quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

ENEM E A LISTA DE ESPERA

O dia havia amanhecido já sem o aroma de meus narcisos, mas ainda sorridente ao lado do meu amor e de meus cãezinhos fiéis, lá no terreiro, catando acerolas que vermelhinhas e polpudas garantiriam um suco saudável, recebo então um telefonema de minha filha que, bastante emocionada, me diz:
- Mãe, você conseguiu, você passou. Você vai fazer Filosofia na Federal!!!!
Pois é, meus queridos amigos que diariamente acompanham os meus pensamentos, anseios, perdas e vitórias, eu consegui, quando, confesso, já havia dado como perdido, pelo menos por hora, o sonho, o desejo e a tentativa de entrar na Universidade Federal, na altura de meus 61 anos, dor que dividi com vocês há poucos dias atrás.
Entretanto, o universo em toda a sua generosidade, apiedou-se desta velha e persistente senhora e agora, diante desta surpresa maravilhosa, poderei me preparar para finalmente gabaritar o meu trabalho filosófico de quase uma vida inteira, e isto queridos, não é pouco, porque representa o fechamento com chave de ouro de muita tenacidade e paixão pela vida e por tudo que depositei esperanças e realizações.
Neste instante, mais calma, escrevendo para vocês, sinto-me em paz, aquela paz premiada que me chega após décadas de opções nem sempre aprovadas pelos demais, nem sempre fáceis de serem vivenciadas, nem sempre politicamente corretas, mas que eram minhas e baseadas tão somente em um critério de prioridades que estabeleci, onde o amor, o respeito por tudo e por todos, fez de mim um ser determinado, capaz de trocar inúmeras benesses que o sistema social me oferecia, pela felicidade de apenas viver com o mais suave de minhas escolhas conscientemente possíveis, em meio a um sistema duro, corrompido e acima de tudo punidor, mas que ainda permitia e permite escolhas, e eu escolhi não abrir espaço jamais para a desistência de qualquer natureza, sem qualquer medo maior de permanecer absolutamente fiel aos meus sentimentos e, portanto, ao meu sentir, feliz.
Em minhas mais de 4500 páginas escritas ao longo dos últimos trinta anos, registrei as dores de minhas superações pessoais em forma de uma visão diferenciada de um naturalismo existencial, que também fui percebendo o quanto poderia ser de fundamental importância se inserido às nossas crianças ainda no ensino fundamental.
Este é o próximo sonho que preciso transformar em realidade, mas as vitórias cotidianas precisam ser vividas em um passo seguro, um atrás do outro, sabendo-se esperar em um exercício emocional difícil, mas não impossível de ser vivenciado. Esta conquista chegará com toda a certeza, por que afinal, Graças a Deus, não estou sonhando e buscando sozinha. Existem lindas criaturas em suas realidades pessoais trilhando os mesmos sonhos de oferecer aos demais o amor intencional que existe na conscientização de vida que conseguiram extrair de si mesmos.
Nada criei, nada inventei, apenas consegui observar a mim mesma e ao tudo do todo no qual estava inserida, percebendo, então, que tudo estava ali, prontinho, absolutamente à disposição de todo aquele que verdadeiramente quisesse fazer de sua existência um brinde à vida.
E aí, confesso a vocês que ao perceber toda esta grandeza à minha disposição, agarrei com unhas e dentes, dispensando sem dó ou piedade pelas perdas que certamente adviriam, todo e qualquer pó de ouro sistêmico, pois descobri através da felicidade em ser e de poder amar, todo o potencial que me aguardava explorar.
Pois é, agora me respeitem, serei em um futuro que certamente terei, uma professora de filosofia!
Pode?
Meninos, eu estarei então com 65 anos.
Querem mais?
Agradeço neste instante a cada um de vocês que ao longo seja de minha vida ou dos últimos dois anos, tiveram a generosidade de estar comigo nesta jornada existencial onde dar e receber vibrações silenciosas e preciosas fizeram de mim um ser humano muito, mas muito feliz.
Que Deus os abençoem em seus sonhos, desejos, oferecendo a cada um força, coragem e acima de tudo determinação amorosa na execução dos projetos de suas vidas, não desistindo jamais, porque afinal é tudo quanto importa nesta breve estadia junto a este universo vivencial fantástico.
Bendito sejam o ENEM e a lista de espera que me permitirão realizar os meus sonhos.
Um lindo dia para todos.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O TEMIDO ALEMÃO

Dizem que com a idade as lembranças das memórias do passado remoto se apresentam sempre claras, como se fossem páginas editadas ontem, e que as de ontem se perdem nos labirintos da mente racional.

Nem sempre é o alemão (Alzheimer) o culpado de tantos esquecimentos, podendo simplesmente ser coisa de gente velha que, temendo a proximidade da morte, revive o passado na esperança de, através dele, sentir que sua vida afinal valeu a pena de algumas ou de muitas formas.

Venho observando que às vezes isto ocorre comigo, e aí corro para registrar, pois no dia seguinte já esqueci, em um ciclo prá lá de vicioso, pois nesta confusão mesclada à ansiedade de voltar a esquecer, esqueço o que fiz pela manhã e até o que jantei na noite anterior, recordando-me com satisfação dos bifes acebolados de alcatra que minha mãe servia e que eram motivos de constantes brigas com o meu irmão, por causa do molho ferrugento que ambos gostavam de misturar no arroz branco e fresquinho.

Ah! Que saudades de Dona Hilda e de suas comidas fenomenais...

Creio que mais forte que a possível presença do alemão temido, estou na fase do saudosismo, nostalgicamente resgatando do passado posturas, cheiros e sabores, hoje tão difíceis de serem encontrados para quem já não tem uma mãe dedicada e naturalmente prendada.

Ontem na GNT, assistindo ao programa culinário QUE MARRAVILHA do Claude, uma das minhas mais caras paixões, o tema era uma paulistana, casada há 21 anos que só sabia fritar ovos, e mal, segundo sua filha de 20 anos. Ela, o irmão e o pai, inscreveram a mãe no programa, pois sonhavam em vê-la preparando algo saboroso para eles, coisa que somente o pai sabia fazer.

Ontem, lembrei, percebem?

E aí, fico pensando no quanto as estruturas familiares se alteraram, o que não significa que foi para pior, mas no futuro quais serão as lembranças dos hoje crianças e jovens filhos da modernidade e das mães que, por serem mulheres emancipadas, creem que não precisam fazer isto ou aquilo que de verdade significava, nos velhos tempos, o toque amoroso que, afinal, desenharam nas mentes dos filhos lindas recordações de afetividade, como as que acabo de relatar.

Quem acima dos quarenta anos não tem recordações de seus cotidianos familiares, de suas mães donas de casa e de seus pais provedores?

Não sei se era melhor ou pior que os tempos e hábitos atuais, arrisco-me até a afirmar que em muitos aspectos sinto que melhorou, mas também confesso que jamais presenciei tanto desapego familiar, que acaba desaguando no convívio social, formando nas mentes e nas posturas um quê de banal em relação a quase tudo, com ares de politicamente correto, que sinceramente me faz pensar que sofrer de Alzheimer, às vezes pode não ser assim tão ruim.

Afinal, se quase nada de bom aconteceu ontem, além da mesmice sistêmica, melhor mesmo é refugiar no passado, buscando inspiração para colorir o presente.

O que eu sei e me interessa de verdade na altura da minha vida é guardar a sete chaves na mente, todas as deliciosas recordações do passado e, se possível, de ontem, anteontem, ano passado, e etc, que fizeram de minha vida até o momento presente uma Glória, repleta de emoções.

BOM DIA!

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APENAS UM TOQUE HUMANO

Durante grande parte do ano de 2010, recebemos inúmeras queixas a respeito do atendimento que estava sendo oferecido no Hospital Geral de Itaparica e infelizmente, já neste ano, as reclamações continuam sem que saibamos exatamente como agir e a quem procurar, pois as reuniões do conselho do qual o nosso diretor, Sr. Roberto, faz parte, foram suspensas depois de incontáveis cancelamentos, em uma demonstração clara de total desinteresse de todas as partes, principalmente dos dirigentes do mesmo.

Particularmente, observando os atendimentos nacionais, em muitas ocasiões ressaltei o fato de estarmos em melhores condições até mesmo pela logística, entretanto, isto não corresponde a nenhum quesito de qualidade, se for levado em conta que a Ilha não dispõe de transporte popular adequado, permanecendo o carente em uma situação precária, sem alternativas, além da boa vontade dos vizinhos e parentes ou, o que é comum, arrasta-se rodovia afora, debaixo de sol, chuva ou da escuridão das noites.

Vencida a barreira logística, inicia-se a longa e dolorosa espera por um atendimento. É comum, principalmente nas madrugadas, um único médico estar de plantão e, devido ao horário, dormindo, e o paciente com dor, mas não sangrando, o que então seria considerado emergência, ter de esperar que o mesmo acorde.

E aí, penso como uma pessoa igual a qualquer outra, que droga é esta que vem ao longo das
décadas descaracterizando a mais humana de todas as profissões?

Que será que vem sendo repassado nas faculdades de medicina aos jovens?

Será que o fracionamento disciplinar, além de ter tirado do futuro profissional a noção geral do corpo humano, também tirou dele a noção da dor física, e pior, da dor emocional que fatalmente está presente na realidade momentânea de cada paciente, ou a indiferença, hoje capaz de ser reconhecida nas relações a começar nos lares, banalizou a atenção que o paciente com dor, precisa e merece receber?

Parece que sim, por que afinal, mesmo nos consultórios mais refinados, é possível encontrar-se médicos distanciados, mais parecendo atendentes financeiros, repletos de palavras que o leigo não entende e que suas arrogâncias não permitem explicar, e se o paciente mais ousado reclama, seja lá do que for, no mínimo permanece sem opções, já que eles, os doutores, parecem sempre ter razão, permanecendo o paciente inconformado como mais um aturdido em meio a seus problemas físicos, sem qualquer alternativa real que não seja tentar outro profissional, quando se pode pagar, ou engolir em seco, pedir a Deus muito, mas muito conformismo e, é claro, bênçãos.

Os Conselhos Regionais de Medicina jamais receberam tantas denúncias como nos últimos 20
anos, o que se inclui os conselhos referentes aos odontólogos, que infelizmente perderam toda e qualquer noção de valores financeiros, assim como em alguns graves casos, o respeito pelo acordado, levando o paciente a situações constrangedoras de vários níveis sem que este não precise ter que provar isto ou aquilo, já que o profissional, estando com a faca e o queijo na mão, abusa e permanece impassível, agindo como um corretor inescrupuloso da dor.

E aí, lamentamos os desmandos políticos, o mau atendimento na padaria, no açougue, no fórum, enfim por onde se ande, como se dia-a-dia, o ser humano estivesse perdendo a sua magia básica de convivência, tão necessária para manter-se uma sociedade equilibrada em suas relações interpessoais.

O pior que venho observando, é justo no mesmo compasso estar havendo um clima de inércia generalizada, como se não valesse a pena qualquer esforço maior de se ir à luta para, no mínimo, tentar-se reparação, afinal, vive-se a era da impunidade, onde normalmente o reclamante em sua maioria perde tempo, e acima de tudo se expõe sem que haja na realidade qualquer indício das autoridades competentes de amparo efetivol às suas perdas.

Na realidade, o paciente passou a ser um chato que se não tem dinheiro e precisa dos postos e hospitais públicos, adoece quando não deveria e reclama de tudo , enquanto aquele que pode pagar, passa a ser imediatamente uma fonte promissora de exames, quando não é indicado para outras especialidades em um verdadeiro mercado livre, faltando apenas o ponto. com.

Bem... quem me lê, escrevendo tão duramente, pode até achar que sou radical e que englobei todos os profissionais em um único balaio. E isto não é verdade, pois reconheço os méritos de quem os têm, assim como a carapuça, se é que alguém ainda a veste verdadeiramente, certamente se encaixará nas devidas cabeças.

O bom profissional, respeitoso com a dor de seus pacientes e acima de tudo sempre ostentando um olhar seguro e um toque de humanidade, como o Dr. Jorge Lima, jamais deixará de ser reconhecido pelos seus pacientes e por uma comunidade que lamenta profundamente a sua ausência.Ao contrário de uma crítica, estas são palavras de desabafo pelas saudades que todos nós, mais velhos, temos daquele tempo em que médico e dentista eram mais que profissionais, eram acima de tudo gente como nós.

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sábado, 19 de fevereiro de 2011

RECOMEÇO

Este foi o tema da primeira reunião para a formação de um grupo político, proposto por Marlylda, neste sábado, na Sede do Alto, em Itaparica.
A emoção certamente foi a tônica do início ao fim, onde cada um dos presentes pode demonstrar sua parceria, lealdade e disposição para daqui para frente serem propagadores entusiasmados do que consideram ser a melhor e mais segura opção para ocupar em 2012 o posto de prefeito da cidade.
Marlylda é a esperança, que precisa ser realizada, de se ter uma gestão séria, comprometida com o bem comum, resgatando a dignidade de cada cidadão itaparicano que se vê acorrentado às mazelas atuais.
Itaparica precisa tão somente de pessoas idôneas que estejam dispostas a se doarem na construção de uma nova visão política e social, onde o respeito ao dinheiro público e consequentemente aos cidadãos sejam prioridades de fato.
A fome, as doenças, a falta de escolas adequadas têm estimulado o aumento substancial da violência em suas variáveis de miséria existencial, cabendo a cada cidadão com um mínimo de consciência social dar o seu apoio a este recomeço, que certamente será duro, difícil e repleto de obstáculos, mas que se houver uma continuidade do entusiasmo e do espirito democrático que pude observar durante toda a reunião, nós conseguiremos reverter a crueldade que hoje se apresenta.
Haver-se- á em um futuro breve de se induzir no espírito e na crença de cada itaparicano que ele é merecedor de viver com dignidade, respeitando suas obrigações e sendo respeitado em seus sagrados direitos a uma educação decente, uma saúde respeitosa e um amparo social humano e, acima de tudo, acolhedor, pois afinal, somos todos responsáveis pela condução do bem estar de todos.
Em várias ocasiões, o querido amigo e ex-prefeito Cláudio da Silva Neves foi lembrado pelo que sempre representou para cada um de nós e para a cidade, pelo sucesso de sua administração e pelo legado que nos deixou, esperança única de um retorno ao desenvolvimento e a decência através de sua pupila Marlylda que hoje, em voo solo, recebe o apoio de todos nós.
No final da calorosa reunião, foi servido um apetitoso caruru, com conjunto musical e tudo o mais, fazendo com que os presentes se confraternizassem em um ambiente saudável, ameno e vitoriso, pois é um grupo que se inicia sob o manto dos interesses coletivos, do comprometimento e da seriedade.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

RETORNO

Faz muitos dias que não escrevo, sem que tivesse havido algum motivo especial.

Pode até ter havido e eu não tenha me dado conta, afinal estes dias de Janeiro e Fevereiro têm sido bastante sofridos frente a este calor que parece me afetar mais que a todo mundo.

De repente, vem à minha mente, com bastante clareza, que o motivo possa ter sido a imensa ansiedade quanto à possibilidade em conseguir uma vaga na Universidade Federal do Recôncavo.

Ah! Eu queria tanto, mais que querer eu precisava tanto ter conseguido...

Meus escritos, meus estudos, minhas teorias, só serão consideradas se eu tiver um diploma acadêmico na área da psicologia, filosofia ou sociologia. Exigências do sistema que, engessado nas mesmices, desconsideram o novo se atrelado a ele não estiver uma graduação na referida área, como se um diploma ou a permanência em sala de aula gabaritasse ou desse interesse criativo a alguém.

Entretanto, é assim que as coisas funcionam e, nesta altura da vida, não podendo perder tempo, joguei-me de cabeça, repleta de entusiasmo, mas não deu.

De que adiantou-me ter aprendido a mergulhar na mente humana se não consegui resolver algumas equações matemáticas referentes ao segundo grau?

De que adiantou projetar um método educacional baseado no naturalismo existencial, priorizando a vida e a liberdade, se ao redigir a redação, falhei nas virgulas e nos acentos?

De que me adiantou toda uma enorme bagagem de experiências na área das humanas se não fui capaz de reter na mente nos últimos 38 anos em que acabei meus estudos, primárias formulas da química e da física?

Pensando bem, não fui assim tão mal. É que a concorrência era grande e a meninada estava com tudo fresquinho na cabeça.

Mas que eu sonhei, ah!, eu sonhei, de olhos abertos e fechados, dormindo e acordada, como uma adolescente em sua primeira empreitada, como aliás acontece com tudo que me apaixono e desejo para mim, e eu quero muito voltar para a universidade, gabaritar meus trabalhos, aprender novas visões, conhecer gente bonita, assimilar conceitos contemporâneos, mexer o esqueleto, simplesmente vivendo o que espero que seja surpreendente.

Na próxima, tento de novo, porque, afinal, foi tentando sem desanimar que consegui escrever minhas versões filosóficas, encontrando em cada uma, motivação para enxergar a vida sobre um prisma mais humano e coerente com toda a perfeição que sou capaz de reconhecer em cada criatura, seja humana ou não.

E é neste reconhecimento estimulador que retorno aos meus escritos, aplacando as frustrações, substituindo a constatação do não conseguido pela certeza absoluta de que fiz o que eu podia fazer e que, doravante, vou com certeza tentar fazer bem mais.

Mas, cá prá nos, que dá uma dor no peito filha da mãe, ah! Com certeza dá.

E aí, penso na crueldade por que passam os jovens nas barbáries da obrigatoriedade de prestarem vestibulares sem sequer, em sua maioria, saber o que desejam.

Precisamos mudar muito os conceitos educacionais, principalmente no amparo às mentes jovens no acompanhamento desta evolução tecnológica e científica que, ao oferecer tantas opções, confunde e faz sofrer.

Se a velhinha aqui se curvou à decepção, imagino então os meninos e meninas, mal saídos de suas infâncias abreviadas, mal formados em suas adolescências tumultuadas por um sistema social cobrador e desumano.

No frigir dos ovos, após dolorosa espera, tenho como suporte minha bagagem de vida, mas e a meninada, como é que fica?

Quem é que pensa neles?

Todavia, quando penso que um país que cultua Lampião, acredita na seca do Nordeste, acha que o Lula é honesto, dá mordomia ao Fernandinho Beira Mar e elege o tiririca, até que me conformo, pois vamos e venhamos, podia ser bem pior, não é mesmo?

PERDÃO


Perdoar, desculpar, relevar, enfim são tantas as palavras que usamos para que o outro possa desconsiderar o ato exercido por nós que ficou com a conotação de no mínimo desagradável.

Nesta manhã de sábado, acordei pensando justo no perdão e se, na realidade, estamos preparados para ofertá-lo a todo aquele que de alguma forma nos magoou, ou simplesmente nos é mais cômodo pensar que perdoamos e fomos perdoados.

O que nos leva a perdoar será exatamente o nosso grau de compreensão quanto à incapacidade humana de ser mais adequado nas suas posturas com o outro ou tão somente se trata de uma condição permitida apenas a alguns altamente espiritualizados?

Nesta linha de pensamentos, deduzir-se-ia que a criatura capaz de perdoar teria também a capacidade de apagar de sua memória o ato agressor ou apenas ela o coloca em um patamar de lembranças para não serem lembradas e, se forem por descuido em algum momento, terem cada vez menos importância para não conturbar o andamento harmonioso de si mesmo em relação ao seu próprio bem estar.

Será?

E por que alguns dizem perdoar isto, mas não perdoar aquilo?

Como se estabelece o critério pessoal ou o critério é apenas resultado da postura social de perdoar-se isto e não aquilo?

Os conceitos nos quais somos educados se diferenciam através da diversidade das culturas, mas ainda assim existe uma homogeneidade quanto a conceder, ou não, alguns perdões.

E aí, pensando no perdão, penso no pecado e no quanto um está ligado ao outro e ambos ao sentimento de culpa existencial que nos estimula à prática conscientemente ou não de ambos e no inferno que os instantes presentes podem se transformar se não forem desenvolvidos antídotos para a prevenção ou combate do que reconheço ser a maior chaga da humanidade.

Simbiose constante que beneficia a necessidade humana em se sentir poderosamente capaz de perdoar, assim como alimenta a mesma capacidade humana em não considerar os sentimentos alheios como seus nem que seja em parte, crendo por frações de instantes ou por toda uma vivência estar acima de tudo e de todos, como se o mundo e a vida somente lhe pertencesse e que os demais são detalhes, cujas importâncias são medidas através das suas necessidades momentâneas.

E nesta dança sistêmica onde sentimentos e interesses se mesclam egocentricamente desenhando formas de convivência, o perdão e a culpa de mãos dadas infernizam vidas, corroendo instantes, ceifando ou recriando intenções, onde verdadeiramente a genuinidade se perde e a hipocrisia se faz costumeira.

Que coisa, heim!

E ainda querem que eu seja normal e aceite o branco e o preto como mais ou menos cinza?

Poupem-me pelo amor de qualquer coisa que represente vida, que, afinal, é tudo que interessa a esta senhora que a duras penas tem deixado sempre que se lembra ou se dispõe de perdoar e de pedir perdão, justo por crer que estas drogas em nada ajudarão a continuar encarando os pecadores contumazes a pedir os seus infindáveis perdões, assim como não farão de mim um ser menos egoísta, vaidoso e destrutivo, que venho tentando arduamente melhorar por toda a minha existência, mas que confesso reconhecer que não tem sido nada fácil.

E, portanto, frente a esta dura realidade de humana insensata, não peço que me perdoem e tão pouco culpo quem quer que seja, apenas sigo a minha jornada tentando extrair dela o melhor que possa me oferecer, que necessariamente tem que estar inserido na natureza, que não pede perdão quando transborda mares e rios e tão pouco oferece perdão a todo aquele que a destrói, apenas se adaptando às circunstâncias, mas sempre e sempre em uma luta saudável de sobrevivência coerente.

Enquanto escrevo sou alertada pelos meus sentidos e então paro um instante para sentir o perfume dos narcisos, silenciosamente lindos, que me dizem:

- Bom Dia!

E a partir daí, nada pode ser mais importante que simplesmente senti-los e tentar através de minhas intenções desejar sinceramente que, no dia de hoje , você que está pacientemente lendo os meus pensamentos também possa senti-los para se inspirar a fazer com que os seus instantes presentes fiquem mais harmoniosamente amorosos, com ou sem perdão!

JESUS FALA A PAULO DE TARSO


­­- Por que persegues a mim, amigo Paulo, se te ajudo a identificar o Deus que em ti reside?

- Por que me persegues, se como um amigo fiel te induzi a buscares a ti mesmo, que por hora ainda se encontra vagando neste universo sem rumo?

- És um soldado e trazes no fio de tua espada a força da tua justiça, que em mim desejas desembainhar, a fim de calar a justiça, que a ti desejo oferecer, afinal mais que soldado és um ser que ora se encontra sobre o brilho desta mesma espada.

- Por que te vês covarde, medroso, diante da possibilidade de, enfim, encontrares o teu Deus que silenciosamente acalentas na esperança de em um momento qualquer poderes encontrar para, então, poderes senti-lo, ouvi-lo ou enxergá-lo?

E por alimentares a possibilidade de isto vir a ocorrer através de mim, queres ceifar-me como se fosse possível, assim, fazer calar o Deus que em ti reside e que, insistente, não silencia e não permite que sejas como a maioria, mais um fantasma existencial?

OBS: Este trecho foi extraído do livro Paulo de Tarso, o Convertido..., escrito por mim em 2006, onde eu imagino que tenha havido um intenso e imaginário diálogo entre Jesus e Paulo, e que tenha sido talvez o episódio mais marcante de enfrentamento de Paulo consigo mesmo, que mais tarde viria a fazer dele seu maior e mais fiel propagador.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

SOCIALISTA ABESTALHADA

Imaginem vocês que, após quase nove anos, fui pela primeira vez na festa tradicional da Lavagem do Beco em Itaparica.

Cheguei atrasada e não assisti a abertura das baianas, mas ainda assim pude constatar a minha querida Itaparica em festa, com o seu povo alegre, cantando, bebendo e esquecendo por algumas horas suas mazelas.

Encontrei gente querida com as quais pude bater um papinho arretado e, querendo ou não, o assunto política sempre vem à tona, e aí, bem... Eu sorrio para não chorar, mas cá pra nós, não é mole não, afinal, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, pois são tantos os pré-candidatos que se a metade concorrer, os votos serão tão fracionados que se corre o risco de ter candidato vencendo com o percentual de vereador, e estes ganhando com merrecas dantes nem imaginadas.

Lembro-me então do Deputado Justo Veríssimo, aquele do Chico Anísio, que dizia:

- EU QUERO É ME ARRUMAR, E QUE O POVO SE EXPLODA!...

Claro que existem nomes respeitáveis, o que é consolador, mas, ainda assim, o ideal seria que estes se unissem em prol de se dar uma virada nas desmoralizações em que se transformou a política e principalmente às intenções em relação a cidade e suas necessidades básicas.

Que maravilha seria se ao invés de desejarem ser caciques, escolhessem apenas um que fosse dotado de senso comum e que aceitasse um pequeno exército de pessoas que verdadeiramente quisessem mudar os rumos, o perfil e a estrutura hoje tão danificada de nossa cidade.

Devaneios de uma socialista abestalhada?

Com certeza, caso contrário eu teria de acreditar que os mais sérios, alguns até ricos e, portanto, bem sucedidos, encontrariam razões para abafar seus idealismos partidários, despindo-se inclusive das vaidades pessoais para formar uma poderosa força propulsora que fosse mais além dos imediatismos e dos “achismos” para combater toda e qualquer chaga na essência, para que a médio prazo, pudéssemos como povo, que afinal todos somos, vivenciar o que há muito invejamos nas outras cidades, abolir o que condenamos, mas que estamos assistindo invadir a nossa e que cruelmente tem flagelado um dos locais mais belos e bucólicos de nosso país.

E aí, na continuação de meus desesperados devaneios, penso no quanto poder-se-ia fazer se verdadeiramente o amor por esta terra e seu povo falasse mais alto no coração de todo aquele que quer e pode algo realizar.

Afinal, apesar de abestalhada, sonho embasada em exemplos já vivenciados em outros locais brasileiros e estrangeiros, onde o bem comum, a decência política e o respeito e amor a terra, uniram amigos e até mesmo pretensos discordantes em uma sólida e consistente corrente de progresso e solidariedade, onde de verdade todos, sem exceção, saíram ganhando , obtendo uma estabilidade em todos os níveis de atendimento social, o que afinal de contas representa a força maior de independência, salvaguarda a toda e qualquer mazela que de fora quiser invadir, assim como parâmetro de conduta a todo cidadão que passa a resguardar os seus direitos e a cumprir as suas obrigações.

Portanto, a meu ver, de abestalhada convicta, idealismo não se separa das intenções, assim como amor, não se separa do respeito.

Intenções e amor, com certeza serão os temas principais de todos os discursos, cabendo a cada cidadão itaparicano compará-los aos demais já ouvidos e dizer não a toda enganação continuada, cujos rostos no final se parecem, assim como o desrespeito às necessidades que somente cada um pode avaliar onde mais lhe dói.

Abestalhada ou não, preciso acreditar que as coisas irão mudar e, é claro, para melhor, e que para isto acontecer, precisaremos estar unidos com um único propósito, que se chama ITAPARICA.

Quanto ao poder e os trocados a mais que naturalmente todos querem, inclusive eu e você, eles virão naturalmente, bastando apenas um pouquinho de paciência, união e de vergonha na cara, itens difíceis de serem atingidos, mas perfeitamente viáveis de serem conseguidos quando penso nos nomes respeitáveis que estão se propondo à prefeitura e câmara de nossa cidade, paixão de todos nós.