quinta-feira, 31 de março de 2011

MENTES CRIATIVAS

Os princípios básicos que norteiam toda e qualquer iniciativa criativa, são aqueles em que os sentidos estão mais harmoniosamente integrados a mente. Ao decidir estudar os clássicos filósofos nesta prestigiosa universidade, tinha como propósito, não só enriquecer meu intelecto, razão da busca de conhecimentos que sempre norteou minha vida, como também, encontrar nestes clássicos ainda não lidos, fundamentos gêmeos ou parecidos aos meus pensares em relação à criatura humana, na tentativa incansável de trazê-la para mais próximo de sua própria natureza de humano, biologicamente ligado ao universo, através das energias, as quais não se sentem possuindo.

Particularmente, esperando inclusive não ser interpretada como arrogante ou pretenciosa, creio que o único e intransferível caminho que possibilite uma restruturação educacional que privilegie de norte a sul de nosso espaço territorial, seja a elaboração de um novo conceito de aprendizado em que a criatura humana seja o foco inicial e principal, despertando-a para o exercício da ética existencial e da cidadania politica e religiosa, mas, acima de tudo, priorizando-a como um ser capaz de viver sua existência, compreendendo melhor a importância de sua interação com o espaço e com as demais criaturas, sejam humanas ou não, no qual se encontra inserida.

Este é um processo que acredito despertará a consciência existencial das crianças e jovens, fazendo-as enxergarem seus universos vivenciais, sem véus camuflatórios de quaisquer naturezas e quebrando, ou rompendo assim, um ciclo simbiótico, antigo e arcaico, mas altamente corrosivo, chamado opressão, que infelizmente pode ser observado em todos os conjuntos sociais, principalmente nos locais onde o desenvolvimento educacional ainda se encontra sonolento, como por exemplo, no nordeste brasileiro, mais especificamente nas áreas rurais ou próximas delas, onde a inconsciência feudal ainda predomina, hoje não mais na figura única dos donos de terras, mas na contemporaneidade dos industriais, comerciantes , políticos e ditos formadores de opinião.

Direcionar as criaturas através da educação aos caminhos do pensamento sobre si mesmas e levá-las ao questionamento de suas atuações enquanto pessoas e cidadãs, fará com que elas possam se enxergar, antes mesmo de quaisquer outras considerações vivenciais, despertando-as para um existir mais consciente, tendo como único direcionador por todo o tempo, suas próprias vontades voluntárias, que saberão medir seus limites sem culpas, impulsionando-as a uma liberdade mais ampla no ir e vir de suas aspirações pessoais, inclusive, não as deixando perder o foco, primeiro, da importância delas no contexto existencial.

Portanto, nos estudos que doravante seguirei absorvendo, espero poder participar, não como mera observadora, mas como um ser que pensa, interage e, acima de tudo, que esta ávida a aprender tudo quanto já foi pensado, raciocinado e previamente concluído por mestres maiores das filosofias, antiga, medieval, moderna e contemporânea, com a ousadia de quem teve o privilegio de se ver e sentir integrada à vida em seu todo, esperando que o núcleo de professores filósofos que compõe o quadro de formadores de educadores do futuro, possam compreender a magnitude da necessidade em se estabelecer, pioneiramente, uma mentalidade progressista, humana e respeitosamente participativa, para que efetivamente, gerar e gerir mentes criativas no reconhecimento de suas enormes possibilidades no trato do ato de educar, fazendo destes supremos ministérios pessoais, vertentes de luzes esclarecedoras que certamente aos poucos, mas sistematicamente, irão esclarecendo as criaturas em seus vivenciares cotidianos.

Espero que o Campus de Amargosa, através dos postulantes de seu corpo docente, façam diferente, com a ousadia dos renovadores, transformando o CFP, em referência quanto a excelência na formação pioneira de educadores mais preparados para interagir com as mentes criativas dos jovens, fazendo-os mais completos e conscientes seres humanos.

terça-feira, 29 de março de 2011

VIDA E LIBERDADE

Platão
imagem: www.gilvicente.eu


Entre os céus e a terra, existem bem mais mistérios que a mente humana, provavelmente nunca desvendará.

Esta é uma afirmativa determinista já que, no colossal reservatório de potencialidades possíveis ou não de serem imaginadas, a criatura humana é sem dúvidas a mais expressiva representação vivente, pois é capaz de pensar sem limites, podendo assim ampliar por todo o tempo toda e qualquer visão que aguce o seu intelecto, apesar de ser o mais frágil quanto a sobrevivência a partir de seu nascimento até os seus primeiros anos de vida, o que faz dele um frágil em comparação com a maioria dos demais animais.

Diferentemente, a criatura humana é um auto regenerador de suas próprias mazelas físicas e emocionais, assim como o único capaz de conscientemente destruir tudo quanto lhe oferece vida.

A criatura humana dispõe de uma mente racional que produz emoções em parceria com os seus sentidos, direcionando cura ou alívio imediato a qualquer fração física de seu corpo, bastando para tanto, utilizar com sabedoria absolutamente natural e portanto, autêntica seus próprios recursos que são básicos, mas fundamentais de manutenção do qual ele depende totalmente e sem o qual, não sobreviveria mais que quatro ou cinco minutos que é justo o ar que me atrevo a chamar de bendito, pois nesta expressão encontro a máxima explicativa.

Com o bendito ar, a criatura humana, pode e deve proceder contínuas varreduras em seus canais sanguíneos, indo focar-se, se for o caso, no fracionamento físico congestionado de forma absolutamente consciente, podendo inclusive, em um grau mais evolutivo, acompanhar este trajeto, ajudando com suas vibrações de interação interior.

A longevidade vivencial, pode e deve ser determinada em tempo e qualidade a criatura humana, ficando tão somente a ele, a determinação de seus limites, posturais físicos e emocionais.

O conhecimento da matéria com a qual a mente se abriga em uma existência, deveria ser o ponto chave de toda e qualquer iniciação educacional, pois a partir dai, advirá o entendimento da importância de sua presença junto ao todo no qual se encontra inserido, assim como o despertará para as sua potencialidades que o direcionará quanto a busca de suportes básicos mas fundamentais de apoio, em relação as sua fragilidades.

Esta consciência de si mesmo e da visão periférica que este conhecimento lhe proporcionará, com certeza oferecerá ao humano meios mais seguros, dinâmicos e amorosamente pessoais de fazer opções de qualquer ordem, mantendo-o em um patamar de equilíbrio consigo mesmo e de respeito ao tudo do todo no qual se verá inserido.

Como um ser, totalmente natural, pois é originário da natureza em seu ciclo ininterrupto de criação,se apresenta, na mais completa de sua expressabilidade enquanto animal, dependendo unicamente à sua sobrevivência enquanto humano de lições primárias de humanização que advirão de um convívio interativo e participativo com o vivenciar de outras existências, tendo como suporte uma educação mais abrangente, onde o princípio primeiro e último seja a vida em sua magnitude, pois cremos que se a criatura humana, estiver consciente de sua importância enquanto unidade junto ao todo, perceberá a importância de conhecer seus limites de direitos e deveres para com este mesmo todo, pois conhecerá e sentirá o toque mágico da vida plena que, operará nela, induzindo-a naturalmente a um vivenciar mais leve e integrado ao cosmos do qual olha, mas não reconhece como parte de si mesmo.

Como as criaturas humanas possuem uma mente racional mais evoluída, diferentemente dos demais animais, ele consegue absorver conhecimentos que extrapolam a essência básica que seus sentidos podem oferecer.

Em contra partida os demais animais, por não disporem deste quesito que faz do humano superior, desenvolveram seus sentidos e com isto mantiveram-se mais autenticamente ligados a vida como expressão de harmonia existencial.

Que nos propomos por todo o tempo é justo, juntarmos estes dois infindáveis mananciais, já que o humano é capaz de pensar e compreender que é capaz de verdadeiramente ser completo em sua essência e trajetória existencial.

As margens limitadoras dos conceitos de bem viver, se encontram no interior fantasticamente esculpido pela natureza biológica de cada ser vivo, cabendo a criatura humana em vantagem sobre os demais, tão somente pelo seu ilimitado poder racional, justo passar a considerar seus benditos sentidos que são os fios de ligação dele para com o cosmo, utilizando-se então da chave mestra do controle do tempo e da qualidade de sua permanência como criatura humana, não como um eterno ser que poderia ter sido ou sentido mais isto ou aquilo, portanto limitando toda e qualquer ação de potência pessoal.

Observe que o racional humano, assim como os sentidos dos quais é dotado, faz dele um ser capaz de produzir sentimentos que se bem centrados em um todo de entendimentos equilibrados, fazem com que este crie por todo o tempo, vibrações energéticas de infindáveis valores que ampara protegendo e induzindo acima de tudo um nutrir saudável que alimenta o espaço local e universal.

Portanto, não cremos existir qualquer intensão concreta e completa a respeito de uma reformulação do sistema educacional do estágio fundamental até o acadêmico se a ele não for inserido os princípios básicos do reconhecimento pessoal em meio ao todo no qual se encontra inserido e que reconhecemos como vida.

Trata-se de um sistema educacional completo em que, o saber acadêmico se funde ao saber existencial, podendo esta inserido em uma área determinada dos estudos filosóficos que trate da educação e do homem, cuja denominação poderia ser VIDA E LIBERDADE, faculdades máximas para que uma criatura humana possa se sentir humanizada.


--

segunda-feira, 28 de março de 2011

Um mergulho no vazio

Pois é... estou tentando escrever sobre a morte de uma pessoa querida, marido de outra pessoa ainda mais querida e de repente, falta-me palavras e mais do que isto, falta-me a compreensão neste instante, absolutamente necessária para que eu justifique à minha mente racional qualquer ato irreversível que alguem possa dirigir a si mesmo.

Queria ter palavras sensatas para consolar aquela jovem de quem gosto e admiro, justo por compreender a imensa dor, que deva estar sentindo.

Mas não tenho, ficando a tela do computador como espelho nítido de uma ainda linda criatura que, deverá arrancar do fundo de seu ser, forças e muita resignação para continuar sua jornada vivencial, aceitando a dura realidade desta perda incomensurável, jamais prevista, nunca imaginada.

E, por a vida se apresentar em nós em forma de uma apoteose racional, mas que frente ao imponderável se confunde e nada entende, fica restando o emocional vibrante que busca nos sentidos um sentido maior para tudo isto, nem que seja em forma de mensagem doce para aquele que ficou chorando.

"Que as cores e os aromas, são para serem absorvidos, mesmo que atropelando o aparente impossível de não suportar-se a dor".

Deixo aqui neste instante um pouco do perfume das rosas, o brilho de uma só estrela para que minha querida Débora, possa se inspirar a seguir em frente, deixando aflorar a comprensão por um companheiro amado que fez uma dura opção.

sexta-feira, 25 de março de 2011

POTENCIALIDADE X SABOTAGEM


Thales de Mileto

Nesta manhã de sol fraco em um ambiente totalmente contrário ao qual me acostumei, por escolha própria desde sempre, observo através da janela, as pessoas indo e vindo em suas iniciações cotidianas e então penso, que foi justamente por não conseguir entender o porquê delas se apresentarem agitadas e confusas se, eu as enxergava um todo completo que, inconscientemente, comecei a percorrer seus universos pessoais, como uma ávida curiosa, buscando razões lógicas que, justificassem a anulação sistemática de suas potencialidades, através de emoções destrutivas e absolutamente inúteis, valorização de suas existências.

Fui então percebendo que a sabotagem era continuada e se apresentava através de posturas emocionais repetitivas e, portanto, viciadas, ao ponto da criatura não mais distinguir a sua real natureza, desejos e realidades íntimas, mostrando-se incapaz de conviver com elas, criando mecanismos camuflatórios por temer expor-se aos demais.

Analisando suas potencialidades, assim como suas imensas capacidades destrutivas que sabotavam por todo o tempo a grandeza de seus instantes presentes, fui percebendo o quanto de brilho ia se perdendo ao longo de suas caminhadas vivenciais, assim como desaparecia na mesma proporção os entendimentos básicos existenciais, que, deveriam estar estampado em suas peles, olhos, sorrisos e principalmente nas mentes por elas serem pensante e, portanto, deveriam funcionar como bússolas em seus caminhares.

Era-me absurdamente estranho, ter que agir contrariamente às minhas necessidades, apenas e tão somente porque deveria ser assim, porque as demais pessoas assim agiam e esperavam que eu também assim agisse.

Mas eu pensava: O que farei do meu querer?

_Como poderia sobreviver, sufocando o que enxergava, ouvia e sentia de minha insistente força íntima?

_ Como anularia em mim a força propulsora que me fazia querer viver de acordo com o que absorvia de orientação pessoal mental?

Como controlaria aquele tsunami emocional que queria fazer de mim um ser totalmente livre das amarras de um cotidiano que por todo o tempo me parecia pobre, repetitivo, sem qualquer colorido ou perfume que minha natureza identificava com tantas afinidades com a natureza pura e abastecedora com a qual eu convivia em meio à minha Guapimirim.

Confesso que este tem sido o maior desafio de minha vida a ser superado ou conquistado, sei lá...

Afinal, é sempre mais cômodo analisar os demais, crendo estarmos sempre encontrando o ponto de equilíbrio que faria do outro um ser mais equilibradamente natural.

Entretanto, entendo até mesmo por experiência própria que somente nós mesmos somos capazes de adentar em nossas mais profundas cavernas interiores para extrair de lá as lógicas racionais que justifiquem toda e qualquer superação de sufocamento emocional, ficando as ciências da mente e da farmacologia como coadjuvantes neste processo de restauro nem sempre conquistados em sua magnitude, mas possivelmente esclarecedor, esbarrando sempre na vontade voluntária de nós mesmos que de tão condicionados a sentirmos medo em viver, enfiamos nossas mentes em um saco invisível que nos faz não enxergar o que nós mesmos ansiamos em nos apresentar.

Após tantos anos de tentativas e desistências, creio que o medo de viver sendo o que sou é sempre o que mais me assusta e também aos demais.

--

quarta-feira, 23 de março de 2011

FESTA DAS MULHERES

Seguindo a programação de homenagens às mulheres neste mês de março que é dedicado mundialmente a elas, a Biblioteca Juracy Magalhães Junior, 19 último, ofereceu uma medalha de Honra ao Mérito a algumas mulheres que se destacaram em várias áreas.

Também na ocasião a Sra. Reinalice Pereira dos Santos, escritora e atuante líder da Associação das Mulheres de Ponta de Areia, lançou uma coleção de histórias infantis de sua autoria, com enorme sucesso.

Parabéns, portanto, a querida Dalva Tavares, diretora da Biblioteca que, afinal, mantém acesa através de suas iniciativas constantes, a interação participativa daquele tão importante centro cultural com a comunidade.

Pessoalmente, agradeço a sempre lembrança de meu nome e deixo aqui registrado toda a honra que senti pela homenagem que me foi oferecida, esperando poder a cada instante retribuir com carinho e respeito, todas as honrarias que venho recebendo ao longo destes oito anos de trabalhos e dedicação à frente com minha família do Jornal Variedades, pólo integrador das cidades de Itaparica e Vera Cruz.

BEM DIFERENTE

Ao contrário do que ocorreu em praticamente todos os amanheceres de minha existência de escrevinhadora do universo, hoje foi diferente, pois não senti os aromas de minhas frutas, não ouvi meus passarinhos chegando para suas festas matinais e tão pouco pude enxergar, ouvindo ao mesmo tempo, o farfalhar dos coqueiros e dos galhos fartos de minhas árvores frutíferas. Não alimentei meu peixe, não dei bom dia aos meus cães e não coei o café.

Não esquentei o pão, não tomei café com o meu velho e tudo que estou sentindo é um enorme vazio de saudades.

Tomar decisões é sempre muito complicado quando os sentimentos amorosos estão envolvidos, mas o espírito de sobrevivência pessoal insiste em gritar muito alto, como uma voz interior ensurdecedora que me empurra ladeira abaixo, talvez para que de verdade eu possa vir a conhecer o fundo do poço.

Alimento-me então da ilusão esperançosa de quando lá chegar, ainda encontrar forças para emergir, mais forte e menos doída.

Será?

Enquanto penso no que não fiz, olho-me no espelho tentando encontrar aquela mesma criatura de sempre.

- Aonde você foi parar, dona Regina?

Pergunto a mim mesma, eu sei, mas na realidade sem me reconhecer e aí, neste exato momento, percebo que de verdade, aqui se encontra um novo alguém, ainda desconhecido, meio sem lugar, assim sem jeito, tentando se ajustar.

Chego mais perto do espelho, quero perceber detalhes ou simplesmente busco encontrar pelo menos um fragmento da velha e tão conhecida Regina?

Penso neste instante de buscas que de tão acostumada eu estou em ser o que eu pensava ser, que além de não me reconhecer como realmente sou, ainda me cego, me confundo e me saboto na tentativa meio louca de permanecer no comodismo de não querer aceitar que mudei e que finalmente terei que admitir que fui capaz de extrair, mesmo a duras penas, o meu original guardado, rasgando a cópia velha e amarelada que se passava por mim.

Tudo está tão diferente que precisarei de um tempo, só de um tempinho para finalmente me aceitar exatamente como sou e sendo o que descobri que sou, nada mais posso querer, além de voltar a receber os meus pássaros a cada manhã, sem o constrangimento de não saber exatamente quem sou.

Agora, com o rosto e o corpo, tão próximos do espelho, abraço apertado esta velha e linda senhora que brotou de mim e me faz sorrir.

Bom Dia a todos.

terça-feira, 22 de março de 2011

Filosofia é uma ciência?

Kant - paginasperdidas.files.wordpress.com

Analisando o texto que me foi apresentado, registro a certeza de que Filosofia, independentemente de poder ser considerada uma ciência ou não, é um manancial inesgotável de possibilidades criativas, investigativas, esclarecedoras, pois apresenta visões inovadoras assim como apresenta argumentos esclarecedores concordantes ou não sobre qualquer questão, fundamentos em profundos estudos analíticos comprovados através de uma lógica argumentativa.

Se pensarmos que a ciência de uma área de estudos por si só é um conjunto de regras estabelecidas sem correlação com as demais, somos obrigados a discordar na medida em que torna-se impossível a dissociação do inconsciente do consciente, associado aos costumes culturais e hábitos vivenciais, na concepção de qualquer formatação seja ideológica, seja racionalmente exata dentro de uma linha de raciocínio.

Pondero, portanto, que para se exercer o privilégio do uso contínuo e lógico do pensamento e raciocínio criativo, torna-se necessário o uso da curiosidade investigativa como mola propulsora da criatividade, estimuladora do saber com entendimento compreensivo.

Havendo então o pensamento focado em uma questão específica assim como, um raciocínio questionador, formar-se-á uma união indissolúvel, fazendo surgir linhas opcionais de entendimentos amplos e irrestritos, pois para serem fundamentados com propriedades lógicas, precisarão estar atrelados a uma visão periférica dos conteúdos existenciais de qualquer natureza, pois não há, a meu ver, unilateriedade em se tratando de existência, permanecendo tudo como parte de um todo a ser entendido e a busca destes entendimentos compreensivos, dá-se então a designação de estudos filosóficos ou ciência da filosofia.

Particularmente, ao decidir adentrar no mundo acadêmico Filosófico, desejei conhecer todos os existentes raciocínios dos grandes mestres se deles puder extrair meus próprios entendimentos, contestando-os ou concordando com seus fundamentos, mas acima de tudo nutrindo meus pensamentos investigativos nas águas já seguramente analisadas de seus pensamentos conclusivos e esclarecedores.

Em se tratando da questão da associação ou não da religião e da filosofia, entendo que uma está atrelada a outra, até o limite da formação dogmática e do despertamento do envolvimento emocional coletivo, ficando então a filosofia como instrumento ideológico que se confunde aos sentimentos que são produzidos, levando a crer-se, se descuidado ficarmos que no ato religioso postural e emocional reside a compreensão daqueles que a seguem ou praticam.

Daí, uma aparente rejeição da filosofia e de seus estudiosos e praticantes intelectuais quanto a prática filosófica aplicativa, já que não reside naqueles que a criam ou praticam, o interesse maior e portanto essencial em verdadeiramente entender as causas e os efeitos produzidas pela mesmas, a não ser de forma egoística e individual de obtenção de recursos paliativos a condução de suas vivencias existenciais.


--

segunda-feira, 7 de março de 2011

FASCINAÇÃO

Neste começo de manhã, enquanto me banhava no mar de Ponta de Areia, rindo e agradecendo a Deus pelo sossego que estávamos usufruindo, sim, porque a galera da folia ainda não tinha se levantado, além de uns gatos pingados que não chegavam a incomodar, porém, eis que surge um baita ônibus, daqueles que assustam pelo tamanho e, dependendo do momento, assustam mais pelo que transportam.
Calei-me na expectativa do previsto não desejado, mas não sem vez por outra fazer um comentário mais que sarcástico, porque me dei de repente conta de que estava mesmo era sendo preconceituosa, maldosa, maliciosa, impiedosa e todos os adjetivos possíveis ainda eram poucos para a minha estarrecedora crueldade e pobreza de espírito.
Falava, gozava e lamentava, por me achar melhor que aquelas criaturas que desciam apressadas, loucas para pisarem na areia, finalmente livres, alguns paravam fascinados com o espetáculo que se descortinava diante de seus olhos em uma nítida e autêntica realidade de que jamais até então, haviam conhecido as belezas de qualquer praia, fosse onde fosse.
Por um segundo interminável que me cortou a mente, senti imensa vergonha de mim mesma.
Afinal, perguntei-me em voz alta, despertando a curiosidade de meu marido que calado, mas não menos preconceituoso, ao meu lado permanecia.
­- Quem eu penso que sou para criticar estas criaturas em suas autênticas fascinações?
- Que diabo penso que sou para achar que sou mais merecedora de frequentar uma praia?
- Quem sou eu para determinar isto ou aquilo?
- Que tenho eu de tão supremo e especial para criticar suas simplicidades em carregarem suas matulas?
Comento, então, já num tom mais ameno:
- Eles estão felizes em suas realidades, quantos de nós poderíamos falar o mesmo?
Pois é, entre a vergonha de constatar o absurdo de meu preconceito sem qualquer pudor em demonstrá-lo, surgiu em mim uma enorme generosidade em me perdoar, amparada que me encontrava nos conhecimentos existenciais que venho buscando ao longo de minha vida, além de, mais uma vez, constatar o quanto tem sido difícil livrar-me de posturas velhas e corroídas, frutos de uma educação caduca, feudal e maligna que me fez crer durante décadas que por isto ou aquilo, que por questões genéticas ou socioculturais ou pura sorte, eu era melhor que alguém.
Afundei a cabeça na água e por lá permaneci até precisar recuperar o fôlego, emergindo, então, com uma sensação diferente, mais leve, enxergando o sol que começava a se firmar um pouco mais brilhante e que me fez sentir uma sensação gratificante de que, esta era uma manhã extremamente especial, porque, afinal, aprendera um pouco mais sobre mim mesma.
Que coisa, heim!!!!

sábado, 5 de março de 2011

CARNAVAL

Acho que é uma questão de gosto pessoal o fato de eu não gostar de brincar no carnaval.
Desde sempre que posso me lembrar, repudiei qualquer ideia relacionada a esta festa popular que a maioria dos mortais adora, e sem que tenha havido qualquer motivo a me levar a este sentimento hostil, pois acho tudo muito sem sentido ou talvez apenas enxergue uma oportunidade das pessoas se deixarem levar por alguns dias para uma irrealidade que momentaneamente as seduz e imprime uma sensação de felicidade.
Deve ser bom, não questiono as benesses oferecidas por estes momentos que associados ao álcool e coisinhas mais possam oferecer fuga barulhenta e normalmente regada também de muita liberação sexual, e pensando nisto, penso no quanto deve ser estranho no dia seguinte, se a memória aflorar, lembrar-se das muitas bocas beijadas, carícias trocadas e sexos realizados com corpos e almas de verdadeiros estranhos.
Além de muito bom que muitos dizem ser, pergunto :
- O que fica? Ou nada mesmo é para ficar?
Confesso que jamais entendi estas posturas que chamam ora de liberdade, ora de felicidade, ora de grande barato. Talvez eu sempre tenha tido uma personalidade retrógrada, muitos diriam, assim como podem inclusive achar que sou uma moralista fora de moda.
Na realidade, não sou nada disso, apenas alguém que não consegue assimilar determinadas posturas humanas, enxergando nelas tão somente um profundo vazio.
No entanto, creio que há sempre um lado positivo ou, pelo menos, razoável de ser apreciado, como por exemplo os desfiles das escolas de Samba, dos blocos tradicionais e, neste ano, o ressurgimento dos desfiles de fantasias que durante décadas coloriram o carnaval com luxo e originalidade, desfocando um pouco o negativo dos sexos explícitos nos salões e calçadas que as revistas e os jornais, já na década de setenta, exibiam em sua páginas, fazendo do que já foi uma festa popular de pura alegria um desregramento total.
Conto os minutos e os segundos para a bendita chegada da quarta–feira de cinzas, onde então calar-se–ão os batuques e trios elétricos e se contabilizarão os prejuízos e inconsequências, que para alguns, infelizmente, terá como preço a própria vida, que severa cobradora certamente não deixará passar batido sem apresentar o seu ônus devido.
Todavia, pra quem gosta e se acostumou às ressacas do depois, tudo é fantasia, tudo é serpentina, tudo é alegria.
Será?

sexta-feira, 4 de março de 2011

Relações promíscuas...

Reconheço que ando escrevendo bem menos que o habitual, buscando uma razão plausível, creio que o motivo são as emoções pessoais que andam a mil .
Como sou uma questionadora contumaz de minhas próprias reações, fazendo de mim não uma cobradora, mas acima de tudo uma observadora, reconheço que tenho permanecido bem mais interiorizada, relaxando através de sistemáticos exercícios respiratórios, caminhando logo ao amanhecer nas areias de minha praia, lendo tudo que pinta na minha frente, enfim, fazendo uma espécie de pausa, deixando, assim, minha mente descansar dos assuntos que em sua maioria são os mesmos, mas que com a cabeça descansada sou capaz de enxergá-los sempre com ângulos e focos diferenciados.
Em meio a esta pausa, que creio ser merecida, vejo minha Itaparica indo aos poucos sendo tomada por visitantes que por aqui aportam em busca de um feriado carnavalesco menos confuso, barulhento e perigoso, pois apesar de reclamarmos por todo o tempo que a cidade está violenta, se compararmos com a capital e outras cidades do interior, isto aqui ainda é paraiso, onde ainda é possível passear pelos calçadões, conversar com os vizinhos sentada no portão de nossas casas e, até que eu saiba, ainda não se falou em trombadinhas.
Venho reparando que nos últimos meses, os assaltos diminuiram, pelo menos, não tenho escutado tantas reclamações de amigos ou denúncias de leitores do jornal, crendo eu que a polícia tem realizado o seu trabalho com mais eficácia.
Enquanto isso, nas esquinas e botecos, o assunto é política, bem por aqui é assim que chamam a troca de porcariada sem rumo que assola esta cidade desde os tempos idos de um progresso que não aconteceu.
Entretanto, dentre as mazelas constantes, é preciso ressaltar as coisas raras que acontecem, e uma delas é a manutenção da limpeza da cidade, das pinturas constantes de meios fios, das ruas iluminadas, o que oferece um "me engana que eu gosto", mas que agrada aos olhos e disfarça a mente para todo o restante de porcariadas que se sucedem.
Menos mal para as vistas, mas triste para os professores que sequer têm giz para dar suas aulas, para os alunos que não recebem merenda escolar, para os doentes que não encontram remédios de que necessitam e de profissionais adequados para atendê-los.
Todavia, se não reclamam, deduzo que esteja bem para eles ou sequer saibam em sua maioria que tem direito a tudo isso e mais alguma coisa como cidadãos.
A pilhagem é geral do alho aos bugalhos, assim como o silêncio é sepulcral, como se tudo estivesse bem, e talvez esteja mesmo, afinal se jamais comi banana, como reconhecer o seu sabor original, não é mesmo?
Enquanto isso, vou cuidar da minha vida, antes que me enterrem tal qual fizeram com a cidade, pois tenho observado que no final das contas todos são amigos, todos se unem quando seus interesses convergem e tudo permanece igual, e certamente não serei eu, a branca de fora, que vai mudar alguma coisa.
Lamento, mas fazer o quê?
Enquanto isso, vez por outra, reclamo um pouco, faço birra e bato os pés, usando os recursos de que disponho, para pedir socorro ao ministério publico, que sem vida, sem alma e absolutamente omisso, tudo assiste de braços cruzados como se todas essas mazelas, assim como o bem estar do povo, não lhe dissessem respeito.
A ligação promíscua do legislativo com o executivo, sob o olhar benevolente do judiciário, destrói de forma cruel a esperança desse povo já tão sofrido, com a justificativa de se fazer alianças e articulações políticas, quando na verdade usam do dinheiro público para bancar os interresses puramente particulares.
Que coisa, heim!

terça-feira, 1 de março de 2011

CRI CRI…

Semana passada, fui convidada a participar da segunda reunião, na Biblioteca Pública de Itaparica, para tratar de assuntos relacionados aos problemas que mais afligem e atrasam o desenvolvimento turístico da Ilha de Itaparica, dentro de uma programação de formação de um cluster de empresários, políticos e membros da sociedade como um todo.
Infelizmente, não compareci na primeira, por motivos pessoais, apesar de ter sido devidamente convidada, o que lamentei, pois se tivesse estado presente, certamente, teria esclarecido melhor os objetivos para a próxima reunião.

E aí, como sou uma chata que gosta de entender os objetivos de qualquer ação, principalmente se ela é de cunho social, permaneci como observadora no primeiro terço do colóquio de 20 pessoas, em sua maioria ausente da primeira reunião, alguns integrantes não moradores e tão pouco veranistas e, portanto, apenas conhecedores de parte de nossas mazelas, graças aos órgãos de comunicação de Salvador.

Em dado momento, conscientizei-me de que estávamos ali para tratar do assunto referente à segurança pública, que havia sido eleita na reunião anterior como a maior chaga a afastar turistas, veranistas e aterrorizar moradores.

Este foi o meu entendimento, mas infelizmente outras 19 pessoas entenderam outros dezenoves objetivos e, de repente, graças ao bom Deus que manteve de boca fechada pelo menos uns 10, o samba do crioulo doido começou a ecoar e ninguém mais entendia que negócio era aquele onde de tudo saiu, até mesmo história de um cavaleiro mascarado que, segundo a narradora, vinha roubando à luz do dia e aterrorizando desde a semana anterior os banhistas das praias da Barra do Gil, Conceição, Coroa e adjacências, se não me falha a memória.

QUE COISA HEIM!

Enfim, de concreto só restou mesmo a marcação da próxima reunião que acontecerá, em princípio, no Club Med, em tal dia, às tantas horas, sem que os diretores do referido Hotel tenham sido comunicados com a devida antecedência ou até mesmo concordado.

Será que isto está acontecendo de verdade... (pensei incrédula).

Se eu fosse como jornalista, registar os desvios de objetividades, certamente teria muitas laudas a redigir, mas aí, de crônica do cotidiano, eu fatalmente cairia na comédia da vida social, o que não vem ao caso, ficando através desta apenas o registro do meu repúdio por toda e qualquer reunião sem planejamento, objetividade e consciência cidadã, onde as pessoas são convidadas indiscriminadamente e a elas não é oferecido sequer um rumo ou uma centelha do que se deseja repassar ou discutir.E aí, alguns podem até me considerar cri cri, mas em se tratando de assuntos que envolvem a comunidade, sou chata mesmo e não admito frescuras, perdas de tempo e analogias primárias e abusivas às verdadeiras necessidades que flagelam sem qualquer piedade a minha ou outra qualquer cidade.

--