falta!



Esta frase consoladora, se bem observada, leva-nos a pensar no quanto Deus com seus costumeiros atrasos é capaz de deixar populações inteiras absolutamente abandonadas à própria sorte, enquanto uma reduzida parcela da raça humana esbalda-se.

Leva-nos também a refletir no quanto de refrãos imaginários somos capazes de repetir sem que haja qualquer correlação com a realidade presente, além de servirem única e exclusivamente como muletas vivenciais, onde verdadeiramente não reside qualquer conteúdo, seja regenerador ou educador que nos direcione a uma caminhada existencial mais lúcida e coerente com a grandiosidade da vida.

Penso então que é exatamente neste ponto que nós criaturinhas humanas nos atemos, pois quem, afinal, deseja qualquer relação mais íntima com a realidade?

Buscamos o lúdico, o que transcende com insistência em nosso cotidiano, exatamente porque somos, na maioria das vezes, incapazes de aceitar nossas realidades, fazendo então do etéreo, nosso amparo existencial.

Do ilógico, fazemos o nosso folclore pessoal, até porque, há muito percebemos que dá certo, que marca ponto e atrai adeptos.

Infeliz de nós que mergulharmos nossas cabeças nas poças dos mistérios de quaisquer naturezas que fujam à realidade, porque, aí sim, transformamo-nos em fantasmas existenciais, vagando sem qualquer relação mais íntima com toda uma grandeza de sentidos e sentimentos que são capazes de nos levar ao mais doloroso dos desesperos, assim como nos faz vibrar, amar e nos deliciar com tudo o mais de bom e agradável que formos capazes de extrair desta experiência fantástica, emocionante e real de nos sentirmos vivendo.

Ao pensar no Deus que tarda, lembro-me da miséria, da fome, do flagelo humano.

Ao pensar que ele não falta, reconheço-me como uma covarde e maldosa criatura que se esconde no irreal, camuflando a culpa pessoal de não saber fazer nada prático, para suprir o medo e a dor que assola grande parte da minha própria humanidade.

Humanidade esta, que ainda tem que admitir, não ser capaz de fazer seja lá o que for para esconder a vergonha de conviver bem de pertinho com o que se tornou feio, pobre e esquecido, justo porque Deus em seu costumeiro atraso deixou faltar isto, aquilo ou praticamente tudo, abrindo lacunas indeléveis nas existências desgraçadas de muitos dos meus pares existenciais e no meu cotidiano de criatura enfraquecida, perdida e desesperada, que busca o alento das retóricas costumeiras, para se sentir forte, saudável, solidária...

Pensando em tudo isto e muito mais, despeço-me neste instante sem o Deus, porque, afinal, ele está atrasado, mas com a esperança de que em algum momento, ele chegue, trazendo-me o alívio para esta minha covardia em usar seu nome com toda a autonomia de quem sabe das coisas, mas não faz coisa alguma.

Regina Carvalho – 11-10-2012

sábado, 6 de outubro de 2012

E O DEPOIS DE AMANHÃ, TAMBÉM...



O amanhã está chegando e eu aqui, sozinha com os meus pensamentos, imagino, por exemplo, a maravilha que seria se eu pudesse estar ao mesmo tempo em todos os comícios, em todas as carreatas, em todas as caminhadas e junto comigo uma enorme galera, todos do bem, todos saudáveis, buscando e formando uma divina parceria entre o amor e a devoção, entre o trabalho e a honestidade, entre a amizade e o respeito.

O amanhã está chegando e o depois de amanhã também...

Pensem nisto, antes de denegrir os atos e a vida dos seus adversários.

Pensem nisto, antes de emporcalhar com sua inconsciência, o valor que deve existir entre as pessoas que vivem em um local tão pequeno, com ruas tão limitadas, com praças tão reduzidas.

Pensem nisto, sem se esquecerem do caos que existe lá fora e que você com sua ambição, inconsequência e falta de limites, insiste em trazer para dentro desta Itaparica ainda tão encantada, reconhecendo que mesmo tendo razão, certamente, este não é o caminho para se alterar esta ou qualquer outra situação.

E finalmente, no bailado incessante de ilações comportamentais, olho através da janela, vejo a chuva e um insistente sol, sinto o cheiro de terra molhada, ouço os pássaros sempre abusados e penso então na bendita diversidade que, afinal, colore a vida, estimula os ânimos e faz renascer, a cada instante, a certeza absoluta que para construir-se algo de belo, inédito e diferente, de tudo o mais, precisarei até mesmo do feio, do rude, assim como do aparente descartável.

Pensem, então, na própria vida, nos próprios erros e nos acertos, pensem nos seus sonhos e ideais que não se estruturam do nada e muito menos se lapidam por si só.

E pensando em tudo isso, deixo-me voar na liberdade dos pássaros, enriquecer nas águas regeneradoras da chuva e aquecer-me sob o calor deste sol que hora se impõe, não afastando a chuva e muito menos machucando os pássaros.

Que Deus, tão falado e usado a cada instante desta campanha política, seja generoso o bastante para enternecer os corações de cada candidato, não os deixando esquecerem que o amanhã está chegando e o depois de amanhã também.

Para Marlylda, Zezinho e Raimundo, um enorme palanque de fé, coragem e dignidade por uma Itaparica mais humana.

E no dia de amanhã, seja lá qual for o vencedor, estarei de pé aplaudindo com uma única intenção que é ver todo o seu sucesso revertido para a minha cidade, meu povo e, é claro, minha vida, porque o amanhã está chegando e o depois de amanhã também.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

RETA FINAL



A caminhada democrática está chegando ao fim, e ainda bem, pois os ânimos já estão ficando exacerbados e o risco de se manchar tudo com atitudes no mínimo feias é enorme.

A febre de se chegar ao poder domina os candidatos e contagia seus correligionários, que por sua vez, passam a exercer posturas altamente condenáveis, como se o vale-tudo houvesse sido liberado, e nada pudesse detê-los.

Que coisa, heim!...

Pessoas tradicionalmente honestas e defensoras do “bem comum”, da noite para o dia se transvestem de uma aura divina e, quase que imediatamente, se sentem e conseguem que muitos  outros assim os enxerguem.

Deixam de serem humanos e se tornam valentes guerreiros, empunhando espadas libertadoras em um populismo perigoso que cega e paralisa o raciocínio, transformando pessoas em soldados comandados, reescrevendo posturas que empanam a razão.

 E aí, do cantinho solitário de minhas reflexões, percebo que nada mudou, que tudo permanece exatamente como sempre foi, sem surpresas e sem glamour, tão somente, como mais um espetáculo de jogos de interesses onde o tão falado coletivo se restringe mal e mal aos grupos correligionários, onde outras disputas certamente acontecem em seus interiores.

 DEUS... trará a vitória como se esta fosse apenas um grande prêmio e não uma enorme responsabilidade.

Deus já decidiu... como se de uma hora para a outra o tão divulgado livre arbítrio, já não mais existisse.

Deus ... O que fazem contigo e em teu nome é sempre surpreendente na medida em que se torna possível uma fria avaliação do quanto o ser humano pode ser abusado e inconsequente, manipulador e desgraçado.

Pensando nisso, lembro-me da miséria, da fome e da ignorância que ainda mancham de forma indelével os quatro cantos de nosso país, e vou mais além, detendo-me aqui na Ilha de Itaparica, e então, não tenho como conter a vergonha que me domina e que me induz a escrever e a falar como forma de desabafo, mas principalmente como meio de  indução ao despertamento, porque afinal será sempre muito doloroso constatar o quanto em nossa alienação sistêmica, como humanos podemos nos destituir de humanidade, o quanto somos mesquinhos, hipócritas e safados ao convivermos com a miséria de forma tão estúpida e sem sentido.

E então, onde está Deus?

Ocupado protegendo este ou aquele candidato em detrimento de seus outros filhos?

Estará ele, mais uma vez garantindo a um grupo, ganhos extravagantes, enquanto outros morrem nos dia atuais ainda de fome, catapora e abandono?

Me poupem, ai sim.... Pelo amor de Deus!!!!!!

Precisamos, com certeza, tomar vergonha em nossas caras, almas e sei lá mais aonde, e assumir de uma vez que somos mesquinhos, egocêntricos e exclusivistas e que vez por outra por nos sentirmos inúteis e totalmente solitários, nos entregamos ao acaso de falsos mandatários divinos, salvadores com ares de mensageiros celestes, para esconder a frustração de não sermos capazes de enfrentar a nossa realidade de preguiçosos e complacentes.

Impossível ainda acreditar-se que cobras possam se transformar em cordeiros e que o mar da dignidade se abrirá, dando passagem segura à meia dúzia de mequetrefes, só porque se intitulam “os enviados de Deus”.

Que neste 7 de outubro a esperança de se levar primeiro alimento à miséria que nos cerca, assim como instrução a quem sequer é capaz de reconhecer-se como gente, seja o motivador de  votos sérios, onde falácias e firulas não sejam capazes de habitar e onde as posturas e conquistas pessoais, além de projetos viáveis a nossa urgente realidade, sejam os mais preciosos argumentos para merecer, aí sim, o nosso bendito voto.