terça-feira, 22 de novembro de 2016

SUCESSO

Hoje, vinte e quatro horas mais velha, como sempre exercitando minha escrita, o tema não poderia ser outro, afinal, poucas pessoas chegam na minha idade ainda alegre e podendo dizer: - Sou feliz e sou sucesso. Até porque, geralmente estes dois adjetivos na prática vivencial dificilmente caminham juntos, tantos são os atropelos, desvios, pressões, perdas ou excessivos ganhos de todas as naturezas. As pessoas, geralmente, justificam suas infelicidades ou porque receberam muito ou muito pouco ou quase nada. Ao contrário da grande regra, nasci e vivi com muito, assim como experimentei perder e as vezes perder muito, aprendendo na prática a saborear ambos os gostos, num exercício de prova para me acostumar com o sabor, descobrindo ao longo dos experimentos, que nem sempre são tão ruins que não pudessem ser saboreados e também nem tão saborosos que não pudessem me fazer enjoar. E nesta visão que coloquei na prática fui percebendo a minha capacidade de recolher de tudo o melhor que a vida podia me oferecer, transformando o amargo e o doce em refeições equilibradas que me fortaleceram. Cada dia é uma festa, uma glória, uma conquista, mas é no dia 21 de novembro de cada ano, que nitidamente constato o sucesso que obtive em minha longa caminhada de 67 anos, que são as pessoas com as quais convivo de uma forma ou de outra, e aí, fui percebendo o quanto sou um sucesso. Não por ser celebridade, não por ter bens materiais, não por deter qualquer tipo de poder, mas unicamente por ter tido a felicidade de agregar pessoas que íntimas ou não, estão sempre presentes, dando brilho a minha existência. Obrigada a todos que generosamente expressaram seus carinhos, suas atenções a mim no dia de ontem, reafirmando mais uma vez a minha convicção de que viver é muito bom, que a vida em qualquer circunstância pode ser enxergada e vivenciada com alegria e otimismo, afinal, independentemente de tudo o mais, ela é bonita, é bonita e é bonita.

domingo, 20 de novembro de 2016

QUEIMANDO JUDAS

QUEIMANDO JUDAS Estou aqui pensando nas postagens que diariamente surgem nas redes sociais, que são publicadas em jornais e revistas e largamente exploradas pelas TVs sobre as prisões, condenações, chiliques, caras de pau, movimentos sociais de rua, invasões às instituições, mídias sensacionalistas, opiniões sérias ou até mesmo tendenciosas de intelectuais de direita, de esquerda e, sinceramente, não vejo nada, absolutamente nada, que em forma de orientação séria e educativa ao povo em relação ao porquê dos políticos fazerem o que fazem de maneira sistemática, endêmica e descarada. Chego mesmo a sentir pena das autoridades bandidas, tanto quanto, lamento pelos Zés ninguéns das comunidades, que a cada dia mais cedo adentram no mundo da marginalidade, já que entendo que ambos são resultado do nosso incentivo pessoal de cidadãos que, de formas brutalmente diferenciadas, os estimulamos, através de uma idolatria histérica ou de um medo aterrorizador, além de uma anulação de bens sociais, mas oferecendo a eles tanto poder e glória que os mesmos passam a acreditar que são os donos do pedaço e que tudo podem, pois se encontram acima do bem e do mal. Uns porque oferecemos muito, outros porque negamos tudo, num paradoxo assustador. Em ambas as situações, nos fingimos de cegos e deixamos as águas rolarem, seja por ignorância, por interesses de ganhos pessoais ou mesmo pela sensação de incapacidade de ação a fim de deter os abusos, já que na maioria esmagadora das vezes, nos vemos literalmente sós. E a simbiose se mantém a cada eleição, a cada dia em que nos vestimos de Deus e de Diabo, num constante doar e condenar, sem qualquer perspectiva real, palpável, de compreender que políticos existem para servir ao povo e não o inverso. No momento em que entendermos as regras mínimas de administração pública, certamente estaremos aptos a eleger políticos sérios, que seguirão as normas ditadas pelas regras de uma administração coerente e respeitosa. Eles entenderão que seus postos são temporários e tênues, caso não se enquadrem no espírito do bem comum. Continuando a idolatrar os Deuses, a aplaudir seus ganhos e vitórias pessoais ou aplaudindo seus assassinatos, nas ruas e becos de cada cidade, continuaremos oferecendo a uns tudo e a outros nada e, no final das contas, malhamos ambos como Judas a cada instante de nossas vidas sistêmicas, como forma de consolo pela nossa própria estupidez. A imagem pode conter: 2 pessoas Ligia Ultra

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Lesa- pátria

Pensando bem, eu não deveria dar qualquer opinião, afinal, ninguém pediu, mas aí, eu não seria uma cronista que busca incessantemente, registrar os andares sociais de seus agentes. Portanto, aviso de antemão que estou tão somente, fazendo uma apreciação, sem qualquer intuito de denegrir este ou aquele, talvez, com certeza, seja também uma forma de lamentar a constatação de que, aonde entra o orgulho e o preconceito, qualquer outro sentimento mais elevado, não tem espaço. Perder as óperas produzidas e dirigidas pelo amigo artista, que anualmente, foram oferecidas ao povo de Itaparica, assim como todo um acervo de anos de trabalho sério de levantamento cultural, ao meu ver de cidadã itaparicana e brasileira é um crime contra o patrimônio imaterial público itaparicano. Nenhum gestor precisa abraçar, estreitando em suas relações mais próximas, os talentos que enobrecem a grandeza de uma cidade, pois confiança, espera-se de quem próximo se encontra na lida do dia a dia, mas manter o apoio é fundamental, pois tirá-lo do artista é antes de tudo, tirar do povo que o aplaude. Mas reconheço que o artista errou, na medida em que filiou-se a este ou aquele agente político, seguindo o seu coração, quando sua lealdade, deveria pertencer tão somente, ao seu trabalho, comprometendo assim, a continuidade equilibrada do mesmo. Lembro-me então da estrofe do grande poeta que diz: “Senhor Deus dos desgraçados! Dizei-me vós, Senhor Deus! Se é loucura... se é verdade Tanto horror perante os céus?! “ Navio Negreiro de Castro Alves

SERÁ ?

Estou naquela de recordar pessoas e fatos já vividos em uns flashbacks, que já se tornaram rotina. Não é a primeira vez que isto acontece, todavia, é a primeira vez depois que, espantosamente me percebi envelhecendo. E olha que custei a admitir, olhava no espelho e simplesmente desconsiderava as rugas teimosas, a papadinha safada, os contornos do corpo se avolumando e, etc., já que meus olhares, eram por mim direcionados a bem além, da estética que me envolvia. O que não significava alienação, apenas uma questão de observação prioritária que, evitava a natural frustração de estar deixando de ser mais uma gostosa do pedaço. Sim, porque em muitas ocasiões, eu me achava e isto me bastava. Temendo o ridículo de querer manter algo que inevitavelmente lá ia desabando, numa expressão cruel da física em meu corpo, decidi tratar da mente e do espírito, como resistência ao incomensurável tempo que não parava de causar danos irreversíveis, decidindo então, que algo significativo, deveria permanecer intacto as ações devastadoras do malvado tempo. É, mas o tempo não se comoveu e tem acelerado de tal maneira, que já me enquadro no estereótipo popular de estar com o pé na cova, afinal, é dito popular que, quando começamos a lembrar demais dos fatos vividos em longínquo passado, é porque estamos prestes a morrer e os que já se foram, começam um interlúdio de boas-vindas. Será?

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

PRESA E AMORDAÇADA

E aí, novamente na aparente solidão de meus escritos, penso no quanto o mundo tem mudado a cada década desde que me entendi um ser capaz de observa-lo e, nesta constante mudança, fui sendo capaz de me adaptar, aprendendo, ensinando, corrigindo, adaptando, enfim seguindo em frente sem maiores atropelos e, tendo ainda a chance de pensar a respeito de tudo com uma certa harmonia interior, que me remete a uma constante e crescente sensação de paz. Considero esta, uma enorme e indescritível experiência existencial que deixarei registrado nas milhares de páginas que escrevi desde os meus 14 anos, onde exalto a minha alegria por estar vivendo e também onde exorcizei todos os meus demônios interiores que insistiam em empanar a espontaneidade que me era natural em fixar minha atenção nas grandezas que conseguia enxergar e sentir, assim, como buscar entendimento quanto ao feio e duvidoso que insistente, puxava-me num destroçar de ilusões, sonhos e planos, inerência de um sistema caduco e pouco amável. Hoje, já não me surpreendo com a dicotomia possível de ser encontrada em todos os espaços de vivência e, com certeza me mantenho em permanente alerta para não ser “fisgada, presa e amordaçada”, assim como diz a letra da música num emaranhado que com certeza, faz doer. Boa noite

sábado, 5 de novembro de 2016

PRECONCEITO

Tenho reparado que nos últimos anos, a minha atenção voltou-se ao reconhecimento das atitudes preconceituosas, acreditando que isto vem ocorrendo na medida em que, com o passar do tempo, fui calando e ouvindo mais, assim como deixei tanto de me olhar e passei a olhar as outras pessoas e, neste percurso natural da maturidade, a transparência dos fatos, do linguajar subjetivo, do não dito, mas expressado por gestos, atitudes sutis e até mesmo delicadas, escondem realidades preconceituosas que passam batidas no lidar cotidiano das pessoas umas com as outras, numa banalidade mais que cruel, pois é velada, silenciosa e muitas vezes adornada com o falso brilho de um permissivo respeito. E aí, na medida em que me aprofundo neste mar de ignorância existencial, esforço-me para separar o joio do trigo, já que não há quem se livre desta patologia social, pois em regra geral, todos nós estamos contaminados, numa inconsciência assustadora do real em sua completude. Nem reparamos, mas discriminamos por todo o tempo e, imediatamente, nos justificamos, pois, o sistema nos oferece todos os recursos necessários ao perdão também não pensado, mas que se manifesta em posturas corriqueiras de rejeição silenciosa adornada com salamaleques de todas as ordens, mas que mantém afastado de nós, tudo que verdadeiramente, não se enquadra nos estereótipos em que estejamos inseridos e que nos foi determinado pelo sistema como ideal E não diga que você não é um preconceituoso, antes, preste bastante atenção no que você faz, fala, come, convive e etc. e tal.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

SEM NOÇÃO

É a falta total de conhecimento básico sobre algum assunto, mas em linha geral, quando dizemos que alguém é sem noção, queremos realmente afirmar que este alguém não tem noção de absolutamente nada, até mesmo do porquê estar vivendo. Claro que o legítimo sem noção, guarda em si, uma baita autoestima e jamais vai admitir que é desconhecedor disto ou daquilo e do tudo mais, todavia, reconhecemos de pronto sua “no sense ”e, geralmente, deixamos para lá todo o seu absurdo; e é justamente este comportamento que imprimimos a ele, que o legítimo sem noção aumenta sua autoconfiança, se aperfeiçoando cada vez mais e, consequentemente, oferecendo a ela e aos demais a cada instante riscos que podem se tornar extremamente perigosos. O sem noção dentro de sua indiscutível arrogância, fruto de sua descomunal ignorância em se postar junto aos demais, não anda, não argumenta, não partilha, apenas sai atropelando na medida em que vai ganhando mais e mais confiança, deixando-nos na maioria das vezes boquiabertos e em algumas ocasiões até mesmo amedrontados, já que reconhecemos estar diante de alguém que nada teme, tudo enfrenta e que declara estar disposto sempre a tudo, não se sentindo tendo nada a perder. Por quê, estou pensando no sem noção? Talvez por estar cercada de alguns deles e só agora ter a minha ficha caído do perigo que me cerca. Cruz credo... Livrai-me Deus destas criaturinhas danosas. Ainda bem que instintivamente as reconheço de pronto e corro delas como o Diabo da Cruz. E aí, você também conhece um alguém que seja totalmente sem noção?