sexta-feira, 29 de outubro de 2010

É PRECISO OBSERVAR

Venho escrevendo ao longo dos anos a respeito da interação que existe entre a natureza, o universo e os seres vivos, assim como especificamente me centrando nos seres humanos e nas suas posturas emocionais e físicas correlacionadas com o universo em suas expressabilidades, e, no entanto, como uma permanente viciada em não me observar, como a maioria dos demais, deixo passar batido, sempre que se apresenta, sinais vitais à minha própria sobrevivência salutar, permitindo-me arrastar pelos labirintos tortuosos da raiva, da ira, da tristeza, do stress e de tudo o mais inadequado que fui capaz de assimilar no meu dia a dia de aprendizado sistêmico.
Como sempre fui disciplinada, mesmo não tendo ainda instantânea assimilação da absorção que não me é devida e, portanto, irrelevante, já consigo em momentos após aperceber-me do fato em si e imediatamente revertê-lo a uma posição em meu contexto pessoal, que seja apenas o que lhe é devido, sem qualquer adição desnecessária de sensações absolutamente danosas ao meu interior de um ser que pensa, raciocina e, portanto, deve no mínimo saber o que lhe convêm.
Pois é, diante deste simples e lógico entendimento, fico pensando no quanto somos induzidos ao sofrimento, como que, sem ele, não pudéssemos viver ou que, sem ele, não houvesse vida de verdade.
Que tolice é esta que os costumes nos impõem e que nos levam a verdadeiros e cruéis sofrimentos que podem se arrastar por uma vida inteira?
São sentimentos que deixamos que se formassem e se integrassem às raízes de todo o nosso contexto racional, desfigurando o que deveria permanecer como original e transformando a nossa estrutura de base biológica em uma cópia meio que confusa, onde não cabe qualquer retificação sem que haja um profundo despertar de vontade voluntária em verdadeiramente mudar-se, ou romper-se com a tolice que definha e mata, que é justo a inconseqüência vivencial sem os entendimentos existenciais dos propósitos de se estar apenas existindo, como se um Deus ou o encontro de moléculas fossem determinantes quanto ao nosso direito de tão somente existir, sem que para isto precisássemos carregar cruzes pesadas.
O fato simples de qualquer natureza, sempre foi um enorme problema que por todo o tempo precisa ser desconsiderado, pois o simples assusta, desconcerta e nos coloca frente à realidade do absurdo que fazemos com as ações e reações absolutamente naturais, e aí, criamos estígmas e estereótipos, a fim de eliminar aquela sensação de palermice, da qual somos acometidos frente ao simples.
Precisamos estar por todo o tempo tendo a sensação de precisar vencer desafios, de demonstrar o quanto somos espertos, inteligentes, superiores a qualquer coisa ou pessoa, enfim, somos um amontoado de contradições psicológicas que infernizam, confundem e maltratam o nosso absoluto estado natural de ser vivente que, se integrado fosse às suas manifestações elementares, faria despertar a cada instante, revelações extremamente gratificantes, como, por exemplo, sentir as emoções no apogeu de suas manifestações.
Esta constatação, da qual apenas uma pequena parte me foi permitida desvendar no meu despertar de vida e liberdade existencial, até pode ser chamada de Filosofia, mas se nos empenhamos tanto em aprender e desenvolver tantas ciências, por que não estudar a nós mesmos em sinal deste tal amor que pregamos, doamos e esperamos receber de tudo e de todos?
Pode existir algo mais sublime e poderosamente amoroso que nos amar, buscando nos tornar seres vivos mais humanos e gostosamente saudáveis, e harmoniosamente felizes em nossos instantes vivenciais?
Ainda me assusto com a simplicidade do raciocínio lógico e no quanto ele simplifica e descomplica o imponderável com o qual somos inevitavelmente levados a conviver em nossos universos cotidianos.
Acredito que através da escola, da inserção da disciplina “EXISTÊNCIA”, seremos capazes de induzir mentes em formação a se centrarem na qualidade de suas vidas ainda em despertares diversos e, por conseguinte, ensinar os caminhos de uma convivência mais harmoniosa com o tudo do todo que a cerca, fazendo-a exergar no outro e na natureza diversificada um pouco de si mesma e, portanto, desenvolver nela a necessidade de transferir de si aos demais tudo quanto gostaria, porque lhe faz bem, de receber também.
Esta é aquela constatação simples e aparentemente boba do dar e receber que falamos, discursamos a respeito, mas que, na maioria das vezes, deixamos de fazer, oferecendo a nós mesmos inúmeras desculpas, prá lá de inúteis, pois não compensam, na medida em que não nos deixam mais leves e sem a sensação constante de estarmos carregando o mundo em nossas costas.
A pergunta que justifica este estudo existencial é justo o porquê de sofrermos.
E a outra é, por que devemos crer que não existe felicidade?
E as seguintes são:
- Como identificar e evitar a desproporcionalidade dos sofrimentos?
- Como identificar e absorver a felicidade, fazendo deste hábito um ministério a ser preservado?
A partir da simplicidade do ato genuíno de querer acreditar que é possível viver-se harmoniosamente integrado à certeza de que somos o resultado do que absorvemos e do que doamos, cuidaremos com mais zelo e carinho das nossas atitudes cotidianas, tanto quanto cuidaremos dos nossos pensamentos, pois eles criam as emoções e direcionam-nas às posturas e estas retornam em formas diversificadas de prazer ou tortura.
Simples, lógico e muito contestado, pois afinal somos muito arraigados às nossas velhas e conhecidas distorções, justo porque tememos o desconhecido, e daí a necessidade de repassar-se às crianças, quando as mesmas ainda não foram totalmente contaminadas pelo fator medo, avaliação distorcida que a mente produz ao receber os sinais de alertas naturais que os sentidos enviam.
Esta distorção, geralmente confunde e induz as criaturas a cometerem imprudências sem precedentes, inclusive arriscando suas vidas, como pode ser constatado a cada instante.
A mente infantil está mais aberta e, portanto, preparada para receber entendimentos de quaisquer naturezas e assimilá-las com mais precisão, inclusive sublimamente compreendendo através da correlação, todas as demais inerências de sobrevivência da vida, como, por exemplo, quanto a preservação do meio ambiente como fonte constante de subsídios vitais.
Toda e qualquer compreensão de aprendizado precisa fazer, antes de tudo, sentido lógico na mente racional das criaturas, e a falta desta lógica aliada a outros fatores que produzem o bem capacitar é que determinam que houve ou não entendimento, e baseado nessa lógica irrefutável volto-me para o sistema educacional e analiso a carência quanto ao centramento da vida como um todo a ser ministrado concomitantemente com o despertar para os conhecimentos didáticos.
Afinal, tudo é vida, mas a vida biológica humana precisa ser mais adequadamente sentida para que as demais vidas que conviverão entre si possam desenvolver uma mais saudável convivência, que certamente promoverá um mais harmonioso assimilar de valores, que por sua vez induzirá a criatura a identificar com mais rapidez e clareza suas mais reais necessidades, o que evitará inúmeros transtornos que a faz, pelo desconhecimento, sentir-se infeliz, desconsiderando as possibilidades em crer que é possível sentir-se absolutamente capaz de produzir seu próprio estado de plenitude instantânea, que somadas, faz dela uma criatura feliz, capaz de produzir arrepios em si e nos demais de pura emoção de felicidade, apenas por estarem se encontrando e isto pode certamente ocorrer ao se encontrar com alguém que muito se admira, confia ou tão somente, com o aroma de flores, do mar, ou o degustar prazeroso de algo que os sentidos em comunhão com a mente determinem ser inspiradoramente espetacular pela simplicidade de ser totalmente afim.
Portanto, não há mistérios, apenas detalhes não observados e, é claro, uma imensa inércia emocional, provocada pelo vício que desenvolvemos em copiar os demais nos hábitos e costumes, sem que tenhamos verdadeiramente coragem e disposição de alterar nossas contumazes atitudes.
Descobri a simplicidade do entendimento de que não é possível ensinar-se a uma criança a grandeza da natureza e no poder mantenedor e regenerador dela, sem faze-la sentir esta natureza que, pode estar em um pequeno vaso de plantas, numa horta no fundo de uma escola ou simplesmente no admirar do sol, no pátio, onde ela poderá ser induzida a apenas sentir todo aquele calor que determina inclusive o seu bem estar emocional .
Se tivermos o cuidado de ensiná-la a abraçar o sol em forma de saudável brincadeira, certamente ela entenderá porque o seu corpo sentirá o prazer que ele proporciona, e aí, a professora poderá mostrar como este efeito também é recebido pelas plantas e etc., levando a criança a compreender o potencial daquele calor subjetivamente associando-o à vida como um todo e na necessidade de dosar-se à exposição dele.
Através da simplicidade destas associações, a criança absorverá o fator determinante que garante uma vida mais harmoniosamente equilibrada, que é certamente o fator limite entre o agradável e o desagradável ou danoso e, portanto, aprendendo a identificar através de seus sentidos, assim como a remeter sua mente racional tudo quanto lhe é afim e saudável e, portanto, agradável, pois os estereótipos de sofredores ou inconseqüentes existenciais, não condiz e tão pouco faz parte da nossa natureza humana, sendo tão somente frutos de uma longa e constante perpetuação de hábitos e costumes adquiridos ao longo da história da humanidade, onde em algum momento evolutivo, percebeu-se a enganosa vantagem em ser-se mais ousadamente agressivo que os demais, fazendo desta prerrogativa uma espada afiada a ceifar paulatinamente a essência pura de tão somente ser em comunhão com os demais seres em parcerias gratificantes, ensinadoras e regeneradoras, fazendo deste convívio o ideal, que se não mais pode ser atingido, que, pelo menos, seja inspirador para que melhoremos o nosso caminhar terrestre sem tantas dores e perdas.
Escrevi todo este entendimento, por que minha amiga Márcia, que acabou de chegar de uma viagem prazerosa à Europa, está muito doentinha no hospital e assim aparentemente de repente ela se viu acorrentada a uma séria doença e, portanto, querendo ou não preciso aprender algo nesta experiência tão corriqueira que nos abala, mas que ainda é incapaz de nos fazer acordar para a mais simples realidade de que a nossa vida é tão somente uma breve aragem pela própria vida e que devemos e podemos neste plainar de segundos existenciais sermos mais felizes, e DEUS, bem menos cruéis conosco mesmo.
Pois, comemos o que não devemos, bebemos mais que deveríamos, drogamo-nos como loucos suicidas, dirigimos nossos interesses como se fuzis mortais fossem, tratamo-nos por todo o tempo como inimigos até mesmo íntimos e, ah!..., somos, pensamos, queremos e corremos atrás de tantas distorções existenciais que até desconhecemos ou nos esquecemos que somos uma máquina perfeita, uma ciência exata, produto de primeira linha desta natureza grandiosa que teimamos suicidamente em destruir a cada instante desta quase miserável existência que insistimos em vivenciar, neuroticamente acreditando que não existe felicidade, mas crendo e abraçando a infelicidade com toda a garra dos incoerentes, inconsequentes ou idiotas, o que com certeza podemos deixar de ser, nem que seja vagarosamente, como, particularmente, tenho tentado, nestes sessenta anos de vida.
Nossa, hoje eu realmente escrevi demais, viajei na maionese, como diria minha adorável e linda filha, Anna Paula.
Desculpem-me e um carinhoso BOM DIA!!!!!!



sexta-feira, 22 de outubro de 2010

ROTEIRO LIVRE

Não dando adeus ao livro já lido,
vez por outra, releio páginas e recrio
imagens de emoções,
gostosamente sentidas.

É como um filme antigo de boa qualidade.
Relembro cenas, revejo personagens e
vou acrescentando, a cada dia, novas cenas
a este roteiro livre.

E ao rever o meu sentir,
não deixo esmorecer a minha alegria de viver.
E não apagando estes fantásticos negativos,
produzo cópias, distribuo histórias,
registro a vida.

Descobri ao fazer as minhas cópias que,
quando um sonho acaba, logo outro sonho nasce.
É a metamorfose da renovação que se faz presente,
através da mutação gostosa da tenacidade.

O tempo corre assustadoramente.
O corpo murcha, enquanto a mente brilha.
E diante da imensa impotência que me assola.
Consolo-me, então, criando novos sonhos.
Inpirando-me com o filme antigo.

E aí, conquisto o mundo
com saltos gigantescos, sem perder
o senso do equilíbrio e da certeza absoluta
de que viver é muito bom, pois é luz.
É sedução.

BOM DIA !

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

RENOVAÇÃO

Não foi uma surpresa, pois já era aguardada, mas foi de repente, logo ao amanhecer e com força total.

Chegou atrevida, fazendo arruaça, levantando grumos de terra, correndo valas, formando poças, criando lama.

Bendita senhora que chega formosa, mostrando a que veio, irrigando o solo, trazendo vida.

Já posso sentir através dos aromas, os agradecimentos deste solo ressequido, sedento do néctar que o mantêm produtivo.

E os pássaros, Meu Deus, em profusão, disputam os galhos, os frutos, as flores, fazendo uma festa de sons e de vida.

Feito o trabalho de puro restauro, a competente senhora, agora se vai.

Não diz até logo, muito menos adeus.

Apenas se vai, deixando prá traz seu cheiro amigável de terra e de flores.

Deixando prá traz suas cores, a vida.

Sagrada chuva, que desabou logo cedo.

Bendito sol, que deu espaço a ela.

Sagrado ciclo, que se renova à cada instante.

Bendita a vida que, ininterrupta, nos diz:

- OLÁ, vim prá te lembrar que viver é alegria e que cabe a você se renovar.

Então, reclamar do quê?

Chorar por quê?

BOM DIA !

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

ESCOLHAS E COMPETÊNCIAS

Anos a fio, escrevendo sobre a educação, sob a ótica de uma apaixonada, mas também de um alguém muito realista quanto às possibilidades reais de aplicabilidade de diretrizes que possam oferecer verdadeiramente oportunidades reais a cada criança e adolescente envolvido no processo, assim como a cada professor, foi para mim triste constatação, após tantos colóquios hipócritas nesses trinta anos de interesse direto, onde hoje percebi ter ouvido apenas desculpas esfarrapadas, que me foram oferecidas por muitos envolvidos e doutores da área, pelos péssimos resultados apresentados.
Entretanto, foi nesta linda manhã de primavera que pude, com satisfação, ouvir um jovem gestor educacional, imbuído de seriedade e verdadeiro compromisso com o ensino público, assumir desolado a sua total incapacidade em aplicar as normas nacionais existentes e que estão absolutamente entrosadas no que se considera hoje um ensino globalizado, justo porque os professores e demais profissionais do ensino não querem. E por que não querem, sabotam, enfraquecendo forças e ânimos, até mesmo de idealistas como ele que acreditaram poder fazer a diferença em seus cargos.
E não querem porque vêem suas zonas atávicas de conforto abaladas e simplesmente não aceitam, e neste particular, encontram nos gestores públicos, aliados, já que esta gama de profissionais representa votos e ninguém quer perder votos como aconteceu com certo amigo meu, gestor que, inexperiente na área pública, ingenuamente tentou fazer reformas éticas, além de criar condições de trabalho que justificassem uma mudança de mentalidade aplicativa educacional.
O resultado foi a aquisição de inimigos que solaparam seus propósitos e o fizeram dobrar-se à incompreensão da preferência ao ostracismo à qualquer projeto de melhorias reais, inclusive salarial, em função de méritos representativos aos seus desempenhos.
Possivelmente, estejam os educadores na classe profissional mais desprestigiada, no tocante a salários, mas em contra-partida, nenhuma outra goza dos privilégios de tantas férias, licenças e faltas cobertas com o erário público.
Portanto, doravante, após esta conversa matinal de relevante importância a meus entendimentos, certamente não mais me sensibilizarei com as lamúrias comuns de serem ouvidas e lidas e passarei a olhar sobre outro ângulo o descompasso que se apresenta entre o que o governo federal apresenta e fornece em termos de projetos e a aplicabilidade dos mesmos.
Acomodação, inércia, falta de estímulos a uma nova mentalidade profissional, engessaram toda uma classe justo de profissionais responsáveis pela formação ética, acadêmica e cidadã das crianças de nosso país.
Não há de se estranhar, portanto, a imensa inversão de valores e a banalização que se instalou como regra número um de convivência e observância às instituições.
Isto não aconteceu da noite para o dia, mas ao longo de décadas, onde a falta de incentivos profissionais, aliada a um descredenciamento de qualificação frente a outras profissões, foi marginalizando a carreira de educador, até nivelá-la abaixo de uma linha hierárquica social compatível com suas responsabilidades socioeducacionais, inclusive quanto a tolerância de uma capacitação sofrível.
E se acharem que estou sendo muito incisiva em minhas argumentações, que observem o ambiente universitário com isenção de paixões pessoais ou corporativistas, se isto ainda for possível, e poderão constatar que, com as devidas ressalvas, o que mais se vê é um total desânimo quanto a carreira, ficando a mesma como recurso último da impossibilidade de outra mais atrativa, mas que exige uma capacitação que, em sua maioria, foge da realidade de nossos jovens carreiristas.
Este é um ciclo vicioso que precisa ser rompido, mas que só será possível acontecer se vier de cima para baixo, porque, do contrário, a resistência será, como tem sido, o maior empecilho, ficando a educação a cada dia mais capenga e seus profissionais mais e mais desnivelados frente à qualquer outra profissão, inclusive as domésticas, cuja exigência de escolaridade ainda é bastante resumida e isto não pode ser justo para pessoas que tenham cursado uma universidade e que se propõem à lapidar seres humanos para se tornarem cidadãos.
Penso então em democracia, crendo que não haja nada mais representativo a ela que a busca conscientemente séria da melhoria do sistema educacional em nosso país, a começar pela formação dos educadores que exercerão suas funções no Ensino Fundamental, solo de base da estrutura de todo um currículo educacional e acadêmico.
Determinante quanto às escolhas e às competências.

CHAMAM DE MÚSICA

O vizinho inoportuno ligou o seu som nas alturas, desconsiderando o fato de que o seu gosto musical pode não ser o mesmo de seus vizinhos, além de que nem são sete horas da manhã e, por ser domingo, as pessoas possam querer dormir mais um pouquinho.
A profusão de sons oriundos dos pássaros que rotineiramente neste horário estão apresentando seus cânticos matinais, hoje em um esforço, imagino, enorme para não serem afugentados, porque, afinal, fica difícil conciliar qualquer acorde com este amontoado de notas desconexas que chamam de música, assim como estas palavras agrupadas que chamam de versos e letras musicais.
Que coisa, heim!
Uma ilha deserta, em certos momentos, pode parecer o ideal a ser atingido. Pois, não importa a idade que se tenha, fica-se tentado em certos momentos, como neste agora, a ir-se em disparada em busca de um pouco de silêncio.
Silêncio de gente e de todas as suas parafernálias, ditas progressistas.
E aí, volto às lembranças de minha infância e revejo os tios de Lina, mineirinha minha amiga, que todos os anos ia passar as férias de final de ano no Rio e, por eles serem meus vizinhos, durante anos até as sua mortes pude conviver com ela e com eles.
Bem, o que isto tem a haver com o som alto do vizinho e o meu desejo de fugir ao encontro de sossego?
Tudo, por que me lembrei do quarto que eles tinham, totalmente revestido de cortiça, justo para isolar o som e, que na época, pareceu-me um absurdo.
Busco na lembrança os detalhes e até sinto arrepios como senti exatamente no momento em que adentrei naquele recinto, que pareceu aos olhinhos e percepção de uma menina com pouco mais de 10 anos, um labirinto provocador de medos e calafrios, se bem que o ar condicionado estava ligado e a luz mortiça fazia o complemento fantasmagórico que muito contribuiu para futuros medos que me assombraram vida afora.
Neste instante, se eu tivesse um quarto igual ao deles, será que eu me isolaria nele?
Será que abandonaria o calor ainda ameno deste sol de primavera para fugir do inadequado e assim perder todo um restante de vida e liberdade?
Será que me permitiria fugir de uma convivência desastrosa em função de tão somente não ter que engolir tudo quanto me desagrada ou faria como fazem os pássaros, que permanecem firmes, cantando, seguindo seus destinos de apenas existirem, exercendo cada qual o seu papel em meio à diversidade que os cerca, sem, no entanto, se permitirem contaminar?
Certamente que não, afinal entre um turbilhão de vizinhos, digamos, musicais, existem sempre aqueles silenciosos, cujos sorrisos de bom dia fazem compensar as agruras e, com certeza, afugentam de nós qualquer desejo de fuga, ao nos lembrarem com um simples gesto de cortesia que viver e conviver vale sempre a pena, mesmo que venha ao som de algo indefinido que chamam de música, logo cedinho, às sete horas da manhã.
Bom Dia !

sábado, 16 de outubro de 2010

LADROAGEM TOP DE LINHA

O dia sequer se firmou nesta já ensolarada manhã e cá estou pensando a respeito do dia D, aonde todos nós, “tupiniquins espertos”, iremos às urnas para, finalmente, oferecer, a um deles (SERRA ou DILMA), o nosso voto.

E como somos espertos e só pensamos no nosso umbigo, logo nos fixaremos naquele que nos empolga por ser mais simpático ou tenha qualquer sinal de familiaridade com o DNA de histórico de procedência genética, tipo nordestino pobre e sofredor, ora DNA de classe média que também se deu muito bem.

E nesta supimpa, eu diria influência de valores, discutimos em qualquer lugar defendendo nossos candidatos, como se soubéssemos de verdade o que estamos argumentando, quando na realidade, como papagaios, repetimos o que ouvimos ou lemos e defendemos somente aquilo que nos beneficia de alguma forma, sem que tenhamos, afora raríssimas exceções, qualquer base real de conhecimento. E poucos, verdadeiramente, possuem conhecimento do que expressam.

Claro que estes raríssimos estão enquadrados naqueles que acompanham todas as tendências por necessidades inerentes à seus trabalhos diários, que são os jornalistas que se tornaram analistas políticos e pesquisadores, que pontuam com suas observações e conclusões tudo quanto somos abastecidos em termos de informações dos bastidores, não sem, no entanto, também serem tendenciosos, daí, a fragilidade em que nos encontramos e a enorme temeridade em discutir aquilo que de verdade desconhecemos.

Atualmente, somos bombardeados dia e noite com escândalos e como nada mais acontece que denote alguma reação de repúdio, muito pelo contrário, pois afinal se nada sei sobre ladroagem do erário, pelo menos ainda posso enxergar a impunidade, e o pior, que é justo o efeito influenciador que tais, digamos, golpistas do dinheiro público, exercem nas criaturas, levando-as ao conformismo, e pior, à banalização, como se todas essas ações, que se tornaram corriqueiras, fossem absolutamente normais e não criminosas, inclusive, levando as criaturas a sonharem com um pedaço deste quinhão.

Cá prá nós, que ninguém escute:

- Hipocrisia a esta hora da manhã, não dá, não é mesmo?

Vai, confessa, você não sente nem que seja uma pontinha de inveja, afinal, todos se dão bem e lá no fundo pensa:

- AH! Quem me dera ter uma boca destas.

E aí, meu caro leitor, pouco a pouco, uma imensa maioria foi sendo contaminada com a inversão escrachada de valores, assim como, também, perdendo a noção exata dos compromissos que estes políticos que, na realidade, são funcionários públicos à serviço da coletividade, pagos por cada um de nós, ao comprarmos qualquer item de nossa sobrevivência pessoal, independentemente de pagarmos o imposto de renda anual, fazendo deles celebridades da roubalheira, exemplos a serem copiados.

Afinal, essa história de que dinheiro não traz felicidade é retórica bonita para quem tem muito e nem desconfia a agonia de se trabalhar dia após dia e nunca se ter o suficiente para alcançar um pouco de dignidade vivencial. Portanto, fica restando a transferência emocional que induz as criaturas a se verem no lugar de seus ídolos, compensação inevitável para se ir levando a vida.

Pois é, em meio a este quadro cru e nu, só resta à galera dos não tem isto, aquilo ou coisa nenhuma do nosso país, votar absolutamente de acordo com as reações automáticas de suas psiques contaminadas. Afinal, tornou-se um barato ser ladrão do dinheiro público, parasita da miséria, assim como tornou-se ambição de muitos também sonhar em ter uma beiradinha.

E aí, de acordo com o posto que o funcionário tenha, rouba-se do chip ao pneu, do cimento ao terreno público, do leite à vida destes votantes ingênuos que passaram a crer por indução da impunidade e silêncio cúmplice da justiça que área pública é tão somente terra de ninguém e que ser preso e chamado de ladrão é Top de linha, iguais aos Masserati e Ferrari que, dizem, terem sido apreendidos no Amapá.

Imaginem, no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, etc, e tal.....

Em meio à tantas informações desastrosas, penso então no quanto é difícil e desestimulador para alguns escolher, ficando as perguntas soltas na mente.

Então, votar em quem, votar pra que?

Ah! Meu Deus, que assunto pesado logo tão cedo.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

AMANHECEU SORRINDO

O sol esta pleno e só são oito horas da manhã, que maravilha, não é mesmo?
Já fui à praia, caminhei e, como faço em todas as manhãs, tomei um delicioso banho de mar, revigorando forças, alimentando a alma.

Que coisa boa, Meu Deus!

Hoje é o dia de “Nossa Senhora de Aparecida” e é também o "Dia da Criança” e, portanto, comemorações dignas de um largo sorriso de vida.

Procurem ser felizes no dia de hoje. Acreditem, não é difícil e tão pouco impossível, apenas vivam e deixem os outros viverem.

Cuidem de seu próprio quinhão.

Não invadam o direito alheio.

E não esperem ser o centro do mundo.

Sejam o centro de seu mundo.

Fiquem em paz.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

MINHA TAREFA TERRENA

Olho as casas vazias, algumas totalmente abandonadas e parcialmente destruídas, e como uma sonhadora inveterada, paro o carro e fico desenhando na mente as formas que poderiam ser adaptadas , a fim de que eu pudesse instalar a Fundação Vida.
Na rodovia Beira Mar, antes da curva do Bar Vela branca, em Porto Santo, de frente para o mar, em muitas ocasiões, desejei muito ganhar na loteria para comprar aquela extensão de terra e finalmente poder construir o centro educacional de amparo à criança e ao adolescente menos favorecidos de nosso sistema social.
Há cerca de 10 anos atrás, fui abençoada pela inspiração de meu amigo energético, Juan Emmanuel Rodrigues Sanches, que carinhosa e pacientemente descreveu-me cada detalhe do que deveria ser a minha meta dalí em diante.
Naquela ocasião nada entendi, afinal, justo quando meus recursos se findaram é que me dizem que terei como tarefa existencial construir uma obra de tamanha envergadura?
Só poderia ser uma brincadeira de minha mente e, portanto, tudo registrei, mas confesso que poucas esperanças alimentei, muito porque, eu já estava com 50 anos, e pensei:
- Um tantinho velha, não é mesmo?
Pois bem..., de lá até hoje, mudei de cidade, encontrando o meu lugar ideal, já fiz coisas que até Deus a princípio duvidou que eu seria capaz de fazer e não deixei um só dia de receber através de mensagens, que transformei em livros, primeiro todo um entendimento emocional que com certeza tem feito de mim um ser humano mais amoroso, menos agressivo, mais consciente dos reais valores que valem a pena ser observados e vivenciados e concomitantemente a certeza quase alucinada de que em algum momento toda esta minha vibração apaixonada em mostrar que é possível fazer-se algo pelos nossos jovens sem muitas complicações, encontrará eco no coração e, é claro, no bolso de quem muito “dindim” tiver e que veja no meu entusiasmo um caminho que possa, de alguma forma, justificar o amparo tão necessário aos mais carentes e que servirá de luz à outros, em outros locais, para que em um futuro não muito distante o amor de alguns, aliado às sobras financeiras de outros se transformem em uma corrente de amor.
Talvez por esta razão, também pela primeira vez em minha vida, aliei-me politicamente a um grupo que com seus aparentes loucos e mega projetos, voltados ao desenvolvimento desta cidade, liguei-me, principalmente, aos do sistema educacional, pois era mais amplo e não tão somente apenas ao que se refere às salas de aula, pois não pode existir um sistema abrangente, seguro e eficaz se não houver dignidade na vida de cada cidadão, e isto só pode ocorrer se a criatura puder controlar sua vida através de um sustento digno e de uma possibilidade real de ter ao seu dispor um sistema de saúde minimamente respeitável e quanto ao amparo social que ele seja humano, estimulador, que garanta a segurança de estar presente nas emergências sem, no entanto, jamais possuir a aura de um falso paternalismo que escraviza, vicia e engessa em uma acomodação sistêmica.
Pois é, no fundo acreditei, e ainda acredito, que mais próxima do poder eu possa conhecer gente que comungue com este ideal meio surrealista e que me dê uma mãozinha, apesar de não esquecer o pega prá capar do poder e da ganância.
É que é tão pouco, diante do que alguns gastam em um ano de suas vidas e que representaria tanto para tantos e, ao mesmo tempo, daria uma satisfação sem tamanho limitado, por que, afinal, o retorno e os juros deste investimento com certeza vão pro universo em sua absorção bendita e ao retornar, através de vibrações amorosas, traz o toque mágico de um sentimento de paz interior que, provavelmente, não santifica, mas gratifica.
Enquanto o sonho não acontece, eu continuo construindo as paredes de minha fundação, ora aqui, ora acolá, com a certeza absoluta de que esta tarefa maravilhosa se realizará, pois o universo, através da tropa de elite de meus amigos espirituais, jamais me determinaria algo que não estivesse ao meu alcance realizar.
E bota alcance nisto. UFA!!!
De repente, alguém vira prefeito de Salvador, Governador ou mesmo antes alguém comovido com o projeto resolva abrir suas próprias burras e aí, bem... “Aí, a FUNDAÇÃO VIDA nasce e minhas crianças de ITAPARICA passam a ter uma chance real neste “mundo de meu Deus.”
Não vale a pena ir à luta, afastar o cansaço, abrir o sorriso e acreditar, buscando?
BOM DIA!

domingo, 10 de outubro de 2010

MINHA PAMPULHA

Lindo! Que espetáculo belo
É a primavera que vem chegando
As bougainvilles brotam em fartos cachos
Cobrindo o caramanchão de que tanto gosto.

E sob ele já me encontro acomodada
Entre o perfume das flores e o calor do sol
Escrevendo versos, compondo poesias
Buscando sentir o que a natureza mostra.

Lindo! Que espetáculo belo
Minha filha como moleque brinca descalça
Balançando os pés na agua da piscina fria.
Soltando gritinhos, descobrindo emoções.

Respiro fundo, olho ao redor e
tento abraçar o sol.
Incrível! os pássaros estão chegando e
cantando.
Adoro a quitude da Pampulha.

OBS: Escrito em setembro de l990 - Anna Paula estava com três anos

sábado, 9 de outubro de 2010

VELHO AMIGO

Velho amigo,grandes lembranças
Navio rasgando mar adentro
Ondas gigantescas de envolvimento
Braçadas fortes, de um navio de busca.

Velho amigo, companheiro de guerra
Doce na beleza, bravo na energia
teu mistério aguça o meu fascínio
Tua força, me assusta e me apaixona.

Velho amigo, confidente secreto
Baú fechado de loucas recordações
Palco de singulares espetáculos
Onde o amor é o ator principal.

Velho amigo, meu doce mar
Adiciono às tuas águas, hoje
Um pouco das minhas lágimas
Por um navio que não voltará jamais.


OBS: Escrito em outubro de l986 na praia de Santa Mônica em Guaraparí

terça-feira, 5 de outubro de 2010

SÃO FRANCISCO... ALÉM DO ÓBVIO

Ontem, foi o dia de São Francisco de Assis e eu devo a ele o meu amor aos bichos com os quais tenho um convívio harmonioso, deixando-os em suas liberdades naturais, sem querer fazer deles arremedos de humanos ou criaturas absolutamente submissas à minha vontade.
A meu ver, vestir-se um cão ou um gato com roupas é uma forma de humilhação à criatura, como se colocassem em nós pêlos para que ficássemos semelhantes.
Já pensou?
E aí, penso em como nos confundimos ao amar, seja a um bichinho ou a outro alguém.
Ficamos por todo o tempo, tentando encontrar neles as nossas percepções do que qualificamos como ideal e, geralmente, deixamos de enxergar um diferente que poderia em sua individualidade somar atributos maravilhosos à esta parceria.
Entretanto, ambos estão mais preparados, até mesmo por condicionamento cultural subjetivo a seguir normas de condutas, seja em que parceria amorosa for de controle, como se do instante em diante em que houve a atração e a decisão da posse por motivação amorosa, houvesse também uma responsabilidade pessoal em moldar-se o outro à nossa própria percepção de ideal.
Isto ocorre exatamente porque ao nos sentirmos atraídos por alguém, e isto nos enquadra também nas atrações com os animais ditos domésticos, repassamos a ele uma falsa postura, pois acreditamos que precisamos ser diferentes para que a conquista se efetue, portanto, logo como primeira ação pessoal, nos renegamos tal qual nos enxergamos, crendo de imediato que não seríamos adequados àquela outra criatura.
E aí, neste exato momento, nos desprestigiamos, renegando a nós mesmos, não nos valorizando pelo que somos e representamos e, a partir daí, colocamo-nos em uma condição camuflativa de pouca duração, pois a natureza sempre fala mais alto.
Concomitantemente ao retorno de nossas origens, por defesa inconsciente de nossas maneiras pessoais, desviamos nossas expectativas e frustrações ao outro e passamos a esperar dele posturas que o mesmo nos repassou, tal qual fizemos com ele, pois nos sentimos enganados e este sentimento de frustração torna-se mais evidente na medida em que nos deixamos liberar em nossa própria natureza convivendo com humanos e animais, absolutamente livre e oferecendo a grandeza de seu espírito em aceitar os demais, assim como a vida como um todo em sua real expressabilidade, extraindo para si o potencial individual do tudo do todo no qual se sentia inserido.
Buscou a sua essência sem, no entanto, querer alterar a essência alheia.
Isto só ocorre, quando se exerce a liberdade pessoal com amor e aceitação a si mesmo.
Penso, então, em São Francisco que, apesar de moço rico, bonito e popular em seu tempo, deixou-se livre para apenas viver a sua real natureza.
No jogo emocional, onde não há aceitação pessoal , em nenhum momento reside o respeito e, portanto, o amor, a parceria se enfraquece, tornando-se qualquer coisa, menos uma parceria harmoniosa e agregativa, pois ambos por todo o tempo estarão buscando o impossível no outro.
Dirão alguns:
- O que é isso Dona Regina!
Alguém mudar o que é para comprar um cachorro, um gato ou seja lá o que for. Tá ficando doida?
Pois é, lembra daquela mudança na voz quando você foi se apresentar ao bichinho, ou quando tentou camuflar o seu real jeito de ser nos primeiros encontros com seus parceiros amorosos?
Dirão:
- Ah! Isso é normal, queremos sempre agradar, isto é inerente à personalidade, afinal estamos em plena conquista. Isto ocorre até mesmo no mais corriqueiro relacionamento que se inicia.
Sim, é verdade, mas nem por isto é producente ao relacionamento, se este prosseguir, pois em um dado momento, os hábitos comportamentais e a forma estrutural de ser se sobrepõem, e isto é que é o natural de ocorrer, tanto quanto as surpresas do outro que, imediatamente, se sente liberado para também apresentar-se tal qual a sua natureza e, a partir daí, um novo e confuso relacionamento se inicia, que, em sua maioria, se transforma em um jogo de poder e submissão em graus variados, mas cujos danos são cruéis a ambos, pois passa-se a buscar um no outro justo o contrários deles.
E pode-se dizer que isto é normal e ainda por cima satisfatório?
Portanto, acredito que em se tratando de cães e gatos, haja por parte do humano uma total inconsciência do direito deles em ser exatamente o que são, ficando as criaturinhas a mercê dos devaneios de seu dono e, só por esta afirmação, já se estabelece o domínio, pois há disparidade, não se tratando de criaturas com as mesmas condições de defesa, daí, a crueldade.
Em se tratando de parcerias humanas, onde os raciocínios e necessidades pessoais se manifestam através de palavras e de posturas físicas ostensivas, o relacionamento pode se tornar absurdamente desequilibrado e até ser interrompido como ocorre freqüentemente.
Todo este raciocínio que começou às quatro e meia da manhã, e que agora me dou conta que já são seis horas e eu não percebi, pode parecer loucura, mas é tão somente uma busca tenaz de explicações e, portanto, entendimentos para esta necessidade permanente em mudar tudo que amamos ou que simplesmente gostamos de ter em nosso convívio existencial que nos tira o brilho de nós mesmos, justo porque não nos aceitamos, crendo por todo o tempo que os outros são sempre melhores em tudo por tudo, e aí, como não conseguimos ser o que são, passamos a querer moldá-los à nossa semelhança em um doloroso jogo de convivência que nos enfraquece e nos faz perder, em algumas ocasiões, momentos com nossas parcerias de imensa satisfação, apenas vivendo e deixando viver, no que se incluem gatos, cachorros, passarinhos e etc....
Bom Dia!!!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

REFERÊNCIAS EDUCACIONAIS

Acordei pensando nas referências que recebemos ao longo da vida e como elas se manifestam e influenciam nossas posturas e pensamentos que, afinal, acabam nos identificando como pessoas únicas.

Uma mesma referência se diversifica quanto à lógica do que representa no tocante a forma como é vista, processada e absorvida por aquele que a recebe.

A mente, como agente processador dos sentidos e ao mesmo tempo um filtrador emocional, age de forma exclusiva e individual, utilizando-se dos subsídios já captados em outras situações, formando assim um perfil de compreensões.

Daí, a impossibilidade de se conseguir hegemonia de entendimentos sob a mesma ótica sobre qualquer assunto que seja oferecido para um grupo de pessoas, ficando como resultados práticos de entendimentos se avaliados em quantidades, tantos quanto existirem, por mais semelhantes que possam parecer a primeira vista.

O que no máximo acontece é um englobamento geral que se traduz em forma de aprendizado, mas que, mesmo assim, passa pelo crivo mental de absorção, dando-se a cada individualidade o potencial assimilativo, onde então fica condicionado ao poder chamado de inteligência, mas que nada mais é que uma maior ou menor capacidade processual mental em absorver e distribuir com critérios reconhecidamente capazes de serem buscados e encontrados com precisão e em tempo hábil, como um arquivo bem ou mal elaborado. O que não significa necessariamente uma determinante quanto ao grau de, digamos, inteligência.

Portanto, existem infinitos tempos assimilativos, assim como infinitos caminhos percorridos pelas informações referenciais, e todas elas submetidas ao conteúdo individual formativo dos neurotransmissores, agenciadores das vibrações sensitivas que se expressam desta ou daquela maneira, posto que, no decorrer das vivências comunitárias de grandes ou pequenos núcleos, vai se criando através de condicionamentos acordados como ideais, posturas e aparentes reações interpretativas que, em sua maioria, confundem o individuo, levando alguns a uma rebeldia inexplicável, sob o ponto de vista avaliativo daqueles que são encarregados de manter tão somente a continuidade postural como padrão assimilativo ideal.

Diz-se, então, que este ou aquele é mais ou menos inteligente, não se oferecendo ao indivíduo um campo mais propício, afim de que sua natureza, em comunhão com suas referências, encontre um campo mais adequado de processamento assimilativo.

A partir deste raciocínio, creio que deva existir na pré-escola, com continuidade por todo o ensino fundamental, uma constante observância quanto às posturas de entendimento assimilativo de cada criança que, inclusive, ostensivamente através de posturas físicas, verbais e emocionais, as mostram por todo o tempo, até mesmo, em alguns casos, pedindo socorro, através de posturas aberrativamente retraídas ou imperativas.

Creio, então, haver necessidade de uma mais realística recapacitação dos conteúdos didáticos nos ensinos direcionados aos educadores destes períodos de fundamentais importâncias quanto aos desempenhos destes indivíduos em seus percursos acadêmicos, não deixando brechas desnecessárias ao desperdício comum de se constatar em qualquer sala de aula, onde potenciais são desconsiderados, justo porque não há por parte da estrutura educacional subsídios de capacitação profissional em verdadeiramente quase nenhum aspecto, quanto mais referente ao reconhecimento assimilativo.

Não se trata de misturar-se ensino fundamental com avaliação psicológica, e sim, capacitar o educador em um âmbito maior de reconhecimento observatório que, aliado a outros fatores agregativos de qualidade de ensino dentro dos padrões contemporâneos, possam, realmente, preparar o indivíduo dentro de sua capacidade observadora sem que o seu ritmo assimilatório, se torne um estereótipo que possa vir a desviá-lo de sua trajetória, através do desestímulo, fato comum de ser comprovado diante da evasão escolar que se acentua a cada ano.

Este é um problema que ultrapassa os perímetros das escolas, irradiando-se por toda a sociedade na expressabilidade de uma violência cada vez mais explícita e desumana, para quem a exerce, e opressiva, tolhendo os sagrados direitos de liberdade para quem com ela tem que conviver.

Portanto, a falta de estímulos ao principio básico de estruturação de convivência social aliado a inserção cultural e intelectual, torna-se uma motivação impulsionadora a qualquer desequilíbrio extensivo a qualquer sociedade.

domingo, 3 de outubro de 2010

ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...

sábado, 2 de outubro de 2010

É ISSO AÍ

Espetacular!
Foram quatro horas de puro prazer.
Difícil descrever a alegria de estar fazendo parte da história da cidade que se ama.
Na fronte, o suor escorre, e na pele, queimada pelo sol abrasador, incrível, não perdeu o brilho que dela resplandece.
Penso, então, no quanto é gratificante o exercício democrático da cidadania e no quanto sou feliz de poder exercê-lo sem medo de ser feliz.
Precisei vivenciar seis décadas de minha vida para, finalmente, de cara limpa e alma transparente, sair pelas ruas, como se uma jovem ainda fosse, levando a minha certeza de que para se ser participativo é preciso que se seja estimulado, através do exercício do reconhecimento do papel de cada um de nós no processo democrático e que não há melhor lugar para se exercitar que a escola, na infância, quando, então ainda em formação de todos os níveis, aprende-se o valor da convivência harmoniosa que nos direciona ao reconhecimento claro dos limites de nossos direitos, assim como cria subjetivamente um norte permanente, quanto aos nossos deveres.
Minha luta na política é única e exclusivamente em prol de um sistema educacional mais humano, realista e dentro de bases atualizadas, mas buscando resgatar valores essenciais à formação do caráter de cada criança, valorizando-a como ser interativo e participativo, despertando nela o sentido do tudo e do todo no qual ela se sentirá inserida como uma parte de fundamental importância.
Acredito que sem valorizar a criatura, oferecendo a ela as possibilidades quanto aos seus potenciais, nada, absolutamente nada, consistente advirá dela que represente e que a faça representar um papel de relevância na sociedade.
E ser relevante é antes de tudo estar com plena consciência de si mesmo.
Lembro do ensino fundamental que recebi, do ginasial, ambos em escolas públicas que naquela época, ao contrário dos tempos atuais, significava competência de quem ensinava e também de quem aprendia. Havia excelência de qualidade, de respeito e de dignidade de uma classe profissional que conhecia a grandeza de suas atuações enquanto profissionais.
Postura é tudo quanto precisamos resgatar ou até criar-se novas, mas sérias e respeitosas a si mesmo e em relação às crianças que vêem nos educadores modelos a serem seguidos.
Na vida, existem posturas que estarão sempre atreladas ao desenvolvimento mental, físico e psicológico das criaturas de forma saudável, dentre elas, o respeito aos direitos e deveres deve ser, a cada instante, pauta prioritária de qualquer educador.
Sem esta conscientização, infelizmente, como filósofa social e cidadã sempre atenta, não vejo qualquer real progresso. Afinal, sustentabilidade deve começar a ser desenvolvida a partir dos cidadãos de qualquer sociedade. Pois é através daí que nascem e jamais morrem ideais e paixões humanitárias que, afinal, são os sustentáculos em sua maioria anônimos que não deixam os sonhos fenecerem e que oferecem dignidade para que o otimismo não morra ou enfraqueça, mesmo em meio ao caos em que nos encontramos.
É isso aí, são cinco e meia da tarde, estou exausta, mas estou serena e muito, mas muito feliz.
Nossa!!! Que bom, descobri que não tenho idade, só disponho de energias e estas não são medidas cronologicamente, são frutos da tenacidade em acreditar que viver e amar é tudo quanto nos impulsiona a defender a liberdade como forma maior de existir.
Boa Noite a todos e que o nosso Deus nos inspire no dia de amanhã para escolher o que for melhor prá todos nós.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

APENAS O MAR...

O corpo estremeceu, enquanto os olhos aflitos buscam na amplitude do horizonte que se descortina, o abraço aquecido desta manhã ainda que meio adormecida, mas já ostentando ao longe fachos luminosos que, de tão longos, chegam até bem próximo de mim, fazendo-me instintivamente querer pegá-los, ficando minhas mãos tateando um aparente nada.
Afundo ainda mais o meu corpo, deixando-me envolver totalmente sem qualquer receio ou preconceito pela ausência de sol ou da possibilidade em me sentir solitária em meio a esta imensidão na qual me entrego, sorvendo tão somente a força emanativa, assim como me deixando dominar pela racionalidade da certeza de que, se ele decidir não me libertar, não reagirei, pois tudo serei e tudo poderei.
Que poder é este que me fascina, me atrai e me apaixona?
Que força é está, da qual não posso e não quero resistir?
Que abraço é este, no qual me deixo envolver e por instantes que me parecem eternos, faz de mim a criatura mais completa do universo?
É chegada à hora de partir e enquanto emergia de mais esta entrega alucinante, sinto-me alisada pelo escorrer das águas em meu corpo, como se mil mãos aveludadas existissem, arrancando de mim novos arrepios e, sem qualquer pudor, sorrio, afinal que se dane o mundo, estou feliz e nada, absolutamente nada, será mais forte que a força desta paixão .
E então, já caminhando nas areias ainda frias desta manhã que sequer desabrochou por completo, percebo-me envolvida, amada e totalmente possuída, e novamente sem qualquer pudor, sorrio e dou de ombros, seguindo em frente ao encontro do cotidiano, chato, às vezes feio e cruel, mas que eu consigo transformar em tolerável, por que eu sei que, amanhã, lá no mesmo lugar ele estará me esperando e ai, bem... o que posso querer mais?
Bendito mar pelo qual me apaixonei.
Bendita vida pela qual me deixei abraçar.
Benditas emoções que fazem, de mim, um ser livre.
Que se dane, então, o cotidiano repetitivo e vez por outra, feio, banal, cruel e, pelo amor de Deus, tudo quanto em nossa estreiteza amorosa , somos capazes de produzir.
Que se dane quem tendo o mar não o enxergue.
Quem o enxergando não se entregue.
Quem se entregando, não goze.
Bom Dia!!!!