quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

SUA BENÇA, PADINHO...

Hoje, estou muito feliz, pois retomei às minhas escritas, após seis dias de muito mal estar, provocado por uma infecção intestinal, que também foi estomacal, e, por DEUS, foi por todo o meu corpo, tirando toda e qualquer vitalidade.
No entanto, já passou e cá estou de volta às minhas sagradas letrinhas, que borbulham de minha mente, sempre inquietas e abusadas, querendo por todo o tempo dizer isto ou aquilo a respeito disso ou daquilo, sinal mais que evidente de que estou absolutamente curada e, acreditem, sem ter sido necessário ser levada ao Hospital de Itaparica, e novamente dou graças a DEUS; e é nestes momentos que acredito sinceramente que ele exista, afinal, atualmente, precisar deste hospital é um sofrimento a mais que nenhum paciente merece, ainda mais porque depois que foi pintado, parece que o cheiro de tinta afastou os médicos e deu às enfermeiras uma espécie de sonorífero, pois as mesmas literalmente dormem em seus plantões, deixando a desejar em seus desempenhos profissionais, será que estão tão somente copiando os doutores contratados de Salvador, que fizeram de seus contratos com o hospital da Ilha tão somente suas 12 horas de relax?
Pode ser, o que não pode ser é se ter um hospital que atende a uma gama tão expressiva de pacientes, entregue nas mãos de médicos, enfermeiras e atendentes, em sua maioria, totalmente descompromissados. Reclama-se pelos corredores, esquinas e filas de recebimento de bolsa família.
E quem de verdade se importa com que esse batalhão de carentes possa estar necessitando?
Há até quem diga:
- Dê graças a DEUS, se não estiver satisfeito, pegue a ferry e vá prá Salvador.
Por aqui, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, que o diga os postos de saúde de Itaparica, que falta quase tudo, principalmente respeito por parte desta gestão mais que vergonhosa, porque é cruel, justo por estar sendo liderada por itaparicanos que se dizem nativos, senhores de sua terra.
Quanto aos pobres, que se danem os pobres, quanto a miséria, que se dane a miséria, quanto a impunidade, que se dane a punidade, dizem, enquanto tiverem deputados e senadores defendendo suas causas e juízes muito ocupados com seus milhares de processos atrasados, servindo de desculpas para não ter tempo de, como bons advogados que deveriam ser, buscar no escondido de nossas criativas leis, visões espertas e bem ajustadas para fazerem justiça a um povo e a uma cidade que se flagela em sua histórica inocência e ignorância avaliativa.
As peças da engrenagem social se encaixam e se ajustam na medida da convêniencia individual e, com os salários em "dias" ou não, o negocio é não perder a boquinha que o PADINHO me ARRUMÔ, ou terão sido as MADINHAS?
Isto é coisa de louco, e ainda diziam que o ISAQUINHO era a falência de Itaparica! O que a turma não estava gostando é que o pudim no tempo dele era fracionado, não é mesmo?!
Depois que ele saiu, a turma caiu de boca, justo para disputarem da boca que PADINHO OU MADINHA TINHAM PRA OFERECÊ.
Não tem nada aí pra mim não, DOTÔ?
Se descuidar, o bandido perigoso sou eu, ou você, porque não pudemos pagar nossas contas.
Isto é o retrato fiel de um Brasil que precisa ser alterado através de um voto respeitoso e corajoso de cada um de nós.
Quem sabe por estas e outras que a Bahia, ano após ano, desce nas estatísticas de desenvolvomento em relação aos demais estados nordestinos, apesar de ser um estado rico e repleto de gente criativa.
Particularmente, jamais achei graça em piadas que envolvessem presidente ou qualquer político, pois me sinto uma idiota por estar rindo de minha própria burrice, ou seja lá do que for.
Optei em registrar os desmandos, assim como jurei a mim mesma, jamais repetir o meu voto à políticos que me fazem sentir o peso do engôdo em que me meti ao votar neles.

É!..., estou curada MESMO!!!!!!!
Sua bença, PADINHO.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

BUSCANDO, SEJA LÁ O QUE FOR

A compulsividade em estar por todo o tempo em atividade, leva as pessoas a desconsiderar o aqui e agora, que pode ser surpreendente e repleto de emoções.
Entretanto, buscamos sempre o diferente e o mais assustador é que, na maioria das vezes, estamos frente ao emocionante e sequer percebemos, pois nossa insaciável necessidade em permanecer correndo atrás de um desconhecido, supostamente espetacular, é sempre mais envolvente.
Este comportamento sistemático acontece em qualquer atividade em que nos dediquemos, mas é justo quando viajamos, seja de férias ou em um simples final de semana, que fica evidente nossa total cegueira de reconhecimento.
Como ávidos ursos após meses de ibernação, saimos em busca do imaginável em um apetite voraz por novidades.
Geralmente nos frustramos, já que nada, em tempo algum, é capaz de suplantar as nossas mais alucinantes perspectivas. Esta postura comportamental sempre fez parte da natureza humana, no entanto, após a segunda guerra mundial, década após década, foi tomando conta das pessoas e levando-as a se sentirem compulsivamente desejosas e não necessariamente necessitadas, o que representa uma enorme diferença intencional e impulsionadora , que vem alterando significativamente o comportamento da criatura com ela mesma e de sua visão e compreensão de tudo quanto sinta e vivencie.
As alterações posturais, são resultado das metamorfoses emocionais, oríundas de um cem número de novos conceitos culturais, que se globalizaram indiscriminadamente, deslocando-se de seus locais de origem e adentrando sem qualquer licença prévia nas culturas alheias, causando desastres emocionais sem precedentes, que se espressam através de atos sociais de um cotidiano que, à primeira vista, até podem ser confundidos com evolução postural, mas que na realidade é antes de qualquer análise um atropelo sistêmico, gerador de outro cem número de fobias, compulsões, enfim, de distorções, plausíveis de serem classificadas como anomalias dos tempos modernos, que por sua vez, produz outro cem número de doenças físicas, somatizadas ou não, que ostentam a prerrogativa de possuirem o estatus de patologias dos tempos modernos.
O planeta está adoecendo a olhos vistos, as pessoas estão adoecendo, nunca em tempo algum, dispensou-se tantos recursos preventivos e remediadores e, ainda assim, a cada dia, mais e mais é possível observar-se as profundas e dolorosas transformações que surgem como pedidos de socorro em sinais de alerta, e para constatar, basta observar ao redor, na rua, no bairro, na cidade, no país, noutras localidades, mas principalmente em nós mesmos e naqueles que fazem parte de nossos universos pessoais de convivência.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

A PONTE e os LERO-LEROS

A criatividade humana é realmente fascinante em buscar, por todo o tempo, razões para continuar fazendo crer individualmente, mas com conotação coletiva, que isto ou aquilo deve ou não deve acontecer, por esta ou aquela razão, sempre, observem, sem contrariar palpávelmente, qualquer interesse pessoal, como por exemplo: A PONTE.
Critico uma ação do governador do estado e até do presidente, mas sou incapaz de fazer uma crítica que seja do prefeito ou dos vereadores, que prejudicam a mim e aos meus vizinhos por todo o tempo. Ofereço minha opinião pessoal a todos os lúdicos de meu cotidiano, deixando minha realidade ao léu .
Particularmente, apesar de não ser da "terra", revolto-me com o abandono ostensivo que acompanho dia-a-dia nos últimos oito anos em todos os setores desta ilha maravilhosa, particularmente em Itaparica, onde resido, promovido na maioria esmagadora das vezes, justo pelos nativos, com ou sem qualquer tipo de poder.
Venho acompanhando desde as manchetes sensacionalistas dos jornais e TVS da capital, até as infindáveis reuniões do primeiro, segundo e terceiro setores, sem que se registre um só acontecimento que realmente venha a favorecer a população, pelo menos com a sistematização e continuidade com que foram propostas, e, quando acontecem, são drasticamente destruidas na gestão que se sucede, fazendo doer o coração de quem calado a tudo assiste, e, no entanto, curiosamente, ninguém lê, ouve ou assiste alguém fazendo campanha defensória.
Dia após dia, coisas do arco da velha, absurdos inconcebíveis pipocam e se estabelecem como verdades incontestáveis e não se ouve uma só voz contestadora, preferindo os formadores de opinião permanecerem surdos, mudos e principalmente cegos às vergonhas, aí sim, que estão a cada instante, não só destruindo toda esta maravilha, como aliciando e corrompendo crianças e adolescentes a crer que toda esta hipocrisia vergonhosa é o certo, é o correto.
Violência, vagabundagem, falta de sossego, destruição de mangues e rios, poluição de praias, devastação de matas, doenças e epidemias, fome e miséria, lixo e sujeira por todos os cantos, não são necessáriamente resultado da natural evolução e crescimento de uma cidade, no entanto, a omissão dos supostos pensantes e influenciadores da opinião pública, fazem-se cúmplices desalmados, mas espertos o suficiente para colher, ou pelo menos preservar, suas benécias pessoais.
E aí, são contra ou a favor sem qualquer alma verdadeira de interesse, que não seja primeiro o da vaidade pessoal aliada ao desejo momentâneo de permanecer se dando bem de alguma forma. Enquanto as pessoas se calarem diante de seus proprios sofrimentos em prol de garantir seja um contrato, um emprego, uma não transferência, um bom relacionamento ou simples aplauso, a Ilha ou qualquer outro local que visivelmente está sendo destruido pela ação desavergonhada de alguns poucos, sob a proteção burra ou alienada de muitos, permanecerá apenas sendo alvo de lero-leros banais e criminosos, que aprisionam milhares de criaturas em celas escuras da ignorância, no mínimo, cidadã.
Nossa linda Ilha, que deveria ser orgulho de cada morador, fosse nativo ou não, através de ações públicas, pouco a pouco, atola-se nos poços do abandono pelas gestões que se apresentam, não precisando de PONTE ou de quem quer que seja de FORA, para destrui-la.
Diante destas minhas afirmações, não faltarão ferrenhos defensores desta vergonha pública, apresentando imediatamente, meia dúzia de "açõeszinhas" Zé Manés, mais que necessárias, feitas pelas metades em sua maioria, projetos governamentais com verbas adocicadas para saciar bocas e consciências .
Por esta razão, recuso-me a continuar a plaudir o implaudível, assim como entristeço-me a cada instante quando converso com adolescentes, que apesar de terem concluido o segundo grau, mal sabem ler e escrever.
Quando passo pelo colégio de tempo integral e vejo a piscina destruida, quando vou aos postos de saúde e ouço as infindáveis reclamações de mulheres e homens sofridos e sem qualquer chance de serem ouvidos, seja lá ou por quem for, e tantas e tantas mazelas que registro no meu dia-a-dia de cidadã itaparicana e editora do jornal VARIEDADES, a raiva cresce.
E aí, o FERRYBOAT continua a ser mais um problema sério a ser resolvido, mas dar a ele a responsabilidade deste retrocesso político, cultural e humano, ME POUPEM e se POUPEM , pois um dia a casa cai. De repente, o custo benefício na criação da ponte, represente exatamente a queda da bastilha dos atuais incautos governistas, trazendo cobras, não resta a menor dúvida, mas pelo menos mais inteligentes, oferecendo no mínimo esperança com renovação de egos, como já ocorreu em tantas outras localidades, onde perdeu-se algo, mas o povo ganhou em qualidade e dignidade de vida. Porque, dependendo do ângulo que se enxergue, qualidade de vida pode ser somente ter o direito de comer três refeições a cada dia.
Mas qual o importante ou formador de opinião antenado e descolado que pode avaliar tamanha carência, além dos limites de seus discursos?
Acreditem, são raros.
Se a violência na ILHA está aumentando, devemos agradecer a cada um de nós mesmos por sermos covardes e burros em aceitar tamanhos desmandos. A comida que nos alimenta é resultado de nosso plantio, mas que é mais cômodo transferir a responsabilidade prá outro, não resta a menor dúvida.
Uma cidade que é berço de um Jõao Ubaldo Ribeiro, de um Ernesto Carneiro Ribeiro , de uma MARIA FELIPA e de tantos outros ilustres, cantados e aplaudidos, não pode e não deve se curvar a tamanho abandono físico e emocional.
Há quem diga que burra sou eu, que não consegui em todos estes anos uma só verba que ajudasse a manter o jornal mensalmente. Talvez eu realmente seja, mas se ao contrário fosse, seríamos apenas mais um a comer da marmita, já tão minguada e repartida.
Como poderíamos estar defendendo justiça social se alimentado estivéssemos com o pirão da vergonha?
É ..., burra sistêmica com certeza sou, mas que eu amo esta terra, isto ninguém pode negar, e que luto para vê-la menos doída, ah!, com certeza esta é outra verdade, e que não darei mais visibilidade para gaiato, podem apostar.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

NEM TANTO NEM TÃO POUCO...

Acaba de chegar às minhas mãos uma carta aberta ao público que foi distribuida na cidade, onde alguém que até possui uma boa redação, acusa os políticos locais de cobras e lagartos e, ao mesmo tempo, tenta esclarecer as pessoas em como devem se portar nas eleições futuras.
Lamentavelmente, a referida carta, não foi assinada e, portanto, deixa de possuir qualquer feição de comprometimento cidadão para tão somente representar um desabafo caluniador sem conotação de seriedade.
Uma pena, se observarmos que são justos os pensantes os primeiros a se calarem ou a simplesmente se esconderem sob a sombra da clandestinidade.
Particularmente, não aprecio a mistura que comumente estes manifestos fazem, envolvendo vidas particulares com condutas políticas, entretanto, reconheço que esta é uma postura comum neste meio, onde não reside limites para se chegar ou se manter o poder.
Já ouvi por diversas vezes dizerem que CHUMBO GROSSO TROCADO,NÃO DÓI, mas dói no pouco caso e no desrespeito que a partir daí se instala na mente cidadã, onde cada pessoa passa a crer que é natural usar-se de qualquer recurso para que possam atingir os seus objetivos, além de nutrirem a banalidade social, através de uma aceitação incondicional, como se impossível fosse qualquer alteração.
E as mudanças, são sempre possíveis, mas devem começar através do reconhecimento social dos direitos individuais, que precisam voltar a serem ensinados, pois há muito foram esquecidos, na maioria das vezes soterrados, restando tão somente um profundo vazio constitucional, que se presenta, também, através do medo de expressar suas opiniões, buscando no anonimato amparo protetor.
Que o balaio está transbordante de desmandos, não resta a menor dúvida ,mas daí a estender acusações, colocando a todos no mesmo patamar, não sei não, acho um tanto precipitado e pouco justo, muito porque, não creio em soluções milagrosas, apenas e tão somente em ações coordenadas e consistentes, como por exemplo, que cada cidadão, no silêncio de seu voto, faça transparecer seus desencantos sem utopias, buscando com seriedade, renovações que em seu entender pessoal possam verdadeiramente fazer a diferença em qualidade e respeito à cidade e às pessoas como um todo, evitando com este fundamental gesto que a mesmice permaneça solapando o presente e certamente aleijando qualquer pretenção de futuro.
Creio que melhor seria que cada pensante com os recursos de comunicação que hoje estão disponíveis, discutisse mais os problemas que se apresentam, buscando junto a seus amigos um meio mais eficaz de estender um colar de entendimentos sociais, a fim de tecer, por todo o tempo, contas preciosas de reais e efetivos interesses sociais, buscando através desta atitude lúcida e coerente, parcerias irmãs e, portanto, benditas em prol de um sério resgate da moralidade política, que certamente atingirá todos os setores sociais.
Pois de nada adianta se fazer uma enorme varredura se não houver entendimento sobre o enorme vazio que certamente precisará ser preenchido.
Portanto ,nem tanto nem tão pouco, busquemos pois o equilíbrio avaliativo, para que não continuemos a escolher gato por lebre.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

RECORDANDO

Ainda na loja, pois estou com alguns clientes acessando os computadores, penso que sou mesmo um serzinho realmente muito estranho, pois apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, uma cidade carnavalesca, e no bairro de Ipanema, que sempre foi precursor nas artes, principalmente musical,,jamais consequi gostar de carnaval, preferindo sempre ir para a casa de campo na rua Dona Tatana, em Teresópolis, e mais tarde, para a casa de Guapi-Mirim, onde acredito ter começado os meus exercícios observatórios.
Há pouco tempo, conversando com uma amiga que mora há alguns anos na Ilha, mas que também é carioca, só que de Santa Tereza, ela surpreendeu-se com a minha não convivência com os então iniciante artistas que eternizaram Ipanema na década de 60.
Bem, respondi na tentativa de não parecer assim tão boco-moco, que fui vizinha de alguns, frequentei a praia do posto 11 com muitos, enfrentei a fila do caixa do super mercado Pegue e Pague e do armazém Gaio Martim, da esquina da anibal de Mendonça com Visconde de Pirajá, com quase todos, mas que jamais frequentei o bar Cangaceiro ou o Beco das Garrafas, onde grandes maravilhas aconteceram.
Por que? Sei lá, acho que eu era muito alienada, além de ter pais muito rigorosos.
Na realidade sempre fui uma pessoa quieta, apesar de esbanjar energias, mas estas eu canalizava indo a praia, fazendo ginástica ou jogando tenis na AABB do Leblon, depois, eu estudava muito longe de minha casa, pois o bairro da Tijuca, onde até hoje existe o Colégio Maria Raythe, ficava distante uma hora cravada no relógio, atualmente, deve demorar bem mais, no entanto, nos anos sessenta o trânsito ainda não estava tão absurdamente louco e, por falar nisso, acabei de enxergar em minha mente o ônibus 415, que eu pegava religiosamente às 6.30 da manhã, mas se eu me atrasasse um minuto que fosse, tinha que dividir espaço com os meninos do Colégio Militar, não que eu me importasse, muito pelo contrário, adorava vê-los lindos naqueles uniformes, que para mim pareciam fascinantemente perturbadores.
Bons tempos, o corpo molhava a blusa branca do uniforme, pois o calor do meio dia até mesmo naquela época era infernal. Chegava em casa às l3 horas e logo às 15 horas eu e Marcia (amiga inseparável), íamos caminhando até o clube de segunda a sexta, portanto, quando retornávamos estávamos exaustas, ainda tínhamos os deveres e, é claro, assistir a Globo, que inaugurara em l965, sentada no sofá, junto à minha mãe.
Pois é, diante das mil atrações que hoje os jovens desfrutam, as minhas atividade podem parecer monótonas e sem graça.
Qual nada, diverti-me a valer, principalmente na escola, infernizando as coitadas das freiras com minhas estripulias, como, por exemplo, roubar junto com a amiga Margarida, doces e biscoitos no refeitório, enquanto as mesmas rezavam o terço das 11 horas.
Era simplesmente adrenalina pura e mais emocionante ainda era roubar o suficiente para destribuir para todas as companheiras da sala. Fugir na última aula, pulando um muro de 3 metros, e ir cair em um monte de areia de uma obra ao lado, deixou de ser o barato do curso normal quando substituiram areia pelo cal.
Que vergonha! Ficamos em petição de miséria. Este episódio, ficou marcado como o primeiro grande mico que tive que pagar, além de ter de dar mil explicações à furiosa dona Hilda (minha mãe).
De qualquer forma, as coisas eram diferentes, talvez mais calmas, menos corridas ou encaradas com mais naturalidade, provavelmente por isto, apreciar a Marieta Severo, namorar o Chico, ouvir o Tom Jobim tocar seu abusado piano por horas a fio, cruzar diariamente com Vinícius de Morais, assim como com uma infinidade de personalidades, inclusive políticas, como ser vizinha do Marechal Eurico Dutra, acompanhar parte das caminhadas dele com o então presidente Castelo Branco, ou ter dividido a mesa em inúmeras refeições com o ilustrissimo Reitor da Universidade baiana, Dr.Edgar Santos, não tenha me aguçado a buscar emoções, porque, afinal, eu já as tinha no meu cotidiano de menina moça dos anos sessenta, isto sem esquecer que ao completar 18 anos, estava me casando e mudando para Brasília, onde, aí sim, pude começar a conhecer um outro lado, que foi político, na forma de viver que, cruz credo, prefiro nem lembrar.
E aí, bem..., são quase 10 horas da noite e pensar que é carnaval e que eu, como jornalista, deveria estar fazendo a cobertura da folia, mas ao invés disso, estou aqui, recordando a juventude de uma época romântica e inocente que o tempo não apagou.

CONSCIENTIZAÇÃO...

Minha maior função, sempre foi pensar nas coisas que a maioria sequer percebe estar acontecendo.

E por que me dedico a isso ?

Não sei bem explicar, pois sempre foi muito natural ir além do lugar comum em uma busca de entendimentos explicativos das posturas aparentemente óbvias e suas correlações emocionais, assim como seus efeitos junto à convivência com os demais.

Lembro-me nitidamente de quando ainda menina, permanecia atenta às conversas de tias, vizinhas, professoras, freiras da escola, em um fascínio a tal ponto envolvente que eu simplesmente parecia sair deste mundo, motivo pelo qual minha mãe vivia me repreendendo, pois dizia que eu estava sempre no mundo da lua.

Fui crescendo e, já na idade adulta, em dado momento, comecei a sentir medo em conviver e fui me isolando, pois me era assustador conhecer e prever tanto as posturas, quanto as reais emoções que se espressavam.

Horrível... e novamente comecei a escutar mais amiude os ecos das observações de minha mãe, agora representada pelas vozes de marido e filhos, que em muitas ocasiões se aborreciam por eu permanecer como se alheia eu estivesse de detalhes para eles de fundamental importância, mas que para mim eram tão somente fatos corriqueiros, não merecedores de relevante consideração.

Precisei de muitos anos e de muitos registros, em um exercício de reconhecimento consciente, para finalmente ir relaxando em minhas convivências cotidianas, não questionando e tão pouco julgando, apenas e tão somente registrando, oferecendo uma nova motivação a este hábito que percebi finalmente ser um caminho de aperfeiçoamento, pois que me induzia a encontrar meu próprio equilíbrio pessoal e, consequentemente, a um maior entendimento do funcionamento mental, se a ele for adequadamente inserido os sentidos em uma parceria consciente, pois fui assimilando que esta parceria, quando existia, era totalmente instintiva, sem qualquer consciência, ficando aí constatado que a tão estudada consciência só pode ser entendida se a olharmos como um conjunto de fatores neurológicos se estes forem estimulados por um poder maior de comando que advém da inserção de modelos posturais externos.

Ou seja: nosso grau de consciência advém de em contexto de funcionamento biológico e sensitivo do nosso conjunto físico, que por sua vez, forma-se através de agentes externos, que são absorvidos a partir da formação embrionária e se estabelece através dos relacionamentos vida a fora.
Naturalmente percebi, então, que o poder de se fazer escolhas, ditas conscientes, é apenas mais uma suposição, que é encarada como realidade existencial, pois seja ela qual for, faz parte um contexto no qual a criatura se encontra inserida emocionalmente.

E isto, não pode ser correlacionado ao meio social em forma de definição do sentido externo, se bem que este fator seja também um agente influenciador, mas ao contrário do que se julga popularmente, não se torna definitivo quanto a formação do carater emocional, apenas eu diria um fator indutivo de relevante poder de persuasão físico-emocional.

Em dado momento, comecei a desejar que meus entendimentos se estendessem a outras criaturas, para que elas pudessem como eu sentir a vida de forma menos pesada, repleta de cobranças, justo por não conseguirem vislumbrar suas reais necessidades, isto sem precisarem percorrer todo o trajeto que percorri ao longo de minha vida.

Verdadeiramente, acredito que é possível adequar-se ao convívio interpessoal , assim como acompanhar as evoluções sistêmicas sem que se precise aleijar-se emocionalmente e, como consequência, fragilizar-se toda uma estrutura física, que induz o consciente a chorar por todo o tempo, por se sentir amarrado sem vida própria e liberdade, em também se sentir sendo um ser completo.

Em linguagem popular, seria se sentir feliz.

Simples assim, sem maiores ilações, por que fui descobrindo que os instantes são definitivos na qualificação de bom ou ruim no contexto diário existencial e que é preciso valorizá-los, preservando-os como se fossem únicos.

Particularmente, não gosto que classifiquem meus entendimentos como auto-ajuda, prefiro que este meu dom, que sistematizei no decorrer de minha vida, seja encarado como um método de reeducação vivencial, a ser aplicado com o respeito e seriedade, como deveria ser aplicado toda e qualquer disciplina curicular nas escolas a partir do pré escolar,, evolutivamente, em todos os níveis educacionais, para que cada criatura envolvida crescesse e se educasse de forma mais consciente de suas realidades fisico-emocionais, com o reconhecimento de suas afinidades, podendo, assim , também ter a oportunidade de corrigir toda e qualquer distorção a sua pròpria natureza e, ou, ao meio no qual está inserida.

Quem sabe, este meu desejo um dia se realize, através de um gestor, como eu visionário, que não se importe em destribuir equilíbrio, razão e amor, fazendo de cada escola um celeiro, onde cada criança possa desenvolver vida e liberdade, dando a ambas a importância suprema de respeito e dignidade humana.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

O HOMEM DE DEUS E A COBRA

São quase nove horas da noite desta quinta-feira chuvosa, mas nem por isto menos encalorada, e eu estou pensando no que me ocorreu na noite de ontem e, sinceramente, nem que eu viva mais cem anos serei capaz de afirmar que conheço um só pouquinho da mente humana em sua infinita capacidade de camuflar suas reais intenções.
Enquanto estou aqui, recordando uma conversa, com um suposto homem de DEUS, no mínimo esdrúxula, penso na cobra que a reditei ser uma sucuri, mas que poderia ser qualquer outra, menos a de vidro que apareceu no terreiro dos fundos lá de casa e que, por falta de entendimentos naturalistas, sucumbiu a pauladas dadas pelo meu jovem caseiro.
Dois fatos aparentemente distintos, mas que se correlacionaram, justo porque em suas naturezas comportamentais, reagem atacando, tão logo se sentem de alguma forma ameaçados.
Bem... a cobra até posso compreender, mas o homem de DEUS!!!, tendo medo dos escritos desta senhorinha, aí é demais para a minha cabecinha de filósofa social. Afinal, quem sou eu e que força estranha e poderosa é esta que compõe os meus escritos que possam ameaçar seja lá quem for, ainda mais para quem tem um DEUS tão exclusivamente seu.
Penso, então, que diferentemente da cobra , o homem de DEUS, traz em sí a vaidade, prima irmã da arrogância, amiga íntima da intolerância, amante do preconceito, e eu nada mais sou que uma simples escrivinhadora deste universo em sua grandiosidade de vidas pulsantes, no que se inclui o Homem de Deus e a cobra, e a ambos, dobro-me em profundo respeito, apenas lamentando o triste fim da sucuri, que no frigir dos ovos é a menos agressiva, a menos peçoenta e com certeza a mais bela criatura que pude encontar no meu sagrado dia de ontem.

DEUS PRESENTE EM NÓS

Quando pensares em Jesus sem qualquer influência vivencial, penses no universo, e quando, finalmente, te centrares nele com a intimidade de tua própria morada (corpo), aí sim, poderás compreender o significado de DEUS.
Porque DEUS, não pode ser observado através de uma única expressabilidade, pois ele é uma folha, assim como é um átomo que compõem a mesma folha, mas é também o sol, a água, a terra, enfim Deus é o tudo do todo fragmentado, que nos permite vê-lo e senti-lo através de nossos sentidos.
Como é possível observar, DEUS é muito mais que qualquer explicação, porque simplesmente DEUS é vida, e é possível ao ser humano em sua avareza existencial esclarecer a si os efeitos que sua vida exerce sobre a vida ?
Alguns com certeza conseguem através de muitas buscas encontrar fachos de luzes que iluminam as suas pretensões, levando-os a grandes caminhadas, ainda que longe da fiel realidade de um real naturalismo consciente de interação universal. Entretanto, a grande maioria, e infelizmente é o que conta, vagueia sonânbula, sem sequer se ater que também é vida e, portanto, um todo Deus.
E por sequer se enxergar, como poderá encontrar o Deus que em sí reside? E aí, como um fantasma sem luz e sem direção, apalpa e esbarra em Deuses, fantasias de suas imaginações.
Entendes agora os gurus, mágicos e alquimistas?
São todos frutos enxertados sem identidade, assim como aqueles vorazes esfomeados emocionais que vêem no fruto, louca abastança, por acharem que são diferentes e mais belos.
Portanto, é preciso que não fiques desiludida ao veres, constatando, que são muitos Deuses e fiéis, ao contrário, veja neles partículas daquele DEUS que sabes, agora, residir em ti, porque não importa o grau de cegueira, haverá sempre um DEUS habitando em cada ser.
E esta é a intenção que o universo proporciona ao seu ciclo de renovação.
Portanto, chamar a vida de mistério é não compreender o óbvio de nossa própria existência, que em permanente mutação se renova e se alimenta.
Percebes, então, que DEUS é puramente intenção do universo consigo mesmo?
E que nós somos fragmentos desta intenção interagindo junto ao todo, e que por não nos situarmos é que vivemos a especular, buscando DEUS no vazio de nossos próprios abismos?
Jesus com certeza compreendeu e reconheceu o caminho a ser trilhado, e não teve medo em percorre-lo em uma busca consciente de um DEUS que seus sentidos denunciavam estar ligado
à sua própria vida.
Jesus compreendeu que quando conseguisse sorver um pouco de água sem depositar nesta atitude outra pespectiva que tão somente saciar sua sede, estaria sem dúvidas pronto para sorver com plenitude todas as demais experiências vivenciais. Comprendeu, também, que precisaria corrigir posturas viciadas para que finalmente seu corpo não sofresse e seu DEUS interior não chorasse.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

PAPO FURADO

Hoje, como a muito não acontecia, estou me sentindo ansiosa, inquieta, sem paciência, com vontade de ficar quietinha, sem escutar quem quer que seja, e por mais que respire profundamente, não melhoro, e, então, recorro as minhas letrinhas, buscando um pouco de solidão, mas qual nada, parece que o mundo inteiro precisa de algo de mim, em um chacoalhar de perguntas que sinceramente estão me colocando louca nesta tarde de segunda–feira nublada, em que preciso recorrer a tudo que aprendi em relação a regeneração emocional, para, assim, quem sabe, relaxar um pouco.

Estou pensando se isto acontece com todo mundo em qualquer idade, ou mais frequentemente quando se está mais velho, em uma espécie de cansaço. Por falar nisso, lembro-me agora de DONANA, uma senhorinha maravilhosa, avó de meu marido, que conversando certa feita comigo, afirmou:

- Estou cansada de viver, minha filha.

Assustei-me, afinal ela era sempre tão cheia de energias, alegre, que me pareceu sem qualquer sentido, aquele desabafo. Pensando nisto, já não acho assim tão esquisito, pois confesso que em alguns momentos, como o de hoje, o desânimo que me fisgou poderia, sim, ser interpretado como um enorme cansaço de viver.

Pois é…, escrevendo estas coisas tão íntimas de minhas emoções, corro o risco de pensarem que estou deprimida, e isto não é verdade, afinal só estou cansada, precisando de um pouco de sossego, desejando ardentemente que meus filhos e meu marido, catem coquinho e me deem um tempo, por menor que seja, sem serem forjadamente tão dependentes. Sim, pois se eu adoecer ou morrer, logo eles darão um jeito de cuidarem de si mesmos, sem tantos: mãe faz isto, onde está isto, preciso daquilo e etc e tal, não esquecendo do marido, da loja, dos empregados, das contas, dos amigos que não dou atenção, dos emails que não respondo e até dos telefones, que, definitivamente, risquei do meu convívio, que insistentes tocam e eu teimosa não atendo, mas ainda assim  eles ressoam em meus ouvidos.

Olho no espelho e constato que preciso urgente perder uns quilinhos, bem, muitos, comprar umas roupinhas novas, talvez escurecer um pouquinho o cabelo, passar com mais frequência um batonzinho, comprar o “Anais Anais”, que acabou semana passada, bem, é melhor eu parar por aí, afinal se eu continuar a olhar demais, certamente corro o risco de beirar a depressão, porque sem dúvidas o mais urgente, a meu ver, são as rugas e a maldita papadinha do queixo, ítens inexoráveis com os quais tenho de conviver, fazendo de contas que é absolutamente natural.

Natural , uma ova! Sou mlher, e vaidosa, e este troço de idade atinge fundo, e como todas as demais queria não ter que envelhecer. Que papo furado este meu, heim!?

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O LIXO E O DESLEIXO DE TODOS NÒS

Todos os dias, juro a mim mesma que não vou escrever sobre política pública, no entanto, estou sempre mordendo a própria lingua, pois não consigo ficar omissa seja frente ao que de bom acontece, como o início do calçamento da rua do cemitério, que é aguardado há anos pelos moradores do local e por todos os cidadãos que poderiam utilizá-la como forma de escoamento ou encurtamento de trajeto, assim como frente ao contínuo pouco caso em relação ao recolhimento de lixo e monitoramento dele nas ruas internas, próximo das residencias.
Insisto neste assunto, pois é público e notório os danos provocados pelo acúmulo de dejetos de todas as naturezas, que permanecem em franca decomposiçao ao longo de meses e anos a céu aberto, atraindo um cem número de peçoentos que invadem as residências,c riando sérios problemas, sem esquecer que no período das chuvas, a urina dos ratos, misturada aos poços interminaveis de águas paradas por todos os cantos das ruas, transformam-se em mananciais de focos de doenças.
Isto me faz lembrar da Dengue, que em todos os verões maltrata a população e, como sempre, volto a perguntar onde estão os agentes de endemias que foram empossados no governo passado e regularmente passavam nas residências e comércios, devidamente uniformizados e em poder dos adequados remédios de combate ao mosquito.
Voltando ao lixo, penso que não deve ser fácil cuidar desta árdua tarefa, no entanto, também penso que as empresas contratadas deveriam estar capacitadas, já que os valores dos seus contratos mensais com as prefeituras são de valores, no mínimo, respeitáveis.
Por outro lado, creio que a secretaria de infra estrutura deveria manter uma fiscalização mais efetiva, até como forma de conhecimento e reconhecimento, frente a possíveis reclamações, pois o que não falta são funcionários que poderiam ser direcionados a um atendimento mais consistente.
Por mais que se queira desconsiderar este grave problema que nos assola, ainda nos resta o desconsolo de não receber a visita de fiscais, ou seja lá o que for. Pelo menos no meu caso em particular, só fui atendida quanto a colocação de lâmpadas na rua de minha residência após dois anos de espera, e assim mesmo porque em dado momento político me valí do cargo de diretora de gabinete para auferir esta tão desejada necessidade. Entretanto, isto está errado, o certo seria uma sistematização operacional onde o volume expressivo de funcionários efetivados e contratados, pudessem de verdade exercerem funções mais coerentes as necessidades do município, ao invés de se amontoarem nos departamentos das secretarias e prédio da prefeitura, onde o excesso, aliado a ociosidade, promove um relaxamento profissional, além de um atendimento totalmente desconsiderativo.
O horror do circuito do lixo, não é apenas um sofrimento do povo de Itaparica, mas também do povo de Vera Cruz, na verdade para quem quizer ver é que todos nós a cada instante nos encontramos expostos ao mal cheiro, a uma visão dantesca e ao risco constante de doenças.
É preciso dar-se um jeito neste horror diário, e não me venham falar que tudo vai bem, porque não vai não, pois o atual recolhimento é realizado bem aquem das reais necessidades.
Penso, que tantas pessoas inteligentes e competentes a frente das gestões atuais, poderiam pensar em um programa educacional e ao mesmo tempo promocional, como por exemplo, incentivar os moradores a colocar cestas fixas de depósito de lixo em frente às suas residências, em troca de receberem bônus de desconto nos seus IPTUS e os comerciantes a receberem, por exemplo, redução de alguns porcentos no pagamento de um imposto como o ICMS.
É só pensar um pouquinho que logo surgem alternativas, não é mesmo?
Pois é, enquanto escrevo, imagino o quanto sou criticada pelos senhores do poder, justo por estar por todo o tempo pedindo isto ou aquilo, que pela minha lógica e entendimento sobre gestões públicas, assim como relativo entendimento quanto às verbas recebidas, deveriam fazer parte de uma rotina prioritária.
Tem até esposa de gente do governo, virando a cara quando me vê, assinando assim um atestado de pouco respeito pela opinião e necessidades de uma cidadã itaparicana, guando deveria utilizar suas sensibilidades femininas para aconselhar seus maridos a serem mais sérios em suas ações políticas, no entanto, reconheço que não estou nas páginas dos contos de Monteiro Lobato e Itaparica com certeza não é o Sítio do Pica Pau amarelo, assim como a referida senhora, jamais será a querida DONA BENTA.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

MESTIÇA - GRAÇAS A DEUS

Neste instante, pensando na morte da bezerra, pois são duas horas de uma tarde infernal de calor e para não mal dizer o destino cruel que ainda hoje me faz trabalhar, busco lembranças a qualquer preço, para passar o tempo e não pensar na praia, na piscina ou mesmo na cama, ao deleite do ar condicionado e, então,lembro de minha juventude, meu Deus! como eu já fui bonita, com fartos cabelos negros cobrindo os meus ombros de pele morena, dourada do sol de Ipanema. É, mas o tempo passa inexoravelmente, ficando as recordações boas e generosas  como doces lembranças de uma juventude mais que linda, que eu tive de morena mestiça, cheia de graça, graças a Deus.

Agora, aos sessenta, de cabelos curtos e louros para camuflar os totalmente brancos, ainda me sinto linda, mesmo não o sendo mais, ainda me vejo mestiça, mistura guerreira no sangue e na alma, ainda me sinto menina, alegre e bem disposta, se bem que vez por outra recorrendo às lembranças para colorir um pouco mais, tardes como esta, de tremendo calor e de pouca coisa para fazer.

Penso, portanto, que por mais que sempre tenha gostado e preferido morar em cidades pequenas, a mestiça carioca, acostumada que foi aos agitos de uma Ipanema fervilhante, se dobra ao ostracismo  deste paradeiro que hoje me parece tão infernal quanto ao calor que não dá tréguas e ainda me faz escrever bobagens para passar o tempo.

Que coisa, heim?!…

Um enterro a cada instante

  Quieta, aqui sentada diante do notbook, penso que ao longo dos últimos 46 anos já escrevi sobre quase tudo que pude observar em minha trajetória de vida. Nossa! São quase cinco décadas e eu ainda percebo que pouco escrevi, frente a diversidade de assuntos, sendo a maioria totalmente estranho ao meu alcance de conhecimentos. Alguns desses assuntos, eu adoraria  poder escrever, como por exemplo sobre as células tronco, neste avanço fantástico da medicina, ou sobre arquitetura e paisagismo, assuntos pelos quais me interesso desde a juventude, também escreveria com prazer sobre os esportes radicais, pois me fascina a ousadia daqueles que os praticam.

No entanto, escrevi sobre a vida e também  sobre a morte, escrevi sobre DEUS e até sobre o DIABO, escrevi sobre o amor e também sobre a falta dele, e neste vai e vem de letrinhas e palavras, arrisquei  até escrever poemas, fazendo de mim,  então, uma sonhadora quase que perdida em meio a tantas mudanças  conceituais, que não me deram  tempo habil  para assimilar.

Confesso que na maioria das vezes, sinto-me absolutamente solitária, olhando em torno de mim mesma sem compreender o que é certo ou o que é errado nos dias atuais, e enquanto comparo com os parâmetros recebidos lá no passado e com os quais trilhei minhas passadas, sei que perco espaço, me confundo e  quase nada entendo. Então, vou escrevendo ciente e consciente de que me é impossível reverter o curso das mudanças, e enquanto tento, de certa forma acompanho , mesmo que aturdida, os enterros de meus valores.

Penso, assim, que escrevo há tanto tempo que até poderia achar meus escritos meio arcáicos, mas se assim fosse não restaria memória, tudo seria sempre novo, sem passado e sem passadas. Bendito seja  este  meu dom de registrar todas as mudanças,  deixando  eternos os  velhos e novos valores para que uns  os assimilem e outros possam, tão somente como eu, registrá-los sem sequer compreendê-los.