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Mostrando postagens de Outubro, 2017

E AGORA, JOSÉ?

          A festa acabou, 
          a luz apagou, 
          o povo sumiu, 
          a noite esfriou, 
          e agora, José? 
          e agora, você? 
Carlos Drummond de Andrade Tudo lindo e maravilhoso, deixando o desejo íntimo do quero mais, mas agora, só no ano que vem, enquanto isso, voltamos todos às nossas rotinas, não sem uma enorme bagagem de detalhes da festa, seja para elogiar ou criticar. Bem mais para criticar, porque, afinal, somos especialistas em quase tudo e sempre sabemos como fazer melhor, principalmente depois que o outro já realizou. Somos assim, fofoqueiros de plantão, mesmo que negando, mesmo nos qualificando como pessoas que detestam disse me disse. Qual nada, adoramos colocar um, MAS, sempre após um elogio, afinal, como estaria o mundo sem os nossos palpites? E como eu não fujo à regra, penso que os três dias de festas foram simplesmente maravilhosos, além de ser um trabalho para poucos realizarem, pelo seu gigantismo e diversidade de exigências, MAS no ano que vem…

APOLOGIA À VIOLÊNCIA

O último lançamento musical de Gabriel Pensador seria perfeito se lançado na Finlândia ou em qualquer outro país com índices educacionais mais expressivos, com certeza seria menos literalmente entendido, mas no Brasil, onde a violência em todos os seus aspectos sociais e humanos é a tônica maior, torna-se mais um incentivo à revolta e às soluções imediatistas e superficiais. E como matar o presidente e toda a corja de corruptos que, afinal, se institucionalizou é tarefa quase impossível, cognitivamente interpretamos que para a nossa libertação, só nos resta violar o mais próximo que, de alguma forma, se assemelha aos nossos opressores. Bom seria que ao invés de incentivar qualquer tipo de violência sob a camuflagem de arte, artistas e intelectuais que dispõem de luz midiática levassem ao povo o entendimento mesmo que superficial do senso de pertencimento, razão maior da fraqueza cidadã que abriu portas e janelas para o inadequado. O que tenho observado é a indução a um povo já sem qualqu…

TUDO MUITO LINDO

Ontem me superei, imaginem vocês que fiquei das oito da noite às duas e meia da manhã acordadíssima, afinal, já nem me lembro quando algo parecido aconteceu, e tudo por responsabilidade do “FITA”. Como pensar em dormir com uma programação tão rica e variada? Impossível! Então, esqueci-me do cansaço natural, do peso da idade e da asma safada, que insistia em querer me debilitar. Foram horas de pura alegria, onde pude reencontrar lindas criaturas e, de repente, mais me parecia com político em tempos de campanha, pelos infinitos abraços e beijos que dei e recebi, reafirmando por todo o tempo a minha certeza absoluta de que esta é uma terra bendita de gente bendita. Penso então, que quem não foi, perdeu a chance de ver uma festa maravilhosa, produzida com muita competência e cercada de muita paz e muitas emoções. Hoje, tem mais atrações da casa e de fora, inclusive eu. Que coisa, heim!!!!

VAMOS LÁ !!!

Percebo que estou muito feliz, e isso é muito bom. Quietinha com minhas letras nesta manhã que se inicia, percebo que estou ainda mais ansiosa com o início do FITA em nossa cidade, não apenas porque amanhã estarei lendo as minhas poesias e o quero fazer direitinho no próximo sábado, mas pela festa em si que começa na tarde de hoje. Ontem à noite, fui xeretar e pude constatar o quanto tudo está a cada instante, mais bonito e vibrante, arrancando de mim, arrepios de emoção, a mesma sensação de orgulho e felicidade que já senti em outras ocasiões em que a minha amada Itaparica foi palco da alegria. Morri de inveja de toda aquela muvuca, pois inquieta como sou, gostaria de ter estado envolvida o tempo todo, inclusive, extremamente cansada como pude constatar naquelas preciosas pessoas que estavam manipulando os detalhes, numa dedicação admirável. Ali, vendo a correria dos últimos detalhes sendo conferidos pelos organizadores, repletos de entusiasmo, compreendi com muita clareza que nada é mai…

INVEJA

Este é um sentimento que as pessoas não gostam de admitir que possuem, mas na realidade ela está inserida nos comportamentos cotidianos, queiramos admitir ou não. Segundo Aurélio, a inveja é: 1.Desgosto ou pesar pelo bem ou felicidade de outrem.
2.Desejo violento de possuir o bem alheio.
3.Objeto da inveja.
Não concordo, abusada eu sou, heim... Essa história de que existe a inveja boa e a ruim é pura desculpa, geralmente do invejoso contumaz, justo por não saber diferenciar suas emoções, desejos e expectativas e, então, coloca tudo num balaio, acreditando que convencem a si e aos demais com as suas falácias pessoais sobre si mesmo. Confesso a vocês que me leem que senti por toda a minha vida inúmeras invejas que me impulsionaram a desejar ser tanto como o outro, e muitas vezes consegui, o que me encheu de alegrias, afinal, foram meus parâmetros, destaques de vidas e históricos pessoais que me motivaram a buscar isto ou aquilo que eles se destacaram. Sentir inveja, jamais me envergonhou ou me…

O TEMPO

Amanheci agitada como há muito não acontecia, o que me fez voar ao passado em que eu vivia permanentemente agitada, correndo atrás do tempo, sem alcança-lo, o que me trazia uma profunda angústia com gosto de frustração, incompetência pessoal que, mais que magoar o ego, destruía minha saúde física e mental. Física, mas invisível, tal qual o emocional que eu nem me apercebia o quanto destoava de minha natureza, que na realidade era alegre, solidária e apaixonada. Invisível, pois estava me corroendo lenta e gradativamente e cujos resultados danosos só vim a conhecer muitos anos mais tarde, enquanto o emocional devorou-me preciosos anos que deveriam ter sido de pura plenitude. Pensando em tudo isso nos dias atuais, superados os efeitos colaterais, pouso o olhar carinhoso sobre mim mesma e me desculpo, oferecendo o meu perdão à minha estupidez existencial e, ao mesmo tempo, acariciando delicadamente a minha mente amiga que, em dado momento, determinada, disse basta, jogando por terra todos o…

SINFONIA DE PARDAIS

Quem diria que de um certo dia em diante, esta sublime cantoria se transformaria em despertador de cada um de meus amanheceres. Melodia forte, completa, trazendo em suas modulações, os graves e agudos de um sem número de outros componentes, formando o mais belo coral da natureza se exibindo, penso eu, na soberba de minha vaidade, só para mim. E enquanto, ouço, penso na vida rica de emoções que tenho vivido, onde o ostracismo jamais encontrou morada e o banal, não se atreveu a visitar. Pensando, lembro dos muitos medos, das muitas angustias e das muitas perdas, mas enquanto, lembro das muitas lágrimas que meu rosto serviu de regado, também lembro de cada um dos sorrisos e das infinitas largas gargalhadas que as fizeram secar.
Penso então, que feliz sou eu, que posso ouvir os sons da natureza, despertando-me a cada amanhecer e com eles aprendendo e ensinando que a vida é bonita e é bonita, parodiando tantos outros que encontraram, assim como eu, no simples, o belo de suas inspirações.

RECOMEÇAR

Depois de um feriadão de muitas festas e alegrias, cá estamos nós, iniciando uma nova jornada de trabalhos diários, cada qual no seu devido ofício, não sem estarmos um tantinho lentos, pois como seres absolutamente adaptáveis, logo nos acostumamos à quase inércia de não termos horários determinados a quase nada. Pois é, mas conversa fiada de nada adianta, o melhor mesmo é sacudir a preguiça e partir para a rotina semanal, que no meu caso em particular, começou bem mais cedo, afinal, retomar as minhas escritas pela madrugada, faz parte. E retomo avaliando a manifestação que estava programada para ser feita em frente ao Hospital Geral de Itaparica no domingo, às 10 horas da manhã; em busca de melhores e mais humanos serviços e que, efetivamente, aconteceu com um número bem modesto de participantes, o que vem mais uma vez reafirmar o quanto, o povo da Ilha, ainda precisa desenvolver o senso de pertencimento, sentimento básico social que garante direitos e deveres. Esta minha constatação, qu…

“PENSANDO NA VIDA”

O sol lá vai baixando no horizonte e mais um dia que começou com chuva, agora se vai deixando a lembrança de um sol ameno de primavera, talvez, para nos mostrar que nada é estático, inerte na vida e só, por esta razão, não podemos cruzar os braços, abaixar a cabeça e nos conformarmos com o aparente inevitável. E aí, como não fazer analogia com as nossas vidinhas no cotidiano que se alternam num sobe e desce de emoções vibrantes, muitas vezes, testando a nossa resistência, determinação e coragem ao seu enfrentamento diário. Há quem pense que a saída não existe, que o breu da dor os domina e que o insensato, tomou o poder absoluto de suas emoções e sentimentos, virando sua vida de ponta à cabeça e que, nada mais de esperança lhe resta. Ledo engano, pois, quando o fundo do poço se torna visível, sinal que a esperança se faz presente, abrindo um enorme espaço, talvez, de queda livre, para testar a força das asas invisíveis que nos sustentam. Enquanto pudermos sorver o bendito ar que sequer en…

FITA – I FESTIVAL DE ITAPARICA MÚSICA E POESIA

Nos dias 27, 28 e 29 de outubro o município de Itaparica receberá a 1ª edição do Festival de Música e Poesia FITA – I FESTIVAL DE ITAPARICA, que contará com a participação de artistas locais, estaduais e nacionais. Serão três dias de programação musical e poética, com apresentações na praça Jardim dos Namorados. Dentre os nomes para compor a grade musical do projeto, destacamos: BaianaSystem, Zeca Baleiro, Mariene de Castro e Lazzo Matumbi. A poesia vem representada por Lirinha, Karina Rabinovitz, Jackson Costa, Bule Bule, e etc. Paralela à programação artística, uma feira gastronômica, que oferecerá ao público a oportunidade de experimentar a culinária local. O acesso a toda a programação será gratuito. O FITA é uma realização da Prefeitura Municipal de Itaparica.

CRIME E CASTIGO

Como de costume, assisti a grande parte da Sessão Plenária do STF, na tratativa das questões das Medidas Cautelares, que diretamente afetam a situação do Senador Aécio Neves e como não poderia deixar de ser, pela minha própria natureza, fui fazendo correlações com o povo e suas posturas ao longo destes anos de incessante “Crime e Castigo”. Entre um e outro ministro, lá estávamos nós, eu e meu marido, sentados no conforto da poltrona, sentindo-nos jurados quanto às avaliações, crendo ingenuamente, mas empolgados, estarmos diante de um julgamento isento de maiores interesses, se não da verdade, do bem público e do respeito à Constituição Nacional. Depois do caso passado, sem a influência das simpatias pessoais em relação a este ou aquele ministro e, tão pouco, iludida de que sou capaz de uma avaliação, seja ela qual for, até porque, eu ou qualquer outro, desconhecemos os reais fatos, nada além daqueles que nos são repetidamente informados por uma mídia absolutamente tendenciosa. Concluí, …

OPÇÃO...

Na medida em que vamos envelhecendo, vamos também neste processo nos tornando mais sensíveis às coisas do mundo, com certeza, porque os sentidos já infinitamente abastecidos de mazelas assimiladas ao longo da caminhada, pede socorro de formas diferenciadas. E aí, dizemos: -Nossa!!! Fulano depois de velho, está isto ou aquilo. Na realidade, contabilizamos as nossas emoções, construídas uma a uma durante nossas vidas e a depender de nossas naturezas, reforçadas ou remodeladas pelos nossos históricos existenciais, tornamo-nos mais ou menos isto ou aquilo, mas indiscutivelmente, não se pode negar que os resultados são oriundos dos sentidos cansados pelo ofício ininterrupto de filtragem, afim de amenizarem os efeitos processuais da mente e, então, se rebelam em aflitos apelos por compreensão e paciência. No meu caso em particular, percebo que como comunicadora e estudiosa das emoções humanas, já não estou aguentando tanto horror produzido por um sistema humano, que vem exacerbando em seu desi…

PAPO SOLIDÃO

Estou aqui quietinha, neste final de tarde, pensando na vida que já vivi, na que vivo e conjecturando na que ainda posso viver. E aí, surpreendo-me com o tanto que foi expurgado de minha vida, nem sempre por mérito meu, mas com certeza com total concordância, afinal, jamais briguei com as circunstâncias que me atingiram, preferindo encará-las bem de frente, não como desafio, apenas com a dignidade de quem se determinou a jamais se sentir derrotada, tão somente, ferida. E aí, entre uma lembrança e outra, boas e desagradáveis, eis que uma em especial surge em minha mente, sempre bela e vitoriosa, fazendo-me sorrir como uma criança, mas ao mesmo tempo de forma ousada, transformando-me em poeta. Ah! Que saudades de minha Guapimirim Saudades do tumulto dos infinitos sons do silêncio Que como uma orquestra bendita, fez-me conhecer a paz. Sentada à beira do riacho, tocando as aguas frias e translúcidas Sorvendo aromas, pensando em nada, possuindo tudo. Meu pequeno riacho, minha fonte de vida.


SIMPLES ASSIM...

Meus olhos fitam a imensidão do mar E o sol quente aquece meu corpo desnudo. Convite explícito à confidência Neste universo ardente, pronto a escutar.
Abro os braços, quero abrigar com ânsia Todo o mistério, energias a decifrar Recebo o mar, me inebrio e enterneço Ao sentir ternura em forma de grandeza.
 O desmaiar das ondas sobre as areias Num espetáculo para lá de genial Faz-me vibrar, dispenso pensamentos Rendo-me aos sentidos e nada mais.

(Escrito em 01/04/2003) Itaparica )

VIVENDO

Os sons que ouço são leves Os toques que sinto são brisas Os tons da natureza, meus sonhos São vida com melodia.
Pensando nas torturas diárias Nas lágrimas e nos sonhos perdidos Busco frenética a poesia Na ânsia da luz e da alegria.
Guerreando no desbrave da vida. Ergo espada e danço ao vento Rasgando tristeza, amputando a dor.
Viver é sonhar Sonhar é amar Vivendo e sonhando Aprendi a amar. ( Escrito em 01/04/2002)Cachoeira do Campo)M.G

Atenção

Diante de tanta desolação emocional, possível de se constatar nas ruas e nas redes sociais, sugiro poesia.
Poesia que mantém acesa a chama da esperança.
Afinal, de que adianta sofrer e se desesperar?
Pense nisso e leia e faça poesia, melhor calmante para um coração decepcionado.
Enquanto, se pensa poesia, deixamos de focar o feio, o triste, o mentiroso.
Trocamos a dor que machuca, pelo consolo do tudo bem.
Consolo que amansa, que entontece e faz sorrir.
Sorrir pela perda do tempo, já tão curto para se viver. Que nesta terça-feira, o ditado "viola no saco,"mais que fugir da raia, seja um bendito gesto de conscientização de que, nem toda realidade se revela do jeitinho que queremos.
E que por mais boa vontade que tenhamos, nem sempre acertamos em nossas escolhas e investimentos pessoais.
ACORDA MENINO!!!!

Incrível!!!!!

É a libertação do caminhar. Descortina sonhos abafados E dentre tantos, alguns sonhados acordada.
Já não importa a dor dos pés doidos e machucados Que pisaram pedras que os fizeram sangrar. Bendito rastro de sangue que vão deixando, Sinal de vida, luta e caminhada.
Olho ao redor e enxergo os pássaros Vez por outra, alguns se chegam, até bem próximo. Mas em meus bolsos, já não carrego alpiste. Um peso a menos que me nego carregar.
A cada dia que recomeço a caminhada, Não vou negar, sinto falta da poltrona. Afinal, por tanto tempo me acomodei nela,
Que dói pensar que posso tê-la, mas não a quero mais.

PENSANDO

Do conforto da poltrona observo Os pássaros que solitários surgem Aos poucos a outros se unem Formando um bando aparentemente unido.
Vez por outra um pássaro se extravia Indo em busca de um atrativo alpiste E quase sempre o pássaro se perde Apenas voa, enquanto, suas asas aguentam.
Não raras as vezes que ao bando retorna Deprimido, fraco, entorpecido. Raras as vezes que acolhido, se integra.
Do conforto aparente da poltrona Voo com os pássaros, bato asas e sou livre Egoísta, talvez ao jogar o alpiste Armadilha perfeita para o retorno dos pássaros.
Do conforto da poltrona, observo As estações se sucedem e eles sempre voltam Onde será, que encontram a liberdade Se pelo alpiste, eles retornam e nada muda.