segunda-feira, 28 de março de 2016

Ceia da Fraternidade


Hoje, domingo da Páscoa, acordei sem uma gota d’água nas torneiras de minha casa, o que é um transtorno considerável, já que nos 27 dias em que moro neste endereço, esta é a terceira vez que a bendita água some das torneiras durante dois, três e até quatro dias.
Este é um desabafo que se une a inúmeros outros que ouço e transmito através do programa diário que comando nos últimos quatro anos pela Rádio Tupinambá, confessando que somente agora, sentindo na pele, posso avaliar com absoluta realidade o que significa ficar sem água em uma cidade onde a temperatura média é de 26 graus.
O pior de tudo é esta sensação de total impotência, já que este é um problema que assola todas as regiões da cidade e como disse há tantos anos que a certeza de que nada será feito é definitiva, ficando as necessidades básicas de toda uma população, à mercê da boa vontade deste ou daquele gerente da Embasa que são simpáticos, mas absolutamente incapazes de solucionarem este crucial problema.
Então, a quem recorrer?
Ministério Público, através de uma ação pública, que agregue milhares de usuários que são desconsiderados por todo o tempo?
O que sei é que andorinha sozinha não tem feito seu próprio verão e que, talvez neste ano eleitoral, quem sabe um dos candidatos a qualquer cargo político, um líder comunitário ou mesmo um vereador empossado, possa de repente, pensar no bem comum como uma ferramenta prática em seus cotidianos e nos surpreenda abraçando esta causa que, certamente, poderá voltar-se a seu favor, neste ou naquele aspecto de seus interesses individuais, além de tirar de todos nós, esta sensação mutiladora de abandono social.
Talvez a própria Prefeitura, mesmo ciente de tratar-se de uma responsabilidade do Governo do Estado, queira fomentar a mobilização popular, deixando como legado maior desta gestão, um posicionamento não político, mas verdadeiro de interesse as causas aparentemente pequenas, mas que transtorna de forma absurda o cotidiano de cada munícipe desta bela e encantadora cidade de Itaparica.
Pelo menos neste aspecto social, seriam pioneiros, merecedores de todo o respeito, até mesmo dos adversários políticos que se despojando de seus partidarismos se uniriam em uma demonstração de coerência e respeito a todos nós, que neles, votaremos.
Tá certo que tudo que penso e escrevo, soa como um delírio em um país onde a mídia nos mostra através de fatos comprovados, infrações desmedidas, fazendo do Brasil, um celeiro de partidários cruéis, onde o que menos importa é o povo.
Todavia, manter as esperanças vivas e embasadas no que seja possível de ser realizado, é o único trunfo a que penso ter direito, nesta batalha dura de sobrevivência social.
Creio que não sou a única a ter uma visão de bem comum e a pensar o nunca exercido, caso contrário, não estaríamos presenciando o inédito desde 2012 com as atitudes também inéditas da Justiça, resgatando-nos a voz e o direito de exercermos nossos direitos, numa autêntica ceia Pascal de Fraternidade entre os poderes públicos, políticos e um tão sofrido povo brasileiro.




sábado, 26 de março de 2016

VÁ CISCAR EM OUTROS TERREIROS

Ciscar é o mesmo que esgaravatar o solo em busca de alimentos, mas popularmente é o mesmo que dizer: “sai da minha vida, me erre, me poupe ou coisa parecida”.
Há vinte e poucos anos atrás, escrevi “Os pássaros”, onde fiz analogia com o meu universo pessoal, satirizando situações, emoções, sentimentos e pessoas que o compunha, num desabafo amargo de uma mulher cansada da hipocrisia que a cercava, deixando revelar sem qualquer reserva  a ânsia louca, não de fugir, mas de seguir caminho na busca de terreiros mais verdejantes.
Voa passarinho, voa.
O voo é para quem quer voar
Não sei se minhas asas aguentam
O voo que quero dar.
Superados os medos,
 Bati minhas asas e voei
E em meio a tantos voos
Encontrei a vida e me apaixonei.
E hoje, depois de tantos voos fascinantes
Recuso o meu farto chão aos incautos
E mando ciscar noutros terreiros...

CALA BOCA JÁ MORREU, QUEM MANDA AQUI SOU EU.


Com o declínio da Ditadura, foi ressurgindo dos porões das mentes humanas brasileiras uma espécie de desforra inconsciente, que foi se infiltrando nos convívios sociais e políticos e que, sorrateiramente, foi aniquilando os ideais, desfigurando em parceria com a globalização os valores que figuravam como orientadores de condutas e levando as pessoas a crerem que o que, até então, lhes servia de parâmetros, de um momento para outro, se transformou em abuso ou inconveniência.
Foram tantos anos de “cala boca”, que perdeu-se o hábito de expressar-se opiniões que fossem, tão somente, a expressão pura e comprometida da visão individual, adquirida através de um conjunto de subsídios sorvidos através da educação formal, doméstica e exercitada no vasto convívio, fosse no universo pessoal, histórico ou informativo.
Penso então, que em meio a tantas falácias que nos rodeiam, o cala boca não morreu, apenas se travestiu de uma velha e corroída postura chamada de “conveniência”, que enganosa e muitas vezes letal é capaz de determinar o silêncio e a omissão com  requintes de crueldade,  cuja extensão de malefícios é incalculável, descaracterizando ideias e ideais, flagelando a criatura humana no que ela tem de mais sagrado depois da própria vida, que é sua vontade voluntária de ser e de fazer seja o que for, de acordo com a sua sensibilidade avaliativa.
Chamam a tudo de mudanças necessárias à manutenção de um equilíbrio social, todavia, há muito não se via tantos caminhos e opções, todos direcionando a um só objetivo que é o do individualismo, absolutamente solitário e desprovido da ação participativa da fraternidade, sustentáculo precioso à convivência humana.
Soterra-se a cada instante o direito ao contraditório explícito e destinando-o aos labirintos da alma humana, onde não há a troca de informações e tão pouco estímulo, roubando-se assim a sagrada oportunidade de crescimento pessoal com visão universal, restringindo a criatura humana a um sufocamento que propicia as explosões emocionais que, aí sim, encontram eco em outros, como pode ser observado nos convívios de quaisquer natureza, onde o bom senso foi substituído pela agressão física, verbal ou ambas, numa demonstração de retrocesso social assustador.
Pensar a criatura humana, a sociedade e o universo jamais foi uma tarefa fácil e rápida. Que o digam os pensadores que a vida nos presenteou, senhores absolutamente livres e capazes de irem bem além do convencional com seus insistentes contraditórios.
Como estaria a humanidade sem a filosofia, sociologia e a arqueologia, tendo como contra ponto a ciência comprobatória?
O cala boca não morreu, está tão somente, camuflado.


quinta-feira, 24 de março de 2016

NOVO PRIVILÈGIO


Se antes eu apreciava o nascer de cada dia através da janela da sala, frente ao computador, quis Deus que eu fosse mais além e por pequenos minutos agora posso admirar esta grandeza da natureza, ainda deitada, num despertar simplesmente divino.
E aí, como um filme, minhas lembranças me remetem à infância e aos meus anoiteceres e amanheceres no verão carioca e do hábito familiar de dormir no amplo terraço do apartamento, contando estrelas, para dormir mais rápido, dizia minha mãe, e deixando a brisa marinha refrescar nossos corpos, assim como despertando com os primeiros raios do sol.
“Ah! Que saudades que eu tenho da aurora de minha vida, da minha infância querida que os anos não trazem mais”, Casimiro de Abreu registrou em versos esta maravilha e certamente o universo, generoso com quem o admira, reprisa a cada manhã, para que não seja esquecido por ninguém a maior riqueza que um ser vivo pode ter.
E entre a contemplação e as recordações, penso no sentido maior de se vivenciar a Semana Santa, que a meu ver, deveria ser a cada dia de todos os dias de nossas vidas, sem maiores restrições, comidas especiais ou orações pontuais, mas tão somente, com o respeito e a fraternidade, mensagem maior de Jesus, infelizmente, quase sempre esquecida.
Que nestes dias de desfrutes e orações, tudo que é especial e que verdadeiramente importa em nossas vidas, seja absorvido pelas nossas mentes que, genuinamente sábias, levarão às nossas almas, para que o restante de nossas vidas seja um fardo leve, agradável de ser vivenciado...

Um beijinho doce no coração de cada um de vocês, parceiros importantes e queridos, desta forma contemporânea de comunicação.

sábado, 19 de março de 2016

RAPAZ....


Mesmo que eu vivesse o dobro do que já vivi, certamente ainda cometeria em dados momentos, mesmo cada vez mais esporádicos, deslizes avaliativos, que me levariam a ser fisgada pelo meu emocional apaixonado e absurdamente passional.
Que trabalheira tem sido ao longo de minha vida o controle diário, senão momentâneo, desta profusão de emoções que marcaram minha personalidade, fazendo de mim um ser em permanente mutação, já que compreendi desde muito cedo que precisaria acompanhar as evoluções constantes e ininterruptas da própria vida.
E como o ato contínuo de viver cobra e exige de cada ser humano esta performance!
Adaptabilidade sutil ou grosseira à alma de cada criatura, mas absolutamente presente em cada decisão que se tenha de ter em relação a qualquer coisa, e aí, como incorporar toda esta sucessão de contradições à um convívio consigo mesmo e com os demais, se o emocional por mais influenciado que seja pelos sentimentos ou pelo sistema social em si, também não cessa sua cobrança.
Perguntas e mais perguntas que alguns com mais consciência da fragilidade e, ao mesmo tempo, importância de sua existência faz também com constância às suas mentes inquietas, obtendo respostas através da aspereza do cotidiano com a sua aplicabilidade cruel de testes avaliativos que exigem destas mesmas mentes um árduo e constante empenho em não se furtar a vivenciar os exercícios avaliativos que lapidam e ensinam, fazendo da criatura humana eternos aprendizes.
E é justo nos momentos de profundo cansaço mental, em que a mente decide por exaustão tirar um cochilo ou, simplesmente, relaxar, mesmo que seja de forma inconsciente à vontade voluntária da criatura, que os deslizes acontecem, fazendo de uma simples pausa, breves, mas algumas vezes desnecessários retrocessos educacionais de convívio, afinal, esta ou aquela lição vista, revista e respondida em infinitas ocasiões, se apresenta com uma aparente e inesperada forma, fisgando com características absurdamente primárias mentes já academicamente instruída.
Concluo assim que, enquanto viver, serei aluna e o convívio com os demais, mas acima de tudo comigo mesma, será meu tenaz professor.

Bom dia e que este final de semana seja de buscas e conquistas, lições e aprendizados, mas tudo com muitos sentimentos amorosos, lição absolutamente indispensável às grandes, reais e poderosas necessidades individuais, únicos subsídios que nos permitem sorrir, admitindo que a vida é bonita, é bonita e é bonita.

terça-feira, 15 de março de 2016

PARA SE PENSAR...


As redes sociais deveriam pela lógica ser veículos instantâneos de comunicação, onde as pessoas pudessem ampliar seus círculos de amizades, além de serem mecanismos de interação e integração de conhecimentos, onde as opiniões diversificadas serviriam de parâmetros, possibilitando um enriquecimento pessoal sem limites, quanto à apreciação das infinitas visões interpretativas, fazendo dos contraditórios oportunidades preciosas para o exercício da tolerância e da reflexão.
Infelizmente, não tem sido estes os resultados possíveis de serem observados, ficando no máximo como um aglomerado de pessoas cujas visões em relação a determinados assuntos são absolutamente concordantes, não abrindo espaço para a bendita troca de visões, o que limita enormemente tirando a autenticidade dos relacionamentos, na medida em que se fecha neste ou naquele aspecto e, portanto, descaracterizando o propósito básico da troca saudável de experiências.
Essa distorção sorrateira, mas absurdamente destrutiva, se realça em épocas eleitorais, com trocas de insultos e agressões continuadas, quando existe alguma discordância religiosa, ou como tela da vaidade, onde a hipocrisia das curtições e comentários, são cruéis no explícito: “ME ENGANA QUE EU GOSTO”.
Lamentável que uma ferramenta desta natureza, fique absolutamente relegada a um patamar de mediocridade quase que absoluta.
Afinal, quem disse que discordar é sinônimo de brigar?
Quem disse que deveríamos banalizar as ofensas, dando beijinho no ombro e seguindo em frente?
Quem disse que colocar a cara no sol é o mesmo que defender ou atacar sem qualquer embasamento?
Quem disse que precisamos ser reféns do quase nada, tão somente pela insegurança de nos sentirmos perdidos em meio a uma globalização sem limites?
Quem disse que somos apenas um número estatístico, sem alma, inteligência e senso comum, precisando de aplausos por todo o tempo para nos sentirmos existindo?

Pense nisto..., afinal, pensar ainda é de graça e só depende de nós mesmos.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Me dê licença, por favor...


Tenho reparado que de uns tempos para cá, esta expressão tão simples tem caído em desuso e o mais inexplicável é que inclusive vem ocorrendo em cidades consideradas pequenas, justo porquê, de um jeito ou de outro, as pessoas pela proximidade acabam se conhecendo, mesmo que apenas de vista.
Esta proximidade oferecia um diferencial em relação às cidades maiores, o que atraia a atenção, fazendo delas recantos bucólicos e acolhedores, mas parece que a globalização com seus tendões agregativos, não só trouxe uma infinita interatividade, como também vem induzindo silenciosamente as criaturas destes locais a copiarem posturas que nada condizem com a fraternidade existente nas culturas interioranas, transformando-as gradativamente em arremedos, cópias mal elaboradas que as despersonalizam, tirando seus encantos naturais.
O bom dia, o boa tarde ou o boa noite, não podem desaparecer, assim como o por favor, o desculpe, o obrigado. Enfim, pequenas atenções que aprendemos a reconhecer como atos de cortesia que corroboravam para uma convivência menos agressiva.
Assusta-me pensar em como conviverão as próximas gerações sem as deliciosas atenções que, por exemplo, recebi nesta manhã de sábado de algumas pessoas desta minha querida Itaparica.
Que bom que tem sobrado espaço na alma de ainda muitos que insistem em serem corteses, fruto de uma educação doméstica que lá vai se esvaindo neste furacão de modismos, individualismos e profunda solidão.

Obrigado então a todos com quem tive o prazer de estar nesta manhã ensolarada, pois enriqueceram o meu dia, adoçando meus instantes presentes.

sexta-feira, 11 de março de 2016

REFLETINDO

NESTA MANHÃ, em que apenas acordei sem maiores perspectivas, além das cotidianas, inevitavelmente, penso e executo o que preciso organizar de prático, mas entre uma atividade e outra, dou lugar à algumas reflexões que já fazem parte de minhas inquietações diárias e, certamente, a falta do respeito humano é a mais recorrente.
Geralmente, escuto e leio muito a respeito, mas infelizmente pouco constato no cotidiano, levando-me a concluir que na matemática das posturas pessoais, a ordem dos fatores altera consideravelmente o produto, já que na inversão dos valores de convivência, cada fração ordinária é determinante na composição das equações humanas.
As referências, que chamamos de exemplos, foram se adequando aos novos tempos sem que houvessem diretrizes e, entre tapas e beijos, chegamos até os dias atuais tendo que assistir de forma invasiva, exemplos de culturas diferenciadas sem que tenhamos qualquer apoio orientador ou explicativo, ficando a globalização como mestre indutivo.
Assusta-me constatar que qualquer criança nos dias atuais tem acesso às imagens grotescas de todos os níveis, induzindo-as à banalização da vida humana e que qualquer um de nós pode se utilizar do anonimato que a internet proporciona para covardemente ofender e denegrir, transformando um poderoso veículo de integração social numa sucessão de golpes frenéticos, tendo como adaga afiada sua própria inconsequência.
E se não bastasse, ficam os demais meios de comunicação, reverberando de forma sistemática nos mais variados horários, todas as mazelas possíveis de existir e se nós, adultos nos atordoamos, o que esperar de das mentes ainda em formação?
Portanto, não há surpresas quanto aos produtos com os quais somos cotidianamente obrigados a conviver, pois são o resultado desta parafernália chamada evolução tecnológica e científica que chegou assim quase que de repente, nos pegando totalmente despreparados e com raros mestres capazes de traçar caminhos direcionadores.
Penso, então, que devemos começar o aprendizado desde o comecinho, fazendo da cortesia social o primeiro passo para que possamos não resgatar, mas criar através de tantos meios interativos, um caminho de respeito e solidariedade para que num hoje que, afinal, refletirá o futuro, a humanidade fique tão bonita quanto a própria vida que nela se reflete.
BOM DIA!


segunda-feira, 7 de março de 2016

REFLETINDO


O tempo lá vai passando sem pedir licença e muito menos perdão pelos estragos que vai causando.
Olho no espelho e vejo a cada ano, as rugas se formando, a pele esgarçando-se e o que antes era firme e inabalável, torna-se a cada década vivida, mais flácida e muito menos resistente.
Penso então na mente e nos sentimentos e tento enxerga-los através da imagem que vejo refletida no espelho e qual a minha surpresa, tudo também se alterou com o passar do tempo, quase nada restou de um passado que parece longínquo, mas que na realidade, foi praticamente ontem, justo porque foi tão ligeiro que sequer teria me dado conta se não fossem pelos espelhos espalhados pela casa.
Todavia, sorrio, pois ao contrário da matéria que se deteriora, a  mente e os sentimentos se reciclaram através dos tempos vivenciados e cá estou eu, neste instante, sorrindo de pura satisfação ao constatar que neste aspecto, o devastador tempo me foi favorável, aperfeiçoando o que eu já tinha de melhor, oferecendo-me clara lucidez da minha existência, proporcionando-me por todo o tempo a capacidade de amar tudo quanto, a vida me apresentou, fazendo de cada experiência um rico aprendizado, transformando as perdas em novos desafios e os ganhos em prêmios de ocasião, porque, afinal, tudo passa, tudo sempre passará.

Que neste domingo com sol ou com chuva, seus reflexos frente ao espelho, sejam brilhantes e seu sorriso constante.