sábado, 27 de dezembro de 2014

DE REPENTE?


Assim como de repente, olho ao meu redor e tudo me parece inútil, sem sentido e quase absurdo. Afinal, meus pensamentos e minhas lógicas se chocam com o sistêmico e, como uma perdida em meio a um deserto, giro em torno de mim mesma, procurando o oásis de minhas próprias convicções e percebo com absoluta clareza que este ideário, só existe dentro de mim, lugar seguro no qual me abrigo desta loucura que me rodeia.
Esta sensação vez por outra ainda me abala, criando um ambiente de surpresa e quase medo, levando-me a erroneamente acreditar que foi tudo, assim como de repente, quando na realidade, tudo é rotina, eu é que distraída adentrei em mim e desfoquei o tudo mais.
Meus escritos, minhas ideias, minhas visões, ficam todas tão egoisticamente pessoais que chego como agora a sentir um certo mal-estar, quando penso que tudo poderia ser bem mais fácil, bem menos sofrido, muito mais harmonioso.
Mas a impressão que tenho é que falo em línguas inteligíveis, escrevo não um somatório de experiências somados a uma observação contumaz, mas uma filosofia “Platonista”, pois sinto nos olhares que me fitam, tão somente a incompreensão da lógica que me inspira.
E como uma ovelha desgarrada, sigo meu caminho solitária, descobrindo mundos até então desconhecidos.
E dentre as novidades que vislumbro, vou percebendo que não me encontro sozinha, apenas não sigo rebanhos, apenas vou colhendo e saboreando os raros frutos que vou enxergando neste meu caminhar de vida e liberdade.
Tudo é tão absurdamente simples, tudo é tão absurdamente fantástico que até posso compreender a imensa incapacidade assimilatória do que falo e escrevo, afinal, viver o simples, exige dedicação, busca e fascinação, exige abraçar o tangível e fazer dele o seu mais rico imaginário.
De repente? Nada é de repente...
Tudo pode ser previsto, principalmente em meio ao sempre igual.

Que neste sábado de quase final de ano, os frutos raros possam ser enxergados, nem que seja em raros momentos.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL


Ah! Senhor, diante de ti, curvo-me e agradeço.
Olho ao redor e em tudo que enxergo, vejo-te refletido
Respiro fundo e tenho a impressão que adentras em meu interior
Passo meus braços ao redor de mim mesma e posso sentir o teu calor amoroso a me estreitar.
E ao sentir sede, sorvo-te através da água, bendito alimento de pura vida
Mas é quando sinto medo que me envias os aromas e os sabores, para que eu me embriague de ti e adormeça, com a certeza absoluta de que silencioso, zelas por mim.
Que as energias benditas deste universo, que nada mais é que o canteiro de nossas existências, estejam nos amparando nestes dias natalinos, inspirando-nos a torná-los uma constante em nossos dias futuros, para que possamos a cada instante vivido, eternizarmos o melhor de nós, fazendo parceria com o divino.
Um enorme beijo em cada amigo, parente e companheiro do face acompanhado da minha gratidão pela troca de carinhos e atenções.
UMA FELIZ NOITE DE NATAL!!!!!!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

CONVERSANDO COM DEUS


Receias pela morte? Receias as doenças? Receias as perdas materiais? Receias a perda amorosa que te rodeia?  Receias, afinal, o quê?
Por que sofres, acreditando que serás punido, justo por mim que te criei, dando-te vida e poder?
Por que ficas pelos cantos, ora reclamando, ora se lamentando, sem jamais seres capaz de enxergar tua própria grandeza e fazer dela tua vara mágica de realizações?
Fico a observar-te em tua insistente perda de tempo, sofro por ti, por que sei o quanto podes ser amoroso contigo mesmo, todavia, a teimosia que permites que te acompanhe, impede que enxergues com a clareza de uma mente limpa, conduzindo-te vez por hora, ao desatino da insensatez de lamentares, temeres ao invés de lutares.
Dei-te a vida para que tivesses espaço infinito para expressares as tuas afinidades, dei-te uma mente para que pudesses avaliar teus desejos e necessidades.
Por que, não fazes o devido uso de tais poderes, preferindo a lamúria de chorar ao invés de sorrir, amparando-te em patologias emocionais, quando tens a mim, como amparo maior?
Digo-te:
- Chega!!!!!
Esta será tua palavra mágica e tua mente será tua vontade voluntária. Com ambos, reverterás a condução de teus próximos instantes, cobrindo-te de minha luz que insistes em não receber sobre tua vida.
Doravante, quando perceberes a aproximação da simbiótica postura que chamas de cansaço existencial, estresse ou depressão, lembraras da palavra mágica e expulsarás de ti, esse vício que contamina tudo a tua volta, tirando o viço e o brilho de tua existência.
Chega disso, chega daquilo e de tudo o mais que ouves, falas, aceitas ou que impões a ti e aos demais, através deste comportamento aparentemente normal, mas que só te tem trazido, preocupações, desatinos e dor.
Chega de manteres os teus olhares direcionados para o amanhã, esquecendo-te que as ações estruturantes, precisam ser articuladas no hoje, sem que teus instantes presentes sejam danificados e que tenhas prejuízos quanto a qualidade de cada um deles.
Chega de provocares tantos danos a ti mesmo, chega de transformares teus dias em capítulos de tragédias continuadas, chega de chorares sobre si mesmo, chega de buscares dores com as quais, foges para não teres de conviver com tua própria natureza, que, afinal, é perfeita e que te foi, amorosamente, ofertada por mim.
Chega de enfiares a cabeça no buraco de teu medo de existires e adapta-te aos novos tempos que surgem a cada amanhecer, dando a ti, todas as possibilidades de renovação.
Ciladas, dificuldades, lutas constantes, sempre existirão, mas é preciso que digas chega à tua preguiça sistêmica, que te leva a copiar os fracos de espírito que não conseguem enxergar que sou o pai e tu, o filho, e que juntos somos poderosos e indestrutíveis.
Portanto, chega de te fechares para a vida que incansavelmente se expressa, na tentativa de chamar-te a atenção, através dos amanheceres que ignoras, dos por dos sois que nunca tens tempo para admirar, dos sorrisos francos que te são direcionados e que por orgulho e preconceito em sua maioria desconsideras, dos aromas que te cercam e que já não consegues distinguir e das cores vibrantes que bem poderias te apropriar, mas que cego pela constante lamentação, és incapaz de enxergar.
Chega de impedir que as benditas energias da vida te sirvam e te inspirem no tudo que verdadeiramente, precisas.
Então, compreendas, medo para quê?
Chega, por que afinal, tens a mim, a vida, portanto, trace o teu caminho usando as ferramentas que estão ao teu alcance e que insistes em não utilizar.
Que nesta quarta-feira, o Deus que neste instantes fala contigo, tenha sido convincente para que repasses esta mensagem à outros que como tu, muitas vezes, opta pelas trevas em meio a Luz.



domingo, 14 de dezembro de 2014

FALSO BRILHANTE


Estou aqui pensando nas pequenas coisinhas que vivemos fazendo ou recebendo no nosso cotidiano e que sequer oferecemos importância maior, pois fazem parte de uma rotina, nos levando a esquecer que são justamente essas aparentes banalidades que consomem a maior parte de nosso tempo, dando ou tirando o brilho de nossos instantes presentes, dependendo de como somos capazes de recebe-las ou realiza-las.
Levar e trazer os filhos das escolas, ir ao supermercado, enfrentar a fila do ônibus e depois, ele abarrotado, correr para chegar ao trabalho sem atraso, dizer, bom dia, ao vizinho, ao porteiro do prédio ou aos alunos em cada sala em que se vai dar aulas, pensar no que se vai almoçar e etc e tal.
Lamentar ou chorar a perda de um parente ou de um amigo, segurar o xixi ou a fome, naquele engarrafamento infernal, ser bem ou tratado com indiferença pelo funcionário público daquela entidade, na qual boa parte de nosso salário é consumido, através dos mais altos impostos do mundo ou numa das dezenas de ligações telefônicas que fazemos às operadoras de telefonia, Sky ou qualquer serviço no qual pagamos e pagamos anos à fio e sequer nos oferecem um rosto e uma alma para nos atender.
Choramos e nos descabelamos se o dinheiro acaba no meio do mês e nos tornamos as pessoas mais frustradas do mundo, ao constatarmos que apesar de tanto trabalho e lutas é justo o “político safado” que leva a melhor.
Também consumimos anos insubstituíveis, querendo ter um corpinho de modelo de revista ou de atriz de televisão ou quando percebemos que nossos maridos, noivos ou quebra galhos, estão embevecidos diante daquela mulher que miseravelmente tem o corpo que a gente, que fez tantas ginásticas e dietas, jamais conseguiu alcançar.
-  E aí, pensamos, FDP...
E o tempo vai passando entre os afazeres profissionais, domésticos e amorosos, e assim, quase que de repente, em um certo momento, jamais esquecido, nós, imprudentemente, olhamos no espelho com mais atenção, e, VIRGEM MARIA, envelheci e nem percebi !!!!!!!!!!!!
E agora, o que fazer?
A partir deste crucial instante, cada uma de nós abraça uma tábua, buscando salvação, todavia bem cientes de que nada adiantará, pois quando a safada da física e dos hormônios resolvem descer ladeira, nada será capaz de detê-los, talvez com muitos sacrifícios, retardá-los com mil recursos, mas aí, volta à tona o mais poderoso argumento que até então tirou-nos a paz:
 Dinheiro, que agora chamam de aposentadoria, mais minguada do que nunca, cadê este safado que insiste em acabar no meio do mês?
Nossa!!!
E pensar que todos esses sofrimentos cotidianos, foram sendo vivenciados e sequer oferecemos a eles a devida importância e, muito menos, tentamos corrigi-los ou eliminá-los, até porque, em sua maioria, não seria possível, principalmente, as ações cretinas do tempo que insiste em tornar flácidos os nossos lindos peitinhos e jogar do despenhadeiro, nossas bundinhas sensuais, com as quais fizemos no passado, as esposas, namoradas e quebra galhos de infinitos homens desviarem seus olhares, matando de raiva as pobres desavisadas, como nós nos tempos atuais.
A lei do retorno, não perdoa, e nós, menos ainda à este tempo safado, que passa calado, sem sequer nos dar um pequeno aviso nas muitas de suas  passadas em nossas vidas, apenas para que ele, não fosse desconsiderado, principalmente, no tocante aos estragos que opera, tornando-se devastador, assim como nos estimular a dar a devida importância a cada instante presente, onde existem as labutas,  aborrecimentos, desilusões, perdas dolorosas, mas também vitórias, sorrisos de pura alegria, beijos gostosos, carícias inesquecíveis, sonhos, ilusões e muita, mas muita vida, que afinal, é bonita é bonita e é bonita.
Um domingo de muitas alegrias, acompanhado de um beijo enorme desta senhora vítima do tempo, mas amante gostosa e amorosa da vida.




sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Socorrooo!


 Desde que posso me lembrar, condicionei-me ou fui condicionada a ser a moça bonitinha, gostosinha, certinha, boazinha e, nesta mesma linha, quase sempre consegui, não sem de vez em quando dar uma tremenda derrapada ou rodada de baiana, porque, afinal de contas, também sou filha de Deus e engolir sapos sem poder arrotar, nem que seja de vez em quando, simplesmente, não dá.
Ah! Mas não sei o que é pior....
Se engolir sapos e ter indigestão ou soltar os cachorros e desopilar o fígado, pois em ambos os casos, o gosto amargo permanece por um bom tempo, impedindo no mínimo um hálito agradável.
Será que estes questionamentos são feitos também por você que está me lendo neste momento?
Seria maravilhoso encontrar amigos solidários neste aspecto da convivência, pois assim, não me sentiria tão “Etelizada - ET”, porque ultimamente só tenho encontrado gente certinha, boazinha, bonitinha e felizinha, como eu, levando-me a crer que ninguém mais tem problemas e quando os tem, recebe do Divino a temperança celestial.
Facebook das transformações que ainda não chegaram a mim.
E aí, reside o meu mais novo e cruel problema, pois o Divino parece que se cansou de mim, porque já não consigo ser boazinha e ter posturas tão certinhas, pois na realidade quero mais é mandar o malfeitor de meus sentimentos e emoções ir para “aquele” lugar, isto, quando não me mordo de raiva, por ainda ser “elegantizinha” e não baixar o nível, porque vontade mesmo, eu tenho é de dar porrada, no FDP.
AH! Que dilema, cruel...
Temperança ou babaquice, eis a questão.

Que nesta sexta-feira, consigamos nos livrar nem que seja um pouquinho deste dilema que nos acomete, vez por outra, em que ficamos entre o bom senso e a vontade gritante de não aceitarmos as agressões que nos rodeiam.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Travei Em nome de Jesus


Estou a alguns dias tentando escrever sobre o natal e nada, absolutamente nada surge em minha mente. De repente tudo que vejo é um imenso branco.
Talvez seja o fato de que preciso ser o mais fiel possível as tradições religiosas e sinceramente, com estas, eu não tenho qualquer afinidade.
Por mais que eu me esforce, jamais consegui enxergar Jesus como a maioria e muito menos relacioná-lo a festas totalmente destoantes da concepção que tracei deste homem fantástico que optou em tirar de si, todo e qualquer hipocrisia fundamentalista e abrir-se para a vida que ainda muito jovem percebeu existir intensamente em si.
Jesus que despertou para os sentidos, lembrando-nos do quanto precisávamos direcioná-los na formação de nossas emoções e consequentes sentimentos.
Jesus que traçou éticas a serem compreendidas e aplicadas no cotidiano das pessoas, buscando-as no interior de si mesmo no relacionamento com o tudo o mais a sua volta.
Jesus que conseguiu se despir das vaidades, por compreender que estas eram geradoras de inúmeras mazelas físicas e emocionais que interferiam no convívio social.
Jesus que revolucionou a alma e a forma de condução postural, fornecendo caminhos evolutivos de desenvolvimento sustentável da criatura humana.
Jesus, forte, resistente e absolutamente suave que soube conduzir a maior e mais concreta das revoluções que este mundo terreno, já tomou conhecimento.
Jesus do perdão e do entendimento quanto as fraquezas humanas
Jesus da generosidade, do companheirismo, da fraternidade.
Jesus da visão universal de um todo completo, onde cada elemento seja humano ou não, tem sua preciosa parcela de importância na manutenção da grandiosidade e completude do sentido da vida.
Jesus, sentimentos, orientação e amor que abrigo em meu interior e cujo nascimento comemoro à cada amanhecer em que me vejo e me sinto vida, numa permanente liberdade de existir.
Jesus que conseguiu na simplicidade genuína de seu ser, nos deixar o seu legado, num único e precioso ensinamento que nós, 2000 anos depois, ainda resistimos em aprender; "AMAI AOS DEMAIS COMO A SI MESMO".
Regina Carvalho
QUE O DIA DE HOJE NOS FAÇA REFLETIR NO QUANTO AINDA PRECISAMOS NOS DESPIR DAS VAIDADES QUE TIRAM DE NÓS A ELEGÂNCIA E O RESPEITO NO TRATO COM OS DEMAIS.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

REFLETINDO


Hoje amanheci pensando na miséria e na fome, provavelmente porque longe de meu jardim e de meus pássaros, além do fato de ter deixado Itaparica, mesmo que seja por apenas dois dias, e me inserido em uma cidade congestionada como já se encontra Santo Antônio de Jesus, para mim seja tão radical que eu só consiga pensar nas inúmeras dificuldades que devam existir no entorno desta cidade progressista e que aparenta oferecer um bem estar sistêmico a todos os seus habitantes.
O que na realidade, não é verdade, pois infelizmente, não existe um só lugar neste nosso país onde haja hegemonia em se tratando de bem estar em todos os níveis.
Todavia, por incrível que possa parecer, apesar de estar aqui, só consigo pensar na minha doce, bonita e apaixonante Itaparica, de águas calmas e mornas, do céu mais azul que conheci e do pôr do sol, simplesmente, fantástico.
Penso nas belezas que me atraíram, nas energias que me inspiram, mas principalmente, penso nas pessoas pelas quais me apaixonei, justamente pela inusitada espontaneidade que para a maioria que chega de fora pode até assustar, mas que para mim significou, sempre, um amparo e um alívio da hipocrisia com a qual eu vivera até então.
E pensando nisto tudo, sinto-me emocionada, pois enquanto escrevo, posso enxergar com os olhos da mente as infinitas situações já vividas nesses 12 anos, onde me foi oferecido espaço, carinho e respeito para que eu e minha família pudéssemos nos inserir, não como turistas ou veranistas, mas como habitantes participativos de uma vida cotidiana mais calma, menos agressiva e, certamente, bem mais gratificante.
E nessas andanças, que confesso terem sido muitas, subi ladeiras, escorreguei em picadas, derrapei nas lamas, tropecei em degraus, disfarcei lágrimas de incompreensão, recebi sorrisos francos e, com certeza, cheguei bem próximo de uma humanidade pessoal.
Humanidade que me fez refletir no quanto fui “arrogante de salão”, ilustrada através dos estudos e totalmente estúpida em relação as realidades.
Humanidade que me escancarou o senso crítico de uma forma jamais experimentada, pois arrancou, de uma só vez, a camuflagem sistêmica de me sentir magnânima, entendida nisto ou naquilo, mas sem nunca verdadeiramente além do acadêmico discurso chegar muito próximo, talvez prevendo uma realidade que, afinal, convenhamos não é nada agradável.
Falo e escrevo da fome do estômago, dos olhos vidrados e congestionados pelas inúmeras carências de uma estrutura orgânica. E falo e escrevo da miséria, que vai além da ausência do quase tudo, escrevo da miséria que anula a alma, transformando a criatura num zumbi vivencial sem quaisquer perspectivas existenciais.
Humanidade que me fez compreender miséria e pobreza, ter e não ter, querer e não poder, até o deixar de querer ou jamais cogitar querer, sepultando, indelevelmente, o seu direito em se sentir sendo.
Miséria do nunca ter tido e sequer se enxergando tendo e, muito menos, articular para quem sabe um dia, poder vir a ter.
Falo de mentes opacadas pela desesperança, escrevo da mazela do ter sido abandonado, penso na humanidade que nos falta e na alienação conveniente e burra que nos assola e nos empurra sistematicamente para o aprisionamento pessoal e sistêmico da nossa própria inconsequência social, produzindo com a nossa indiferença a cada dia, através de cada miserável que nasce, uma mazela a mais ao nosso conviver.
Então reclamar de quê?
Se o medo que nos assola e as grades com as quais nos cercamos foram por nós mesmos produzidas
Discursar, prometendo mais o quê, que já poderia ter sido feito e não o foi?
Penso, então, no Rio de Janeiro, no bairro elegante de Ipanema, reduto de intelectuais, políticos, banqueiros e artistas e penso nas favelas que  os rodeavam já naquele tempo e que eram, tão somente, locais residenciais dos empregados desta classe de privilegiados.
Favela era reduto de gente simples, trabalhadora, que curtia o belo e se empenhava em garantir seu sustento.
          Gente que preferia morar no “Morro”, justo por ser mais próximo de seus empregos e das delícias do mar, além de evitar as viagens intermináveis no trânsito e nos ônibus, lotações e bondes urbanos, que naquela época eram limusines se comparados aos de hoje, metrôs, vans e o escambal...
E nessa convivência entre o rico, o médio e o pobre existia a autonomia do querer e o fazer de cada um, com suas diferenças monetárias e intelectuais, suas habilidades e talentos, mas certamente faltavam as oportunidades educacionais formais para todos, todavia, sobrava educação doméstica para todos.
Estes fatos do dia a dia, ninguém me contou e tão pouco li em livros ou em pesquisas acadêmicas, eu os vivi como vivo hoje todo este horror perante aos céus, onde afirmam que “todos” estão tendo as mesmas oportunidades e onde o caos se instalou de forma nunca dantes visto.
Volto a escrever sobre a minha querida Itaparica e penso nas muitas e benditas ações sociais que se desenvolvem e penso que, infelizmente, me parecem apenas paliativos, para uma chaga que se agiganta, frente aos valores morais e éticos que se perderam, frente a ganância pelo poder que posso enxergar, mesmo que travestido de grandes promessas, mesmo camuflado em veementes discursos.
“VOZES D'ÁFRICA

Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? 
Em que mundo, em que estrela tu te escondes 
Embuçado nos céus? 
Há dois mil anos te mandei meu grito, 
Que embalde desde então corre o infinito... 
Onde estás, Senhor Deus?..”
Castro Alves, sempre muito atual, nos clamores daqueles que como eu e tantos mais, choram as mazelas deste mundo de meu Deus.
Regina Carvalho


quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

AH! SENHOR DEUS, POR QUE?


 Neste quase final de ano, cá estou eu, novamente pensando nesta raça humana na qual me enquadro e que, infelizmente, em momentos que se tornam constantes e na medida em que envelheço, mais e mais, vou adquirindo um profundo desalento, pois foge-me as perspectivas, por mais que eu as tente reter, pois os horizontes, apesar de existirem, se mostram recobertos das nuvens espessas da banalidade e do pouco caso, que ganham forma e força.
Ah! Meu Deus como eu gostaria de ter sido por todo o tempo uma alienada pessoal e social.
Ah! Como eu gostaria de tão somente estar aqui ou acolá, sem qualquer tipo de questionamento que fosse além de meu universo pessoal, como faz a maioria das criaturas humana.
Por que?
Por que meu Deus, deste-me a capacidade de pensar e traçar paralelos que me fazem enxergar mais de um ângulo de cada questão, seja ela qual for?
Por que deste-me tanta capacidade amorosa, se nada posso com este amor, algo universal, mudar?
Por que insistes em me fazer sentir esta poderosa esperança interior, enquanto, a lógica racional que insistes em manter em mim, afirma-me a cada instante, pouco valer, neste mundo das falsas ilusões e das passageiras emoções e onde nós, humanos egocêntricos e absolutamente idiotas, nos perdemos em nós mesmos e nas nossas infinitas limitações, deixando passar ao largo, a bendita vida que nos abriga.
AH! Senhor Deus dos desgraçados sonhadores...
AH! Senhor Deus de todos nós, por que insistes na crueldade de dar-me a capacidade de amar e de pensar ao mesmo tempo e por todo o tempo?
Por que fizeste-me mulher com as garras dos tigres e me colocastes em um deserto, onde ambos os predicados, em nada são úteis?
Por que fizeste-me uma mulher com a alma absurdamente apaixonada, tendo que competir com uma mente, incansavelmente racional?
Por que Senhor Deus, tornaste-me um ser permanentemente, contraditório?
Afinal, sempre fora do contexto, deste mundo de Meu Deus...
Desabafo, frente a imensa desesperança que sinto da maioria esmagadora dos políticos de meu país, pois perderam a vergonha, o respeito próprio e certamente, a humanidade, tudo sempre por uns trocados a mais.
AMANHÃ, será um novo dia!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

COMO PERDER?


Respiro fundo, fecho os olhos e sorrio, como não sorrir ao receber estas brisas maravilhosas que a natureza bendita me envia as 4.30 horas da manhã?
E se não bastassem os arrepios e os perfumes que adentram em mim, produzindo sensações inenarráveis, ainda essas preciosidades trazem consigo, seus pássaros sempre parceiros, cantando e encantando, esta minha alma apaixonada.
Como perder, tão belo espetáculo?
Nesta rotina de toda uma vida, mantive-me fiel a este, olá cotidiano, onde abraço a vida através de seus amanheceres, sem jamais ter me esquecido de senti-la profundamente, roubando despudoradamente para os meus pulmões, seus primeiros aromas, fazendo deles meu exclusivo elixir de força e de amor.
Que nesta terça-feira, possamos aspirar e nos inspirar na vida que existe em nós e sem pudores, medos ou timidez, tenhamos coragem para  abraça-la.
Afinal, só existe ela e nós...


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

DEPOIS do PSIU, VEM o POIS É...


 Depois de um domingo tranquilo, envolvida em melhorar meu estado físico de profunda exaustão por anos a fio de trabalho e inúmeras atividades ligadas a ele, além de família, estudo, social e etc. e tal, amanheço nesta segunda-feira, como sempre ao som dos meus pássaros que generosos e sistemáticos me brindam com seus sons delicados o que me leva a refletir sobre tudo que vivencio e que me parece relevante.
Longe de ser apenas um hábito, escrevo por que através de minhas expressões de linguagem, trabalho minhas relações cognitivas, abrindo espaço para um aperfeiçoamento postural interno e externo, além de rebobinar os filmes e deles extrair o desnecessário ou pensar à respeito de situações que de tão obvias, passam em sua maioria sem merecerem as suas devidas importâncias.
Desde garota e olha que isto é do tempo do onça, que venho me observando, assim como aos demais, no trato cotidiano da convivência e percebendo lacunas nas sequências comportamentais que deveriam seguir um padrão de lógica que, impedisse os desencontros banais, oriundos de palavras, gestos, silêncios e indiferenças que fazem toda a diferença nos relacionamentos.
Somos distraídos, atribulados, dotados de extrema paixão nas nossas emoções, mas muito frágeis em nossos sentimentos o que nos torna pessoas inseguras, instáveis e muito pouco confiáveis em se tratando de estabilidade pessoal.
Por que estou escrevendo sobre isto?
Talvez porque, isto, faz parte daquilo e juntos em uma somatória de muitos anos e infinitas horas, represente o grande processo destrutivo que sempre arruinou os relacionamentos humanos e que desde cedo, chamou minha atenção e que confesso até os dias atuais, ainda me surpreendem pelas suas formas camuflativas de se recriarem, o que continuam fazendo com que em dados momentos, eu me sinta muito tola.
Penso então no quanto deveríamos ser mais cuidadosos com nossas palavras e posturas, afinal, sempre existe um alguém ou algo muito sensível ao nosso lado, que sequer percebemos, tão ocupados que estamos com nossos projetos pessoais e até mesmo com o nosso sempre tão evidente egocentrismo.
Que neste novo amanhecer para todos nós, sejamos capazes de enxergar apenas um óbvio a nossa volta, sem menosprezar o corriqueiro, oferecendo um abraço à vida que, afinal, parece óbvia, mas não é.
Inspirei-me em uma postagem que dizia:

DEPOIS QUE O LEITE AZEDOU, NÂO ADIANTA FERVÊ-LO.