sexta-feira, 30 de maio de 2014

ILHA DA FANTASIA


 Quando eu era garota e até mesmo quando vim a conhecer  uma delas in loco, as minhas referências somavam-se, filmes, fotos e leituras romanceadas.
Imaginava aportar e ser recebida por um grupo de nativos com suas roupas exóticas, sorrisos largos e cestas de frutos e flores, tudo especialmente para me darem boas – vindas.
Logo depois, eu seria conduzida através de estradinhas , cercadas de uma linda e perfeita vegetação até um resort dos sonhos e lá, novamente teria mais uma surpreendente recepção com direito a drinques coloridos , praias lindas e exclusivas, sob um sol iluminado.
Portanto,  um pedacinho de terra, cercado de aguas por todos os lados, antes de tudo, eram ilhas que faziam parte de um esterióptico ilusório, de um lúdico escapatório para realidades nem sempre agradáveis, onde faziam parte, coisas e afazeres pouco poéticos, como ter  que acordar cedo, trabalhar, enfrentando a cada instante, desafios cansativos e nada atrativos.
Estes são cenas que diretores e roteiristas  dos estúdios cinematográficos Holhiwodianos, criaram, sabedores que sempre foram das carências humanas quanto ao belo e principalmente o lúdico.
Fora isto, esta pobre mortal como tantos outros, nada mais tinha de referência que não fosse o ataque a Pier hobor, na segunda guerra mundial, mas que também tudo o mais era bonitinho, limpinho, enfim dentro das tradicionais  formalidades residenciais dos militares , assim como as deslumbrantes cenas das ilhas gregas com suas casinhas montanhas acima, todas branquinhas, simetricamente alojadas entre caminhos estreitos e floridos e onde certamente nunca enxerguei  vacas e cachorros e cavalos, cagando e mijando  e dividindo espaço  com a população.
Lixo, esgoto a céu aberto, fome , pobreza, buracos nas avenidas e ruas, lâmpadas apagadas, ladrões e assassinos, políticos safados, povo inconsequente e interesseiro, difamação, competição, ignorância, maldade humana, desafios como sobreviver estando desempregado,dinheiro para se fazer e pagar compras, nem pensar, afinal, estes foram e são os argumentos que uma pessoa usa para se convencer a em um momento especial de sua vida, buscar uma ilha para passar uns dias de sonhos e fantasias, para amenizar suas chagas sistêmicas ou como pessoas como eu que em dado momento, no outono de suas vidas, buscam um pouco do lúdico e de paz para justificarem a si mesmo que, afinal, tudo valeu a pena em suas jornadas de vida.
E por acaso, alguém associa todas as merdas do seu cotidiano a um só instante de sonhos e devaneios ao se dirigir à uma Ilha?
Mas aí, o bicho pega, por que infelizmente, além dos animais ditos irracionais que não foram vistos nas fotos e nos filmes por terem sido erradicados propositadamente para nos enganar, ainda surgem as pessoas nem sempre bonitas, nem sempre educadas, nem sempre hospitaleiras, nem sempre alguma coisa que esperávamos e, então, uma verdade dura que choca e que frustra se mostra na crueldade da sua realidade.
Este é um relato sobre o ponto de vista dos visitantes, até porque, para o nativo de qualquer ilha, as problemas com os quais convive, são exatamente os mesmos que estimulam os turistas e veranistas à fugirem de seus espaços.
Enfim, uma ilha é uma polis como outra qualquer com suas belezas e mazelas, algumas com mais mazelas que outras, a depender do grau de inconsequência de seu povo e consequentes políticos  ou como certas pessoas que por desespero diante do caos se reportam aos sonhos da fantasia, associando-se a loucos ou espertos políticos que como os diretores e roteiristas hollydianos fazem com que muitos outros acreditem que os sonhos podem ser realizados e que para vivencia-los basta neles  acreditar e votar.
O tempo vai passando, as cagadas e mijadas vão se sucedendo nas avenidas e ruelas sem o colorido do tecnicolor das telas cinematográficas e ao contrário dos turistas e veranistas, os nativos em sua maioria não podem ou não querem sair, restando-os tão somente, a cada quatro anos, recolher os fragmentos dos sonhos perdidos e novamente sonhar.
Itaparica não é uma ilha da fantasia, onde com o gogó de safado oportunista tudo pode ser resolvido como em um passe de mágica. Ela é como qualquer outra que se encontra destroçada seja pelos sonhos frustrados dos que apotaram e nunca mais voltaram, seja pelos nativos que ao sonharem, esqueceram-se de dela cuidar.
Itaparica tem gente de verdade, tem cocô no esgoto a céu aberto.
Itaparica tem gente, tem poucos recursos e muita ganância.
Itaparica tem sol, beleza e cheiro bom.
Itaparica, inspira sonhos, mas precisa da força da verdade de se encarar cada dificuldade e ir enfrentando-as com a realidade e com a força da determinação e palpáveis recursos, oriundos da busca e do respeito à toda e qualquer coisa pública.
Porque afinal, Itaparica ,não é um folder , nem filme e muito menos ficção.
Este é um desabafo de uma pessoa que ama esta cidade e sua gente e que se sente enfarada e triste por ouvir a cada instante, a mesma toada e de assistir ao mesmo filme de injustiças e promessas.
Itaparica gera isso sim, muitas possibilidades  para poucos que daqui sugam seus recursos para curtirem suas fantasias nas ilhas de suas ambições pessoais.
Valorizemos, portanto, cada feito realizado e cobremos com a lucidez  necessária, própria dos que sabem mensurar os graus de dificuldades, até mesmo de tempo hábil, tudo quanto cabe nos nossos sonhos de Ilha real, mas linda e que também pode se quisermos transformar em bela fantasia, primeiro para nós e depois para todo aquele que souber respeitá-la.
Bom dia e que esta sexta-feira seja abençoada para os que nasceram ou que escolheram viver  nesta terra cercada de agua por todos os lados e repleta de amor através dos aromas e dos saborese deste sempre sol ardente que acolhem a todos nós.






quinta-feira, 29 de maio de 2014

SEMPRE UMA INCÓGNITA


O tempo lá vai passando, as experiências vão se somando e a sensação que tenho é o de ainda pouco ou nada saber em relação às pessoas e suas formas peculiares de se apresentarem em contraponto ao que são na realidade.
Quando conheço alguém, não resisto à tentação em observá-la em seus maneirismos e, ao mesmo tempo, tento adivinhar como ela de verdade deve ser.
Parece horrível, não é?
Todavia, imploro perdão aos amigos e conhecidos, pois este impulso me é irresistível, além de ter colaborado para que eu desenvolvesse uma espécie de segurança pessoal, já que observando além do normal e fora de qualquer intromissão estética, pude aprender muito em relação à parte cognitiva e sua influência direta na negação do próprio eu de cada pessoa observada, o que, indiretamente, contribuiu para o exercício da minha própria aceitação.
Não posso precisar exatamente como e quando comecei a deixar de ouvir e enxergar apenas o aparente, acreditando que foi ainda na infância, lá na minha Guapimirim, junto a toda aquela natureza que me despia e, provavelmente, começou por mim mesmo, na medida em que passei a reparar em minhas mudanças comportamentais, adequando-as às ocasiões.
Certamente, também foi nesta época que fui desenvolvendo uma espécie de rejeição aos costumes sociais que me afrontavam e, se isto ocorria, era porque não me eram afins e, portanto, não eram legais, e se não eram legais, despertaram também em mim uma lógica em querer me proteger deles.
Claro que não havia tanta consciência, aliás, nenhuma, apenas uma intuição, um sentido mais aguçado que proveio provavelmente dos efeitos das purezas ambientais em meus sentidos, que passaram a ser muito sensíveis, principalmente o olfato e o tato.
Mas nem tudo são flores, porque a dualidade acabou por me confundir e eu quase enlouqueci.
Não havia um alguém capaz de me compreender, e eu, incapaz de compreender o não direito de ser eu mesma e ter que vestir comportamentos que iam além da boa educação e da possível ideal convivência com as demais pessoas.
A realidade é que, durante muito tempo, eu me sentia absolutamente fora de meu próprio contexto, e ainda hoje, em certos momentos me vejo fugindo de minhas essências e beirando os limites da camuflagem de mim mesma, e aí, entro em pânico, o coração dispara, todo o meu ser entra em ebulição numa visível rejeição ao não afim e imediatamente arranco sem piedade o véu da hipocrisia que não faz bem a ninguém, pois abre e mantém um espaço vazio que a ciência chama de ansiedade, prima irmã da frustração e anfitriã da depressão.
Dizem que somos incógnitas, indecifráveis, mas acho que apenas somos criaturas mal educadas em relação à convivência com a nossa própria natureza, frente a uma convivência com a vida e com o tudo que nela existe.
Por que se soubéssemos naturalmente reconhecer as nossas afinidades, certamente por antecipação, saberíamos evitar os nãos afins, evitando assim desgastes desnecessários e extremamente afrontosos à preservação de nossa autenticidade que por lógica seria a força motriz quanto à preservação de nossas essências, que permaneceriam absolutamente em equilíbrio com a nossa realidade existencial.
Ufa!!!! Não é fácil, não, e ainda querem que eu seja normal?

Poupem-me pelo amor de Deus!!!!

sábado, 24 de maio de 2014

COMPARANDO, por que não?


E por falar em rosas, sim, porque a natureza de meu jardim decidiu que neste outono, minha fonte de inspiração adviria justo delas, sempre lindas e selvagens, superando as forças do clima chuvoso, do pouco sol e até mesmo de minha negligência de nunca ter colocado um só adubo para dar uma forcinha.
Pois bem, seguindo por este caminho, nada tradicional, chego então ao quase absurdo de querer comparar minha Itaparica com o meu jardim, por achá-la muito próxima em aparência e poucos cuidados, pois, também nela,  eu posso encontrar surpreendentes rosas desabrochando a cada instante, como se através da beleza e da comoção que provocam ao surgirem, fossem gritos de socorro, mesclados a um colorido de esperanças para me dizer, e no caso de Itaparica, para nos dizer, que precisa de apoio, amor e dedicação, mas que, apesar de tudo, ela é forte e insiste em sobreviver.
Pois é... Olho lá fora e não tem jeito, sempre a rosa aparece primeiro, suplantando até mesmo o imenso pé de mangueira que, ao fundo de si, se mostra majestosa, igualzinho ao nosso mar que imponente adorna nossa geografia, mas não consegue camuflar o muito de nosso abandono aos detalhes que a compõe, deixando-nos enquanto pensantes, ora tristes, ora esperançosos de que num lampejo de não resistência, saiamos de nossas acomodações.
Inércia da mesmice em acreditarmos que por si só  tudo sobreviverá e que não nos cabe responsabilidade alguma, que não seja o de criticar, sem,  no entanto, sugerirmos nada, acrescentarmos nada, deixando ao acaso, ao tempo  e aos outros que nem mesmo sabemos identificar, um cuidado futuro, numa esperança sem critério.
Sustentabilidade, suster, prover física e moralmente, detalhes quase que pueris aos olhos e ouvidos dos incautos que se utilizam do caos e do abandono para promoverem a si próprios, seus interesses, suas causas, levantando bandeiras, sem ao menos serem capazes de enxergarem suas tão próximas rosas.
E no caso de Itaparica, enxergo rosas nos poucos, mas fantásticos jardineiros, que enfrentando as chuvas e a falta de sol das parcerias e no mínimo da boa vontade, se erguem e constroem no passo a passo de cada labuta diária, um semear produtivo que com certeza mais adiante despontará, tão gigantescamente vibrante e renovador quanto o mar que nos banha.
Esta é uma homenagem que presto ao Professor Raimundo Pereira, o nosso Raimundinho, preto, pobre e ainda por cima professor que dia a dia vem agigantando passo a passo a educação itaparicana, a despeito da estação que nem sempre lhe é favorável, a despeito da cegueira, muitas vezes induzida pelo partidarismo inconsequente e maldoso.

E tal como as rosas que brotam em meu quintal, não nos devemos nada, apenas, nos enxergamos.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Meu Paraíso


Quem lê meus escritos descritivos de meu jardim encantado, pode até pensar que se trata de um Versalhes em miniatura, afinal, cá pra nós, para mim ele o é em cada centímetro de sua apresentação, muito porque, ele existe em sua imensa variedade de espécies e belezas, graças à natureza e as benditas doações, então ele é especial, pois jamais algo nele precisou ser comprado, sim, às vezes, poucas é verdade, recebeu algo roubado que confesso, sem qualquer pudor, não sentir nenhum remorso.
Olhando neste instante para ele, com os olhos críticos que também consigo ter, enxergo sem poesias e na crueldade do real, que meu jardim encantado aos olhos dos exigentes, não passa de um molambo, coitado, precisando de mil reparos, precisando talvez de ser execrado para dar lugar aos gramados importados, aos seixos rolados e às espécies raras, cercando as arecas ou adornando vasos coloridos.
Ao contrário disso, meu Deus, tudo que vejo são gramas falhadas, lírios amarelos e matizados, mangueira frondosa e dominante, limoeiros perfumados, cajueiro envelhecido, mas tenaz e produtivo, e ainda tão jovem a doce amoreira, disputando o sol com o velho pé de seriguelas que, ano após ano, cobre o solo com seus frutos doces e coloridos.
Ah!...  Não posso me esquecer das acerolas, das pimentas e das frutas de conde, estas delícias que contrariando suas próprias necessidades, nos abastecem o ano inteiro, assim como são parte de um farto café da manhã a um vasto plantel de variados pássaros.
Meu jardim é pra lá de especial, produz rosas até no outono e jamais se importou de juntinho e misturado dividir espaço com os eventuais aipins e quiabos, cebolinhas e boldos e tudo o mais que a generosidade alheia o presenteia.
Meu jardim é encantado graças à sábia natureza que fez dele um tesouro natural e de  mim, tão somente uma singela poeta.

Que o brilho de vida plena que enxergo neste instante se reflita em você querida amiga ou amigo que pacientemente leu minhas alegrias, fazendo com que esta terça-feira, entre chuvas e sol, tenha como constância a paz.

domingo, 18 de maio de 2014

CORAGEM



Energia moral ante situações aflitivas ou difíceis, esta é a definição que o Dicionário  Aurélio oferece, mas que na prática de seu uso se apresenta muito mais como uma inconsequência de qualquer natureza, fundamentada em interesses puramente pessoais,  e que por se demonstrar corriqueiramente de forma caricata,  vai deixando de causar o impacto inicial e passa a se tornar mais um tipo comum a ser observado e em alguns momentos, passa a ser engraçado, passando o mérito da coragem inicial, a tão somente um estereótipo de algo que não mais merece qualquer maior consideração.
As grandes figuras humanas que se eternizaram em lutas em favor da vida e dos direitos a ela  em qualquer aspecto, jamais usaram como slogan pessoal o título de corajosos, mesmo aqueles que perderam suas vidas em prol das vidas alheias.
Não é possível lembrar uma só vez que personalidades mundialmente corajosas em suas atitudes e posturas, frente a muitas vezes o contrário de suas filosofias pessoais, se armaram da presunção  e do egocentrismo para afirmarem que foram ou são corajosos, nesta ou naquela situação e mesmo nós, diante de seus feitos, achamos que foram ou são qualquer grande adjetivo, mas raramente os consideramos corajosos, pois mesmo de forma sublimada, compreendemos em nossos conscientes que elas tão somente foram criaturas determinadas e fiéis aos seus ideais sempre em prol dos demais e que pagaram ou receberam os ônus e os bônus, previstos ou inesperados.
Penso que se auto intitular de corajoso é tão somente para os firulentos, incapazes de produzirem como os autênticos destemidos que desde sempre compreenderam que com espadas e lanças, podem até vencer esta ou aquela batalha, mas jamais vencem  qualquer  guerra em seu todo, pois para tal, torna-se necessário a compreensão de que as diferenças e os contrários, sempre estarão presentes e, portanto, tê-los caminhando ao lado é sempre mais lógico e produtivo.
Alguém pensa ou menciona que Irmã Dulce, Guandhi, Tereza de Calcutá e tantas figuras humanas que verdadeiramente mudaram realidades existenciais, foram corajosos?
Novos e velhos conceitos de moral e ética, não são formados e conservados com coragem, mas com a dignidade que se imprime a eles.
Pensemos nisto, antes de ficarmos aplaudindo os firulentos, pseudos corajosos que sempre de plantão, estão por todo o tempo combatendo isto ou aquilo, sem que verdadeiramente se concentrem na construção ou restauração de algo.
O corajoso, aplaude, incentiva e faz crescer. O corajoso, discorda e em seguida se alia e se doa, corrigindo distorções, pois o corajoso compreende que fora do processo, seja ele qual for, em nada poderá opinar e muito menos interferir.
E estar dentro do processo é acima de tudo se arriscar na produção de ideias, acompanhadas de atos, pois uma consolida a outra e ambas fazem de verdade toda e qualquer diferença.
Que  o nosso domingo seja de muita serenidade para que possamos enxergar os joios que infelizmente com suas "coragens inconsequentes", insistem em esconder as belezas dos trigais.
“ Não usemos bombas e nem armas para conquistar o mundo. Usemos o amor e a compaixão. A paz começa com um sorriso”
                            Madre Tereza de Calcutá

terça-feira, 13 de maio de 2014

De boas intenções, o inferno está cheio.

Desde que me filiei ao facebook, e isto já tem um bom tempo, venho tendo a experiência de vivenciar com amigos e parentes uma instantaneidade maravilhosa, assim como tenho tido  o prazer de conhecer pessoas incríveis com as quais divido meus instantes presentes e passados, além de com elas, poder sonhar ou planejar futuros.
Isto é sensacional...
Trocamos experiências, ideias e ideais, às vezes não concordamos, outras vezes nos solidarizamos, mas na grande maioria das vezes, nos apoiamos no que eu chamo de solidão existencial, velha patologia do ser humano, frente ao abismo que se forma em cada criatura, justo pela própria incompreensão, medo e insegurança em relação aos mistérios que envolvem a mortalidade da própria existência.
Nessas postagens aparentemente banais, nos expressamos por todo o tempo, alguns mais que outros, nos criticamos mutuamente e nos fazemos de réu e juiz por todo o tempo, culpando ou inocentando, num seguimento aparentemente lúdico de terapia on-line.
Particularmente tenho aprendido muitíssimo e trazido para minha bagagem pessoal um farnel de novos conceitos que, até a pouco tempo, foram condenados, mas que nos dias atuais são absolutamente aceitos e incorporados, mudando assim, todo um cenário de convivência com o qual eu, e certamente outros tantos, estávamos acostumados, induzindo-nos a uma adaptação no mínimo também instantânea, o que por vezes nos pega de surpresa, mesmo cientes de que tudo, afinal, tem mudado.
Penso então que preciso ficar atenta às minhas observações,  quando estas forem dirigidas mesmo a alguém que admiro e respeito, pois, afinal, jamais saberei se as mesmas serão  compreendidas, já que on-line, não é possível que observem meu tom de voz, meus olhares e muito menos minhas intenções.
Então, concluo que este grande feito da humanidade também tem a sua falha gritante, pois não faz transparecer uns aos outros a essência das palavras, a vibração das presenças, o sentir das intenções.
Intenções?
Quem, afinal, pensa nas intenções?
O que olhos não veem o coração não sente e o que não for dito, jamais será sabido, pelo menos para quem direcionamos nossas mais singelas intenções, já que o que verdadeiramente sempre importou, seja on-line ou não, são os efeitos dos confetes que são recebidos por um segundo ou por todo o tempo, pois nos fazem acreditar que somos eternos, pelo menos na instantaneidade de nossas postagens. Paro com estas minhas divagações matinais e olho através da janela e lá está ela, minha mais nova realidade:

“Uma esplêndida Rosa cor de Rosa, aparentemente solitária, esperando de minhas retinas, sua eternização”.

domingo, 11 de maio de 2014

GATA VELHA AINDA MIA...

  
 Acabo de ouvir esta expressão de uma xará, a famosa Regina Duarte, lançando o seu mais recente filme, e imediatamente acendeu uma luz dentro de mim, levando-me a pensar no quanto precisei miar forte em minha vida para sobreviver aos ataques de inúmeras naturezas.
Miei de dor, miei de alegria, miei de prazer, de espanto e frustração, miei para afastar perigos, miei por todo o tempo, mas na realidade, miei para me preservar e poder viver e, portanto, continuo miando para espanto de muita gente, porque, afinal, por ser uma gata velha, de um modo geral, as pessoas não esperam ouvir miados, quando muito, apenas de dor.
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Claro que apenas estou fazendo uma analogia, por que na verdade, não me permiti ser soterrada, alijada ou qualquer outra forma de travamento, porque privilegiei executar  todos os planos que me dediquei elaborar, sonhar, desejar, seja lá o nome que se queira dar, e por sentir medo, miava, e por me sentir insegura, miava, e por acreditar que merecia participar da luta e não apenas ser uma espectadora, miava.
Portanto, meus miados eram minhas armas de luta e, em cada uma delas, fui aprendendo tons e intensidades diferenciadas, o que de certa forma se constituiu em uma blindagem que foi me conferindo certo poder interior que ampliava, concomitantemente, o meu atrevimento frente ao exterior que em muitos momentos foi confuso e assustador.
Sobrevivente diante deste computador, escrevendo sobre meus miados, penso que sou de uma geração de mulheres que precisou miar muito e forte para se manter íntegra de atitudes e de ideais, pois cresci e me desenvolvi em meio ao turbilhão de renovações posturais dos anos 60 e 70, sem que houvesse, como não há agora, tempo para maior assimilação, restando-nos tão somente as bases familiares como referências que, por sua vez, também em sua maioria se encontrava perdida, tal qual novamente constato nos dias atuais, onde por todo o tempo surgem mais e mais novas informações, novos conceitos, tornando tudo muito confuso e levando-nos, então, a miar e a miar, num constante apelo de socorro existencial.
Concluo neste instante que até o fim miarei, e quando as forças  podarem os sons de minha garganta, estes, ainda assim, se expressarão através do meu olhar iluminado e da paz do meu sorriso.


domingo, 4 de maio de 2014

SORRIR É PRECISO...


Pois é, o dia amanheceu e por incrível que possa parecer, nem os pássaros, que normalmente são meus guias inspiradores, foram capazes de levar-me a pensar em escrever algo que não seja minha total lamentação em relação à raça humana.
Sim, é verdade, às vezes como hoje, no limiar de uma depressão existencial, chego a pensar que já vivi demais, enxerguei desmandos demais e que para mim, basta.
Olho o relógio e são apenas sete horas desta manhã acinzentada e penso, então, que este tempo triste, sem o brilho exuberante do sol de que tanto necessito, provavelmente esteja corroborando para que eu me sinta assim, digamos, sorumbática e desejosa de poder fechar os olhos e, finalmente, encontrar um mundo melhor ou outra vida onde as pessoas sejam mais autênticas e, naturalmente, humanas.
Na minha lida diária, convivo tanto com os descontroles emocionais que permaneço mais tempo buscando não me contaminar do que propriamente produzindo meus incalculáveis projetos que, por todo o tempo, pululam em minha mente, por que afinal, sei bem o quanto cada um de nós, seres absurdamente dispersivos, somos capazes de realizar.
São sofrimentos que se traduzem em uma infinidade de posturas que não se camuflam como gostariam e que, gente como eu, receptores natos, absorve e imediatamente precisa exercitar o expurgo, num bailado de filtragem que se confunde com os afazeres, não sem ir desafiando a boa saúde mental e, principalmente, o humor que vai se enfraquecendo e abrindo passagem a um enfado destruidor que deprime e faz sofrer, e eu não gosto de sofrer.
Cultivar qualquer tipo de sofrimento não é natural em qualquer circunstância, afinal, a natureza sábia criou a noite e o dia exatamente para que pudéssemos compreender que entre um e outro, existe o intervalo do repouso, tempo suficiente para o recomeço, para as transformações e principalmente para o entendimento que sorrir é preciso.
 Uma brisa gostosa veio até a mim, num toque explícito, pois esta é uma das formas de comunicação utilizada pela vida para que acordemos de nossa inércia, afinal, a depressão é a inércia da alma, a preguiça da mente, o cansaço emocional, para tão somente fazer-me olhar através da janela para enxergar um frágil raio de sol que insistente se mostra nos galhos da mangueira.
Para você que me lê um raio de sol de esperança, um pássaro inspirador e a certeza absoluta que sorrir é preciso, pois afasta a dor, faz sorrir a alma.


quinta-feira, 1 de maio de 2014

PENSANDO NO “MASSA”


Para cada amigo que dizemos adeus, nos sentimos mais solitários, por que, ao partir, deixam  momentos de convivência que só a memória  é capaz de recriar, nos induzindo ao recolhimento emocional para que no pátio existencial, possamos recriar lembranças, rebobinando os filmes bem estruturados na afinidade que nos unia.
Pensando no “Massa” que nos deixou nesta manhã, registro as saudades dos papos cabeça, dos risos moleques, das gentilezas trocadas, do prazer dos encontros, do lamento do adeus.

E ainda pensando no Massa, apalpo o meu corpo e me sinto viva, reforçando a certeza que, enfim, sorrir é preciso.
Ao querido amigo e Professor Fernando Massa