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O FALSO BOM SAMARITANO...

Há algumas horas atrás, assistia à uma uma aula de Filsosofia da Educação, onde em determinado momento falávamos em interação com o Professor Wilson sobre justamente a humanização de nós humanos.

Cheguei a argumentar que somos incapazes de atingir esta humanização ideal exatamente por que não somos educados ao entendimento da dimensão de nossa própria existência, nem no conceito individual quanto mais em relação a um todo que sequer conseguimos enxergar e muito menos sentir.

Estamos divididos em três facções vivenciais, ou seja: aqueles que crêem em Deus e são religiosos, aqueles que crêem, mas nao são religiosos, e aqueles que não crêem.

Todos, sem exceção, vagueiam em seus cotidianos sem ter qualquer entendimento real do quanto estão desperdiçando seus minutos presentes e, sem sem se dar conta, permanecem repetindo posturas que em sua maioria no máximo os robotizam, tirando lenta, mas sistematicamente, toda e qualquer potencialidade interior que é capaz de impulsioná-los a se verem como parte integrante de um todo muito maior que apenas existir fazendo coisas.

E nesta simbiose anulante, vão-se seguindo a instantes de desperdício e, pior, de brutalização, que então se expressa cada vez mais acentuadamente em um individualismo ignorante, cruel que emburrece as emoções, tornando-as banais, assim como colocando-as tão somente como alegorias oportunistas em benefício próprio, em todos os momentos cuja necessidade se apresente, matando, desta forma, instante a instante, toda e qualquer oportunidade de uma humanização expontânea.

Dizemos que somos isto ou aquilo em relação à generosidade, compaixão, respeito, ética, cidadania, amizade, amor e por ai vai, em uma lista infinita de potencialidades.

Contudo, deixamos de sê-los tão imediatamente quanto se nossos interesses pessoais se sentirem ameaçados e, o pior, por qualquer coisinha menor, insignificante a um contexto tão grande quanto ao de sermos humanos em pensamentos e ações.

Pior, somos omissos, covardes e submissos aos conceitos subversivos que a desumanidade impõe.

Depois do caso passado, choramos, lamentamos, nos solidarizamos, acreditando piamente que estamos sentindo qualquer emoção de fraternidade.

Que nada! Tão somente representamos mais um papelzinho já determinado, conhecido e decorado, para recitarmos bonito no palco que se nos apresenta.

E nesta representação pobre de humanidade e rica de camuflagens, vamos levando a vida, sem, no entanto, vivê-la. Vamos seguindo em frente sem, contudo, sabermos para onde que não seja o apenas material pelo qual matamos e morremos na maioria das vezes em nome de Deus, pela vontade de Deus ou pela falta de um Deus.

Que coisa, heim!...

Registro -

Fui deixada por um "Santo Pastor Evangélico" - motorista de van - literalmene na rua, às 24 horas, em Sto. Antônio de Jesus, sob um temporal, porque o prezado cordeiro de Deus não queria atrasar a sua chegada em casa. E todos os demais passageiros, supostos colegas de Universidade, calaram-se na omissão da concordância, camuflando-se na "humanidade" do santo homem, porque provavelmente eles também assim pensavam:

- Que se dane esta mulher! Eu é que não vou me atrasar!

A mim só restou lamentar mais esta triste constatação de que os cordeiros que se dizem de Deus, podem ser tão somente ratos famintos de esgoto, que a céu aberto, deixa feder as vísceras de uma humanidade inexistente.

E o senhor humanitário, cordeiro chefe de um Deus imaginário, ainda me chamava o tempo todo de abençoada.

Pensei:

- Vá então pros quintos dos infernos, seu pastorzinho de m... abençoada (único consolo que me restou).

PS - Nada contra os bons samaritanos nem contra a opção religiosa de quem quer que seja.

--

Comentários

  1. Oi Regina, a pior vaidade que existe é a vaidade espiritual ou religiosa (que seja). É bonito carregar um rótulo de "Bom Samaritano" "Temente a Deus"(que significa na cabeça de muitas pessoas "Ser Perfeito"), caridoso, filantrópico. Quando existe esse tipo de ser humano, com certeza eles não trazem escrito na testa e nem falam sobre isso. Esse é o verdadeiro "Bom-samaritano". Fazem o Bem, são gentis, são compassivos e não têm necessidade de fazer propaganda e sim de demonstrar com atitudes as vezes até bem pequenas, muitas vezes imperceptiveis prá todos, somente percebido por quem mereceu e recebeu a tal boa ação.
    bjs

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