domingo, 31 de janeiro de 2010

FERAS SEM SAVANA

A cena era dantesca, o pátio atrás do mercado, transformado em tombadilho, sob os açoites dos impetos alcóolicos, abrigava a quase multidão não só de negros, como a noite que os cobria, como de muitos brancos que se destacavam em seus movimentos endoidecidos.
Que horror perante os ceus!!!
Aturdida, lembro da savana africana, onde os machos selvagens copulam com suas fêmeas expandindo seus instintos. Balanço a cabeça, buscando recuperar a realidade que por instantes me fugira e, novamente no aqui agora, me vejo tão somente na calçada do mercado, buscando um soprar de vento marinho para, quem sabe, recobrar a lucidez.
Olhei ao redor, buscando ajuda policial, que certamente havia, mas que eu não enxerguei pelo menos naqueles instantes e pensei então que tais eventos regados a tanto álcool deveria ter um esquema bem mais efetivo de vigilância organizadora, assim como muitos banheiros públicos, para que pintos e bundas não se espusessem tanto em meio à crianças e adultos que buscam na festa tão somente sadio entretenimento.
Questiono o porquê das pessoas estarem assim tão embrutecidas se frequentam escolas, assistem a filmes e Tv, usam a internete e estão muito próximas de uma capital. Por que agem como se fossem feras perdidas no asfalto de suas cidades ,ora copulando à céu aberto, ora brigando em forte marcação de espaço, ora por nada, pelo menos à vista das vistas de outro tipo de pessoa que, como eu, aturdida se sente, frente ao imponderável que se apresenta.
A tradicional lavagem do Beco de 30 de janeiro em Itaparica, mais me pareceu o soltar de amarras de muitas feras ensandecidas, tão logo o sol baixou e a noite se fez presente.
Que pena, não é mesmo?
Penso, então, nos efeitos da cachaça, que libera os homens nas suas mais grosseiras expressabilidades, transformando-os em feras sem savana.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

TUDO QUE NÃO POSSO SER

Quando falo sobre o horror da banalidade que ora nos assola, sinto dor física, talvez para expressar toda a minha incompreensão em relação a esta postura social que, ao longo dos anos pós ditadura, foi invadindo sorrateiramente as pessoas, levando-as a crer que tudo é válido na defesa de seus interesses, jogando por terra todo e qualquer resquício de sei lá o que, afinal, já não sei bem como me expressar sem correr o risco de ser, no mínimo fora, de moda.

Aquelas posturas antigas de decência, honestidade, respeito, nos dias atuais foram colocadas em esferas totalmente discursivas e usadas como fina mão de verniz para fazer-se de conta que nada mudou, mas na realidade tudo mudou, e como papel solto ao sabor do vento, bailo neste espaço social, buscando pouso seguro por quase todo o tempo.

Como afirmei, chego a sentir dor frente a desfarçatez, assim como um medo terrível em me ver contaminada em meio a este surto cruel, que não poupa ao descuidado, seja ele quem for, tenha a idade que tiver, seja doutor ou um simples peão.

Nesta manhã, experimentei o risco do contágio e, felizmente, saí ilesa, mais do que isto, ganhei um pouco mais de serenidade ao constatar mais um horror desta convivência adoecida.

Penso, então, no quanto sou privilegiada por ter recebido parâmetros de vida e liberdade, que de tão fortes e, portanto, resistentes, suportam as pressões, os medos e as incompreensões, me fazem se não compreender, pelo menos enxergar tudo quanto não me permitirei ser.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Perda total

Ontem, inadvertidamente, apertei uma tecla errada e lá se foi um belo texto, prá onde eu não sei, mas que eu fiquei muito aborrecida comigo mesma, ah! eu fiquei, mas fazer o que, se esta maquininha infernal para mim é como um grande mistério, tal qual foi a álgebra em meus tempos de escola.

No texto, eu relatava e, é claro, analizava sobre o prisma social, o conteúdo de uma reunião do Conselho Municipal de Segurança Pública em que participei, na manhã de ontem.

Pois é, perdi, fazer o quê? Só me resta, tentar tudo outra vez, com a certeza absoluta de que nunca mais serei capaz de expressar-me como naqueles instantes, afinal tudo é unico e é nisto que precisamos nos ater em nossos relacionamentos, sejam pessoais, comerciais ou puramente sociais.

Se bem que na realidade todo mundo sabe disto, todavia fica mais fácil deixar prá lá, afinal sempre achamos algo que nos parece mais prioritário e aí, bem, aí só nos apercebemos do valor do perdido quando já não dispomos dele, restando-nos apenas um respirar profundo e a mentalização confortadora de um velho refrão cultural que afirma, sem qualquer lógica, de que a “vida é assim”.

Assim como?

Por acaso ela tem vida própria, independentemente de qualquer ação oriunda de nós mesmos? Ah!… como somos espertos em se tratando de fugir de nossas responsabilidades inerentes às ações nas quais perdemos o controle.

E por falar nisto, há muito perdemos o controle da violência em nossa Ilha de Itaparica e seria absolutamente incorreto culpar-se este ou aquele setor administrativo, porque na realidade a responsabilidade deve ser atribuída a um conjunto de fatores sistêmicos inseridos em hábitos comportamentais oríundos das mudanças de conceitos em um ritmo totalmente fora da nossa capacidade assimilativa, já que estamos inseridos no índice dos menos informados e desenvolvidos no sistema educacional do país e sem esquecer que a violência é filha predileta da miséria emocional, que se forma através de inúmeros caminhos, mas que com certeza um deles é a dissociação do indivíduo consigo mesmo em relação ao seu universo social.

Pensando nisto tudo, cá com os meus botões, percebo com tristeza que, mais uma vez, estou assistindo a um velho e desgastado filme, que retrata a harmonia sendo invadida pelo mar revolto da violência sem que haja nada, ninguém, coisa alguma capaz de conter.

domingo, 17 de janeiro de 2010

UM RESPIRAR CONSCIENTE

Como pensadora social, observadora constante das posturas, sejam físicas ou emocionais, ao longo de quase toda a totalidade de meus anos já vividos, acreditem, ainda me surpreendo com a surpreendente capacidade humana em diversificar-se na busca constante de adaptar-se a um sistema que, em sua maioria, se encontra absolutamente em dicotonia de suas reais e individuais necessidades pessoais, justificando a si mesma tamanha opressão ao fato notório da necessidade em conviver e sobreviver, sem se aperceber, de forma lúcida, que por quase todo o tempo não está vivendo, pelo menos no tocante a compreensão maior de a estar sorvendo mais conscientemente dentro de parâmetros mais harmoniosos e condizentes às suas aspirações de realização emocional, confundindo-se por todo o tempo, crendo que “coisas” conquistadas sejam por si só capazes de aliviar a profunda carência, que, aí sim, percebe existir em algum lugar de sí mesmo que o mantém, ora sismemático, ora frustrado, ora triste ou, no mínimo, com um sentimento constante de vazio existencial, onde nada é capaz de aplacar.

Fui desenvolvendo teses por todo o tempo, buscando no todo universal e basicamente nas vidas diferenciadas da natureza próxima de cada um de nós, como a força do sol, das chuvas, dos raios e das tempestades, dos aromas diferenciados das flores e frutos, da terra quando molhada, da diversidade das cores da grandeza das matas, dos sabores singulares produzidos por esta mesma natureza, isto sem esquecer toda uma bio-diversidade, impossível de ser catalogada em sua infinita potencialidade, toda uma correlação absolutamente interligada, na tentativa de encontrar um entendimento da interagibilidade que certamente existe, pois não seríamos nós, seres únicos desassociados deste contexto tão completo. E como somos, como buscar o equilíbrio emocional e físico neste manancial tão complexo de uma forma totalmente natural, baseando-me na simplicidade fundamentalista de cada potencialidade possível, por nós humanos, de sentir.

E aí, percebi o primarismo do óbvio, quando esbarrei no princípio básico do ato de viver, que é a capacidade respiratória.

É tão absurdamente simples que assusta e na maioria das vezes desconsideramos, como o fazemos a tudo que é repetitivamente mecânico, só despertando para a importância fundamental, quando por alguma razão, que foge ao nosso controle pessoal, nos falte por um segundo que seja. Percebemos, então, o quanto somos dependentes e responsáveis pela sua qualidade e bom uso em nós.

Descuidamos de forma sistêmica e absurdamente alienadora de tudo quanto nos é fundamental para a sustentabilidade de nossas próprias vidas, em atitudes corriqueiras de pouco caso ignorante.

Ouvimos, comemos, bebemos, nos drogamos, destruimos a cada segundo todos os nossos sentidos em atitudes irracionais ao bom equilíbrio fisico e mental e ainda cremos que somos os tais, os bam-bam- bans do pedaço, porque somos ou conquistamos isto ou aquilo, e aí, de repente, sem qualquer aviso prévio, a vida nos manda um sinal que em muitas ocasiões é tão somente um adeus.

Dizemos, então, que a vida é assim e que Deus sabe o que faz. Não posso crer que estou nesta vida para que um Deus decida por mim quando devo deixá-la, ou o quanto devo sofrer enquanto nela.

Creio, sim, que dela sou responsável e que é a mim que ela pedirá satisfações ou aplicará sanções, portanto, é preciso dar um basta nesta história da carochinha, muito boa apenas para tirar de nós as obrigações e responsabilidades quanto a qualidade que deveríamos oferecer a ela, vida, abrindo por todo tempo espaço para que a tratemos como coisa comum, e viver precisa ser encarado como um prêmio conquistado através da grandeza da interabilidade da vida com a própria vida em um ciclo fantástico de renovação, onde o ato de inspirar e expirar se transforma em um contínuo abastecimento, cabendo a nós, espertos seres humanos, o cuidado amoroso em selecionar os nutrientes capazes de nos fortalecer.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

SILENCIO CORROMPIDO

Percebi há pouco, ao passar por um certo alguém, que fiquei sem graça. O mesmo aconteceu com outro alguém, dias atrás, e como tudo tenho que analisar para entender, cá estou eu, sismemando na questão, já que ponderei, nas duas ocasiões, para mim mesma em um papo absolutamente íntimo e pessoal, que a maioria esmagadora dos cidadãos desta cidade que creram, em dado momento, estar vivenciando através deles um ato de decência em favor da cidade e de seu povo, tombaram sobre si mesmos, como eu, em um espasmo doloroso de decepção.
E aí, fazer o que, se quem pode fazer algo se cala, se retrai, fazendo crer aos demais, através de uma aparente naturalidade, que tudo está na mais perfeita ordem.
Penso, então, que não importa o quanto possamos amar esta cidade, ainda assim seremos considerados sempre "GENTE DE FORA ", metendo o nariz aonde não fomos chamados. E seguindo a linha deste pensamento, lembro da freira assassinada no norte do país, que ousou defender direitos que todos gostariam de ter, mas que só ela se dispos a defender em prol de um povo e de um ecosistema que afeta a toda uma humanidade, e, no entanto, nada mudou, além do fato irrelevante, para esta mesma humanidade, dela ter sido calada pela ação brutal dos donos do poder.
Pelas bandas de cá, tenho sido sistematicamente avisada de que a barra pode pesar de muitas formas bem distintas, mas todas absolutamente eficazes em se tratando de silenciar-me. E aí, como antes de tudo aprecio viver, principalmente nesta terra que amo, calo-me, reservando apenas o direito em lamentar todo este mal trato a ela direcionado.
Que pena meu DEUS, diria eu se nele acreditasse, mas como acreditar, frente a tantos horrores perante aos céus, praticados por tão poucos em detrimento de tantos?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Cãozinho fiel

Marcelo Nilo finalmente apareceu para prestigiar o Prefeito Vicente Gonçalves no Sete de Janeiro, em Itaparica, assim como o prestigiou não comparecendo para depor como testemunha quando do processo de afastamento do mesmo. Isto é que é fidelidade a um aliado político, o resto fica por conta dos abestalhados, assim como eu, que criam naquela ocasião de que aquele processo era coisa séria.
Sério mesmo é o preço da ração dos cãezinhos lá de casa, que por coeincidencia também são extremamente fiéis. Bem..., eu os mantenho muito bem alimentados, afinal nem mesmo a mais fiel das devoções se sustenta de barriga vazia.
Não é verdade?
A pergunta que fica é a seguinte:
- Quem alimenta quem neste processo tão peculiar de lealdade, que, por incrível, não é canina ?
Bem... de repente é tudo por amor a Itaparica.
Que bom, não é mesmo?!
Confesso que de verdade estou morrendo de inveja, afinal lá no fundo eu sonhava em ser secretária da saúde ou da infra -estrutura. Fazer o que? Quem sabe mais adiante, quando novamente abrirem-se as vagas. Por que não? E não me falem em qualificação, pois este é um detalhe irrelevante pelas bandas de cá, bastando apenas que se saiba somar e multiplicar, o resto., bem, o resto deixa pra lá, pois o negócio é rosetar.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

CANSAÇO

imagem: pensadora2.blogs.sapo.pt

Fazem alguns dias que não escrevo, creio que o cansaço afetou de alguma forma minha disposição criativa, afinal não tem sido fácil a minha maratona de trabalho neste início de janeiro, se bem que a responsabilidade por esta quase exaustão eu atribuo ao fato indiscutível de minha idade, que se faz sempre presente, totalmente indiferente ao meu desejo em suplantá-la.

Todavia, somos teimosas e permanecemos em constante queda de braço, uma desconsiderando a força da outra, e nesta permanente batalha, coexiste o cansaço, que necessitando de atenção, repousa exatamente em minha inspiração, e aí, bem torno-me inerte, com preguiça de até ligar o notbook. Pode uma coisa dessas?

Pois é… pensando nisto, faço um tremendo esforço e me coloco a buscar a bendita inspiração, lembrando de algumas pessoas maravilhosas com as quais convivo e que não podem ser esquecidas em suas constantes atitudes de respeito aos demais. Uma delas é o querido amigo François, com o qual lamento não poder estar com mais frequência. Ele é daquelas criaturas que conseguem enxergar a beleza em lugares e situações em que a maioria sequer se dá ao trabalho de perceber, quanto mais tentar fazer realçar. Ele é exatamente assim, um alguém disposto a participar, doando seu tempo, sua disposição e seu imenso carinho por esta cidade.

Agora, aqui, sozinha pensando, creio que, de verdade, mais que cansada estou desgostosa e, quando fico assim, dificilmente sinto disposição para escrever. E não é para menos que estou desolada, afinal minha experiência jornalística de tantas décadas não foi suficiente para me escudar quanto ao banalismo que tenho presenciado por aqui. Se em Deus acreditasse, diria:

- Que é isso meu DEUS!

E pensar que poder-se–ia tanto fazer em prol desta legião de crianças e jovens mal assistidos em todas as áreas nos quatro cantos desta ilha. Que pena que não sobrou um resquício sequer de consciência respeitosa aos bens públicos. Que horror para mim, ter que assistir a todos estes desmandos sem nada poder fazer. Que tristeza não enxergar a mão da justiça, punindo crimes tão ediondos.

A banalidade se confunde com o mal caratismo que se tornou síntese relevante nas posturas políticas em nosso país, na certeza absoluta daqueles que se transvestem destas vestes de que nada os afetará, já que crimes contra o patrimônio púlico, praticados por políticos de qualquer natureza, recebem de nossa justiça toda a tolerância de uma mãe protetora.

Em contra partida, nada, absolutamente nada, é oferecido como proteção ao povo, ficando o dinheiro, as saidas jurídicas e a pouca memória do povo, como escudos para a promiscuidade que hora predomina.

E aí, como ficar inspirada a escrever se cada vez menos existem criaturas para ler?

Presencio muitos horrores perante aos céus e fico me perguntando se nas igrejas, também não se deveria oferecer a cada seguidor doses de amor próprio e respeito por si mesmo, a fim de prepará-lo a não ter que aceitar passivamente esta convivência tão desastrosa para o tudo que o cerca. Afinal, hoje em dia, tem mais pessoas frequentando igrejas que salas de aula.Talvez assim, DEUS se apresentasse mais expressivamente em prol de um bem comum, unindo IRMÃOS em favor de IRMÃOS.

Bem, não é sem propósitos este meu comentário, afinal, Itaparica é uma minúscula cidade e em quase todas as esquinas é possível ver-se uma igreja, centro espírita ou terreiro, e meu Deus!, a cada dia, as pessoas estão mais arredias, pouco solidárias e desinteressadas nos bens comuns, em um apartaid muito perigoso, que tem tirado o que de melhor pode existir em um convívio de uma cidade do interior, que é justo a sensação de bem estar. Quanto mais se louva, mais a violência, a intolerância e a banalidade crescem, e isto é para se pensar, talvez se aliar às preces uma dose constante de humildade, buscando no Jesus amoroso a compreensão e a sabedoria do convívio harmonioso, provavelmente poder-se-á encontrar-se um dia mais respeito e irmandade.

Nossa!!!!… para quem não tinha o que escrever, palpitei demais. Que bom, pois isto vem provar que mesmo cansada e sem inspiração, ainda possuo interesse suficiente para observar tudo quanto me rodeia.

IMAGENS PESSOAIS

Ontem, no final da tarde, ao chegar em casa, ainda na varanda, abraçei o meu marido como se quizesse estreitar em meus braços toda uma vida que com ele vivenciei.

E foi neste instante bendito que desfilou em minha mente a imagem de dois lindos jovens, também abraçados, distribuindo à vida sorrisos que ao despertar do encantamento, reconheci sermos nós mesmos, 42 anos depois, reproduzindo a mesma cena com a mesma paixão. Dos olhos brilhantes, deixei rolarem gotas de lágrimas pela pura emoção de me sentir amparada, e aí, penso, que por toda a minha vida, jamais senti por um minuto sequer a presença fria da solidão, mesmo nos raros, mas existentes momentos em que me vi sozinha, aparentemente solta à revelia. No entanto, em meio a toda esta envolvente emoção, como um tsunami, a presença da morte se fez presente, não como um espectro nebuloso e apavorante, mas como um mar de ondas espumosas, marolando em volta de minha mente, fazendo-me acordar para a realidade do espaço de tempo que nos separa para, afinal, nos encontrarmos em definitivo.

Passo, então, as mãos pelo meu rosto, respiro fundo, falo alguma coisa com o meu velho companheiro, como gosto de chamá-lo assim carinhosamente, e me sento na cadeira de balanço, repousando a cabeça nas almofadas, tendo a meus pés meus três amiguinhos, Toy, Moby e Tita, sempre fiéis escudeiros desta senhora apaixonada pela vida.

Não sei exatamente quanto tempo permaneci quieta com meus olhos repousando sobre as cores do jardim a minha frente, tendo como pano de fundo a orquestração dos pássaros, visitantes da tarde.

Nada pensava nestes instantes de extremo prazer, todavia, percebo que de um tempo para cá, o mar revolto se faz presente, talvez para não me deixar esquecer o quanto é fugaz o ato de se estar vivendo e que nada, absolutamente nada, nem sequer o receio em encontrá-la, assim de repente, vale o risco de colocá-la em risco.

sábado, 2 de janeiro de 2010

OPRESSÃO CULTURAL


Acreditei estar me especializando na área da observação do comportamento humano e, por toda a minha vida, pensei estar aprendendo tudo quanto poderia, e, no entanto, absorvida com a diversidade infinita que me cercava e totalmente fascinada com o que majestosamente me apresentava a cada instante, me perdi totalmente, e, de repente, assim sem qualquer aviso prévio, vejo-me diante de minha não menos infinita ingenuidade avaliativa e percebo, então, o quanto nada sei em relação a capacidade humana em se adaptar às circunstâncias, ou a buscar posições favoráveis à suas conveniências pessoais de adaptabilidade social.

Há alguns anos, venho tentando entender o porque de minha paixão por Itaparica, visto que conheci inúmeros outros locais, não menos bucólicos e acolhedores. E agora, como um raio de luz esclarecedor, posso compreender que em minhas buscas pessoais de aperfeiçoamento, encontrei aqui, neste local encantador, todos os subsídios necessários a um aprendizado mais concreto e explicito, oferecendo a mim um verdadeiro manancial de posicionamentos posturais, até então não visto e muito menos sentido. Existe um potencial totalmente inédito, mesmo tendo raízes indutoras absolutamente comuns a natureza humana. Não havia, em minha vivência, registro de precedentes camuflativos das posturas dos Itaparicanos e isto me atraiu de forma contundente, mesmo não tendo eu tido qualquer intenção consciente.

A cada dia, em situações diversas, sou surpreendida com um mais novo aprendizado e, apesar de em muitas ocasiões não estar devidamente preparada a tal nova bagagem, tenho conseguido suportar o volume de novos entendimentos, sem no entanto deixar de confessar que também de certa forma, fragilizada, preciso recorrer aos conhecimentos de sobrevida psicológica para não sucumbir diante do aparente imponderável postural.

Creio que finalmente posso começar a compreender a extensão da síndrome da passividade ou submissão em que as pessoas se comportam enquanto figuras em grupos sociais, formando conceitos silenciosos, mas absolutamente fiéis uns aos outros quanto a qualquer rebeldia individual, criando assim culturas de total alienação, o que provoca um reforço contínuo no aprisionamento social, nesta ou naquela camada da pirâmide, que define o grau evolutivo intelectual, político ou simplesmente social de cada criatura.

Itaparca, em se tratando de uma ilha, talvez até por sua questão geográfica e de tradição escravagista,apresenta-se retrogadamente alicerçada a princípios hierarquicos de profunda submissão, não tendo até o momento se desvencilhado dos grilhões da opressão branca e de seu mando ecônomico, o que tem mantido seu povo em um atrazo sustentável à miseria propriamente dita , assim como a miséria dos entendimentos morais e éticos.

Finalmente a ficha caiu, não sem me fazer sentir as dores naturais das surpresas desagradáveis ao que gostaríamos em constatar. No entanto, tudo bem… viver é, antes de tudo, aprender. E eu me esforço muitíssimo nesta aplicação diária em relação ao conhecimento desta espécie fantástica, que denominamos de humana.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

APENAS UM SONHO E NADA MAIS


A polivalência emocional, que nos garante um vasto campo a ser explorado, é apenas um ítem deste nosso ilimitado campo de potencialidades. Talvez, creio eu, que a capacidade em sonhar com os olhos bem abertos seja a mais rica e volumosa das nossas capacidades criativas, levando-me particularmente a mundos imaginários e a situações absolutamente singulares, abrindo, portanto, leques sempre coloridos que fazem, de alguma forma, o cotidiano não me parecer assim, em dados momentos, um pouco massante, repetitivo e, por que não, monótono.

Fico me perguntando se de verdade precisamos dos sonhos, se não seria mais lógico e sensato ater-nos tão somente à crua realidade, buscando o colorido dos sonhos, justo no aqui agora, no pega pra capar de cada momento.

Entretanto, será esta uma ação possível?

Há quem diga que sim, se aliar-se a esta, digamos experiência, o apoio de alguma seita ou religião, para dela fazer ponte de ligação entre o real e o supostamente ideal. Creio, no entanto, que agindo assim, de uma forma camuflada, continua-se buscando os sonhos para se justificar um cotidiano que se apresenta, no minimo, pobre e sem pespectivas.

O que se conclui que, de um jeito ou de outro, o ser humano sempre está buscando uma válvula de escape para deixar escoar seus acúmulos aflitivos, seus senões vivenciais. Portanto, minha tese não é assim tão estapafúrdia, se pensarmos que comprando entradas pro céu ou pincelando a vida de olhos bem abertos e a mente em mil aventuras somos capazes de emprestar ao universo o que possuimos de melhor, que é justo nossas vibrações em instantes de profundo bem querer a nós mesmos.

E aí, se nos alisamos, buscando compensações através de um carinho pessoal em nos permitir querer ser ou ter, certamente, nestes instantes, também permitimos que o alheio que nos cerca receba esta energia amorosa em uma troca singela, silenciosa, mas eficaz.

Hoje, dia primeiro de janeiro, é feriado, mas muitos trabalham, assim como eu, afinal nem tudo pode estar fechado. Aqui em Itaparica, o sol está chamando, venha, venha para a praia. Como não posso, ao invés de me lamentar ou sofrer, sonho através de meus escritos, não observando o tempo passando que, pelo amor de Deus, como todo mundo eu gostaria de o estar vivenciando junto as águas mornas de minha Ponta de Areia, vez por outra sorvendo um coco gelado lá da barraca do China. Que coisa , Heim?!

LIMPANDO O ARMÁRIO


A cada dia, vamos acrescentando em nossos cotidianos mais e mais conteúdos, que, em sua gigantesca maioria, não deveriam ser armazenados junto às nossas emoções. Entretando, o fazemos continuamente, justo porque não nos atemos a prioridade maior de cuidar com zelo do nosso maior patrimônio, que é permanecer limpos emocionalmente para podermos sentir a nossa grandeza existencial.

Somos tão atarantados que só conseguimos nos sentir vivos quando percebemos a proximidade com a morte, e aí, quase enlouquecemos, porque percebemos em um só momento que o tudo já vivido não poderá ser alterado em favor do momento presente. Passamos, então, como ávidos buscadores a ir de encontro a mudanças de posturas que a cada instante nos conscientiza do quanto fomos tolos e pouco atenciosos conosco.

Desde muito cedo, somos condicionados às emoções instantâneas, tipo: mensagens adocicadas, poemas amorosos, tragédias com o alheio, frases e músicas com efeito envolventemente românticas e etc. e tal, o que na realidade, não penetra em nosso armário emocional, permanecendo tão somente nas periferias de nossas estruturas emocionais, muito mais como recursos imediatistas de sobrevivência pessoal ou de subsídio de compartilhamento politicamente correto junto as interações de convívio social por puro hábito comportamental da maioria das culturas, como se inerentemente necessário fossem .

Em meio a estes envolvimentos periféricos, deixamos a nossa estrutura absolutamente à deriva das circunstâncias cotidianas, e esta, permanece absorvendo sem qualquer critério avaliativo tudo quanto não lhe é afim, desenvolvendo uma estrutura frágil, sem qualquer parâmetro junto a realidade de nossas mais básicas necessidades emocionais que nos ampare de verdade, frente as situações onde somente o equilíbrio postural emocional, seria capaz de nos fazer sobreviver sem maiores traumas, principalmente ao nosso físico, pois o psicológico já se encontra danificado.

Ora, se fragilizamos a nossa morada, o nosso hospedeiro, como poderemos nos qualificar como seres racionais?

Se só terei um corpo físico para abrigar toda a bagagem que vou acumular ao longo de minha vida, como posso ser irresponsável e danificá-lo por todo o tempo, expondo-o a toda e qualquer intempérie?

Não deveria ser prioridade ensinarmos as crianças desde a mais tenra idade o valor desta morada imprescindível?

Pode haver algo mais prioritário que aprender a cuidar com respeito deste corpo que abrigará por todo o tempo o nosso espírito energético?

E aí, questiono-me quanto ao livre arbítrio que também nos é ensinado como explicação às incompreensões que certamente povoam as nossas mentes racionais, chegando a conclusão que realmente não a temos, uma vez que somos produto de uma devastadora ação continuada de hábitos comportamentais de grupos sistêmicos sem qualquer fundamentalismo de nosso real valor como ser vivo. Não estamos capazes de uma maior avaliação disto ou daquilo, porque, simplesmente, não sabemos o que somos, de onde viemos e para onde iremos, justo porque tal resposta que nos daria subsídios de certezas não existe, porque não existe a conscientização de nossa participação no contexto interativo deste universo que nos abriga.

Entretanto, se ensinassemos nossos bebês a provar de suas próprias lágrimas ou, frente a um espelho, apreciar o brilho de seus sorrisos espontâneos, estaríamos oferecendo a eles, no mínimo, o sabor, assim como o potencial amoroso deles mesmos e da vida que neles habita, induzindo-os carinhosamente a perceberem–se e a valorizar tudo quando são capazes de produzir ao se permitirem expressar suas emoções.

Tudo é tão simples em se tratando de viver e nós, criaturinhas complicadas, tornamos esse ato, na maioria dos instantes presentes, muito difícil, exatamente porque insistimos em não colocar a vida em seu devido lugar de destaque absoluto em nossas existências de humanos racionais.

E aí, não sabemos exatamente porque choramos ou sorrimos, e ao faze-lo sequer consideramos as suas potencialidades no comando de nossas ações cotidianas. Dizemos a nós mesmos que estamos vivendo, que acumulamos isto ou aquilo, que somos doutores e PHDs nesta ou naquela área, sem, no entanto, perceber que somos apenas ignorantes seres, incapazes ainda de nos reconhecermos como máquinas perfeitas, ciência exata, colosso da natureza.

Bom dia a todos neste primeiro dia de um novo ano.

E aos educadores que estiverem lendo meus idealismos, peço socorro para esta criançada que ora se desenvolve. Não é preciso nenhum projeto mirabolante para levar a elas o brilho da vida e da liberdade, apenas e tão somente o carinho desta introdução em cada ensinamento, seja matemático ou linguistico, para que o retorno se faça presente através de adolescentes e adultos mais tolerantes com os demais e respeitosos consigo mesmos.

Diz a lenda, que a cada semeadura nem que seja um broto surge.

Um enorme beijo a todos.

PETISCO GOSTOSO


Ah!… pensam que não sei cozinhar?

Pois acreditem, entre uma tarefa e outra, estou sempre ligada em aprender junto aos programas da Tv a Cabo novas receitas saborosas. E ontem, eu aprendi a fazer uma bem fácil e barata, que todos adoraram. Vamos a ela:

INGREDIENTES

01 pão de forma cortado em tirinhas de um centímetro

02 ovos batidos e temperado com sal a gosto e pimenta

01 pacote de queijo ralado ou mais se necessitar, misturado com um pouco de orégano.

MODO DE FAZER

Passe rapidamente as tirinas nos ovos e no queijo e coloque em uma forma untada com óleo.

OBSERVAÇÃO

Leve a assar em forno pré-aquecido médio, até que dourem.

Ficam crocantes e tanto servem para o lanche da família, como para acompanhar aquela cervejinha estupidamente gelada.