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Mostrando postagens de Agosto, 2013

APENAS O MAR...

O corpo estremeceu, enquanto os olhos aflitos buscam na amplitude do horizonte que se descortina, o abraço aquecido desta manhã ainda que meio adormecida, mas já ostentando ao longe fachos luminosos que, de tão longos, chegam até bem próximo de mim, fazendo-me instintivamente querer pegá-los, ficando minhas mãos tateando um aparente nada.
Afundo ainda mais o meu corpo, deixando-me envolver totalmente sem qualquer receio ou preconceito pela ausência de sol ou da possibilidade em me sentir solitária em meio a esta imensidão na qual me entrego, sorvendo tão somente a força emanativa, assim como me deixando dominar pela racionalidade da certeza de que, se ele decidir não me libertar, não reagirei, pois tudo serei e tudo poderei.
Que poder é este que me fascina, me atrai e me apaixona?
Que força é está, da qual não posso e não quero resistir?
Que abraço é este, no qual me deixo envolver e por instantes que me parecem eternos, faz de mim a criatura mais completa do universo?
É chegada à hora de …

MORTE SÚBITA - FINITUDE

E aí, olhando lá fora, enxergo neste amanhecer de sol suave, regado a uma chuvinha rápida, muito além da natureza aparente, vejo, por exemplo, as possibilidades que o fato de estar vivendo me oferece e que por um vício persistente em achar que o tudo o mais sistêmico é o mais importante,  costumeiramente, deixei de considerar, o que me levou  a  uma infinidade de posturas inadequadas, durante um só dia que somados a longos anos, com certeza é responsável por uma considerável diminuição de tempo de existência ou, no mínimo, por um sem número de dores, enxaquecas, irritabilidades, lágrimas e a um tudo o mais que arrancaram de mim, boa parte da alegria de viver que certamente me fora destinada, pela minha própria natureza, em sua essência. Pensando em tudo isso enquanto respiro fundo, acreditando que, finalmente, não mais serei fisgada pelos velhos e corroídos vícios, ouço um sabiá cantando insistentemente, como que para me lembrar, que vigiar é preciso. E que a vida que insisto em confund…

MEDITAÇÕES

Nesses meandros emocionais em que o racional é permanentemente lançado às trevas da incerteza, permaneço confusa, perdida, e com a sensação contínua de estar sem o chão seguro no qual preciso manter-me de pé.

Remeter-me-ia, se soubesse, às profundezas do mar azul de meu inconsciente, na expectativa de encontrar subsídios conciliadores entre as emoções desejadas e as conseguidas, talvez, então, em um balanço racional, pudesse extrair uma única verdade, um único caminho, onde todo o meu ser, então, se harmonizaria, através do encontro e consequente descanso tão necessário, com a bendita paz.

Estado conciliador que se expressa nos poros, nos olhares e nas vibrações que contagiam, desarmam, aproximando ou distanciando as energias que plainam ao meu redor.

Se eu pudesse, se eu soubesse qual o caminho a seguir, perseguiria frenética os recôncavos de meu interior na busca teimosa dessa paz, até agora, tão somente utópica?

Talvez, não sei, afinal por todo o tempo coloquei a paz como algo a ser…

PARECE BOBAGEM...

Respiro fundo e posso sentir como se também pudesse enxergar, meus órgãos internamente movimentando-se, num frenesi de reconhecimento superficial. Paro então, qualquer reconhecimento lógico e busco entender este mecanismo que inconscientemente desenvolvi, que é capaz de desviar minhas atenções para o meu interior, quando por algum motivo, meus sentidos não estejam absorvendo o exterior  de forma adequada, levando-me a me ater a detalhes que não fazem parte de uma conduta racional corriqueira, como por exemplo: -Ficar sentindo repentinos tremores nas mãos, pernas meio bambas, cólicas intestinais, respiração ofegante ou  sufocamento ou ... São tantos os sintomas desagradáveis. Será que eu mesma criei sorrateiramente nos labirintos do meu emocional, mecanismos de sabotagem, querendo tão somente camuflar algo, como por exemplo, o medo? Sim é possível, mas talvez, também pondero que possa ser minha própria natureza física que após tantos exercícios em parceria com os sentidos, e já em um estág…

MARAVILHAS DO COTIDIANO

E aí, são cinco horas de mais uma manhã de inverno em que acordo sorrindo ao lado de meu Roberto, constatando que estou quentinha com o calor de seu corpo, coladinho ao meu. Lembro então, ainda com os olhos fechados, que hoje é aniversário de meu filho Luiz Claudio e que “Meu Deus”, ele está completando quarenta anos. Que maravilha eu estar viva para comemorar este momento e aí, bem... Só mesmo sorrindo e me chegando para mais pertinho do meu amor, na busca de mais um aconchego, antes de me levantar para dar início, a mais uma lida de meu cotidiano. Enquanto, escovo os dentes, novamente penso, diante do revelador espelho, que o tempo andou ligeiro, safadamente apressado, deixando-me neste instante um pouco surpreendida, justo por não me sentir cansada e muito menos assustada ao constatar que meu menino cresceu, e eu, somente perante o tempo, envelheci. O tempo teve pressa e estabanado como sempre, foi fazendo estrados pelos caminhos de meu corpo, mas não de minha mente, pois mais esp…

RECADINHO

Olá, meu querido pai, você partiu pertinho do Natal de 2000 e de lá para cá, ainda não consegui chorar de tristeza como é inerente às emoções da criatura humana. Nesses quase 13 anos sem a sua presença, após inúmeras reflexões a respeito desta ausência de explicitude da saudade, chego à conclusão sorrindo que afinal, somente o riso, a alegria são capazes de permear as lembranças de todos os instantes que nortearam a nossa convivência, sem máculas por longos e agradáveis cinquenta e um anos. Também durante todos esses anos de profunda amizade, insistias em não me deixar esquecer que amar e se dedicar, só tem sentido se o outro estiver vivo para receber e, que para os que já se foram apenas deveríamos não deixar morrer suas lembranças. Pois bem... De você meu querido pai, abasteço-me das lembranças gratificantes de um homem presente, amoroso, responsável e que jamais, deixou de apreciar cada instante de sua preciosa vida, deixando esta sua filha abastecida de sua poderosa, alegria de v…