Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Fevereiro, 2015

FOLHAS ESPESSAS

Finalmente o dia voltou a nascer ensolarado, talvez ainda tímido, mas nem por isto menos brilhante. Os pássaros, assim como eu, estão felizes e mais que nunca cantam e me encantam, levando-me a distingui-los pelos seus cantos, mas jamais pelos seus nomes. Mas quem se importa como se chamam? Bastou-me reconhece-los e admirá-los incansavelmente por toda a minha vida Fecho os meus olhos e minha mente reproduz meu quartinho da Rua Barão da Torre, no Rio de Janeiro, e do galho da frondosa amendoeira que abusada adentrava em meu quarto através da janela, trazendo o bailado dos seus movimentos, o canto dos pássaros no verão e gotinhas de chuva no inverno, e produzindo em mim a mágica do enlevo, da encenação de meus sonhos de garota adolescente. Nada mais importava que utilizar-me deste galho abastecido de vigorosas folhas matizadas de mil tons de verde e amarelo, nas quais eu conseguia, percorrendo os infindáveis caminhos da construção de adoráveis projetos, que de tão verdadeiros permaneceram vi…

CHOVE LÁ FORA

São cinco horas da manhã e os trovões trazem consigo uma grossa e caudalosa chuva, e ambas barulhentas ao ponto de assustarem os meus cachorrinhos que preferiram abrigar-se junto aos meus pés por sob a mesa. Sempre que isto acontece, penso na minha infância tão rica e abastecida de parâmetros com os quais me vali a vida inteira justo para exercitar a mente nas avaliações de lógicas pessoais e um deles foi a correlação entre os trovões e Deus, pois afirmava minha singela mãe que quando trovejava e o céu se riscava de luzes incandescentes era porque Deus, irado, levantava o seu cajado e nos punia, causando medo e muitos estragos. Pensava eu com os meus botões: ­- Se Deus era puro amor, como poderia sentir ira por sua própria e exclusiva criação? Bem o tempo foi passando e já quase adolescente em um carnaval que a família, como sempre ocorria, decidiu ir para a casa de campo em Guapimirim (RJ), fomos surpreendidos com uma tempestade jamais vista por qualquer um de nós e eu, naturalmente curi…

SEM SURPRESAS

De uns tempos para cá, venho usando a palavra surpresa nos meus comentários e escritos de um modo geral, mas na realidade este é apenas um vocábulo com o qual as pessoas gostam de se expressar  até mesmo por comodismo, afinal, ela define com precisão o espanto ao  encontrar o inusitado. Nos últimos anos, o esperado por ser absolutamente adequado desenvolvimento intelectual de nossas crianças transformou-se em retórica de palanque, pois nada mais se fez que abrirem-se portas de unidades escolares em sua maioria com estética atrativa, mas também com estruturas duvidosas, só comparadas à pedagogia que passou a habitar seus interiores. Portanto, o desejo e a necessidade de se poder ter filhos em uma escola para que ele possa um dia se transformar em um alguém nesta vida, alimentou sonhos e abasteceu de votos grupos políticos. Sem maiores questionamentos, mesmo assim, foi uma revolução de costumes, uma abertura sem precedentes de oportunidades para nossos jovens e, principalmente, nossas cria…

LIBERDADE OU LIBERTINAGEM

Que me perdoem os simpatizantes e, até mesmo, apaixonados pelo atual carnaval brasileiro, pois particularmente estou feliz que ele esteja chegando ao fim. Bem, claro que não me refiro aos blocos de bairro, as festas pontuais onde há desfile e verdadeira tradição que antecedem à Quaresma. Refiro-me ao comércio que chamam de “carnaval alegre e organizado” e que na realidade trata-se de instigadores da insensatez, alienação e do atordoamento que as pessoas sentem por elas mesmas, pois se lançam como alucinadas, induzidas pela certeza de que no carnaval podem finalmente se liberarem, fazendo tudo quanto suas frustrações imaginativas foram capazes de armazenar.  Ufa! Sei que para um mundão de gente não passo de uma idiota fundamentalista retrógrada, mas estou apenas exercendo o meu também direito de dizer e escrever o que creio ser a minha visão pessoal, afinal, será que o politicamente correto só dá direito a sorrir, concordar e se calar frente às revolucionárias posturas progressistas, on…

DONDE VIM...

São cinco horas da manhã, o dia ainda tímido em sua luminosidade, mas absolutamente desperto em seu cotidiano, já me presenteia com seus sons e aromas e, enquanto isto, delicio-me com a única certeza que me envolve e me move, que é a de me sentir viva, saudável e com um sentimento maior de gratidão, por poder estar neste exato momento, sentindo as brisas ainda frescas, tocarem o meu rosto, como se quisessem não me deixar esquecer de que a vida é sempre bonita  e que o todo restante, terá exatamente, a cor, os aromas e o ritmo que eu determinar. Penso no ritmo, porque afinal, estamos no domingo de carnaval com o agravante de ser o carnaval da Bahia. Todavia, penso que ainda assim, o ritmo quem determina sou eu, seja aqui e agora ou em qualquer época de nossas vidas. Enquanto escrevo, ouço a cantoria dos pássaros e penso imediatamente nas maritacas e nos abacates de meu sítio das montanhas de Minas, donde vim e que, neste instante, sinto doces saudades. Fecho os olhos, respiro fundo e sint…

NÃO HÁ VAZIOS...

Não há vazio entre a terra e o espaço, pois são dois corpos que interagem em constante movimento. Não há vazios entre você e nós, pois somos infinitas moléculas armazenadas em um só bendito núcleo. Não há vazios entre seu corpo e sua mente, pois são muitos instrumentos de uma só orquestra. Não há vazios entre a vida e o universo, justo porque são caracteres de uma só energia.
Não há espaços vazios entre o querer e o fazer, porque existe o fator da vontade voluntária, Deus infinito de seus quereres.

CASCATA DE AMOR

Há uma imensidão de emoções jorrando de mim, como cascatas volumosas que já não se esborracham no solo,  salpicando e ferindo com força ao logo do caminho. Fui aprendendo a contê-las sem, no entanto, represa-las. Deixo-as deslizarem por todo o meu ser até atingirem seus objetivos sem ferir-me e sem fazer doer as encostas que me acolhem. Nem quente, nem fria, apenas natural e ao chegar ao regaço que se formou a meus pés deito-me com firmeza, sem machucar as águas que me aguardam, assustar as vidas que lá já residem, sem agredir todo o amparo que se formou ao meu redor. Fui rego e até rio, agora sou cascata de amor...

FAZER O QUÊ?

Por necessidade de meu trabalho, diariamente, assisto os jornais logo bem cedinho, mas confesso que ando enfarada com a enxurrada de mesmices que ora são enfadonhas, ora são chocantes, reconhecendo, no entanto, que ambas são invasivas. Então, refugio-me na contemplação da natureza na busca incessante de inspiração para tão somente ser capaz de absorver o belo para ser capaz de transmitir o ruim sem nele me contaminar, correndo o risco de me tornar uma desesperançada. Na realidade, tudo não passa de atalhos que nossas mentes buscam na ousada tentativa de sobrevivência, já que o cotidiano sistêmico por si só já desgasta e faz doer, e se a ele for acrescido o impensável, o imponderável, o totalmente ilógico, aí, tudo fica quase insuportável. Sinto que estamos vivenciando em nosso país uma era de absurdos tão grandes de serem devidamente mensurados, que tudo que me resta é justo refugiar-me na ainda existente natureza, fonte que até a pouco tempo, cri que jamais se esgotaria, mas que nós, cr…
BOM DIA !!!! Mantenho os olhos fechados e posso enxergar o dia que vem se aproximando lentamente. Lá vem ela trazendo consigo, o som dos pássaros como abre alas e por onde passa, como uma infinita onda, envolve e desperta. São quase cinco horas da manhã e como num arrastão de vida, finalmente posso senti-la esplendorosa, lembrando-me com os seus brilhos e sons matinais, que viver é bonito e é gratificante, para todo aquele que consegue enxergar suas nuances e diversidades.
Um beijinho no coração e que esta semana que marca o início de fevereiro, seja de absoluta Luz para todos nós.