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Mostrando postagens de Outubro, 2013

COISA E TAL

Dormi pouco, mas dormi bem, e agora, sentada como sempre ao lado da janela da sala, posso ouvir também, como sempre, os pássaros em suas visitas matutinas, lembrando-me incansavelmente que a vida é bonita e é bonita, e naturalmente direcionando-me a escrever sobre ela, sobre mim mesma e, é claro, sobre gente e seus valores. E no que ouço, penso, e no que penso, analiso, e no que analiso, constato, e constatando inspiro-me e escrevo sempre buscando a coerência entre as palavras e os meus sentimentos, sabedora que sou dos perigos das emoções, que arteiras, se camuflam sempre prontas a oferecer seus toques pessoais que, afinal, mascaram as realidades, redesenhando fatos e situações com seus imaginários, então, confundindo-me. Por que, estou pensando em como penso? Bem, talvez porque eu esteja procurando uma forma de afastar pela lógica as minhas emoções, antes de começar a pensar, analisar, constatar e me inspirar a escrever a respeito da festa na qual estive presente, na noite de ontem, ou…

NÃO ME DIZ RESPEITO

Fecho os olhos e, ao voltar a abri-los, penso no horror da indiferença, na tristeza do pouco caso, na solidão do abandono que cada um de nós tem sentido e praticado nos nossos cotidianos, fechando não só nossos olhos, mas principalmente nossos sentimentos em relação às mortes e à destruição sistemática que as drogas estão fazendo nos nossos cotidianos. Acreditamos ou fingimos acreditar que nada disso nos diz respeito, e que nunca seremos atingidos diretamente. Enquanto isso, a vida vai passando, cada vez mais sofrida, pois a cada instante somos bombardeados pela violência que nos cerca, tolhendo-nos a liberdade de ir e vir e, até mesmo, de ficar em nossas casas, sem que o medo seja a tônica das conversas e pensamentos. É uma grade aqui, uma cerca ali, e nada, absolutamente nada, tira de nós a sensação de um sempre eminente perigo, que empana nossos instantes e nos induz a desenvolver silenciosamente uma suposta indiferença, que na realidade nos torna, cada vez, mais reféns de um sistema…

NO ACONCHEGO

Hoje, amanheci sem o barulho da chuva no telhado, apenas senti o friozinho invasor às cobertas que atingiu o meu corpo desprevenido, que logo se encolheu  na linguagem sensitiva do não querer sair do aconchego  quentinho em que se encontrava. Um ou talvez dois minutos tenha se passado, antes de calçar os chinelos e, finalmente, abandonar o melhor lugar do mundo que sempre foi a minha cama, meu abrigo, meu conforto de longos e preguiçosos descansos desta minha satisfatória vida. Não me lembro de ter escrito sobre o meu sono, minha cama, meus lençóis, só lembro-me das escritas que falavam das cores, dos perfumes e dos sabores, também me lembro das que falavam dos pássaros, do mar e das pessoas, e ainda, do céu azul, das chuvas e das alegrias, sim, não me esqueci de que também  escrevi dos sentimentos e das emoções que as compõem, fiz poesias, relatos e pesquisas, fui contadora de histórias da vida real e fui registrando incansável quase tudo ao meu redor e, como águia perscrutando a natur…

Mais uma Estrela no firmamento.

As pessoas falam em liberdade sem, no entanto, saberem como utilizá-la em suas próprias vidas.Ela soube em uma época dura e cruel, repleta de preconceitos em relação a quase tudo e principalmente em se tratando das escolhas femininas. Culta, lutadora e acima de tudo criativa, despiu-se das vestes, revelando-se profissional séria e competente no seu ofício maior que foi o de viver intensamente, tudo quanto optou em fazer. Lamentável que a memória cultural de nosso país,não sirva de referência ao seu próprio sistema educacional, deixando figuras como Norma Bengell, apenas como simbolo sexual de uma época, afinal, ela foi bem mais para o universo cultural brasileiro.

ESSÊNCIA E EXISTÊNCIA

Estou aqui ouvindo o Quarteto em Si, cantando La Barca, bem baixinho, justo para não suplantar os sons magníficos de meu pássaros e, inevitavelmente, sou levada a ponderar na complexidade, não da mente humana em sua potencialidade  criativa e construtiva, mas  na absorção e processamento dos dados na sua ação cognitiva e no até onde poder-se-á avaliar esta capacidade sem que o sistema como um todo esteja na influência maciça direta, através dos agentes  genéticos e  emocionais. Como separar e classificar a força motora destas influências e acima de tudo como determinar o peso individual das ações na formação do perfil de personalidade de cada criatura, levando-se em consideração o mesmo núcleo formador, seja na tradicional formação familiar ou substituto oficial. Como então determinar o que mais influenciou e o porquê especificamente em uma criatura, quando no contexto receptivo outros receberam as mesmas informações? Se você que está lendo este meu texto, souber outros caminhos possívei…

FORASTEIRA, SIM SENHOR...

Ainda me lembro, parece-me que foi ontem e lá se vão quase 12 anos em que entusiasmada com a beleza da cor do mar, associada à translucidez do sol, adentrei nesta cidade, para não mais dela conseguir me distanciar. E ir embora, por quê? Afinal, tenho tudo que sempre procurei em todas as paragens que visitei, em todos os redutos em que me aninhei. Ir embora pra que? Se o tudo de bom, foi por aqui que encontrei e o que eu trouxe comigo por aqui se estabeleceu. Abracei os aromas, os sabores, as energias, abracei o mar, o sol e as pessoas e em momento algum tentei modificá-las, com a arrogância natural dos que chegam de fora.  Como a maioria, cheguei esbaforida, trazendo na bagagem mil ideias, mil vivências, esbarrei no atavismo, no desconhecido, no diferente, tropecei na desconfiança, no medo dos que por aqui sempre estiveram. Mas como também cheguei fraca, doída e machucada, deixei-me conduzir e ser tratada descansando a mente, equilibrando o coração, deixando entrar a paz do bendito diferente…