segunda-feira, 28 de junho de 2010

VIDA E EMOÇÃO

Hoje é um dia aflitivo para o povo brasileiro.
Será que a seleção vence o Chile, passando, assim, as oitavas de final?
Não sei não, por mais que eu queira ser otimista, sempre me lembro da seleção de Camarões que nos mandou para casa.
Lembrando o passado?
Claro, é preciso não esquecer que nosso time está bem fraquinho e achar que o Chile vai atuar tão mal quanto na copa de 98, quando então o Brasil ganhou de 4x0, aí, bem, é muito otimismo, mesmo para mim que sou muito burrrinha em futebol, se bem que nessa copa já acertei a previsão de 02 jogos e vocês são testemunhas, infelizmente para nós todos.
Rogando a Deus e ao estímulo salarial de nossos meninos, que eles coloquem um pouco de arte e mais garra nas técnicas que parece todos já terem em suas atuações.
Ah! e não cair na besteira de dar cotoveladas, caneladas, porque, afinal, pra que correr o risco de uma expulsão, cartões vermelhos e mesmo faltas perigosas.
Quero muito que o Brasil ganhe, pois esta vitória irá refletir-se nos ânimos de cada brasileiro, colorindo de verde-amarelo por um bom tempo os corações de todos nós.
A edição do VARIEDADES do mês de junho, já deveria estar circulando desde o dia 24/06, mas fazer o que se a capa é justo o hexa?
Hoje, vencendo ou perdendo, no final da tarde vai para a gráfica e se Deus quizer,na quarta -feira, no último dia do mês, estará como nas 72 edições anteriores, circulando e nos cobrindo de orgulho e prazer.
Essa copa mensal, onde ultrapassamos todas as etapas das inúmeras dificuldades, sempre tem sido vencida, graças ao apoio, que não deixa de ser uma torcida entusiasmada, que são nossos anunciantes e, é claro, de nossa arte e garra que não nos deixou desanimar nem tão pouco afrouxar o corpo, a alma e o coração.
Futebol e jornalismo se entrosam tão bem porque, tanto um como o outro, expressam vida e emoção.
Vamos lá Brasil!

sábado, 26 de junho de 2010

CRÍTICA OU ELOGIO, SEI LÁ...

Se somos médicos, engenheiros ou coisa e tal, parece que as pessoas não traçam, de um modo geral, perfis avaliadores ou simplesmente nem pensam que precisam fazer este ou aquele comentário a respeito de nossos desempenhos profissionais, a não ser, é claro, que fiquemos famosos para o bem ou pelo mal, para que sejamos alvo ou centro das atenções mentais de alguém.
Pois é, mas quando exercemos como ofício qualquer expressão que requeira o toque artisticamente emocional, ou seja, o que quero dizer é que de alguma forma estejamos utilizando a nossa alma como condutora de nossa expressabilidade profissional, tornam-se absolutamente necessárias as criticas, mesmo que veladas, aos escritores e, mais precisamente, aos escrivinhadores do universo, que são aqueles que, como eu, passam seus instantes presentes tão somente fazendo registros instantâneos de seus sentidos.
Nossa..., compliquei.
Bastava sintetizar, dizendo:
- Ainda bem que somos notados, nem que seja para uma crítica prá lá de desconsiderativa como, por exemplo, fui alvo nesta manhã de sábado, em que alguém me disse que o que escrevo é bem a minha cara.
E como é a minha cara?
Boa bonita, chata, aborrecida, ótima ou uma merda?
Pois é..., isto é que chamo de comentário infeliz, acerca do que escrevo, já que deduzo que para cada criatura meus escritos devam ter conotações bem distintas e nem sempre muito apreciadas, já que não me preocupo em momento algum em ser politicamente correta, não por agressão, contradição ou desconsideração aos critérios dos demais, mas tão somente porque, quando escrevo, não penso,apenas deixo fluir a tal da alma, que tudo em si tem registrado e que se permite espelhar.
Que coisa, heim!
De repente, lá vem um comentário esdrúxulo, justo por não parecer franco, camuflando-se em talvez num falso elogio, o que certamente machuca a pessoas como eu, que fazem de suas escritas um eterno poema de amor à vida e que em momento algum se prepara para a rudeza que sabe existir, tanto que descreve sempre que encontra, mas que lhe parece muito distante, assim como uma das muitas histórias que vê acontecer, bem fora do alcance magoador.
Neste instante, lembrei-me de Márcia de Windsor, jurada dos anos sessenta de Flávio Cavalcante, animador de programas de auditório. Ele era o máximo da TV, acho que TUPI. Alguém da época se lembra da loura platinada, sempre muito lindamente vestida, que só dava nota 10 aos calouros, falava manso e chamava as pessoas de meu amor?
Eu a achava maravilhosa, mas outros a consideravam uma chata metida a certinha e muito falsamente melosa.
Assim são os escritos, as encenações, as pinturas, as esculturas e todas as culturas que, afinal, refletem o melhor e o pior de seus executores.
Enfim, este tipo de pessoa se expõe, não dando muita bola pro azar, é o que pensam os outros, pois na verdade sentem muito mais profundamente todos os tipos de agressão, da mesma forma se realizam com uma pequena atenção, pois por menor que seja é sempre um enorme estímulo, como um beijo ou um afago carinhoso.
Nossa, Regina, deixa de ser piegas, tudo isso porque sua cunhada não lhe disse como é a sua cara?
E daí, pense um pouco, qual a diferença que fará, nesta altura da vida, saber se para ela sua cara e seus escritos são assim ou assado?
Um pouquinho tarde, não acha? Quarenta anos depois.... no mínimo, você deve ter compaixão para com a coitada que precisou ler por todo esse tempo o que você escreveu, tendo diante de si a sua cara. Coitada, não deve ter sido fácil se foi uma crítica, assim como foi uma fiel admiradora, se foi um elogio. Pois, cá prá nós, cunhada não é parente, de repente é só um encosto que precisamos suportar, em nome do amor familiar que precisamos manter para nos sentirmos mais amparados neste mundo de meu DEUS.
Pelo sim, pelo não, dou uma olhadinha no espelho,só para conferir a minha cara.
Ainda bem que ela me conhece o suficiente para desconsiderar o fato de que nesta manhã ela me ofereceu um gancho para mais uma escrita, afinal, confesso,estava sem inspiração.
Obrigada cunhada, e um BOM DIA, com ou sem a minha cara.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

NADA COMUM

Do terraço do prédio era possível de um lado apreciar a mansidão das águas da Lagoa Rodrigo de Freitas e, num girar de calcanhares, deparar-se com as ondas agitadas do mar de Ipanema e ao tombar para trás a cabeça, lá estava o céu, normalmente brilhante, a coroar toda aquela beleza.
As vezes, quero dizer muitas vezes, deitei-me de frente para o sol, até perder a visão de tanto desejar recebê-lo em minhas retinas de criança e depois, menina-moça, curiosa em desvendar o que possivelmente haveria por dentro ou através dele.
Os olhos se enchiam de mil estrelinhas escuras e piscantes, efeito devastador à qualquer visão, mas não à minha que, antes de sentir medo de uma cegueira anunciada por minha mãe, não poderia dispensar tamanho espetáculo. E se o preço fosse a cegueira, que sequer poderia avaliar, que viesse então bendita cegueira, após a felicidade suprema de penetrar o sol e, por instantes, a ele pertencer.
Fechava-os, então, deixando a mente voar por entre o imaginário de menina filha única, rapa do tacho, princesa do lar.
O vestido esvoaçante na cor azul, bem clarinho, imitando o céu, moldava o meu corpo que rodopiava por um salão imaginário, tendo o universo como piso e um galante cavalheiro sem rosto a me conduzir, bem aos moldes dos musicais americanos que impressionavam as meninas dos anos cinquenta.
Ah! só suspirando ... Afinal, ainda é bom demais até hoje poder relembrar o poder que o romantismo exercia em nossas cabecinhas.
Nada era comum ou corriqueiro, tudo era especial, sem pressa de acabar logo.
Ah! beijar era um ato que se arrastava em profundas emoções, antes de acontecer, levando-nos a ensaiar inúmeras perspectivas, pensando por todo o tempo em como seria, e depois do acontecido, permanecia mágicamente nos acompanhando, tirando a concentração, fazendo-nos percorrer fantasiosamente um mundo de lindas ilusões.
Como foi bom, meu Deus, ser uma menina nos anos cinquenta e uma linda adolescente nos anos sessenta, podendo ter como cenário constante os mistérios do mar de Ipanema, o requinte da Lagoa Rodrigo de Freitas e a aura de um Rio de Janeiro que mais parecia um principado dos contos de fadas, que o modernismo fez crescer e perder o brilho.
Fecho os olhos e, simbolicamente, fecho a cortina das recordações, podendo a qualquer momento abrí-la, como se minha mente fosse um palco e eu a diretora de cena.
Por que não?
Como é gratificante, ter o que recordar! Revive-se mil vezes grandes momentos, fantásticas lembranças, gloriosas emoções que nos tornam mais doces e tolerantes frente ao imponderável e, com certeza, mais encantados com o fato absolutamente banal de estarmos vivos.
Se adcionarmos a estas lembranças o som das músicas orquestradas por Rey Connif ou Glen Miller, bem ... aí é que a perfeição se apresenta e tudo que nos resta é simplesmente nos dobrarmos ao fato indiscutível de que, dentre tantos, somos os privilegiados e que não podemos e não devemos ocupar sob nenhuma circunstância o lugar comum, que nos dias atuais é banal e absolutamente comum.
Que o dia de hoje tenha sido suave e que o Brasil ganhe amanhã de 2x1, se bem que acho que empataremos com Portugal. Brasileiro gosta de fazer corpo mole e como já estamos classificados ..., tudo é possível.

terça-feira, 22 de junho de 2010

BANDIDO DE ANTIGAMENTE

Já não se faz mais bandido como antigamente.
Ainda me lembro, sinceramente até com saudades, do tempo em que o Rio de Janeiro era dominado pelos bicheiros Anísio, Castor de Andrade e alguns poucos outros de menor status, cujos nomes não me recordo, até porque não atuavam na zona Sul, onde nasci e me criei.
Em cada esquina, infalivelmente, lá estavam um ou dois capangas, normalmente sentados em um banquinho de madeira, caneta na mão e bloquinho pequeno de papel, fazendo anotações do jogo do bicho, que os moradores de cada pedaço da rua, do bairro e da cidade não deixavam de fazer.
Mais que um vício, jogar era um hábito diário de qualquer dona de casa, fosse quem fosse na hierarquia social, se bem que a "madame" se servia dos empregados para não se expor ao vivo e a cores, mas que o apontador do bicho, como eram chamados, sabiam de cor e salteado de onde partia a "fézinha".
Normalmente, o apontador, capanga ou seja lá a extensão de suas atribuições, era alguém sempre querido nas redondezas, pois sempre gentis e simpáticos, eram os olheiros dos pais na vigilância de seus filhos nas brincadeiras de rua.
Guardiães das residências, pois durante seus horários de trabalho, vagabundo não se atrevia a aparecer.
Sempre respeitosos, jamais se ouviu falar em qualquer tipo de abuso de poder, mantinham só com suas presenças emblemáticas a paz que todos usufruiam e, por isto mesmo, conpensavam tais criaturas com mil agradinhos, que ia do café com pão quentinho logo pela manhã, ao almoço variado. No natal, me lembro, jamais eram esquecidos e por serem sempre os mesmos por anos a fio tornavam-se, de certa forma, parte integrante da vida de todos nós.
Bons tempos em que bandido pensava e se fazia respeitar, não apenas pelo que era capaz de destruir, mas principalmente pelo que era capaz de evitar. Conviver com um chefão era mais seguro que com a polícia, que, já naquela época, estava bastante desgastada, repleta de oficiais concorrendo com a bandidagem, mas nem mesmo eles eram capazes de desafiar o cerco de segurança que o chefão impunha em seu território.
Tempos bons, onde não me lembro de ter sentido medo.
Das janelas abertas e sem grades.
Das aventuras pitorescas logo depois do jantar, nas inesquecíveis corridas de submarino que a juventude desfrutava em toda a extensão da orla do Arpoador e Ipanema.
Das caminhadas solítárias que fazíamos até os clubes AABB, Monte Líbano e Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, para o banho de piscina, a ginástica, o volei ou o tenis que eu tanto adorava.
E as domingueiras que coloriam as tardes monôtonas de domingo, onde aprendi a gostar dos Holling Stones, de Roberto Carlos e da turma da Jovem Guarda.
Tudo era tão seguro e mágico.
Bons tempos, que foram sendo minados pela diversificação mafiosa dos negócios da bandidagem, direcionando interesses a um ganho mais expressivo, chamado DROGAS.
A partir daí, tudo foi mudando, ainda me lembro que no inicio dos anos 70, já não era possível encontrar-se com constância os tais empregados, sentados em seus banquinhos.
De repente, outros tipos aparecerem, usavam óculos escuros, as caras sempre fechadas e mais nenhuma conversa ou simpatia. Com estas criaturas, foram também chegando a indiferença, o silêncio e a violência.
A polícia descarou de vez, propinando nas esquinas aos olhos de qualquer um, na certeza da impunidade e no poder da coação. Chefões foram presos, depois assassinados, e o que antes era acordado, passou a ser cobrado com a posse e domínio, no aumento constante de atuação dos territórios.
Todas estas lembranças advém do fato de eu estar assistindo o mesmo filme outra vez, em proporções aparentemente mais lentas, menos volumosas, lêdo engano.
O território é pequeno e os marginais são muitos, assim como a natureza bandida já se forma calcada em uma competição um tanto burra, pois é gananciosa e sem amparo local.
Mafioso que se preza,cuida do seu rebanho, parede protetora, véu encobridor.
Não vai demorar muito para uns detonarem outros, pela esquina, pela praia, pelo beco, pela rua, igualzinho nas favelas, como bandidos de terceira.
Que saudades, meu Deus, do bandido de antigamente, que vestia terno e gravata e nem por isto fazia discurso e se elegia político, preferindo o status de poderoso chefão, cercado de todo um povo que lhe dava proteção.
Ah! que tristeza, meu Deus, pelo emburrecimento e por terem se tornado escória.
Lixo difícil de ser varrido, pois sem identificação, se tornam qualquer um, por todos os lados, em qualquer lugar.
Pois bandido que se preza, cria escolas e doa emoção, promovendo o seu território, se protegendo também.
Quem se lembra de Tenório, o homem da Capa Preta e da "Lourdinha", a mais famosa das sub-metralhadoras?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

TÂO SOMENTE

Silêncio?
Nada disso. O barulho é simplesmente ensurdecedor.
Pouca ou coisa nenhuma é a nossa percepção.
Quando a noite chega, vem pelo caminho despertando mil vidas que, ainda sonolentas, vão se apresentando lentamente, formando um coro gigantesco, caracterizado pelo som constante dos grilos que aos nossos ouvidos parecem únicos.
O cão do vizinho late rouco, como se estivesse resfriado e talvez esteja, exposto que permanece preso a correntes de aço, inclusive no sereno destas noites frias de inverno.
Não se ouve um só murmúrio humano.
Os dias transcorrem silenciosos e sem movimentos humanos, além dos meus próprios que de tão acostumada, nada mais ouço de mim mesma que não seja interno.
Converso por todo o tempo com minha mente irriquieta, que se recusa a parar de pensar no que é capaz de absorver através do pseudo silêncio que me envolve.
Tudo por aqui aparentemente é sempre igual, até o canto dos grilos, o coachar dos sapos e pererecas, o latido do cão do vizinho.
Todavia, a variedade de sons e movimentos são intensos e eu, em companhia de minha mente, circulo por entre eles com a intimidade de quem com eles convive tempo demais, para se sentir solitária.
Intimidade prazerosa que aprendi a gostar de ter com minha mente ainda garota, lá em Guapí, à beira do riacho, sentindo o salpicar das gotas benditas que em mim espirravam vindas da cachoeira, arrancando arrepios de prazer através do friozinho constante que aquele pedacinho de floresta sabia produzir.
Que infância maravilhosa me foi proporcionada, MEU DEUS!
Quantas belezas pude vivenciar, quanto amor me dispus a receber.
Hoje, vou variar, desejando tão somente, Boa Noite!

POR QUEM OS SINOS DOBRAM

Ontem, domingo, foi um dia especial para mim e com certeza para muitos os que estiveram na Sede do Alto para receber o candidato Paulo Souto.
Quem me conhece um pouco, sabe que mantenho uma certa reserva em relação a políticos, afinal, jamais escondi que os considero uns caras de pau, o que comprovei na pele, quando me decidi a concorrer à Câmara de Itaparica.
Quando se sobe pela primeira vez em um palanque, cremos que não vamos dar conta do recado, mas uma vez superado o medo, a sensação de insegurança, e etc e tal, logo nos tornamos íntimos do microfone e da sensação de poder do qual se é dominado.
E cá prá nós, é bom demais!
Pois é, aí mora o perigo e que leva a maioria a abraçar esta atividade de forma inconsequente e absolutamente desvinculada com os reais comprometimentos que um legítimo representante público deve possuir, surgindo, então, os espertinhos que fazem desta experiência fantástica um aprendizado dinâmico, onde o respeito pelo bem público se perde e o sentido do coletivo desaparece, e aí, vários talentos absolutamente expontâneos são sufocados, para dar lugar à ganância, que como parceira constante da indiferença, libera ideias, matando ideais.
Que pena...
Paulo Souto, José Ronaldo, ACM Neto e Bruno Reis felizmente estão em um patamar de comprometimento pessoal e público.
Ainda bem!

sábado, 19 de junho de 2010

Época do voto...

Lá vem Dona Regina, bater na mesma tecla: educação, repressão, orientação, vigilância, comprometimento, decência, respeito político, ética e blá,blá,blá...
O povo, aquele que mora na Juerana, na casa de barro sem piso, sem mesa, sem cama, sem fogão ou geladeira, sem mesmo ter o feijão como certeza no dia, lá quer saber de política?
Do que faz o político além da merreca que dele pode tirar nos períodos eleitorais?
O trabalhador de carteira assinada, sonha com o 13º salário para comprar um pedaço de seus sonhos, enquanto isso, o miserável, o sem nada, vibra nas eleições de dois em dois anos, para ganhar, a seu modo, também um pedaço de seu sonho, se assim pode se chamar uma telha de amianto, um pedaço de jabá, uns trocados para a pinga.
E aí, o que pode interessar a estas criaturas, além de seus sonhos imediatos, tendo seus desejos saciados.
O buraco não tapado? Ele aprendeu a saltá-lo.
O lixo não retirado? Ele sequer se apercebe, nem mesmo à sua porta.
A escola está uma droga? Ele nela só reclama por não ter merenda.
E o médico, a enfermeira, o band-aid e o remédio?
Ele reclama, mas já se acostumou a só ter em caso de muita urgência lá no HGI.
Mas outubro está chegando e com ele o político, ave de rapina certeira que joga pouca ração para o gado faminto, buscando o voto então garantido.

ABRAÇADA POR DEUS

Sentei-me para escrever e apesar de já ter na mente um esboço do que escreveria, no decorrer dos minutos seguintes, as palavras simplesmente não brotavam e foi aí, então, que percebi que justo a janela à minha frente eu havia esquecido de abrir.
Erro fatal às minhas inspirações, que advém exatamente do poder mágico que a natureza, seja ela qual for, exerce sobre mim.
Pronto, agora com ela descortinando o meu jardim, retomo o fio da meada, não sem antes pensar que talvez, assim como eu, cada pessoa possui a sua fonte de inspiração no exercício exploratório de seus dons pessoais, bastando apenas ficar atento para se aperceber tudo quanto mais prazer e paz lhe oferece e acreditem, normalmente é algo tão óbvio em nossas vidas que, arrogantes e preconceituosos, deixamos passar batido sem maiores considerações.
No meu caso por exemplo, apenas abrir a janela para melhor me sentir em meio ao que realmente me pertence e que ninguém pode sequer interferir que é o meu amor à natureza, de onde extraio minhas energias através do prazer em contemplá-la.
Quando estou em contato com ela, mesmo por breves instantes, consigo extrair todos os nutrientes que me inspirarão no decorrer de meu dia a tudo que for preciso vivenciar com mais segurança, carinho, dispensando mais atenção aos demais óbvios que normalmente deixamos de lado até mesmo pelo hábito já enrraizado de não querer enxergar, ouvir, neutralizando o nosso sentir, que, afinal, determinará no final de um dia assoberbado ou monótono o quanto fomos amigos de nós mesmos, permitindo-nos alguns prazeres inusitados e gratificantes.
De certa forma, não somos responsáveis por agir assim, pois desde muito pequenos nossos entes mais queridos sempre dispensaeram enormes cuidados com a finalidade única de nos protegerm disto ou daquilo, tirando de nós o livre arbítrio de pelo menos sentir e optar se é ou não agradável estar no frio, no calor, junto ao terreiro correndo ou tentando apanhar uma só gota de chuva que teimosa escorre por entre nossos dedinhos de inocentes descobridores.
Com este procedimento coberto de amor e infelizmente de repressão, enfraquecemos nosso sistema imunológico físico e emocional, e passamos toda uma vida reféns de gripes, resfriados e de uma infinidade de traumas, fobias, síndromes e o escambal, buscando antídotos que nos devolvam o que jamais conseguimos ter, que foi justo a vida e a liberdade de simplesmente ser para poder sentir sem medo de ser feliz ou infeliz se for o caso em algumas ocasiões.
Fugindo por todo o tempo em mil formas de expressabilidade vamos tocando a vida, tentando inutilmente esconder os nossos medos e as nossas frustrações de permanecermos por todo tempo com aquela espécie de vazio interior, que procuramos compensar desta ou daquela maneira, sem que de verdade consigamos que se insira em nós de forma sistemática e absolutamente fiel.
Neste instante, posso ouvir um BEM-TE-VI abusado, fazendo de sua chegada uma festa em meu jardim, saudando-nos e, é claro, aos demais pássaros em um bom dia repleto de alegrias, que naturalmente é correspondido pelos demais, transformando estes instantes de sonoridade diversificada e, portanto, completa, em um espetáculo musical sem precedentes por ser a cada dia absolutamente inédito, fonte, assim, de inspiração bendita deste universo que neste instante absorvo como se abraçada a Deus eu estivesse.
BOM DIA à todos!!

sexta-feira, 18 de junho de 2010

PARTE DE MIM

Sol e chuva, casamento de viúva.
Quem ainda se lembra deste refrão?
Particularmente, adorava correr no terreiro, tentando com os bracinhos abertos, abraçar o sol e correndo atrás de mim, uma mãe possessa, que gritava por todo o tempo todas as doenças que adviriam daquela estrepolia infantil, sem deixar, é claro, de ameaçar com o chinelo, o que me fazia correr mais rápido ainda.
E aí, na medida em que fui crescendo, continuei amando esta mescla da natureza, mas que me lembre, nunca mais corri pelo menos desta forma pra abraçar o sol, preferindo sempre apreciar do conforto de um abrigo seguro.
E então, creio que a partir daí perdi grande parte de minha inocência, que no decorrer dos anos seguintes teria me feito um grande bem, porque, afinal, compreender tão nitidamente tudo que nos cerca, mais que uma conquista, dom ou seja lá o que for, é antes de tudo e por todo tempo um exercício de paciência, resignação pela própria condição de também ser uma humana.
O muito amor pela vida, não consola em alguns momentos em que somos obrigados a conviver com a pequenez espiritual que nos assola.
Vixe! Não pensem que estou depressiva, talvez vez por outra melancólica, principalmente quando incansavelmente me deslumbro com os brilhos maiores desta vida, e aí, eu, como toda romântica, me emociono e imediatamente lamento que assim como eu e tantos outros, não consigamos entender porque tantos outros não conseguem encontrar inspiração em sua vidas, tão somente reverenciando a própria vida.
É..., seria isto a expressão máxima da diversidade humana?
Ou seria simplistico demais, resumir toda esta incapacidade de reconhecimento existencial, tão somente pela falta de interligação homem/natureza?
Responda você, que ainda nem se apercebeu que por minutos, lá por volta das 7 horas da manhã, choveu e fez sol, tudinho ao mesmo tempo,só para lhe dizer:
- Ei! eu estou aqui, meu nome é vida e você faz parte de mim.
- BOM DIA!!!!!

terça-feira, 15 de junho de 2010

EXCLUSIVISMO BURRO...

Hoje, enquanto preparava o café, na companhia de meus cães, e gozando do silêncio bendito da ainda madrugada, lembrei-me de um fato que ocorreu em l965, quando então eu tinha l5 anos e uma onda de assaltos noturnos passou a nortear as mentes e vidas dos moradores da Rua Barão da Torre, em Ipanema, Rio de Janeiro, local onde nasci e me criei.
Até então, ladrão era coisa de que só se tinha conhecimento através de jornais sanguinolentos, como, por exemplo, O DIA, que afinal era proibido nas casas de gente de bem, pois era o estereótipo da coisa ruim, que não deveria fazer parte do dia-a-dia de uma família respeitável, mas que o meu pai, como eterno contrariador, comprava e deixava sempre largado em algum sofá, o que despertava em minha mãe muita contrariedade, visto ser ela era partidária de não se contaminar as vistas e, consequentemente, a mente com o triste ou desagradável, ao contrário de meu pai, que achava que os filhos deveriam conhecer o lado escuro das intensões e ações humanas.
Esta postura de meu pai, inclusive sempre tentando responder as minhas perguntas em relação à capacidade humana em torturar e matar, não só o seu semelhante como a si e ao tudo que via e tocava, provavelmente teve alguma influência neste gosto que sempre demonstrei em adentrar nos meandros das posturas e emoções.
Bem, voltando à onda de ladrões, pouco tempo depois, em conversas nas portas dos prédios e casas, chegou-se à conclusão que não se tratava de ladrões e sim de um ladrão, pois o "modus operandis" era sempre igual.
Imaginem, ele roubava roupas esquecidas que estendidas no varal passavam a noite no sereno. Seria o ladrão de galinhas que ainda hoje existe a nos atormentar, sem, é claro, estar no uso permanente do crack, que, afinal, faz os de hoje um perigo em potencial.
Lembro-me que foi formada uma comissão de três moradores que motivaram aos demais à pagar uma pequena taxa mensal para se colocar um guarda-noturno.
Quem ainda se lembra desta figura emblemática que, com um apito, circulava com o intutuito de espantar ladrão?
Pois é... em pouco tempo o ladrão foi detido e a paz retornou às nossas vidas.
Bons tempos, onde os ladrões eram notoriamente de galinhas, os crimes em sua maioria eram de fundo passional e político safado se esforçava e muito para não ser descoberto, pois existia um respeito pela imagem pública, que quando perdida, ou até mesmo ameaçada, podia levar ao suicídio.
Parece coisa de gente velha, lembrar de fatos do passado, e de certa forma o é, afinal, jovem não tem passado para lembrar, cabendo aos velhos a incumbência dos registros, sejam históricos ou simplesmente posturais das épocas que certamente norteiam os jovens a traçar parâmetros nos seus presentes e caminhadas futuras.
Tantas lembranças não teriam sentido maior se não estivessem atreladas a um presente que aborrece, incomoda e que nos leva a fingir por todo o tempo que não percebemos as mudanças, que apesar de seu lado evolutivo e, portanto, natural, se mesclam à uma distorção assustadora de valores e conceitos que veio minando sorrateiramente a princípio e que agora, de uns anos para cá, parece que vem se escrachando de uma forma tão consistente que não levanta mais sequer polêmicas, pois que tudo de verdade está diferente, sem alma, sem coração e, consequentemente, sem respeito aos demais.
O que na realidade resgatei foi a lembrança de uma rua com moradores solidários, participativos, que mesmo não se frequentando nas intimidades, mantinham o bem não como comum, mas absolutamente em comum, e não como se vê hoje em dia em que os bons e decentes cidadãos nâo estão nem aí, para o que ocorre com o seu vizinho, sua rua, seu bairro, sua cidade e muito menos seu país, em um exclusivismo egoísta e burro.
Tenho percebido que somente os mais velhos ainda se ressentem pela solidão social em que se encontram, pois os mais jovens, absolutamente integrados aos seus novos valores, nem se apercebem do abismo que, certamente, mais cedo ou mais tarde, fatalmente se verá despencando, sem, no entanto, ter tido o privilégio de perceber lembranças de tempos onde, apesar dos pesares, ainda se podia sentir um pouco de humanidade nesta sofrida e hoje desnorteada humanidade.

domingo, 13 de junho de 2010

TERRA DE NINGUÉM

Incrível, a previsibilidade das posturas sociais, principalmente as distorcidas, quando não são devidamente observadas e consequentemente evitadas ou coibidas.

Itaparica e Vera Cruz vem, infelizmente, em uma crescente onda de violência que chamo de doméstica, pois é vivenciada pela população diariamente, sem, no entanto, despertar maior atenção daqueles que deveriam no mínimo estar a postos para minimizar os transtornos que provocam às pessoas de um modo geral em seus ânimos e patrimônios.

Aos poucos, as pessoas foram perdendo o sentido de ludicidade de estar vivendo em uma cidade pequena e harmoniosa, e esta alteração foi se expressando através das grades, arames, alarmes, cercas elétricas e, o que é pior, pela desconfiança pelo outro que, afinal, nunca se sabe verdadeiramente do que é capaz, mesmo sendo filho daquele vizinho amigo que cresceu junto a mim ou a você, desenvolvendo a partir daí o que já acontecia nos grandes centros, que é justo a indiferença, levando cada criatura a se colocar ao mesmo tempo no papel central de vítima e de algoz.

A inoperância das polícias, seja militar ou cívil, pelos motivos que não vem ao caso neste momento analisar, está induzindo as criaturas dos vários níveis sociais a começarem a se articular no sentido de fazerem justiça por sí mesmas e isto, ao meu ver, é o fim do caminho de qualquer esperança de paz.

As pessoas estão em seus medos e terrores pessoais se armando, se entocando, já à espera de uma nova e não mais surpreendente invasão, para justo darem fim de umm jeito ou de outro à sua sensação de desvalio social.

Armas estão sendo compradas, na mesma proporção que inocências estão sendo perdidas, e o que mais hoje é possível se observar em papos aparentemente descontraídos é exatamente o dialogar sobre uma morte eminente, como solução de problema asfixiante, que vem sendo desconsiderado ou até mesmo alimentado pelos orgãos competentes, sem que se enxerguem com responsabilidade social, o caos que se está avolumando.

Pessoalmente, assusto-me ao ouvir homens de bem falarem em preparar tocaias para matar bandidos, cujos nomes e rostos eles conhecem e dos quais tornaram-se refens permanentes em ataques contumazes sem chance de qualquer ação de repressão das autoridades locais, que ao contrário, tornaram-se surdas, cegas e mudas e extremamente complacentes, até mesmo cumplices com uma bandidagem prá lá de doméstica. Ironicamente com muitos ganhando salários para defender, organizar e proteger.

Que coisa, heim ?!...]

Terra de ninguém, caminho sem volta.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

AS CORES DE TODOS NÓS

Meus escritos são embasados primeiro no que acumulei de bagagem de experiências pessoais ao longo de minha vida, assim como concomitantemente fui capaz de absorver através de uma infinidade de informações que fui recebendo.
Atualmente, minha maior fornecedora de subsídios é justo minha querida filha, que diariamente, ao chegar, após a realização de mais um dia de trabalho junto às comunidades de Vera Cruz, como supervisora do IBGE, normalmente consternada, relata a míséria e o abandono que presencia, mal podendo admitir para o seu racional que tudo isto acontece tão próximo de todos nós.
Ontem, por exemplo, ela estava absolutamente atônita, frente à pobreza e a rudeza com a qual se defrontou logo alí, acerca de mais ou menos 200 metros da rodovia principal, na estrada para o distrito de Baiacu, em um beco que chamam de rua, tudo sem eira nem beira, onde seres humanos convivem com o lixo em toda a sua expressabilidade, levando a qualquer pessoa com um mínimo de respeito pela vida se sentir muito mal e inconformada com a incompetência ou descaso público, que mal e porcamente pinta o aparente, mantendo todas as reais e prioritárias necessidades escondidinhas à meio palmo de todos nós.
OH! MEU PAI...
Onde estais que não és enxergado por estes carentes tão necessitados de tua atenção?
Este é apenas um entre muitos outros que ela vem com espanto, tristeza e desilusão me relatar em sua ainda ingênua credulidade em não compreender que secretários, assessores e o próprio gestor, desconhecem tão triste realidade, precisando que eu a lembrasse que nas eleições todos, sem exceção, por lá passaram olhando sem enxergar e, afinal, em suas cotas de sacrifícios pessoais, aguentaram o cheiro forte da sujeira, pois a prioridade maior era o voto do inocente útil.
Enquanto escrevo, recebo mais uma triste informação através da Sra.Marinalva Riguau de Lima, Técnica Administrativa do DERBA, de que a operação retiro de placas ao longo da BA-OO1, que no momento mobiliza todas os interessados, está ocorrendo em atendimento a um pedido do Prefeito Magno.
Se isto for verdade, e deve ser, pois afinal uma operação desta grandeza não ocorreria sem que, no mínimo, a Secretaria de Obras de Vera Cruz fosse notificada pela assessoria de obras do DERBA, e muito menos a referida funcionária se daria ao primarismo em fornecer esta informação que notoriamente causaria polêmicas.
Em vista à tantas outras dolorosas prioridades que de verdade enfeiam não só o minicípio, mas afrontam a dignidade de muitos munícipes, creio, assim como muitos outros, como o Sr. Roberto, diretor do Variedades, pode constatar, que esta é tão somente mais uma ação movida no mínimo por um total despreparo político, que pode representar uma queda de uma popularidade que já se encontra abaladíssima.
A pergunta que fica é:
Por que algumas não foram retiradas?
Segundo a própria funcionária do DERBA, é porque estes entraram na Justiça e que até o momento nenhuma decisão judicial foi oferecida.
Não seria, então, o caso de terem esperado um pouco mais, afinal se ganham automaticamente seus benefícios se estenderão aos demais.
AH! assessoria fraca é um terror para qualquer político carreirista.!!!!!
UMA COISA PUXA OUTRA e quando o cheiro é ruim se alastra ainda mais rapidamente, o que é uma pena, pois, afinal, todos nós com um pouco de bom senso sempre torcemos muito para que as ações governistas de nossa Ilha acontecessem e dessem
certo, despindo-nos, apesar da maioria obtusa não acreditar, não existir partidarismos idiotas e ignorâncias sistêmicas.
Pois quando se trata de um contexto maior onde o todo é observado e respeitado, não pode existir preferências de cores, afinal a bandeira é a brasileira e nela, o verde, o amarelo, o azul e o branco é que nos interessam.

terça-feira, 8 de junho de 2010

MINHA PAIXÃO

Vira e mexe, cá estou pensando na educação de nossos jovens e no quanto poderia ser feito se houvesse mais um pouco de comprometimento por parte de todos os envolvidos, a começar pelo governo que, afinal, deveria dispensar um olhar mais criterioso quanto à aplicabilidade de seus projetos e, principalmente, quanto a mão de obra ora existente, que está desmotivada e muito pouco qualificada.
Quando se discute os problemas educacionais, logo vira pauta principal os baixos salários como justificativa à falência que se apresenta, seja no ensino fundamental ou médio. Dificilmente, estende-se este entendimento como uma consequência natural de uma preparação fraca e de pouco conteúdo pedagógico e psicológico, no que tange ao emocional destes futuros mestres, que formam-se despreparados no teórico e na pratica, adentrando em salas de aula absolutamente despreparados e muitos deles com o agravante de não ter nem talento e muito menos vocação.
Particularmente, creio que as profissões de médico e professor deveriam ser exercidas tão somente por aqueles que verdadeiramente tivessem pelo menos vocação. Infelizmente, o jovem que não consegue ingressar em sua opção primeira, opta pela carreira de professor, por considerar talvez a mais fácil de ser conquistada, ficando, a partir daí, se lamentando como forma de expressabilidade de sua frustração profissional, deixando refletir em seu desempenho todo o desinteresse inerente ao seu emocional inconformado.
Claro que este não é o único fator desagregador, mas creio ser o mais poderoso, pois trata da relação direta aluno-professor. Portanto, a partir desta premissa, dever-se-ia começar toda uma reformulação conceitual de direitos e deveres nos profissionais ativos, assim como uma seleção mais efetiva e direcionada a justamente exigir dos candidatos em questão um maior aprendizado, tal qual é exigido em outras profissões, consideradas mais nobres por uma sociedade capenga que não enxerga a extensão do malefício de se desconsiderar a segunda maior estrutura no qual a criatura humana se forma, naturalmente depois da família.
A obtenção e fortalecimento de posturas éticas e morais se somam a toda gama de conhecimentos que a mesma utilizará em sua vivência existencial. Soterrando a educação, soterra-se os princípios primeiros da convivência da criatura com ela mesma e com o tudo do todo no qual está inserida, o que desastrosamente pode ser observado nas escolas e, infelizmente, nos relacionamentos de um modo geral, independente de cor, religião ou vertente social.
O que de verdade quiz dizer foi que, antes de tudo, é preciso que haja uma mudança nas posturas de quem ensina, e aí provavelmente se resgate a velha dignidade ora esquecida, empoeirada ou simplesmente ignorada.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

TESÃO E EMOÇÃO

Para quem me conhece um pouco mais na intimidade, sabe que sou uma pessoa bastante liberada quanto a falar e escrever determinados assuntos que ainda são considerados tabus, até porque nesta minha área de trabalho, em que busco um maior entendimento das emoções humanas, seria sem lógica qualquer negação a assuntos absolutamente integrados à maioria delas e que determinam posturas mentais que formam as físicas.
Hoje, por exemplo, acordei pensando no quanto a prática do sexo é de fundamental importância no contexto vivencial das criaturas, entretanto, mais do que o volume da prática, está a qualidade deste sexo no seu contexto interativo na junção corpo e mente, sem que necessariamente coexista o amor como aditivo principal, todavia, com a presença indispensável da atração amorosa, o que certamente é diferente de um compromisso de continuidade, mas sim a garantia de uma aproximação mais afetuosa e, portanto, respeitosa.
Penso, então, em nossos jovens e nas suas práticas sexuais, que a meu ver são geradoras de inúmeras futuras patologias psicológicas e físicas, pois são práticas destituidas de afetuosidade, e o que é pior, sem mesmo o entendimento orgástico, que se houvesse pelo menos serviria de liberação à ansiedade compulsiva na qual nossas ainda crianças já vivenciam nesta corrida vivencial de experimentar sem limites tudo quanto a pseuda-liberdade sem parâmetros oferece.
Sepultados os valores respeitosos a si mesmo, sobram o modismo e a inconsequência, deixando nossos jovens à deriva com seus hormônios sem controle à mercê de consequências das quais não estão estruturados para enfrentar, e como zumbis desfilam nas baladas, ou aonde houver possibilidades, suas tristes e melancólicas experiências sexuais sem qualquer traço de ternura, a começar pelo beijo, que nos dias atuais é medido em quantidade justo pelo volume praticado, perdendo assim o privilégio de ser o poderoso selecionador que determinaria se o par seria ou não afim, para que houvesse mais adiante uma continuidade afetuosa que levaria, ou não, a uma intimidade sexual.
Necessário se faz uma reformulação na aplicabilidade das orientações sexuais nas escolas, onde os pais pudessem e devessem participar, introduzindo valores e alguns pudores que não poderiam ter sido desprezados, como o respeito aos sentimentos, atráves do respeito ao corpo, dando a ambos a merecida consideração.
Como é possível que haja um encontro saudável e gratificante entre esta garotada ainda tão necessitada da ingestão de dados identificatórios quanto às suas preferências e necessidades, se buscam em uma só ocasião bocas e beijos num desprestígio gigantesco quanto às suas reais afinidades?
Aliás, eles, provavelmente, sequer sabem o que isto significa, ficando restritos à vaidade pessoal da disputa pela quantidade ou, o que ainda é pior, pela indiferença pelo ato em si, seja de beijar, acariciar ou transar, como gostam de se expressar.
Nas escolas e nos lares, hoje ou há quarenta anos atrás, pouca coisa mudou em termos de esclarecimento, a não ser, é claro, pela presença da camisinha e da pílula, ficam nossas crianças e adolescentes ainda como no passado, entregues ao curso intensivo fornecido pelos colegas, internete, revistas e nas desastrosas experiências pessoais que antecipam situações totalmente desnecessárias.
A melancolia da precocidade transforma-se rapidamente em distúrbios irreversíveis à estruturação desses jovens, certamente fazendo deles, em breve futuro, pessoas tristes e descrentes, sem o poder mágico da pura e expontânea sedução, que nada tem haver com liberdade exacerbada e muito menos quantidade.
Afinal, tesão e emoção estimulam a ternura que reside em cada criatura humana e se isto não está ocorrendo é sinal que o amor, sentimento maior, corre também perigo de extinção.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

O IMPONDERÁVEL

Nossa... São Pedro abriu as comportas do céu!
Olho para esta chuva que desaba forte sem pedir licença, liberando um friozinho gostoso e que, sem a presença da luz radiante do sol, me leva a pensar enganosamente que estou finalmente vivenciando um inverno na Bahia.
Qual nada! logo passa, cedendo lugar ao sol bendito que faz desta terra ser a mais gostosa do mundo. E olha que eu sou do Rio de Janeiro que, afinal, será sempre a topografia mais bela, talvez a mais charmosa, e etc e tal, mas que na sedução perde feio para a Bahia, pelo menos para mim.
Enquanto falo da chuva, do sol e do meu amor pela Bahia, penso também pela primeira vez e até me trazendo uma espécie de surpresa que, ao contrário dos poetas, não sou lá muito boa para escrever sob a chuva ou nos períodos chuvosos, preferindo sempre o sol pleno ou a noite aconchegante, onde, então, libero como São Pedro as comportas das inspirações e deixo fluir minha alma em suas preferências e impressões através das letrinhas benditas que fui aprendendo a agrupar em uma parceria bendita com o universo, que como um fiel parceiro fornece-me os subsídios.
Confesso que durante as chuvas, de uma forma inconsciente, libero muitos momentos de tristeza, justo por tudo ter, sabendo com consciência o nada que muitos só tem e que se acentua nos períodos chuvosos, fazendo-os mais sentir o caos de suas existências sistêmicas.
Mesmo não querendo pensar, penso naqueles que ainda moram em casebres de sapê, barracas de lona ou coisa pior, sentindo-se ainda abençoados, pois bem sabem que outros tantos nem isto possuem.
Não gosto muito das chuvas, por que neste período questiono os critérios de Deus, e aí, ponho em cheque todos os dogmas nos quais busco me amparar, não aceitando qualquer explicação que como, mãe protetora, todas as religiões, sem excessão, oferecem para aplacar remorsos, garantir caridade, disfarçar o não ponderável.
Bom dia a todos!

terça-feira, 1 de junho de 2010

DERRADEIRA ESPERANÇA

Sempre que escrevo, e faço isto diariamente desde a minha juventude, fui aprendendo a colocar estas letrinhas benditas a serviço de minha necessidade em expressar todo o meu amor pela vida, reconhecendo que por incrível, até o momento, ainda não consegui retratar a minha alma e minha paixão em todo o seu entusiasmo.
Em muitas ocasiões, como nestes instantes, sinto que são tão grandes as minhas emoções que fica muito difícil colocar uma linha narrativa, quanto mais explicativa.
Afinal, nesta altura de minha vida, com tanto já vivido e sentido, cá entre nós, para que vou querer saber o por quê do por quê, restando-me a alegria de continuar sentindo esta vibração gostosa que faz de mim um ser humano repleto de vida e de paixão por tudo e por todos que me são afins e uma capacidade não menos amorosa que, aí sim, venho aperfeiçoando dia-a-dia, para conviver harmoniosamente com tudo e todos que são contrários aos critérios que determinei serem adequados a mim.
Entretanto, viver em estado de paixão não me torna imune a decepções e a todas as outras emoções, digamos, menos glamourosas, muito pelo contrário.
Penso até que estou sempre mais vulnerável que os demais, justo porque não me resguardo, mais preocupada que sempre estou em sentir os instantes no seu âmbito completo, ficando assim mais exposta.
Confesso que já fiz uma força imensa para desenvolver uma pequena camuflagem que me protegesse, mas até agora fui um fracasso total, por mais que eu tenha ensaiado, pois frente principalmente ao abuso, ao imponderável, deixo fluir minha repulsa e aí, bem... vocês podem imaginar os golpes dolorosos que já sofri.
Na realidade, tornei-me uma especialista na recuperação pessoal pós queda, não que este predicado seja invejável à alguém, mas de certa forma é sempre útil aprender a levantar-se com dignidade, conservando a alegria de viver.
Bem, não tenho do que reclamar, apesar de sinceramente ter preferido usar, nem que fosse vez por outra, aquela camuflagenzinha, que afinal não deixa de ser necessária, nem que seja para evitar tantos trabalhos de recuperação.
Aí... fico escrevendo sobre minhas emoções na tentativa de burlar minha necessidade em escrever sobre o social e o político de minha querida Ilha de Itaparica, que, afinal, transformou-se em um abuso sem precedentes, impensável à qualquer mente racional que possua um mínimo de respeito pessoal.
Confesso que está muito difícil manter-me calada diante de tantos desmandos acobertados por políticos em Salvador, nas esferas estadual e federal, que não sentem pela ilha o amor que sentimos e, portanto, permanecem tão somente com os interesses que lhe dizem respeito, fechando os olhos para nossas mazelas, calando bocas, comprando almas.
Enquanto isto, choramos calados, sofremos quietos, sozinhos, totalmente abandonados e eu ,apaixonada convícta por esta Ilha encantada, conto os dias, sonhando acordada, pelas eleições futuras, derradeira esperança.