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Mostrando postagens de Maio, 2014

ILHA DA FANTASIA

Quando eu era garota e até mesmo quando vim a conhecer uma delas in loco, as minhas referências somavam-se, filmes, fotos e leituras romanceadas. Imaginava aportar e ser recebida por um grupo de nativos com suas roupas exóticas, sorrisos largos e cestas de frutos e flores, tudo especialmente para me darem boas – vindas. Logo depois, eu seria conduzida através de estradinhas , cercadas de uma linda e perfeita vegetação até um resort dos sonhos e lá, novamente teria mais uma surpreendente recepção com direito a drinques coloridos , praias lindas e exclusivas, sob um sol iluminado. Portanto,  um pedacinho de terra, cercado de aguas por todos os lados, antes de tudo, eram ilhas que faziam parte de um esterióptico ilusório, de um lúdico escapatório para realidades nem sempre agradáveis, onde faziam parte, coisas e afazeres pouco poéticos, como ter  que acordar cedo, trabalhar, enfrentando a cada instante, desafios cansativos e nada atrativos. Estes são cenas que diretores e roteiristas  dos es…

SEMPRE UMA INCÓGNITA

O tempo lá vai passando, as experiências vão se somando e a sensação que tenho é o de ainda pouco ou nada saber em relação às pessoas e suas formas peculiares de se apresentarem em contraponto ao que são na realidade. Quando conheço alguém, não resisto à tentação em observá-la em seus maneirismos e, ao mesmo tempo, tento adivinhar como ela de verdade deve ser. Parece horrível, não é? Todavia, imploro perdão aos amigos e conhecidos, pois este impulso me é irresistível, além de ter colaborado para que eu desenvolvesse uma espécie de segurança pessoal, já que observando além do normal e fora de qualquer intromissão estética, pude aprender muito em relação à parte cognitiva e sua influência direta na negação do próprio eu de cada pessoa observada, o que, indiretamente, contribuiu para o exercício da minha própria aceitação. Não posso precisar exatamente como e quando comecei a deixar de ouvir e enxergar apenas o aparente, acreditando que foi ainda na infância, lá na minha Guapimirim, junto a…

COMPARANDO, por que não?

E por falar em rosas, sim, porque a natureza de meu jardim decidiu que neste outono, minha fonte de inspiração adviria justo delas, sempre lindas e selvagens, superando as forças do clima chuvoso, do pouco sol e até mesmo de minha negligência de nunca ter colocado um só adubo para dar uma forcinha. Pois bem, seguindo por este caminho, nada tradicional, chego então ao quase absurdo de querer comparar minha Itaparica com o meu jardim, por achá-la muito próxima em aparência e poucos cuidados, pois, também nela,  eu posso encontrar surpreendentes rosas desabrochando a cada instante, como se através da beleza e da comoção que provocam ao surgirem, fossem gritos de socorro, mesclados a um colorido de esperanças para me dizer, e no caso de Itaparica, para nos dizer, que precisa de apoio, amor e dedicação, mas que, apesar de tudo, ela é forte e insiste em sobreviver. Pois é... Olho lá fora e não tem jeito, sempre a rosa aparece primeiro, suplantando até mesmo o imenso pé de mangueira que, ao f…

Meu Paraíso

Quem lê meus escritos descritivos de meu jardim encantado, pode até pensar que se trata de um Versalhes em miniatura, afinal, cá pra nós, para mim ele o é em cada centímetro de sua apresentação, muito porque, ele existe em sua imensa variedade de espécies e belezas, graças à natureza e as benditas doações, então ele é especial, pois jamais algo nele precisou ser comprado, sim, às vezes, poucas é verdade, recebeu algo roubado que confesso, sem qualquer pudor, não sentir nenhum remorso. Olhando neste instante para ele, com os olhos críticos que também consigo ter, enxergo sem poesias e na crueldade do real, que meu jardim encantado aos olhos dos exigentes, não passa de um molambo, coitado, precisando de mil reparos, precisando talvez de ser execrado para dar lugar aos gramados importados, aos seixos rolados e às espécies raras, cercando as arecas ou adornando vasos coloridos. Ao contrário disso, meu Deus, tudo que vejo são gramas falhadas, lírios amarelos e matizados, mangueira frondosa e…

CORAGEM

Energia moral ante situações aflitivas ou difíceis, esta é a definição que o Dicionário  Aurélio oferece, mas que na prática de seu uso se apresenta muito mais como uma inconsequência de qualquer natureza, fundamentada em interesses puramente pessoais,  e que por se demonstrar corriqueiramente de forma caricata,  vai deixando de causar o impacto inicial e passa a se tornar mais um tipo comum a ser observado e em alguns momentos, passa a ser engraçado, passando o mérito da coragem inicial, a tão somente um estereótipo de algo que não mais merece qualquer maior consideração.
As grandes figuras humanas que se eternizaram em lutas em favor da vida e dos direitos a ela  em qualquer aspecto, jamais usaram como slogan pessoal o título de corajosos, mesmo aqueles que perderam suas vidas em prol das vidas alheias.
Não é possível lembrar uma só vez que personalidades mundialmente corajosas em suas atitudes e posturas, frente a muitas vezes o contrário de suas filosofias pessoais, se armaram da …

De boas intenções, o inferno está cheio.

Desde que me filiei ao facebook, e isto já tem um bom tempo, venho tendo a experiência de vivenciar com amigos e parentes uma instantaneidade maravilhosa, assim como tenho tidoo prazer de conhecer pessoas incríveis com as quais divido meus instantes presentes e passados, além de com elas, poder sonhar ou planejar futuros. Isto é sensacional... Trocamos experiências, ideias e ideais, às vezes não concordamos, outras vezes nos solidarizamos, mas na grande maioria das vezes, nos apoiamos no que eu chamo de solidão existencial, velha patologia do ser humano, frente ao abismo que se forma em cada criatura, justo pela própria incompreensão, medo e insegurança em relação aos mistérios que envolvem a mortalidade da própria existência. Nessas postagens aparentemente banais, nos expressamos por todo o tempo, alguns mais que outros, nos criticamos mutuamente e nos fazemos de réu e juiz por todo o tempo, culpando ou inocentando, num seguimento aparentemente lúdico de terapia on-line. Particularment…

GATA VELHA AINDA MIA...

 Acabo de ouvir esta expressão de uma xará, a famosa Regina Duarte, lançando o seu mais recente filme, e imediatamente acendeu uma luz dentro de mim, levando-me a pensar no quanto precisei miar forte em minha vida para sobreviver aos ataques de inúmeras naturezas. Miei de dor, miei de alegria, miei de prazer, de espanto e frustração, miei para afastar perigos, miei por todo o tempo, mas na realidade, miei para me preservar e poder viver e, portanto, continuo miando para espanto de muita gente, porque, afinal, por ser uma gata velha, de um modo geral, as pessoas não esperam ouvir miados, quando muito, apenas de dor. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Claro que apenas estou fazendo uma analogia, por que na verdade, não me permiti ser soterrada, alijada ou qualquer outra forma de travamento, porque privilegiei executar  todos os planos que me dediquei elaborar, sonhar, desejar, seja lá o nome que se queira dar, e por sentir medo, miava, e por me sentir insegura, miava, e por acreditar…

SORRIR É PRECISO...

Pois é, o dia amanheceu e por incrível que possa parecer, nem os pássaros, que normalmente são meus guias inspiradores, foram capazes de levar-me a pensar em escrever algo que não seja minha total lamentação em relação à raça humana. Sim, é verdade, às vezes como hoje, no limiar de uma depressão existencial, chego a pensar que já vivi demais, enxerguei desmandos demais e que para mim, basta. Olho o relógio e são apenas sete horas desta manhã acinzentada e penso, então, que este tempo triste, sem o brilho exuberante do sol de que tanto necessito, provavelmente esteja corroborando para que eu me sinta assim, digamos, sorumbática e desejosa de poder fechar os olhos e, finalmente, encontrar um mundo melhor ou outra vida onde as pessoas sejam mais autênticas e, naturalmente, humanas. Na minha lida diária, convivo tanto com os descontroles emocionais que permaneço mais tempo buscando não me contaminar do que propriamente produzindo meus incalculáveis projetos que, por todo o tempo, pululam em …

PENSANDO NO “MASSA”

Para cada amigo que dizemos adeus, nos sentimos mais solitários, por que, ao partir, deixam  momentos de convivência que só a memória  é capaz de recriar, nos induzindo ao recolhimento emocional para que no pátio existencial, possamos recriar lembranças, rebobinando os filmes bem estruturados na afinidade que nos unia. Pensando no “Massa” que nos deixou nesta manhã, registro as saudades dos papos cabeça, dos risos moleques, das gentilezas trocadas, do prazer dos encontros, do lamento do adeus.
E ainda pensando no Massa, apalpo o meu corpo e me sinto viva, reforçando a certeza que, enfim, sorrir é preciso. Ao querido amigo e Professor Fernando Massa