sábado, 30 de março de 2013

Universo da solidão das palavras



No que escrevo, transformo-me na representação mais real do solitário, sem que haja qualquer conotação de frustração no ato constante de, ao escrever, estar só, tendo apenas, como companheiro, o universo da minha própria imaginação.
Agora por exemplo, a família inteira está reunida assistindo a um filme, na sala contínua a que me encontro e, de onde estou, posso ouvi-los e vê-los, enquanto posso também, egoisticamente observá-los, um a um nas vezes que faço pausa, entre uma frase e outra.
Penso no quanto somos unidos e no quanto somos diferentes, no quanto nos amamos e no quanto discordamos, fazendo desta parceria de vivência, um constante aprendizado, na consciência sempre presente do quanto somos singulares.
Posso também, escrever ao som dos grilos que posso dimensionar de forma a suplantar todos os demais sons, como se em minha mente houvesse um controle de volume que disponho ao meu prazer.
 Faço isso agora, e me deixo invadir pelos sons da noite que me chegam através da janela, trazendo com eles, o aroma de terra e das vegetações molhadas, meus velhos conhecidos de quem tanto gosto.
Gostaria de escrever um verso esta noite, escrever até mesmo plagiando Neruda, mas minha mente se recusa, sinto-a pensando e pensando num frenesi absurdo de palavras e emoções incontroláveis, mas como estou só, respiro fundo e me perdoo, deixando apenas fluir o que observo, extraindo desta solidão de escrevinhadora, poemas sem rima, palavras sem nexo, versos sem fim.

quinta-feira, 28 de março de 2013

Maravilha!



São 18 horas e acabei de chegar da praia, tomei um banho morno e já estou aqui, querendo muito contar para vocês mais esta espetacular experiência de vida que fui agraciada no dia de hoje.
Depois do programa Show da Manhã, na Tupinambá FM, fui com Josy, Eduardo, Roberto e, na parte da tarde, também com o Felipe, correr as ruas, becos e vielas de Itaparica com a única tarefa de entregar as 33 cestas (550 Kg) de alimentos básicos que nos foram oferecidas por 120 lindas criaturas que, mesmo sem maiores programações, decidiram fazer a diferença para algumas famílias nesta páscoa.
Pois bem, depois de cinco horas de idas e vindas, sob um sol abrasador, tentando, muitas vezes em vão, encontrar as pessoas indicadas, só conseguimos entregar 19 cestas, ficando as outras para serem entregues no próximo sábado.
Bem, mas isto não é problema, pois o melhor de tudo é a grandeza da busca e o prazer do encontro, além do imenso e incomensurável aprendizado de vida, onde o parâmetro maior é a certeza de que somos, em todos os aspectos, pessoas abençoadas.
Quando adolescente, minha mãe colocou-me aos sábados para frequentar a mocidade espírita Alan Kardec e, semana após semana, fui aprendendo nas reuniões que antecediam às visitas aos hospitais, asilos e creches, a compreender a importância de não viver e crescer alienada, acreditando que meu universo de garota de Ipanema que tudo tinha e nada faltava, era o mesmo para todos os demais.
Penso, então, neste instante em que relaxo escrevendo que, certamente por esta razão, me sinta serena e em absoluta paz, agradecendo a Deus por ele ter sido tão generoso comigo por todo o tempo, ao ponto de crer que, não preciso de mais nada, além do que já tenho e ainda por cima, me sentir acanhada por ele continuar me brindando incansavelmente através de abraços fraternos, sorrisos acolhedores e muitas lágrimas de pura emoção que me foram oferecidos, neste dia bendito.
Penso também que trabalhamos e estudamos com o único intento de sermos felizes e nos esquecemos nesta labuta diária que, para sermos, precisamos encontrar a plenitude de extrair de cada milionésimo de segundo, o melhor de nós mesmos, em um ourivamento pessoal sem tréguas, pois, afinal, nada sabemos, tudo se renova e a vida é tão somente uma escola sem livros, com uma tenaz caneta que registra e imprime no perfil de nós mesmos, todas as passadas garimpadas  e devidamente ourivadas.
 Pense nisto, antes de reclamar tanto, achando que possui tão pouco. 

quarta-feira, 27 de março de 2013

CELEBRANDO



O dia mal clareou e ao abrir a janela da sala, paro, fecho os olhos e inspiro profundamente este aroma fantástico que chega do jardim, trazendo com ele, as delícias do gramado, das flores, dos frutos e principalmente da terra, todos umedecidos pela chuva que certamente regou o jardim, ajudando a transformar um simples ato de abrir uma janela, num celebrar de vida incomparável.
Instintivamente, penso em Deus, no universo e me sinto viva. Abro meus olhos e me vejo integrada, participante, absolutamente ativa,  levando-me na direção do computador e me inspirando à escrever e é o que faço agora, registrando as delícias de me sentir existindo.
Um lindo amanhecer também para você!

sábado, 23 de março de 2013

MINHA MÃE


Hoje, ela estaria completando 93 anos e, certamente, ainda estaria com o seu sorriso franco e sua forma sempre discreta de ser. Era uma verdadeira dama, repleta de posturas adequadas sem, todavia, ser artificial ou pernóstica.
Gosto de me lembrar de sua serenidade no trato com as situações difíceis e de sua sensibilidade de comando na administração de nossa família, fazendo questão de deixar as glorias dos sucessos como méritos de meu pai, e este, sabia se gabar, na maior cara de pau.
Mas ela se foi muito cedo, com penas 48 anos, deixando nas nossas lembranças, seus lindos  cabelos negros que muito a incomodavam, pois escorria sobre os olhos, não havendo grampos que os prendessem de tão escorridos que eram.
Sinto até hoje não ter, como ela, meus cabelos lisos, mas em compensação, herdei os olhos negros  o sorriso largo e o gosto pela música e a poesia.
Herdei também o gênio forte, o espírito mandão e o prazer de escutar os sons do bendito silêncio, onde, então, o bater das asas do beija-flor, são como vibrações sonoras da mais alta qualidade.
Herdei também a capacidade em amar a vida, acreditando que ela não se acaba, tão somente se transforma, se transmuta e se renova em um ciclo interminável, deixando sempre como legado, uma memória emocional, onde não reside a consciência, existindo apenas uma continuidade de posturas e sentimentos, fácil de identificar.
Saudades de Dona Hilda que supero em todas as vezes que me olho no espelho e me abraço, pois sinto em mim, grande parte dela.

sexta-feira, 22 de março de 2013

QUEM VAI SABER...


Penso desde sempre no quanto somos capazes de produzir e conquistar com toda esta capacidade física e mental com a qual fomos abastecidos sem qualquer restrição pré-determinada na construção de nossos desejos que inspiram sentimentos e estes emoções.
Penso nesta cadeia de elos neurônicos que se unem na elaboração de perfis absolutamente individuais, tais como os genes que formam o nosso DNA, tornando-nos únicos e incomensuravelmente sós e responsáveis por nossas opções.
Todavia, seria também esta uma verdade, onde não cabem dúvidas?
Seria justo, imputarmos somente a nós a responsabilidade das nossas escolhas se vivemos desde sempre atrelados a um sistema vivencial, repleto de informações que fatalmente nos direciona a este ou aquele rumo?
Seria prudente filosofar sobre escolhas pessoais, sem que cheguemos ao cerne da questão, onde já é possível ter-se certa precisão, do início em que começamos a ser influenciados?
Afinal, onde residiria toda a nossa herança genética física e emocional, neste complexo e fabuloso corpo que denominamos de humano?
E como armazenaríamos o manancial inesgotável de informações que nos é repassado desde a fabulosa fecundação?
Penso que, como seres vivos que pensam, somos grandiosos estrategistas, afinal, somos capazes de acomodar todas as informações que nos chegam de universos diferenciados e em sua maioria desordenadas em uma estrutura mental e física que precisa de  toda uma existência para ir se formando e adaptando a um mundo e a situações totalmente adversas a si próprio.
Agora, deduzir-se que, além de tudo, somos possuidores de autonomia suficiente para selecionar com precisão irretocável e, ainda por cima, filtrar e finalmente armazenar o que nos é afim sem que haja qualquer influência externa, crendo em nossa absoluta isenção, bem, neste caso, residem todos os casos que caracterizam o ser humano como uma caixa de pandora, onde nem ele mesmo tem coragem de abrir, pois teme o que irá verdadeiramente encontrar.
Mas, será que conseguiria identificar como real tudo que porventura encontrasse?
Ou apenas, teme encontrar o resultado da miscelânea que foi absorvendo ao longo de sua jornada, além da sua natureza crua e nua, sem qualquer camuflagem?
Será que somos sempre de origem pura, tipo folha em branco a ser escrita ou já trazemos um histórico básico que ao se fundir com as novas informações que chegam e, então, traçam perfis identificatórios?
Penso que já trazemos nossa própria bagagem que ao se fundir com as informações descontroladas que chegam a cada milionésimo de segundo, criam verdadeiros caos existenciais, alegria dos psiquiatras e psicólogos, gurus e etc. e tal.
Aliás, o etc. e tal, nem sempre capaz de ser devidamente identificado é o que mais pode ser encontrado no mercado das soluções midiáticas. Eles estão sempre com uma solução imediata e definitiva para socorrer o incauto que perdido se encontra em meio ao turbilhão de informações que seu físico e sua mente, já não conseguem processar.
E em meio a tantas inerências, fazer o quê, não é mesmo?
Um socorrinho aqui, outro ali e vamos tocando a vida, agarrando-nos a qualquer tábua que nos garanta sobrevivência e enquanto isto, trabalhamos, beijamos, amamos, fazemos e trazemos ao mundo mais seres que se tornarão também confusos, mas estaremos todos vivendo em um ciclo ininterrupto de vida que particularmente, gosto que tenha liberdade para no mínimo, amanhecer o dia como faço agora, escrevendo abobrinhas que aliás, tem o meu mais autêntico perfil.
Será isto verdade?
Quem vai saber...

segunda-feira, 18 de março de 2013

ENTRE A CRUZ E A ESPADA



Somos pessoas muito complicadas, pois estamos permanentemente em conflito entre o que falamos, que nem sempre é o que estamos pensando, e muito menos o que fazemos, e ainda assim, acreditamos piamente que somos honestos, íntegros e etc...
Que coisa, heim!!!
E não adianta achar que sou exagerada, afinal, se fossemos esta cocada toda que apregoamos por todo tempo, através principalmente do que falamos, o mundo e a convivência desta humanidade com ele (mundo), certamente estaria muito melhor e em alguns aspectos que adoramos fantasiar com frases feitas e refrãos adocicados, nos salões e redes sociais, aí sim, estaríamos vivendo em meio à perfeição.
Pelo menos, somos desejosos e sabemos exatamente como deveríamos agir, mas o porquê de não o fazermos, bem...
Este é o enigma mental que nos torna seres incoerentes, pois sabemos como deveria ser, mas insistimos no contrário, geralmente infernizando a nós e ao tudo que nos cerca, mas e daí, não é mesmo?
Não seria a vivência uma enorme peça teatral, onde nós os artistas em cena devemos apenas seguir o roteiro?
Não serão todas as experiências, ensaios de uma comissão de frente que se diferencia apenas pela pirâmide social?
Buscamos parecer diferentes frente ao absurdo, mas não resistimos e na hora H, agimos no mínimo como folhas mortas, sem alma e vontade própria, nos tornamos iguais ao que cremos ser o nosso igual numa cumplicidade inconsequente, diante do que havíamos condenado com a nossa eloquência.
Forço-me a pensar nisso, sempre que levanto bandeiras em defesa do social.
Afinal, como conciliar pensamento, ação e eloquência e ainda permanecer em sociedade?
Coisa de louco, sô!!!

sexta-feira, 15 de março de 2013

PECADO DE TODOS NÓS



Como de hábito, acordei nesta manhã pensando em escrever sobre algo que me fosse relevante e logo surgiu em minha mente, a ingratidão. Corri buscando auxílio no Aurélio, afinal, além de ser um adjetivo muito difundido, desejei saber a extensão de seu real significado.
Depois de ler, confirmei minha suspeitas de que um ser ingrato é todo aquele que não sabe reconhecer os benefícios  recebidos.
E aí, pensei imediatamente, no quanto somos todos em algum momento, pobres de alma o suficiente para virarmos as costas  a um ato de amor, solidariedade e desprendimento que outro alguém foi capaz de nos oferecer.
Pensei na vida, que nos estreita e, no quanto, com ela somos cruéis. Quando dela não nos esquecemos, certamente tentamos destruí-la com  a nossa indiferença, pouco caso ou agressão.
E aos pais, amigos  e etc e tal?
Somos capazes de trair, mentir e abandonar.
Somos capazes de escarnear, difamar, esquecer  e até mesmo  matar este alguém que em algum momento ou por quase toda uma vida, nos estendeu a mão ou simplesmente a nós se doou.
Somos insignificantes  frente a grandeza do poder do reconhecimento, porque somos imediatistas, esquecidos e preguiçosos.
Porque somos humanos com lógica e sentimentos.
Não me sinto amarga ou alvo de alguma ingratidão, muito menos que arrependida, tento pedir perdão.
Sou tão somente uma Regina com acertos e muitos erros, tentando entender a complexidade emocional que norteia a própria vida, tirando muitas vezes as abelhas e os beija-flores da polinização dos benditos sentimentos, que estruturam os mais significativos instantes de vida.
Louvados, portanto, os pensamentos, as inspirações e os questionamentos que nos fazem refletir na busca de algum entendimento.

quarta-feira, 13 de março de 2013

O MAR BEIJA A AREIA



Hoje acordei estranha, pensando na vida que tenho levado, nos meus sentimentos e na serenidade que tenho percebido em mim, frente àquelas situações, às vezes desagradáveis.
Todavia, tenho observado que para cada ação, minha reação tem sido também mais suavizada e fico então me perguntando, se isto vem ocorrendo por causa da idade ou pelo acúmulo de experiências, tipo:
- Eu já passei por isso...
Seja lá por que motivo, a realidade é que tenho a sensação de já ter experimentado algo no mínimo parecido.
Concluo, portanto, que somos criaturinhas que pouco ainda exploramos o campo da diversidade criativa, permanecendo na mesmice comportamental, deixando os extremos como diferencial, que ainda assim, são desprovidos de originalidade.
Talvez, por esta ou outra razão que me seja ainda desconhecida, fui mesmo que inconscientemente, me preservando e preservando também os demais, na medida em que evito conflitos e embates, pois lá no fundo de minha lógica consciente, algo me diz não ser original.
E se não o é, nada aprenderei ou acrescentarei em meu percurso existencial e como sou egocêntrica na minha busca de conhecimentos, principalmente em se tratando das posturas e emoções humanas, suavizo e deixo-a passar como se fossem marolas que logo se desfazem, esparramando-se nas areias em um ciclo maravilhoso do vir do mar e do sorver das areias em um espetáculo que me prendeu a atenção quando criança e que ainda hoje, me serve de parâmetros vivenciais.
O mar beija a areia e esta o absorve imutável, independentemente dele estar calmo ou agitado, moldando-se apenas as marés em recuos adaptativos que alteram a geografia da praia, sem que jamais se permita alterar o contexto de si própria, forçando assim, com o silêncio de sua tenacidade, o inconstante mar, a ir bater-se nos rochedos, dia e noite sem parar.

sábado, 9 de março de 2013

BOM DIA!



Penso nos beija-flores e enxergo a vida, penso nas amoras e sinto a vida, ouço a chuva cair ainda arredia, refrescando a grama, os frutos, as flores e certamente, me sinto existindo.
Penso nos amores que dividem e, sinto pena...
Ninguém tem nada meu bem, a não ser que tu também estejas sempre a sonhar, pois os sonhos são os mais profundos, são como poços bem fundos, que só o amor pode alcançar.
Para as mulheres no dia seguinte do dia Internacional das mulheres, onde tudo continua e é então, possível rever-se valores, muitas vezes velhos e corroídos.
Amor de verdade não rouba, não mata e muito menos divide.
Amor de verdade, acrescenta, faz renascer e soma, enxergando beija-flores, amoras e a bendita chuva que afinal, só acrescentam, completam e nos ensinam a viver.
Que neste sábado, os aromas e as cores sejam seus maiores inspiradores e que o amor que você sente que tem, seja universal, para que não se ofusque, perdendo o brilho.

sábado, 2 de março de 2013

UNIVERSALIDADE...rio abaixo.



Acordei  e imediatamente corri para o computador para registrar os pensamentos que povoaram o meu sono, não  na criação de pesadelos, mas na forma de análise intuitiva  e avaliativa de proposições que veem desvirtuando os conceitos mais antigos e , portanto, tradicionalmente aceitos e comprovadamente responsáveis pela preservação de algumas instituições públicas que sempre representaram o sustentáculo equilibratório do sucesso e do desenvolvimento sócio econômico de qualquer sociedade, defendidas em seus propósitos fundamentais por cientista e filósofos da humanidade, desde os primórdios da elaboração de sistemas políticos onde a universalidade, fosse a base estrutural de preservação de todo e qualquer interesse individual.
Penso então, que o médico, o jurista e o professor deveriam ser os pilares de toda e qualquer sociedade, uma vez que cada qual no desenvolvimento de seus  conhecimentos, amparados e estimulados nos seus princípios éticos, manter-se-iam como  margens contentoras e seguras  aos interesses mais cruciais de seus cidadãos.
Lendo-se a história da humanidade, mesmo para mim que nada mais sou que um simples aprendiz, pode-se perceber que esta foi uma árdua tarefa que inclusive, levou ao martírio muitos dos defensores da crença lógica de que o bem comum precisa ser preservado a qualquer preço, o que tem sido em parte conseguido, pelo menos, em locais onde o desenvolvimento educacional se tornou expressivo em meio aos seus cidadãos.
Fora isto, o que se tem constatado em proporções absurdas, é um atraso cruel, que joga por terra, através de manipulação sócio emocional, os direitos individuais que em sua somatória, tem soterrado os direitos da coletividade sem que esta, verdadeiramente se dê conta da gravidade de seu próprio flagelo.
A violação sistemática dos valores mais do que vivenciados e aprovados nos seios das mais rígidas sociedades mundiais, afronta de forma indelével, povos que ainda vivem arremedos do que denominam como DEMOCRACIA.
Falar-se em direitos humanos em países como o Brasil, onde o despropósito de valores e posturas político social desce rio abaixo a cada instante, é no mínimo, escarniar com toda e qualquer capacidade avaliativa que advém além da observação in loco, também da busca incessante de um aperfeiçoamento da questão da humanização entre estes dois aspectos que, afinal, deveriam andar juntos em prol de um desenvolvimento sustentável e, portanto, real e consistente como ocorre em alguns países deste mundo, onde se encontrou o equilíbrio entre o público e o privado.
Ao pensar-se no por que, desta imensa dificuldade de um povo em identificar tamanha distorção, pensa-se imediatamente, no pífio sistema educacional que abastece cada mente em sua individualidade e percebe-se de forma clara, a mão doentia, estúpida e grosseira do atavismo cultural, atravancando toda e qualquer inserção progressista, onde o homem e seu bem estar possam ser as verdadeiras estruturas de sustentabilidade de um crescimento, pautado no respeito ao universal, justo porque o universal é limitado a núcleos pequenos e determinados, geralmente por outro grupo cujos interesses se restringem aos limites de suas ganâncias pessoais, percebendo-se ao longo da história que em épocas variantes, esses grupos se mantiveram fiéis na infidelidade de permanecerem circulando e apoiando a qualquer um, que atenda os seus próprios interesses em detrimento de uma coletividade cada vez mais atávica e estúpida, já que é conduzida a não enxergar e o pior a não contestar, se por acaso enxergar, o absurdo de sua escravização, como um ser nulo, submisso a meia dúzia de mequetrefes, em sua maioria com também pífia instrução de valores e sentimentos, que decidem a cada instante, o destino de muitos.
Penso na recorrência deste fato mundo à fora, invejando os povos que conseguiram superar pelo menos em grande parte, a tendência natural, mas não menos cruel que se traz como estandarte de sobrevivência , sobrepondo-se a lógica de uma racionalidade que automaticamente os coloca no diferencial em relação a todo e qualquer outro animal, evitando assim um abismo incomensurável entre o homem e da sua capacidade em olhar e vivenciar o todo como um verdadeiro ser humano
Neste instante, posso ouvir os pássaros que chegam de outras paragens para dividirem entre si as seivas deste espaço que chamo de meu. Apreciá-los em suas benditas liberdades de irem e virem, buscando tão somente os seus quinhões, sem ingerirem mais do que lhes é necessário, faz de mim uma pessoa que observa e aprende observando, deixando-se imaginar viver em uma sociedade mais justa, onde o individual é preservado sem que o coletivo seja danificado.
Quando o sol, já estiver à pino, meus pássaros se dispersarão, deixando o meu quintal mais rico e produtivo, graças a magia da interatividade do dar e receber, princípio básico da ética do bem conviver.
Que neste sábado seja repensado os valores que se perdem a cada instante, pela falta de disposição individual de frear-se os estímulos do egoísmo e da cegueira político- social, que vem nos assolando, neste pequeno espaço de terra, cercado de agua por todos os lados e que, aprendemos na escola a  chamar de ilha e que em dado momento, recebeu o nome de Itaparica e que em momento algum deixou de ser na sua geografia abençoada, um paraíso, mas que os mais espertos insistem em transformar em seus principados de arrogância e poder, sobrepujando com toques de falsa bondade e tendo como estandarte um “Deus” de discursos e mais nada, um povo humilde, submisso e absolutamente refém.
Onde estão os chiques, os sábios e os entendidos, onde estão os bravos defensores da justiça Social, ora tão destruída?
Onde estão os paladinos das falácias dos palanques de campanhas?
Onde estão os juramentos, as promessas e as ações?
Justiça social constrói-se e mantem-se, através do permanente diálogo, entre o lógico e o humano.