quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

FIM DE ANO


Pois é, o ano está terminando e eu ainda estou viva! Isto é maravilhoso, dada a realidade de que eu não sei o que existe lá do outro lado, que até pode ser fantástico como retratam os religiosos, mas, pelo sim pelo não, prefiro ir ficando por aqui, pois o terreno e o cheiro da merda já me são conhecidos, assim como os perfumes e todas as benécias que estar vivendo proporciona.


Este foi mais um ano extremamente gratificante, pois tive o privilégio de vivê-lo intensamente, levando em conta o número de novas pessoas com as quais pude conviver em minhas atividades, ampliando significativamente meu leque de conhecimento e entendimento sobre as pessoas, o que no meu caso particular é fundamental, pois para escrever, sejam as crônicas para o jornal ou para os livros, preciso sempre de subsídios reais, palpáveis, visto que sou antes de tudo uma atenta pesquisadora das posturas humanas.


Neste final de ano, meu aprendizado foi maior, porque centrei minhas atenções em mim mesma, mais do que o fiz por toda a minha vida e, é claro, não foi fácil reconhecer o quanto de pouco ainda sei destes “serzinhos” maravilhosos e aterradores, que chamamos de gente humana. A complexidade sempre criativa a novos aspectos, garante o desconhecimento milenar na área das ciências psicológicas, ficando sempre em aberto a outras possíveis designações patológicas, todo e qualquer diagnóstico que se considere sério, deixando-se sempre uma margem a também possíveis outros aspectos ainda não detectados nas avaliações.


Ah!… cá estou eu novamente adentrando em áreas de difícil acesso, cujo interesse das pessoas só ocorre quando, de repente, se veem em situações das quais não conseguem driblar, como o fazem por todo o tempo em relação a tudo o mais.


Pois é…, nos dias atuais de amizades e amores virtuais, o toque, o cheiro, a sensibilidade têm se afastado do convívio humano, e aí, penso em como será daqui a pouco, digo, cinco a dez anos, se hoje já está tão difícil em certas ocasiões interagir sem sentir a presença da banalidade e da individualidade serpenteando as nossas relações em qualquer nível em que nos encontremos.


É claro que compreendo que são e sempre serão novos tempos, mas a pergunta que faço a mim mesma a todo instante é se nós, criaturas humanas, seremos capazes de continuar nos diferenciando dos demais elementos, justo porque possuimos uma mente racional, e se esta poderá ser considerada humana sem que nela resida a sensibilidade afetiva, garantindo a razão saudável a mente ou nos tornaremos selvagens racionais, com emoções instintivas nos assemelhando a tigres e leões..


Por outro lado, somos tão inteligentes que poderemos, certamente, desenvolver novas capacidades sensitivas, mas até que isto ocorra e se prolifere, tornando-se hábito inerente às pessoas humanas, como sobreviverá a humanidade?


Quanta solidão será vivenciada?


Quantas novas síndromes surgirão, atrasando ainda mais as ciências psicológicas e, consequentemente, a busca do equilíbrio das emoções?


Ou, talvez, que também pelo caminho do faz de conta será o futuro das ciências psicológicas, sociológicas e todas as ógicas que envolvam o ser humano?


Reconheço que sequer posso arriscar um palpite, preferindo ficar, como estou agora neste instante de vida plena, apenas exercitando o meu direito sagrado em ser alguém que ainda gosta de um abraço apertado, ah!, de um beijo carinhoso e de um olhar fraternal, e muito feliz pois ainda encontro quem me queira oferecer toda esta maravilha que nós, pequenos seres notáveis, desenvolvemos ao longo de nossa história universal.


Particularmente, tenho a impressão que seremos definitivamente frutos de árvores produzidas em laboratórios publicitários, agindo e pensando tão somente de acordo com o mercado consumidor.


Bem, até lá eu já morri, estarei longe de tudo isto!


Sei lá… de repente, morrer é tão somente mudar de forma corporal, vai que eu volte uma árvore de cidade grande ou um jacaré de cativeiro, ou até mesmo outra mortal qualquer.


Não ter o que fazer neste amanhecer de fim de ano, dá nisto!!!!!!!!!


E é com o espírito de um ser humano muito grato por estar vivo, cercado de amor, que eu desejo a todos que, de alguma forma, dividiram instantes comigo, um 2010 repleto de intenções amorosas uns com os outros.


Beijos, Regina.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

APENAS PIPAS COLORIDAS

No dia 24 de setembro de 2009, descrevi através de uma crônica toda a emoção que senti ao longo de seis horas em que eu estive de pé, na maior parte do tempo, aplaudindo a cada vereador que erguia sua voz contra o abandono em que Itaparica foi exposta no decorrer dos meses anteriores, por parte de uma gestão que se mostrou sem qualquer compromisso maior com o povo, que no mínimo o elegeu.
Hoje, quase três meses depois, volto a me emocionar, chegando a pensar que, de desgosto, teria um infarto ao constatar sem dó e sem piedade que sou uma abestalhada contumaz, absolutamente fora de uma realidade sistêmica onde certamente não há lugar, a não ser para ser usada, ou como boi de piranha ou como inocente útil, em um contexto que chamam de política, mas que na realidade é o resultado amargo e cruel da educação e do respeito cidadão que foram se perdendo ao longo dos anos, onde a banalidade se instalou, formando a morada da falta de respeito público, sob os auspícios de um judiciário no mínimo omisso, amparados por um povo inerte pelo desconhecimento de seus direitos e acomodado demais aos seus próprios interesses, perdendo, então, o foco da avaliação do custo benefício de sua alienação também contumaz.
Confesso que senti orgulho de estar presente na casa da cidadania em tão inesperada e surpreendente postura legislativa, após décadas de um ostracismo histórico, ficando cega à minha própria experiência pessoal de, também em décadas, jamais ter visto cobra voar, a não ser através de PIPAS coloridas enfeitando os céus.

imagem: utilidadespublicas.files.wordpress.com

Que pena meu Deus !
E pensar que poderia tanto ser feito em prol de nossa cidade e deste povo tão bonito e necessitado de atenção.

E aí, penso neste momento de grande desilusão, no tudo que estamos perdendo, no nada que poucos estão ganhando se comparado ao inferno que todos nós estamos semeando, quando permitimos que se destrua o presente e as pespectivas de um futuro de crianças e adolescentes, tendo como adversários as drogas e a violência que, atreladas, já mostram também sem dó ou piedade à que vieram.
Volto a lembrar daqueles não menos abestalhados, como eu, que por idealismo em crer ser possível resgatar dias melhores para o nosso país, tombaram para nada na ponta das baionetas, na fúria da ganância, no egoísmo da ignorância.
Que os recursos das obras tão necessárias à cidade que não serão feitas, ao menos sirva para comprar mais grades pra proteger nossos ilustres políticos em suas novas aquisições, dos bandidos que ora ajudam a formar com suas posturas de conveniência individual.

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Natal que poucos sentem


Faltam apenas sete dias para o Natal e não consegui enxergar um só detalhe por toda a cidade que possa lembrar tão significativa data.

E ainda dizem, os políticos é claro, que se importam com a preservação das culturas. É preciso paciência para conviver com esses senhores, que insistem em nos fazer de bobos, e o pior que é assim que nos comportamos.

Naturalmente existirão mil justificativas a nosso favor em assim proceder e eles, muito espertos, baseiam-se exatamente em cada uma delas para deixar morrer cada detalhe que, mesmo que aparentemente pouco represente, certamente em se tratando da formação estrutural das personalidades, é de fundamental importância.

Pouco a pouco ao longo das últimas décadas, todas as máscaras foram sendo tiradas, assim como cada simbolo que nos fazia pensar no quanto era bom ter com que sonhar. Porque natal é sonho, é fé, é a lembrança do ato de uma fraternidade que, mesmo sem querer, deixamos muitas vezes perdida em meio às correrias e dificuldadesde no nosso dia-a-dia.

Natal deveria ser um encontro com o amor, carinho e até mesmo com o respeito de se ter, por alguns momentos, tolerância uns com os outros.

Natal, deveria acontecer a cada amanhecer, juntinho com o novo clarear, reforçando os sentimentos, aliviando tensões, abrindo espaço nos sentidos das criaturas para que elas pudessem perceber melhor toda a grandeza de suas próprias vidas.

Natal, poderia ser traduzido pelo olhar em harmonia, se houvesse nas criaturas a certeza do entendimento de que recebemos exatamente o que oferecemos aos demais. Afinal, viver é tão somente uma interação energética que se reflete no que representamos em posturas físicas e emocionais por todo o tempo.

Entretanto, como dos políticos nada recebemos, além de profundas frustrações, vamos tocando a vida, arrastando o peso de nem mesmo podermos sonhar com um Natal menos decepcionante. Todavia, ainda resta o vinho, o perú ou chester para alguns. Os demais, diretamente atingidos pelo abandono natalino de cada amanhecer, resta a certeza absoluta de que PAPAI NOEL é tão somente uma historia que se transformou em mais um folcolore, alimentado a cada ano pelo comércio das grandes capitais ou onde a Igreja ainda se faz presente.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DALILA


Garota pequena, magrinha, com o corpo ainda em evidente formação, surpreendeu-me pela capacidade em articular idéias e expô-las a esta velha senhora que teve o prazer de sentar-se a seu lado no espaço cultural Jangada Club, no dia da apresentação do projeto ESCOLA EM CENA.

Durante um papo descontraído, a jovem filósofa diz que vai estudar medicina, principalmente por que deseja ser uma médica só para cuidar dos doentes de sua cidade, pois está cansada de ver os médicos do Hospital Geral de Itaparica, não se importarem com as pessoas sentindo dores e ficarem conversando, fazendo-os ter de esperar para serem atendidos.

E ela disse:

- Vou fazer diferente, quero defender esse povo que sofre. Quero ser igual ao Dr. Alfredo, este sim, se importa com as pessoas e suas dores.

E há quem diga que criança não registra tudo que ouve, enxerga ou sente. Por isto e muito mais é que não desisto de pedir urgência na educação, pois as mentes brilhantes estão aí, aqui, por todos os lados, esperando um toque de compromisso responsável dos gestores e da dedicação amorosa dos educadores. No dia em que educar as crianças se tornar prioridade, certamente estar-se-á iniciando uma nova era, onde a droga e a violência encontrarão adversário forte e resistente.

Pena que não a fotografei, mas a terei na memória e através deste comentário a eternizo como um símbolo de uma juventude saudável, que aguarda ansiosa e repleta de luzes individuais o respeito de todos nós.

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ESCOLA EM CENA


Há muitos anos, venho dedicando-me a escrever sobre a educação no Brasil, quase que como um grito de socorro pela inércia que fui constatando através de péssimos indices de aproveitamento, principalmente como os apresentados aqui na região nordeste, especialmente aqui na Bahia, que participar de uma iniciativa como a que estive presente no último dia 11 de dezembro de 2009, é mais que uma satisfação, pois é a certeza de que valeu por todo o tempo manter-me fiel a esta luta de resgate da paixão pela sagrada missão de ensinar educando.

A iniciativa de professores em criar o projeto “Escola em Cena”, é sem dúvidas um presente não só às crianças e adolescentes de Itaparica, como a todo aquele que espera de um mestre a grandeza de suas reais possibilidades empreendedoras em levar à escola toda a sabedoria da criatividade humana, através das artes cênicas, expressão completa do homem no convívio social em suas inúmeras caracterizações adaptativas ao sistema, de forma sutil, mas positivamente efetiva nas mentes em formação.

Em termos psicológicos sociais, o projeto é de relevante valor pela integração e interação que promove entre a criança e os demais, assim como a criança e a escola como um todo, levando-a a enxergar-se como um ser capaz de se auto identificar e, consequentemente, a identificar os demais, no que se inclui o universo que passa a ser para ela uma parte de si mesma.

O projeto foi pensado pelo artista plástico e arte-educador Railson Oliveira, docente do nível fundamental 2, elaborado com a parceria da docente Elisabete Melo, do nível fundamental 1 e colaboração da docente Maria de Fátima Sales, de Língua Portuguesa, os quais atuam nas escolas José Fernando Montenegro Figueiredo e Desenbargador Anonio Oliveira Martins, situadas entre as localidades de Manguinhos e Amoreiras, em Itaparica.

O espaço Sócio Cultural Clube Jangada, criado e mantido pelo vereador NIXON, local aberto à comunidade e ponto de apoio aos jovens da localidade de Amoreiras, sediou este maravilhoso evento que espero que tenha sido o primeiro de inúmeros outros, visando integrar os nossos jovens à uma escola mais saudável e produtiva.

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CONFRATERNIZAÇÃO DO FÓRUM DAS ONGS


O Fórum das Ongs de Itaparica, na pessoa de sua presidente, Sra. Belisaura Freire, a nossa sempre querida e atuante DONA BELA, reuniu na noite de sexta-feira, dia 11 de dezembro, nos jardins da Biblioteca Juracy Magalhães Júnior, em Itaparica, as presidentes e membros das ongs da cidade, além de amigos que apoiam as iniciativas sociais desenvolvidas por todo o tempo em absoluto bendito anonimato.

Na ocasião, em meio ao som de músicas suaves e românticas, foram sorteados brindes aos presentes, além de serem agraciados com a belíssima voz da sra. Micheli, mãe do amigo François, que sempre está presente nas iniciativas culturais de apoio aos jovens carentes de nossa cidade.

Na ocasião registramos também a presença de OMARA, FÁTIMA SARMENTO, CARLINHO DA PESCA, DALVA TAVARES, ANNA PAULA CARVALHO, Dr. VITAL – EX-PREF. DE ITAPARICA, VEREADOR VELOSO, JORGINA, ANTONIA, DINALVA- PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO ESTELA MARIS, IURI- MEMBRO DA ASSOCIAÇÃO DOS COMERCIANTES DA ORLA DE PONTA DE AREIA , membros da ASSABITA e da ASSOCIAÇÃO MARIA FELIPA e muitos mais.

Parabéns, portanto, à sra.Bela, por mais esta iniciativa.

O Natal está chegando


Faltam 11 dias para o Natal, mais um ano que chega ao fim e eu, é claro, como todo mundo, estou animadíssima, já pensando se asso um Peru, Chester ou “aquele pernil”.

Todo mundo? Olha só que generalização alienada! Quem dera que assim fosse em cada local deste mundo de meu Deus. Entretanto, a realidade é bem diferente, pois o número daqueles que estão fora desta possibilidade gastronômica é assustador, levando-me, então, a pensar que o Deus no qual me apoio, e que creio ser o responsável pela minha permanente fartura, certamente não é o mesmo que permite a fome e a miséria.

Afinal, por que o faria?

Qual a explicação possível de ser considerada com bom senso?

Em cada seita ou religião, certamente existe uma argumentação, impossível de ser contestada, mas como sou teimosa e não me convenço facilmente, ainda não pude aceitar nenhuma delas, porque simplesmente se o fizesse, teria também em crer que já nascemos com nossos destinos traçados, e aí, bem… tudo passaria a ser pré- determinado e eu certamente ficaria desestimulada, perdendo rapidamente a capacidade em crer em mim mesma e na minha potencialidade pessoal em ser e ter o que desejo, amparada por um Deus generoso.

Por outro lado, também reconheço que existem situações onde o ser humano nada pode fazer, além de aceitar o seu destino cruel e aí, novamente, penso no Deus que lhes acompanha e certamente em nada pode ser comparado ao meu que por toda a minha vida sempre esteve ao meu lado, oferendo-me oportunidades, dando aquele jeitinho quando piso na bola e faço besteiras ou apenas premiando-me frente a todos os meus esforços. Isso, sem esquecer que já nasci com tudo que alguém precisa para se sentir filho de Deus, e aí, pergunto-me se de verdade somos todos filhos desse Deus, se ao nascermos já somos designados para esta ou aquela condição, seja de fartura ou miséria.

O que determinou no mundo espiritual a minha origem? Sou fruto de um acaso genético, enquadrado em um status sistêmico ou fui uma escolhida pelo meu Deus para vir a esta vida apenas para senti-la no que existe nela de melhor? Se assim foi, quais os critérios utilizados pelo meu Deus para escolher-me?

Se por outro lado sou um acaso genético, então posso deduzir que nada, nem mesmo Deus, interfere, ficando os louros de minha vida farturenta às custas da pura sorte, como se eu fosse tão somente o resultado de uma partida de Black Jak, onde as cartas de mamãe e papai quebrassem a banca das probabilidades. Que coisa, heim?

Estes questionamentos e comparações absolutamente primários e blasfêmicos, são resultados de uma vida de incompeensões, frente à míséria que, teimosa, assola o mundo e me cerca por todo o tempo, levando-me a crer em muitos momentos, quando penso ou com ela convivo, que este meu Deus que tanto me adula, sabe ser duro e se tornar indiferente a tantos outros.

Penso então em Castro Alves ao escrever: - Senhor Deus dos desgraçados, dizei-me senhor Deus se é verdade ou mentira, tanto horror perante os céus!

O Natal, mais uma vez está chegando, sem conseguir apagar a dor do abandono social que meus olhos enxergam e que minha fé, traduzida em palavras de socorro, jamais conseguiram ser ouvidas por todos aqueles que dispõem dos recursos e dos poderes para aplacá-la, nem mesmo este Deus que para mim sempre foi presente e generoso.

O que de bom fiz eu para merece-lo por todo o tempo e o que de mal fizerem outros, que sequer são reconhecidos por ele como seres à sua semelhança, merecedores por serem no mínimo resistentes, de sua luz e de suas bençãos?

Perdão, ó MEU DEUS!, se não sou ainda capaz de conviver com a miséria sem questionar-te nos teus valores avaliativos.

Perdão, ó MEU DEUS! por ser tão pouco capaz diante de tantas bençãos de ti recebidas e por ainda não ser capaz de fechar, como tu, os olhos e os sentidos frente a dor da fome e da miséria que assola a uma parte da humanidade, que provavelmente, assim como eu, crê em ti, sem, no entanto, deixar de questionar os teus métodos, que no mínimo só um Deus pode entender ou talvez uma fé cega, que tão somente sirva de bengala à incompreensão diante de teus critérios.

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sábado, 12 de dezembro de 2009

SONO. Descanso Bendito

imagem: saudedofuturo.files.wordpress.com

Venho constatando há muito tempo em conversas, em sua maioria informais, que as pessoas não estão dormindo ou tendo sonos picados, que as deixam com a sensação de cansaço, irritabilidade e muita lentidão, tanto física como mental.

Penso, então, que as alterações posturais que vieram se desenvolvendo nos últimos cinquenta anos, são resultados desta síndrome em dormir mal, que por sua vez é resultante de uma busca de adaptabilidade que a criatura humana vem empreendendo frente as variantes científicas e tecnológicas, que cada vez mais rápidas se apresentam, induzindo assim mudanças substanciais nos conceitos até então recebidos.

Os padrões se modificam sem qualquer aviso prévio, obrigando a criatura a permanecer por todo o tempo correndo atrás de algo e fazendo-a crer que o não conseguir significará o fim de sua vida social, ou melhor dizendo, se tornará um fracasso dentro do sistema e consequentemente será excluída e permanecerá à margem desse mesmo sistema no qual está se desdobrando em permanecer.

Creio que esta é uma crueldade sem limites a que o homen se impõe e que o está destruindo, tirando dele de imediato o senso avaliativo de si mesmo e da vida, reduzindo-o a se tornar um buscador ao mesmo tempo de tudo e de nada, pois quanto mais busca e encontra, mais se sente carente, sozinho e incompreensivelmente só.

É lógico, desse modo, que diante de uma corrida louca e sem critérios o descanso seja afetado, pois a mente é por todo o tempo levada a crer que não pode parar, tendo um físico aliciado concomitantemente, através da falta de disciplina, principalmente quanto aos horários de alimentação, a permanecerem em permanente descompasso com suas necessidades. Nesta inadequação aparentemente ajustada as necessidades sistêmicas, a criatura desperdiça todas as suas energias de forma descompassada e sem lógica à sua real natureza, afrontando-a por todo o tempo, assim quando dá a mente o comando do descanso, ela simplesmente não identifica a mensagem, pois precisaria do encaminhamento dos sentidos, que a esta altura se embaralham na profusão de informações recebidas ao longo do dia, somando-se a isto, os dias, meses e anos cujas posturas foram as mesmas, em um ciclo danoso ao contexto estrutural da criatura e do meio social no qual ela se encontra inserida.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Disciplina

imagem: www.nato.int

Existem profissões que necessariamente precisam que atreladas a elas esteja o DOM, ingrediente básico que direciona a criatura ao talento, entretanto, em qualquer profissão, com ou sem dom, o talento pode ser desenvolvido se houver dedicação, pois é sabido que somos um enorme e poderoso manancial de potencialidade.

Creio que o DOM, nada mais é que uma profunda afinidade nata que, por ser expontânea, dispensa cursos, faculdades ou grandes aprendizados para o seu despertar.Todavia, este recurso, assim como cada um de nós, é diferenciado e, portanto, único, precisando que o adaptemos à nossa natureza exclusiva para que ao longo de um esforço cotidiano se confunda com o nosso todo de pessoa completa, ao ponto de não ser possível separar o DOM de quem o tem.

E a isso, chamo disciplina, que se bem aplicada resulta em grandes realizações, que a todos é capaz de seduzir em sua capacidade produtiva, assim como na naturalidade em que se apresenta, no entanto, sem revelar, senão aos mais íntimos, todo o esforço cotidiano que ao aperfeiçoamento foi empregado.

Não existe milagre agregado ao DOM, afinal ele por si só já o é, precisando tão somente em muitas ocasiões ser despertado pela ou na criatura, e é neste único momento que é possível interferência externa, pois, uma vez despertado, o DOM adquire vida própria, e se expressa à criatura que o possui, diferenciando-a das demais e oferecendo-a um mar infinito de possibilidades, mas exigindo dela o esforço contínuo da busca do aprimoramento.

E aí, somos em nossas existências agraciados com a felicidade de podermos enxergar, ouvir e sentir os grandes Dons que nos são oferecidos por fantásticas criaturas que espalham pela vida suas grandezas e seus exercícios diários de burilamento em uma disciplina feroz em busca de um crescimento que faz de seus DONS um enorme talento.

Portanto, não há talento que resista a falta de disciplina em exercitar por todo o tempo aquele DOM, em um desenvolvimento constante que pode até parecer monótono e sem brilho, mas que inevitavelmente resulta em gotas de esforço amoroso, que, independente de onde venha, é sempre uma benção para quem o recebe.

Bendito pois, os DONS disciplinados de quem os tem nas artes, ciências ou tecnologias abastecendo de luzes e nuances o nosso dia-a-dia.

Moleca Feliz

imagem: vinteetresetrinta.files.wordpress.com

O ruim do calor, para mim que não gosta de dormir com ar condicionado, é justo acordar pela manhã molhada, com a pele oleosa e com a sensação de estar suja. Corro para o chuveiro e pouco depois novamente a mesma impressão, e o jeito é me acostumar, tocando a vida pra frente, sentindo a nuca molhada, os seios úmidos, o corpo pesado e muita preguiça .

Saio para trabalhar, por que ainda não encontrei outra forma de trocar a obrigação pela devoção de permanecer na praia, curtindo aquela água meio morna, aquele coco gelado e o não fazer nada que, cá prá nós, é fantástico, principalmente se a ela for adicionado uma pitada de molecagem e outra de irresponsabilidade de estar matando o trabalho.

Creio que são estes momentos safados e egoístas, onde só pensamos em nós mesmos e que o mundo se exploda, que nos fazem mais alegres, menos amargos e absolutamente responsáveis diante de um dia-a-dia que pode ser muito tedioso em tempos de fim de ano, repleto de muito calor, como o que está fazendo agora.

Pensando bem, convenci a mim mesma de que hoje é o meu dia de molecagem, e que se dane então o mundo, pois eu vou mesmo é para a praia, curtir este calor, banhando-me em minhas águas benditas desta Ponta de Areia, que um certo Deus reservou para mim.

Portanto, sugiro que façam o mesmo, que busquem o foco encantado que escondidinho é ambicionado pelo desejo sufocado de pelo menos, vez por outra, fugir da rotina no seu direito sagrado de ser uma moleca feliz.

Falando de mim

Hoje é domingo e estou junto ao meu notebook, pensando que por toda a minha vida escrevi sobre tudo que enxerguei, ouvi ou senti, escrevi até mesmo pelo que percebi camuflado nas posturas das pessoas conhecidas minhas ou não, abusei de meu direito em entender as emoções que mapeiam os sentimentos e comportamentos de todos nós e não consigo escrever sobre mim mesma, sequer consigo delinear um pequeno perfil, pois em todas as vezes que tento, como agora, vejo-me apenas como uma pessoa comum, sem qualquer atrativo que leve alguém a se interessar e muito menos que queira ler sobre mim.

Á primeira vista, tudo que acabei de escrever pode parecer um reflexo nítido de uma autodepreciação, insegurança pessoal ou coisa que o valha, diriam os mestres da psicologia, mas isto não é real, crendo eu apenas se tratar de uma conscientização pessoal, após anos e anos de pesquisas de que por todo o tempo descrevi aspectos de minhas estruturas físicas, biológicas e emocionais através de cada estudo que desenvolvi a partir de observações nas quais me dediquei em relação à criatura humana e sua total ignorância em relação à vida que nela reside.

A universidade de psicologia, ou das ciências humanas que cursei, foi a vida no seu cotidiano com extrema observância, e meus mestres PHDs, certamente foram as criaturas humanas com as quais pude ter o privilégio de conviver. Elas me ensinaram a cada instante todos os meandros de suas personalidades e claramente fui aprendendo a reconhecer os caminhos de formação das mesmas e, consequentemente, fui delineando os prós e os contras em suas formações genéticas emocionais, reponsáveis direto pelas suas inadequações frente às suas realidades de criaturas aparentemente únicas em se tratando da absorção de subsídios formadores do emocional, que, aí sim, se torna único no processamento interno e na expressabilidade externa.

Existem muitos mistérios ainda em torno da vida como um todo e minha curiosidade direcionou-me para o emocional, que afinal, ao meu ver, é que determina a criatura humana o seu posicionamento em relação a si mesma e ao todo no qual se encontra inserida, e em um todo universal com o qual ela não se enxerga inserida.

Creio que na busca do entendimento da razão de estar vivendo fui me vendo inserida neste todo fantástico, mesmo reconhecendo a cada instante a possibilidade da existência de muito mais que minha mente, em permanente aprendizado, não era e ainda não é capaz de assimilar, mas que permitiu ampliar meu campo de reconhecimento o suficiente para que eu ousasse comparar-me com as demais criaturas, fossem humanas ou não, fazendo com que eu desenvolvesse a capacidade em buscar os nutrientes formadores de mim mesma.

Portanto, todo o meu conhecimento advém da vida em permanente mutação, não havendo qualquer influência acadêmica, mas surpreendentemente com vários pontos em comum. E aí, falar o que de mim, se tudo que sou ou represento se encontra em cada palavra que escrevi ao longo de minha vida.

Ferida aberta


O carro parece ter vida própria, levando-me pelas ruas nem sempre com seus calçamentos adequados, nem sempre devidamente limpa, oferecendo-me uma sensação de abandono que faz doer meus sentimentos amorosos por esta terra linda que me recebeu com respeito e carinho.

Olho ao redor por onde passo e não consigo enxergar qualquer traço de cuidados que ela deveria estar recebendo e, por conseguinte, falta-lhe brilho e dinamismo. Tudo me parece parado, inerte. Olho para algumas pessoas tomando sorvete na praça da quitanda e não percebo qualquer traço de alegria, afinal a tarde esta ensolarada e o mar à frente reluz em sua grandeza.

A cada esquina o lixo se amontoa e os únicos que parecem se importar são os cães, que o revira pasmacentamente, espalhando-o aos olhos de qualquer um. Os jardins estão ressequidos, as gramas amareladas, expostos a um calor que já sufoca neste final de ano sem pespectivas. Nada faz lembrar um Natal tão próximo e tudo me faz pensar que deveria ser diferente.

Fecho então os olhos e imagino as praças repletas das cores das plantas e flores e do brilho das pessoas interagindo umas com as outras à céu aberto, compartilhando suas emoções. Penso no quanto seria maravilhoso poder usufruir das árvores, se bem podadas, dos postes iluminados, das ruas limpas e todas calçadas. Penso no quanto seria maravilhoso que a fome, que ainda existe, fosse saciada, assim como o amor de cada legislador fosse despertado juntamente com a cidadania de cada um de nós .

Pergunto-me, então, o por que de tanta alienação e só encontro explicação no comodismo que nos assola e na cegueira que nos envolve, mantendo-nos fiéis a um atrazo já histórico e a um ostracismo simbiótico, sem pé nem cabeça, que mantém viva a chaga da miséria, alicerçando a violência, a ignorância e o pouco caso.

Que pena meu Deus !

Ausência


Aonde estão as jovens mulheres que raramente encontro, seja lá onde eu for convidada?

Aquela meninas na faixa dos vinte e poucos anos?

Incrível!… parece que todas estão sempre muito ocupadas ou sei lá o quê. O que sei é o que vejo e o que vejo por onde ando são as mulheres mais maduras sempre muito ativas e participantes. As jovens, quando aparecem, geralmente é por que fazem parte de algum quadro funcional da prefeitura ou estado e, portanto, estão presentes pela força de suas funções profissionais e não puramente por estarem interessadas neste ou naquele assunto de sua cidade ou comunidade.

Só nesta semana, compareci a três eventos, absolutamente diferentes em suas proposições, e novamente pude observar a total ausência das “moçoilas”, e isto me chamou a atenção mais uma vez, por onde, afinal, andam as nossas lindas, que são muitas, por que as vejo por todo o tempo, enquanto circulo pela cidade ou simplesmente enquanto sentada à porta de minha loja observo aqueles que passam. É, eu ainda tenho tempo de deixar o tempo correr e nada fazer em meio a tantos compromissos e responsabilidades, e é por esta razão que não entendo o que tanto fazem nossas jovens, que não são vistas participando de absolutamente nada que diz respeito a sociedade civil.

São estudantes aplicadas, garupeiras fanáticas, trabalhadoras responsáveis, jovens mães dedicadas, preguiçosas contumazes, enfim, sejam lá o que desejem ou precisem ser, sempre é possível fazer sobrar um tempinho para se sentirem um pouco cidadãs, e é neste aspecto que tenho sentido falta ao não enxergar as jovens, seja nas platéias ou nos palanques.

Será que esta participação que sempre em outros tempos foi tão efetiva, também passou a ser considerada um MICO?

E se assim for, o que será daqui a alguns anos, quando nós as velhas ou, digamos, mais maduras senhoras, já não pudermos estar tão ativamente participantes?

Ficarão os homens literalmente sozinhos no comando em um retrocesso na história que abrigou guerreiras mulheres em décadas de lutas em prol de um espaço onde suas vozes pudessem ser ouvidas?

Bem, novamente querendo ou não, cá estou eu falando a repeito de cidadania, que ainda não se tornou disciplina obrigatória junto ao ensino fundamental. Sem este apoio de base, como esperar que os jovens possam adquirir qualquer tipo de conscientização em relação à sua participação como meio estrutural e defensório de seu espaço sistêmico?

Percebo assustada que a grande maioria, no que se inclui os jovens rapazes, está ficando engessada em padrões robóticos de posturas sociais, totalmente alheios a qualquer tipo de participação social que não seja o de formigas ou cigarras sem, no entanto, haver interações participativas como estas ao todo de suas cidades, o que dirá de seu país.

E novamente, penso na música que estimula a dança na boquinha da garrafa, e aí, fazer o que se ao adentrar em qualquer setor seja da vida publica ou privada , não consigo mais enxergar qualquer manifestação que lembre idealismo, garra, respeito ao coletivo, que não seja oriundo de velhas senhoras, outras apenas maduras, com total ausência das jovens.

sábado, 5 de dezembro de 2009

O resgate da cultura...

imagem: anaisatoledo.files.wordpress.com

As pessoas dizem:

- A cultura está morrendo.

É verdade... são poucas as comunidades por este Brasil a fora que preservam suas tradições de origem, com o cuidado de repassá-las aos mais jovens de forma expontânea como deve ser, seguindo tão somente hábitos e costumes que determinam estações de plantio, colheita, adoração a santos(as) de devoção, costume que preserva viva uma interação participativa que, se bem observada, mantém a criatura com laços afetivos mais consistentes em relação à sua terra, suas origens e sua gente.

Quanto mais próxima a cidade estiver dos núcleos metropolitanos, mais desgarrada ela se apresenta de qualquer vínculo de tradição, restando tão somente a comemoração de determinados festejos por força de um calendário local, normalmente ligado às escolas e prefeituras, mas sem que haja de verdade uma participação voluntária e consciente.

Geralmente, para espanto de pesquisadores como eu, os participantes, em sua maioria jovens, sequer tem conhecimento do que está acontecendo, em uma demonstração absurda de alienação e desinformação.

Portanto, tais comemorações podem representar qualquer coisa, menos uma representação genuína de uma tradição, deixando tais criaturas aleijadas em suas estruturas sociais, além de estarem sendo aliciadas de forma sorrateira a desconsiderarem um convívio agregativo, necessário ao seu desenvolvimento emocional, flagelando suas potencialidades de participação em grupo e direcionando-as à posturas discriminadoras, desconsiderativas e amorosas a tudo que se refere a sua cidade e seu povo, consequentemente, transformando-se em mais uma criatura cujos valores são espelhados no alheio, além de suas fronteiras, despersonalizando-a permanentemente, o que mais adiante pode se refletir em posturas anti-sociais.

O retorno das escolas em revitalizar as datas comemorativas, levando as crianças a participar efetivamente, é o foco principal a ser observado, criando-se assim um hábito saudável que sem dúvidas colaborará efetivamente para a formação de jovens mais dóceis na convivência com os demais, pois aprenderão a cultivar as tradições locais e a dividir espaços e brilho pessoal, lição numero um de qualquer participação em grupo, além de forma sutil e agradável libertá-la do isolamento postural, impulsionando-a a não ter medo de se expor ao grupo no qual está envolvida de forma alegre, expontânea e amorosa.

Educar na escola nos tempos atuais, onde o desinteresse dos alunos é tão somente um reflexo de sua desagregação familiar e social, é bem menos complicado do que aparenta, bastando somente que se reveja as didáticas, adicionando a elas um ingrediente que sempre foi importante, mas que nos tempos atuais é fundamental, que é o interesse real do mestre, comprometido com a sua responsabilidade em ensinar educando, tendo como esteio leis, subsídios, além de espaço físico adequado ao desenvolvimento de um trabalho fundamental, que é o da formação de mentes cidadãs.

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Convivendo

imagem: religareterapias.files.wordpress.com

Em meio às atividades cotidianas, somos levados pelas circunstâncias, seja de trabalho ou mesmo de simples e corriqueira convivência, a conhecer ou apenas tratar com uma gama imensa de criaturas, absolutamente diferentes, o que para mim é muito gratificante, na medida em que posso descortinar em cada uma delas mais e mais facetas da personalidade humana, o que enriquece e ao mesmo tempo reafirma o meu entendimento quanto a total inadequação em que a criatura se encontra no convívio consigo mesma e com os demais de uma forma totalmente desnecessária se pudesse ter o entendimento de suas reais necessidades, sejam elas emocionais ou puramente sistêmicas, conhecimento que daria a criatura a palpável sensação de paz interior, aliviando todos os riscos de tensões desnecessárias, que afinal são acumuladas em uma absorção aleatória, sem qualquer critério seletivo.

No decorrer de minha longa pesquisa, tenho buscado o reconhecimento de cada uma das emoções manifestadas pelas criaturas observadas, procurando associá-las à outras, pois reconheci, em dado momento, tratar-se em muitas ocasiões da mesma, só que travestida de novas roupagens, que podem ser enganadoras ao leigo ou ao distraido. Se bem que em algumas ocasiões percebi que, em determinadas circunstâncias, cria-se uma espécie de simbiose, onde ambas as criaturas recusam-se a admitir estarem detectando o reconhecimento das camuflagens e, como se estivessem em um bailado cênico, permanecem acreditando estar representando os seus papéis sabiamente, quando na verdade por uma razão qualquer associada ao comodismo ou simples esperteza se deixam envolver conscientemente neste jogo de imensas perdas de qualidade de vida como um todo.

Portanto, não é de se estranhar a falência esmagadora nos relacionamentos de qualquer natureza, ficando, em dados momentos, aqueles nos quais uma das partes recusa-se a jogar com os mesmos recursos, permanecendo tão somente em uma espécie de reserva, que ao contrário de ser producente a ela, tão somente oferece ao outro uma falsa harmonia, o que em nada pode ser considerado como estável ao contexto.

Conviver dentro de um parâmetro harmonioso é, acima de tudo, não abrir mão de suas próprias realidades, adequando-as ao contexto geral sem, no entanto, esmaga-las ou sufocá-las em prol desta ou daquela conquista sistêmica em detrimento da estabilidade emocional. Se isto estiver ocorrendo, é sinal de que esta havendo uma invasão de valores destoantes da realidade da criatura e é preciso que ela não desconsidere e reavalie os seus quereres.

O sistema estimula por todo o tempo a um consumo desregrado e disassociado de uma realidade Através de apêlos cada vez mais elaborados com a finalidade única de convencimento, induz a criatura a querer isto ou aquilo por todo o tempo de forma direta ou indireta e esta, desprotegida, pois não tem qualquer controle sobre si mesma, se permite envolver e convencer, crendo sinceramente que se não conseguir obter aquele item oferecido, ela não será feliz ou não será respeitada pelos demais, fazendo desta postura pra lá de irreal à sua natureza e ao seu equilíbrio como pessoa, uma verdade a ser mantida a qualquer custo, sem se aperceber do caos que paulatinamente vai tomando conta de sua vida.

Existe um ditado popular que diz: “Tudo na vida tem um preço!”.

Todavia, avaliar este preço em comparação as benécias, assim como a necessidade real das mesmas, é fundamental, como primeiro passo para toda criatura que verdadeiramente queira suavizar o seu vivenciar, livrando-se da pressão constante em ter em detrimento do direito em ser.

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Apenas um toque e nada mais

Estar inserida no contexto político de uma cidade, seja ela de que proporção geográfica for, é sempre muito complexo e extremamente difícil para qualquer pessoa que de verdade esteja embuida em desenvolver um trabalho sério e com mobilidade mais precisa e rápida.

Tudo é muito emperrado, repleto de burocracias absolutamente em sua maioria dispensável e manipuladas por criaturas totalmente desestimuladas, até mesmo pela inconsistência das mesmas na prática que adquirem, dia após dia em ambientes apáticos e sem qualquer objetivo motivador. E todo e qualquer ser humano precisa de estímulos que o impulsione a desenvolover a sua criatividade pessoal que, afinal, reside em cada uma delas.

Então, tudo é muito devagar, sem personalidade e consequentemente sem qualquer toque de traço pessoal que favoreça o intercâmbio processo/ser humano. Daí, tantas reclamações de todo aquele que precisa em algum momento da solução de um problema junto a qualquer orgão público, seja municipal, estadual ou federal.

Existe uma disputa silenciosa, mas extremamente danosa e que se reflete em todo o desenvolvimento dos trabalhos realizados, que é a profunda frustração que o funcionário público de carreira possui em relação aos funcionários contratados por cada gestão de 4 em 4 anos. E o por quê reside em vários pontos cruciais, dentre os mais evidentes, um enorme sentimento de perda de espaço frente “a gente nova que chega e se espalha, como se tudo a partir daquele instante lhe pertecesse”, além dos salários que são considerados desleais se comparados ao tempo de casa e conhecimento.

E aí, quase nada acontece em tempo normal.

Se a isso, com certeza for aliado, o grande, frio e indiferente fator estabilidade, ingrediente que é adicionado em cada postura possível de ser reconhecida nos contatos com todo funcionalismo público que se tem notícias, como esperar um atendimento cordial e ao mesmo tempo com um mínimo de seriedade profissional?

Como observadora social, permaneço atenta em cada detalhe e por incrível que possa parecer, também em sua maioria esmagadora, estas mesmas criaturas são lindas criaturas, bastando tão somente tocá-las em seus pontos sensíveis e logo se mostram dóceis, amáveis, solícitas, sempre prontas a lhe atender com cordialidade.

Entretanto, como esperar de uma gama imensa e diversificada de pessoas a sensibilidade do toque especial? Impossível, restando, portanto, para a obtenção de uma melhoria postural de cada funcionário publico um permanente apoio emocional que se reverta em posturas suavizadas e ao mesmo tempo comprometidas com uma ética profissional.

Se cada orgão público for comparado a uma empresa e, ao mesmo tempo, cada funcionário à um agente gerador de lucros que possui alma e vida próprias e, portanto, precisa ser devidamente considerado, certamente haverá uma conscientização individual que permitirá transformar cada departamento público, assim como cada funcionário seja de carreira ou comissionado em um agente estimulador do desenvolvimento de sua comunidade, atraindo para si com esta postura a sensação direta de estar participando e contribuindo efetivamente, independentemente do gestor momentâneo.

Bendito pois todo o toque amoroso que possamos oferecer a todo aquele que nos serve, por que dele, extraimos o nosso próprio néctar de vida e liberdade existente em cada colóquio que venhamos a ter em nosso cotidiano.

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Sempre surpreendente


Na qualidade de filósofa social e pesquisadora dos comportamentos humanos, sinto-me gratificada à cada aspecto que consigo identificar, sem, no entanto, deixar de me surpreender e, em muitas ocasiões, sinto uma ponta de desânimo que logo supero, pois recorro ao bom senso quanto ao entendimento de que, afinal, as pessoas são únicas e absolutamente diferentes, e que esta diversidade nem sempre é resultado de culturas diferenciadas que determinam valores e estes posturas sociais, assim como cada uma representa uma forma exclusiva quanto a absorção, filtragem e, por fim, entendimento das infindáveis informações e induções recebidas pelo sistema, criado e mantido por cada uma delas.

Confesso que em determinados momentos, ainda fico surpreendida, buscando imediatamente o entendimento através de uma pesquisa sobre a criatura em questão em seu histórico de vivência, sem, no entanto, em momento algum ter encontrado uma única explicação que me parecesse lógica à uma justificativa de determinadas posturas, levando-me a uma conclusão dolorosa de que as criaturas agem em determinadas situações de acordo com suas naturezas, que se apresentam sempre mais poderosas que quaisquer outras influências

Certamente esta minha afirmativa soa como um determinismo genético e pouco políticamente correto, as vistas de uma ética social, que dizem alguns dos estudiosos, ser necessária quanto a uma ordem comportamental, assim como uma forma de manutenção de um certo mistério em torno da capacidade humana em ser sem qualquer colorido, simplesmente ele com sua natureza, independentemente dos valores culturais, afetivos e educacionais que receba.

Os valores recebidos são absorvidos, processados e adequados em sua maioria às necessidades de convivência sem, contudo, se tornarem titular emocional e sim, em sua maioria, apenas um personagem que é utilizado como uma imposição de seu consciente em detrimento de todo o seu contexto sensitivo .

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domingo, 22 de novembro de 2009

Desatino Existencial


A insatisfação permanente é o único e denso ônus que assola a nossa existência.

Nossa tarefa existencial é não fazer a diferença e sim buscar a cada instante ser parte integrante do universo, onde reconhecemos ser individualmente elemento fundamental.

A função de cada criatura se resume em distribuir essências de conscientização da grandeza existencial, que certamente fará o elemento humano que a absorve vivenciar a plenitude em ser.

Alimentar-se, vestir-se, lavar-se, acordar e dormir, ir e vir no dia-a-dia, deixou de ter a suprema importância de se cuidar da própria vida para se tornar uma solitária e comum rotina vivencial. As consequências deste desatino levam a criatura a perder o foco de suas próprias características, em função do primarismo social que o envolve em uma névoa de desejos e necessidades, absolutamente dissociadas das suas reais necessidades, através de induções falsas ao consciente, que por sua vez reconhece a inadequação e reage buscando nos sentidos alguma coerência. Afinal, o consciente é como um maestro de uma orquestra, sempre atento para que haja harmonia em cada instrumento. Ele não é mais ou menos importante, entretanto, é fundamental, pois determina pausas, espaços e homogeneidade. Ele é, também, um arranjador, adequando melodias à novos ritmos como forma de apresentação. Sem a sua presença, a orquestra se transformaria em um agrupamento de grandes músicos que fatalmente agrediriam os ouvidos alheiros, justo pela falta de equilíbrio de grupo ou senso comum.

É preciso que se resgate o maestro que existe em nós, através da nossa vontade voluntária e, passo a passo, conquistemos a serenidade para as nossas posturas em relação as nossas emoções.

Ansiedade – Reconhecendo os sintomas

imagem: fc01.deviantart.com

A ansiedade pode vir acompanhada de repentina secura na região bucal, assim como excesso de salivação, aceleração dos batimentos cardíacos, queda de temperatura, suores frios, calafrios, adormecimentos em um dos lados da face, braços e mãos, caimbras lombares e nos membros inferiores, incontinência urinária temporária, diarréia, pressão na região toráxica, dificuldade respiratória, turvamento visual e inúmeras outras sensações que a criatura pode produzir por indução somatizadora da descarga emocional produzida por um consciente mal informado.

É preciso não confundir expectativa, que é relativo a algo que se deseje que aconteça, ou não, à ansiedade, que é a projeção exacerbada deste mesmo desejo.

Não é gratuito que esta confusão aconteça, afinal, como as criaturas estão em permanente desequilíbrio entre a realidade e o que ela pensa ser a realidade de suas necessidades, sempre se vê vivenciando uma real ansiedade a respeito de uma tão real situação, que somente mereceria dela a expectativa de ver realizada, ou não.

A mente consciente registra aquela situação como alarmante, mesmo que se refira a um ato que só trará alegrias à criatura, existindo, portanto, um culto ao desequilíbrio, que é conquistado através de observações de outros, também, desequilíbrios.

Existem tantas formas de ansiedade quanto os atos sociais, entretanto, todas, sem excessão, são apenas camuflagens do medo, que é visível à criatura na forma de um alerta incomodativo dos sentidos e da mente viciados em irrealidades.

Ansiedade - 2

imagem: clubedolivro.files.wordpress.com

O medo é como um mar revolto, invadindo os filamentos da criatura, promovendo reviravoltas constantes como grandes ondas e o deitar das mesmas sobre a areia é o mesmo que a sensasão de espalhamento das expectativas da criatura sobre suas emoções, que impotentes são incapazes de se manterem dentro de uma coerência de constância e estabilidade.

Uma criatura, sob o poder do medo, é capaz de se sentir permanentemente ora perdida, ora confusa, ora alienada, mas sempre desconsiderada, e em todos os aspectos ela se apresenta absorta nas realidades que se apresentam.

Daí o surgimento da ansiedade, que por ser uma emoção gerada pelo mar revolto do medo, cria uma bipolaridade emocional, levando a criatura a se sentir fora de foco, à parte de qualquer contexto, apesar de camuflar-se de vestimentas aparentemente normais.

A busca das compensações torna-se a única real constância em sua realidade emocional, que por sua vez busca válvula de escape em algum orgão físico, que fatalmente serve de apoio e refúgio à dor psíquica.

Que coisa, heim ?!...

Falando assim, todo este trajeto destrutivo parece ser impossível de ser corrigido, no entanto, requer cuidados especiais, a princípio quanto ao reconhecimento, e em seguida quanto ao trato individual de cada postura distorcida, o que representa uma tarefa das mais árduas, pois encontrará a cada instante a presença sabotadora da própria consciência da criatura, acostumada que está a receber informações truncadas dos sentidos .

Em consequência, decorre assim a necessidade de se reeducar os mesmos de forma carinhosa, firme e persistente.

A partir do início deste processo, a convergência das intenções unicamente se focará na persistência das intenções em não mais alimentar-se das mesmas, que definitivamente serão reconhecidas de forma instantânea pela criatura, levando-a a um entendimento claro das situações que se apresentam . E o ciclo vivencial da criatura, até então severamente viciado , recomeça um novo trajeto, sem imunidades, mas em permanente alerta e compreensão amorosa em se adaptar às suas reais necessidades, não havendo espaço, ao longo da caminhada, para abrigar emoções, tais como: raiva, inveja, ódio, etc. Todas estas emoções são frutos diretos da ansiedade, filha natural do medo. Compeendes?

Há quem diga que a ansiedade é até impulsionadora, levando a criatura a uma espécie de gozo, que tanto é agradável antes, como depois de concluso o ato provocador da mesma.

Creio que, a priori, esta é uma conclusão indiscutível, contudo, a convivência com esta emoção instável leva a criatura a se aniquilar em sua estrutura emocional, tornando-a fragilizada e permanentemente refém do susto, da surpresa, da dúvida e, consequentemente, do medo, desse modo, a ansiedade e o medo estão atrelados, fazendo disparar pequenas e repetidas descargas elétricas, que ao longo de uma vivência vão minando e descaracterizando outras emoções.

sábado, 21 de novembro de 2009

INCRÍVEL !!!

imagem: 4.bp.blogspot.com

Incrível !!!! Não consigo pensar em outra expressão senão esta, nas últimas semanas de convívio mais próximo com a política, seja Itaparicana ou Vera Cruzense, se bem que esta não é a primeira experiência, pois na gestão do senhor Cláudio da Silva Neves pude sentir um pouco mais de perto e sem estar diretamente envolvida, podendo assim avaliar com mais isenção o por que as “coisas “ andarem tão devagar em se tratando dos interesses do povo.

A máquina está emperrada por uma velha e arcaica burocracia que só se presta a apoiar toda e qualquer forma de falcatrua, ficando a correta engessada entre suas paredes, não encontrando saída que não seja pelo caminho do conhecido “jeitinho brasileiro”, que afinal é a rota quase que inevitável de se atingir o ponto crucial das improbidades administrativas, tudo devidamente escoltado por um funcionalismo acomodado, servil, medroso e certamente conivente com os desmandos que assolam as administrações públicas em nosso país.

A cada administração, coloco a esperança em minhas posturas em forma de confiança, na certeza absoluta de que é tudo que me resta, pois não posso desistir em crer que em algum momento um idealista assuma e tenha a coerência de pelo menos tentar colocar na prática o que prega sobre os palanques, vindo mostrar, então, que é possível estar no poder galgando status e dinheiro e, de quebra, amparar seu povo, mantendo a sí próprio com a dignidade, postura de decência pessoal e administrativa que se espera ter um lider de verdade.

Sonho?

Talvez... pois preciso dele para continuar a acreditar que vale a pena, sempre tentar, pois afinal há muito descobri que, sem o brilho dos sonhos e ideais, a vida perde seu sentido maior de nos fazer sentir a nossa própria existência em comunhão com a nossa capacidade de criar e reciclar, interagindo por todo o tempo com este universo, que até tem quem creia ter sido criado por um Deus fantástico, em uma demonstração integral de fé e é exatamente me utilizando deste recurso que permaneço fiel à certeza de que em dado momento, serei surpreendida e aí, bem…, aí deixará de ser uma fé utópica para se tornar uma realidade com a qual eu acredito, e todos nós, ficaremos gratificados, pois de certa forma estaremos todos vislumbrando a presença deste Deus, que afinal estará nos fazendo justiça.

Não é mesmo?

O mês dos incríveis !!!!

imagem: 4.bp.blogspot.com

Volto ao passado e relembro o ano em que completei 38 anos e estava no varandão da casa da Pampulha, tendo nos braços a minha linda filha Anna Paula, que naquela época tinha somente poucos meses de vida. Lá também estava a minha querida sogra Zizita e o meu Sebastião Roberto.

A tarde estava caindo e nós estávamos planejando a festa de nossos aniversários, afinal, tanto eu como Zizita, nascemos no mesmo mês de novembro, com diferença apenas de poucos dias e muitos anos. Ela era festeira, bem ao contrário de mim, mas fazer o quê, se eu a adorava e jamais medi esforços para apoia-la em suas iniciativas festeiras. Pois é, entre uma idéia e outra, visto que éramos extremamente exageradas, alguém falou em relação ao ano 2000 e eu me recordo com nitidez do quanto me pareceu longínquo, inacessível, fora do real naquele momento em que o tempo não representava um aspecto tão importante, afinal, com esta idade, quem pensa que seu tempo está passando ou que poderá não chegar em um momento determinado, pois parece que nos sentimos eternos em nossas juventudes.

É…, 2000 chegou, já se foi e estou encostando em 2010 e de repente, pensando e escrevendo sobre isso, surpreendo-me ainda mais feliz por que cheguei até aqui, saudável, alegre, repleta de vida e aí, sem querer ser estraga prazeres, estou fortemente inclinada a pensar que os próximos 30 anos, representarão um longo caminho, onde realisticamente minhas pespectivas de vida se reduzem a patamares alarmantes, se eu fosse uma pessoa preocupada e cismada, mas como não passo de uma abestalhada sonhadora, vou vivendo, sorvendo tudo que posso de bom, arrancando de minha alma todos os sorrisos e intenções amorosas, jamais rejeitando novas experiências, fazendo de verdade a cada instante uma certeza de não ter medo de de ser feliz, e aí, o que me importa se vou chegar a viver os próximos 30 anos se neste momento presente comemoro já ter vivido os meus sagrados 60 anos?

Só posso agradecer à vida, ao universo, à natureza e as milhares de criaturas humanas, ou não, que me doaram parte de suas energias, lamentando apenas as quedas irrecuperáveis de pele, de bunda e de frescor, que em bons tempos lá no passado, me ajudaram a embelezar ainda mais este planeta fantástico.

Fazer o que?

Já há muito, aperfeiçoo o meu sorriso, burilo a minha capacidade amorosa, na esperança tão somente de emprestar todo o meu potencial amoroso aos que se dispuserem a receber.

Olho, por um instante através da janela, enquanto digito meus pensamentos e me surpreendo com o meu pé de amoras que, carregadinho, parece me convidar a desfrutar da delícia de seu sabor, apenas para me lembrar que estou viva e que somente isto é que importa a cada instante.

Isto não é incrível!!

Penso, então, que a tão buscada felicidade geralmente se encontra diante de nossos olhos, olfato, paladar, ouvidos e, no entanto, sequer percebemos, porque estamos buscando-a fora de nós mesmos, e aí, bem… aí, tudo se complica, porque ficamos sem a capacidade de sentí-la. Neste momento, reafirmo a minha felicidade em estar viva, e isto é felicidade que levarei ao máximo do êxtase, pois irei saborear minhas amoras enquanto aguardo os meus amores chegarem para o almoço de comemoração neste sábado radioso, em que comemoro mais um bendito aniversário. Portanto, parabéns para mim e para cada um de vocês que participam deste blog, me apoiando a cada dia.

Um beijo bem gostoso!!!!!!!!

sábado, 14 de novembro de 2009

INFORMAÇÃO




Gostaria de informar às pessoas que por ventura estejam acompanhando este meu blog, que todos os textos escritos são de minha autoria, podendo ser encontrados em qualquer dos quinze livros que escrevi ou em uma das sessenta e duas edições do Jornal Variedades, que edito há quase seis anos na Ilha de Itaparica, Ba.

Qualquer dúvida, estou à disposição para maiores esclarecimentos.

Obrigada.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

CAMUFLAGEM E PROCEDIMENTOS

imagem: automotor.eti.br

Mesmo que eu viva mais mil anos, creio que jamais compreenderei a extensão e a potencialidade que a criatura humana é capaz de empregar nas camuflagens pessoais no convívio com os demais e, o que é pior, consigo mesmo, atraindo com este comportamento que a princípio lhe parece controlável, mas que em dado momento foge-lhe o controle, induzindo as suas emoções a criar máscaras absolutamente independentes de seu controle racional, apesar de parecer-lhe totalmente conciente, criando, então, patologias diversificadas, mas que na realidade são tão somente desvios comportamentais simbioticamente inseridos no mesmo contexto de inadequação absorciva e de não convívio harmonioso nas relações interpessoais.

Apesar de todas as experiências de aprendizado que venho registrando ao longo de quase cinco décadas, confesso-me neófita, e em dados momentos sinto-me incapaz de avaliar com precisão uma ou outra variante, frente a um volume tão grande e diversificado com o qual tenho que conviver por todo o tempo.

Daí , minha incompreensão quando me deparo com diagnósticos tão definitivos e com um receituário tão maciço e pouco diferenciado em sua aplicabilidade, principalmente em se tratando de patologias diagnosticadas dentre o universo das, digamos, mais comuns e pouco ou quase nada possíveis de serem detectadas através de exames neurológicos mais precisos.

Posso, entretanto, compreender a necessidade de um controle mais eficaz e rápido da criatura que esteja apresentando um quadro psicótico, através da ingestão de medicamentos inibidores, por um prazo razoavelmente curto de, no máximo, cinco a dez dias, de acordo com a resposta apresentada . Todavia, tão logo a criatura se mostre mais acessível a uma interação menos traumática, a mesma deve permanecer o mais limpa possível, devendo as doses serem paulatinamente diminuidas, a fim de que o profissional possa melhor avaliar suas reações quanto à psicoterapia que for aplicada.
Naturalmente, o ideal é que esta criatura estivesse pelo menos sob um regime de semi- internação em um período inicial de trinta a sessenta dias, permitindo assim que o profissional envolvido pudesse monitorá-la dia-a-dia sem qualquer interrupção de continuidade dentro de um período de cerca de oito horas, onde poderia melhor avaliar os efeitos dos medicamentos sobre as ações e, assim, determinar com mais precisão não só a dosagem adequada, como a continuidade dos mesmos e até na obtenção da certeza de estar oferecendo o medicamento ideal àquela patologia, sem que o desenvolvimento do tratamento seja comprometido de alguma forma.

A dificuldade nos atendimentos ambulatoriais oferecidos pelo SUS, leva o paciente a percorrer com seus familiares uma verdadeira via sacra de buscas e frustrações, ficando, na maioria das vezes, a criatura exposta a procedimentos sem qualquer realidade com a patologia em questão e ao ideal tratamento, por total falta de infraestrutura nesta área, assim como um despreparo quanto a interpretação da lei que, em hipótese alguma, anula a necessidade de internação, ficando o CAPS de cada localidade com a responsabilidade de triagem e encaminhamento, mas sem na prática estar sob um controle efetivo, até mesmo pelas péssimas condições oferecidas pela prefeituras, principalmente nos centros de menor desenvolvimento econômico e social.

Infelizmente, ainda em nosso país, a saúde em todos os níveis é tratada sem a devida seriedade, e quanto a saúde mental, fica-se com a certeza absoluta de um atraso histórico e cruel, restando na prática tão somente o direito da criatura em receber cartelas de comprimidos e atendimentos psicoterápicos distantes do ideal.

Estas minhas observações são como um grito de socorro frente ao banalismo que venho constatando através do desempenho dos governos, federal, estadual e municipal , nesta área, como também na área de educação, ambas fundamentais à manutenção de qualquer índice de equilíbrio social.

Infelizmente, prioridade nesta área, assim como na educação e segurança, só existe em período eleitoral, como chamariz de voto, independentemente da linha partidária é o vale tudo de promessas para se obter o poder.

Fico atenta por todo o tempo, avalio resultados em relação às promessas e busco corrigir nas urnas, muitas vezes meu voto desperdiçado. Fazer o que mais, se além de não ter bola de cristal ainda estou frente a uma política e a políticos, em sua emagadora maioria, descompromissados com as causas públicas?

Tudo que aprendi foi buscar entendimentos através do que me é apresentado, sem paixões ou engajamentos partidários, apenas com o objetivo social de me sentir menos alienada, mais participativa, na esperança sempre viva de poder um dia vivenciar mudanças positivas ao bem comum.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

DIANTE DA MORTE

imagem: frasesdavida.files.wordpress.com

Ontem, vivenciei um domingo muito agradável na companhia de velhos amigos, que há algum tempo não via e que fizeram parte de outros domingos e de momentos extremamente felizes.
O dia estava radioso, entretanto, isto não é novidade por estas bandas baianas, onde sempre me pareceu ser um dos lugares prefereridos de Deus. Penso que é em Itaparica que ele vem descansar das correrias universais, banhando-se neste mar morno e calmo.

Foi bom, muito bom, cada instante que compartilhei e se não bastasse, ainda aprendi um pouco mais sobre as criaturas humanas em suas permanentes driblagens em relação a sua convivência com a sua própria realidade, ficando absolutamente claro para mim, mais do que nunca, o quanto estamos sem qualquer preparo para enfrentar a senhora morte sem sofrimento, capaz de abreviar nossa , digamos, qualidade de vida, ou seria melhor dizer, paz de espírito, se é que somos realmente capazes de tê-la ou simplesmente por desejá-la tanto pensamos em dado momento tê-la alcançado.

É compreensivo, todo e qualquer empenho pessoal em se querer continuar vivendo, afinal , estar por aqui , nesta vida fantástica , pode ser uma experiência muito boa e mesmo quando ela não nos parece , assim ,tão espetacular, ainda não a queremos perder, mesmo que vez por outra cheguemos a renega-la seja em pensamentos ou mesmo através de palavras que se perdem ao vento , pois na realidade, estamos agarrados a ela , totalmente em sua maioria de forma inconsequente, colocando-a por todo o tempo em imensos riscos, que são por nós desconsiderados , justo porque são encarados de forma leviana sem qualquer vínculo realístico que se coadune com uma concientização quanto a sua perda real, palpável, sem margens de dúvidas , como ocorreu com um dos meus amigos ao ser diagnosticado com cancer de prostata.

De um instante para o outro, o seu universo de pessoa humana se resumiu em um só sentimento de medo e pavor, de raiva e frustração, de tristeza e dor por se sentir impotente, incapaz de poder resistir a esta força invisível que a ele , a partir daquele momento, passou a controlar seus instantes presentes e futuros que então, ele percebe de forma cruel já ter um tempo definido para ser encerrado e ele nãda pode fazer para descobrir quando será, restando tão somente um vínculo com o racional quanto a certeza de não querer aceitar tamanha definição que lhe parece uma punição ou castigo que ele então determina ter sido determinado por Deus.

Afinal, pensa, por que comigo se tem tantos miseráveis que deveriam merecer antes de mim esta punição tão definitiva? E pensando assim, faz brotar em seu espírito uma imensa revolta em relação a este Deus que agora pela primeira vez lhe parece mais real e cruel do que nunca.

domingo, 8 de novembro de 2009

APENAS ALEGORIA

imagem: colunas.cbn.globoradio.globo.com

O corpo dói, posso sentir a musculatura das pernas esticadas como cordas de violão.
A cabeça, ao contrário, parece-me absolutamente vazia, oca, pois não consigo pensar em coisa alguma e por incrível que possa parecer, sinto-me ótima, repleta de vida pulsante através da dor provocada pelo uso abusivo das condições fisicas.
Ora bolas! Afinal, de que servem os limites a não ser para serem desafiados como estímulo a nos fazer sentir a vida em toda a sua imensa grandeza.
Tá certo, podem me chamar de maluca, abestalhada, do que quizerem, não ligo a mínima, ou melhor, ligar eu ligo, mas fazer o que?
Gostando ou não, serei sempre um pouco estranha aos olhos de alguns, porque não é possível agradar por todo o tempo a todo mundo. Entretanto, quem é todo mundo?
Sei lá, acho que estou falando tudo isto justo porque não estou em condições de pensar muito bem, talvez pelo cansaço, pela dor no corpo, não sei ..., tudo que sei é que ainda tenho que aturar as birras de Anna Paula, que quanto mais velha está ficando (22 anos) mais menina me parece. Como a maioria das filhas, ela gosta de desafiar os limites de paciência desta mãe totalmente apaixonada, que vez por outra, manda ela à merda, mas que na maioria das vezes a olha com muita ternura, e aí, começamos as duas a rir de todas as tolices e nos abraçamos em uma bela e reconfortante parceria de amor e liberdade, onde, por todo o tempo, somos o que somos reguardadas que estamos pela doçura de nossa mútua compreensão.
Estou com um imenso cansaço físico, pois o dia de ontem foi brabo, não parei um minuto, mas estou bem e feliz com a cabeça vazia, totalmente livre para absorver esta deliciosa certeza de estar viva e pode existir argumento mais convincente que este para que eu me mantenha radiante, apesar de muito cansada?
Vou agora à praia , encontrar alguns amigos, tomar uma cervejinha gelada e de quebra vou acompanhada do amor de minha vida, que posso querer mais ?
Bem ... esta sou eu, que apesar de muito cansada se reconhece viva e apaixonada por tudo , não fiquem com inveja, façam como eu, não deem muita bola pro azar, apenas vivam. Acreditem, só isso basta , não precisamos de mais nada, pois todo o restante é apenas alegoria.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

INACREDITÁVEL!...

imagem: jornalsanitario.files.wordpress.com

Desde o dia primeiro de janeiro de 2009, quando então o ilustríssimo Sr.Vicente Gonçalves da Silva assumiu o cargo de Prefeito do município de Itaparica, através do voto popular, que o inusitado, o imponderável, um incrivelmente absurdo vem acontecendo e nada e tão pouco alguém mensura tamanho despropósito em se permitir que um estranho, lá colocado por ele, administre a cidade, negocie alianças e proceda tudo o mais que lhe vem à cabeça, inclusive, coagindo a todos com a vara invisível de uma perseguição constante, ancorado que se encontra através de uma impunidade que assola e envergonha qualquer cidadão que se respeite.

Nem nos mais criativos contos ou histórias em quadrinhos, filmes de ficção ou coisa que o valha, esta situação escabrosa foi retratada, mas no Brasil, da submissão nordestina ao cabresto ainda feudal, este descalabro, esta afronta, este despropósito, encontra apoio junto a deputados e senadores que se intitulam decentes, e respaldo em leis que são magistralmente manipuladas por advogados que fizeram seus nomes e carreiras atingirem o topo do sucesso, justo escamoteando-as, driblando juizes, que por força de um engessamento jurídico, não os permite entendimentos que abracem o direito de cada cidadão, que desiludido, vê por todo o tempo suas últimas esperanças escoarem para o ralo, pois por mais simples e medroso que ele seja, sabe muito bem que juizes e ministros, raramente se dão ao direito de entenderem dentro do direito, contrariando assim, ou melhor, utilizando-se também dos mesmos métodos pouco ortodoxos que os senhores advogados bem pagos, no caso com o dinheiro público roubado, o fazem.

E aí, me pergunto como cidadã comum, se essa postura se dá por falta de conhecimento ou por questões políticas?

Pois é sabido que as ameaças de transferências e atrasos promocionais, atingem infelizmente também aos interesses do judiciário.

E neste vai e vem de trâmites jurídicos, a imunidade parlamentar se sobrepõe aos interesses da cidade e de seu povo, deixando-nos com a certeza absoluta que mais do que nunca, algo precisa acontecer, a fim de que o povo, que afinal é o grande pagador de tudo e de todos, possa vir a conviver com a decência e os bons costumes e com leis que possam apenas servir para beneficiar os justos e oprimidos, assim como para punir o meliante.

A inversão de valores, sempre fez parte da conjuntura emocional e racional da criatura humana, assim como o bom senso e a de preservação de sua dignidade de pessoa humana, entretanto, de uns tempos para cá, perdeu-se o controle da ganância e do mau-caratismo, permanecendo apenas o medo, a inércia e os interesses puramente pessoais, como tônica de norteamento comportamental em todas as esferas, sejam públicas ou privadas, e então, esperar-se o que do menino da favela ou periferia, que ele tenha ética, decência ou mesmo complacência, sendo bonzinho e desistindo de correr atrás de seu proprio quinhão com as armas que possui?

Cada um usa a arma que tem e atira com o calibre que dispõe, não é assim na prática?

Pois é... nem as redes de tv e os grandes jornais de Salvador, nem os vereadores, nem quem quer que fosse, ousou, até agora, denunciar gritando aos quatro ventos tanto horror perante aos céus.

Fazer eu, então o quê, além de desabafar minha dor através de meus escritos e, é claro, sabendo não estar preparada para a reação que estes causarão, pois verdades não existem para serem mostradas e entendimentos só se pode ter neste pais varonil se tivermos as costas quentes e os bolsos bem recheados para, no mínimo, contratar guarda-costas e advogados, de preferência com o dinheirio público.

Portanto, só me resta rezar, se bem que em se tratando de política, nem Jesus conseguiu apoio do senhor seu pai DEUS, que preferiu deixá-lo morrer, para virar mito, salvando a todos nós, se bem... da política brasileira e em especial da itaparicana é que não foi.

Ah! , antes que eu me esqueça, é bom lembrar que na prestação de contas do referido prefeito, existem dois contratos de assessoria jurídica, pagos declaradamente com o dinheiro de impostos muitas vezes com o sacrificio de todos nós. Que tal verificar os sócios que compõem as mesmas.

Com certeza, aí não residirá qualquer surpresa quanto a incrível coincidência entre políticos famosos e poderosos de expressão nacional e nossa tão desgastada , sofrida e POBRE prefeitura de ITAPARICA.

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terça-feira, 3 de novembro de 2009

APENAS PLAGIANDO


Já se passou um bom tempo que estou diante do computador e ainda não consegui escolher sequer uma única crônica, entre as dezenas que escrevi neste ano, para ser publicada na edição deste mês de novembro no Variedades, jornal tablóide que edito mensalmente na Ilha .

Todas me parecem importantes em suas mensagens, apesar de avaliar que algumas são complexas o suficiente para serem desconsideradas, porque afinal, quem, além de mim mesma e de uns gatos pingados, se daria ao trabalho de ler e, em seguida, pensar a respeito.

Este hábito não existe, por não ter sido estimulado, pois nas últimas décadas, apesar das pesquisas terem dominado o universo dos estudantes, o nível de paciência quanto a leitura e consequentemente a lógica da extração de entendimentos se perdeu no vazio da agilidade em se plagiar textos de pensadores do passado de qualquer área, utilizando-se das artimanhas em inverter-se frases em uma demonstração clara de engodo, amplamente aceita pelos mestres em sala de aula, não sem que eu registre raras excessões, oriundas de educadores especiais que conhecem a fundo a matéria, porque leram e interpretaram os textos que ora cobram de seus alunos.

Lamentavelmente, a maioria simplesmente aceita, engrossando com esta atitude as fileiras do desconhecimento generalizado, restando apenas a vaga e pueril certeza de haver sido cumprido o conteúdo exigido àquele semestre.

Volto ao passado, assim nem tão distante, e relembro o quanto me foi exigido e no quanto eu precisei me esforçar para dar conta do recado, afinal não tínhamos as facilidades que depois foram surgindo, fracionando disciplinas aparentemente com o objetivo de maior e mais rica especialização, o que não deixa de ser coerente, mas que ao mesmo tempo limita, engessando focos de raciocínio e levando o conhecimento geral a um patamar crítico .

E cá estou novamente , falando de educação, provavelmente porque creio que nada, absolutamente nada, dela se desvincule.

Somos o resultado do que aprendemos e vivenciamos, e nada se estrutura em termos sociais se não houver uma base direcional de educação onde o exercício do raciocínio faça coerência com o exercício emocional em buscar entendimento dos próprios atos cotidianos, porque a lógica de se ir a escola , colégio ou faculdade é com o objetivo concreto de simplesmente aprender. Caso contrário, do que vale o tempo dedicado, as correrias vivenciadas, as despesas empregadas, os sonhos e desejos mal empregados?

Pura frustração é o que resta em um esquadrão contínuo de alunos despreparados e de um ensino cada vez mais decadente, com raras exceções, porque, afinal , entre eles estão os novos supostos educadores, que quase nada de original e criativo tem a oferecer, pois passaram seus ultimos doze ou treze anos, simplesmente plagiando aqueles educadores do passado, que por terem sido bem direcionados, exploravam suas mentes criativas ao invés de tão somente pesquisarem na internete ou coisa que o valha.


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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O que fazer

Não importa verdadeiramente o tempo em que vivamos, pois estaremos em um constante e ininterrupto aprendizado onde nem sempre estaremos capacitados a absorver o volume de intensidade e diversidade com que os conteudos se apresentam, deixando-nos vez por outra, e em muitas ocasioões por todo o tempo, aturdidos e sem qualquer ação.

Por serem diversificados em sua maioria, surge de qualquer situação e por todo o tempo somos abastecidos, o que não necessariamente representa entendimento e muito menos compreensão.

Fico pensando que talvez por esta indiscutível realidade, também dentre os seres vivos sejamos os mais complicados e pouco desenvolvidos em termos sensitivos, pois privilegiamos a mente racional, contando tão somente com algumas emoções que dizem fazer parte da natureza humana, como por exemplo a bondade, quando prefiro crer que esta é tão somente uma indução que deu certo e se alicerçou ao longo da história humana com base estrutural religiosa e social.

O homem foi induzido a seguir leis comportamentais que sofreram influências culturais de interesses localizados e absolutamente diferenciados em seus objetivos, menos em um aspecto, que foi justamente quanto ao relacionamento de grupo, onde a tolerância passou a ser um símbolo de convivência. Nas fase seguintes de evolução, é possível notar-se a alternância quanto ao grau desta tolerância que chegou a limites assustadores de retrocesso, mas jamais ultrapassou limites de aperfeiçoamento.

Por todo o tempo é possível perceber-se que a criatura humana se ampara nas inúmeras opções oferecidas pelo seu sistema, cada vez mais globalizado, em uma cada vez menos entusiasmada luta contra a violência, por também já estar incorporada ao seu precário entendimento como universal, não lhe sugerindo qualquer saida que não seja o conformismo, e o que é ainda pior, molde a ser copiado como escudo de sobrevivência.

Engano se pensar que violência é toda aquela que deixa o sangue jorrar.

Penso e me esforço em compreender as motivações que originam as violências subjetivas, intrínsicamente inseridas ao cotidiano das criaturas, camufladas como se fossem parte integrante e necessária a todo e qualquer relacionamento de convivência sistêmica.

Correlacionei a incapacidade mental, quanto ao processamento de auto preservação através do reflexo que as outras criaturas representam como espelho de si mesmas, ao conhecimento limitado que a criatura possui de seus potenciais sensitivos e da fundamental parceria que deveria estimulá-los à mente, burilando através dos atos constantes à toda convivência um relacionamento interpessoal menos afrontoso em todos os aspectos, pois suavizaria o fluxo sanguínio, mantendo uma oxigenação corporal mais harmoniosamente integrada aos demais componentes produtores de energias sustentáveis à vida, presentes como instrutores comportamentais.

Estas lições para o aprendizado quanto a formação de caráteres vivenciais harmoniosamente participativos ao universo interativo, não estão disponíveis em estereótipos sistêmicos globalizados e tão pouco jamais estiveram embutidos verdadeiramente nas posturas religiosas de qualquer natureza, pois é sabido que religião é sinônimo de aprisionamento intelectual em favor de um poder que beneficia os interesses de alguém ou de um grupo limitado, ficando a natureza em sua bio-diversidade como abastecedor básico, tendo como estimulador a própria criatura em sua sensibilidade aflorada através da consideração às ações e reações que a mesma se condicionará a sentir, considerando e ajustando às suas necessidades, onde a hamonia postural e emocional a manterá conciente da sensação de bem estar físico e mental ainda nos primeiros momentos de sua chegada ao seio de sua primeira convivência, que é a família que a gerou ou que se propos a educa-la.

De posse deste salvo conduto postural, a criatura seria então capaz de se sentir suave na condução de seus movimentos vivenciais, reabastecendo-se por todo o tempo com as intermináveis lições de vida e liberdade, oferecidas pelo universo em suas parcerias incríveis, nas quais as criaturas seriam partes integrantes e, aí sim, estariam saudavelmente se relacionando, umas com as outras sem tanta violência energética que, afinal, é a grande e poderosa indutora da constante e crescente violência explícita que sempre assolou a nossa frágil humanidade comportamental.

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domingo, 1 de novembro de 2009

ANSIEDADE

imagem: ff.up.pt


A ansiedade é sem dúvidas o mais poderoso agente do medo .
Sua presença é camuflativa, abrigando em si inúmeras pré-disposições à formação de um sem número de sensações que conduzem à posturas altamente danosas a psique humana e, esta, ao direcionamento psicossomático de outro sem número de patologias de grave atuação no contexto físico e psíquico da criatura.

A ansiedade, ao se instalar no núcleo bio-emocional, tem como seu agente característico a depressão, que pode se apresentar de também inúmeras formas, gerando alarmantemente outro tanto número expressivo de agentes formadores de posturas e emoções.

Portanto, a partir da emoção do medo um forte e resistente elo de desequilíbrio se forma no núcleo vital da criatura, alterando sua naturalidade de absorção, descaracterizando a filtragem das vibrações recebidas, armazenando-as de forma incorreta e, obviamente, servindo-se de toda esta desarmonia para permanecer nutrindo-se descompassadamente e, consequentemente, através de sua devolução respiratória, contaminando a tudo e a todos, renovando e aumentando, portanto, a cada ato respiratório o ciclo viciado e distorcido de suas reais necessidades.

A criatura humana é uma máquina perfeita, uma ciência exata, onde não reside erros de cálculos, tão somente responde aos estímulos que reserva em si, extraidos do tudo do qual se encontra inserida.

Assim, combater o medo é questão prioritária, já que esta emoção direciona de forma cruel a criatura a confundir-se nas informações sensitivas recebidas, transformando-as em nutrientes inadequados no instante em que são absorvidos e assim estimulando por todo o tempo a formação de chagas emocionais, já que o recebido, armazenado e distribuido não condiz com as necessidades daquela criatura, levando-a, então, a enxergar, sentir e doar o que não lhe pertence, deixando-a sempre com uma sensação de vazio, tristeza e principalmente impotência.

Nada , absolutamente nada , é capaz de preencher este vazio.

Em casos extremos, a depressão gerada pela ansiedade, oriunda do medo, é capaz de levar a óbito ou a formação de sérias patologias emocionais, como: a esquizofrenia , síndrome de pânico, ao transtorno bipolar, à obcessão compulsiva e tantas outras, assim como induz à uma infinidade de outras patologias orgânicas, já que o sistema imunológico torna-se frágil.

Este processo oferecido pelo medo é como um silêncioso assassinato, onde não se vê violência explícita , tão somente suas consequências, através de uma criatura com sua perfeita natureza , chorando e profundamente infeliz.

O tempo não Pára.

O fim  do ano está chegando assim tão rápido quanto se passaram todos esses meses e fico me perguntando se isto está acontecendo agora ou sempre foi breve a passagem do tempo e eu é que não    me apercebia.

Confesso que estou um pouco, digamos, perdida ou seria mais correto dizer, mais, talvez cansada por estar imprimindo um ritmo que provavelmente sempre precisei ter em meus dias de mulher ativa, mas que neste momento está me parecendo muito apressado e desgastante.

Detesto constatar que os anos se passaram e que não os terei na mesma proporção daqui para a frente, e é justo nestes momentos, que chamo de reflexão, que penso no quanto sou estúpida e sem noção, pois tratei o meus instantes de vida como se eternos fossem, sem jamais pensar de verdade que um dia, que pode ser amanhã, agora ou daqui a pouco, o meu fim de jornada chegará.

Que coisa, heim!?

Penso, então, em tudo que não achei tempo ou condições para fazer. Por exemplo: aquela viajem inesquecível às ilhas gregas, por que não fui?

E por que adiei por todo o tempo o meu desejo sincero de ficar, algum tempo, sem fazer absolutamente nada, sem culpa?

Ah! E por que jamais comprei uma casa de frente pro mar, se por toda a minha vida não faltaram oportunidades?

Por que aturei pessoas simplesmente insuportáveis, ouvi e fingi acreditar em mentiras descaradas, comi e bebi, sorrindo, o que de verdade era horrível, aturei chefes e colegas de trabalho mal caráteres e, em muitas ocasiões, não valorizei como deveria criaturas maravilhosas que me rodearam?

E neste balaio de gatos, com o qual convivi por toda a minha vida, reparo assustada que o tempo passou, e aí, creio ser natural sentir esta ponta seria de nostalgia, não é?

Ou estou é com medo e estou disfarçando, afinal não é facil constatar que a vida não pára e que, no entanto, pode parar de repente, como uma vela que se apaga a um leve soprar de brisa a qualquer momento, sem me dar tempo sequer de um último beijo no amor de minha vida, um último olhar para este sol, que teimoso e persistente, adentra em mim e que eu em todos esses anos de vida, absolutamente fantástica, nem sempre ofereci a devida atenção.

Será que acabo de acordar para a vida ou apenas estou sentindo um enorme cansaço por todo mais um ano de muitas labutas, encantos e desencantos, que nada mais representam que o reflexo de ter vivido segundo a minha propria visão mais um ano de minha vida?

Sei lá…  e de verdade é possível ter-se certeza de alguma coisa nesta vida mais que corrida, além do que podemos sentir a cada milionésimo de segundo, onde deixamos fluir nossas emoções?

Pois é, neste instante lembro de meu pai que gostava de brincar dizendo que o tempo, perguntou ao tempo, quanto tempo o tempo tem. O tempo, respondeu ao tempo que tanto tempo tem o tempo, quanto o tempo tem.

É isso aí… fim de mais um outubro e eu estou cansada, se bem que viva, meus amigos.

Isto nao é maravilhoso? Que mais posso querer?

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