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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

NUNCA AOS DOMINGOS

A luz se foi mais uma vez, fato rotineiro aqui em Itaparica. Geralmente, apenas por alguns minutos, mas normalmente quando estou no meio de algo extremamente importante. Penso então neste instante que a importância deva ser absolutamente fruto do não querer deixar algo sem terminar ou apenas aquela aporrinhação que nos habituamos em sentir quando somos interrompidos de alguma forma. Sei lá... O fato é que fui interrompida e me sinto totalmente idiota, aqui sentada, esperando a luz voltar e tentando passar o tempo, analisando meus sentimentos em relação às minhas reações frente a impossibilidade de  dar continuidade ao que estava fazendo, que, pensando melhor, nem era assim tão importante. Que coisa, hein? Será que o fato de ser domingo, sem qualquer compromisso, na realidade   me entedia?  Então, busco chifre em cabeça de cavalo, relevando um fato simples de falta de luz, quando lá fora o sol brilha e sua luminosidade clareia cada cômodo de minha casa. Será que estou fugindo da constatação…

LEMBRANÇAS

As seriguelas, como pingentes coloridos e naturais, enfeitam e dão cor de verão ao meu jardim, fazendo-me cobiçá-las, enquanto surpreendo-me com a rapidez com que amadurecem.
E pensar que não conhecia estas delícias até vir viver no nordeste. Ainda me lembro de quando as vi pela primeira vez e do meu temor em comê-las sem antes perguntar se podia à minha vizinha Reina.
De lá para cá, a cada ano, acompanho saboreando esta frutinha doce que ao lado das minhas amoras se alternam no oferecimento de colorido e sabores.
Não sei bem por que, ao olhar para elas, penso em minha Guapimirim, que deixei lá na minha infância, mas que teimosa me acompanha nas lembranças até hoje.
Guapi da cachoeira, das árvores frondosas, das jacas maduras e perfumadas, das samambaias gigantes, das piabinhas ariscas, dos pássaros cantadores, do cheiro de terra úmida e do céu claro, repleto de mil estrelas, que certamente iluminou minhas noites, minha alma, minha existência.
Pensando em Guapi, revejo- a em minha Itaparic…

MINHA DIVA...

Amanheci tendo como privilégio as maravilhas do “Bom Dia” especial que a natureza generosa me ofereceu e, como de costume, abri meus e-mails e lá estava um texto que me foi enviado pela querida amiga, Eloysa Cabral. A crônica se referia aos índios e ao descobrimento do Brasil e apesar de ser muito interessante, tornou-se fantástica, justo por ter sido escrita por uma criatura que foi a minha primeira grande inspiração, afinal, Sandra Cavalcanti, simbolizou em minha infância e adolescência, tudo quanto eu gostaria de um dia me tornar. E aí, voei para a minha juventude e, sorridente, relembrei o meu sempre encantamento em todas as ocasiões em que tive a oportunidade de ouvir esta senhora, nos seus sempre improvisados discursos, que enervavam seus adversários, mas com certeza enriqueciam  e encantavam a mim. Lembro-me com imensa nitidez do prazer que eu sentia ao ouvi-la discursar, meus olhos brilhavam de emoção e minha mente devorava cada palavra, cada argumentação, reforçando a minha dete…

Primeira Imagem

Não importa em qual das duas janelas eu dirija os meus olhos para fora, lá está ela: esplendorosamente rosa, solitariamente esguia a sustentar suas inúmeras pétalas em um aparente frágil caule, e nem mesmo o balançar constante dos ventos vindos do mar a faz tombar ou é capaz de abalar sua grandeza. Ela desabrochou agora a pouco ou talvez pela madrugada, não sei bem, pois tudo que sei é que sua majestosa imagem é a primeira que enxergo, neste abrir de janela, no bom dia de meu cotidiano. Mas se os ventos a balançam, certamente também trazem até onde estou seu perfume que me envolve, fazendo minha mente rodopiar e meus olhos sempre atentos acompanham o bailado que se produz, sendo naturalmente adicionado ao processo, os sons dos pássaros, os cicios das folhas das árvores e mais ao fundo o farfalhar dos coqueiros, sendo interrompidos neste momento, pelos latidos de meus fiéis cães, cansados que estão de esperar pelo abrir da porta, afinal, também eles, querem me saudar. Que recepção!!!!

DOS OLHOS SEUS...

O dia está  começando o seu processo de posse em relação à noite, e cá estou eu, novamente a postos em pura observação e ao mesmo tempo esperteza em sugar as seivas de um novo despertar que trás consigo as vibrações de que tanto necessito, a fim de fortalecer mais e mais, os laços afetivos com a vida e com o tudo mais que dela se ressalta.             Ao longe fico observando o canto dos sabiás, que como se fossem guias, vem trazendo consigo uma infinidade de parceiros que abusadamente em coro, vem adentrando nos jardins com seus sons, muitas vezes em algazarra, acordando os mais sensíveis aos movimentos do universo.             Não mais que alguns segundos se passam e já posso ver os primeiros rasgos de luz, fazendo-me lembrar de que são como puras sedas esgarçando-se, abrindo espaço ao sol abusado que mesmo fraquinho a estas horas, insiste e abre passagem para através das fendas que se formam nos céus chegar às copas das frondosas mangueiras que circundam o meu jardim.    …
MENSAGEM             Sentada frente ao mar  com os olhos bailando por tamanha beleza e estando cercada de inúmeras outras criaturas que, como eu, também são aficcionadas nas grandezas desta natureza primorosa, coloco-me a pensar na solidão do exclusivismo de meus neurônios, no quanto o ser humano é capaz de compreender algumas belezas e, simplesmente,  desconsiderar a maior de todas, que é o próprio ser humano no qual representa.             Incrível! Ainda em silêncio, desvio o olhar e vou, então, focá-los em uma por uma, observando seus traços fisionômicos, o tom de suas vozes, a ligeireza de seus racionais, os contornos de seus corpos nas diferentes etapas cronológicas, alí tão expressivamente representado e, lentamente, alterno o olhar em cada criatura e em seguida no mar, como se alternasse goles de vinho diferenciados e para poder senti-los sem confusões, bebesse água pura para lavar o paladar, que neste caso é o mental.             Vez por outra, respiro fundo, ensaio em piscar ma…