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Mostrando postagens de Janeiro, 2010

FERAS SEM SAVANA

A cena era dantesca, o pátio atrás do mercado, transformado em tombadilho, sob os açoites dos impetos alcóolicos, abrigava a quase multidão não só de negros, como a noite que os cobria, como de muitos brancos que se destacavam em seus movimentos endoidecidos.
Que horror perante os ceus!!!
Aturdida, lembro da savana africana, onde os machos selvagens copulam com suas fêmeas expandindo seus instintos. Balanço a cabeça, buscando recuperar a realidade que por instantes me fugira e, novamente no aqui agora, me vejo tão somente na calçada do mercado, buscando um soprar de vento marinho para, quem sabe, recobrar a lucidez.
Olhei ao redor, buscando ajuda policial, que certamente havia, mas que eu não enxerguei pelo menos naqueles instantes e pensei então que tais eventos regados a tanto álcool deveria ter um esquema bem mais efetivo de vigilância organizadora, assim como muitos banheiros públicos, para que pintos e bundas não se espusessem tanto em meio à crianças…

TUDO QUE NÃO POSSO SER

Quando falo sobre o horror da banalidade que ora nos assola, sinto dor física, talvez para expressar toda a minha incompreensão em relação a esta postura social que, ao longo dos anos pós ditadura, foi invadindo sorrateiramente as pessoas, levando-as a crer que tudo é válido na defesa de seus interesses, jogando por terra todo e qualquer resquício de sei lá o que, afinal, já não sei bem como me expressar sem correr o risco de ser, no mínimo fora, de moda.

Aquelas posturas antigas de decência, honestidade, respeito, nos dias atuais foram colocadas em esferas totalmente discursivas e usadas como fina mão de verniz para fazer-se de conta que nada mudou, mas na realidade tudo mudou, e como papel solto ao sabor do vento, bailo neste espaço social, buscando pouso seguro por quase todo o tempo.

Como afirmei, chego a sentir dor frente a desfarçatez, assim como um medo terrível em me ver contaminada em meio a este surto cruel, que não poupa ao descuidado, seja ele quem for, tenha a idade que tiv…

Perda total

Ontem, inadvertidamente, apertei uma tecla errada e lá se foi um belo texto, prá onde eu não sei, mas que eu fiquei muito aborrecida comigo mesma, ah! eu fiquei, mas fazer o que, se esta maquininha infernal para mim é como um grande mistério, tal qual foi a álgebra em meus tempos de escola.No texto, eu relatava e, é claro, analizava sobre o prisma social, o conteúdo de uma reunião do Conselho Municipal de Segurança Pública em que participei, na manhã de ontem.Pois é, perdi, fazer o quê? Só me resta, tentar tudo outra vez, com a certeza absoluta de que nunca mais serei capaz de expressar-me como naqueles instantes, afinal tudo é unico e é nisto que precisamos nos ater em nossos relacionamentos, sejam pessoais, comerciais ou puramente sociais. Se bem que na realidade todo mundo sabe disto, todavia fica mais fácil deixar prá lá, afinal sempre achamos algo que nos parece mais prioritário e aí, bem, aí só nos apercebemos do valor do perdido quando já não dispomos dele, restando-nos apenas …

UM RESPIRAR CONSCIENTE

Como pensadora social, observadora constante das posturas, sejam físicas ou emocionais, ao longo de quase toda a totalidade de meus anos já vividos, acreditem, ainda me surpreendo com a surpreendente capacidade humana em diversificar-se na busca constante de adaptar-se a um sistema que, em sua maioria, se encontra absolutamente em dicotonia de suas reais e individuais necessidades pessoais, justificando a si mesma tamanha opressão ao fato notório da necessidade em conviver e sobreviver, sem se aperceber, de forma lúcida, que por quase todo o tempo não está vivendo, pelo menos no tocante a compreensão maior de a estar sorvendo mais conscientemente dentro de parâmetros mais harmoniosos e condizentes às suas aspirações de realização emocional, confundindo-se por todo o tempo, crendo que “coisas” conquistadas sejam por si só capazes de aliviar a profunda carência, que, aí sim, percebe existir em algum lugar de sí mesmo que o mantém, ora sismemático, ora frustrado, ora triste ou, no mínimo…

SILENCIO CORROMPIDO

Percebi há pouco, ao passar por um certo alguém, que fiquei sem graça. O mesmo aconteceu com outro alguém, dias atrás, e como tudo tenho que analisar para entender, cá estou eu, sismemando na questão, já que ponderei, nas duas ocasiões, para mim mesma em um papo absolutamente íntimo e pessoal, que a maioria esmagadora dos cidadãos desta cidade que creram, em dado momento, estar vivenciando através deles um ato de decência em favor da cidade e de seu povo, tombaram sobre si mesmos, como eu, em um espasmo doloroso de decepção.
E aí, fazer o que, se quem pode fazer algo se cala, se retrai, fazendo crer aos demais, através de uma aparente naturalidade, que tudo está na mais perfeita ordem.
Penso, então, que não importa o quanto possamos amar esta cidade, ainda assim seremos considerados sempre "GENTE DE FORA ", metendo o nariz aonde não fomos chamados. E seguindo a linha deste pensamento, lembro da freira assassinada no norte do país, que ousou defender direitos que todos gosta…

Cãozinho fiel

Marcelo Nilo finalmente apareceu para prestigiar o Prefeito Vicente Gonçalves no Sete de Janeiro, em Itaparica, assim como o prestigiou não comparecendo para depor como testemunha quando do processo de afastamento do mesmo. Isto é que é fidelidade a um aliado político, o resto fica por conta dos abestalhados, assim como eu, que criam naquela ocasião de que aquele processo era coisa séria.
Sério mesmo é o preço da ração dos cãezinhos lá de casa, que por coeincidencia também são extremamente fiéis. Bem..., eu os mantenho muito bem alimentados, afinal nem mesmo a mais fiel das devoções se sustenta de barriga vazia.
Não é verdade?
A pergunta que fica é a seguinte:
- Quem alimenta quem neste processo tão peculiar de lealdade, que, por incrível, não é canina ?
Bem... de repente é tudo por amor a Itaparica.
Que bom, não é mesmo?!
Confesso que de verdade estou morrendo de inveja, afinal lá no fundo eu sonhava em ser secretária da saúde ou da infra -estrutura. Fazer o que? Quem sabe mais adiante, qu…

CANSAÇO

imagem: pensadora2.blogs.sapo.pt Fazem alguns dias que não escrevo, creio que o cansaço afetou de alguma forma minha disposição criativa, afinal não tem sido fácil a minha maratona de trabalho neste início de janeiro, se bem que a responsabilidade por esta quase exaustão eu atribuo ao fato indiscutível de minha idade, que se faz sempre presente, totalmente indiferente ao meu desejo em suplantá-la. Todavia, somos teimosas e permanecemos em constante queda de braço, uma desconsiderando a força da outra, e nesta permanente batalha, coexiste o cansaço, que necessitando de atenção, repousa exatamente em minha inspiração, e aí, bem torno-me inerte, com preguiça de até ligar o notbook. Pode uma coisa dessas?Pois é… pensando nisto, faço um tremendo esforço e me coloco a buscar a bendita inspiração, lembrando de algumas pessoas maravilhosas com as quais convivo e que não podem ser esquecidas em suas constantes atitudes de respeito aos demais. Uma delas é o querido amigo François, com o qual l…

IMAGENS PESSOAIS

Ontem, no final da tarde, ao chegar em casa, ainda na varanda, abraçei o meu marido como se quizesse estreitar em meus braços toda uma vida que com ele vivenciei. E foi neste instante bendito que desfilou em minha mente a imagem de dois lindos jovens, também abraçados, distribuindo à vida sorrisos que ao despertar do encantamento, reconheci sermos nós mesmos, 42 anos depois, reproduzindo a mesma cena com a mesma paixão. Dos olhos brilhantes, deixei rolarem gotas de lágrimas pela pura emoção de me sentir amparada, e aí, penso, que por toda a minha vida, jamais senti por um minuto sequer a presença fria da solidão, mesmo nos raros, mas existentes momentos em que me vi sozinha, aparentemente solta à revelia. No entanto, em meio a toda esta envolvente emoção, como um tsunami, a presença da morte se fez presente, não como um espectro nebuloso e apavorante, mas como um mar de ondas espumosas, marolando em volta de minha mente, fazendo-me acordar para a realidade do espaço de tempo que nos…

OPRESSÃO CULTURAL

Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e expli…

APENAS UM SONHO E NADA MAIS

A polivalência emocional, que nos garante um vasto campo a ser explorado, é apenas um ítem deste nosso ilimitado campo de potencialidades. Talvez, creio eu, que a capacidade em sonhar com os olhos bem abertos seja a mais rica e volumosa das nossas capacidades criativas, levando-me particularmente a mundos imaginários e a situações absolutamente singulares, abrindo, portanto, leques sempre coloridos que fazem, de alguma forma, o cotidiano não me parecer assim, em dados momentos, um pouco massante, repetitivo e, por que não, monótono.

Fico me perguntando se de verdade precisamos dos sonhos, se não seria mais lógico e sensato ater-nos tão somente à crua realidade, buscando o colorido dos sonhos, justo no aqui agora, no pega pra capar de cada momento.

Entretanto, será esta uma ação possível?

Há quem diga que sim, se aliar-se a esta, digamos experiência, o apoio de alguma seita ou religião, para dela fazer ponte de ligação entre o real e o supostamente ideal. Creio, no entanto, que agindo ass…

LIMPANDO O ARMÁRIO

A cada dia, vamos acrescentando em nossos cotidianos mais e mais conteúdos, que, em sua gigantesca maioria, não deveriam ser armazenados junto às nossas emoções. Entretando, o fazemos continuamente, justo porque não nos atemos a prioridade maior de cuidar com zelo do nosso maior patrimônio, que é permanecer limpos emocionalmente para podermos sentir a nossa grandeza existencial.Somos tão atarantados que só conseguimos nos sentir vivos quando percebemos a proximidade com a morte, e aí, quase enlouquecemos, porque percebemos em um só momento que o tudo já vivido não poderá ser alterado em favor do momento presente. Passamos, então, como ávidos buscadores a ir de encontro a mudanças de posturas que a cada instante nos conscientiza do quanto fomos tolos e pouco atenciosos conosco.Desde muito cedo, somos condicionados às emoções instantâneas, tipo: mensagens adocicadas, poemas amorosos, tragédias com o alheio, frases e músicas com efeito envolventemente românticas e etc. e tal, o que na…

PETISCO GOSTOSO

Ah!… pensam que não sei cozinhar?Pois acreditem, entre uma tarefa e outra, estou sempre ligada em aprender junto aos programas da Tv a Cabo novas receitas saborosas. E ontem, eu aprendi a fazer uma bem fácil e barata, que todos adoraram. Vamos a ela: INGREDIENTES01 pão de forma cortado em tirinhas de um centímetro02 ovos batidos e temperado com sal a gosto e pimenta01 pacote de queijo ralado ou mais se necessitar, misturado com um pouco de orégano. MODO DE FAZERPasse rapidamente as tirinas nos ovos e no queijo e coloque em uma forma untada com óleo.OBSERVAÇÃOLeve a assar em forno pré-aquecido médio, até que dourem.Ficam crocantes e tanto servem para o lanche da família, como para acompanhar aquela cervejinha estupidamente gelada.