sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

ROTINA SAUDÁVEL


 
Ouço passos, ora me parecem lentos, ora me parecem apressados, como se precisassem alcançar algo ou alguém, assim como em determinados momentos me parecem um arrastar de chinelos velhos calçados por pés cansados, possivelmente também velhos.

Aguço os ouvidos, volto a olhar para trás, e nesse aterrorizante instante, percebo que envelheci e que insisto em superar a lentidão que se chegou com o peso dos anos.

Sento-me então no banco de pedra do pátio sob a sombra do framboyam tendo diante de mim mais que o espetáculo do entardecer, mais que os laranjais que bordam as colinas, mais que as ovelhas que retornam agrupadas, vejo minha vida que resiste e não se esvai.

Os passos são lentos e se esforçam em uma agilidade de superação, pois a vida existe e pede passagem na rotina saudável do ser e do existir.

Mensagem recebida neste sábado às 18:30 do amigo energético Juan Emanuel Rodrigues Sanches.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Por que vou votar...


 
Estou aqui pensando que preciso me arrumar para ir ao centro votar para se eleger os membros do Conselho Tutelar. Nos dez anos que estou morando em Itaparica, esta será a primeira vez que participarei, e estou entusiasmada comigo mesma, justo porque estou com a consciência de estar fazendo a coisa certa, já que não estou satisfeita com o andamento deste setor, assim como de tantos outros que engrossam as atribuições públicas.

Penso que se não estou satisfeita, cabe-me buscar mudanças e que estas devem começar exatamente por mim, trocando a mesmice de só reclamar, pela ação direta da participação para que eu me sinta fortalecida para então buscar novas soluções.

E o primeiro passo, creio eu, é exatamente o de ir votar e, em seguida, ir conseguindo adeptos para que, juntos, possamos ir em busca de uma renovação que represente, antes de tudo, uma mudança de postura social que certamente nos encaminhará na direção de reais alterações nas políticas e nos políticos que nos governam, pois para se sentir forte suficiente para operar diferenças em prol do bem comum, torna-se necessário que a seu lado estejam outros não menos fortes, buscando os mesmos objetivos.

E sair da inércia, com certeza é o primeiro passo e dos seguintes destaco as conversas fiadas e sem conteúdo de qualquer nível que tão somente servem para preencher muitas vezes o vazio dos encontros sociais nos bares e esquinas do cotidiano, tão somente para camuflar a dolorosa certeza que mantemos em nossas mentes que é justo o despeito de não estarmos lá, no poder, levando também alguma vantagem deste bolo fofo e saboroso, chamado erário público.

Nossa, peguei pesado na revelação do que pensamos, mas disfarçamos com nomes variados, porque afinal, não é politicamente correto, a não ser que fossemos políticos, donde ser chamado de corrupto passou a ser chique, fazendo do elogiado um símbolo de inteligência, tipo alguém que conseguiu adentrar no patamar dos que estão acima do bem e do mal.

Gente... Isso é loucura de país sem recursos educacionais, sem princípios humanos de respeitabilidade social.

Somos maiores em quase tudo, principalmente na ignorância de nossas obrigações e, portanto, como esperar direitos, se sequer somos capaz de estabelecê-los na garantia da qualidade de nossas próprias vidas.

Por não desejar mais me sentir como uma unidade inútil em um país repleto de miséria e injustiças, darei daqui a pouco o primeiro passo de uma longa jornada, onde espero sinceramente no caminho poder associar-me a outros para que, no futuro, Itaparica deixe de ser um feudalismo cruel com vestimenta de protecionismo para se tornar o que verdadeiramente ela merece ser: uma cidade linda, rica  e com um povo que seguiu a tradição de seus antepassados, lutando incessantemente para que se mantenha livre, na plenitude de sua liberdade para que se reverta em benécias para o seu povo guerreiro que substituiu o facão e a garrucha pela bendita democracia de posturas e intenções.

Dirão alguns:

- Por que ir votar em um domingo como este, ensolarado, se não é obrigatório, se sequer em algum dia de minha vida, preocupei-me com este tal Conselho Tutelar?

Provavelmente, por que dentre tantas mazelas oriundas de nossa inércia e que nos assola indiretamente, esta seja a mais ofensiva, pois sem um mínimo de amparo social, cada um de nós, cidadãos metidos a entendidos e descolados, estejamos tirando a chance de uma vida menos miserável de crianças e adolescentes que amanhã estarão adentrando em nossas vidas, carregando consigo o asco e o desprezo por uma sociedade estúpida que sequer sabe cuidar de seus pequenos, abandonando-os ao caos do abuso e da indiferença destruidora, bem próprias dos inconsequentes sociais.

E aí, penso nas campanhas políticas, nos inúmeros partidos e seus afiliados, nos políticos e suas votações expressivas e na tão pouca noção do sentido de democracia que envolve todo este processo que, ao longo da história, foi escrevendo na mente de cada cidadão brasileiro, a instantaneidade e a quase nenhuma noção de cidadania que, afinal, além de existir deveria se manter acima da obrigatoriedade de se ir votar  à cada quatro anos.

Deveríamos ser educados a nos unir por propósitos sociais que amparassem os bens comuns e não a siglas e propósitos exclusivistas que, na realidade, protege beneficiando grupos e não o todo.

 

 

 

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

SOLIDÁRIA AOS SONHOS


 
Neste aparente trabalho solitário, encontro-me aqui e agora em uma das salas da Rádio Tupinambá, que chamo de minha, pensando exatamente no amor e na tenacidade de se buscar os sonhos e no quanto me pareço com os cães perdigueiros que ao farejarem a presa, enquanto não a localiza, dela não desiste.

Volto ao ano de 2006, quando parada na Praça do Mercado do Peixe, bem em frente ao prédio da Rádio, comecei a sonhar que  um dia ela seria um pouquinho minha. Imaginativa, como eu só, fui me vendo lá dentro, agindo e fazendo estripulias, mas todas  com o microfone na mão, como se fosse um troféu. Na realidade, eu não tinha qualquer noção do que viria a ser o trabalho de uma locutora, tudo apenas era uma atração fatal, que de um momento para o outro, adentou em minhas emoções atrevidamente, sem qualquer licença prévia de minha parte, tipo:

Amor ao primeiro olhar.

E que olhar...

Nunca mais, consegui passar pelo local imune ao frenesi do desejo, quase sexual de um dia, vir a possuir aquela belezura, que me fascinava.

E hoje, sete anos depois, cá estou eu, na posse total da realização de meu velho sonho, não como possessiva proprietária, mas como uma fiel serviçal, deste  outro mundo encantado, da comunicação.

Pensando e recordando isto e mais aquilo que sonhei e conquistei, constato o quanto feliz sou por não ter desistido de querer e de tentar, de esperar e de buscar, mesmo que encontrando no meio de cada caminho uma pedra, pois no meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho, precisei diversas vezes  como Carlos Drummond de Andrade, desviar da dura pedra, sempre presente no meio de cada caminho.

 

 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Entre a Cruz e a Espada


 
Fico entre a cruz e a espada quando sou obrigada pela força de meu trabalho, da lógica social e do meu caráter, a fazer denúncias em relação a algumas ações que são executadas pelas gestões públicas de qualquer tempo.

Quanto às de Itaparica, tudo é mais doloroso, já que tenho pela maioria das pessoas envolvidas e pela cidade que me acolheu, apreço, acrescido de uma profunda lealdade que procuro honrar com as minhas posturas diárias, restando-me, portanto, somente a conduta de apresentar os fatos, tal qual eles se apresentam, sem que haja a presença do emocional que, de uma forma ou de outra, fatalmente destruiria a realidade dos mesmos, assim como a credibilidade que fui construindo ao longo dos anos.

Ah! Como é difícil ser imparcial e pensando nisso, posso entender, mas confesso não compreender, a dificuldade que assola os políticos que, afinal, entre nós povo, seus interesses pessoais, seus parentes, amigos e etc. e tal, mantém vivo em suas decisões o inferno de Dante, fazendo-os se esquecer do objetivo maior de terem sido eleitos, que é tão somente pensar e agir em prol do bem comum.

Ah! O bem comum, expressão bonita ao ser dita nos discursos de palanques, nos panfletos, nos congressos e seminários, mas que se perde no cotidiano da prática executiva, legislativa e, infelizmente, na maioria do judiciário e que, como um vírus danoso, contamina a todos, inclusive a nós, se não estivermos devidamente imunizados contra a arrogância, a indiferença e lamentavelmente a falta de educação comunitária, que, como epidemia, se alastra, sem comunicação prévia.

Que coisa, hein...!

Sozinha com os meus pensamentos, lamento estar vivendo este estado de direito, onde os valores estão sendo substituídos pela dolorosa BANALIDADE, que se esgueira como uma serpente, fazendo gente como eu e você, precisarem questionar-se por todo o tempo, como estar por todo o tempo se sentindo entre a cruz e a espada, fosse natural.

Natural seria que agíssemos como um rio que corre no sentido exato do desaguar no mar, que seria o fim, o destino limpo do encontro do meu com o seu, formando fartura e riquezas maiores, no alimento bendito do bem comum.

Ao invés disto, corremos solitários entre caminhos desviados e chegamos finalmente ao mar,  fracos e desiludidos, independentemente do volume e da extensão de fartas ou minguantes águas, que tenhamos conseguido acumular.

Somos como águas divididas, simbolizadas pela cruz e a espada.

Que pena, não é mesmo?

Constatação dos fatos às vezes machuca e faz doer, mas esclarece e serve de bendito alerta para possíveis mudanças de posturas a favor de uma também bendita consciência coletiva que, por distração, hábito ou banalidade, insiste em nos escapar.

 

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

UM FLASH DO PASSADO


 
Olhando para uma foto postada no Face, pela minha velha amiga Lázara, imediatamente as lembranças afloraram, trazendo consigo  maravilhosas recordações de um sítio no qual residi por oito anos.

Na foto e na lembrança, lá está ela, linda com seu tom especial de lilás, quase chegando ao roxo, fazendo lembrar-me do rosa que me encanta em um cenário, que generosamente a natureza me ofertou sempre pontual, a cada primavera.

Era a bendita Piúva que se destacava dos IPÊS que, amarelos e soberbos, faziam dela estandarte em meio a toda a grandeza da Serra da Piedade, em Minas Gerais.

Lembrando, sorrio e choro, agradecida que sou por ter tido os meus olhos tamanho espanto pra ver.

Agradecida que sou por ainda me sentir viva e poder lembrar, as belas coisas que a vida generosa me ofertou e eu, nada rogada, recebi e as guardei.

Penso então, que as lembranças são como as orações, pois fazem com que os nossos sentimentos, quando adormecidos, despertem, trazendo consigo, um sorriso e uma lágrima de amor.

Benditos IPÊS e PIÚVAS, da minha Caeté, amada.

 

sábado, 5 de janeiro de 2013

POEMAS DA NATUREZA


 
O cipó-imbé gigantesco serpenteia o galho grosso da mangueira, abraçando-a como uma amante apaixonada, deslizando lentamente, percorrendo seu corpo, buscando a copa, como se esta fosse a boca carnuda, para um gozo maior.

Lindo, fantástico, espetáculo sem igual.

São poemas escritos no silêncio desta natureza bendita, versos que falam, através de movimentos que nos ensinam e que nos inspiram como mestres reais desta infinita escultura viva, que se atento estivermos, conseguimos lê-los, tornando-nos seres mais plenos, mais lúcidos e, com certeza, mais felizes.

De onde estou, observo-te querida, vejo-te integrar-se a este encanto e posso sentir-te como mais um belo verso, deste contexto sublime que é a vida.

Escrito em parceria com o amigo energético, Mário Silva Jardim.05/01/2013.

BORBOLETAS E SAMAMBAIAS


 
Hoje acordei com as poesias de Casimiro de Abreu na cabeça, especialmente aquela em que ele diz:

- Ah! Que saudades que eu tenho da aurora da minha vida, da minha infância querida, que os anos não trazem mais...

Olho através da janela para a mangueira do quintal e por segundos transporto minha mente para Guapimirim em um dia qualquer da minha também infância querida que o tempo jamais conseguiu apagar.

Lembro-me do riacho com suas pedras roladas e das samambaias gigantes que enfeitavam suas margens, lembro-me das piabas mordiscando minhas pernas, naqueles dias encantados que o tempo não apagou.

Vejo ainda, as borboletas, todas elas encantadas que, destemidas, se aventuravam por entre as folhagens e bailavam, oferecendo a mim magnífico espetáculo de força, leveza e liberdade que, mais que emocionada, permitiu-me bailar a mente, através de milhares de universos, onde os  sonhos e as fantasias mesclavam-se às paisagens em um cenário sem igual.

Bendita infância que os anos não trazem mais, a não ser nas doces lembranças, nas recordações queridas que me acompanharam vida à fora, como guias e como margens, orientando e contendo, meu rio caudaloso de emoções.

Ah! Que vontade que eu tenho de ver as crianças de hoje, curtindo com emoção, as borboletas douradas, voando, voando com elas, fantasiando o imaginário com os contornos das nuvens, bordando a mente com os frutos e com as folhas das samambaias e pincelando o futuro com as cores do arco íris.

Hoje sinto saudades da infância de outrora que não enxergo nos imaginários de nossas crianças de agora.

Que neste ensolarado sábado, as emoções da sua infância, aflorem em seu imaginário, trazendo ao seu tudo pessoal, o sol da vida e da liberdade.

 

 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

FOI PRECISO...


 
Precisei eliminar duas frondosas mangueiras do terreiro dos fundos de minha casa e isto já aconteceu há mais ou menos uns seis meses e ainda não me acostumei com o novo cenário e muito menos com a falta que me fazem, pois era exatamente aos pés de uma delas que, durante anos, conversei com Deus.

Foi preciso, absolutamente necessário, pois suas raízes, perigosamente, ameaçavam os alicerces de minha casa. Apesar desta necessidade urgente, durante muito tempo protelei a decisão de cortá-las, afinal, eram lindas, ricas de frutos e que sombras proporcionavam, meu Deus!

O tempo passou e eu ainda sinto falta e neste bailado entre o lógico e o emocional, penso nas prioridades que precisamos estabelecer a cada momento, e no como são difíceis e nos exaurem e sequer verdadeiramente nos atemos a elas, colocando em uma total desconsideração milhares de decisões que tomamos a cada dia de nossas vidas e que são determinantes quanto a qualidade de nossos instantes, determinando, inclusive, nossa saúde física e mental.

Mas quem pensa nisso?

Como pensar sobre as prioridades se já somos obrigados a nos concentrar em tomá-las?

O tempo urge e se ainda formos analisar nossas decisões, não teremos tempo de tomarmos outras, e aí, o bonde do tempo nos atropela e nada faremos.

Olho pela janela da sala e aprecio, achando esquisito o terreiro da frente da casa, onde prioritariamente deixei que podassem alguns galhos da mangueira de frutos perfumados. Vejo que o sol sempre abusado, agora se esbalda, não tendo seu caminho bloqueado pelos grossos galhos de outrora.

Penso então nos pássaros, nos micos e no tudo mais que buscavam sombra, alimento e refúgio e, mesmo não querendo, sinto uma ponta de remorso por ter sobre ela estabelecido prioridade, a meu ver, necessária.

 E aí, penso no quanto deve ser difícil para um gestor público sério e comprometido com o bem comum, estabelecer a prioridade em manter viva uma tradição festiva em detrimento da diminuição da compra de remédios, contratação de profissionais capacitados e etc. e tal, em favor do mesmo bem público.

Não deve ser fácil, quando sozinho em seu gabinete, como estou agora, o remorso lhe fizer uma visita.

Pense nisso, antes de estabelecer suas prioridades e não se esqueça delas, quando mais tarde, e pode ser bem mais tarde, você estabelecer no lógico de sua mente e na instabilidade de seu emocional que tudo, afinal, poderia ter sido muito diferente e até melhor se você tivesse se atido com mais cuidados às suas prioridades.

 

 

 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

DIFERENÇA...


 
Estou aqui pensando que o bom gosto, o apuro das preferências, a qualidade enfim das escolhas seja lá do que for, são as grandes diferenças entre os jovens da década de sessenta para os atuais.

Mas também penso que posso estar sendo, na realidade, apenas preconceituosa. Que esses jovens atuais apenas são o resultado dos novos tempos e que, para eles, este é o conceito de qualidade, da mesma forma que nos anos sessenta as músicas, as roupagens e os comportamentos eram estranhados, se bem, que é preciso não se esquecer da profusão de talentos que não deixaram nada a dever aos seus antecedentes em qualquer área que se possa lembrar.

Nossa, como é difícil traçar-se críticas, que não firam a lógica de cada tempo!

Pois é, pensando nisso, mudo de assunto, afinal, estou sendo influenciada pelo som que o meu vizinho insiste que eu ouça e que, além de tirar de mim o direito a paz de um merecido pós-festas, ainda me induz a crer que todos são como ele, ou seja, jovem de mau gosto.

Tento desviar minha atenção, dirigindo-a as lembranças do que fiz em meu trabalho no decorrer do dia e, novamente, sou atraída pelo mau gosto de lembrar o que uma funcionária me respondeu, quando apresentei um tópico musical que eu cria ser adequado para o horário das 20 às 22 horas. Disse-me ela:

-  Essas músicas  podem ser bonitas, mas os jovens não gostam. São muito antigas...

Eu falava de Chico, Gonzaguinha, Elis, Milton, Vinícius, Gil e etc. que ela reduziu a um passado remoto, como se no aqui e agora, não houvesse mais lugar para eles.

Por um segundo, reflito a respeito e vejo-a cometendo o mesmo erro avaliativo que eu na medida em que englobou os jovens dentro de uma redoma, onde não há lugar para nada mais que não seja o atual, e então, percebo assustada que ficamos ambas nos extremos avaliativos,  o que vem provar que estamos absolutamente equivocadas, pois permanecemos fechadas ao novo, independentemente de que época seja a sua origem.

Penso então no bendito equilíbrio que, por ser mais vivida e, portanto, com uma carga bem maior de experiências, deveria estar presente nas minhas avaliações, mas aí, penso também que a falta deste equilíbrio é tão somente um hábito enraizado que foi sendo construído, passo a passo, ao longo da vida, como uma forma de proteção aos costumes que vim trazendo como adequados às minhas preferências e necessidades e enquadrando-as como ideais e que o mesmo se repe nos hábitos desta minha funcionária, em um ciclo nada original, mas absolutamente compreensivo, por se tratar de um comportamento de defesa de valores, cada qual há seu tempo.

Penso, portanto, que ao me lerem neste instante, seja possível que encontrem alguma lógica em meus devaneios de criatura agoniada, diria até, muito sofrida por estar a horas tendo que escutar e escutar o mesmo batidão sem qualidade que mais que ferir meus ouvidos, fere-me a alma, as ideias e a minha capacidade de pensar algo que não seja a de imaginar-me capaz de drásticas atitudes em prol de minha sobrevivência emocional.

Penso nos anos sessenta e não consigo me lembrar de nenhum vizinho que fosse invasivo, desrespeitoso, ao ponto de adentrar nas casas alheias, sem pedir licença.

Será que enquanto penso em qualidade e bom gosto,deixo esquecida em minha mente, a educação?

 Não seria este, o fator básico que diferencia uma geração da outra?

Pois é... Que coisa, hein!

Em função das cruéis circunstâncias em que me encontro e percebendo a ausência de minha capacidade plena de raciocínio, deixo no ar esta questão.

Ajudem-me por favor!!!!!!!