domingo, 30 de março de 2014

MEU MESTRE, MEU GUIA.


Geralmente, quando sento frente ao computador, meus olhos viram para a direita e, através da janela, aprecio o meu jardim e o tudo de bom que nele há, inclusive os pássaros visitantes, mas agora, olhei para a esquerda e lá está ele, meu querido São Francisco de Assis em toda a sua simbologia comportamental que transformei em meu guia, meu mestre, que em forma de escultura de barro tem seu lugar de honra em minha casa e em minha vida.
Penso então que afinal, qual é o problema de se ter imagens e diante delas eu ou você nos sentirmos mais acolhidos, se é da natureza humana o querer ter um interlocutor, mesmo que imaginário na expressão de barro para que se possa ter a ilusão de se estar sendo ouvido, mesmo quando sabemos que o melhor ouvinte é a nossa própria consciência?
E é ela, sempre ela, que nos direciona à diversificados rumos, dependendo tão somente da base com a qual foi construída, todavia, preferimos acreditar que somos induzidos por alguém de carne e osso ou até mesmo pelas circunstâncias que nos envolve, forma oportunista de não nos sentirmos responsáveis pelos nossos atos, apesar de até gritarmos, se for o caso, para afirmar que somos autônomos em nossas decisões e escolhas. Incoerência total!
Gosto desta imagem que retrata uma bela história de um grande homem e somando-se a ela a oração tão bem articulada por um alguém desconhecido, mas certamente inspirado na grandeza da vida, que de modo simples, traça caminhos de orientação, onde o respeito ao outro, seja humano ou não, é a base sólida de uma convivência harmoniosa.
Então, por que desprezar esta representação simbólica que nos torna sem dúvidas um pouco donos da verdade da vida, na medida em que, através dela, abraçamos o mundo na representação real de tudo que sejamos capazes de sentir e tocar, e irmos mais além, através do imaginário, tocar na alma deste mundo que chamamos de Deus.
- Senhor, fazei de mim um instrumento de sua paz!!!!!
- Onde houver ódio, que eu leve o amor!!!!!
Pode haver mensagem mais simples e abrangente que esta?
Pois bem, o domingo está chegando ao fim e eu desejo a você uma semana repleta de simbologia que possa despertar sua consciência, fazendo de suas ações diárias, reflexos dela.


sábado, 22 de março de 2014

Cumprimento da natureza


Aparentemente solitária, lá está ela, linda, cheirosa e de uma beleza inigualável, destacando-se entre as demais flores.
Meu pequeno botão de rosas que desabrochou nesta manhã de início do outono, apenas para me dizer:
- Olá!
E aí, agora, já no final da tarde, sentada nos degraus, diante dela, penso no quanto me sinto segura e tranquila nesta casa, deste jardim rústico, repleto do tudo que eu gosto e necessito, e deixo minha mente desfilar lembranças, arrancando de mim, sorrisos entremeados de algumas lágrimas de gratidão à vida pelo tudo de bom com a qual me abasteceu.
Penso, fazendo uma rápida retrospectiva de sentimentos e atitudes que também fui uma aluna aplicada, cabulando, confesso, algumas aulas, mas de um modo geral, fazendo com responsabilidade todos os deveres e, principalmente, prestando muita atenção em cada professor com seus ensinamentos que a vida, sempre muito sábia, colocou em minha lousa diária.
Bem, também fui uma impertinente perguntadora, curiosa, e jamais os poupei com minhas insistentes indagações, muitas vezes, levando-os a se sentirem em verdadeiras saias justas e, neste intercâmbio fora dos padrões normais, creio que ambos sempre saímos mais abastecidos, eu principalmente, pois jamais tive pudor em sugar-lhes até o bagaço de seus conhecimentos, e neste adorável intercâmbio, fui a cada dia tomando mais gosto pela vida e por tudo que ela pode oferecer.
Claro, apesar da aplicação, embaracei-me em algumas disciplinas, principalmente nas humanas, onde encontrei enormes desafios e, alguns mais complexos, levaram-me a recuperações e até mesmo repetência, mas no final, sentadinha neste final de tarde de outono tanto do tempo quanto da vida, constato emocionada que me formei, até com certo louvor.
Que bom!!!!
Desvio os olhos da rosa, não sem antes mandar-lhe um beijo amoroso e percorro todo o jardim que, na realidade, representa a minha jornada de vida, e feliz, sorrio pelas muitas frutas e muitas flores variadas que consegui plantar, cultivar e que por todo o tempo me permito usufruir.


terça-feira, 11 de março de 2014

ESCOLHAS


Abro os olhos e posso enxergar a estrada que se estende diante de mim, longa, sem curvas e bem delineada e então, busco encontrar algum movimento  junto aos acostamentos ou até mesmo à distancia nas cercanias mas, absolutamente nada encontro, além de uma vegetação de serrado queimada pelo sol, sem viço e sem variantes de qualquer natureza.  Aperto os olhos e torno a abri-los na esperança de  conseguir enxergar um bicho ou algo que seja, mas nada, apenas o silencio de uma espécie de deserto e um marasmo assustador.
Assim eram alguns trechos da estrada Belém Brasília nos anos 70, um verdadeiro horror, mas eu estava lá, repleta de receios, aproveitando a solidão de centenas de quilômetros para ouvir os meus próprios pensamentos, acreditando no afã de meus 24 anos que os perigos e temores que me falaram, comigo não iriam acontecer, na inconsequência repetitiva de todos os jovens que se sentem imunes as desgraças.
O medo existia latente, apertando o estômago, acelerando os batimentos cardíacos a cada raríssimo automóvel em sua maioria caminhões que viam em sentido contrário, afinal, diziam que por lá existiam ladrões como o quê, mas ainda assim segui em frente, driblando os receios, agarrando-me a necessidade de ir mais além, de sair do lugar comum, de conhecer novas paragens, novas culturas, mais eu mesma.
Quando cheguei a “Conceição do Araguaia”, no Pará em plena ditadura militar, depois de cruzar com inúmeros jipes de soldados do exercito sem poder sequer respirar  normalmente, diante do pavor da truculência que eles representavam, senti-me segura e amparada naquela então pequena vila de poucas casas e um único hotel familiar. Que loucura!!!! Que calor, meu Deus!!!!!
Foram 17 dias de aprendizado e de imensas descobertas humanas e gastronômicas, inclusive as belezas das cerâmicas Marajoaras feitas pelos índios locais com os quais pude conhecer o autêntico comportamento civilizado.
E olha que já naquela época, o homem branco com sua civilização bestial, já os estava minando há tempos.
São 15.00 horas desta linda terça-feira e sinceramente, não saberia explicar porque me lembrei desta viajem tão especial, já que estou neste paraíso tropical, mas talvez seja exatamente por não compreender até o momento, o porquê das pessoas prenderem seus pés a  chumbos imaginários que as impedem de percorrer estradas, ora desertas ou não, mas todas com certeza, repletas de vidas pulsantes, escola viva que nos ensina e nos abastece.
E aí, não pensem que eu estava sozinha, pois a meu lado, sentindo os mesmos temores, mas também as mesmas emoções, estava ele, o meu amor, tão louco quanto eu, tão querendo conhecer mais da vida, assim como eu.
Penso então, que tudo valeu a pena e que agora, tudo que vier é só mais e mais lucro, porque, nossa escolha foi capitalizar vida, conhecimentos e amor, o dinheiro, bem... Preferimos deixar a cargo das pessoas sérias, espertas e descoladas.

E lá se vão quarenta anos e nós aqui juntinhos, contando para vocês, esse pedaço de nossa história. Que maravilha!!!!!


segunda-feira, 10 de março de 2014

REFLETINDO


Hoje é segunda-feira e estamos em plena quaresma, e creio que até seja natural fazer-se mais reflexões a respeito de nós mesmos em nossas visões de convivência sistêmica que, cá para nós, está a cada dia mais fuleira.
Quanto mais nos aprimoramos, sim porque nunca em tempo algum, o mundo esteve tão habitado por DOUTORES, seja nisto ou naquilo, e,  infelizmente, mais e mais estamos nos distanciando uns dos outros, criando barreiras invisíveis, mas de resistências absurdamente fortes e cruéis.
Inventamos esta tal de internet que nos facilita tanto os nossos afazeres diários, também em todas as áreas possíveis de serem necessitadas e, no entanto, estamos a cada dia mais distantes dos caminhos que estreitam verdadeiramente os laços da afetividade, que são os meios unicamente seguros no fortalecimento da proximidade fraternal, que são justos os nossos sentidos.
Escrevendo neste instante, tento me lembrar dos cheiros de meus amigos, dos contornos de suas faces, do brilho de seus olhos e, principalmente, do calor de seus abraços que fui paulatinamente substituindo pelas letras frias do teclado ou pelas tão somente imagens, induzindo-me a acreditar que se trata de mais recursos para eu me comunicar, quando na realidade, sinto que tem tirado de mim e daqueles que me cercam, o bendito prazer de querer estar mais próximo.
Penso então que lendo estes meus pensamentos, nem todos concordarão, até porque, dirão que é ela, a internet, que os mantém unidos, falando e se vendo por todo o tempo.
E aí, será mesmo?
Não estaremos inconscientemente criando entre nós um espaço que estabelece o excesso de privacidade e eliminando as delícias e as torturas da surpresa do inesperado incômodo que o outro nos trás em determinados momentos em que estamos tão ocupados e que, afinal, nos fazem desenvolver a tolerância, a compreensão e a paciência, forças básicas que nos envolvem numa atmosfera de respeito às diferenças?
Que a internet é fantástica em nossas vidas, não se discute, apenas analiso a parte humana que sinto e observo, terem esfriado em termos afetivos nas últimas décadas, levando-me a crer que não estamos crescendo verdadeiramente com toda esta infindável gama de informações instantâneas e de acessos imediatos, ficando na realidade você lá e eu cá, ambos sozinhos em nossos colóquios afetivos de interatividade emocional.
Você não precisa concordar, apenas pense a respeito, busque nas lembranças o quanto era bom deslocar-se para tão somente jogar um papo fora, bem de pertinho com aquele seu amigo que muitas vezes lhe encheu o saco, chegando às horas mais inoportunas, demorando mais que deveria, mas que lhe fazia também um bem enorme, preenchendo aquele vazio que hoje você sente e não sabe exatamente de onde vem.
Pois é... Os pássaros estão chegando e com eles o nascer desta segunda-feira que, sinceramente, espero que seja ensolarada para aquecer pobres e ricos, todos com ou sem internet, deste mundo de meu Deus.



domingo, 9 de março de 2014

MENSAGEM A UM NOVO AMIGO

Que bom, o dia amanheceu e, novamente, eu e você teremos a oportunidade para  mudarmos hábitos e costumes que, durante anos, nada além de dores e aborrecimentos nos causaram.
Presos aos elos de uma falsa segurança fomos, nem sempre conscientemente, alimentando posturas emocionais que nos transformavam, mas apenas no aparente, em pessoas fortes e resistentes, quando na realidade sempre fomos apenas teimosos e inconsequentes.
Enganosamente, fomos direcionados pela total ausência do conhecimento de nós mesmos, a insistir nisto ou naquilo, acreditando que, assim, estávamos cuidando de nossa preservação em todos os níveis.
Qual nada...
Apenas e tão somente, como pássaros cantadores, por costumes confortáveis a uma acomodação que nos é peculiar, cantamos e cantamos sempre de volta ao mesmo espaço, velho amigo e companheiro, fazendo dele nosso porto seguro, quase sempre, nem tão seguro e com certeza jamais um porto ideal.
Que neste domingo ensolarado, acordemos mais dispostos a olhar um pouquinho para o nosso interior, buscando coragem para com a mesma insistência que nos caracteriza tentar encontrar uma pequena inspiração que nos leve a refletir com mais amor e sabedoria, o que melhor nos convém e com a coragem que imprimimos no enfrentamento da dor e das frustrações, enfrentemos a nossa realidade de pássaros viajantes que por aqui, apenas, se encontram de passagem.

E, portanto, ser feliz, achando e se sentindo bonito é a única meta.

sexta-feira, 7 de março de 2014

RECADO A UMA VELHA AMIGA

Naturalmente, precisamos admitir que são outros tempos  e que, em sua maioria, nos choca e nos leva a pensar que o tudo de bom nos relacionamentos  de quaisquer natureza, está se acabando, principalmente a ingenuidade, o romantismo, o respeito, o sentido hierárquico, o amor, e por aí vai, fazendo-nos crer que tudo está mais frio, quase banal.

Entretanto, somos também de uma geração sem a intercessão do on-line, o que não nos enfraqueceu, pois, sem ter estes infinitos recursos, em nossas formações de criaturas humanas, fomos levados à sonhar, criar e formular nossos ideais com muita criatividade. Foram épocas de uma riqueza produtiva intelectual maravilhosa e, entre outras  razões, também nos tornamos pessoas mais resistentes e adaptativas, não temos medo do desconhecido e vamos sempre lá, buscar o conhecimento e o entendimento disto ou daquilo, além de estarmos sempre prontos, na maioria das vezes, para o que der e vier.

Relaxe minha amiga, faça se puder um pouco como eu, que por uma questão de sobrevivência, induzi-me a aprender a trilhar alguns caminhos solitários que aos poucos foram se revelando como grandes aliados, abrindo veredas de luz e serenidade que me permitiram aos poucos e pacientemente descobrir que, afinal, minha fortaleza pessoal era ainda maior do que eu poderia um dia supor. Portanto, lá vai uma dica, como início de uma nova visão existencial.

"Cuide de seu quinhão que é a sua vida, com zelo de um perfeito artesão".

Limpe as feridas da alma e as deixe secar livres das ataduras e gases.

Perdoe a si mesma pelas ainda incompreensões pessoais e se deixe navegar em mares calmos como os de Itaparica, aproveitando o morno das aguas, o sol constante e a felicidade de se sentir viva, para, finalmente, se dar ao luxo de se amar e se cuidar.

Acredite nesta velha amiga de sempre, tudo ao seu redor vai se acalmando e o universo das pessoas, das necessidades e do existir vai ficando suave e mais leve de ser transportado vida afora.
Isto, não é filosofia e tão pouco religião, apenas conscientização que estou me permitindo absorver deste universo bendito que passei a verdadeiramente enxergar e que, carinhosamente, externo a você, pelo tanto eu lhe quero bem.

Beijos carinhosos nesta sexta-feira, onde a diversidade se faz presente nas figuras do sol e da chuva na disputa divina de se mostrarem para nós duas, lindas e poderosas criações deste mundo de meu Deus.

domingo, 2 de março de 2014

REFLETINDO

            Oh! Meu Deus, como são difíceis os caminhos que se tem que percorrer na busca incessante do equilíbrio existencial.
            Como é difícil o enfrentamento contínuo com o despreparo que existe em cada um de nós.
            Como é muitas vezes dilacerante o aprendizado do óbvio que na realidade compõe a bendita lógica de existir.
            Como é absurdamente gratificante o encontro com cada instante de conscientização que, como brinde pela persistência, nos oferece um adicional de forças, com a estrutura completa de dignidade  que se infiltra em todo o nosso ser, dirimindo dúvidas, levando-nos à luz de mais um entendimento.
            Ah! Mas como é longa a restauração de um núcleo deformado.  É preciso tenacidade de propósitos, que por si só garante a eficácia da vigilância amiga e protetora.
            Ideal seria se fossemos devidamente formados através da cronologia de nossas etapas, porque, afinal, ao longo de uma existência,  vivenciamos exatamente os frutos de nossas escolhas e decisões que em sua maioria, são decididas as cegas.
            Mas como podemos fazê-las com coerência e sabedoria se não dispomos dos subsídios necessários para formata-las com a mínima possibilidade de êxito?
            E aí, erramos e erramos, insistimos e aprendemos, infelizmente nem sempre, e a somatória de erros e enganos, muitas vezes cria um verdadeiro caos, impossível de ser revertido.
            Outras vezes, acertamos em determinado aspecto e nos confundimos atrozmente em outros, e a partir desta permanente insegurança, vamos permitindo  acúmulo de ansiedades, geradas pelas incertezas e frustações, dando-nos um permanente vazio, que rouba o brilho de nossos olhos, a franqueza de nossos sorrisos, a grandeza de nossa espontaneidade.
            Viver, como meta única, saltando obstáculos, contornando caminhos e através deles abrindo espaço para a saborização do entendimento da vida, que de tão simples torna-se banal aos olhos do descuidado, do pouco atento ou do desajustado.


 Escrito em parceria com a energia de  Carlos Gabriel Arruda                                                         Carlos Gabriel Arruda