terça-feira, 22 de agosto de 2017

DIREITOS TOLHIDOS


Pois é, de repente me vejo entre a cruz e a espada, e isto vem ocorrendo de forma constante nas últimas décadas, tipo dos anos 80 para cá, mas confesso que tem se intensificado nos últimos 10 anos. 
E aí, me pergunto:
- Que direitos adquiridos são esses que impedem os demais de ter os seus próprios?
Por que de uma hora para outra sou obrigada a aceitar os direitos alheios, sem que os meus sejam devidamente respeitados?
Estarei isolada nesta sinuca existencial ou existirão outros que, como eu, precisariam de mais tempo para compreenderem os direitos que ainda nos sãos, no mínimo, esquisitos.
O politicamente correto, assim como a necessidade de mostrar que se está antenado e aceitando tudo que a mídia propaga como ideal, também está desenvolvendo através da indução a uma naturalidade postural, uma reação silenciosa de rejeição, revelando uma crescente insatisfação íntima que se expressa através da violência explicita e incompreensível ao primeiro olhar da instantaneidade social em que nos encontramos.
Para os mais jovens, até tudo bem, pois não vivenciaram outras situações, mas para os mais vividos, está sendo muito, no mínimo, incômodo, pois torna-se uma constante necessidade de policiamento mental para que não se expresse, e aí sim, de forma natural, a não aceitação ou a ainda não assimilação que naturalmente difere de uma pessoa para outra.
As inversões e as transformações evolutivas chegam que atropelando valores enraizados e se misturam formando bolos muitas vezes indigestos ou causadores de uma violência urbana e suburbana que também lá vai se inserindo ao emocional como corriqueiro e natural, quando não deveriam ser.
Quando escrevo, a gramática é o menor dos meus cuidados, pois afinal, ao serem impressos, certamente, um revisor corrigirá as falhas, portanto, dedico-me a não correr o risco de ferir este ou aquele segmento com a minha mente ainda retrógrada de não ter tido a capacidade de assimilar verdadeiramente alguns direitos adquiridos de outros, reconhecendo que perco a cada instante de forma também instantânea a minha liberdade de expressão.
Mas não é justo a liberdade de se expressar, seja física ou intelectualmente, a razão maior de sempre, nos caminhos sociais do convívio humano?
Confuso...
Polêmico e, em alguns casos, desastroso...
Penso então, que em um mundo onde a fome mata seres humanos de forma cruel, devastando todos os tipos de vida sem que haja união universal com movimentos fortes o suficiente para dizimar a chaga da arrogância, da vaidade e da ganância, ou que sejam capazes de conscientizarem a grandeza da vida, impor-se o cerceamento intelectual deva ser o menor dos problemas desta humanidade falida, moralmente pobre e embrutecida.



domingo, 20 de agosto de 2017

POR QUÊ?


Assim como meus pais, acredito que a melhor herança que os pais podem deixar para os seus filhos, seja a educação doméstica e formal.
Todavia, esta premissa é falsa se analisarmos as possibilidades reais que os pais possuem se moram em países como o Brasil, onde as políticas públicas mais expressivas e extensivas aos excluídos, remontam de uns 20 anos para cá.
Portanto, concluo que os brasileiros terão de esperar um bom tempo para que, de alguma forma, esta herança se expresse mais efetivamente, pois a maioria que também neste período se tornou pai, sequer tem noção da importância educacional, já que é desprovido tanto de uma como da outra.
Creio assim que todo aquele que teve a ventura de poder crescer numa família minimamente estruturada e que recebeu o privilégio de uma boa educação formal, antes de ser um crítico contumaz, se esforçasse quanto a valorização do entendimento daqueles que não tiveram as mesmas oportunidades.
Que olhem para seus umbigos e deles tirem subsídios para de forma menos partidária, egoísta e interesseira, poder enxergar as realizações do executivo, legislativo e judiciário, avaliando seus benefícios, para poderem refletir, através de suas posturas, palavras e ações, um entendimento crítico mais producente, seja lá do que for.
Quando não se tem família e escola consolidadas, resta-nos o sistema como mestre, e se este estiver danificado em sua convivência de castas, aí sim, nada engrena e tudo se transforma em caos.
Caos que atinge a todos, letrados ou não. 
O que me leva a crer que por todo o restante de minha existência, continuarei a defender ações e não partidos e políticos, já que não se formam opiniões críticas sensatas e tão pouco se colabora para uma efetiva educação cívica, sem que se valorize o reconhecimento do valor do já realizado.
Estou escrevendo justo porque tenho lido críticas ferozes tanto em relação ao Prefeito de Salvador assim como à Prefeita de Itaparica, onde de acordo com a conveniência partidária, desmerecem-se os feitos, assim como desfilam-se infinitas necessidades, levando os menos letrados a interpretações confusas ou enganosas.
Talvez por esta razão estejamos tão aquém do ideal, pois onde os educados e privilegiados, verdadeiramente, não se doam, o separatismo se mantém, castas se perpetuam e as desigualdades sociais se consolidam.

SAL DA TERRA



E aí, sozinha com os meus pensamentos que são também, meus constantes questionadores de condutas, pergunto mais uma vez que humanidade é esta que esfola, magoa, mata sem qualquer parcimônia toda e qualquer vida, sem mesmo reconhecer a própria?
Assisti ao filme “SAL DA TERRA” que narra a vida esplêndida de Sebastião Salgado, mineiro de Aimorés, que encontrou na França a segurança e o apoio para desenvolver seu talento maior de fotógrafo social e humano nos idos anos 70 e que, de lá até os dias atuais, brinda o mundo com seríssimos registros para estudos e consequente análise do quanto, independentemente de cor, etnia, cultura ou condição econômica, o ser humano pode se tornar bárbaro, cruel e impiedoso, na busca incessante do dinheiro e do poder.
Penso então nos horrores do “Holocausto” que nada mais foi que mais um horror perante aos Céus, pois antes, durante e depois dele, muitos holocaustos houveram e ainda acontecem, sob a consciência cega e muda do mundo, explorada pelas falácias das mídias, discutidas pseudas-soluções pelos países, ditos de primeiro mundo e registradas de forma crua e objetiva através, das lentes e das penas de raras criaturas que confessam suas decepções e traumas, frente a constatação de tantos horrores, admitindo a si próprios, que nós os humanos, somos os animais mais ferozes e impiedosos deste planeta.
Penso então, que apesar disto, existem aqueles que otimistas e perseverantes, buscam alternativas para não desistirem na capacidade humana de regeneração e como ele, dedicam-se a plantarem mudas de belas arvores, num trabalho de restauro, tão importante quanto, fazendo brotar novas vidas, num solo aparentemente ressequido e morto.
Lembro então de Castro Alves, sempre tão presente nas minhas avaliações pessoais.
“Deus! ó Deus! onde estás que não respondes? 
Em que mundo, em qu'estrela tu t'escondes 
Embuçado nos céus? 
Há dois mil anos te mandei meu grito, 
Que embalde desde então corre o infinito... 
Onde estás, Senhor Deus?”... 


sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O GALO SE CALOU


São duas horas da manhã, penso que já dormi o quanto bastava, se bem que acordei com o galo de um vizinho bem próximo que esgoelado, antecipa o amanhecer.
Como geralmente acontece, minha mente está a mil, ficando até difícil selecionar um assunto para escrever, afinal, eu ou você, se pararmos para analisar o nosso dia de ontem, que consideramos quase igual aos demais já vividos com raras exceções, chegaremos à conclusão de que por tão somente banalizarmos o nosso cotidiano, deixamos passar fatos importantíssimos que poderiam nos servir no mínimo como aprendizado do que devemos ou não copiar ou reverberar.
Esquecemos que o que ouvimos, lemos e assistimos, através das muitas e variadas mídias, nada mais são que mecanismos aliciadores, responsáveis diretos pela maioria de nossas atitudes, ganhando bonito de qualquer ensinamento doméstico ou formal, já que é contínuo, tendo como propagadores, cada pessoa com a qual interagimos ao longo de cada dia.
A isto chamamos de convivência, daí dizermos que este ou aquele é fruto do meio em que vive, já que os parâmetros avaliativos que recebem são específicos de seu meio. Todavia, com o advento da internet, que veio com o propósito de integrar ideias e ideais, ampliando conhecimentos, globalizando propósitos, fomos acreditando que, verdadeiramente, nossos mundinhos atravessariam fronteiras, mas aí, com ela vieram as redes sociais, com a finalidade de humanizar a máquina e, surpreendentemente, o tiro saiu pela culatra, pois transformou-se em muito pouco tempo, em espaços delimitados e seletivos de trocas de posturas politicamente corretas que aprisionam mentes e restringem um maior aprendizado, já que os grupos são formados por uma pseuda afinidade que se desfaz, imediatamente, se fora dos padrões desejados os sujeitos se postarem.
Ou seja: fale e escreva o que eu espero ler ou ouvir, caso contrário te deleto, fazendo nascer a partir desta liberdade seletiva mais um meio de atavismo que impede um maior desenvolvimento intelectual.
Claro que não estou me referindo a tipos de grosserias brutas e desnecessárias em qualquer interação, mas tão somente, ao que deveria ser um terreno fértil de aprendizado, através das experiências, assim como da forma de ver e avaliar de outros, numa ampliação natural de novos entendimentos que pudessem enriquecer os nossos próprios, numa troca gratificante de vida e liberdade.
Mas poucos se valem desta ferramenta como mais um mecanismo evolutivo.
 Quando cerceamos a nós e aos demais, além da conveniência adequada a um relacionamento de qualquer natureza, coibimos a espontaneidade, que é bem diferente da sinceridade agressiva que ofende e nada de producente oferece, e que pode ser notada sistematicamente, pois como desavisados, trocamos alhos por bugalhos, num pot-pourri de inadequações online, passando a exercitarmos por horas a fio a arte de como manipular palavras que expressem a nossa necessidade de ser aceitos, elogiados e consolados.
Solidão existencial que reside sorrateiramente em cada um de nós.
O galo calou, talvez, tenha voltado a dormir por ter se dado conta de que é ainda muito cedo.
Acho que farei o mesmo...