Neste amanhecer com os neurônios menos agitados, ouço obras atemporais de música clássica de Vivaldi, Mozart, Beethoven, Chopin e imediatamente, penso no outono que já chegou lá fora e em mim também, afinal, sou parte deste alternante ciclo existencial e como tal, renovo-me ora recolhendo-me, ora expondo-me.
Neste movimento incessante, a música tem sido uma grande aliada que me relaxa, induzindo-me a escrita, que por sua vez, me cura das dores deixadas pelas perdas, assoprando carinhosamente as feridas que ainda ardem.
O dia amanheceu com sua luz tropical, neste meu paraíso de beleza e paz, levando-me a lembrar do quanto é difícil romper o véu invisível da indiferença ou alienação humana, incapaz em sua maioria de perceber os sons das cigarras nos finais das tardes de verão, mesmo que se esgoelem, anunciando a chegada triunfal do outono.
Regina Carvalho- 22.3.2025 Itaparica
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