quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FIM DE ANO


Pois é, o ano está terminando e eu ainda estou viva! Isto é maravilhoso, dada a realidade de que eu não sei o que existe lá do outro lado, que até pode ser fantástico como retratam os religiosos, mas, pelo sim pelo não, prefiro ir ficando por aqui, pois o terreno e o cheiro da merda já me são conhecidos, assim como os perfumes e todas as benécias que estar vivendo proporciona.


Este foi mais um ano extremamente gratificante, pois tive o privilégio de vivê-lo intensamente, levando em conta o número de novas pessoas com as quais pude conviver em minhas atividades, ampliando significativamente meu leque de conhecimento e entendimento sobre as pessoas, o que no meu caso particular é fundamental, pois para escrever, sejam as crônicas para o jornal ou para os livros, preciso sempre de subsídios reais, palpáveis, visto que sou antes de tudo uma atenta pesquisadora das posturas humanas.


Neste final de ano, meu aprendizado foi maior, porque centrei minhas atenções em mim mesma, mais do que o fiz por toda a minha vida e, é claro, não foi fácil reconhecer o quanto de pouco ainda sei destes “serzinhos” maravilhosos e aterradores, que chamamos de gente humana. A complexidade sempre criativa a novos aspectos, garante o desconhecimento milenar na área das ciências psicológicas, ficando sempre em aberto a outras possíveis designações patológicas, todo e qualquer diagnóstico que se considere sério, deixando-se sempre uma margem a também possíveis outros aspectos ainda não detectados nas avaliações.


Ah!… cá estou eu novamente adentrando em áreas de difícil acesso, cujo interesse das pessoas só ocorre quando, de repente, se veem em situações das quais não conseguem driblar, como o fazem por todo o tempo em relação a tudo o mais.


Pois é…, nos dias atuais de amizades e amores virtuais, o toque, o cheiro, a sensibilidade têm se afastado do convívio humano, e aí, penso em como será daqui a pouco, digo, cinco a dez anos, se hoje já está tão difícil em certas ocasiões interagir sem sentir a presença da banalidade e da individualidade serpenteando as nossas relações em qualquer nível em que nos encontremos.


É claro que compreendo que são e sempre serão novos tempos, mas a pergunta que faço a mim mesma a todo instante é se nós, criaturas humanas, seremos capazes de continuar nos diferenciando dos demais elementos, justo porque possuimos uma mente racional, e se esta poderá ser considerada humana sem que nela resida a sensibilidade afetiva, garantindo a razão saudável a mente ou nos tornaremos selvagens racionais, com emoções instintivas nos assemelhando a tigres e leões..


Por outro lado, somos tão inteligentes que poderemos, certamente, desenvolver novas capacidades sensitivas, mas até que isto ocorra e se prolifere, tornando-se hábito inerente às pessoas humanas, como sobreviverá a humanidade?


Quanta solidão será vivenciada?


Quantas novas síndromes surgirão, atrasando ainda mais as ciências psicológicas e, consequentemente, a busca do equilíbrio das emoções?


Ou, talvez, que também pelo caminho do faz de conta será o futuro das ciências psicológicas, sociológicas e todas as ógicas que envolvam o ser humano?


Reconheço que sequer posso arriscar um palpite, preferindo ficar, como estou agora neste instante de vida plena, apenas exercitando o meu direito sagrado em ser alguém que ainda gosta de um abraço apertado, ah!, de um beijo carinhoso e de um olhar fraternal, e muito feliz pois ainda encontro quem me queira oferecer toda esta maravilha que nós, pequenos seres notáveis, desenvolvemos ao longo de nossa história universal.


Particularmente, tenho a impressão que seremos definitivamente frutos de árvores produzidas em laboratórios publicitários, agindo e pensando tão somente de acordo com o mercado consumidor.


Bem, até lá eu já morri, estarei longe de tudo isto!


Sei lá… de repente, morrer é tão somente mudar de forma corporal, vai que eu volte uma árvore de cidade grande ou um jacaré de cativeiro, ou até mesmo outra mortal qualquer.


Não ter o que fazer neste amanhecer de fim de ano, dá nisto!!!!!!!!!


E é com o espírito de um ser humano muito grato por estar vivo, cercado de amor, que eu desejo a todos que, de alguma forma, dividiram instantes comigo, um 2010 repleto de intenções amorosas uns com os outros.


Beijos, Regina.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

APENAS PIPAS COLORIDAS

No dia 24 de setembro de 2009, descrevi através de uma crônica toda a emoção que senti ao longo de seis horas em que eu estive de pé, na maior parte do tempo, aplaudindo a cada vereador que erguia sua voz contra o abandono em que Itaparica foi exposta no decorrer dos meses anteriores, por parte de uma gestão que se mostrou sem qualquer compromisso maior com o povo, que no mínimo o elegeu.
Hoje, quase três meses depois, volto a me emocionar, chegando a pensar que, de desgosto, teria um infarto ao constatar sem dó e sem piedade que sou uma abestalhada contumaz, absolutamente fora de uma realidade sistêmica onde certamente não há lugar, a não ser para ser usada, ou como boi de piranha ou como inocente útil, em um contexto que chamam de política, mas que na realidade é o resultado amargo e cruel da educação e do respeito cidadão que foram se perdendo ao longo dos anos, onde a banalidade se instalou, formando a morada da falta de respeito público, sob os auspícios de um judiciário no mínimo omisso, amparados por um povo inerte pelo desconhecimento de seus direitos e acomodado demais aos seus próprios interesses, perdendo, então, o foco da avaliação do custo benefício de sua alienação também contumaz.
Confesso que senti orgulho de estar presente na casa da cidadania em tão inesperada e surpreendente postura legislativa, após décadas de um ostracismo histórico, ficando cega à minha própria experiência pessoal de, também em décadas, jamais ter visto cobra voar, a não ser através de PIPAS coloridas enfeitando os céus.

imagem: utilidadespublicas.files.wordpress.com

Que pena meu Deus !
E pensar que poderia tanto ser feito em prol de nossa cidade e deste povo tão bonito e necessitado de atenção.

E aí, penso neste momento de grande desilusão, no tudo que estamos perdendo, no nada que poucos estão ganhando se comparado ao inferno que todos nós estamos semeando, quando permitimos que se destrua o presente e as pespectivas de um futuro de crianças e adolescentes, tendo como adversários as drogas e a violência que, atreladas, já mostram também sem dó ou piedade à que vieram.
Volto a lembrar daqueles não menos abestalhados, como eu, que por idealismo em crer ser possível resgatar dias melhores para o nosso país, tombaram para nada na ponta das baionetas, na fúria da ganância, no egoísmo da ignorância.
Que os recursos das obras tão necessárias à cidade que não serão feitas, ao menos sirva para comprar mais grades pra proteger nossos ilustres políticos em suas novas aquisições, dos bandidos que ora ajudam a formar com suas posturas de conveniência individual.

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Natal que poucos sentem


Faltam apenas sete dias para o Natal e não consegui enxergar um só detalhe por toda a cidade que possa lembrar tão significativa data.

E ainda dizem, os políticos é claro, que se importam com a preservação das culturas. É preciso paciência para conviver com esses senhores, que insistem em nos fazer de bobos, e o pior que é assim que nos comportamos.

Naturalmente existirão mil justificativas a nosso favor em assim proceder e eles, muito espertos, baseiam-se exatamente em cada uma delas para deixar morrer cada detalhe que, mesmo que aparentemente pouco represente, certamente em se tratando da formação estrutural das personalidades, é de fundamental importância.

Pouco a pouco ao longo das últimas décadas, todas as máscaras foram sendo tiradas, assim como cada simbolo que nos fazia pensar no quanto era bom ter com que sonhar. Porque natal é sonho, é fé, é a lembrança do ato de uma fraternidade que, mesmo sem querer, deixamos muitas vezes perdida em meio às correrias e dificuldadesde no nosso dia-a-dia.

Natal deveria ser um encontro com o amor, carinho e até mesmo com o respeito de se ter, por alguns momentos, tolerância uns com os outros.

Natal, deveria acontecer a cada amanhecer, juntinho com o novo clarear, reforçando os sentimentos, aliviando tensões, abrindo espaço nos sentidos das criaturas para que elas pudessem perceber melhor toda a grandeza de suas próprias vidas.

Natal, poderia ser traduzido pelo olhar em harmonia, se houvesse nas criaturas a certeza do entendimento de que recebemos exatamente o que oferecemos aos demais. Afinal, viver é tão somente uma interação energética que se reflete no que representamos em posturas físicas e emocionais por todo o tempo.

Entretanto, como dos políticos nada recebemos, além de profundas frustrações, vamos tocando a vida, arrastando o peso de nem mesmo podermos sonhar com um Natal menos decepcionante. Todavia, ainda resta o vinho, o perú ou chester para alguns. Os demais, diretamente atingidos pelo abandono natalino de cada amanhecer, resta a certeza absoluta de que PAPAI NOEL é tão somente uma historia que se transformou em mais um folcolore, alimentado a cada ano pelo comércio das grandes capitais ou onde a Igreja ainda se faz presente.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DALILA


Garota pequena, magrinha, com o corpo ainda em evidente formação, surpreendeu-me pela capacidade em articular idéias e expô-las a esta velha senhora que teve o prazer de sentar-se a seu lado no espaço cultural Jangada Club, no dia da apresentação do projeto ESCOLA EM CENA.

Durante um papo descontraído, a jovem filósofa diz que vai estudar medicina, principalmente por que deseja ser uma médica só para cuidar dos doentes de sua cidade, pois está cansada de ver os médicos do Hospital Geral de Itaparica, não se importarem com as pessoas sentindo dores e ficarem conversando, fazendo-os ter de esperar para serem atendidos.

E ela disse:

- Vou fazer diferente, quero defender esse povo que sofre. Quero ser igual ao Dr. Alfredo, este sim, se importa com as pessoas e suas dores.

E há quem diga que criança não registra tudo que ouve, enxerga ou sente. Por isto e muito mais é que não desisto de pedir urgência na educação, pois as mentes brilhantes estão aí, aqui, por todos os lados, esperando um toque de compromisso responsável dos gestores e da dedicação amorosa dos educadores. No dia em que educar as crianças se tornar prioridade, certamente estar-se-á iniciando uma nova era, onde a droga e a violência encontrarão adversário forte e resistente.

Pena que não a fotografei, mas a terei na memória e através deste comentário a eternizo como um símbolo de uma juventude saudável, que aguarda ansiosa e repleta de luzes individuais o respeito de todos nós.

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ESCOLA EM CENA


Há muitos anos, venho dedicando-me a escrever sobre a educação no Brasil, quase que como um grito de socorro pela inércia que fui constatando através de péssimos indices de aproveitamento, principalmente como os apresentados aqui na região nordeste, especialmente aqui na Bahia, que participar de uma iniciativa como a que estive presente no último dia 11 de dezembro de 2009, é mais que uma satisfação, pois é a certeza de que valeu por todo o tempo manter-me fiel a esta luta de resgate da paixão pela sagrada missão de ensinar educando.

A iniciativa de professores em criar o projeto “Escola em Cena”, é sem dúvidas um presente não só às crianças e adolescentes de Itaparica, como a todo aquele que espera de um mestre a grandeza de suas reais possibilidades empreendedoras em levar à escola toda a sabedoria da criatividade humana, através das artes cênicas, expressão completa do homem no convívio social em suas inúmeras caracterizações adaptativas ao sistema, de forma sutil, mas positivamente efetiva nas mentes em formação.

Em termos psicológicos sociais, o projeto é de relevante valor pela integração e interação que promove entre a criança e os demais, assim como a criança e a escola como um todo, levando-a a enxergar-se como um ser capaz de se auto identificar e, consequentemente, a identificar os demais, no que se inclui o universo que passa a ser para ela uma parte de si mesma.

O projeto foi pensado pelo artista plástico e arte-educador Railson Oliveira, docente do nível fundamental 2, elaborado com a parceria da docente Elisabete Melo, do nível fundamental 1 e colaboração da docente Maria de Fátima Sales, de Língua Portuguesa, os quais atuam nas escolas José Fernando Montenegro Figueiredo e Desenbargador Anonio Oliveira Martins, situadas entre as localidades de Manguinhos e Amoreiras, em Itaparica.

O espaço Sócio Cultural Clube Jangada, criado e mantido pelo vereador NIXON, local aberto à comunidade e ponto de apoio aos jovens da localidade de Amoreiras, sediou este maravilhoso evento que espero que tenha sido o primeiro de inúmeros outros, visando integrar os nossos jovens à uma escola mais saudável e produtiva.

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CONFRATERNIZAÇÃO DO FÓRUM DAS ONGS


O Fórum das Ongs de Itaparica, na pessoa de sua presidente, Sra. Belisaura Freire, a nossa sempre querida e atuante DONA BELA, reuniu na noite de sexta-feira, dia 11 de dezembro, nos jardins da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior, em Itaparica, as presidentes e membros das ongs da cidade, além de amigos que apoiam as iniciativas sociais desenvolvidas por todo o tempo em absoluto bendito anonimato.

Na ocasião, em meio ao som de músicas suaves e românticas, foram sorteados brindes aos presentes, além de serem agraciados com a belíssima voz da sra. Micheli, mãe do amigo François, que sempre está presente nas iniciativas culturais de apoio aos jovens carentes de nossa cidade.

Na ocasião registramos também a presença de OMARA, FÁTIMA SARMENTO, CARLINHO DA PESCA, DALVA TAVARES, ANNA PAULA CARVALHO, Dr. VITAL – EX-PREF. DE ITAPARICA, VEREADOR VELOSO, JORGINA, ANTONIA, DINALVA- PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO ESTELA MARIS, IURI- MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO DOS COMERCIANTES DA ORLA DE PONTA DE AREIA , membros da ASSABITA e da ASSOCIAÇÃO MARIA FELIPA e muitos mais.

Parabéns, portanto, à sra.Bela, por mais esta iniciativa.

O Natal está chegando


Faltam 11 dias para o Natal, mais um ano que chega ao fim e eu, é claro, como todo mundo, estou animadíssima, já pensando se asso um Peru, Chester ou “aquele pernil”.

Todo mundo? Olha só que generalização alienada! Quem dera que assim fosse em cada local deste mundo de meu Deus. Entretanto, a realidade é bem diferente, pois o número daqueles que estão fora desta possibilidade gastronômica é assustador, levando-me, então, a pensar que o Deus no qual me apoio, e que creio ser o responsável pela minha permanente fartura, certamente não é o mesmo que permite a fome e a miséria.

Afinal, por que o faria?

Qual a explicação possível de ser considerada com bom senso?

Em cada seita ou religião, certamente existe uma argumentação, impossível de ser contestada, mas como sou teimosa e não me convenço facilmente, ainda não pude aceitar nenhuma delas, porque simplesmente se o fizesse, teria também em crer que já nascemos com nossos destinos traçados, e aí, bem… tudo passaria a ser pré- determinado e eu certamente ficaria desestimulada, perdendo rapidamente a capacidade em crer em mim mesma e na minha potencialidade pessoal em ser e ter o que desejo, amparada por um Deus generoso.

Por outro lado, também reconheço que existem situações onde o ser humano nada pode fazer, além de aceitar o seu destino cruel e aí, novamente, penso no Deus que lhes acompanha e certamente em nada pode ser comparado ao meu que por toda a minha vida sempre esteve ao meu lado, oferendo-me oportunidades, dando aquele jeitinho quando piso na bola e faço besteiras ou apenas premiando-me frente a todos os meus esforços. Isso, sem esquecer que já nasci com tudo que alguém precisa para se sentir filho de Deus, e aí, pergunto-me se de verdade somos todos filhos desse Deus, se ao nascermos já somos designados para esta ou aquela condição, seja de fartura ou miséria.

O que determinou no mundo espiritual a minha origem? Sou fruto de um acaso genético, enquadrado em um status sistêmico ou fui uma escolhida pelo meu Deus para vir a esta vida apenas para senti-la no que existe nela de melhor? Se assim foi, quais os critérios utilizados pelo meu Deus para escolher-me?

Se por outro lado sou um acaso genético, então posso deduzir que nada, nem mesmo Deus, interfere, ficando os louros de minha vida farturenta às custas da pura sorte, como se eu fosse tão somente o resultado de uma partida de Black Jak, onde as cartas de mamãe e papai quebrassem a banca das probabilidades. Que coisa, heim?

Estes questionamentos e comparações absolutamente primários e blasfêmicos, são resultados de uma vida de incompeensões, frente à míséria que, teimosa, assola o mundo e me cerca por todo o tempo, levando-me a crer em muitos momentos, quando penso ou com ela convivo, que este meu Deus que tanto me adula, sabe ser duro e se tornar indiferente a tantos outros.

Penso então em Castro Alves ao escrever: - Senhor Deus dos desgraçados, dizei-me senhor Deus se é verdade ou mentira, tanto horror perante os céus!

O Natal, mais uma vez está chegando, sem conseguir apagar a dor do abandono social que meus olhos enxergam e que minha fé, traduzida em palavras de socorro, jamais conseguiram ser ouvidas por todos aqueles que dispõem dos recursos e dos poderes para aplacá-la, nem mesmo este Deus que para mim sempre foi presente e generoso.

O que de bom fiz eu para merece-lo por todo o tempo e o que de mal fizerem outros, que sequer são reconhecidos por ele como seres à sua semelhança, merecedores por serem no mínimo resistentes, de sua luz e de suas bençãos?

Perdão, ó MEU DEUS!, se não sou ainda capaz de conviver com a miséria sem questionar-te nos teus valores avaliativos.

Perdão, ó MEU DEUS! por ser tão pouco capaz diante de tantas bençãos de ti recebidas e por ainda não ser capaz de fechar, como tu, os olhos e os sentidos frente a dor da fome e da miséria que assola a uma parte da humanidade, que provavelmente, assim como eu, crê em ti, sem, no entanto, deixar de questionar os teus métodos, que no mínimo só um Deus pode entender ou talvez uma fé cega, que tão somente sirva de bengala à incompreensão diante de teus critérios.

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sábado, 12 de dezembro de 2009

SONO. Descanso Bendito

imagem: saudedofuturo.files.wordpress.com

Venho constatando há muito tempo em conversas, em sua maioria informais, que as pessoas não estão dormindo ou tendo sonos picados, que as deixam com a sensação de cansaço, irritabilidade e muita lentidão, tanto física como mental.

Penso, então, que as alterações posturais que vieram se desenvolvendo nos últimos cinquenta anos, são resultados desta síndrome em dormir mal, que por sua vez é resultante de uma busca de adaptabilidade que a criatura humana vem empreendendo frente as variantes científicas e tecnológicas, que cada vez mais rápidas se apresentam, induzindo assim mudanças substanciais nos conceitos até então recebidos.

Os padrões se modificam sem qualquer aviso prévio, obrigando a criatura a permanecer por todo o tempo correndo atrás de algo e fazendo-a crer que o não conseguir significará o fim de sua vida social, ou melhor dizendo, se tornará um fracasso dentro do sistema e consequentemente será excluída e permanecerá à margem desse mesmo sistema no qual está se desdobrando em permanecer.

Creio que esta é uma crueldade sem limites a que o homen se impõe e que o está destruindo, tirando dele de imediato o senso avaliativo de si mesmo e da vida, reduzindo-o a se tornar um buscador ao mesmo tempo de tudo e de nada, pois quanto mais busca e encontra, mais se sente carente, sozinho e incompreensivelmente só.

É lógico, desse modo, que diante de uma corrida louca e sem critérios o descanso seja afetado, pois a mente é por todo o tempo levada a crer que não pode parar, tendo um físico aliciado concomitantemente, através da falta de disciplina, principalmente quanto aos horários de alimentação, a permanecerem em permanente descompasso com suas necessidades. Nesta inadequação aparentemente ajustada as necessidades sistêmicas, a criatura desperdiça todas as suas energias de forma descompassada e sem lógica à sua real natureza, afrontando-a por todo o tempo, assim quando dá a mente o comando do descanso, ela simplesmente não identifica a mensagem, pois precisaria do encaminhamento dos sentidos, que a esta altura se embaralham na profusão de informações recebidas ao longo do dia, somando-se a isto, os dias, meses e anos cujas posturas foram as mesmas, em um ciclo danoso ao contexto estrutural da criatura e do meio social no qual ela se encontra inserida.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Disciplina

imagem: www.nato.int

Existem profissões que necessariamente precisam que atreladas a elas esteja o DOM, ingrediente básico que direciona a criatura ao talento, entretanto, em qualquer profissão, com ou sem dom, o talento pode ser desenvolvido se houver dedicação, pois é sabido que somos um enorme e poderoso manancial de potencialidade.

Creio que o DOM, nada mais é que uma profunda afinidade nata que, por ser expontânea, dispensa cursos, faculdades ou grandes aprendizados para o seu despertar.Todavia, este recurso, assim como cada um de nós, é diferenciado e, portanto, único, precisando que o adaptemos à nossa natureza exclusiva para que ao longo de um esforço cotidiano se confunda com o nosso todo de pessoa completa, ao ponto de não ser possível separar o DOM de quem o tem.

E a isso, chamo disciplina, que se bem aplicada resulta em grandes realizações, que a todos é capaz de seduzir em sua capacidade produtiva, assim como na naturalidade em que se apresenta, no entanto, sem revelar, senão aos mais íntimos, todo o esforço cotidiano que ao aperfeiçoamento foi empregado.

Não existe milagre agregado ao DOM, afinal ele por si só já o é, precisando tão somente em muitas ocasiões ser despertado pela ou na criatura, e é neste único momento que é possível interferência externa, pois, uma vez despertado, o DOM adquire vida própria, e se expressa à criatura que o possui, diferenciando-a das demais e oferecendo-a um mar infinito de possibilidades, mas exigindo dela o esforço contínuo da busca do aprimoramento.

E aí, somos em nossas existências agraciados com a felicidade de podermos enxergar, ouvir e sentir os grandes Dons que nos são oferecidos por fantásticas criaturas que espalham pela vida suas grandezas e seus exercícios diários de burilamento em uma disciplina feroz em busca de um crescimento que faz de seus DONS um enorme talento.

Portanto, não há talento que resista a falta de disciplina em exercitar por todo o tempo aquele DOM, em um desenvolvimento constante que pode até parecer monótono e sem brilho, mas que inevitavelmente resulta em gotas de esforço amoroso, que, independente de onde venha, é sempre uma benção para quem o recebe.

Bendito pois, os DONS disciplinados de quem os tem nas artes, ciências ou tecnologias abastecendo de luzes e nuances o nosso dia-a-dia.

Moleca Feliz

imagem: vinteetresetrinta.files.wordpress.com

O ruim do calor, para mim que não gosta de dormir com ar condicionado, é justo acordar pela manhã molhada, com a pele oleosa e com a sensação de estar suja. Corro para o chuveiro e pouco depois novamente a mesma impressão, e o jeito é me acostumar, tocando a vida pra frente, sentindo a nuca molhada, os seios úmidos, o corpo pesado e muita preguiça .

Saio para trabalhar, por que ainda não encontrei outra forma de trocar a obrigação pela devoção de permanecer na praia, curtindo aquela água meio morna, aquele coco gelado e o não fazer nada que, cá prá nós, é fantástico, principalmente se a ela for adicionado uma pitada de molecagem e outra de irresponsabilidade de estar matando o trabalho.

Creio que são estes momentos safados e egoístas, onde só pensamos em nós mesmos e que o mundo se exploda, que nos fazem mais alegres, menos amargos e absolutamente responsáveis diante de um dia-a-dia que pode ser muito tedioso em tempos de fim de ano, repleto de muito calor, como o que está fazendo agora.

Pensando bem, convenci a mim mesma de que hoje é o meu dia de molecagem, e que se dane então o mundo, pois eu vou mesmo é para a praia, curtir este calor, banhando-me em minhas águas benditas desta Ponta de Areia, que um certo Deus reservou para mim.

Portanto, sugiro que façam o mesmo, que busquem o foco encantado que escondidinho é ambicionado pelo desejo sufocado de pelo menos, vez por outra, fugir da rotina no seu direito sagrado de ser uma moleca feliz.

Falando de mim

Hoje é domingo e estou junto ao meu notebook, pensando que por toda a minha vida escrevi sobre tudo que enxerguei, ouvi ou senti, escrevi até mesmo pelo que percebi camuflado nas posturas das pessoas conhecidas minhas ou não, abusei de meu direito em entender as emoções que mapeiam os sentimentos e comportamentos de todos nós e não consigo escrever sobre mim mesma, sequer consigo delinear um pequeno perfil, pois em todas as vezes que tento, como agora, vejo-me apenas como uma pessoa comum, sem qualquer atrativo que leve alguém a se interessar e muito menos que queira ler sobre mim.

Á primeira vista, tudo que acabei de escrever pode parecer um reflexo nítido de uma autodepreciação, insegurança pessoal ou coisa que o valha, diriam os mestres da psicologia, mas isto não é real, crendo eu apenas se tratar de uma conscientização pessoal, após anos e anos de pesquisas de que por todo o tempo descrevi aspectos de minhas estruturas físicas, biológicas e emocionais através de cada estudo que desenvolvi a partir de observações nas quais me dediquei em relação à criatura humana e sua total ignorância em relação à vida que nela reside.

A universidade de psicologia, ou das ciências humanas que cursei, foi a vida no seu cotidiano com extrema observância, e meus mestres PHDs, certamente foram as criaturas humanas com as quais pude ter o privilégio de conviver. Elas me ensinaram a cada instante todos os meandros de suas personalidades e claramente fui aprendendo a reconhecer os caminhos de formação das mesmas e, consequentemente, fui delineando os prós e os contras em suas formações genéticas emocionais, reponsáveis direto pelas suas inadequações frente às suas realidades de criaturas aparentemente únicas em se tratando da absorção de subsídios formadores do emocional, que, aí sim, se torna único no processamento interno e na expressabilidade externa.

Existem muitos mistérios ainda em torno da vida como um todo e minha curiosidade direcionou-me para o emocional, que afinal, ao meu ver, é que determina a criatura humana o seu posicionamento em relação a si mesma e ao todo no qual se encontra inserida, e em um todo universal com o qual ela não se enxerga inserida.

Creio que na busca do entendimento da razão de estar vivendo fui me vendo inserida neste todo fantástico, mesmo reconhecendo a cada instante a possibilidade da existência de muito mais que minha mente, em permanente aprendizado, não era e ainda não é capaz de assimilar, mas que permitiu ampliar meu campo de reconhecimento o suficiente para que eu ousasse comparar-me com as demais criaturas, fossem humanas ou não, fazendo com que eu desenvolvesse a capacidade em buscar os nutrientes formadores de mim mesma.

Portanto, todo o meu conhecimento advém da vida em permanente mutação, não havendo qualquer influência acadêmica, mas surpreendentemente com vários pontos em comum. E aí, falar o que de mim, se tudo que sou ou represento se encontra em cada palavra que escrevi ao longo de minha vida.

Ferida aberta


O carro parece ter vida própria, levando-me pelas ruas nem sempre com seus calçamentos adequados, nem sempre devidamente limpa, oferecendo-me uma sensação de abandono que faz doer meus sentimentos amorosos por esta terra linda que me recebeu com respeito e carinho.

Olho ao redor por onde passo e não consigo enxergar qualquer traço de cuidados que ela deveria estar recebendo e, por conseguinte, falta-lhe brilho e dinamismo. Tudo me parece parado, inerte. Olho para algumas pessoas tomando sorvete na praça da quitanda e não percebo qualquer traço de alegria, afinal a tarde esta ensolarada e o mar à frente reluz em sua grandeza.

A cada esquina o lixo se amontoa e os únicos que parecem se importar são os cães, que o revira pasmacentamente, espalhando-o aos olhos de qualquer um. Os jardins estão ressequidos, as gramas amareladas, expostos a um calor que já sufoca neste final de ano sem pespectivas. Nada faz lembrar um Natal tão próximo e tudo me faz pensar que deveria ser diferente.

Fecho então os olhos e imagino as praças repletas das cores das plantas e flores e do brilho das pessoas interagindo umas com as outras à céu aberto, compartilhando suas emoções. Penso no quanto seria maravilhoso poder usufruir das árvores, se bem podadas, dos postes iluminados, das ruas limpas e todas calçadas. Penso no quanto seria maravilhoso que a fome, que ainda existe, fosse saciada, assim como o amor de cada legislador fosse despertado juntamente com a cidadania de cada um de nós .

Pergunto-me, então, o por que de tanta alienação e só encontro explicação no comodismo que nos assola e na cegueira que nos envolve, mantendo-nos fiéis a um atrazo já histórico e a um ostracismo simbiótico, sem pé nem cabeça, que mantém viva a chaga da miséria, alicerçando a violência, a ignorância e o pouco caso.

Que pena meu Deus !

Ausência


Aonde estão as jovens mulheres que raramente encontro, seja lá onde eu for convidada?

Aquela meninas na faixa dos vinte e poucos anos?

Incrível!… parece que todas estão sempre muito ocupadas ou sei lá o quê. O que sei é o que vejo e o que vejo por onde ando são as mulheres mais maduras sempre muito ativas e participantes. As jovens, quando aparecem, geralmente é por que fazem parte de algum quadro funcional da prefeitura ou estado e, portanto, estão presentes pela força de suas funções profissionais e não puramente por estarem interessadas neste ou naquele assunto de sua cidade ou comunidade.

Só nesta semana, compareci a três eventos, absolutamente diferentes em suas proposições, e novamente pude observar a total ausência das “moçoilas”, e isto me chamou a atenção mais uma vez, por onde, afinal, andam as nossas lindas, que são muitas, por que as vejo por todo o tempo, enquanto circulo pela cidade ou simplesmente enquanto sentada à porta de minha loja observo aqueles que passam. É, eu ainda tenho tempo de deixar o tempo correr e nada fazer em meio a tantos compromissos e responsabilidades, e é por esta razão que não entendo o que tanto fazem nossas jovens, que não são vistas participando de absolutamente nada que diz respeito a sociedade civil.

São estudantes aplicadas, garupeiras fanáticas, trabalhadoras responsáveis, jovens mães dedicadas, preguiçosas contumazes, enfim, sejam lá o que desejem ou precisem ser, sempre é possível fazer sobrar um tempinho para se sentirem um pouco cidadãs, e é neste aspecto que tenho sentido falta ao não enxergar as jovens, seja nas platéias ou nos palanques.

Será que esta participação que sempre em outros tempos foi tão efetiva, também passou a ser considerada um MICO?

E se assim for, o que será daqui a alguns anos, quando nós as velhas ou, digamos, mais maduras senhoras, já não pudermos estar tão ativamente participantes?

Ficarão os homens literalmente sozinhos no comando em um retrocesso na história que abrigou guerreiras mulheres em décadas de lutas em prol de um espaço onde suas vozes pudessem ser ouvidas?

Bem, novamente querendo ou não, cá estou eu falando a repeito de cidadania, que ainda não se tornou disciplina obrigatória junto ao ensino fundamental. Sem este apoio de base, como esperar que os jovens possam adquirir qualquer tipo de conscientização em relação à sua participação como meio estrutural e defensório de seu espaço sistêmico?

Percebo assustada que a grande maioria, no que se inclui os jovens rapazes, está ficando engessada em padrões robóticos de posturas sociais, totalmente alheios a qualquer tipo de participação social que não seja o de formigas ou cigarras sem, no entanto, haver interações participativas como estas ao todo de suas cidades, o que dirá de seu país.

E novamente, penso na música que estimula a dança na boquinha da garrafa, e aí, fazer o que se ao adentrar em qualquer setor seja da vida publica ou privada , não consigo mais enxergar qualquer manifestação que lembre idealismo, garra, respeito ao coletivo, que não seja oriundo de velhas senhoras, outras apenas maduras, com total ausência das jovens.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O resgate da cultura...

imagem: anaisatoledo.files.wordpress.com

As pessoas dizem:

- A cultura está morrendo.

É verdade... são poucas as comunidades por este Brasil a fora que preservam suas tradições de origem, com o cuidado de repassá-las aos mais jovens de forma expontânea como deve ser, seguindo tão somente hábitos e costumes que determinam estações de plantio, colheita, adoração a santos(as) de devoção, costume que preserva viva uma interação participativa que, se bem observada, mantém a criatura com laços afetivos mais consistentes em relação à sua terra, suas origens e sua gente.

Quanto mais próxima a cidade estiver dos núcleos metropolitanos, mais desgarrada ela se apresenta de qualquer vínculo de tradição, restando tão somente a comemoração de determinados festejos por força de um calendário local, normalmente ligado às escolas e prefeituras, mas sem que haja de verdade uma participação voluntária e consciente.

Geralmente, para espanto de pesquisadores como eu, os participantes, em sua maioria jovens, sequer tem conhecimento do que está acontecendo, em uma demonstração absurda de alienação e desinformação.

Portanto, tais comemorações podem representar qualquer coisa, menos uma representação genuína de uma tradição, deixando tais criaturas aleijadas em suas estruturas sociais, além de estarem sendo aliciadas de forma sorrateira a desconsiderarem um convívio agregativo, necessário ao seu desenvolvimento emocional, flagelando suas potencialidades de participação em grupo e direcionando-as à posturas discriminadoras, desconsiderativas e amorosas a tudo que se refere a sua cidade e seu povo, consequentemente, transformando-se em mais uma criatura cujos valores são espelhados no alheio, além de suas fronteiras, despersonalizando-a permanentemente, o que mais adiante pode se refletir em posturas anti-sociais.

O retorno das escolas em revitalizar as datas comemorativas, levando as crianças a participar efetivamente, é o foco principal a ser observado, criando-se assim um hábito saudável que sem dúvidas colaborará efetivamente para a formação de jovens mais dóceis na convivência com os demais, pois aprenderão a cultivar as tradições locais e a dividir espaços e brilho pessoal, lição numero um de qualquer participação em grupo, além de forma sutil e agradável libertá-la do isolamento postural, impulsionando-a a não ter medo de se expor ao grupo no qual está envolvida de forma alegre, expontânea e amorosa.

Educar na escola nos tempos atuais, onde o desinteresse dos alunos é tão somente um reflexo de sua desagregação familiar e social, é bem menos complicado do que aparenta, bastando somente que se reveja as didáticas, adicionando a elas um ingrediente que sempre foi importante, mas que nos tempos atuais é fundamental, que é o interesse real do mestre, comprometido com a sua responsabilidade em ensinar educando, tendo como esteio leis, subsídios, além de espaço físico adequado ao desenvolvimento de um trabalho fundamental, que é o da formação de mentes cidadãs.

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Convivendo

imagem: religareterapias.files.wordpress.com

Em meio às atividades cotidianas, somos levados pelas circunstâncias, seja de trabalho ou mesmo de simples e corriqueira convivência, a conhecer ou apenas tratar com uma gama imensa de criaturas, absolutamente diferentes, o que para mim é muito gratificante, na medida em que posso descortinar em cada uma delas mais e mais facetas da personalidade humana, o que enriquece e ao mesmo tempo reafirma o meu entendimento quanto a total inadequação em que a criatura se encontra no convívio consigo mesma e com os demais de uma forma totalmente desnecessária se pudesse ter o entendimento de suas reais necessidades, sejam elas emocionais ou puramente sistêmicas, conhecimento que daria a criatura a palpável sensação de paz interior, aliviando todos os riscos de tensões desnecessárias, que afinal são acumuladas em uma absorção aleatória, sem qualquer critério seletivo.

No decorrer de minha longa pesquisa, tenho buscado o reconhecimento de cada uma das emoções manifestadas pelas criaturas observadas, procurando associá-las à outras, pois reconheci, em dado momento, tratar-se em muitas ocasiões da mesma, só que travestida de novas roupagens, que podem ser enganadoras ao leigo ou ao distraido. Se bem que em algumas ocasiões percebi que, em determinadas circunstâncias, cria-se uma espécie de simbiose, onde ambas as criaturas recusam-se a admitir estarem detectando o reconhecimento das camuflagens e, como se estivessem em um bailado cênico, permanecem acreditando estar representando os seus papéis sabiamente, quando na verdade por uma razão qualquer associada ao comodismo ou simples esperteza se deixam envolver conscientemente neste jogo de imensas perdas de qualidade de vida como um todo.

Portanto, não é de se estranhar a falência esmagadora nos relacionamentos de qualquer natureza, ficando, em dados momentos, aqueles nos quais uma das partes recusa-se a jogar com os mesmos recursos, permanecendo tão somente em uma espécie de reserva, que ao contrário de ser producente a ela, tão somente oferece ao outro uma falsa harmonia, o que em nada pode ser considerado como estável ao contexto.

Conviver dentro de um parâmetro harmonioso é, acima de tudo, não abrir mão de suas próprias realidades, adequando-as ao contexto geral sem, no entanto, esmaga-las ou sufocá-las em prol desta ou daquela conquista sistêmica em detrimento da estabilidade emocional. Se isto estiver ocorrendo, é sinal de que esta havendo uma invasão de valores destoantes da realidade da criatura e é preciso que ela não desconsidere e reavalie os seus quereres.

O sistema estimula por todo o tempo a um consumo desregrado e disassociado de uma realidade Através de apêlos cada vez mais elaborados com a finalidade única de convencimento, induz a criatura a querer isto ou aquilo por todo o tempo de forma direta ou indireta e esta, desprotegida, pois não tem qualquer controle sobre si mesma, se permite envolver e convencer, crendo sinceramente que se não conseguir obter aquele item oferecido, ela não será feliz ou não será respeitada pelos demais, fazendo desta postura pra lá de irreal à sua natureza e ao seu equilíbrio como pessoa, uma verdade a ser mantida a qualquer custo, sem se aperceber do caos que paulatinamente vai tomando conta de sua vida.

Existe um ditado popular que diz: “Tudo na vida tem um preço!”.

Todavia, avaliar este preço em comparação as benécias, assim como a necessidade real das mesmas, é fundamental, como primeiro passo para toda criatura que verdadeiramente queira suavizar o seu vivenciar, livrando-se da pressão constante em ter em detrimento do direito em ser.

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Apenas um toque e nada mais

Estar inserida no contexto político de uma cidade, seja ela de que proporção geográfica for, é sempre muito complexo e extremamente difícil para qualquer pessoa que de verdade esteja embuida em desenvolver um trabalho sério e com mobilidade mais precisa e rápida.

Tudo é muito emperrado, repleto de burocracias absolutamente em sua maioria dispensável e manipuladas por criaturas totalmente desestimuladas, até mesmo pela inconsistência das mesmas na prática que adquirem, dia após dia em ambientes apáticos e sem qualquer objetivo motivador. E todo e qualquer ser humano precisa de estímulos que o impulsione a desenvolover a sua criatividade pessoal que, afinal, reside em cada uma delas.

Então, tudo é muito devagar, sem personalidade e consequentemente sem qualquer toque de traço pessoal que favoreça o intercâmbio processo/ser humano. Daí, tantas reclamações de todo aquele que precisa em algum momento da solução de um problema junto a qualquer orgão público, seja municipal, estadual ou federal.

Existe uma disputa silenciosa, mas extremamente danosa e que se reflete em todo o desenvolvimento dos trabalhos realizados, que é a profunda frustração que o funcionário público de carreira possui em relação aos funcionários contratados por cada gestão de 4 em 4 anos. E o por quê reside em vários pontos cruciais, dentre os mais evidentes, um enorme sentimento de perda de espaço frente “a gente nova que chega e se espalha, como se tudo a partir daquele instante lhe pertecesse”, além dos salários que são considerados desleais se comparados ao tempo de casa e conhecimento.

E aí, quase nada acontece em tempo normal.

Se a isso, com certeza for aliado, o grande, frio e indiferente fator estabilidade, ingrediente que é adicionado em cada postura possível de ser reconhecida nos contatos com todo funcionalismo público que se tem notícias, como esperar um atendimento cordial e ao mesmo tempo com um mínimo de seriedade profissional?

Como observadora social, permaneço atenta em cada detalhe e por incrível que possa parecer, também em sua maioria esmagadora, estas mesmas criaturas são lindas criaturas, bastando tão somente tocá-las em seus pontos sensíveis e logo se mostram dóceis, amáveis, solícitas, sempre prontas a lhe atender com cordialidade.

Entretanto, como esperar de uma gama imensa e diversificada de pessoas a sensibilidade do toque especial? Impossível, restando, portanto, para a obtenção de uma melhoria postural de cada funcionário publico um permanente apoio emocional que se reverta em posturas suavizadas e ao mesmo tempo comprometidas com uma ética profissional.

Se cada orgão público for comparado a uma empresa e, ao mesmo tempo, cada funcionário à um agente gerador de lucros que possui alma e vida próprias e, portanto, precisa ser devidamente considerado, certamente haverá uma conscientização individual que permitirá transformar cada departamento público, assim como cada funcionário seja de carreira ou comissionado em um agente estimulador do desenvolvimento de sua comunidade, atraindo para si com esta postura a sensação direta de estar participando e contribuindo efetivamente, independentemente do gestor momentâneo.

Bendito pois todo o toque amoroso que possamos oferecer a todo aquele que nos serve, por que dele, extraimos o nosso próprio néctar de vida e liberdade existente em cada colóquio que venhamos a ter em nosso cotidiano.

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Sempre surpreendente


Na qualidade de filósofa social e pesquisadora dos comportamentos humanos, sinto-me gratificada à cada aspecto que consigo identificar, sem, no entanto, deixar de me surpreender e, em muitas ocasiões, sinto uma ponta de desânimo que logo supero, pois recorro ao bom senso quanto ao entendimento de que, afinal, as pessoas são únicas e absolutamente diferentes, e que esta diversidade nem sempre é resultado de culturas diferenciadas que determinam valores e estes posturas sociais, assim como cada uma representa uma forma exclusiva quanto a absorção, filtragem e, por fim, entendimento das infindáveis informações e induções recebidas pelo sistema, criado e mantido por cada uma delas.

Confesso que em determinados momentos, ainda fico surpreendida, buscando imediatamente o entendimento através de uma pesquisa sobre a criatura em questão em seu histórico de vivência, sem, no entanto, em momento algum ter encontrado uma única explicação que me parecesse lógica à uma justificativa de determinadas posturas, levando-me a uma conclusão dolorosa de que as criaturas agem em determinadas situações de acordo com suas naturezas, que se apresentam sempre mais poderosas que quaisquer outras influências

Certamente esta minha afirmativa soa como um determinismo genético e pouco políticamente correto, as vistas de uma ética social, que dizem alguns dos estudiosos, ser necessária quanto a uma ordem comportamental, assim como uma forma de manutenção de um certo mistério em torno da capacidade humana em ser sem qualquer colorido, simplesmente ele com sua natureza, independentemente dos valores culturais, afetivos e educacionais que receba.

Os valores recebidos são absorvidos, processados e adequados em sua maioria às necessidades de convivência sem, contudo, se tornarem titular emocional e sim, em sua maioria, apenas um personagem que é utilizado como uma imposição de seu consciente em detrimento de todo o seu contexto sensitivo .

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