domingo, 22 de novembro de 2015

INCONSEQUÊNCIA


Estou aqui quietinha com meus animais neste amanhecer de domingo, pensando que, afinal, ainda sou capaz de me chocar com a grosseria, tanto quanto me choco com as reações que dela advém, pois são frutos da incapacidade nossa em respirar fundo e simplesmente, encarar o agressor como ele realmente é; uma criatura que não se transformou ainda em um ser humano, pois quando isto acontece, tornamo-nos mais sensíveis à sensibilidade alheia e, certamente, não saímos  em nossos relacionamentos, sejam presenciais ou online, agredindo de forma absolutamente, pequena e irracional.
Penso também que medir a beleza de alguém, vai infinitamente além do uso da régua e do compasso, até porquê, o tempo, este critério no qual todos nós estamos submetidos, costuma ser implacável nas marcas que vai imprimindo ao longo das trajetórias de todos nós, acelerado  pela alma pobre de alguns, que inconsequentes, insistem em alimentá-la com a arrogância, fruto maduro da ignorância.
Volto a pensar que a cidade de Itaparica e seus habitantes, merecem uma convivência mais respeitosa, amiga e com critérios avaliativos mais ampliados e menos regados a preconceitos horrorosos, que danificam o seu todo de “Pequeno Paraiso Tropical.”
Começaremos a nos sentir humanos, quando percebermos que o que é capaz de fazer doer no outro, poderá também nos atingir, sem que necessariamente, esta dor venha do mesmo rumo que, inconsequentemente, desferimos o golpe que o atingiu.
Dedico este texto a todas as pessoas que, são desnecessariamente agredidas na expressabilidade de suas grandezas pessoais.
Um beijo especial a todos e (as) que ultrapassam as barreiras do convencional, abrindo portas e janela para um mundo muito melhor, onde cada pessoa, seja capaz de conviver com o outro sem impingir a ele, seus próprios valores e critérios, num dar e receber menos agressivo e, portanto, danoso.
Um beijo especial a jovem Mércya Karem, pela beleza de seu ensaio fotográfico que, privilegia a arte criativa e agregativa do ser humano e não apenas, um pedaço de carne maturada dentro dos padrões de uma sociedade que se apresenta falida em seus valores.
Bom dia, afinal, hoje é domingo e pé de cachimbo!!!!!

domingo, 15 de novembro de 2015

AGRADECIMENTOS


Bom dia amigo, estou aqui sozinha com minhas apreensões, creio que naturais em relação a cirurgia, que serei submetida no próximo dia 27/11, tentando por todo o tempo manter o positivismo e uma fortaleza nem sempre real, afinal, sou humana e adoro viver como você e me recuso a partir, pois acredito que ainda posso realizar muitas coisas.
 Adoro esta vida e adoro principalmente tudo que me rodeia, seja físico ou energético. Considero-me um ser privilegiado, pois o que não tenho, me é ofertado pela generosidade daqueles que me cercam. 
Acredito que seja esta a verdadeira fortuna que poucos conseguem nesta vida.
Você é uma das pérolas que junto a outras raras preciosidades, formam um cordão do bem que me rodeiam e que me fazem sentir uma enorme gratidão.
Em momento algum desde o dia em que nasci, algo me foi negado pela vida. Recebi na dosagem certa, todas as bençãos que supriram minhas mais profundas necessidades, evitando-me o "poder", pois caso contrário, eu não teria o prazer de vir a conhecer a alma humana na sua mais pura grandeza com tanta nitidez, através de comportamentos incríveis que fazem com que a raça humana, valha todos os privilégios que recebe, se comparado aos demais elementos que compõem esta vida.
Tudo isto que escrevo neste instante, representa o que sou e o que penso e não gostaria se for o caso de deixar esta expressabilidade de vida, sem dizer que amo você e que, foi um imenso prazer ter convivido com você seja, online ou in loco.
Gostaria que soubesse que não acredito na morte e meus registros escritos ao longo de minha vida, atestam esta certeza absoluta, fazendo de mim uma criatura totalmente tranquila, se bem que desejosa de que, por aqui eu ainda continue, desfrutando desta expressabilidade de vida, da qual sou apaixonada por simplesmente, achá-la linda e completa.
Hoje é domingo e depois de declarar os meus sentimentos amorosos em relação a você que me lê, já me sinto mais harmoniosa e mais preparada para enfrentar estes dias de expectativas em relação a uma situação que me é totalmente inusitada.
O sol está brilhando, os pássaros estão com suas cantorias matinais e eu, feliz por saber expressar meus sentimentos, outra riqueza que jamais me foi negada.

 Fique com Deus e a vida que, afinal, são uma mesma energia.

É SEMPRE BOM LEMBRAR


Estou aqui pensando neste final de tarde, muito encalorada, que não precisei de tragédia pessoal e tão pouco adoecer para reconhecer a importância da vida e para conservar as boas lembranças que, afinal, foram responsáveis pela minha formação de pessoa humana. E isto me faz sentir um enorme bem estar, pois não me sinto ingrata ou incapaz de sentir e enxergar o tudo de bom, que fui vivenciando neste longo percurso.
E não ser ingrata tem uma dimensão absurda de valores para mim, afinal, a gratidão é a base formadora de infindáveis outros sentimentos, capazes de me manter não só atuante, mas, acima de tudo, ligada em emoções mais leves e gratificantes.
Todo este rodeio me leva à sorveteria do Morais, lá na minha encantada Ipanema, no Rio de Janeiro, onde as especialidades eram os sorvetes de puras frutas, o bolo de aipim e o cuscuz de tapioca e coco.
E só de lembrar, sou capaz de sentir os sabores derretendo no céu da boca e como num filme, deixo rodar em minha mente, os prazeres de uma juventude ainda inocente e absolutamente livre.
Liberdade que me permitiu reconhecer os amores de minha vida, assim que os vi.
Liberdade que me preparou para sentir inúmeros prazeres, em sua maioria muito simples, mas absolutamente imprescindíveis para que eu pudesse sorver os momentos difíceis sem transformá-los em dramas e derrotas pessoais, porque, afinal, lá estavam as lembranças dos sabores, dos aromas, das pessoas e dos prazeres, como uma estrutura de apoio que jamais me deixou esquecer que a vida é bonita, é bonita e é bonita.
Feios muitas vezes somos nós em nossa também incapacidade de, simplesmente, viver.
Viver o real, o lúdico, o apenas simples, que em sua maioria guarda tesouros inesquecíveis, como o sorvete de milho verde, servido na casquinha crocante que por toda a minha juventude foi o preferido e cujo sabor alimentou a minha alma, assim como o seu aroma perfuma os meus sentimentos até os dias atuais.
O tempo passou, a noite chegou e cá estou conversando com o passado, como velhos amigos que não se esquecem, como velhos parceiros que se complementam.


sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Parabéns que envio ao Céu.

Hoje, se ainda estivesse entre nós de forma física, minha querida e amada Maria Zizita Leopoldino Couto, estaria completando, 95 anos e, certamente, estaríamos comemorando com uma grande festa, do jeitinho que ela sempre gostou.
Em junho completou 27 anos que você de forma guerreira mudou de dimensão, deixando a lembrança viva da sua grandeza de pessoa humana.
As saudades não diminuem e as recordações permanecem, assim como em todos os anos nesta data, agradeço a Deus, por tê-la conhecido e por ter podido desfrutar do seu carinho por longos e benditos, 20 anos.
Todavia, sinto-a sempre por perto, estimulando-me a ser feliz e a extrair desta vida, sua essência que, certamente, é sempre o mais precioso elixir de vida e liberdade.
Te amo minha sogra, mãe e amiga, companheira de todos os momentos.

UMA LOUCURA


Existem observações que só podem existir se a criatura estiver muito atenta, mas acima de tudo que seja capaz de tirar de si qualquer resquício de preconceitos, críticas sistêmicas para, simplesmente, registrar fatos que ocorrem no dia a dia e que retratam a vida cotidiana nos seus mais variados universos.
Nesta semana, fui impelida a viajar duas vezes por dia de Ferry Boat, coisa que há muito não fazia, pois confesso que ir a Salvador, antes de ser um prazer em poder desfrutar de suas belezas, para mim é um tormento, pois habituei-me ao sossego da minha Itaparica.
Voltando ao foco de meu relato, preciso dizer que apesar do calor não amenizado pela refrigeração das novas embarcações, consegui ir sentada e os banheiros estavam em condições razoáveis para serem usados, fui devidamente orientada, quando necessitei, e talvez, por todas estas razões e pela total falta do que fazer, concentrei-me nas pessoas e aí, bem...
Lá pela quarta viagem, percebi-me rindo e comentando com o meu Roberto que, enquanto nas Universidades os temas para monografias, artigos e teses se tornam muitas vezes repetitivos, bom seria se vez por outra os professores fizessem uma ida e uma volta de Ferry com as mentes aguçadas para depois sugerirem a seus alunos, porque, afinal, a fonte de manifestações humanas é não só surpreendente, como extremamente rica e variada, despertando em qualquer maior interessado, inspiração para teses riquíssimas, abrangendo uma gama diversificada de cursos, principalmente, psicologia, filosofia, sociologia, antropologia ou em qualquer outro em que o ser humano seja o epicentro de análise ou simples narração.
E aí, torna-se mais razoável compreender a recorrente situação em que o Brasil se encontra. O porquê de sermos enganados, roubados, espoliados em nossos direitos mais básicos por mais de 500 anos.
Fica mais claro identificar esta aceitação passiva do inadequado a cada instante, onde direitos e deveres se perdem frente a uma total alienação político social.
Creio que o mais importante nos dias atuais, seria preparar os nossos jovens para a capacidade observatória e ao estímulo à ética e a cidadania, não com os refrãos já comuns, que poucos ainda consideram, mas com o senso avaliativo da sua realidade pessoal em meio ao seu próprio universo vivencial, acrescido de parâmetros reais, onde o certo e o errado, fosse substituído pelo adequado, o lógico e o bem comum.
Enquanto alunos, somos levados a armazenar um turbilhão de fatos, nomes e datas de épocas passadas e deixa-se passar a busca do entendimento do aqui agora, seja em nosso país, seja ao redor do mundo.
Formam-se especialistas nisto ou naquilo, mas absolutamente ignorantes em relação a si em meio a sua própria realidade de cidadão brasileiro, profissional que terá de interagir com um sistema distorcido em seus valores e falido em relação ao seu povo em se tratando de um mínimo de conhecimento de sua história.
E aí, doutores e analfabetos se igualam no pouco ou nenhum conhecimento em como se portar, pensar e conduzir suas posturas, seja no público ou no privado, levando-me a relembrar da irreverência carioca que classifica de samba de crioulo doido, furdunço ou seja lá outros nomes que não me ocorrem agora.
Todavia, tenha o nome que tiver, tudo parece uma loucura se bem observado. Ainda bem que também vez por outra, os olhos na procura de alívio momentâneo, buscam as águas benditas da Baia de Todos os Santos, razão certamente maior para que, até os dias atuais, nenhum motim mais expressivo tenha ocorrido.
Pensando bem, tudo se resume em uma loucura com a aparência de normalidade coletiva, que afinal aceitamos como se não justa, pelo menos, a possível.


domingo, 8 de novembro de 2015

Que delícia!!!!


Hoje é domingo, pé de cachimbo e o sol baiano despudorado, mas absolutamente sedutor e envolvente, adentrou em mim logo bem cedinho, da mesma forma que deitou-se apaixonadamente sobre as flores e copas do meu jardim, levando-nos ao êxtase do gozo matinal.
O ventinho insistente, agita marolando a superfície das águas mornas de Ponta de Areia e, com certeza daqui a algum tempo, o cheirinho do churrasco do amigo Waldir Rodrigues estará nos convidando à uma saborosa refeição, neste pedaço de céu, onde só não é feliz aquele que de verdade não o quiser.
Penso então, que ser feliz, antes de ser uma firula ou coisa que o valha, é tão somente uma questão de talento, que se desenvolve a partir de uma vocação, que exige determinação, além da capacidade indiscutível de se despir, aí sim, das inutilidades cotidianas para deixar passar livremente a constatação básica, mas poderosa nos seus argumentos, que não deixam dúvidas de que a vida é bonita, é bonita e é bonita.
Que neste domingo de sol da primavera, sejamos poeta de nós mesmos, artistas universais.
Que consigamos pincelar com as cores de nossas almas, nossos instantes presentes, fazendo deles, sorrisos que nos eternizem.

Que delícia de poder nos destes, meu Deus!!!!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

UM RESPIRAR PROFUNDO


Acordei bem cedinho, abri as janelas e portas e fui sentar-me na cadeira de balanço da varanda para esperar pacientemente o dia amanhecer, tal qual, faço por toda a minha vida, numa fidelidade a mim mesma, afinal, como perder tão surpreendente espetáculo?
E assim como eu, lá foram também os meus cachorrinhos que adoram o despertar da vida com seus aromas e sons sempre surpreendentes e juntos, silenciosamente, permanecemos relaxados, não sem deixar, pelo menos eu, a mente voar, e esta, não menos surpreendente, ora arquiteta um futuro que sequer sei se viverei, ora resgata um passado em seus momentos, se não surpreendentes, pelo menos inusitados.
E nesta manhã, ao som de uma refrescante chuvinha de primavera, meu voo foi até Belo Horizonte, pousei no bairro do Santo Antônio ao lado de minha sogra, tentando socorrer uma jovem doméstica que trabalhava na vizinha, que apavorada, (a vizinha) pedia socorro.
A cena dantesca quebrava o encanto da grandeza de um quase amanhecer e, pela primeira vez e única, deparámo-nos com a solidão da ignorância existencial, travestida da crueldade da indiferença de um alguém que acabara de ter um filho, mas incapaz de acolhê-lo em seus braços, olhava o vazio da parede branca, enquanto no chão, envolto em sangue, um serzinho lutava para permanecer vivo.
Enquanto enrolava a criança na primeira toalha que encontrei, prendi o corte brutal de seu umbigo com o pregador que segurava a toalha na corda, enquanto minha sogra retornava ao nosso apartamento, numa corrida contra o tempo, pois tanto a mãe como a filha, naquele instante, precisavam mais que apenas solidariedade, precisavam de um médico.
Hoje, já com o dia amanhecido, ao som do galo do vizinho, fico pensando naquela criança que quase salvamos, naquela mãe que no dia seguinte, voltou andando, apanhou sorrateiramente seus pertences e desapareceu, deixando a vizinha e a nós com as lembranças tristes de sua inconsequência.
Penso na menina e no nome que poderia ter tido, nos amores e nas conquistas, nas tristezas e nas lágrimas, mas acima de tudo, nas auroras que jamais vivenciou, mas que 32 anos depois, permanece ainda viva entre as minhas lembranças, talvez para que eu nunca esqueça que, assim como a vida é bonita e é bonita, o ser humano pode ser feio, medíocre, assustador.
E pensar que naquela época, cheguei a brigar com Deus, crendo na injustiça de seu poder de distribuição de bênçãos, pois enquanto tantas desprezavam, meu regaço estava pronto para acolher uma filha, que nunca chegava.
 Estou sorrindo, afinal, três anos depois, como num passe de mágica, a minha tão sonhada garotinha, adentrou em minha vida, trazendo consigo, Deus, aquele mesmo Deus que espinafrei, mas que generoso compreendeu a minha dor, frente aos abusos e inconsequências com as quais, a vida pode ser tratada.
 Neste amanhecer de recordações, penso que cada amanhecer, traz com ele sensações que nem sempre estamos prontos para reconhecer ou aceitar, mas com certeza, traz consigo a certeza de um respirar profundo, acompanhado da esperança de um novo amanhã, onde então, surpresas maravilhosas podem ocorrer, como ocorreu comigo ao ser presenteada com a morena mais linda do mundo, que ganhou o nome de Anna Paula e está tendo o direito de escrever a sua própria história.
Respiro fundo e então percebo que o sol já vai alto e muitas tarefas me aguardam.