domingo, 27 de novembro de 2011

BENDITA LOUCURA


A porta da sala está semiaberta e, então, posso ver o sabiá, sem qualquer cerimônia, comendo a ração dos cachorros e vez por outra levando um grão consigo. Ele vai e volta e me chama a atenção, pois arrasta com seu pousar desastrado a vasilha de ração. Tenho a impressão que ele me vê e de alguma forma não só se exibe, como também desafia-me por todo o tempo.

Olho pela janela e já não vejo, como nos dias anteriores, o vento farfalhando os coqueiros e fazendo os galhos da mangueira dançarem, apenas chove fininho e somente o pé de amoras, pelas suas hastes finas e longas, é que desenha linhas imaginárias no espaço, talvez, penso eu, no auge de meu egocentrismo, dizendo-me:

- Olá, Regina, estou carregadinha de frutas fresquinhas, venha, delicie-se.

Pois é... foi por esta e por outras que há uns 25 anos um certo vizinho, que já morreu, lá do Bairro Pampulha, em Belo Horizonte, onde vivi por muitos anos, ao ouvir-me conversando com as plantas, e até beijá-las, enquanto as aguava nos finais dos dias, comentou em alto e bom som com alguém de sua casa:

- Veja! Ela é maluca, fala sozinha.

Não pude deixar de ouvir, de rir e até concordei, afinal, enquanto a maioria, depois de um dia de trabalho, se postava diante da TV ou coisa parecida, lá estava eu conversando (para ele) com o nada.

Neste momento, interrompo este episódio para registrar o retorno do sabiá, que trouxe consigo mais dois companheiros, fazendo a maior arruaça. Adoro vê-los dividindo o farnel com os meus cachorrinhos.

Às vezes, creio que se observássemos com mais atenção os animais e as plantas, emsuas linguagens corporais, provavelmente seríamos pessoas menos complicadas e conviveríamos mais harmoniosamente com o diferente e até mesmo  com o contrário, porque teríamos a chance de descobrir no outro belezas e perfumes, ou apenas um aspecto interessante que poderíamos agregar às nossas experiências existenciais.

Mas somos, na maior parte do tempo, tolos preconceituosos, fechados em conceitos que em sua maioria sequer sabemos de onde vieram, por que os adotamos e muitomenos para que têm nos servido.

E aí, como o meu vizinho, a morte chega precoce em forma de um AVC.

Surpreendente?

Não sei... Tudo que sei, que mesmo maluca, estou hoje completando 62 anos, ainda conversando e beijando as plantas e os animais, e não dando a mínima bola quando dizem que sou doida.

Bendita loucura que me faz viver, amar e sonhar.

Bendita loucura que me permite ainda observar os sabiás e o farfalhar dos coqueiros.


Homenagem a Moisés Abrantes, amigo e parceiro de toda uma vida.



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RESGATANDO AFETIVIDADE...


Como uma cidadã muitíssima interessada na educação de nossas crianças, foi com imensa satisfação que neste mês de novembro pude, in loco, constatar em parte o nível de crianças e jovens em suas caminhadas educacionais. Entretanto, fui mais além, fosse como palestrante, fosse como observadora e ouvinte, fixando-me nos olhares, nos gestuais e, como sensitiva, nas vibrações.

Sem qualquer conotação de surpresa, reafirmei minhas próprias convicções em relação à falta de sustentabilidade emocional que deveria ser a base, âncora e escala de parâmetros que, afinal, definem o perfil de cada criatura humana, esteja ela em uma metrópole ou nos mais remotos locais, desde, é claro, que haja no mínimo a presença de uma cultura atuante, daí, a necessidade em preservá-las nas suas mais significativas expressabilidades.

Estive palestrando em uma Universidade Estadual para dicentes do curso de Letras e em uma Escola de Ensino Fundamental pública para alunos da 6ª e 7ª séries. Em ambos os locais, percebi uma tensão generalizada, uma quase total falta de espontaneidade e, ao mesmo tempo, pude observar nos olhos jovens que me fixavam uma profunda insegurança, que se manifestou de formas diversificadas, mas todas bem características e igualitárias quanto aos danos que certamente proporcionam.

Meditei no quanto a escola, colégio e a universidade deveriam ser celeiros de amparo justo para que crianças e jovens pudessem em seus interiores ter a oportunidade de exercitarem suas reais naturalidades, obtendo conhecimentos diversificados, aliados a uma fonte de conscientização ética da importância do seu direito, antes de tudo, de conhecer o seu potencial, suas limitações, para com esses entendimentos ir desenvolvendo o aprendizado do conviver com o diferente e o contrário, não só dos demais, mas acima de tudo de si mesmo, evitando, assim, que suas formações escolar e acadêmica se apresentassem capengas ou tímidas.

Tive a oportunidade de também constatar o quanto essas crianças e jovens estão carentes de atenção e afetividade, afinal, mais que português e matemática, precisam de olho no olho e de uma maior ligação emocional com seus professores. Essa carência que me pareceu absurdamente expressiva,constatei que na ponta da pirâmide de formação de alunos de semestres diversificados do curso de Letras, assim como já havia constatado na qualidade de aluna do curso de Filosofia de uma Universidade Federal, a falta do enfoque do compromisso emocional, que deveria existir na relação aluno e professor, para que o convívio e o rendimento fossem de melhor qualidade, principalmente em uma era onde as pessoas estão cada vez mais individualistas, envolvidas com as suas carreiras profissionais que lhes proporcionam maiores ganhos financeiros e que oferecem maiores possibilidades de mais e mais adentrarem na competitividade consumista, deixando o lado afetivo com os filhos, irmãos, pais, vizinhos e amigos cada vez mais superficial e instantâneo.
O resultado tem sido o aumento expressivo da indiferença, da banalidade, criando distanciamentos, e esses ingredientes bombásticos produzem a violência ao separatismo afetivo e a ansiedade, agente indutor da sensação devastadora do vazio que induz à infelicidade, que por sua vez apresenta-se sem qualquer possibilidade de ser camuflada se o observador estiver atento para reconhecer ou, o que ocorre na maioria das vezes, o que é o pior, na forma absurda e cruel em que as convivências se formam, se desenvolvem e se mantém, onde o brilho falso das aparências substitui a consistência e a solidão doída a liberdade de serem o que suas naturezas desejam, que, como fato constatado, raros conseguem obter.

A cada ano tem sido mais difícil para o professor manter seus alunos com o mínimo de atenção e postura em sala de aula, seja pelo já arcaico modelo pedagógico, seja pelos fatos acima citados.

O respeito hierárquico tão saudável e indutivo a consideração aos mais velhos, mais vividos e com um mais rico acervo de conhecimento, quase não se vê, vigorando tão somente uma falsa, mas ofensiva, liberdade em dizer-se ou fazer-se o que se deseja, matando, a cada segundo, todas as possibilidades de reais integrações.

O lema generalizado, com raras exceções, de ambos os lados, é: “deixa prá lá, afinal, não vou mudar mesmo nada”.

Pois é... uma realidade distorcida é difícil de ser alterada, mas muda-se, a história da humanidade está aí para quem se interessar.

Sempre houve homens e mulheres nos redutos de seus anonimatos que são autênticos maniveladores desta roda bendita que é a vida, gerando e gerindo posturas, emoções, alargando e distribuindo conhecimentos em um encontro contínuo com a consciência própria saudável de representarem os exemplos, que mesmo lentamente são propagados e, por consequência, seguidos, mantendo, assim, vivo ideias e ideais, que afinal motivam e integram o homem como mais um ser, cuja ciência de sua essência é absolutamente exata, bem como a máquina física que o abriga é perfeita.

Façamos, portanto, cada qual a sua parte, neste contexto de vida e liberdade, com a única e irredutível responsabilidade que é a de ser feliz.

Esta é a primeira e a única mensagem a ser exercitada por mestres e alunos em sala de aula ou fora dela, em uma tarefa contínua de prazer participativo.

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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PENSANDO ESCOLA II

Os aspectos fundamentais que justificam toda e qualquer alteração dos moldes atuais do sistema educacional, que inicialmente deve ocorrer a partir do ensino fundamental I, são e estão diretamente ligados à formação dos profissionais que estarão vinculados ao exercício, seja da presença em sala de aula, seja ligados às atividades psico-emocionais ou às de variações administrativas relativas as unidades ensino.
Cada unidade precisa ser compreendida como um núcleo, cujas células precisam estar operando como uma equipe em sintonia com o único propósito imunológico, em manter o corpo docente, dicente e administrativo em singular harmonia para que este saudável intento se reflita justamente no foco básico de todos os esforços em oferecer à criança um apoio sustentável ao seu desenvolvimento intelectual e humano, permitindo a ela um desabrochar à novas experiências absolutamente não só mais amplo no aspecto da absorção de conhecimentos diferenciados, mas amparado em um entendimento de bem comum construído à partir de uma visão pessoal de dentro para fora, favorecendo a sua conscientização quanto à responsabilidade de suas próprias posturas em relação à qualidade das reações que delas advirão, permitindo desta forma que ela se identifique e identifique os demais em um ciclo de contínuo aperfeiçoamento vivencial, onde a convivência é a chave solucionadora, propulsionadora, incentivadora, conciliadora do ter e do ser, material e emocional, o que concorrerá para que a criança expontâneamente observe selecionando, classificando e aplicando na prática vivencial o seu todo existencial mais facilmente identificável de acordo com as circunstâncias que se apresentem, mantendo por todo o tempo subjetivamente a prioridade de seu próprio bem estar, pois conscientemente estará ciente de que este estado físico-mental está ligado diretamente à sua própria postura.
Por se tratar da sistematização de um ocnceito no qual a criança volta a ser o centro de todo e qualquer outro interesse, torna-se absolutamente necessário que esta conscientização advenha de cima para baixo, promovendo uma mudança substancial na formação de professores, pedagogos e psicólogos  em primeiro lugar, formando um cordão solidamente unido, onde os caminhares se cruzem de forma eficaz, prático e prioritários entre si.
A desvinculação operacional destas três vertentes tem resultado em ações paralelas que não se cruzam na precisão necessária, ficando suas atuações timidamernte ligadas à um sistema com uma burocracia arcaica, fora do contexto contemporâneo, onde o imediatismo, a instantaneidade e princialmente a versatilidade são tônicas envolventes e determinantes a tudo quanto possa se focar, que no caso é prioritariamente promover o desabrochar intelegível de todo o potencial sensitivo que atuará no emocional como se fora um co-piloto do racional que, se adequadamente mantiverem-se unidos, terão maiores possibilidades em meio as constantes mutações conceituais de se postarem, assimilando a essência de cada ser vivente ou coisa com a qual tiverem que conviver em seus cotidianos existenciais.
Em parceria com Márcia Abreu.

PENSANDO ESCOLA

A busca de uma harmonia entre a escola e a família torna-se a alma de toda e qualquer açâo voltada a desenvolver pedagogias mais contemporâneas.Não é possível continuar-se a  manter os mesmos padrões de relacionamento, assim como a mesma sistemática didática e ainda crer-se em uma provável evolução agregativa de qualquer natureza.
A relação professor x aluno, após sucessivos desgastes, necessita urgentemente de modelos mais criativos, instantâneos e direcionados às práticas cotidianas, mantendo-se o foco prioritário de incentivo aos talentos individuais, direcionando-os a complementos didáticos  que sejam alternativos às suas individuais vocações.
A apresentação dissertiva de cada disciplina, precisaria  ser revista quanto a sua funcionabilidade futura, reservando-se em cada uma, tão somente os pontos básicos e relevantes, ficando toda a extensão da mesma evolutivamente adequada aos ensinos acadêmicos na medida das opções individuais, evitando-se, assim, o excesso de bagagem de conhecimentos que, dificilmente, são assimilados sem que haja  no futuro profissional da maioria aplicabilidade, além de provocar um estado de desinteresse pedagógico nas crianças envolvidadas.
A interatividade deve ser estimulada em sala de aula, inclusive como forma de avalição de aprendizado, evitando-se assim os tão comuns travamentos mentais que se desencadeiam pela tensão que provas e testes  podem provocar, oferecendo, desta forma, um mecanismo em que a criança, ou o adolescente, possa ao longo do curso recuperar médias ideais.
O uso de fontes de extensão de aprendizado, como as pesquisas dissertivas e seminários, levam  a maioria dos alunos a uma maior absorção compreensiva sobre o tema tratado, pois ao escrever de próprio punho, por mais abstraído que se encontre, fixará em sua mente um percentual de entendimentos que será suficiente para que vá se formando um bloco de conhecimentos gerais em seu consciente que  atenderá  em qualquer época os apelos de suas necessidades aplicativas.
Esta forma de aprendizado, leva também a um exercício subjetivo de relacionamente respeitoso em que exercitará em sala de aula o hábito saudável de escutar os demais, fazendo sua mente e sua postura física, expandirem-se a um convívio menos egocêntricamente imperativo ao mesmo tempo que o incentivará a partilhar seus conhecimentos e descobertas com os demais em um partilhamento que o manterá consciente quanto a necessidade em manter-se objetivamente conectado com o  interesse comum, através do despertamento de sua capacidade cooperativa, passando então ao entendimento supremo de que conhecimento é para ser compartilhado.
Esta forma simples de ensinar, busca extrair de cada aluno, especificamente, o seu potencial, evitando-se, assim, exposições e exigências desnecessárias.
Faz-se lembrar que, em hipótese alguma, uma criança pode adentrar no fundamental sem que esteja devidamente alfabetizada, sabendo ler e escrever, para que então com o básico letramento possa estar apta ao seguimento didático.
Outro aspecto a ser observado é o estímulo ao hábito da leitura, pois é sabido que através desta é que a crianças desenvolve maior capacidade assimilativa, ampliando a sua compreensão interpretativa, que estimula um maior, mais claro e pronto  entendimento seja lá do que for, além de fazer expandir-se sua capacidade criativa.



















BENDITA LOUCURA

A porta da sala está semiaberta e, então, posso ver o sabiá, sem qualquer cerimônia, comendo a ração dos cachorros e vez por outra levando um grão consigo. Ele vai e volta e me chama a atenção, pois arrasta com seu pousar desastrado a vasilha de ração. Tenho a impressão que ele me vê e de alguma forma não só se exibe, como também desafia-me por todo o tempo.

Olho pela janela e já não vejo, como nos dias anteriores, o vento farfalhando os coqueiros e fazendo os galhos da mangueira dançarem, apenas chove fininho e somente o pé de amoras, pelas suas hastes finas e longas, é que desenha linhas  imaginárias no espaço, talvez, penso eu, no auge de meu egocentrismo, dizendo-me:

- Olá, Regina, estou carregadinha de frutas fresquinhas, venha, delicie-se.

Pois é... foi por esta e por outras que há uns 25 anos um certo vizinho, que já morreu, lá do Bairro Pampulha, em Belo Horizonte, onde vivi por muitos anos, ao ouvir-me conversando com as plantas, e até beijá-las, enquanto as aguava nos finais dos dias, comentou em alto e bom som com alguém de sua casa:

- Veja! Ela é maluca, fala sozinha.

Não pude deixar de ouvir, de rir e até concordei, afinal, enquanto a maioria, depois de um dia de trabalho, se postava diante da TV ou coisa parecida, lá estava eu conversando (para ele) com o nada.

Neste momento, interrompo este episódio para registrar o retorno do sabiá, que trouxe consigo mais dois companheiros, fazendo a maior arruaça. Adoro vê-los dividindo o farnel com os meus cachorrinhos.

Às vezes, creio que se observássemos com mais atenção os animais e as plantas, em  suas linguagens corporais, provavelmente seríamos pessoas menos complicadas e conviveríamos mais harmoniosamente com o diferente e até mesmo  com o contrário, porque teríamos a chance de descobrir no outro belezas e perfumes, ou apenas um aspecto interessante que poderíamos agregar às nossas experiências existenciais.

Mas somos, na maior parte do tempo, tolos preconceituosos, fechados em conceitos que em sua maioria sequer sabemos de onde vieram, por que os adotamos e muito  menos para que têm nos servido.

E aí, como o meu vizinho, a morte chega precoce em forma de um AVC.

Surpreendente?

Não sei... Tudo que sei, que mesmo maluca, estou hoje completando 62 anos, ainda conversando e beijando as plantas e os animais, e não dando a mínima bola quando dizem que sou doida.

Bendita loucura que me faz viver, amar e sonhar.

Bendita loucura que me permite ainda observar os sabiás e o farfalhar dos coqueiros.

Homenagem a Moisés Abrantes, amigo e parceiro de toda uma vida.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Apenas, perdão...



Quando me atrevo a aparentemente invadir searas das quais não estou academicamente gabaritada, pontuando visíveis distorções, sugerindo alternativas e mostrando o quanto poderia ser diferente se houvesse por parte dos gestores e profissionais maior comprometimento cidadão, em hipótese alguma, tenho como objetivo cavar prejuízos à a ou b, assim como em momento algum arvoro-me da arrogância em sentir-me “dona da verdade” ou, o que é pior, uma “imbecil arrogante” que fala e critica o que desconhece.

Nestes mais de trinta anos de escritas, muitas foram as agressões que recebi por parte daqueles que se sentiram incomodados com as minhas observações.

Aliás, o que faço é exatamente expor as minhas observações, buscando o maior grau possível de veracidade realística, procurando vigiar por todo o tempo o meu emocional de mulher sensível e naturalmente amorosa, justo para não exacerbar minhas ponderações, correndo então o risco de fugir do cerne distorcido de cada situação.

Procuro agir com a percepção que foi sendo apurada ao longo de décadas na função de cronista do cotidiano, colocando o meu olhar de cidadã participativa que não se conforma com o mal feito continuado que se instituiu como norma de conduta, ferindo direitos e descaracterizando obrigações, e o que é pior, revestindo-se pessoas com o véu cruel da banalidade que corrobora na manutenção do pouco caso e na formatação de conceitos desumanos, como se o que nos trouxe convivendo até a poucos anos atrás, infelizmente nada tivesse “a haver” com coisa alguma.

Em algum momento, que não sei exatamente qual foi, as muralhas de valores éticos e morais foram sendo destruídas em velocidade assombrosa e em seus lugares foram sendo erguidas frágeis colunas de novos valores, deixando pessoas, como eu e tantas mais, absolutamente inseguras, pois são visíveis suas insustentabilidades.

Para todos os lados que se olhe, lá está o mal feito com aparência de contemporaneidade chique, sem estrutura sólida que o sustente, sem valores que lhe imprimam qualquer respeito.

Quando escrevo sobre a educação e a saúde brasileira, na realidade estou escrevendo sobre a vida, pensando nada mais valer, perante estes dois aspectos que dão ou tiram todo o fôlego da criatura humana.

E quando falo em fôlego falo de alma, de alegria, da disposição criativa que incentiva, energiza e faz dela um potencial ilimitado.

Sem educação e sem saúde, a criatura humana se marginaliza, ocupando espaços, sem que tenha qualquer utilidade, tornando-se apenas mais um item de algum índice estatístico que em sua maioria espelha, mas não corrige, orienta, mas não fiscaliza, tornando-se exatamente o que são, mapas determinantes de realidades esquecidas

Sem educação e saúde, não há dignidade que se sustente, não há país que se desenvolva, não há um povo que se orgulhe.

Sem educação e saúde, não há convivência que se harmonize, não há limites que sobrevivam, não há humano que se humanize.

Mas com certeza sem a educação e a saúde, haverá sempre aqueles poucos que se beneficiam, assim como aqueles muitos que quando muito sobrevivem, disputando em arenas, calçadas e becos fétidos, tal quais os tigres, raposas e os insalubres ratos.

Ao escrever doída estas minhas ponderações, reservo, no íntimo, esperanças em perspectivas futuras que alguém ou algo um dia apareça, trazendo na bagagem um pouco que seja “daqueles valores”, velhos e corroídos, e, quem sabe, com eles possam temperar os muitos novos, que a cada instante pipocam, criando, talvez, um mais novo conceito de vida e liberdade, pautado no resgate respeitoso de se crer na educação e na saúde como únicas instituições capazes de capacitar a criatura humana à viver e conviver, entre vitórias e perdas, de forma mais digna, honrada e meritória.

Perdão, então, porque ainda idealizo, acredito e espero.

Em parceria com:
Maria Lucrécia Barbosa de Assis.


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AÇÃO E REAÇÃO



Nota da autora. Edição em andamento – disponível em janeiro de 2012.

Têm sido tão rápidas as transformações pelas quais as sociedades vêm convivendo neste último século que sequer oferecem tempo hábil às criaturas humanas quanto às suas devidas assimilações, criando, desta forma, um mar de distorções que se acentuam neste ou naquele aspecto social, mas que se faz notar em todo o contexto onde precise viver e conviver, não só com ela mesma como com os demais.

Tratamos anteriormente à respeito das ações e reações, pontuamos este ou aquele conceito que foi alterado ou totalmente transformado, alguns infalivelmente soterrados, observamos suas prováveis causas e evidenciamos as explícitas .

Recordamos posturas antigas, observamos posturas atuais e teorizamos sobre posturas que se devam desenvolver com o intuito estimulante de acompanhamento evolutivo científico e tecnológico de aspecto menos agressivo, alienante ou banalizado, com o objetivo único de valorização da criatura humana no seu contexto de ser existente e prioritária a si mesma em uma busca de real e produtiva representatividade junto a toda uma existência terrena e cósmica.

Em estudos anteriores, buscamos realçar a necessidade do reconhecimento das vibrações de energias que as criaturas, sejam humanas ou não, emitem através de todo o manancial que reservam em si mesmas e que são determinantes quanto ao nível de complexidade que haverá  nas relações de convivência interpessoal e sistêmica.

Abordamos pontuais patologias que são originárias dos desvios comportamentais e que passam a gerar outras através de somatizações contumazes que são mantidas por um emocional em dicotomia com um contexto físico e neurológico absolutamente perfeito e capaz de se auto-sustentar e se auto-imunizar, assim como gerar emoções naturalistas na exatidão de uma consciência plena existencialista, onde certamente o sistema afetivo familiar, aliado a um sistema educacional estimulante potencializa a  criatura quanto ao reconhecimento e absorção  tão somente dos nutrientes que lhe é afim, evitando através de imediato reconhecimento com total clarividência, tudo quanto lhe indique inadequação, em uma sistemática tão natural quanto, por exemplo, o ato contínuo de inspirar e expirar.

Frente a uma realidade onde a família novamente altera suas formas de relacionamento interno e a escola ainda não colocou o pêndulo no centro equilibratório de como se relacionar, assim como aplicar as mesmas disciplinas de formas adequadas à velocidade e instantaneidade que são realidades indiscutíveis, fica restando, à nosso ver, a única alternativa em arregaçar-se as mangas em atitudes pioneiramente conscientes, buscando os meios de fazer da escola o núcleo agregador, esclarecedor e incentivador de tudo quanto já exisgty4e e certamente estará existindo em velocidade instantânea por todo o tempo, evitando, assim, maior dispersão da criatura consigo mesma, maior incompatibilidade dela com os demais, maior devastação do meio ambiente que a mantem.

Se a criança e o adolescente encontrar na escola um espaço de absoluta segurança, onde posse se sentir entendido em suas dúvidas, reconhecido nas suas potencialidades, descoberto na sua infinita capacidade criativa e devidamente amparado no seu direito em ser o que é e estimulado a não temer ir mais além neste conhecimento, tão somente com a finalidade em extrair de sua existência o máximo de prazer, certamente aprenderá como os demais animais a dispensar toda e qualquer vibração que não lhe seja afim, priorizando as suas reais necessidades, resguardando sua morada física, preservando o manancial energético de seus sentidos, geradores contínuos de suas emoções e determinantes de suas ações e reações pessoais, assim como indutores das ações que são frutos das reações dos demais.

Na escola, o jovem, seu mestre e os demais profissionais envolvidos no processo educativo, devem se sentir livres, protegidos e amparados, pois além dos portões da entrada e da saída, haverá um espaço de convivência harmoniosa por ser respeitosa, amorosa por não ser invasiva e verdadeiramente globalizada por ser agregativa.

Não haverá qualquer maior dificuldade de aplicabilidade deste método se As seleções iniciais forem feitas com o critério de somente admitir-se criaturas que estejam dispostas a um recomeço de aprendizado vivencial onde despir-se ao preço que for estipulado, seja sempre infinitamente pequeno se comparado ao bem estar que tais atitudes gerarão em si mesma, assim como também da extensão que produzirá nos núcleos que suas afinidades determinarem como ideais de atuação pessoal.

Utopia?
Provavelmente para muitos.
Idealismo?
Certamente para alguns.
Um caminho alternativo?
Indiscutivelmente a poucos.

Em parceria com:
Carlos Ramiro de Albuquerque.

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Complexo de inferioridade


O complexo de inferioridade é uma emoção que se transforma em síndrome da rejeição à hierarquia ou SHR. Por motivos variados, mas tendo em comum tão somente ato ou atos recebidos como ação dominadora que foi rejeitada de forma brutal e determinante quanto às reações a qualquer indicio de comando, o que leva a criatura a lutar consigo mesma na busca incessante de perfeição em algum aspecto de sua vida cotidiana.

Geralmente, a criatura acometida por esta síndrome, assume uma postura dominadora, em contra ponto ao motivo detonador de sua patologia.

Torna-se uma criatura extremamente insegura, desconfiada, de fácil descontrole emocional, passível de grandes crueldades para com todo aquele que, por algum motivo, dispara em si rejeição.

Também são criaturas que conseguem, em sua maioria, passar a imagem de bons samaritanos, e estão sempre cercados por um grupo de poucos amigos, cuja sua sedução pessoal tenha conseguido atrair e, portanto, dominar.

São geralmente pessoas solitárias, de humor instável e sem qualquer sentimento de remorso, pois direcionam seus sentimentos à si mesmas em exacerbada manifestação de proteção pessoal, justificando seus atos aos demais, dizendo-se por todo o tempo vítima do opressor e mostrando, também, por todo o tempo o seu potencial, seja lá no que for.


São criaturas que se tornam insensíveis às dores alheias, mas camufladas o suficiente do contrário quando se percebe observada.



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Os professores: Um “novo” objeto da investigação educacional?


Houve um tempo, afinal nem tão distante, em que a função da escola era prioritariamente ensinar disciplinas que contribuíam nos universos de cada criança, despertando-as em suas inclinações naturais, na construção de seu futuro perfil profissional e pessoal.

Também era no ambiente escolar que a criança exercitava a convivência, não só com o contrário, mas principalmente com o diferente, deixando aflorar os ensinamentos oriundos de seu núcleo familiar.

Era comum ouvir-se: “a educação vem do berço”.

E este berço, não necessariamente precisava ser abastado economicamente e muito menos letrado, pois havia os conceitos pré-estabelecidos, onde as posturas respeitavam os limites do alheio, criando-se assim normas socais de conduta, não só externa, mas antes de tudo em meio à própria família.

Nesta época a que me refiro, havia uma distinção entre as atribuições tanto da família como da escola, assim como sob nenhuma circunstância esperava-se do mestre qualquer atributo fosse materno ou paterno, apenas e tão somente esperava-se dele, competência de conhecimentos, didática aplicativa e mediação eficiente, entre o lógico e o humano.

O professor deveria ser o primeiro modelo externo de ética, decência, postura física e emocional, porque o primeiro exemplo interno consistia fosse nas figuras do pai e da mãe, donde a criança se espelhava, ainda que mantendo a sua singularidade.

Naturalmente que existiam os contra dentre os prós, não só das intensões quanto das aplicações, afinal, o homem em seu estado contínuo de evolução, jamais primou pela própria preservação, optando continuamente pela restauração, o que lhe tem acarretado retrocessos gigantescos e no mínimo um desperdício incalculável, seja com o próprio tempo vivencial, seja na qualidade deste mesmo tempo e se não bastasse, mantendo um desgoverno assustador entre si e o seu meio ambiente, contribuindo de forma devastadora para a morte prematura e quase sempre desnecessária de parceiros universais visíveis ou não visíveis, alterando assim as circunstâncias que o rodeia e infalivelmente se deixando afetar da forma mais absurdamente alienante, crendo-se quase sempre muito poderoso, senhor de si, senhor de tudo.

A família e a escola estiveram presentes na história da humanidade de formas variadas e nem sempre concomitantemente, mas em relação ao tempo a que me refiro, que talvez tenha se estendido até por volta dos anos 70, talvez um pouco mais, havia duas pistas que se seguiam paralelas com um único objetivo que era o de mediar o caminhar da criança ao seu rumo existencial, que era traçado por ela própria e subsidiado pelos pais e mestres.

Em algum momento, houve uma ruptura nos seios familiares e que se estendeu às salas das escolas, atingindo em cheio cada mestre educador, que, de uma hora para outra, se viu precisando subsidiar, amparar e educar a disciplina da postura comportamental, da qual não fora devidamente preparado, afinal ele era um professor de física ou matemática, português ou inglês, ser, portanto, pai e mãe, ultrapassava os seus conhecimentos e atribuições.

Enquanto isto ocorria, sua figura, dantes respeitada, foi pouco a pouco se deteriorando, afinal, ele, o mestre, distribuía cada vez mais exemplos de fracasso através da sua impossibilidade em administrar tantas responsabilidades.

O caos, então, foi-se fazendo presente com o reforço de um acentuado descrédito à figura do mestre educador, que passou a ser tão somente um técnico mal pago e desconsiderado pelos governantes que se seguiram, por pais confusos e alienados, por profissionais colaterais cada vez mais desqualificados, pela violência comunitária em volume cada vez mais crescente, por alunos sem qualquer parâmetro de respeito e civilidade, e por ele mesmo absolutamente desmotivado.

Enquanto isto, os programas inclusivos pedagógicos foram pipocando e se perdendo em meio a uma confusão de valores e critérios, resultando no que se vê hoje de distorções na grossa e maioria das escolas brasileiras, tendo como resultado final, profissionais cada vez menos qualificados na aplicação de suas disciplinas e alunos cada vez mais ignorantes ao término de seus cursos.

Perdeu-se a essência dos valores cognitivos em relação a si próprio e consequentemente ao outro e a tudo que o cerca, devastando a cada geração o sentido de convivência que mantém o ser humano, interagindo para que se alimente o seu desenvolvimento físico e emocional, restando criaturas solitárias, tristes, violentas e, acima de tudo, alienadas em relação à sua própria existência.

A reversão desta quebra de objetivos agregativos só poderá acontecer se houver uma força tarefa, aglutinada por grupos de criaturas cujas noções de civilidade ainda se encontrem ativas e dispostas ao enfrentamento da tarefa de buscar, não retorno de posturas e intenções, pois não haveria lógica, mas a criatividade em despertar no individual a noção respeitosa do coletivo, buscando a humanidade que certamente reside no eu de cada mestre e aluno que certamente serão os pais das famílias do amanhã.

Portanto, voltando às lembranças positivas do passado, acompanhando a jornada até o momento presente e voltando os olhos para um breve futuro, não vejo necessidade de grandes estudos investigativos quanto ao que houve nesta caminhada docente, assim como a familiar, por ser absolutamente óbvio todo o abandono e seus efeitos cruciais que ambos foram expostos nos últimos 40 e poucos anos.


Defendo a introdução nos currículos das academias formadoras de mestres educadores a disciplina de vida e liberdade para que cada professor saia da universidade com uma base pedagógica naturalista para que possa imprimir em suas opções disciplinares a bendita convivência que possui como motivação maior, o respeito à vida e tudo quanto nela exista, identificando-se as diferenças, apenas e tão somente para compreendê-las em suas particulares grandezas existenciais; seguimento único que garante limites e transcendêncais.



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