quarta-feira, 31 de agosto de 2011

MARAVILHANDO-SE

Quando tudo parece estar dando errado e em meio às frustrações ou aborrecimentos, conseguimos enxergar saídas estratégicas ou simplesmente nos mantemos serenos, este é um sinal evidente de que estamos valorizando mais harmoniosamente os nossos instantes presentes.

Quando nos irritamos ou somos violados e, ainda assim, somos capazes de reconhecer que fomos além do devido em nossas posturas retaliatórias, justificadas pelo fato de que estamos nos sentindo ofendidos, neste momento, que é fabuloso, estamos nos humanizando, pois colocamo-nos no lugar de um ser que possivelmente avalia poder estar errado, na medida de seu próprio espaço ou, no mínimo equivocado quanto à interpretação dos maneirismos do outro.

Portanto, a palavra mágica que induz ao equilíbrio de pessoa racional e sensitiva é “HARMONIA“, e esta, somente se incorpora em toda a sua extensão se for compreendida, lenta e gradativamente, através de exercícios respiratórios que estimulam a pausa necessária entre todas as ações e reações.

Pense nisso e respire fundo antes de fazer ou responder a algo, seja lá o que for.

Afinal, onde reside a harmonia, não pode residir a pressa ou a precipitação.

Bom dia a todos.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Deus e o Diabo

É tão estranha a sensação física e mental de se estar sentindo paz que facilmente a confundimos, chegando inclusive a temê-la.

Pode ocorrer por alguns instantes, horas e dias, mas fatalmente ela se apresenta, como se quisesse ser percebida e, lógico, que a queiramos.

Qual nada!

Estamos tão habituados aos constantes “tsunamis interiores” que, de repente, nos observarmos em profunda calmaria, pode ser simplesmente desesperador.

Por outro lado, se conseguirmos ser curiosos o bastante para suplantar o pavor de estar sentindo paz que nos domina, tal qual fazemos, frente a tantos outros segredos que ambicionamos desvendar, abrimos espaço talvez para a experiência mais fabulosa que um ser humano pode vivenciar, que é o prazer inenarrável de sentir-se em comunhão com a vida, na sua mais expressiva e gratificante ação.

E, então, como num estalar de dedos, nos apercebemos que por instantes que sejam, fomos capazes de fazer o mundo e tudo mais à nossa volta, não parar, mas tão somente circular dentro do ritmo que nós mesmos determinamos.

Isto não é incrível?!

Poder acreditar que somos capazes de fazer a “nossa hora” e que as horas restantes deixaram de ser os nossos algozes?

Pois bem... dirão alguns.

Que coisa, hein?

Falta do que fazer é o bicho!

Dona Regina adora viajar na maionese, deslizar que nem uma pata na lagoa...

Talvez... mas eu só escrevo o que sinto e posso garantir que esta experiência que acabo de narrar foi a mais espetacular que já tive o privilégio de vivenciar, tanto, que sempre que posso, e atualmente estou fazendo com que eu possa sempre, permito-me viver a sensação gostosa, orgasticamente envolvente da paz que acredito estar fazendo de mim uma criatura mais próxima “daquele” Deus que todos buscam, e raros encontram.

Entretanto, não foi fácil adentrar neste colóquio amoroso entre mim e a paz. Ah! Como foi difícil, amedrontador, muito esquisito...

Houveram momentos em que mergulhada no aparente vazio que a paz descortinava em minha mente, tirando de mim, até mesmo o sentir de meu corpo, que em atos repentinos e desesperados, buscava o caminho do retorno ao meu velho “tsunami”.

Nesses momentos o desespero atinge o seu auge maior, pois conscientizamo-nos do total desconhecimento do terreno emocional que encontramos.

Mas nem tudo é assim tão ruim, pois por todo o tempo nossa consciência guerreira, forte e decidida, nos mostra sua grandeza, alisa o nosso medo e se formos, nem que seja um pouquinho, ousados, cedemos por uma fração de instantes à realidade fantástica que nos atrai e pronto, ganhamos o brinde de estarmos usufruindo a bendita paz.

O perigo maior, a partir daí, se faz presente, minando nossos dias, alterando o nosso fato de ser.

Afinal, conhecer o poder da paz faz com que nos tornemos seres mais sensíveis e aí percebemos bem mais rápido tudo quanto dela nos afasta, passando a negar qualquer possibilidade que se torne um empecilho a vivenciá-la.

Cruz credo, não é à toa que da paz foge-se, pois mais difícil que conviver com o Diabo é não saber como evitar Deus...

Parceria de:

Juarez Gonzales Feijó (14 de abril de 1934)

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É isso aí...

Os ventos estão soprando de lá pra cá ou de cá pra lá.

A turma da política, irrequieta, circula jogando suas iscas mais afoitamente.

Enquanto isto, gente como eu, observa, vez por outra, sorrindo, afinal, fazer mais o quê?

Volto a um passado, bem próximo, onde também eu estava engajada nesta maratona maluca, mas que confesso absolutamente envolvente e fascinante.

Um verdadeiro perigo, afinal, rezamos tanto a Deus, mas não resistimos aos encantos do Diabo.

Isto mesmo!

Política é como o Diabo, capaz de num estalar de dedos, fazer a gente se esquecer de tudo quanto até aquele momento nos era adverso.

Perdemos qualquer resquício de timidez: lança-nos aos olhos e ouvidos alheios expondo-nos de forma até então impensada.

Depois do caso passado, em uma retrospectiva, pensamos:

“Meu Deus, quanto ridículo, como fui capaz!?!?”

Mas há aqueles que pegam gosto e insistem e insistem, e alguns até chegam lá, que pode ser justo ao lado do “Demo” em pessoa, e aí, bem, ai... o bicho pega e tudo vira um “pega pra capar”.

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domingo, 14 de agosto de 2011

Mamãe perfeita


Se os filhos soubessem o que as mães realmente pensam, o mundo se acabaria!

Daí, eles jamais conhecerem suas mães, pais e infelizmente a si mesmos, porque, afinal, seus sentidos não podem ser enganados, apenas aprendem a se moldar à censura racional, que determina que o melhor, mais cômodo e fundamental para que o politicamente correto siga inalterado é apenas deixar como está, o que banaliza a relação mães e filhos, induzindo as mães a acreditarem que este papel de perfeita é o certo a ser seguida, assim como induzir aos filhos a esperarem dela por todo o tempo, renúncia, abnegação e santidade.

Este é um ciclo arrogante, prepotente e, portanto, sufocador que anula qualquer autêntico e, então, verdadeiro convívio fraternal, permanecendo, de um lado, uma mãe infeliz, insatisfeita, frustrada e, no mínimo, de saco cheio que, em sua maioria, ou se torna permissiva ou cobradora, sem qualquer conotação de equilíbrio entre as duas extremidades educacionais e, assim, jamais se tornando uma orientadora consciente, pois os laços emocionais são constantemente abalados em sua mais profunda estrutura, justo pela infelicidade estrutural de si própria, o que normalmente coloca a relação em constante choque no período crítico das transformações físicas/emocionais quando seus filhos adentram na adolescência.

Por outro lado, o filho permanece semi-obediente, enquanto o poder físico e o mando emocional o supera, rebelando-se tão logo encontre uma brecha de fraqueza, o que a criança é extremamente sensitiva ou quando adentra em seu período biológico de profundas alterações, onde o bom senso avaliativo quanto ao poder de domínio é absorvido pela própria busca de identificação pessoal.

Neste capítulo, a figura da mãe é realçada na medida em que foi nela que a religião focou a imagem da Virgem, Mãe do Filho de Deus, santificando-a, o que se por um lado fez com que a mulher passasse a ter uma representação sócio religiosa e, portanto, sublimamente colocando-a como uma guardiã da moral e dos bons costumes, exaltando sua grandeza de santa, por outro, condenou-a a uma quase que perpétua submissão a todo e qualquer direito em expressar-se fora dos redutos domésticos, punindo-a severamente se ousasse furar o bloqueio dos conceitos morais, dos quais como guardiã, deveria dedicar-se, preservando e protegendo até mesmo com a morte em favor dos filhos e do lar.

Em momento algum foi pensado, ponderado que a maternidade poderia não resumir as aspirações dos sentidos e mente de uma mulher, o que significa que apesar da aparente consideração de elevar a mulher a um patamar de “mãe do poderoso”, a igreja tão somente fez dela o que sempre fez, um zero à esquerda, algo a ser manipulado sem maiores valores a serem considerados.

Esta é uma dedução feminina, baseada tão somente em algumas leituras recorrentes à mulher em suas atuações psico-social, sócio cultural, político social que induziu a uma conclusão de fácil constatação ainda nos dias atuais, onde a mulher rompeu barreiras, jogou por terra padrões, mas não ainda conseguiu livrar-se dos conceitos de santa ou puta, e tão pouco conseguiu fazer o homem enxergá-la como um ser parceiro de caminhada existencial, repleta de neurônios ativos, de sentidos aguçados e de um todo biológico que de tão perfeito ainda é capaz de gerar, inclusive, um homem.

O que se vê são mulheres disputando por todo o tempo o direito de viverem suas vidas sem ora enlouquecerem frente a tantas responsabilidades que ao se liberarem trouxeram a si, ora mulheres profundamente frustradas por não terem tido o arrojo das liberadas, ora com mais assiduidade, mulheres perdidas em suas identidades emocionais sem saberem exatamente sequer o que esperarem de si mesmas, já que nada parece fazer muito sentido, já que esta condição de santa ou puta, ou a de puta-santa, não lhe permite enxergar-se como um ser absolutamente livre que ora acerta e ora se engana, nesta jornada de vida e liberdade, onde ser feliz e estar bem consigo mesma, deveria ser a meta prioritária.

Todavia, como não consegue entendimento deste ponto da sabedoria universal, acaba copiando as demais, adequando-se às aparências já pré-determinadas e consequentemente se frustra e repassa através de suas vibrações, posturas físicas verbais e transparência emocional às suas filhas e filhos um registro defeituoso de si mesma e do que se buscar no exercício diário de viver.

Portanto, sendo a mulher a exatidão da perfeição humana, fica-se então imaginando o poder desta constelação de luzes universais se ao invés de passarem seus instantes presentes copiando o homem, na tentativa de igualar-se, repetindo padrões já desgastados e em desuso como, por exemplo, querer provar por todo o tempo que é a santa do pedaço familiar e se enxergasse em sua própria grandeza e reproduzisse esta descoberta em atitudes que apenas refletissem a sua autêntica satisfação em estar experimentando a cada segundo bendito de vida, instantes de realização pessoal, certamente, aí, conseguiria trazer para si seus filhos, assim como todo e qualquer ser humano à sua volta, porque tal como a tristeza e a infelicidade, a paz interior, a alegria em estar sentindo a vida e, portanto, a felicidade que dizem não saberem o que é ou que exista, se fará presente como um ímã poderoso, fazendo acontecer verdadeiros milagres no universo de todos nós, e aí, pode-se até dizer que através das santas mulheres grandes e fantásticas transformações ocorrerão.

Por favor, não briguem comigo, pois este é apenas mais um ensaio de entendimentos, onde mergulho fundo na alma humana, querendo apenas compreender um pouco mais.

DÓCIL, ALEGRE, MUSICAL...

Em todas as vezes que subi em palanques para fazer discurso político, foquei minhas intenções e palavras no intuito de fazer com que uma centelha, por menor que fosse, fizesse com que as pessoas que me viam também me ouvissem, não apenas para votar neste ou naquele candidato com o qual eu estava ligada, mas à realidade cruel com a qual todos, inclusive eu, vivenciam sem que haja qualquer consciência cidadã.
O processo de falência institucional vem acontecendo desde sempre, entretanto, nos últimos quase dez anos tornou-se expressivamente ofensivo, esmagando qualquer resquício de soberania democrática, travestido de um populismo envolvente e devastador.
Como um povo dócil, alegre e musical fomos permitindo os excessos e com eles passamos a conviver, instituindo uma nova versão de posturas administrativas corruptas, enxergando-as como práticas absolutamente normais, afinal justificávamos à nós mesmos:
- Sempre foi assim, pelo menos, agora, posso ver e saber quem é, pois nada mais fica escondido.
Pois é... por não precisar mais sentir qualquer pudor em ser chamado de ladrão constitucional, popularizamos o descaramento, instituímos a banalização e, em dado momento, perdemos o controle do certo e do errado, misturamos os objetivos com os quais cada instituição deveria honrar os direitos civis e chegamos a este pandemônio administrativo e consequentemente social em que nos encontramos hoje.
Há algumas eleições deixamos de estar com esperanças para simplesmente cumprirmos uma obrigação, sem que haja qualquer consciência cívica ou respeito a este ou aquele candidato.
Na realidade, nunca o voto de cabresto esteve tão expressivamente atuante, quanto de 2002 para cá.
As amarras que aprisionam as melhorias sociais são justamente os recursos assistencialistas que induzem ostensivamente a perpetuação da carência intelectual e do flagelamento democrático.
Afinal, o governo federal com a mão supostamente esquerda oferece a caridade e com a mão menos suposta direita retira sistematicamente os direitos mais que básicos com os quais qualquer cidadão brasileiro poderia alcançar dignidade e cidadania.
Instituiu-se o individualismo, o oportunismo, a cara de pau.
Fizemos nascer as celebridades políticas, travestindo as velhas práticas e dando a elas expressão cênica e palco definido e permitindo que cada uma delas criasse seu próprio personagem.
Somos um povo dócil, alegre e musical, mas de tempos para cá, também somos um povo desesperançado, não enxergando qualquer solução que reverta este quadro melancólico ao ponto de simplesmente sequer crermos que eles ainda existam, além de transformá-los em mitos de épocas ingênuas e remotas, como se patriotismo, consciência política, civilidade e amor próprio tivessem data de encerramento.
Fomos permitindo que o medo que nos foi imposto através das espadas afiadas de uma implacável ditadura militar nos conduzisse à apatia que nos faz silenciar frente aos abusos constantes, sufocantes e afrontosos de uma ditadura civil, antimoral, decência e bons costumes, onde cada cidadão iludido com a mansidão e com o ouro dos tolos, sem sequer percebe que a espada continua afiada, ceifando a mesma democracia, que nem eu e nem você sabemos exatamente o que significa. Será este o grande responsável?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

SOMOS BEM MAIS

Até a alguns anos atrás, apesar de todas as informações sensitivas que me foram repassadas na infância e adolescência, confesso que, envolta nos apelos sistêmicos, deixei as circunstâncias cotidianas direcionarem meus passos, sonhos e desejos, e com esta alienação existencial, verdadeiramente, acreditava que estava oferecendo à vida, às outras pessoas e a mim mesma tudo quanto havia de melhor.
Ah! Como eu estava enganada...
Ah! Como eu não sabia de nada...
E então, pensando agora nisto tudo, que pode parecer pouco, mas que devorou anos preciosos de vida em que eu deveria estar sentindo a vida sem tantos compromissos e emoções absolutamente dispensáveis, sinto que sou um alguém muito agraciado pelas energias deste universo fantástico, porque, afinal, suplantei os obstáculos para tão somente constatar que viver é muito mais que apenas querer ser isto ou aquilo, pois de nós ela só espera bom senso para usufruir, bem devagar, todos os sabores, aromas e toques que fazem de nós pequenas e deslumbrantes moléculas que se expandem, irradiando as luzes que por si mesmas nos oferecem o sentir que compreendi ser capaz de nos abastecer de tudo o mais que venhamos a querer usufruir nesta breve, mas espetacular viagem, onde temos um nome e uma aparência distinta, mas que na realidade somos, apenas, mais um elemento em um contexto somatório.
E pensando assim, olhando através da janela e enxergando o sol, aspirando os aromas e ouvindo os pássaros, desejo a vocês um dia repleto de paz.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Deus na Humanidade

Em dado momento, deixei de professar a religião na qual me eduquei, isto já faz muito tempo.
Vez por outra, busquei reencontrar a fé, fosse nessa ou naquela outra e nada...

Incomodada, por nada sentir, além de constantes interrogações, pus-me, então, a acreditar que professar uma religião é estar sempre esbarrando nos mistérios, no não explicado e, consequentemente, jamais entendido.

Minha natureza curiosa queria mais, não me bastando acreditar, pensei, então, que eu não cria, nem nisto e tão pouco naquilo, permanecendo meio solta, culpando-me pela arrogância de crer que não cria.

Passei a olhar para as pessoas querendo e buscando um Deus cuja semelhança lhes convinha e novamente o nada surgia e culpava.

Percebi, assim, que eu cria, justo no não crer da fantasia, recusando-me a enxergar Deus tal qual ele se exprimia, fosse através do sol, da chuva ou da melancolia que me invadia o ser ao constatar doída, que ele só existia na alma de todo aquele que, em busca dele, persistia.

E no desejo de tê-lo e de entendê-lo, sequer percebia que com ele eu convivia, através dos sentidos que tudo registravam, processando o óbvio que a vida ostentava.

Exercitei o não crer no Deus do ilusório, vivenciando um Deus que eu imaginava fora dos templos determinados, e aí compreendi, absolutamente encantada, que havia um templo em mim que o abrigava.

E neste vai e vem de busca e liberdade, me senti um Deus e enxerguei Deus na humanidade.

Comecei em prosa, terminando em poema, esta prosa amiga que travo comigo mesma, recomendando a todos que lerem esses escritos, que fujam do Deus que não encontram em si mesmos.


Palheta e Caneta

Em 1998, ao reduzir a velocidade do carro em determinado quebra molas, um garoto com a mão estendida e nela contendo um saquinho, perguntou-me:

- E ai, minha avó, vai hoje umas jabuticabas fresquinhas?

Chocada, parei mais adiante no acostamento e imediatamente olhei-me no espelhinho do quebra sol e acredito ter ficado ali, estática, me observando por um longo tempo.

Deus! Pensei. Envelheci e nem percebi!

Hoje, passados 13 anos, constato que vêz por outra me lembro deste episódio e que em todas as vezes, busco um espelho que esteja mais próximo, pois preciso constatar o quanto, apesar de ter envelhecido ainda mais, estou me sentindo ótima.

Consolo?

Talvez um pouco, mas com certeza uma forma que encontrei de não ser mais surpreendida e, atenta, ir acompanhando mais carinhosamente o meu envelhecimento e, assim, cuidar para que seja saudável e que retrate, mais que rugas, mas acima de tudo, o meu interior, ainda repleto de vida, sem idade definida, sem estereótipo que o mascare.

Lembro-me que ao chegar em casa, escrevi o que considero, provavelmente, umas das minhas melhores crônicas. Confesso que no início da escrita, deixei rolar algumas lágrimas silenciosas, afinal aquela surpreendente revelação atingiu-me de cheio o ego fazendo-me acordar do sono da indiferença que eu, e qualquer pessoa, pode nutrir, até mesmo por proteção pessoal, frente à experiência limite de estar se aproximando da morte, com a qual nos sentimos impotentes.

Portanto, alienar-se com o passar do tempo é o mesmo que paralisar na mente este mesmo tempo, não enxergando o óbvio e o absolutamente natural.

Quanto a morte, silenciosa, companheira que me acompanha desde o nascimento, fiz um trato amigável. Que me leve, quando chegar minha hora, mas enquanto isto não ocorrer, vou eu fazendo a minha hora, olhando-me no espelho e focando felicíssima aquela jovem sonhadora que se reflete e que tem muito ainda por realizar.

Contudo, cá entre nós, afinal, envelhecer ainda assim é uma merda, e aí, só nos resta colorir.

Não é mesmo?

Esperta e artista, conservo a palheta, as tintas e os pinceis, fazendo dos dias sucessivas aquarelas, e com a caneta e o papel, fazendo da morte mil poemas.

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