domingo, 29 de maio de 2016

ONDE FICAR PARA NÃO SER ESTUPRADA?


Em meio aos depoimentos pessoais e oficiais das vítimas de estupro que são quase que 50.000 anualmente, ganhando inclusive do número assustador de homicídios em nosso país, nota-se a variante dos locais onde o fato ocorre.
Todavia, a exposição das jovens em festas chamadas de “Pancadões, além dos FUNKS de favela que ocorrem nas periferias das grandes cidades, está colaborando enormemente para a disseminação do hábito doentio de se considerar a mulher uma mercadoria disponível à ser usada e descartada.
Atrelada a esta realidade, encontra-se uma sociedade que se recusa a encarar os malefícios que os excessos de toda natureza tem influenciado o descontrole comportamental, não mais atingindo apenas os jovens, mas todas as faixas etárias, como se a pressa de tudo fazer e experimentar, fosse a máxima vivencial, excluindo a busca de objetivos existenciais, num colapso social, cujo único freio, certamente é o resgate dos cuidados pessoais, sem atrelar necessariamente à esta necessidade, regras e mandamentos filosóficos ou religiosos, tão somente, a lógica da autoproteção.
Para quem muito já viveu e observou através das décadas que se sucederam, a mudança não foi repentina. Ao contrário, foi lenta, mas contínua e sistemática de simultâneas concessões, muitas das vezes sem qualquer análise mais profunda dos efeitos colaterais advindos das novidades sociais que se nos garantem alegrias, praticidade e prazeres, também trazem consigo, contraditórios que precisam ser devidamente balanceados.
Portanto, não se trata de culpar as mulheres, justificando não só os estupros como toda a violência que prolifera em relação a elas, mas explica sem pano de fundo ou adereços do politicamente correto, a demência social em que nos encontramos, pois se olharmos para outros seguimentos da sociedade brasileira, facilmente identificaremos o pot -pourri de abusos e afrontas, num desfile catastrófico, desfigurando a importância da família da ética e valores que se não eram perfeitos, pelo menos freavam a tendência do ser humano em não se reconhecer como uma criatura capaz de ser e de se realizar, através de suas emoções e razão, únicos atributos que os distingui dos demais animais.
Portanto, onde ficarmos para não sermos estuprados?
Não se trata de frear as mudanças e o progresso, aliás, são sempre muito bem-vindos, apenas, repensar a formação dos núcleos de convivência para que num futuro muito próximo, não estejamos cercados de mil parafernálias tecnológicas e nos enxergando como inimigos mortais.
“A oportunidade faz o ladrão”, simplesmente porque a pré-disposição à posse do alheio, está inserido na genética de todos nós.
Partindo desta premissa popular, torna-se possível percorrer uma infinidade de razões que estimulam a violência de todas as naturezas, prevalecendo os fortes sobre os fracos, num retrocesso incompatível com o progresso que mal conseguimos acompanhar de tão rápido e pouco entendido.
Então, não importa onde estejamos e qual a idade que tenhamos, se formos os mais fracos, seremos sempre agredidos, que o diga a política brasileira que nos destrói continuamente, numa repetição incansável de violência que também lenta e sistematicamente fomos permitindo e consequentemente, concedendo a todos os demais seguimentos de nossa sociedade.
Então, qual o local seguro para não sermos todos estuprados
Penso então, que antes de criarmos diferentes formas cruéis de punir os agressores pontuais que, pensemos nas razões que estimulam suas existências, pois só assim, estaremos preparados e com coragem para corrigir os excessos, estimulador maior de todos os desmandos que somos capazes de produzir.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

CÓPIA


Novamente sozinha nesta tarde de outono, com a TV ligada, na mesma cantilena política dos últimos tempos, inevitavelmente, volto minhas ilações à criatura humana, serzinho curioso, repleto de surpresas em seu comportamento cotidiano, se bem que, sem muitas novidades, pois também é tônica emocional nossa, copiar e copiar, sem muita originalidade.
Claro que cada uma, coloca as suas cores pessoais, mas a essência dos atos e atitudes, pouco diverge uma das outras, ficando monótono em determinado ponto a apreciação de seus desempenhos.
E na medida em que vamos amadurecendo cronologicamente, além de nos exaurir, criaturas, ditas criativas, inteligentes ou poderosas, vão ficando tão parecidas em seus históricos de vida que, vendo e ouvindo apenas uma, certamente, vimos e ouvimos a maioria.
Não sei se isto ocorre com todos nós ou apenas, com quem se dá ao trabalho como eu e alguns outros, a olhar nos olhos, prestar atenção nas argumentações, nas articulações e principalmente, nas posturas físicas, que, afinal, falam mais que a boca, revelam mais que todos os argumentos de convencimento, que possam ser apresentados.
Ah! E aí, haja compreensão...Respeito que se deve ter ao outro, mesmo quando enxergamos nitidamente, o golpe que o mesmo pretende nos dar.


sábado, 21 de maio de 2016

AH!!! MEU DEUS...


Na quietude desta tarde de sábado, ainda ensolarada de um outono bem diferente dos muitos já vividos, sinto-me absolutamente de mal com o tempo, que tudo muda, menos algumas posturas feias que algumas pessoas adotam em suas vidas, pensando, certamente, que a todos enganam.
Desfilam suas inadequações com sorrisos enganosos, que protegem a si mesmos em detrimento do tudo mais.
Sinto-me vivendo na “Era do Oportunismo”, da mentira e da desfaçatez, sem qualquer outra saída, que não seja, também esbanjar fracos sorrisos de amparo a mim mesma, por ter de ainda conviver com os abutres que descobri existirem ainda na juventude e que me levaram a escrever páginas intermináveis, numa busca quase frenética de imunização.
De repente, retiro as mãos que conduzem os dedos sobre as teclas do computador e me curvo sobre ele, levando minhas mãos à minha barriga, como se quisesse arrancar minhas entranhas que se contorcem de nojo, de enfado e de desencanto.
Ainda bem que existem na ponta dos caules espinhosos, belas rosas que nos induzem com seus aromas e cores a seguir em frente, afinal, também elas, ao longo do tempo, permanecem as mesmas, imutáveis e reconfortantes.


quinta-feira, 12 de maio de 2016

NÃO É SÓ FILOSOFIA


 Todas as vezes que ouço alguém próximo de mim ou não, lamentando isto ou aquilo em sua vida, assim como nos meus escritos de toda quase a minha vida, procuro mostrar que ela/e, pode mudar sua história a qualquer momento e que esta possibilidade é absolutamente real, palpável e que apenas lhe compete esta solução, todavia, sempre a resposta é a mesma: isto é filosofia ... Bonito de se falar, mas na prática, não é possível, pois acabarei perdendo isto ou aquilo e assim por diante, apresentando justificativas aparentemente convincentes, mas que, para mim, soam como artífices de um “me engano”, porque mudar qualquer hábito requer sempre um enorme sacrifício, também em relação disto ou daquilo.
Tudo é uma questão de prioridade que geralmente não somos preparados para enxergar em nossas vidas práticas, pois ainda em nossa infância nos dizem com insistência que precisamos fazer isto ou aquilo para nos tornarmos alguém, e aí, somos induzidos a seguir os modelos já traçados pelo sistema social, sem que, verdadeiramente, tenhamos tempo hábil necessário para perceber que já somos um alguém que, tão somente, precisa encontrar as suas benditas prioridades.
E num vendaval de falsos valores íntimos, vamos sendo formados como figurantes sociais, sem nos darmos conta do descomunal vazio interior que lá vai se desenvolvendo, incomodando, tirando a satisfação autêntica de quase tudo, induzindo-nos às fugas mais destrutivas possíveis, mas que espertamente o nosso consciente viciado direciona a desconsiderar, criando assim um ciclo vicioso pra lá de doentio, absolutamente, machucador.
Imagine-se correndo descalço em uma estrada repleta de cascalho que está lhe ferindo, quando os tênis protetores estão em suas mãos. Por que não, coloca-los?
No cotidiano também é assim, pena que achemos que por estarem já feridos, nossos pés não aceitarão os benditos sapatos. E nesta insistência absurda e sem nexo, seguimos correndo sobre os cascalhos, destruindo nossos pés que são nossas prioridades.
Isto não é filosofia, basta que olhemos os nossos pés, sintamos nossas almas e comparemos com o tudo que conquistamos prioritariamente, acreditando sem qualquer critério pessoal quanto as nossas reais prioridades, que nos transformaria em um alguém.
Um alguém que tudo possui, menos a liberdade de ser apenas, eu.


quarta-feira, 4 de maio de 2016

CONVERSANDO COM DEUS


Senhor Jesus, minha relação contigo é de extrema camaradagem, jamais consegui ser formal em tua presença, justo porque, por todo o tempo, sinto-te em mim, numa parceria de vida e liberdade, portanto, diante do estado enfraquecido de ânimo em que me encontro, indago-te sem qualquer cerimônia, por que?
Por que ainda me choco com a ignorância existencial, com a total cegueira, possível de ser constatada nos mais variados relacionamentos do meu cotidiano.
Por que me ofereces tantos entendimentos e me deixas solitária neste convívio absolutamente desigual, onde por infinitos momentos, chego até mesmo a pensar que estou enlouquecendo, abrindo espaço para as lágrimas que se por instantes aliviam, por outro, levam-me a uma aceitação que beira ao conformismo de minha total incapacidade em alterar meu entorno vivencial.
Querido amigo Jesus, bem sabes que não reside tristezas em meus lamentos, tão somente, a constante necessidade de desabafar contigo minhas incompreensões, fazendo de ti, a cada momento, meu escudo e minha mais preciosa margem, onde repouso minhas dúvidas, encontrando neste teu permanente abraço, um guia seguro para esta minha longa caminhada.

Chove lá fora, mas não no meu coração, porque, permaneces numa absoluta fidelidade, garantindo-me por todo o tempo que a vida é simplesmente maravilhosa, mesmo na convivência com o contrário ou, apenas, diferente.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

SAUDADE SEM DOR

São quatro horas da tarde desta segunda-feira de um outono muito esquisito, mais parecendo verão e dos brabos, levando-me a sentir inveja das postagens de amigos que moram em outras paragens, onde o friozinho já se faz presente.
Sinto as vezes falta desta variante e não tê-la, certamente me faz ficar um pouquinho enfadada ou até mesmo irritada.
Adoro o sol, o calor e as delícias deste clima tropical, mas de vez em quando, um friozinho esperto me agrada e se não posso senti-lo como em outras épocas, bem...
Fecho os olhos, paro de digitar e me deixo transportar para as montanhas de Minas Gerais e dos trinta invernos em que por lá vivi e me deliciei, lembrando-me dos capotes, gorros, botas e até mesmo luvas, usadas nas ocasiões mais geladas, principalmente, nos oito anos em que morei na Serra da Piedade, entre os mognos frondosos e a infinidade de palmeiras, cujos palmitos tenros, adornavam os saborosos bifes de filé que infinitas vezes saboreei ou mesmo, os caldos verdes, deliciosos que jantávamos, tendo a nossa frente, um belo e verde pasto de minha saudosa Cachoeira do Campo.
Estou saudosista, talvez precisando variar um pouco para não fugir à velha regra do hábito humano de jamais estar satisfeito com o que possui, imprimindo na rotina, breves pausas, para vez por outra, sonhar mais além com o não vivido ou tão somente, resgatar o melhor que já passou...
Sei lá, o que sei é que neste instante eu gostaria de estar sentindo o ventinho frio que por lá, vinha acompanhado do cheiro de terra fresca, saudável, numa profusão de aromas dos quais jamais me esqueci.
Deixo, então, rolar algumas lágrimas de saudade sem dor, dando espaço a emoção que me invade e reacende em mim a certeza de que nesta vida, tudo, simplesmente tudo, sempre foi maravilhoso.