sábado, 31 de dezembro de 2011

QUE VENHA 2012!...

E aí, hoje é o último dia do ano de 2011, estou feliz, afinal consegui vivê-lo com saúde, relativo sucesso pessoal, já que consegui uma vaga em uma Instituição Federal, imaginem!


Tenho um companheiro fantástico e uma família saudável. Juntos entre os trancos e barrancos sistêmicos que só por se estar vivendo já se é exposto, ainda assim, permanecemos muito distantes das desgraças, infortúnios e doenças, o que por si só nos transforma em criaturas privilegiadas.

Como já é tradição mantida pelas variadas mídias ao longo sei lá de quanto tempo, como quase todo mundo, faço minha retrospectiva, indo além do ano em si, estendo-me pela vida afora, buscando mãe, pai, amigos, parentes, cidades, trabalhos, estudos, moradias, alegrias, encontros e desencontros, lágrimas e os muitos sorrisos e gargalhadas que fui capaz de expressar, não economizando recordações e muito menos temendo tê-las, pois ao final de cada uma, cá estou eu ainda acordando pelas madrugadas, esperando ansiosa pelos pássaros, pois com eles chegam também um novo e fascinante amanhecer, no qual eu me reconheço viva.

E como um ser que sente a sua vida sem qualquer resquício de algum pernicioso medo, que sorrateiro possa estar espreitando, curto os meus dias a meu modo quieto de existir, privilegiando o óbvio que para a maioria sequer é notado justamente por estar ali, aqui e acolá, naquela espécie de certeza continuada que fiz sempre questão de cultuar. Afinal, sei lá se estarei por aqui amanhã ou mesmo daqui a pouco para apreciar este sol que agora, neste instante, borda suavemente as copas das folhas das mangueiras de meu quintal?

Pelo sim ou pelo não, retenho em minhas retinas tão belo espetáculo, no mínimo com a certeza absoluta que se eu estiver ainda por aqui, certamente este espetáculo terá sido único, pois no decorrer de tantas contemplações, que prefiro senti-las como celebração, jamais em tempo algum presenciei repetições. A natureza é criativa e surpreendente em seus óbvios rotineiros.

Pois bem, estou viva e se você me lê, também está, e juntos podemos, se quisermos, nos tornar eternos através de cada instante presente, fazendo do ato de sentir tão somente um dom capaz de nos transformar em criaturas menos amargas, invejosas, porque afinal existimos e, para quem existe, tudo é possível, principalmente transformar a si mesmo em um ser prá lá de especial em meio a uma multidão de cegos existenciais, que fazem das “coisas” meios pelos quais justificam a falta de tempo para serem genuinamente criaturas que ainda pensam, imaginam e criam.

Que o ano de 2012, que logo nos abraçará, consiga fazer de você aquele ser voltado à vontade voluntária de sentir-se no prazeroso gozo de apenas constatar a cada instante que está vivo, podendo chorar, mas também sorrir, podendo inclusive “peerdoar” a si e aos demais, e novamente constatando qaue não precisa de mais nada além do privilégio de continuar existindo.

Que venha com tudo, 2012!

Extremos...

Sou tão viciada em conversar comigo mesma que me habituei a escrever o que penso apenas para ter assunto por todo o tempo. Comigo mesma, é claro. Se não esqueço por que escrevi, relembro e, então, posso rever sentimentos e conceitos, às vezes expressando verbalmente minhas alegrias, tristezas ou raivas por tê-los habitando o meu ser.


Esta foi a forma que encontrei para não enlouquecer em meio ao turbilhão de emoções que sozinha, sem eu mesma, não só me sufocava, tirando o brilho de meus instantes presentes, como intui que me destruiria.

Bem... Na melhor das hipóteses me transformaria em alguém, digamos, frívolo emocionalmente, passando pela vida sem senti-la com tanta intensidade e buscando por todo o tempo, compensações, tipo recompensas pelos danos suportados.

Deduzi e confesso, até experimentei a solidão existencial, passando a me sentir lesada e, o que é pior, fora de qualquer contexto, fosse ele qual fosse, sem ter verdadeiramente maiores integrações comigo, que afinal, sou eu mesma.

Será que estou me fazendo entender?

O que digo é que percebi, logo bem cedo, em minhas experiências cotidianas, que as pessoas à minha volta faziam coisas, aliás, muitas coisas, sem que necessariamente estivessem compartilhando consigo mesmas.

Percebi também que lhes pareciam muito difícil ficar sem ter o que fazer, o que na minha cabecinha de criança, transformava-se em um carrossel colorido que não parava de girar por todo o tempo, corroendo a tinta que o fazia atrativo e danificando as ferragens pela falta de manutenção.

Naquela época, que já vai lá bem longe, esta agitação que enxerguei nas pessoas, fosse na escola, na praia, em família ou em qualquer outro lugar, causava-me uma espécie de ansiedade que foi crescendo e se transformando em uma espécie de medo. Afinal, eu não queria ser como aquelas pessoas que não tinham tempo para fazer, por exemplo, o que eu mais gostava, que era, tão somente, ficar quieta, olhando o aparente vazio que existe em qualquer lugar, até mesmo em um quarto fechado.

Digo aparente, porque este é o “óbvio inexistente” que as pessoas insistem em crer, pois não conseguem qualquer ligação, por mais simples que seja, com o universo movimentado de suas próprias emoções e que se devidamente observado se transforma, dando-nos a dimensão de suas reais proporções, na maioria das vezes totalmente antagônicas às realidades vivenciadas.

Exagerando para mais ou para menos, exatamente porque não estamos preparados para reconhecer de pronto o que nos convém ou não, passando imediatamente para o estágio seguinte de aceitação ou negação, sem que tenha havido respeito pela nossa própria essência, senhora que é do comando selecionador de nossas necessidades.

E aí, escrevendo, penso que vez por outra no decorrer de um só dia, milhares de infinitos instantes são destruídos ou construídos com uma moldagem que nos é falsa e oca, deixando-nos soltos em nossos interiores, batendo de um lado para o outro, como se fossemos barcos à deriva de um mar que na realidade, se bem observado, poderia nos proporcionar um navegar rico não só de harmonia, mas de enormes e gratificantes emoções, até porque, que na exatidão da analogia é viver, devemos dela reter tão somente o que nos proporciona qualquer tipo de gozo, dispensando sem culpas tudo quanto nos remeta a pensar que não está valendo à pena. Entretanto, na medida em que fui crescendo, percebi amedrontada que as pessoas com as quais eu me relacionava, sequer admitiam relacionamentos mais profundos com elas mesmas em posturas emocionais suicidas, permitindo que o acaso ou excesso de previsão futurista, que para mim mais pareciam grades, pautassem seus caminhares, limitando-as de forma cruel, pois o melhor e o pior de si mesmas, passava por elas sem que sequer se apercebessem, e aí... bem, esses sentimentos autênticos faziam nelas apenas pousadas, jamais um lar.

É isso aí! Busquei e encontrei este lar acolhedor que posso ser para mim mesma. Senhora geradora das emoções que me convém, pelo menos na maior parte do meu existir, sem qualquer preocupação em parecer o que não sou, oferecer o que não tenho e muito menos receber o que não me é afim.

Fácil?

Qual nada, o sistema é viciante, é um carrasco mutilador. É preciso vigilância que exerço com o velho hábito de conversar livremente, sem receios e não me toques. Com essas emoções ariscas, que todos temos dentro de nós para facilitar este projeto de intercâmbio cognitivo, indico que se dêem nomes diversos aos seus sentimentos, vestimenta e até origem, pois dessa forma enriquece-se o cenário, dando-se mais colorido ao espaço vazio da solidão interior que, afinal, é o inferno que eu e você tememos tanto, que até nele nos lançamos como loucos, como se a cada instante em que nada precisássemos fazer, tivéssemos que fazer, por medo de estarmos apenas com nós mesmos.

Meditações

Nesses meandros emocionais em que o racional é permanentemente lançado às trevas da incerteza, permaneço confusa, perdida, e com a sensação contínua de estar sem o chão seguro no qual preciso manter-me de pé.


Remeter-me-ia, se soubesse, às profundezas do mar azul de meu inconsciente, na expectativa de encontrar subsídios conciliadores entre as emoções desejadas e as conseguidas, talvez, então, em um balanço racional, pudesse extrair uma única verdade, um único caminho, onde todo o meu ser, então, se harmonizaria, através do encontro e conseqüente descanso tão necessário com a bendita paz.

Estado conciliador que se expressa nos poros, nos olhares e nas vibrações que contagiam, desarmam, aproximando ou distanciando as energias que plainam ao meu redor.

Se eu pudesse, se eu soubesse qual o caminho a seguir, perseguiria frenética os recôncavos de meu interior na busca teimosa dessa paz, até agora, tão somente utópica?

Talvez, não sei, afinal por todo o tempo coloquei a paz como algo a ser lido, ouvido, como faz exatamente todo mundo, sem, no entanto, verdadeiramente pensar a respeito de sua real existência, assim como tantas outras retóricas com as quais se convive no cotidiano distorcido de nossas vidas.

Perdi-me, como a maioria, nas conjecturas e falsas palavras, fazendo delas espadas pontiagudas e afiadas a ceifar instantes insubstituíveis e benditamente sagrados de vida plena. Permiti que o medo, a insegurança, as frustrações, os falsos conceitos, as falsas adesões ao emocional, desarticulassem toda uma conexão que, a princípio, sempre é perfeita, abusivamente exata, chegando a tal ponto de perfeição que se vê exposta à incredulidade de nós, míseros mortais, incapazes de reconhecermos como obra prima da universalidade.

Somos incapazes de mergulhar em nossas profundezas na busca do conhecimento de nós mesmos, onde certamente encontraríamos todas as respostas, todos os amparos, todas as margens que certamente guiam o caminho, sem que exista qualquer possibilidade de haver trilhas alternativas, cujos desvios são exatamente o distanciamento entre nós e a essência de nós mesmos.

Passei os últimos dias tentando recuperar o que jamais saiu de minha capacidade observatória, mas que por teimosia, medo e por tudo o mais capaz de ser produzido pelas distorções, ficaram como perdidas ou jamais assimiladas. Nada disso, e bem o sei, que tudo se encontra no mesmíssimo lugar, reservado tão somente a todo aquele que ao perceber que precisa buscar para encontrar, não se aliena e não se acovarda, seguindo em frente, saltando obstáculos, reconhecendo em cada dificuldade um,a bendita oportunidade em encontrar seus pares de vida e liberdade, luzes benditas que fazem de mim e de você seres completos, ricos e amorosamente abastecidos por este universo grandioso e sem fim.

Penso, então, que prefiro os pássaros, os cães e as amoras.

Prefiro o céu, a chuva e o sol ardente.

Prefiro o mar, os peixes e a primavera.

Prefiro gente, a vida e a eternidade. 

domingo, 25 de dezembro de 2011

PREMISSAS BÁSICAS...

           Partindo da premissa básica de que a primeira intenção que um professor deva ter em sua natureza de pessoa humana, seja justo uma tendência predominante de particular interesse por tudo quanto possa representar vida, crê-se, então, que existirão subsídios cognitivos suficientes para que haja uma real integração absorciva entre ele e o tudo mais, independentemente de haver qualquer formação, o que dará, assim, à criatura em questão, respaldos continuados, estímulos e conseqüentemente equilíbrio necessário para identificar, compreendendo, os graus diferenciados em termos não só intelectuais, como culturais e sistêmicos com os quais precisará conviver no cotidiano da sala de aula.


            Através dessa sensibilidade perceptiva, a criatura promoverá um intercâmbio no qual as unidades se adequarão à formação de conjunto, abraçando interesses nos quais poderão, em graus diferenciados, desenvolver a fração intelectual, assim como a construção lenta e gradativa do desenvolvimento de um corporativismo saudável e altamente produtivo.


            O sentido da pedagogia aplicativa dos tempos atuais, onde o clímax constante é a instantaneidade, exige uma dinâmica participativa onde o conjunto de unidades diferenciadas se concentrem em pontos, estimulando o senso comum, assim como corroborando para o despertamento da permanência em grupos, realçando a importância dessa interação que, afinal, é inerente à criatura humana, que ao longo de sua história mostrou-se por todo o tempo ser um ser curioso e criativo e, acima de tudo, um animal que privilegia a sua permanência em grupo.


            O professor deverá, portanto, possuir como primeiro predicado profissional o senso de responsabilidade agregativa.


            É claro que haverá os céticos que colocarão a prática educativa como mais uma ação guiada, acima de tudo, pelo conhecimento técnico, e talvez essa visão pragmática represente exatamente as causas pelas quais os relacionamentos professor x aluno, e ambos x escola tenham perdido o senso equilibratório, absolutamente necessário a quaisquer outros relacionamentos que as pessoas precisem manter ao longo de suas existências.


            Argumento, portanto, ser enganoso pensar que os efeitos da convivência escola x sala de aula x professor x colegas se restrinjam ao período de permanência na unidade a que se destina, da mesma forma em relação ao tudo o mais, pois nada se limita e tudo se completa, ficando, portanto, a formação de convívio social como base e pilar não só do delinear identificável de cada criatura humana, como determinante quanto à qualidade adaptativa enquanto unidade participativa de um grupo em especial ou de grupos generalizados de simples intercâmbio de convivência sistêmica.


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COPIANDO PLATÃO

             Em todos os dezembros, fecho o ano de séries de crônicas sociais, onde durante meses tive a bendita oportunidade de poder expressar meus pensamentos e entendimentos falando de compreensão, respeito, ética, cidadania, fraternidade e de tudo o mais que a meu ver não deveria faltar nos relacionamentos humanos.

            Aliás, penso neste instante que o grande mérito do jornalista é justamente estar atento para não desanimar frente à sua fundamental realidade em ser repetitivo, uma vez que tenho a convicção de que não pode e não deve desistir em descrever fatos, informar ou, como todo cronista, fazer o que faço, focar a vida realçando o cotidiano em suas grandezas e mazelas, sempre aparentemente muito iguais.

            Neste ano de 2011, mais uma vez deitei meus olhares de interesse e participação na área da educação, tentando mais uma vez compreender o porquê tanto abandono quando tanto poderia se realizar.

            Como sou abusada, dei palpites, desenvolvi alternativas e até delineei uma “escola ideal”, tal qual Platão em sua “polis”, afinal esta é minha forma de expressar liberdade, lamentavelmente sem os royalties para bancar, porque se o recebesse, mesmo que fosse à proporção de 30% do que as cidades atualmente recebem por esse Brasil afora, com certeza eu e todos os idealistas de plantão, certamente faríamos “milagres”, não só na educação, como na saúde, no saneamento básico e nesta persistente miséria possível de ser encontrada nos guetos de qualquer cidade, até mesmo aqui entre nós, nesses paraísos terrenos que são Itaparica e Vera Cruz.

            Quando escrevo dou pausa e fecho os olhos para enxergar “aquela” merenda de qualidade, aquele professor bem pago conforme o grau de sua competência, empenho e comprometimento, e até consigo dimensionar um amparo mais honesto e justo a todo ser humano que sorri, chora, ama e que deveria sentir-se existindo com dignidade, neste mundo onde “Deus” é tão venerado e “Jesus” tão plotado em carros, muros e panfletos. Entretanto, escrevendo ou não sou obrigada a estar com os olhos abertos enxergando sempre uma cruel realidade, que eu e você teimamos em denunciar com os nossos modos peculiares, na esperança de sermos ouvidos, entendidos, ou,no mínimo, que consigamos mesmo muito lentamente ir despertando consciências.

            Como meu “Deus” é a vida e o meu Jesus é cada ser humano, ou não, com os quais eu me relaciono, nem que seja através da interatividade vibracional, faço então, de meus escritos uma contínua oração, de minha caneta tão somente um veículo a transmitir minhas amorosas intenções.

            Neste instante presente, agradeço tudo o que recebi de bom, principalmente o carinho e o respeito oferecidos a mim na leitura de meus escritos e espero ter podido de alguma forma, ter contribuído com os meus sonhos e ideais nos recôncavos solitários de cada consciência daqueles que porventura tenham lido minha coluna a cada mês.

          Se apenas um deles, nem que tenha apagado de suas vidas o egoísmo, a prepotência, a arrogância e o preconceito, ah!.... Bendito Deus! Eu terei cumprido os meus propósitos de ser apenas uma cronista social, escrevinhadora do universo.

            Que este final de ano seja, antes de tudo, repleto de luz na vida de todos nós.

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domingo, 27 de novembro de 2011

BENDITA LOUCURA


A porta da sala está semiaberta e, então, posso ver o sabiá, sem qualquer cerimônia, comendo a ração dos cachorros e vez por outra levando um grão consigo. Ele vai e volta e me chama a atenção, pois arrasta com seu pousar desastrado a vasilha de ração. Tenho a impressão que ele me vê e de alguma forma não só se exibe, como também desafia-me por todo o tempo.

Olho pela janela e já não vejo, como nos dias anteriores, o vento farfalhando os coqueiros e fazendo os galhos da mangueira dançarem, apenas chove fininho e somente o pé de amoras, pelas suas hastes finas e longas, é que desenha linhas imaginárias no espaço, talvez, penso eu, no auge de meu egocentrismo, dizendo-me:

- Olá, Regina, estou carregadinha de frutas fresquinhas, venha, delicie-se.

Pois é... foi por esta e por outras que há uns 25 anos um certo vizinho, que já morreu, lá do Bairro Pampulha, em Belo Horizonte, onde vivi por muitos anos, ao ouvir-me conversando com as plantas, e até beijá-las, enquanto as aguava nos finais dos dias, comentou em alto e bom som com alguém de sua casa:

- Veja! Ela é maluca, fala sozinha.

Não pude deixar de ouvir, de rir e até concordei, afinal, enquanto a maioria, depois de um dia de trabalho, se postava diante da TV ou coisa parecida, lá estava eu conversando (para ele) com o nada.

Neste momento, interrompo este episódio para registrar o retorno do sabiá, que trouxe consigo mais dois companheiros, fazendo a maior arruaça. Adoro vê-los dividindo o farnel com os meus cachorrinhos.

Às vezes, creio que se observássemos com mais atenção os animais e as plantas, emsuas linguagens corporais, provavelmente seríamos pessoas menos complicadas e conviveríamos mais harmoniosamente com o diferente e até mesmo  com o contrário, porque teríamos a chance de descobrir no outro belezas e perfumes, ou apenas um aspecto interessante que poderíamos agregar às nossas experiências existenciais.

Mas somos, na maior parte do tempo, tolos preconceituosos, fechados em conceitos que em sua maioria sequer sabemos de onde vieram, por que os adotamos e muitomenos para que têm nos servido.

E aí, como o meu vizinho, a morte chega precoce em forma de um AVC.

Surpreendente?

Não sei... Tudo que sei, que mesmo maluca, estou hoje completando 62 anos, ainda conversando e beijando as plantas e os animais, e não dando a mínima bola quando dizem que sou doida.

Bendita loucura que me faz viver, amar e sonhar.

Bendita loucura que me permite ainda observar os sabiás e o farfalhar dos coqueiros.


Homenagem a Moisés Abrantes, amigo e parceiro de toda uma vida.



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RESGATANDO AFETIVIDADE...


Como uma cidadã muitíssima interessada na educação de nossas crianças, foi com imensa satisfação que neste mês de novembro pude, in loco, constatar em parte o nível de crianças e jovens em suas caminhadas educacionais. Entretanto, fui mais além, fosse como palestrante, fosse como observadora e ouvinte, fixando-me nos olhares, nos gestuais e, como sensitiva, nas vibrações.

Sem qualquer conotação de surpresa, reafirmei minhas próprias convicções em relação à falta de sustentabilidade emocional que deveria ser a base, âncora e escala de parâmetros que, afinal, definem o perfil de cada criatura humana, esteja ela em uma metrópole ou nos mais remotos locais, desde, é claro, que haja no mínimo a presença de uma cultura atuante, daí, a necessidade em preservá-las nas suas mais significativas expressabilidades.

Estive palestrando em uma Universidade Estadual para dicentes do curso de Letras e em uma Escola de Ensino Fundamental pública para alunos da 6ª e 7ª séries. Em ambos os locais, percebi uma tensão generalizada, uma quase total falta de espontaneidade e, ao mesmo tempo, pude observar nos olhos jovens que me fixavam uma profunda insegurança, que se manifestou de formas diversificadas, mas todas bem características e igualitárias quanto aos danos que certamente proporcionam.

Meditei no quanto a escola, colégio e a universidade deveriam ser celeiros de amparo justo para que crianças e jovens pudessem em seus interiores ter a oportunidade de exercitarem suas reais naturalidades, obtendo conhecimentos diversificados, aliados a uma fonte de conscientização ética da importância do seu direito, antes de tudo, de conhecer o seu potencial, suas limitações, para com esses entendimentos ir desenvolvendo o aprendizado do conviver com o diferente e o contrário, não só dos demais, mas acima de tudo de si mesmo, evitando, assim, que suas formações escolar e acadêmica se apresentassem capengas ou tímidas.

Tive a oportunidade de também constatar o quanto essas crianças e jovens estão carentes de atenção e afetividade, afinal, mais que português e matemática, precisam de olho no olho e de uma maior ligação emocional com seus professores. Essa carência que me pareceu absurdamente expressiva,constatei que na ponta da pirâmide de formação de alunos de semestres diversificados do curso de Letras, assim como já havia constatado na qualidade de aluna do curso de Filosofia de uma Universidade Federal, a falta do enfoque do compromisso emocional, que deveria existir na relação aluno e professor, para que o convívio e o rendimento fossem de melhor qualidade, principalmente em uma era onde as pessoas estão cada vez mais individualistas, envolvidas com as suas carreiras profissionais que lhes proporcionam maiores ganhos financeiros e que oferecem maiores possibilidades de mais e mais adentrarem na competitividade consumista, deixando o lado afetivo com os filhos, irmãos, pais, vizinhos e amigos cada vez mais superficial e instantâneo.
O resultado tem sido o aumento expressivo da indiferença, da banalidade, criando distanciamentos, e esses ingredientes bombásticos produzem a violência ao separatismo afetivo e a ansiedade, agente indutor da sensação devastadora do vazio que induz à infelicidade, que por sua vez apresenta-se sem qualquer possibilidade de ser camuflada se o observador estiver atento para reconhecer ou, o que ocorre na maioria das vezes, o que é o pior, na forma absurda e cruel em que as convivências se formam, se desenvolvem e se mantém, onde o brilho falso das aparências substitui a consistência e a solidão doída a liberdade de serem o que suas naturezas desejam, que, como fato constatado, raros conseguem obter.

A cada ano tem sido mais difícil para o professor manter seus alunos com o mínimo de atenção e postura em sala de aula, seja pelo já arcaico modelo pedagógico, seja pelos fatos acima citados.

O respeito hierárquico tão saudável e indutivo a consideração aos mais velhos, mais vividos e com um mais rico acervo de conhecimento, quase não se vê, vigorando tão somente uma falsa, mas ofensiva, liberdade em dizer-se ou fazer-se o que se deseja, matando, a cada segundo, todas as possibilidades de reais integrações.

O lema generalizado, com raras exceções, de ambos os lados, é: “deixa prá lá, afinal, não vou mudar mesmo nada”.

Pois é... uma realidade distorcida é difícil de ser alterada, mas muda-se, a história da humanidade está aí para quem se interessar.

Sempre houve homens e mulheres nos redutos de seus anonimatos que são autênticos maniveladores desta roda bendita que é a vida, gerando e gerindo posturas, emoções, alargando e distribuindo conhecimentos em um encontro contínuo com a consciência própria saudável de representarem os exemplos, que mesmo lentamente são propagados e, por consequência, seguidos, mantendo, assim, vivo ideias e ideais, que afinal motivam e integram o homem como mais um ser, cuja ciência de sua essência é absolutamente exata, bem como a máquina física que o abriga é perfeita.

Façamos, portanto, cada qual a sua parte, neste contexto de vida e liberdade, com a única e irredutível responsabilidade que é a de ser feliz.

Esta é a primeira e a única mensagem a ser exercitada por mestres e alunos em sala de aula ou fora dela, em uma tarefa contínua de prazer participativo.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PENSANDO ESCOLA II

Os aspectos fundamentais que justificam toda e qualquer alteração dos moldes atuais do sistema educacional, que inicialmente deve ocorrer a partir do ensino fundamental I, são e estão diretamente ligados à formação dos profissionais que estarão vinculados ao exercício, seja da presença em sala de aula, seja ligados às atividades psico-emocionais ou às de variações administrativas relativas as unidades ensino.
Cada unidade precisa ser compreendida como um núcleo, cujas células precisam estar operando como uma equipe em sintonia com o único propósito imunológico, em manter o corpo docente, dicente e administrativo em singular harmonia para que este saudável intento se reflita justamente no foco básico de todos os esforços em oferecer à criança um apoio sustentável ao seu desenvolvimento intelectual e humano, permitindo a ela um desabrochar à novas experiências absolutamente não só mais amplo no aspecto da absorção de conhecimentos diferenciados, mas amparado em um entendimento de bem comum construído à partir de uma visão pessoal de dentro para fora, favorecendo a sua conscientização quanto à responsabilidade de suas próprias posturas em relação à qualidade das reações que delas advirão, permitindo desta forma que ela se identifique e identifique os demais em um ciclo de contínuo aperfeiçoamento vivencial, onde a convivência é a chave solucionadora, propulsionadora, incentivadora, conciliadora do ter e do ser, material e emocional, o que concorrerá para que a criança expontâneamente observe selecionando, classificando e aplicando na prática vivencial o seu todo existencial mais facilmente identificável de acordo com as circunstâncias que se apresentem, mantendo por todo o tempo subjetivamente a prioridade de seu próprio bem estar, pois conscientemente estará ciente de que este estado físico-mental está ligado diretamente à sua própria postura.
Por se tratar da sistematização de um ocnceito no qual a criança volta a ser o centro de todo e qualquer outro interesse, torna-se absolutamente necessário que esta conscientização advenha de cima para baixo, promovendo uma mudança substancial na formação de professores, pedagogos e psicólogos  em primeiro lugar, formando um cordão solidamente unido, onde os caminhares se cruzem de forma eficaz, prático e prioritários entre si.
A desvinculação operacional destas três vertentes tem resultado em ações paralelas que não se cruzam na precisão necessária, ficando suas atuações timidamernte ligadas à um sistema com uma burocracia arcaica, fora do contexto contemporâneo, onde o imediatismo, a instantaneidade e princialmente a versatilidade são tônicas envolventes e determinantes a tudo quanto possa se focar, que no caso é prioritariamente promover o desabrochar intelegível de todo o potencial sensitivo que atuará no emocional como se fora um co-piloto do racional que, se adequadamente mantiverem-se unidos, terão maiores possibilidades em meio as constantes mutações conceituais de se postarem, assimilando a essência de cada ser vivente ou coisa com a qual tiverem que conviver em seus cotidianos existenciais.
Em parceria com Márcia Abreu.

PENSANDO ESCOLA

A busca de uma harmonia entre a escola e a família torna-se a alma de toda e qualquer açâo voltada a desenvolver pedagogias mais contemporâneas.Não é possível continuar-se a  manter os mesmos padrões de relacionamento, assim como a mesma sistemática didática e ainda crer-se em uma provável evolução agregativa de qualquer natureza.
A relação professor x aluno, após sucessivos desgastes, necessita urgentemente de modelos mais criativos, instantâneos e direcionados às práticas cotidianas, mantendo-se o foco prioritário de incentivo aos talentos individuais, direcionando-os a complementos didáticos  que sejam alternativos às suas individuais vocações.
A apresentação dissertiva de cada disciplina, precisaria  ser revista quanto a sua funcionabilidade futura, reservando-se em cada uma, tão somente os pontos básicos e relevantes, ficando toda a extensão da mesma evolutivamente adequada aos ensinos acadêmicos na medida das opções individuais, evitando-se, assim, o excesso de bagagem de conhecimentos que, dificilmente, são assimilados sem que haja  no futuro profissional da maioria aplicabilidade, além de provocar um estado de desinteresse pedagógico nas crianças envolvidadas.
A interatividade deve ser estimulada em sala de aula, inclusive como forma de avalição de aprendizado, evitando-se assim os tão comuns travamentos mentais que se desencadeiam pela tensão que provas e testes  podem provocar, oferecendo, desta forma, um mecanismo em que a criança, ou o adolescente, possa ao longo do curso recuperar médias ideais.
O uso de fontes de extensão de aprendizado, como as pesquisas dissertivas e seminários, levam  a maioria dos alunos a uma maior absorção compreensiva sobre o tema tratado, pois ao escrever de próprio punho, por mais abstraído que se encontre, fixará em sua mente um percentual de entendimentos que será suficiente para que vá se formando um bloco de conhecimentos gerais em seu consciente que  atenderá  em qualquer época os apelos de suas necessidades aplicativas.
Esta forma de aprendizado, leva também a um exercício subjetivo de relacionamente respeitoso em que exercitará em sala de aula o hábito saudável de escutar os demais, fazendo sua mente e sua postura física, expandirem-se a um convívio menos egocêntricamente imperativo ao mesmo tempo que o incentivará a partilhar seus conhecimentos e descobertas com os demais em um partilhamento que o manterá consciente quanto a necessidade em manter-se objetivamente conectado com o  interesse comum, através do despertamento de sua capacidade cooperativa, passando então ao entendimento supremo de que conhecimento é para ser compartilhado.
Esta forma simples de ensinar, busca extrair de cada aluno, especificamente, o seu potencial, evitando-se, assim, exposições e exigências desnecessárias.
Faz-se lembrar que, em hipótese alguma, uma criança pode adentrar no fundamental sem que esteja devidamente alfabetizada, sabendo ler e escrever, para que então com o básico letramento possa estar apta ao seguimento didático.
Outro aspecto a ser observado é o estímulo ao hábito da leitura, pois é sabido que através desta é que a crianças desenvolve maior capacidade assimilativa, ampliando a sua compreensão interpretativa, que estimula um maior, mais claro e pronto  entendimento seja lá do que for, além de fazer expandir-se sua capacidade criativa.



















BENDITA LOUCURA

A porta da sala está semiaberta e, então, posso ver o sabiá, sem qualquer cerimônia, comendo a ração dos cachorros e vez por outra levando um grão consigo. Ele vai e volta e me chama a atenção, pois arrasta com seu pousar desastrado a vasilha de ração. Tenho a impressão que ele me vê e de alguma forma não só se exibe, como também desafia-me por todo o tempo.

Olho pela janela e já não vejo, como nos dias anteriores, o vento farfalhando os coqueiros e fazendo os galhos da mangueira dançarem, apenas chove fininho e somente o pé de amoras, pelas suas hastes finas e longas, é que desenha linhas  imaginárias no espaço, talvez, penso eu, no auge de meu egocentrismo, dizendo-me:

- Olá, Regina, estou carregadinha de frutas fresquinhas, venha, delicie-se.

Pois é... foi por esta e por outras que há uns 25 anos um certo vizinho, que já morreu, lá do Bairro Pampulha, em Belo Horizonte, onde vivi por muitos anos, ao ouvir-me conversando com as plantas, e até beijá-las, enquanto as aguava nos finais dos dias, comentou em alto e bom som com alguém de sua casa:

- Veja! Ela é maluca, fala sozinha.

Não pude deixar de ouvir, de rir e até concordei, afinal, enquanto a maioria, depois de um dia de trabalho, se postava diante da TV ou coisa parecida, lá estava eu conversando (para ele) com o nada.

Neste momento, interrompo este episódio para registrar o retorno do sabiá, que trouxe consigo mais dois companheiros, fazendo a maior arruaça. Adoro vê-los dividindo o farnel com os meus cachorrinhos.

Às vezes, creio que se observássemos com mais atenção os animais e as plantas, em  suas linguagens corporais, provavelmente seríamos pessoas menos complicadas e conviveríamos mais harmoniosamente com o diferente e até mesmo  com o contrário, porque teríamos a chance de descobrir no outro belezas e perfumes, ou apenas um aspecto interessante que poderíamos agregar às nossas experiências existenciais.

Mas somos, na maior parte do tempo, tolos preconceituosos, fechados em conceitos que em sua maioria sequer sabemos de onde vieram, por que os adotamos e muito  menos para que têm nos servido.

E aí, como o meu vizinho, a morte chega precoce em forma de um AVC.

Surpreendente?

Não sei... Tudo que sei, que mesmo maluca, estou hoje completando 62 anos, ainda conversando e beijando as plantas e os animais, e não dando a mínima bola quando dizem que sou doida.

Bendita loucura que me faz viver, amar e sonhar.

Bendita loucura que me permite ainda observar os sabiás e o farfalhar dos coqueiros.

Homenagem a Moisés Abrantes, amigo e parceiro de toda uma vida.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Apenas, perdão...



Quando me atrevo a aparentemente invadir searas das quais não estou academicamente gabaritada, pontuando visíveis distorções, sugerindo alternativas e mostrando o quanto poderia ser diferente se houvesse por parte dos gestores e profissionais maior comprometimento cidadão, em hipótese alguma, tenho como objetivo cavar prejuízos à a ou b, assim como em momento algum arvoro-me da arrogância em sentir-me “dona da verdade” ou, o que é pior, uma “imbecil arrogante” que fala e critica o que desconhece.

Nestes mais de trinta anos de escritas, muitas foram as agressões que recebi por parte daqueles que se sentiram incomodados com as minhas observações.

Aliás, o que faço é exatamente expor as minhas observações, buscando o maior grau possível de veracidade realística, procurando vigiar por todo o tempo o meu emocional de mulher sensível e naturalmente amorosa, justo para não exacerbar minhas ponderações, correndo então o risco de fugir do cerne distorcido de cada situação.

Procuro agir com a percepção que foi sendo apurada ao longo de décadas na função de cronista do cotidiano, colocando o meu olhar de cidadã participativa que não se conforma com o mal feito continuado que se instituiu como norma de conduta, ferindo direitos e descaracterizando obrigações, e o que é pior, revestindo-se pessoas com o véu cruel da banalidade que corrobora na manutenção do pouco caso e na formatação de conceitos desumanos, como se o que nos trouxe convivendo até a poucos anos atrás, infelizmente nada tivesse “a haver” com coisa alguma.

Em algum momento, que não sei exatamente qual foi, as muralhas de valores éticos e morais foram sendo destruídas em velocidade assombrosa e em seus lugares foram sendo erguidas frágeis colunas de novos valores, deixando pessoas, como eu e tantas mais, absolutamente inseguras, pois são visíveis suas insustentabilidades.

Para todos os lados que se olhe, lá está o mal feito com aparência de contemporaneidade chique, sem estrutura sólida que o sustente, sem valores que lhe imprimam qualquer respeito.

Quando escrevo sobre a educação e a saúde brasileira, na realidade estou escrevendo sobre a vida, pensando nada mais valer, perante estes dois aspectos que dão ou tiram todo o fôlego da criatura humana.

E quando falo em fôlego falo de alma, de alegria, da disposição criativa que incentiva, energiza e faz dela um potencial ilimitado.

Sem educação e sem saúde, a criatura humana se marginaliza, ocupando espaços, sem que tenha qualquer utilidade, tornando-se apenas mais um item de algum índice estatístico que em sua maioria espelha, mas não corrige, orienta, mas não fiscaliza, tornando-se exatamente o que são, mapas determinantes de realidades esquecidas

Sem educação e saúde, não há dignidade que se sustente, não há país que se desenvolva, não há um povo que se orgulhe.

Sem educação e saúde, não há convivência que se harmonize, não há limites que sobrevivam, não há humano que se humanize.

Mas com certeza sem a educação e a saúde, haverá sempre aqueles poucos que se beneficiam, assim como aqueles muitos que quando muito sobrevivem, disputando em arenas, calçadas e becos fétidos, tal quais os tigres, raposas e os insalubres ratos.

Ao escrever doída estas minhas ponderações, reservo, no íntimo, esperanças em perspectivas futuras que alguém ou algo um dia apareça, trazendo na bagagem um pouco que seja “daqueles valores”, velhos e corroídos, e, quem sabe, com eles possam temperar os muitos novos, que a cada instante pipocam, criando, talvez, um mais novo conceito de vida e liberdade, pautado no resgate respeitoso de se crer na educação e na saúde como únicas instituições capazes de capacitar a criatura humana à viver e conviver, entre vitórias e perdas, de forma mais digna, honrada e meritória.

Perdão, então, porque ainda idealizo, acredito e espero.

Em parceria com:
Maria Lucrécia Barbosa de Assis.


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AÇÃO E REAÇÃO



Nota da autora. Edição em andamento – disponível em janeiro de 2012.

Têm sido tão rápidas as transformações pelas quais as sociedades vêm convivendo neste último século que sequer oferecem tempo hábil às criaturas humanas quanto às suas devidas assimilações, criando, desta forma, um mar de distorções que se acentuam neste ou naquele aspecto social, mas que se faz notar em todo o contexto onde precise viver e conviver, não só com ela mesma como com os demais.

Tratamos anteriormente à respeito das ações e reações, pontuamos este ou aquele conceito que foi alterado ou totalmente transformado, alguns infalivelmente soterrados, observamos suas prováveis causas e evidenciamos as explícitas .

Recordamos posturas antigas, observamos posturas atuais e teorizamos sobre posturas que se devam desenvolver com o intuito estimulante de acompanhamento evolutivo científico e tecnológico de aspecto menos agressivo, alienante ou banalizado, com o objetivo único de valorização da criatura humana no seu contexto de ser existente e prioritária a si mesma em uma busca de real e produtiva representatividade junto a toda uma existência terrena e cósmica.

Em estudos anteriores, buscamos realçar a necessidade do reconhecimento das vibrações de energias que as criaturas, sejam humanas ou não, emitem através de todo o manancial que reservam em si mesmas e que são determinantes quanto ao nível de complexidade que haverá  nas relações de convivência interpessoal e sistêmica.

Abordamos pontuais patologias que são originárias dos desvios comportamentais e que passam a gerar outras através de somatizações contumazes que são mantidas por um emocional em dicotomia com um contexto físico e neurológico absolutamente perfeito e capaz de se auto-sustentar e se auto-imunizar, assim como gerar emoções naturalistas na exatidão de uma consciência plena existencialista, onde certamente o sistema afetivo familiar, aliado a um sistema educacional estimulante potencializa a  criatura quanto ao reconhecimento e absorção  tão somente dos nutrientes que lhe é afim, evitando através de imediato reconhecimento com total clarividência, tudo quanto lhe indique inadequação, em uma sistemática tão natural quanto, por exemplo, o ato contínuo de inspirar e expirar.

Frente a uma realidade onde a família novamente altera suas formas de relacionamento interno e a escola ainda não colocou o pêndulo no centro equilibratório de como se relacionar, assim como aplicar as mesmas disciplinas de formas adequadas à velocidade e instantaneidade que são realidades indiscutíveis, fica restando, à nosso ver, a única alternativa em arregaçar-se as mangas em atitudes pioneiramente conscientes, buscando os meios de fazer da escola o núcleo agregador, esclarecedor e incentivador de tudo quanto já exisgty4e e certamente estará existindo em velocidade instantânea por todo o tempo, evitando, assim, maior dispersão da criatura consigo mesma, maior incompatibilidade dela com os demais, maior devastação do meio ambiente que a mantem.

Se a criança e o adolescente encontrar na escola um espaço de absoluta segurança, onde posse se sentir entendido em suas dúvidas, reconhecido nas suas potencialidades, descoberto na sua infinita capacidade criativa e devidamente amparado no seu direito em ser o que é e estimulado a não temer ir mais além neste conhecimento, tão somente com a finalidade em extrair de sua existência o máximo de prazer, certamente aprenderá como os demais animais a dispensar toda e qualquer vibração que não lhe seja afim, priorizando as suas reais necessidades, resguardando sua morada física, preservando o manancial energético de seus sentidos, geradores contínuos de suas emoções e determinantes de suas ações e reações pessoais, assim como indutores das ações que são frutos das reações dos demais.

Na escola, o jovem, seu mestre e os demais profissionais envolvidos no processo educativo, devem se sentir livres, protegidos e amparados, pois além dos portões da entrada e da saída, haverá um espaço de convivência harmoniosa por ser respeitosa, amorosa por não ser invasiva e verdadeiramente globalizada por ser agregativa.

Não haverá qualquer maior dificuldade de aplicabilidade deste método se As seleções iniciais forem feitas com o critério de somente admitir-se criaturas que estejam dispostas a um recomeço de aprendizado vivencial onde despir-se ao preço que for estipulado, seja sempre infinitamente pequeno se comparado ao bem estar que tais atitudes gerarão em si mesma, assim como também da extensão que produzirá nos núcleos que suas afinidades determinarem como ideais de atuação pessoal.

Utopia?
Provavelmente para muitos.
Idealismo?
Certamente para alguns.
Um caminho alternativo?
Indiscutivelmente a poucos.

Em parceria com:
Carlos Ramiro de Albuquerque.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Complexo de inferioridade


O complexo de inferioridade é uma emoção que se transforma em síndrome da rejeição à hierarquia ou SHR. Por motivos variados, mas tendo em comum tão somente ato ou atos recebidos como ação dominadora que foi rejeitada de forma brutal e determinante quanto às reações a qualquer indicio de comando, o que leva a criatura a lutar consigo mesma na busca incessante de perfeição em algum aspecto de sua vida cotidiana.

Geralmente, a criatura acometida por esta síndrome, assume uma postura dominadora, em contra ponto ao motivo detonador de sua patologia.

Torna-se uma criatura extremamente insegura, desconfiada, de fácil descontrole emocional, passível de grandes crueldades para com todo aquele que, por algum motivo, dispara em si rejeição.

Também são criaturas que conseguem, em sua maioria, passar a imagem de bons samaritanos, e estão sempre cercados por um grupo de poucos amigos, cuja sua sedução pessoal tenha conseguido atrair e, portanto, dominar.

São geralmente pessoas solitárias, de humor instável e sem qualquer sentimento de remorso, pois direcionam seus sentimentos à si mesmas em exacerbada manifestação de proteção pessoal, justificando seus atos aos demais, dizendo-se por todo o tempo vítima do opressor e mostrando, também, por todo o tempo o seu potencial, seja lá no que for.


São criaturas que se tornam insensíveis às dores alheias, mas camufladas o suficiente do contrário quando se percebe observada.



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Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?


Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.

Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.

Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.

E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.

Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, apenas e tão somente esperava-se dele, competência de conhecimentos, didática aplicativa e mediação eficiente, entre o lógico e o humano.

O professor deveria ser o primeiro modelo externo de ética, decência, postura física e emocional, porque o primeiro exemplo interno consistia fosse nas figuras do pai e da mãe, donde a criança se espelhava, ainda que mantendo a sua singularidade.

Naturalmente que existiam os contra dentre os prós, não só das intensões quanto das aplicações, afinal, o homem em seu estado contínuo de evolução, jamais primou pela própria preservação, optando continuamente pela restauração, o que lhe tem acarretado retrocessos gigantescos e no mínimo um desperdício incalculável, seja com o próprio tempo vivencial, seja na qualidade deste mesmo tempo e se não bastasse, mantendo um desgoverno assustador entre si e o seu meio ambiente, contribuindo de forma devastadora para a morte prematura e quase sempre desnecessária de parceiros universais visíveis ou não visíveis, alterando assim as circunstâncias que o rodeia e infalivelmente se deixando afetar da forma mais absurdamente alienante, crendo-se quase sempre muito poderoso, senhor de si, senhor de tudo.

A família e a escola estiveram presentes na história da humanidade de formas variadas e nem sempre concomitantemente, mas em relação ao tempo a que me refiro, que talvez tenha se estendido até por volta dos anos 70, talvez um pouco mais, havia duas pistas que se seguiam paralelas com um único objetivo que era o de mediar o caminhar da criança ao seu rumo existencial, que era traçado por ela própria e subsidiado pelos pais e mestres.

Em algum momento, houve uma ruptura nos seios familiares e que se estendeu às salas das escolas, atingindo em cheio cada mestre educador, que, de uma hora para outra, se viu precisando subsidiar, amparar e educar a disciplina da postura comportamental, da qual não fora devidamente preparado, afinal ele era um professor de física ou matemática, português ou inglês, ser, portanto, pai e mãe, ultrapassava os seus conhecimentos e atribuições.

Enquanto isto ocorria, sua figura, dantes respeitada, foi pouco a pouco se deteriorando, afinal, ele, o mestre, distribuía cada vez mais exemplos de fracasso através da sua impossibilidade em administrar tantas responsabilidades.

O caos, então, foi-se fazendo presente com o reforço de um acentuado descrédito à figura do mestre educador, que passou a ser tão somente um técnico mal pago e desconsiderado pelos governantes que se seguiram, por pais confusos e alienados, por profissionais colaterais cada vez mais desqualificados, pela violência comunitária em volume cada vez mais crescente, por alunos sem qualquer parâmetro de respeito e civilidade, e por ele mesmo absolutamente desmotivado.

Enquanto isto, os programas inclusivos pedagógicos foram pipocando e se perdendo em meio a uma confusão de valores e critérios, resultando no que se vê hoje de distorções na grossa e maioria das escolas brasileiras, tendo como resultado final, profissionais cada vez menos qualificados na aplicação de suas disciplinas e alunos cada vez mais ignorantes ao término de seus cursos.

Perdeu-se a essência dos valores cognitivos em relação a si próprio e consequentemente ao outro e a tudo que o cerca, devastando a cada geração o sentido de convivência que mantém o ser humano, interagindo para que se alimente o seu desenvolvimento físico e emocional, restando criaturas solitárias, tristes, violentas e, acima de tudo, alienadas em relação à sua própria existência.

A reversão desta quebra de objetivos agregativos só poderá acontecer se houver uma força tarefa, aglutinada por grupos de criaturas cujas noções de civilidade ainda se encontrem ativas e dispostas ao enfrentamento da tarefa de buscar, não retorno de posturas e intenções, pois não haveria lógica, mas a criatividade em despertar no individual a noção respeitosa do coletivo, buscando a humanidade que certamente reside no eu de cada mestre e aluno que certamente serão os pais das famílias do amanhã.

Portanto, voltando às lembranças positivas do passado, acompanhando a jornada até o momento presente e voltando os olhos para um breve futuro, não vejo necessidade de grandes estudos investigativos quanto ao que houve nesta caminhada docente, assim como a familiar, por ser absolutamente óbvio todo o abandono e seus efeitos cruciais que ambos foram expostos nos últimos 40 e poucos anos.


Defendo a introdução nos currículos das academias formadoras de mestres educadores a disciplina de vida e liberdade para que cada professor saia da universidade com uma base pedagógica naturalista para que possa imprimir em suas opções disciplinares a bendita convivência que possui como motivação maior, o respeito à vida e tudo quanto nela exista, identificando-se as diferenças, apenas e tão somente para compreendê-las em suas particulares grandezas existenciais; seguimento único que garante limites e transcendêncais.



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domingo, 30 de outubro de 2011

NADA SINTO

Por todo o dia de hoje, o assunto foi o câncer do Lula e aí, penso que, afinal, feliz dele que, a partir de amanhã, começará o tratamento e, é claro, será o melhor que o poder e o dinheiro puderem pagar.
Pois é... enquanto isso, quantos outros nordestinos, tão pobres quanto ele quando por São Paulo desembarcou, neste exato momento, também portadores de algum tipo de câncer, sequer conseguem marcar uma sessão de quimioterapia e sequer se dão conta pela simploriedade de suas existências miseráveis que foi justo o Lula que, por décadas a fio, jurou com microfones em punho, providenciar saúde de qualidade ao sofrido que nele passou a acreditar.
Ao invés disto, garantiu a esmola  que cala e consente, que sufoca e neutraliza.
Que coisa!...
Penso então no quanto como brasileira e cidadã descrente, nada sinto, além de um enorme tédio.



sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Mensagem


E como uma flecha afiada, corto os céus, atravesso as nuvens, me aproximo das estrelas, aqueço-me junto ao sol.

E como uma flecha afiada, desço do espaço, atinjo a terra, apenas para senti-la na diversidade energética, na complexidade amorosa, no apogeu de tão somente ser.

E como uma flecha, já não tão afiada, busco repouso junto ao mar; busco paixão junto às florestas, busco o amor, olhando pro céu.

Incoerência, pois como flecha afiada que vem justo de lá. Como flecha afiada, cortei os céus e vim por aqui pousar, buscando por um amor que certamente não encontrei por lá, nem cá e tão pouco acolá.

Como poeta sempre fui um fracasso, mas e daí?

Ainda assim faço meus arremedos e, dessa forma, também estremeço com minhas próprias emoções.

Melhor mesmo é não ser um disfarce, uma cópia ou uma página sem escritos. Então, mesmo sendo um fracasso, faço aqui e ali meus arremedos poéticos e, de alguma forma, crio formas com minha alma que, mesmo como uma flecha afiada, percorre o imaginário, o real, o tangível do meu sentir.

Em parceria com:
Carlos Frederico Siemanfield

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Espanto


Os sabiás, neste fim de tarde, estão abusadíssimos, com suas cantorias e voos agitados, balançando galhos, sacudindo folhas, emociono-me.

Será que cantam tão alegremente porque hoje não choveu e o sol, mesmo ainda tímido, permanece constante, permitindo que eles sequem as asas e saiam de seus ninhos?  Talvez...

O pé de amoras, carregadinho, serve de refeitório farto para os meus meninos e eu, daqui, debruçada à janela, ouço seus cantos e voo com eles, sem qualquer cerimônia, tal qual eles, que abusados, dominam meu jardim, meus ouvidos, minha alma.

Penso, então, que devo ter sido um pássaro, talvez até mesmo uma sabiá, arisca e arruaceira, que buscava doces amoras em jardins da vizinhança e, quem sabe, um outro alguém a quem também encantei, debruçava-se à janela e até emocionava-se, tal qual acontece agora com as lágrimas que escorrem deste meu ser apaixonado por pássaros, que cantam  causando-me um novo espanto.

Em parceria com:


R
uth Sorocaba Martins – Ipiúna


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Ou coisa que o valha!


imagem: topicos.estadao.com.br

Ontem à noite, diante da televisão, revi um dos maiores músicos e compositores contemporâneos chamado César Camargo Mariano.

Bem... de imediato não o reconheci, afinal, vinte, trinta anos se passaram, ele também sempre foi discreto, pouco aparecia na mídia e respeitou a passagem do tempo, ao contrário de outros com os quais nos acostumamos, inclusive com as suas constantes alterações fisionômicas, como os eternos meninos sertanejos e tantos outros de diferentes gêneros que se recusam a aceitar a velhice como suas realidades e arrancando de nós surpresas constantes em suas aparições, levando-nos, vez por outra, a lamentar não termos, também, coragem de retardar nem que seja um pouquinho esta senhora “passagem do tempo”, talvez porque vivamos a cruel realidade de que, afinal, não haja bisturi mágico que de verdade possa frear o tempo em sua caminhada.

Ah! Como gostaria de poder me iludir, tal qual faz a nossa Aninha Braga, cujo próprio tempo parou quando ela começou na Record, e olha que isto tem uma eternidade.

Pois é, penso então na incoerência que imprimimos nas nossas posturas ao recusarmos aceitar, como nossa, a senhora velhice, provando ao mundo, mas principalmente a nós mesmos, que “velho é a mãe”, pois como os jovens e às vezes, cá pra nós, melhor que eles, estamos nas corridas matinais, nas academias e maratonas, disputamos disposição em qualquer que seja o esporte, frequentamos a mesma night, bebemos, fumamos e coisitas mais, e na hora do namoro, até dispensamos os velhinhos, dando preferência aos gatos ou gatinhas e até com os custos adicionais. Voltamos para as universidades e ao mercado de trabalho, subimos nos palanques e nos tornamos presidentes, dirigimos empresas e até conglomerados de quaisquer naturezas, nos gabamos de possuir outra distinta senhora que é justo a “sabedoria” e nem nos preocupamos com o excesso de bagagem (experiência) que acumulamos vida afora, e se não bastasse, ainda resistimos à morte, prolongando nossas vidas, mantendo nossas mentes e físicos pra lá de saudáveis enquanto estarrecidos vemos os jovens morrerem sem dó e sem piedade.

Pois bem, a incoerência reside, pois apesar de sermos capazes de tudo e muito mais, brigamos na fila do banco, do açougue, do armazém para ganhar a preferência, afinal, somos idosos, respeito é bom e gostamos.

O que me leva a concluir que velhice, afinal, vale para alguma coisa que nos convém, pois nesses momentos corriqueiros do cotidiano, qualquer um faz questão de ser velho, não se importando com as aparências. 
Mas sempre, é claro, existem as exceções!

Estou certa ou estou errada?


Não que eu esteja velha ou coisa que o valha! Rsrsrs



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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Gotinhas do Céu


Estou aqui, aparentemente sozinha, ouvindo meus pássaros que se esbaldam no jardim enquanto, seja por hábito, ou por puro prazer, penso à respeito um pouco de tudo que me chamou a atenção nos últimos dias.
Bem... já escrevi sobre a movimentação política e pelo que me consta, hoje é a finalização quanto às opções partidárias, o que não necessariamente, manterá fidelidade em alguns caráteres, digamos, pra lá de duvidosos.

Como só sei, tratando-se de política, pensar e escrever sobre idéias e ideais, reconhecendo que, afinal, estas tendências fazem de mim uma “tremenda panaca” aos olhos e intenções dos, digamos, bam-bam-bans do assunto. E olha que são muitos os entendidos e suficientemente realistas, que geralmente desconsideram esta senhorinha simplória que, clama por uma educação mais decente, uma saúde mais humana e um social mais digno.

Qual verdadeiro político, se preocupa com isto, não é mesmo?

Afinal, o povo é que se exploda, claro, depois de votar.

Nós, o povo, somos uma cambada de chatos, tão insuportáveis que nem o Lula conseguiu permanecer como “fiel companheiro”, pois, rapidinho se bandeou para a ala dos “bem sucedidos”.

E ele está errado? Deixemos de hipocrisia... se der ao povo dinheiro e poder, logo fica igualzinho o vizinho das “elites”, Quem não gosta do luxo?

Olhem ao redor e digam se estou delirando.

Se deixar, fico até amanhã escrevendo sobre o que chamam de política, se bem que a meu ver, não passa de uma formação de quadrilha, sem no entanto, ser tão organizada, quanto o crime organizado. Ou será que eu é que estou por fora?

É, acho que estou mesmo por fora, afinal, tudo dá certo, tudo se cruza, todas as instituições estão ligadas sem que haja qualquer fio aparente.

O tal “bem político”, caiu em desuso, fala-se tão somente em articulações, os territórios, se invadidos pelos adversários, detonam disputas acirradas, faltando atualmente, apenas as metralhadoras, usadas no passado. 

Quem já não ouviu falar sobre a década de 30 e nos mafiosos como Al Capone, Luck Luciano, Tom 

Mazino e tantos outros que antecederam aos políticos atuais. Refinou-se as negociações e retaliações, mas as intenções, acreditem, são as mesmas.

Que coisa hein!?
Em tempos passados, pensei ingenuamente que, quando os coronéis morressem, seus filhos e netos optariam por condutas mais ortodoxas. Qual nada! A meninada ao contrário foi ficando mais refinada e, portanto, camuflada, o que a priori, induz aos enganos.

Pois bem... concordo que eu já não tenho ilusões, mas ainda resisto resguardando gotinhas de esperanças e é por isto que eu e tantos mais permanecemos com as bacias nas mãos, voltada pro céu. De repente, de lá caia chuviscos de vergonha, honradez e responsabilidade pública para que eu e os tantos mais, “babacas” contumazes, possamos ver aplicado na prática, e não apenas nos nossos sonhos cotidianos, transformando-os em milagres localizados, matando a fome da miséria, oferecendo uma chama de luz à ignorância, assim como um elixir que revigore à saúde. Coisas da

Dona Regina!!! Vai que um dia acontece?!?!?
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Motim Escolar


Quando se testemunha um motim de alunos, provocado por uma desavença de ordem administrativa entre seu Diretor de unidade escolar e o secretário da educação do município que vem se arrastando a meses, refletindo diretamente na qualidade dos serviços profissionais, assim como no estabelecimento de critérios de disciplina dos alunos, esperar-se mais o quê, além do lamentável episódio que culminou em tiros, quebra-quebra, destruição, desde as janelas externas até salas e Biblioteca, em uma ação de vandalismo e consequente desrespeito, não só à escola, mas à sociedade como um todo.

Nada, absolutamente nada, pode justificar as posturas que levaram os alunos a agirem desta forma, mas explica, uma vez que, em meio aos interesses sejam pessoais ou políticos, o que menos foi considerado foram justamente os alunos que demonstraram, ao vivo e a cores, o que absorveram de ensinamentos extra didáticos.

É preciso que se “acorde” rapidamente para este horror perante aos céus que é a violência, resultado do abandono social do qual as criaturas estão sendo mantidas, seja nos grandes centros urbanos e até mesmo em redutos tão pequenos, onde de uma forma ou de outra, as pessoas se conhecem e deveriam pelo menos respeitarem-se, assim como as suas instituições.

Quando comete-se o erro gritante de colocar no mesmo ambiente, crianças de 11, 12 anos, dividindo espaços com jovens de 17 a 21 anos, notoriamente já marginalizados pelo sistema, esperar-se o quê, além de um aliciamento constante e uma desordem sem precedentes.

Quando se mantém, seja lá por qual motivo, profissionais descontentes ou que não comungam com as regras estabelecidas que deveriam ser, antes de tudo, o de respeitar os direitos das crianças e dos adolescentes, sem, no entanto, confundir-se no dia a dia com parcimônia e excessiva tolerância, esperar mais o quê, além da violência explicitada, como retorno comportamental.

Penso, então, que melhor seria que ainda vivêssemos como vivem as tribos indígenas, porque afinal, em seus redutos, respeita-se as hierarquias, a sabedoria dos mais velhos, as riquezas naturais que os cercam, a preservação de suas culturas, assim como protege-se o próprio território, fazendo dele o seu bem maior, depois da própria vida.

E nós é que somos civilizados? E nós é que somos evoluídos?

Existirá civilidade e senso evolutivo onde o respeito, a dignidade e o bem comum não sobrevive em uma escolinha de cidade do interior onde todos são vizinhos e onde deveria residir a paz e a solidariedade?

Pensem nisso!


Juarez Machado – Professor de Matemática



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