sexta-feira, 30 de junho de 2017

SONO INDUZIDO


Quando a senhora morte chega próximo, acordamos de um sono induzido que nos faz encarar a simples e incontestável realidade de nossa finitude.
Foram muitas as ocasiões em que escrevi e também discursei com palavras aparentemente sensatas de minha total aceitação, quanto, a chegada sem aviso prévio desta senhora, mas confesso que eram apenas falácias consoladoras que buscavam camuflar se não o medo, pelo menos a minha indignação.
Morrer !!!! Que desperdício...
Afinal, na calada de minha mente, sempre residiu a quase tristeza de saber que em algum momento, estaria dando adeus a esta maravilha que é viver.
Tristeza ou talvez, apenas agonia, por não saber o que realmente me aguarda e terror só em pensar, que nada mais pode ocorrer, ficando as expectativas pregadas, apenas como um bálsamo consolador pelo sempre mistério de não saber, nem de onde vim e tão pouco para onde vou.
O que me importa realmente saber?
Fico neste instante a me perguntar, crendo, que até isto é tão somente, um consolo pela ignorância que me assola.
E na esquizofrenia que me domina, frente a este quase medo que insiste empanar sorrateira a minha total alegria de estar vivendo, alimento meus parceiros invisíveis aos demais, energias benditas que a cada instante, iluminam meu caminhar nesta existência, real e palpável, onde tudo é incerteza, menos a visita da senhora morte.
Assim, vou vivendo cada instante como se fosse o único, na certeza absoluta de que cada amanhecer é um brinde que me é oferecido pela vida, mas que pode ser o último e, portanto, não posso desperdiçar deixando que o medo da finitude, tire de mim o prazer de apenas existir.
Diante da finitude de alguém que amamos, nos deparamos com a vida nos estimulando a prosseguir, porque afinal, a vida é bonita é bonita e é bonita e cada qual, nela, tem o seu tempo e seu espaço.


segunda-feira, 26 de junho de 2017

SIMPLES ASSIM


Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Em se tratando de tudo que parece, mas não é.
Pois é, foi assim na premiação das barracas na festa de São João de Itaparica.
Até eu, acostumada que sou em aterme ao cerne das questões, deixei-me lograr pelo aparente óbvio e inadvertidamente, coloquei-me a defender a barraca que aparentemente deveria ganhar, já que inegavelmente, foi a mais equipada, estruturada e abastecida de uma variedade múltipla de guloseimas nordestinas e, por conseguinte juninas.
Todavia, esqueci-me de observar o objetivo do concurso, avaliando tão somente, os aparatos completos de uma bem instalada lanchonete.
Essa não era a questão. Dever-se-ia julgar a criatividade e a gastronomia.
Daí a vencedora ter sido aquela que apresentou de forma despojada, toda a simplicidade das autênticas festas juninas nos interiores deste nordeste rico de gente bonita e feliz, mesmo frente as inúmeras diversidades.
Outra característica foi o acolhimento que a mesma ofereceu através de seu idealizador que com o seu constante sorriso e cordialidade, fotografava a todos em seu interior, destacando-os como visitantes absolutamente especiais.
Os quitutes juninos foram dispostos em vasilhames de barro, expressando a simplicidade natural do nordestino, não dispensando, no entanto, a fartura dos comes e bebes.
A decoração da barraca aparentemente vazia, sem grandes aparatos, refletia o aconchego dos encontros animados de amigos e familiares. Confirmando assim, a tônica da festa que buscou preservar o calor humano, onde a segurança, a fartura e o acolhimento deveriam predominar.
Colorida e deixando passar pelas paredes de bambus finos, o negro estrelado do universo, o amigo Rogério Santana, cumpriu o seu objetivo de levar para a Praça do Mercado a originalidade de um tema simples por natureza, que são as festas Juninas, assim como complexa na riqueza emocional que representa para a cultura brasileira.
Parabéns aos dois participantes, mas principalmente para nós que pudemos usufruir da grandeza do esforço de ambas na elaboração e apresentação de suas barracas Juninas.
Penso então, que são tantas as inversões com as quais convivemos que até nos confundimos ao analisarmos o apenas belo.

Simples assim...

quarta-feira, 21 de junho de 2017

UM SEMPRE APRENDIZADO

Quando percebemos que somos capazes de uma auto avaliação, logo percebemo-nos também frágeis quanto a resistência que existe sobre a batuta dos velhos hábitos e, por mais que venhamos a acredita que já evoluímos de forma considerável, lá vem ela, astuta, e perigosamente sutil vaidade, mostrar-se de forma despudorada, jogando por terra de forma impiedosa, toda a nossa arrogância de nos crermos imunes.
Como é difícil a constatação do imperfeito em nós. Como é dilacerante, o confronto com o inadequado que por mais que o vigiemos, lá está ele, espreitando sorrateiramente, sempre pronto à uma nova investida.
Basta um ínfimo descuido, apenas uma pequena brecha e toda a força de nossa visão pequena de nós mesmos se reflete em nossas posturas físicas e emocionais, como uma poderosa pororoca que incontrolável, arrasta consigo anos e anos de esforços regenerativos.
“Choraste?! – E a face mimosa, perdeu as cores da rosa e o seio todo tremeu?!” Casimiro de Abreu, "As Primaveras"
E de um ínfimo instante ao outro, perplexos constatamos que por mais que nos esforcemos para nos tornarmos pessoas melhores, ainda nada mais somos que eternos aprendizes, na feitura contínua de um reparo pessoal.
Parece uma louca filosofia, afinal, buscar sair do insano ciclo das aparências em meio a uma humanidade que fez dela o seu antídoto para a dor de perceber-se absolutamente, só?
Talvez...

domingo, 18 de junho de 2017

Hoje é domingo, e não preciso acordar pela madrugada para escrever, pois tenho não só a manhã, como todo o dia para fazer o que mais gosto.
Também no domingo, nada me interrompe e o silêncio que me rodeia em minha rocinha encantada de Ponta de areia, com certeza, ajudam e muito para que minha mente se foque não só nas belezas que me envolvem, mas principalmente reforçam o meu desejo de entendimento sobre os comportamentos humanos, fazendo de mim, a cada vez, um alguém mais interessado, quanto ao entendimento da mente humana no processamento dos dados recebidos, nas convivências cotidianas.
Hoje precisamente, elejo um incidente virtual que, colocou fim há muitos anos de admiração mútua, justo por causa deste difícil entendimento linguístico e falsos pressupostos, exemplificando o perigo sempre presente de se escrever algo que se está pensando, pedir a opinião alheia, sem ter o cuidado de explicar que se trata dela mesma ou, estar preparado para simplesmente ouvir a opinião solicitada dos outros.
Esse pressuposto de que o outro saberá trata-se de você é uma premissa absolutamente enganosa que, coloca o desavisado e todos nós, em dado momento podemos estar, em uma situação totalmente constrangedora, na realidade para ambos.
E aí, sem querer, colocamos o dedo na ferida do outro que, reage imediatamente, com a crueldade de quem se sente ferido no que supões ser sua respeitabilidade pessoal, esquecendo-se também imediatamente que, o outro, também tem a sua respeitabilidade e de forma consciente, contra-ataca num primarismo absurdo, próprio da arrogância dos que se sentem intocáveis.
E assim, a cada instante nestes colóquios presentes ou virtuais, agredimos e somos agredidos num pout-pourri de inadequações, num retrocesso nada piedoso, levando letrados ou não, ao caos dos desencontros.
Fácil então, entender-se o porquê da humanidade, mesmo diante de tanta globalização, onde novos parâmetros são oferecidos numa esperança de ampliação não só de conhecimentos, mas de visão de mundo e das diferenças, estar num contínuo andar para traz em termos emocionais e de entendimento humanitário do outro, proporcionando a si e aos demais atitudes próprias da era da barbárie, possível de ser constatado a cada dia através dos noticiários.
Inversão de valores, associado a uma individualidade crescente que exclui o outro sem qualquer complacência, onde o poder e a intolerância, ocupam o lugar bendito do diálogo.

Declamamos sobre liberdade, mas não soltamos o chicote de sinhozinhos que trazemos nas mãos e nas mentes.

Nota do autor -Escrevinhando


Desde o início do ano, a cada dia um pouquinho, lá vou escrevendo a minha biografia. Não que ela tenha nada de especial, afinal, sou apenas uma pessoa comum, no entanto, tenho uma história que se entrelaça à história de muitas outras pessoas, além, de ter sido sempre muito feliz, mesmo nos momentos difíceis.
Creio que minhas narrativas serão como um carinho que deixarei para os meus filhos e amigos do coração, afinal, a tarefa de viver, nem sempre é fácil e suave e é importante que consigamos atravessar o caminho com positivismo e muito amor para dar e humildade para receber.
Percebi ainda muito cedo que a felicidade é feita de instantes e da nossa capacidade em aceita-la sem previsão de término.
Pensando assim, fui exercitando cotidianamente, e fui encontrando pérolas de enorme valor, nem sempre reconhecidas por outros, mas que ao me dar a elas a oportunidade de convivência, foram preciosas, cada qual, num ou em muitos instantes de minha trajetória, ensinando-me a ser grata e a jamais permitir que fossem esquecidas.
Neste livro, “REVOLUÇÃO DE UMA SONHADORA”, resgato cada uma delas e peço a Deus que me dê vida e saúde para concluir sem esquecer uma só pérola deste cordão valioso que, certamente, adornou cada precioso instante da minha existência, até neste momento.
E se fortuna não tenho para deixar aos filhos, deixo tão somente, o meu amor pela vida e por tudo que nela existe, assim, quando estiverem tristes ou preocupados, terão como estímulo ao sorriso, minhas vivências, onde jamais houve espaço para o desânimo e a tristeza.
Afinal, a vida é bonita é bonita e é bonita.
Esta expressão não é só importante porque foi eternizada pelo compositor “Gonzaguinha”, mas principalmente, porque de forma singela, resume a explosão que ocorre em cada criatura humana, quando se conscientiza de toda a grandeza de estar existindo em meio ao espetáculo da vida, mesmo reconhecendo a pouca grandeza que é imposta a ela, através de sistemas brutais de convivência, onde o verniz da hipocrisia, magoa, fere e faz doer.


Afinal, a vida é bonita é bonita e é bonita.


Esta expressão não é só importante porque foi eternizada pelo compositor “Gonzaguinha”, mas principalmente, porque de forma singela, resume a explosão que ocorre em cada criatura humana, quando se conscientiza de toda a grandeza de estar existindo em meio ao espetáculo da vida, mesmo reconhecendo a pouca grandeza que é imposta a ela, através de sistemas brutais de convivência, onde o verniz da hipocrisia, magoa, fere e faz sofrer.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

SOL E CHUVA, CASAMENTO DE VIÚVA...


Olho neste instante através da janela e lá está mais um espetáculo da natureza!
Concomitantemente, o aroma de grama fresca chega e me invade e, sem que eu pense a respeito, começo a sorrir e a agradecer ao universo por estar viva e por ter a sensibilidade de sempre estar atenta, justo para não deixar de apreciar todas estas belezas.
O sol já está fraquinho neste fim de tarde, mas ainda se reflete nas copas das árvores e nas potentes folhas do cipó-Imbé que, abraçado ao tronco da mangueira, é sempre um espetáculo a parte.
Respiro algumas vezes bem fundo, absorvendo todo este potencial energético, porque afinal, esta é uma oportunidade imperdível, pois mesmo que se repita como já se repetiu infinitas vezes, jamais será igual no oferecimento de suas grandezas.
E aí, volto à minha infância num instantâneo bendito e me vejo correndo pelo gramado da casa na Serra em Teresópolis, deliciando-me na chuva, em uma alegria inenarrável, tendo o esplendoroso sol da manhã como única e sagrada testemunha.
Bendita a vida que recebi, sagrada é a vida que sempre desfrutei.


terça-feira, 13 de junho de 2017

EU QUERIA TANTO
Poder em meus momentos de aflição, tristeza ou solidão, ter um Deus Divino no qual eu pudesse me refugiar, buscando explicações para os meus desencantos de pessoa humana.
Eu queria tanto acreditar, mas eu não consigo, minha mente alucinada por este universo imenso e misterioso, direciona meus entendimentos a outra dimensão, transformando a minha vida, no poder maior de minhas soluções.
Eu queria tanto, justo para não me sentir deslocada, fora do lugar comum, como uma solitária árvore em meio a uma planície, dependendo, tão somente, de minhas decisões, amparando-me unicamente nas minhas forças, como se raízes profundas e resistentes eu tivesse para sustentar-me de pé.
Eu queria tanto crer mais do que vejo e sinto, queria o lúdico, o plainar de minha liberdade deixando as causas e os efeitos sob a responsabilidade de outrem e não apenas de mim.
Eu queria tanto uma pequena parcela desta muleta Divina, mas não consigo, restando-me apenas a dureza de minha própria realidade de ser um ser descrente do mais além, do intangível, do não visível.
Eu queria tanto, na tristeza ou na alegria comunicar-me contigo, gritar o teu nome, ajoelhar-me a teus pés, tirando de mim o peso constante dos louros ou das culpas, mas não te encontro em minhas buscas, só me deparo com a vida em toda a sua pujança.
Eu queria tanto ao menos te dizer obrigada por me sentir tão plena, como uma ínfima partícula deste teu universo.
Mas infelizmente, não consigo e, nesta caminhada sem poder em ti me apoiar, delicio-me com as flores e com os frutos, com as cores e com os aromas e sabores, mergulhando nos mistérios da criação perfeita de todas as vidas, como se em cada uma, eu te encontrasse.


ZERANDO TUDO


Hoje, após o almoço como de costume, liguei a TV na Globo News e lá estava um documentário sobre a trajetória política de Sergio Cabral, mas poderia ter sido da maioria dos políticos brasileiros, onde o idealismo jovem deu lugar a ganância sem limites, ao abuso da mentira expressada da forma mais cínica possível a uma banalidade da moral e da ética, jogando por terra, originais projetos e anseios, absolutamente reais e palpitantes na mente brilhante e vanguardista de um jovem bem-nascido.
Senti profunda tristeza com o desperdício de tanto talento, de tantas oportunidades e de tantos sucessos.
Fechei meus olhos e diante de minha mente, surgiram inúmeras outras imagens de ilustres personalidades, que mesmo ainda não punidas, merecedoras são de passarem pela mesma dramática situação de marginais de colete e gravata.
E mais uma vez, penso no desperdício do erário público e na miséria de inúmeras faces, que a mesma sempre produziu e alimentou em nosso país, fazendo com que a minha dor se converta em muita raiva, recoberta mais uma vez de tristeza, pelo quanto deixou-se de fazer para muitos em benefício de alguns poucos.
Penso então, que realmente precisaríamos zerar tudo e começar outra vez de forma incansável, com novos modelos, novas propostas, numa nova realidade, pois tentar é preciso, acreditar é necessário, manter o inadequado, imperdoável.


Fico querendo entender o porquê de ser tão difícil para algumas pessoas, simplesmente viver, amar e ser feliz.

Uma noite de paz para você que me lê.

domingo, 11 de junho de 2017

Pensamento do dia.

A bússola orientadora está em tuas mãos, fazendo de ti, teu próprio guia.

Um domingo de paz para todos.

sábado, 10 de junho de 2017

PENSANDO E CONSTATANDO


Desde a última terça-feira, venho acompanhando a sessão do STE, muito mais pela minha paixão em aprender do que propriamente por torcer por este ou aquele resultado, até porquê, aprendi rapidamente, lá atrás, enquanto jovem, que nada absolutamente nada, acrescentaria ao resultado final qualquer alteração emocional ou racional em relação às decisões nas esferas superiores de nossas instituições.
Todavia, deleito minha existência acompanhando a capacidade oratória e a bagagem de conhecimentos que os nossos ministros exibem para nós pobres mortais, transformando em palavras sábias e pensamentos eruditos que se eternizam na história, muitas delas, puras falácias ou engodos que, se atentos não estivermos, nos convencem e, assim de repente, nos vemos aplaudindo e acreditando como verdades absolutas.
E aí, lembro que até o mensalão, a grande maioria do povo brasileiro sequer tinha conhecimento de que tais figuras eram verdadeiramente humanas, pois tratavam-se de figuras míticas, fora de alcance.
E viva então, o Ministro populista Joaquim Barbosa e a mídia que, sem cerimônia, adentraram nas casas de todos nós, mostrando um mundo real, até então inacessível.
E aí, da noite para o dia, nos sentimos automaticamente capazes de nos transformar em um novo plenário a julgar a mais alta esfera jurídica do país, amparados em uma democracia que nos resguarda direitos constitucionais.
Será mesmo?
Tudo que percebo é um belíssimo espetáculo onde, nos últimos anos, muito tem me esclarecido em relação ao meu papel de eterna aprendiz, num mundo de ideologias frágeis, sempre também sustentadas na força do dinheiro e do poder.
Mas que eles falam bonito e que fundamentam suas verdades, isto é indiscutível, e quando dão seus toques pessoais de indignação e patriotismo, nos emocionam, se atentos não estivermos.
E antes que eu me esqueça, pontuo que a Ministra Rosa Weber, mandou Gilmar Mendes tomar naquele lugar, com a erudição de quem tem preparo e elegância.

Vou-me embora para Pasárgada!!!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

SIMPLES ASSIM


Não há um estado ético em qualquer postura humana desassociada da honestidade e vice-versa.
No cotidiano sistêmico há cada milionésimo de segundo à tentação do brilho do convencimento de que: ” Não posso perder esta oportunidade”, é sempre muito aliciadora ao pouco atento.
Portanto, conseguir associar as perdas incomensuráveis advindas da fraqueza em se deixar convencer pelo mais que entendido como inadequado, é sempre uma enorme vitória pessoal, pois significa mais um degrau vencido na subida de objetivos à uma vida dedicada à evolução energética que garantirá a eternidade.
O universo sempre devolve na mesma vibração, também, só percebida pela criatura atenta.


terça-feira, 6 de junho de 2017

SIMPLES ASSIM




Enquanto, fecharmos os olhos para as distorções que ocorrem bem diante de nossos narizes, como forma de proteção aos nossos interesses, estaremos expostos à corrupção e tudo quanto, a ela está agregada.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

LEMBRANÇAS


Neste instante, aparentemente sozinha, acabo de me lembrar com um sorriso de alegria dos anos que vivi em Brasília, dos poucos e preciosos amigos, do meu início profissional, despertando em mim uma paixão enorme pelo jornalismo, que alimento até os dias de hoje, das “loucuras” que dividi com Roberto e Consuelo Vellasco, na busca, muitas vezes irresponsável, de três jovens numa cidade de grandes espaços e quase nada para se fazer, naquela época, é claro, e do filho Luiz Cláudio, prêmio maior que ganhei nos cinco anos de minha vida vividos naquela cidade que, confesso, não choro de saudades, mas que sem dúvidas foi o precioso início de tudo.
As loucuras se expressavam na minha paixão por automóveis e velocidade que me levavam a arrastar a amiga, parceira e irmã de alma, pelas avenidas enormes e desertas, na busca, e sempre encontrando, de algum outro, talvez na mesma paixão ou solidão, para juntos fazermos “pegas memoráveis”.
Você se lembra Consuelo, das gargalhadas fáceis, da adrenalina empolgante e do medinho da polícia, sempre atenta?
E do policial de moto que me perseguiu e que beijei na porta do Diário de Brasília, tudo para não pagar a multa por excesso de velocidade?
O coitado achou que eu era maluca, enfiou o capacete e disparou em retirada sob os aplausos da turma de funcionários que, naquele momento, retornava do almoço.
E das nossas idas à fazenda que comprei em Santo Antônio do Descoberto, naquela época tranquila e pouco habitada por sítios e fazendas?
Lembro das Seriemas que corriam na frente do carro, do meu cãozinho pequenez Dino, que ao chegar, punha-se a tentar pegar sem jamais conseguir pegar um só frango e que, cansado, deixava-se descansar deitando-se sobre as águas frescas das inúmeras nascentes que por lá existiam. Na realidade, creio que o barato dele era, tão somente, a corrida.
Lembro saudosa de lindas criaturas como, por exemplo, Karim Nabut, meu primeiro grande cliente, Ivo Borges de Lima, Geraldo Vasconcelos, Dr. Ribamar, deputado Ricardo fiuza, Montenegro, Willian Anoni, Maria Regina (falecida ainda uma menina de 23 anos), Cláudio Pszolato, a linda secretária Joana e tantas e tantas outras pessoas com as quais convivemos e que a memória me falha quanto aos nomes, mantendo vivo seus semblantes e seus sorrisos, que naqueles inesquecíveis momentos, enriqueceram os nossos universos pessoais.
Fecho estas recordações lembrando do sabor das moelas ao molho de tomate que a turma do jornal comia pelas madrugadas após o fechamento das edições no” boteco do Marcos”, uma espelunca acolhedora, onde eu cantava por insistência do Ivo, acompanhada pelo som maravilhoso de um violão, tocado por um colega. Era uma festa a cada fim de trabalho.
Andávamos em bando pelas madrugadas estreladas numa irmandade nunca mais vivida.
Pescarias à beira dos rios, piqueniques na pequena cachoeira com os mosquitos nos devorando, enfim, tudo era simplesmente maravilhoso.
São tantos os instantes de lembranças que eu precisaria de muitas laudas, portanto, encerro agora com a bela tela de um dos muitos “pores de sol” que fascinada admirei e retive na memória.
E tudo isso em plena ditadura militar...


quinta-feira, 1 de junho de 2017

TUDO MUITO LAMENTÁVEL!!!!!


Dona Benedita me faz lembrar do passado, nem tão distante...
Depois, as forças armadas entram em cena e passam a ser os "bandidos da história", pois não permitirão jamais que a loucura do fanatismo queira manter no poder, meia dúzia de pseudos "salvadores da pobreza".
Quando parte de um povo perde a noção de respeito e lógica, fazendo das falácias, discursos distorcidos de bem comum, confundindo, aliciando e corrompendo, nada mais resta que se empregar a força, como repressão a um caos ainda mais cruel que pode ser constatado em vários locais deste mundo de meu Deus.
Estamos caminhando na contra-mão e, portanto, a colisão em algum momento é inevitável.
Impossível compreender as mentes que se negam a reconhecer os absurdos que foram cometidos nos últimos anos em nome de uma Constituição e da defesa dos oprimidos.
Impossível compreender que mentes consideradas brilhantes se fechem ao reconhecimento da falência em que se encontram as instituições de nosso país, como jamais estiveram.
Impossível compreender a idolatria do erro, o egocentrismo da negação do visível e do palpável.
Não sou nada, sou mais um ninguém do povo, mas me sinto no direito de expressar a minha dor, não apenas pelos roubos e sacanagens de uma enorme "gangue criminosa" dedicada aos roubos do erário público, disfarçada de salvadores dos fracos e oprimidos ou de professores universais da verdade única, mas pela perda contínua de tempo, pelo atraso criminoso e pela bactéria do mau caratismo que nos assola.
Gostaria muito de ver meu lindo e rico país em outra situação que não, dividido, falido e desacreditado.
Gostaria de não ter que em pleno século 21, deixar minhas fezes sem devido rumo, contaminando o solo, rios e mares adoecendo aos demais, sem ver a miséria, a fome e a violência, transformadas em banalidades corriqueiras ou pisar nas lamas da nossa bendita terra mal cuidada.
Somos um povo criativo, alegre e trabalhador, mas também somos um povo confuso e sem noção social de bem comum.
Perdemos ou jamais tivemos o senso real de pertencimento pelo bendito chão em que vivemos, pelo bendito ar que respiramos, pelo bendito solo que nos alimenta.
Perdemos a noção de conjunto social e de qualidade individual em cada pequeno município deste imenso, farto e generoso país, deixando que ladrões fantasiados de políticos, comandem nossas vidas, determinem a qualidade de nossos espaços.
Tudo muito lamentável...
"Quem prega qualquer tipo de guerra, já está morto para a vida".