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Mostrando postagens de Janeiro, 2016

SEMPRE IGUAL

Eta mundão velho, onde a cada dia torna-se mais e mais impossível uma convivência menos traumática, num paradoxo jamais visto. O véu das camuflagens empanam sentimentos e emoções, preferências e realidades, num frenesi em favor das “aparências”, num me engana que eu gosto, absolutamente danoso e nos transformando em baús de pólvora, sempre prontos a explodir. Ferimos de morte nem que seja com a nossa omissão, a ética pessoal, numa tenacidade sem qualquer consciência de que, agindo assim, estimulamos a prática do mau caratismo que sufoca também de morte posturas que nos parecem fora de moda, coisa do passado, numa era onde ser decente, sincero e amigo, só é permitido aos fracos e medíocres. E assim, vestindo trajes de seriedade, concordância e mentiras, convivemos aos trancos e barrancos, por todo o tempo, tentando nos desviar das constantes explosões que surgem em forma de traições, intolerâncias, preconceitos, cotidianas violências que também vamos aprendendo a praticar como forma prim…

INCRÍVEL PARADEIRO

Estou há algum tempo olhando fixo para as árvores, espreitando a imobilidade das mesmas, pois nem mesmo os coqueiros bailam e isto me parece incrível. Percebo que o meu pedaço de universo resolveu dar um tempo em suas movimentações, abrindo espaço para uma enormidade de pássaros que, desta forma, se evidenciam em sua cantorias diversificadas, mas que no conjunto final, representam as boas vindas da vida, tão necessária para que, aos poucos, cada um de nós consciente ou não de suas presenças, possa ir tomando pé de um novo dia. Se me contassem eu não acreditaria neste paradeiro dos céus e, obcecada, não desvio os olhos, na esperança de ser testemunha do retorno dos movimentos que trazem a bendita brisa que sempre me encanta, pois alisa-me por inteiro e atesta a minha paixão pela vida A manhã lá vai clareando lentamente e, desta vez, sem brisas para recebe-la, sem o sol para traçar o seu caminho, apenas eu e os pássaros, teimosos e obstinados, permanecemos fiéis a observá-la. Ouço alguns f…

TUDO SUPERFICIAL

Estou aqui neste amanhecer pensando na superficialidade das relações humanas no cotidiano e me questiono no quanto esta postura tem sido responsável pela crescente violência que vem assolando de forma cruel a criatura humana em seu habitat e as vidas no planeta em seu todo. Este tema, certamente poderia se transformar em uma riquíssima tese de doutorado, todavia, na simplicidade de meus recursos acadêmicos, estou limitada ao meu senso crítico em comunhão ao sempre hábito de observar tudo e a todos, num exercício em busca de uma compreensão maior da existência, afora o que me foi ensinado pelos meios religiosos de que se existo, foi por vontade de Deus. O mesmo Deus que dá é o que tira, seja a vida, a alegria, a disposição, os ganhos e as perdas de quaisquer naturezas e por sempre achar esta explicação muito medíocre para a atuação de um Deus criador que na realidade o transforma num mero ditador, faço então, desde sempre, o caminho inverso, acreditando que a existência dos seres vivos t…
O TEMPO NÃO PARA Faltam quatro dias para que 2015 se encerre e eu percebo, não sei se também com quem me lê, neste instante, que aquela euforia da proximidade de um novo ano em que se vivenciava no passado, já não acontece com a mesma ênfase, dando a impressão que até o Natal tem perdido um pouco de seu brilho e simbolismo.
Lembro-me que buscávamos fechar tarefas e pendengas, a fim de começar um novo ano com novas perspectivas e realizações e não como vem acontecendo sistematicamente, principalmente no mundo em que não temos acesso opcional de decisões, como por exemplo na política, levando-me a observar que de uma forma ou de outra, somos também silenciosamente induzidos a agir da mesma forma, empurrando com a barriga, pequenos e grandes problemas para o ano seguinte, contando somente com o tempo, que além de não parar, costuma ser solução pra inúmeras situações de nossas vidas, afinal, junto com ele, vem fatores circunstanciais que de uma forma ou de outra pontuam, enfraquecem e até…

E SE NÃO HOUVESSE O AMANHÃ?

Neste janeiro, aqui pelas minhas bandas um novo galo surgiu, duelando no gogó com aquele velho galo que ouço a cada amanhecer, mas que reside à distância, enquanto, este outro, parece-me vizinho próximo. Imaginem vocês que em meio a tantas controvérsias políticas e sociais, cá estou eu, tentando identificar de onde vem a cantoria de um novo galo e fazendo deste acontecimento a prioridade de minha atenção. Que coisa, hein?!! Pois fiquem sabendo que se eu não tivesse tido um amanhã, de que adiantaria a mim e ao mundo, qualquer maior das minhas atenções, pois o mundo com suas mazelas e grandezas, teria continuado a girar, e eu, teria perdido a oportunidade de buscar o belo que, afinal, nutre a vida e a todos nós, mesmo que sequer tenhamos tempo de priorizá-lo. Ambos se calaram como uma pausa de partitura, abrindo espaço para outras cantorias que aparentemente parecem iguais a cada amanhecer, mas que na realidade se apresentam lindamente diversificadas como instrumentos variados de uma imensa…
COMO UMA IGREJA O galo insistente canta à distância e, até o momento, nenhum pássaro ainda chegou para a iniciação de um novo dia, mas eu estou atenta aguardando num ritual diário e, enquanto aguardo, penso e repenso na vida também num ritual matinal que durante décadas tem servido de tarefa escolar de aprendizado cotidiano, onde tenho tido a oportunidade de refletir em minhas próprias atitudes, convencendo-me por todo o tempo que jamais poderei deixar de estar amorosamente vigilante, pois a força do sistema é poderosa e sempre pronta a me arrastar para o ilógico folclore do apenas ter.
Fui aprendendo com os pássaros e a natureza de um modo geral que a mais importante tarefa que eu deveria ter no exercício diário de viver, seria ministrar a mim mesma, cortando arestas desnecessárias que certamente me impediriam de simplesmente viver, abraçando cada instante com entusiasmo, beijando cada milionésimo de segundo com paixão de quem reconhece o verdadeiro valor de estar existindo.
Penso, as…